Lição 9
19 a 26 de agosto
Apelo pastoral de Paulo
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Jr 30–32
Verso para memorizar: Eu lhes suplico, irmãos, que se tornem como eu, pois eu me tornei como vocês. Em nada vocês me ofenderam” (Gl 4:12, NVI).
Leituras da semana: Gl 4:12-20; 1Co 11:1; Fp 3:17; 1Co 9:19-23; 2Co 4:7-12

Como temos visto até aqui, Paulo não mediu as palavras para com os gálatas. No entanto, sua linguagem forte simplesmente refletia a paixão inspirada que ele sentia em relação ao bem-estar espiritual da igreja que havia fundado. Além da questão teológica crucial com a qual Paulo estava lidando, a carta aos Gálatas também mostra, em sentido amplo, como é importante a doutrina correta. Se o que acreditamos não fosse importante, se a exatidão doutrinária não tivesse tanta importância, por que Paulo teria sido tão fervoroso e tão determinado em sua carta? A verdade é que aquilo em que acreditamos importa muito, especialmente em toda a questão do evangelho.

Em Gálatas 4:12-20, Paulo continuou seu discurso, embora tivesse mudado um pouco sua abordagem. Paulo havia apresentado uma série de argumentos detalhados e teologicamente sofisticados para persuadir os gálatas de seus erros, e então, ele fez um apelo mais pessoal e pastoral. Ao contrário dos falsos mestres que não tinham nenhum interesse verdadeiro nos gálatas, Paulo revelou genuína preocupação, aflição, esperança e amor de um bom pastor por seu rebanho rebelde. Ele não estava somente corrigindo a teologia, mas procurando ministrar àqueles a quem amava.

O dia 16 de setembro será o Dia Mundial do Desbravador. Aproveite a ocasião para celebrar e fortalecer esse ministério em sua igreja!
Domingo, 20 de agosto
Ano Bíblico: Jr 33–35
O coração de Paulo

1. Leia Gálatas 4:12-20. Qual é a essência da mensagem de Paulo nesses versos? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Paulo fez um apelo pastoral aos gálatas, lembrando-lhes como eles o haviam recebido pela primeira vez, exortando para que fossem como ele e não fizessem dele um inimigo.

B.( ) Paulo disse que os gálatas haviam ido longe demais em seus erros.

A indicação inicial da preocupação que pesava fortemente sobre o coração de Paulo é seu apelo pessoal no verso 12. O apelo ocorreu imediatamente após a insistência de Paulo para que os gálatas se tornassem como ele era. Infelizmente, o significado da palavra rogar ou suplicar não é totalmente transmitido em algumas traduções. A palavra em grego é deomai. Embora possa ser traduzida por “suplico” (ARA) ou “rogo” (ARC), a palavra grega tem um sentido mais forte de desespero (2Co 5:20; 8:4; 10:2). Paulo estava realmente dizendo: “Eu imploro a vocês!”

A preocupação de Paulo não era simplesmente com ideias teológicas e pontos de vista doutrinários. Seu coração estava ligado à vida das pessoas conduzidas a Cristo por meio de seu ministério. Ele se considerava mais do que apenas um amigo; era seu pai espiritual, e os conversos eram seus filhos. Mais do que isso, Paulo comparou sua preocupação a respeito dos gálatas com a preocupação e angústia que acompanham a mãe no parto (Gl 4:19). Paulo pensava que seu “trabalho” anterior, quando ele havia fundado a igreja, tinha sido suficiente para um “parto seguro”. Mas, visto que os gálatas haviam se desviado da verdade, Paulo estava experimentando as dores de parto mais uma vez a fim de garantir seu bem-estar.

2. Qual era o objetivo de Paulo para os gálatas? De todo o seu “trabalho” em favor deles, qual resultado ele queria ver? Gl 4:19

Tendo primeiramente descrito os gálatas como sendo formados no ventre, Paulo então falou deles como se fossem mulheres grávidas. A palavra traduzida como “formado” era usada na medicina para se referir ao desenvolvimento de um embrião. Por meio dessa metáfora, Paulo descreveu o que significa ser cristão, tanto individualmente quanto coletivamente, na igreja. Seguir a Cristo é mais do que simplesmente uma profissão de fé; envolve uma transformação radical à semelhança de Cristo. Paulo “não estava esperando algumas pequenas alterações nos gálatas, mas uma transformação tal que, ao olhar para eles, seria como ver Cristo” (Leon Morris, Galatians [Gálatas], Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1996, p. 142).

O caráter de Cristo é manifestado em sua vida? Em quais áreas você precisa crescer?
Segunda-feira, 21 de agosto
Ano Bíblico: Jr 36–38
O desafio da transformação

3. Qual era a necessidade dos gálatas, e o que Paulo pediu a eles? Paulo tinha autoridade para fazer esse apelo? Leia Gálatas 4:12 e compare com os seguintes textos: 1Co 11:1; Fp 3:17; 2Ts 3:7-9; At 26:28, 29

Ao longo de suas cartas, diversas vezes Paulo encorajou os cristãos a imitar seu comportamento. Em cada situação, ele se apresentou como exemplo confiável que eles deviam seguir. Em 2 Tessalonicenses 3:7-9, Paulo se ofereceu como exemplo de como os cristãos de Tessalônica deviam trabalhar para ganhar o próprio sustento e não ser um fardo para os outros. Em 1 Coríntios 11:1, Paulo exortou os coríntios a imitá-lo, colocando o bem-estar dos outros em primeiro lugar. Sua preocupação com os gálatas parece ter sido um pouco diferente.

Em Gálatas 4:12, Paulo não pediu que eles o imitassem. Em vez disso, pediu que eles se tornassem como ele era; ele estava falando sobre ser e não sobre agir. Por quê? O problema na Galácia não era comportamento antiético nem estilo de vida pecaminoso, como na igreja de Corinto. A questão na Galácia estava enraizada na essência do próprio cristianismo. Era mais sobre a “essência” do que sobre o “comportamento”. Paulo não estava dizendo “proceda como eu”, mas “seja o que eu sou”. A terminologia exata de Gálatas 4:12 ocorre no apelo de Paulo a Herodes Agripa II, em Atos 26:29, em que Paulo disse: “Peço a Deus que não apenas tu, mas todos os que hoje me ouvem se tornem como eu, porém sem estas algemas”. Em outras palavras, Paulo estava se referindo à sua experiência como cristão, um fundamento que se apoiava unicamente em Cristo, uma fé que confiava no que Jesus havia feito por ele e não em suas obras da lei. Os gálatas estavam dando mais valor ao seu comportamento do que à sua identidade em Cristo.

Embora Paulo não tenha dito especificamente de que maneira ele queria que os gálatas se tornassem como ele, o contexto da situação entre os gálatas indica que essa não foi uma declaração geral que abrangia todos os aspectos e detalhes de sua vida. Visto que sua preocupação era com a religião dos gálatas, centralizada na lei, certamente Paulo tinha em mente o maravilhoso amor, alegria, liberdade e certeza de salvação que ele havia encontrado em Jesus Cristo. À luz da maravilha insuperável de Cristo, Paulo havia aprendido a considerar tudo o mais como lixo (Fp 3:5-9) e ansiava que os gálatas tivessem essa mesma experiência.

Existe alguém, além de Jesus, que lhe tenha dado um bom exemplo? Quais qualidades dessa pessoa você acha exemplares? Como você pode revelar melhor essas qualidades em sua vida?
Terça-feira, 22 de agosto
Ano Bíblico: Jr 39–41
Eu me tornei como vocês

4. Leia 1 Coríntios 9:19-23. Essa passagem ajuda a entender o que Paulo quis dizer na última parte de Gálatas 4:12? Compare com At 17:16-34; 1Co 8:8-13; Gl 2:11-14. Assinale a alternativa correta:

A.( ) Ele começou a viver em pecado como os gálatas.

B.( ) Ele se tornou como um gentio para ganhá-los para Cristo.

C.( ) Ele deixou de acreditar que o sacrifício de Jesus fosse suficiente para a salvação.

Gálatas 4:12 pode parecer um tanto obscuro. Por que os gálatas deviam se tornar como Paulo, se ele já se havia tornado como eles? Como vimos na lição de ontem, Paulo queria que eles se tornassem como ele na sua completa fé e confiança na total suficiência de Cristo para a salvação. Seu comentário sobre ter se tornado como eles foi um lembrete de como, embora fosse judeu, ele havia se tornado um gentio “sem lei” para que pudesse alcançar os gentios da Galácia com o evangelho. Como o grande missionário para o mundo gentílico, Paulo havia aprendido a pregar o evangelho tanto aos judeus quanto aos gentios. De fato, de acordo com 1 Coríntios 9:19-23, embora o evangelho permanecesse o mesmo, o método de Paulo variava dependendo das pessoas que ele estava tentando alcançar.

“Paulo foi um pioneiro no que chamamos hoje de contextualização: a necessidade de comunicar o evangelho de tal maneira que ele fale ao contexto total das pessoas a quem é dirigido” (Timothy George, The New American Commentary: Galatians [O Novo Comentário Americano: Gálatas], Nashville, Tennessee: Broadman & Holman Publishers, 1994, p. 321).

Os comentários de Paulo em 1 Coríntios 9:21 indicam que ele acreditava que havia limites que estabeleciam até onde a pessoa devia ir na contextualização do evangelho. Por exemplo, ele citou que, embora a pessoa seja livre para alcançar judeus e gentios de diferentes maneiras, essa liberdade não inclui o direito de ter um estilo de vida sem lei, pois os cristãos estão sob a “lei de Cristo”.

Embora a contextualização nem sempre seja fácil, “à medida que somos capazes de separar a essência do evangelho de seu casulo cultural, a fim de contextua­lizar a mensagem de Cristo sem comprometer seu conteúdo, também devemos ser imitadores de Paulo” (Timothy George, Galatians [Gálatas], p. 321, 322).

É fácil fazer concessões, não é mesmo? Às vezes, quanto mais longa é nossa experiência cristã, mais fácil se torna fazer concessões. Por que as coisas são assim? Examine a si mesmo com sinceridade. Sutilmente você tem feito concessões? De que maneira você as tem justificado? Em quais áreas você precisa mudar? Como fazer isso?
Participe do projeto “Reavivados por Sua Palavra”: acesse o site http://reavivadosporsuapalavra.org/
Quarta-feira, 23 de agosto
Ano Bíblico: Jr 42–44
Naquele tempo e agora

O relacionamento de Paulo com os cristãos da Galácia nem sempre foi tão difícil e frio como tinha se tornado. Na verdade, ao refletir sobre a primeira vez em que pregou o evangelho ali, Paulo falou com entusiasmo sobre a maneira agradável pela qual eles o trataram. O que mudou essa situação?

5. De acordo com Gálatas 4:13, qual evento parece ter levado Paulo a decidir pregar o evangelho na Galácia?

Aparentemente, não havia sido a intenção original de Paulo pregar o evangelho na Galácia. Algum tipo de doença, entretanto, o atingiu na viagem, obrigando-o a ficar nessa região mais tempo do que o esperado ou a viajar para lá em busca de recuperação. A natureza exata da enfermidade de Paulo envolve um mistério. Alguns têm sugerido que ele tivesse contraído malária; outros (com base na referência de Paulo à disposição dos gálatas em arrancar os próprios olhos e dar-lhes a Paulo) sugerem que talvez fosse uma doença nos olhos. Sua doença também pode estar relacionada ao “espinho na carne” que ele mencionou em 2 Coríntios 12:7-9.

O sofrimento de Paulo  foi desagradável e se tornou uma provação para os gálatas. Numa cultura em que a doença era frequentemente vista como sinal do desagrado divino (Jo 9:1, 2; Lc 13:1-4), a enfermidade de Paulo poderia ter dado aos gálatas uma desculpa para que o rejeitassem, bem como sua mensagem. No entanto, eles o acolheram com sincera alegria. Por quê? Porque o coração deles havia sido aquecido pela pregação da cruz (Gl 3:1) e pela convicção do Espírito Santo. Que razão eles poderiam dar, então, para sua mudança de atitude?

6. Por que Deus permitiu que Paulo sofresse? Como Paulo poderia ministrar aos outros quando ele mesmo estava lutando com seus próprios problemas? Rm 8:28; 2Co 4:7-12; 12:7-10

Qualquer que fosse a doença de Paulo, certamente foi grave. Essa enfermidade poderia ter sido facilmente usada como desculpa a fim de culpar Deus por seus problemas ou simplesmente desistir de pregar o evangelho. Paulo não fez nada disso. O apóstolo usou sua situação como oportunidade para confiar mais plenamente na graça de Deus. “Repetidas vezes Deus tem usado as adversidades da vida – doença, perseguição, pobreza, e mesmo desastres naturais e tragédias inexplicáveis – como ocasiões para mostrar Sua misericórdia e graça, e como meio de promover o evangelho” (Timothy George, Galatians [Gálatas], p. 323, 324).

Como permitir que as provações e os sofrimentos nos levem a depender mais do Senhor?
Quinta-feira, 24 de agosto
Ano Bíblico: Jr 45–48
Falando a verdade

7. Qual pergunta poderosa Paulo fez em Gálatas 4:16? Você já passou por uma situação semelhante? Jo 3:19; Mt 26:64, 65; Jr 36:17-23. Asssinale a alternativa correta:

A.( ) “Quem os impediu de continuar obedecendo à verdade?”

B.( ) “Ó gálatas insensatos! Quem os enfeitiçou?”

C.( ) “Tornei-me inimigo de vocês por lhes dizer a verdade?”

Muitas vezes, a expressão “dizer a verdade” tem conotações negativas, especialmente em nossos dias, quando isso pode ser visto como uma tática de dizer a alguém os fatos de maneira categórica e descontrolada, não poupando nenhum inimigo, não importando quanto essas informações sejam desagradáveis ou desnecessárias. Se não fosse pelos comentários de Paulo em Gálatas 4:12-20 e alguns outros comentários espalhados ao longo de sua carta (Gl 6:9, 10), seria possível concluir erroneamente que o interesse de Paulo na verdade do evangelho superava qualquer expressão de amor. Mas, como vimos, embora Paulo desejasse que os gálatas conhecessem a “verdade do evangelho” (Gl 2:5, 14), essa preocupação surgiu por causa de seu amor por eles. Quem não experimentou pessoalmente quanto pode ser doloroso ter que castigar alguém ou falar à pessoa, em termos claros, verdades que, por algum motivo, ela não quer ouvir? Fazemos isso porque nos preocupamos com a pessoa, não porque queiramos prejudicá-la, ainda que o efeito imediato de nossas palavras seja dor ou até mesmo ira e ressentimento contra nós. Mesmo assim, falamos porque sabemos que a pessoa precisa ouvir, não importando se ela não queira ouvir.

8. Em Gálatas 4:17-20, o que Paulo disse sobre seus oponentes? O que mais ele desafiou, além de sua teologia?

Em contraste com a sinceridade do evangelho de Paulo, pelo qual ele assumiu o risco de ter que enfrentar a ira dos gálatas, seus oponentes estavam ativamente cortejando o favor dos gálatas, não por amor a eles, mas por seus próprios motivos egoístas. Não está claro exatamente o que Paulo quis dizer quando declarou que seus adversários queriam “isolá-los” (v. 17, NVI), embora isso talvez se refira a uma tentativa de excluí-los dos privilégios do evangelho até que eles se submetessem primeiramente à circuncisão.

Pense em algum incidente em que suas palavras, embora verdadeiras e necessárias, fizeram com que alguém ficasse irado com você. O que você aprendeu com essa experiência? Como ela pode ajudá-lo na próxima vez que você precisar fazer algo semelhante?
Sexta-feira, 25 de agosto
Ano Bíblico: Jr 49, 50
Estudo adicional

Nas igrejas da Galácia, aberta e claramente o erro estava suplantando a mensagem do evangelho. Cristo, o verdadeiro fundamento da fé, havia sido quase renunciado pelas obsoletas cerimônias do judaísmo. O apóstolo viu que, para que os crentes da Galácia fossem salvos das perigosas influências que os ameaçavam, as mais decisivas medidas deviam ser tomadas, dadas as mais severas advertências.

“Uma importante lição que todo ministro de Cristo deve aprender é a de adaptar seu trabalho às condições daqueles a quem busca beneficiar. Ternura, paciência, decisão e firmeza são igualmente necessárias, mas devem ser exercidas com o devido discernimento. Tratar sabiamente com diferentes classes de mentalidade, sob circunstâncias e condições variadas, é uma obra que requer sabedoria e mente iluminada e santificada pelo Espírito de Deus […].

“Aos que haviam conhecido na vida o poder de Deus, Paulo apelou para que voltassem ao seu primeiro amor da verdade do evangelho. Com argumentos incontestáveis, ele expunha perante eles seu privilégio de se tornarem homens e mulheres livres em Cristo, por cuja graça expiatória todos os que fazem completa entrega a Ele são revestidos com o manto de Sua justiça. […]

“As fervorosas palavras de súplica do apóstolo não ficaram sem fruto. O Espírito Santo atuou com forte poder, e muitos cujos pés se haviam desviado para caminhos estranhos, retornaram à sua primeira fé no evangelho. Daí em diante, ficaram firmes na liberdade com que Cristo os havia libertado” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 385, 386, 388).

Perguntas para reflexão

1. Pense na questão do sofrimento e em como Deus pode usá-lo. Como lidamos com situações em que nada de bom parece ter resultado do sofrimento?

2. Medite na ideia de Cristo sendo formado em nós. O que isso significa? Como saber se isso está acontecendo conosco? Como evitar o desânimo se essa experiência não estiver acontecendo como pensamos que devia ocorrer?

Resumo: Tendo apresentado argumentos detalhados e teologicamente sofisticados, Paulo fez um apelo pessoal aos gálatas. Ele pediu que eles ouvissem seu conselho, lembrando-lhes da relação positiva da qual já haviam compartilhado e do amor genuíno e preocupação que ele tinha por eles como seu pai espiritual.

Respostas e atividades da semana: 1. A. 2. Escolha com antecedência um aluno e peça que ele prepare uma resposta para ser apresentada à classe. Promova também uma discussão em grupo: Por que Paulo precisou passar novamente pelas “dores de parto”? 3. Peça a opinião dos alunos. 4. B. 5. Peça a opinião dos alunos. 6. Peça a opinião dos alunos. 7. C. 8. Com uma semana de antecedência, escolha um aluno para responder à questão. Peça que ele compartilhe sua resposta com os colegas na classe.

Resumo da Lição 9
Apelo pastoral de Paulo

TEXTO-CHAVE: Gálatas 4:12

O ALUNO DEVERÁ

Conhecer: Como a carta de Paulo aos Gálatas parte do argumento escriturístico para o raciocínio fundamentado no apelo pessoal.

Sentir: O apelo emocional que Paulo fez como pastor, compartilhando suas ansiedades e lembrando aos gálatas as experiências que eles tiveram em comum.

Fazer: Beneficiar-se não apenas do discernimento espiritual dos líderes, mas também de seu amor e preocupação, e apoiá-los em retribuição.

ESBOÇO

I. Conhecer: Apelo duplo

A. Por que Paulo fez um apelo teológico e outro pessoal?

B. Por que o conhecimento das angústias pastorais de Paulo ajudaria os gálatas a perceber a gravidade de sua própria crise?

II. Sentir: Ansiedade pastoral

A. Como o relato da história que viveram em comum ajudou Paulo a lembrar aos gálatas lições importantes?

B. Por que o argumento, o apelo e a ansiedade de Paulo poderiam despertar um reavivamento sincero do relacionamento dele com a igreja e a aceitação intelectual da verdade?

C. Como Paulo contrastou sua preocupação apaixonada pelo bem-estar da igreja com o desejo dos falsos mestres de procurar vantagens?

III. Fazer: Verdade amável, embora desagradável

A. Devemos estar dispostos a receber tanto as lições que nos repreendem e censuram, como as que nos encorajam e elevam. Como podemos fazer isso?

B. Podemos seguir o exemplo de Paulo e usar os relacionamentos como plataforma para compartilhar a verdade, mesmo quando isso for desconfortável.

C. Como podemos apoiar os que passaram pelo “parto” espiritual em nosso favor?

RESUMO: Após forte argumento espiritual, Paulo fez um apelo emocional para que os gálatas permanecessem no evangelho da graça.

Ciclo do aprendizado

Motivação

Focalizando as Escrituras: Gálatas 4:12

Conceito-chave para o crescimento espiritual: O evangelho que pregamos deve ser o evangelho que vivemos. Não há nada mais irresistível do que um cristão que tenha pleno amor por Jesus Cristo e compromisso com a salvação dos seres humanos perdidos.

Para o professor: Comente a realidade social em que grande parte do mundo se encontra hoje, na qual as palavras e atos raramente se unem para mostrar uma imagem clara de quem as pessoas realmente são.

Existem muitos comunicadores. Basta ligar o rádio, assistir à televisão ou navegar na internet para descobrir uma comitiva de apresentadores muito felizes em opinar sobre a última questão sensacional. Os analistas financeiros se sentem qualificados para denunciar a condição do sistema educacional. Os políticos dizem uma coisa quando buscam a vitória nas eleições e depois fazem o oposto quando estão no poder, ao mesmo tempo que aceitam subornos de interesses particulares superficialmente disfarçados.

E há também os perturbados mentais que ocupam programas nacionais de rádio, “vomitando” palavras e palhaçadas calculadas para provocar ódio, conquistar audiência e encher os bolsos. O mundo parece estar sendo levado por uma enxurrada de tolices sem sentido, pessoas totalmente incapazes que, não obstante, continuam audaciosas.

Como um comandante militar que lança aviões de combate não detectáveis atrás das linhas inimigas, Deus coloca o cristão no meio do barulho da conversa vazia, para viver e pregar o evangelho. Que amor maravilhoso por um mundo caído!

Pense nisto: Peça que a classe apresente uma lista dos “grandes comunicadores” que dominam a mídia. O que os mantém nos seus programas? Por que eles têm audiência? A essência de sua mensagem é positiva ou negativa? Finalmente, eles vivem o que falam?

Compreensão

Para o professor: No comentário desta semana, a classe deve analisar cuidadosamente a obediência de Paulo a Deus, sua disposição de se sacrificar para ver Cristo formado nos cristãos e seus esforços emocionais para levá-los a escolher Cristo. O amor de Paulo pelos perdidos certamente é inspirador.

Comentário bíblico

I. Alcançando o coração por meio da fé viva

(Recapitule com a classe 1Co 9:19-23; At 14:1-26; Gl 4:12.)

O estudo de terça-feira nos convida a considerar um dos aspectos mais importantes da missão de compartilhar a verdade: a mensagem contextualizada às pessoas a quem ela é transmitida tem mais possibilidade de alcançar o coração. O entendimento que Paulo tinha dessa realidade o levou a se tornar “tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns” (1Co 9:22, NVI).

Ainda que tivesse o nobre desejo de levar outros a Jesus, Paulo não realizava sua tarefa de maneira descuidada, especialmente no tocante ao seu entendimento da lei de Deus e dos códigos civis. Havia uma razão para a rigorosa lealdade de Paulo a um código de conduta pessoal irrepreensível. Enquanto Paulo e Barnabé estavam ministrando em Icônio, com grande sucesso, “os judeus que se haviam recusado a crer incitaram os gentios e irritaram-lhes os ânimos contra os irmãos” (At 14:2, NVI). O povo da cidade ficou tão dividido que “alguns estavam a favor dos judeus, outros a favor dos apóstolos” (v. 4, NVI).

O apóstolo Paulo não podia se dar ao luxo de ser negligente na maneira de viver sua fé. Por um lado, seus inimigos mantinham estrita vigilância sobre ele; porém, a razão mais importante para seu fiel testemunho era seu desejo de agradar a Deus em primeiro lugar.

Pense nisto: Peça que alguém leia Lucas 15:1-10. Observe o fato de que Jesus enfrentou ataques ilegítimos ao tentar fazer o bem aos que estavam à margem da sociedade na Sua época. Pergunte: A maneira pela qual Paulo contextualizava o evangelho refletia o método de Cristo? Havia alguma diferença?

II. Custe o que custar

(Recapitule com a classe Gl 4:19; Jo 3:3; Cl 1:27.)

Paulo usou a metáfora do parto para apresentar a ideia de que ele havia suportado, por assim dizer, as dores do parto, a fim de conduzir essas pessoas a Cristo. No entanto, como pretendiam voltar a uma forma de fé legalista, o processo de “nascimento” delas teria que começar de novo. Paulo estava, sem dúvida, ecoando a linguagem de Jesus, quando Ele falou com Nicodemos (Jo 3).

O apóstolo persistiu em alcançar os gálatas porque desejava que Cristo fosse plenamente formado e reinasse no coração deles (Gl 2:20). Como o estudo de quarta-feira deixa claro, Paulo prosseguiu em meio a uma doença pessoal para completar sua tarefa. Em sua carta aos Colossenses ele usou novamente a linguagem e a metáfora da maternidade para deixar claro que a formação de Cristo em nós representa a única “esperança de glória” da humanidade (Cl 1:27).

Pense nisto: Comente o conceito da formação cristã com seus alunos. Como fica a vida do cristão quando Cristo começa a ser formado dentro dele? O que muda? O que fica igual? Por que Paulo estava tão motivado a ajudar os cristãos da Galácia a ter uma fé profunda e permanente em Jesus Cristo como sua única fonte de salvação? Como ficou a vida de Paulo depois que Cristo “nasceu” no coração dele? Essa mudança na vida dele e a correspondente liberdade que ela trouxe teria sido a força que o movia a desejar que os outros também tivessem essa experiência?

III. Fechando o acordo

(Recapitule com a classe Gl 4:16; 2Co 1; 2.)

O apelo emocional é uma das características distintivas do ministério do apóstolo Paulo. Numa época em que muitos ministros do evangelho têm receio de fazer apelos em sermões, os apelos “diretos” de Paulo parecem estar ultrapassados. Na verdade, as emoções podem ser tocadas como um instrumento musical, e muitos líderes religiosos se tornaram especialistas nesse negócio, mas Paulo não estava sendo hipócrita.

Em Gálatas 4:16, Paulo, amigo íntimo dos cristãos da Galácia, arriscou essa amizade num esforço para ajudá-los a “ver” Cristo através da névoa do legalismo que os havia envolvido. Na linguagem moderna ele diria: “Você está irritado comigo porque eu disse a verdade?”.

O apelo de Paulo à igreja de Corinto em 2 Coríntios 1 e 2 é ainda mais inquietante. Ao ter sua autoridade ministerial questionada, Paulo escreveu: “Pois eu lhes escrevi com grande aflição e angústia de coração, e com muitas lágrimas, não para entristecê-los, mas para que soubessem como é profundo o meu amor por vocês” (2Co 2:4, NVI).

Paulo desejava que as pessoas conhecessem Jesus; seu amor por elas fortalecia seus apelos e os tornava eficazes.

Pense nisto: Por que alguns cristãos têm medo de se arriscar ao pregar o evangelho? Algumas culturas são mais reservadas do que outras. Qual deve ser o papel das normas culturais em nossa maneira de apelar aos homens e mulheres em nome de Cristo?

Aplicação

Para o professor: Incentive os alunos a responder às perguntas abaixo. Dê tempo para os que desejarem compartilhar suas respostas.

Perguntas para reflexão

1. Como você aceitou Jesus Cristo como Senhor e Salvador? Foi por meio do incentivo de um amigo, de um grande sermão que comoveu seu coração ou de um apelo a que você não resistiu? O que o atraiu e fez com que desejasse entregar a vida a Jesus?

2. Paulo frequentemente enfrentava rejeição em seus esforços para ganhar pessoas para Cristo. O medo da rejeição impede você de compartilhar a fé? Como você planeja superar isso?

Pergunta para aplicação

“Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo Seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus” (2Co 5:20, NVI). Quais dons ou talentos específicos que você tem podem ser usados por Deus para apelar a outras pessoas?

Perguntas para testemunhar

1. É evidente que um coro de vozes contraditórias estava confundindo os cristãos da Galácia. Do contrário, Paulo não teria encontrado tanta dificuldade para explicar a lei e como esta demonstra a fé em Jesus Cristo. Quais desafios a elite intelectual da sociedade apresenta atualmente para o cristão que tenta compartilhar o evangelho?

2. Como podemos encontrar o equilíbrio entre construir relacionamentos com os que desejamos conduzir a Cristo e falar a verdade para eles? Qual é o papel do Espírito Santo nesse processo?

Criatividade e atividades práticas

Distribua papéis para os alunos e peça que escrevam um ou dois exemplos de apelos para alcançar o coração das pessoas mencionadas nas seguintes situações:

A. Um homem frequentemente embriagado passa por sua igreja a cada sábado porque sabe que certamente obterá uma refeição e algumas pessoas lhe darão dinheiro. Ele nunca entra para assistir ao culto. Como a igreja deve reagir?

B. Sara visitou sua igreja várias vezes. Ela presta atenção aos cultos e até comprou uma Bíblia a fim de acompanhar o pregador. Todos querem saber quando ela decidirá entregar o coração a Jesus e ser batizada, mas seu pastor raramente faz apelos. Quando faz, parece que fica incomodado e se apressa para terminar logo. Como você faria para apelar a Sara?

C. Uma amiga íntima sua tem sonegado impostos durante anos. Ela procura todas as brechas para poupar dinheiro, mas passa dos limites. Às vezes, ela brinca com você a respeito disso e justifica seu comportamento dizendo: “É o meu dinheiro de qualquer maneira. Tudo que o governo faz é desperdiçá-lo”. Como você faria para ajudá-la a perceber que esse comportamento é errado? Você mencionaria Deus ou apenas a abordaria da perspectiva legal, dizendo que ela está transgredindo a lei? Explique.

A vila dos adventistas

Na semana passada, conhecemos a história de uma pequena vila no nordeste da Índia cujos moradores tentaram forçar seis famílias adventistas do sétimo dia a sair do vilarejo. Os moradores fizeram ameaças de morte e vandalizaram o pequeno templo adventista. Eles conseguiram que a polícia prendesse os adventistas e os mantivesse na prisão durante dois dias. Após a libertação deles, as autoridades locais exigiram que os moradores da vila deixassem os adventistas em paz. Mas a história não terminou aí.

As tensões continuaram durante meses após a prisão dos três adventistas. O problema atingiu o auge quando um respeitado aldeão decidiu se tornar membro da Igreja Adventista. Os outros moradores ficaram preocupados, temendo que a decisão desse homem influenciasse o restante dos moradores da aldeia. Eles não queriam que a Igreja Adventista crescesse. Por isso, acusaram falsamente o novo converso adventista de praticar magia negra.

Vários jovens subiram no telhado da casa daquele homem e gritaram insultos contra os adventistas e sua fé. Depois destruíram a casa e o celeiro que ficavam perto. Em seguida, foram até a plantação, colheram tudo e levaram os produtos para casa.

A morte ronda a vila

Então algo estranho aconteceu. Alguns jovens que participaram do vandalismo começaram a morrer misteriosamente. O nariz de um homem começou a sangrar enquanto viajava, e ele morreu no caminho de casa.

Amunang, um dos diáconos da igreja, testemunhou o fato. Ele disse: “Aqueles que destruíram a casa e zombaram da igreja e de seus membros morreram em um curto período de tempo e de um modo inexplicável.”

Comando militar

Um segundo incidente incomum também ocorreu naquele ano. A aldeia recebeu aviso de que os militares precisavam de ajuda para trazer suprimentos. Era costume que os militares pedissem ajuda aos aldeões para transportar rações, comida e equipamentos. Dessa vez, no entanto, os militares queriam que isso fosse feito no sábado.

Os adventistas imediatamente apelaram para as autoridades. Explicaram que o sábado bíblico era o sétimo dia, e eles não iriam trabalhar. As autoridades, porém, não demonstraram simpatia. Então, sem explicação, os militares anunciaram que a jornada de trabalho havia sido alterada do sábado para domingo.

A mudança de data pegou os moradores da vila de surpresa. Muitos começaram a dizer uns aos outros: “Talvez Deus tenha respondido às orações dos adventistas.”

No domingo, durante o trabalho, aconteceu um desastre. Enquanto os aldeões carregavam os suprimentos por uma ponte, ela desmoronou sob seus pés. Várias pessoas ficaram feridas, mas os adventistas foram poupados.

Os moradores da vila começaram a admitir que haviam tentado fazer com que os adventistas transgredissem o sábado, mas todos acabaram trabalhando no domingo. Eles começaram a pensar que Deus estava abençoando os adventistas. A notícia se espalhou por toda a região, e a perseguição aos adventistas parou.

Os líderes da igreja local explicam que não creem que Deus cause morte ou sofrimento, mas que protege e recompensa aqueles que são fiéis a Ele.

Uma Igreja que cresce

Hoje, 30% dos 1.500 habitantes da aldeia pertencem à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Um ancião da igreja disse não ter dúvida de que Deus abençoa Seus fiéis. Ele diz: “A igreja agora tem um bom nome e os moradores a respeitam. Espero que esta alegria no Senhor continue a se espalhar e abençoar a comunidade.”

A vila fica a pouco mais de duas horas de carro da cidade em que a Escola Adventista de Nagaland está localizada. Parte da oferta da Escola Sabatina deste trimestre ajudará a construir um residencial feminino na escola adventista. Isso vai facilitar a vinda de meninas que moram em aldeias distantes. Assim, elas poderão receber as bênçãos que Deus coloca sobre aqueles que O amam e obedecem aos Seus mandamentos.

Resumo missionário

• A única escola adventista perto dessa aldeia fica em Dimapur, Nagaland, a maior cidade da região.

• A Escola Adventista de Nagaland oferece desde as classes do Jardim da Infância até o Ensino Médio. Foi fundada em 2007 e tem 205 alunos.

• Muitos estudantes de regiões distantes gostariam de frequentar a escola de Nagaland. Atualmente, alunos que necessitam de acomodações têm sido levados para as casas dos professores. Mas eles não têm condições de aceitar todos que desejam ser alunos internos. Os dormitórios na escola permitirão que os estudantes que moram longe tenham acesso à educação cristã de qualidade.

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º trimestre de 2017

Tema geral: “O evangelho em Gálatas”

Lição 9: 19 a 26 de agosto

Apelo pastoral de Paulo

 

Autor: Pr. Nilton Aguiar

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

  

Introdução

Wilson Tozer, um grande autor cristão, escreveu: “a Bíblia não é um fim em si mesma, mas um meio de trazer os homens a um conhecimento íntimo e pleno de Deus, de modo que possam ir a Ele, e alegrar-se em Sua presença; e que possam provar e conhecer o deleite interior do próprio Deus no âmago e centro de seus corações”.[ii] Paulo tinha consciência disso. Por essa razão, ele ensinou as verdades bíblicas com tanta paixão. Porém, mais do que um grande professor, ele também foi um grande pastor, sensível o suficiente para fazer intensos e decisivos apelos ao coração de seus ouvintes. É precisamente isso que identificamos na segunda metade de sua carta aos Gálatas, conforme veremos nesta semana.

O coração de Paulo

A passagem que encontramos em Gálatas 4:12-20 está repleta de paixão e emoção. Paulo se dirigiu aos gálatas com um apelo afetuoso, tentando despertar neles o mesmo amor que haviam manifestado no passado. Qualquer pessoa que leia os capítulos um, dois e três de Gálatas, sem completar a leitura da carta com os capítulos quatro a seis, pode ficar com a impressão de que Paulo foi um teólogo frio – muito inteligente, por sinal – porém sem coração. No entanto, a seção final da carta não permite essa conclusão.[iii] Paulo estava muito preocupado com a doutrina, como estaria qualquer outro teólogo comprometido com a verdade. Porém, mais do que tudo, ele estava preocupado com as pessoas, como todo bom pastor.

É igualmente importante notar que a segunda seção inicia o que chamamos de parte prática da carta. Os estudiosos de Paulo têm notado que suas cartas estão divididas em duas grandes seções. Na primeira, ele fazia uma exposição doutrinária. Na segunda, ele aplicava o conhecimento transmitido às necessidades de seus leitores, e apelava para que eles vivessem à altura do conhecimento adquirido. Essa abordagem de Paulo deixa uma lição para todos os líderes na igreja de Deus. Não podemos abrir mão da doutrina. Porém, devemos sempre ter em conta que ela não é mais importante que as pessoas.

O desafio da transformação

O apelo de Paulo, “Sejam como eu sou”, pode soar como arrogância numa primeira leitura. Porém, quando interpretamos essa afirmação de Paulo no contexto não apenas de sua carta aos Gálatas, mas também das demais, fica claro que ele estava apenas expressando sua segurança naquilo que Cristo realizou e estava realizando em sua vida: Houve uma transformação entre o que ele era antes de conhecer a Cristo e o que ele se tornou depois do encontro com Ele na estrada de Damasco. Em outras palavras, Paulo desejava ardentemente que os gálatas “se tornassem como ele em sua fé e vida cristã, a fim de que eles se libertassem da influência dos falsos mestres, e compartilhassem suas convicções a respeito da verdade tal qual ela é em Jesus e a respeito da liberdade com a qual Cristo nos libertou”.[iv]

Essa mesma segurança de uma vida transformada também pode ser encontrada no testemunho de Pedro e João quando subiram ao templo para orar. Ao serem abordados por um paralítico pedindo esmola à porta do templo, Pedro disse: “Olha para nós” (At 3:4). O contexto dessa passagem mostra que Pedro estava tentando chamar a atenção para o fato de que não havia poder nele e em João, mas em Cristo. É o poder de Cristo para transformar que está em evidência! No caso de Paulo, quando ele disse aos gálatas, “Sejam como eu sou”, Paulo queria que eles experimentassem em sua vida o mesmo poder transformador que ele mesmo havia experimentado. Essa afirmação também pode ter ligação com o que Paulo já havia escrito anteriormente na carta sobre sua biografia e lealdade ao evangelho (Gl 1:13–2:14).[v]

Além disso, quando comparamos o apelo de Paulo aos gálatas, de que fossem tal qual ele era, com outros apelos de Paulo aos crentes de Corinto (1Co 11:1), Filipos (Fp 3:17) e Tessalônica (2Ts 3:7-9) para que eles fossem seus imitadores, percebemos que Paulo demonstrou em sua vida uma perfeita harmonia entre “ser” e “fazer”. Essa mesma harmonia deve haver na vida dos cristãos hoje.

 Eu me tornei como vocês

Para entender bem essa afirmação de Paulo no contexto imediato de Gálatas 4:12, é importante localizar cada um dos eventos na linha do tempo. A ação de Paulo ao se tornar como os gálatas é anterior à ação que ele esperava dos gálatas de se tornarem como ele. Em outras palavras, primeiro Paulo se tornou como os gálatas para, somente então, apelar para que os gálatas fossem como ele. Ao dizer que se tornou como os gálatas, possivelmente Paulo estivesse se referindo à visita que lhes havia feito. Quando foi à Galácia, “ele não guardou distância nem permaneceu em sua dignidade, mas tornou-se como eles. Ele se colocou no lugar deles e se identificou com eles. Embora fosse um judeu, ele se tornou como os gentios que [eles] eram”.[vi] A abordagem de Paulo aos Gálatas é coerente com o que ele escreveu em 1 Coríntios 9:19-23.

Foi com Cristo que Paulo aprendeu essa lição. “O Salvador misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: ‘Segue-Me’ (Obreiros Evangélicos, p. 363). Em seu famoso poema de Filipenses 2:5-8, Paulo penetrou a fundo nessa questão da identificação de Cristo com a humanidade. Cristo, sendo Deus, viveu na Terra como Homem. João mencionou que “o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1:14). Há, aqui, um importante princípio: se realmente queremos salvar pessoas, precisamos ir aonde elas estão, identificar-nos com elas, ser um com elas, e então atraí-las para onde estamos. Como Paulo, devemos dizer: “Sejam como eu sou, porque eu me tornei como vocês”. Esse é um apelo difícil de resistir!

Naquele tempo e agora

O fato de que Paulo pregou o evangelho na Galácia porque foi forçado a ficar na região em função de uma enfermidade física, demonstra que a vontade de Deus está acima da vontade humana e que Deus dispõe de meios e recursos inesgotáveis a fim de alcançar as pessoas. Originalmente, Paulo não tinha intenção de pregar na Galácia. Imagine se isso não tivesse acontecido. Possivelmente, não teríamos essa carta tão rica do ponto de vista teológico e prático. A enfermidade de Paulo naquela ocasião se tornou um benefício não apenas para os gálatas, mas para toda a igreja cristã, incluindo cada um de nós!

Essa história também ilustra o poder do Evangelho. No verso 14, Paulo mencionou que sua enfermidade foi uma tentação para que os gálatas o rejeitassem. No mundo antigo, a doença era considerada um sinal do desagrado de Deus não apenas por judeus, mas também por gentios.[vii] Portanto, Paulo e sua mensagem podiam ter sido facilmente rejeitados. Porém, isto não ocorreu. E devemos nos perguntar por que não ocorreu. É porque o evangelho “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1:16), e também porque o evangelho não chega apenas em palavra, “mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção” (1Ts 1:5). Quando Paulo pregou o evangelho aos gálatas, ele foi recebido “como um anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus”. E não podia ser diferente, porque os que pregam o evangelho são mensageiros de Deus, que continuam a obra que Jesus iniciou.

Pare para pensar um pouco. Deus usou a doença de Paulo para anunciar o evangelho aos gálatas. O que ele tem usado de cada um de nós? Paulo pregou mesmo estando enfermo. Não houve desculpas! Existe realmente algo que possa nos impedir de pregar o evangelho?

Falando a verdade

Em Gálatas 4:16-20, Paulo traçou um contraste entre sua atitude e a atitude dos falsos mestres. Enquanto Paulo falava a verdade (v. 16), seus oponentes faziam esforço para agradar, mas não o faziam sinceramente (v. 17). Há algo implícito aqui. Nem sempre a verdade agrada. Basta dar uma olhada no que ocorreu com os profetas do Antigo Testamento (Lc 6:23; At 7:52). Porém, é importante lembrar que os profetas pregavam a verdade com amor e não simplesmente para provar que eles estavam corretos em um ponto. Se eles fossem pregadores egoístas e preocupados apenas com sua reputação, eles realmente continuariam pregando mesmo sob risco de morte? A resposta é um óbvio “não”.

No caso de Paulo, ele pregava a verdade porque, em primeiro lugar, essa era uma ordem de Deus e, segundo, porque ele estava preocupado com o bem-estar de suas ovelhas. Ao contrário, seus oponentes estavam preocupados apenas com a popularidade pessoal. Isso fica claro no verso 17: “para que o vosso zelo seja em favor deles”. Em contrapartida, Paulo os amava como a filhos; sofria por eles (v. 19); desejava estar perto (v. 20). “A diferença entre Paulo e os falsos mestres era clara [...] Eles [os falsos mestres] olhavam egoisticamente para seu prestígio e posição; Paulo estava preparado para sacrificar-se por eles, e estar em [‘dores de parto’] até que Cristo fosse formado neles”.[viii]

Conclusão

Paulo não era um teólogo frio interessado apenas em transmitir conteúdos. A mensagem que ele apresentou não estava baseada apenas em conhecimento teórico, mas principalmente na sua experiência prática com Cristo. Paulo demonstrou ter encontrado um perfeito equilíbrio entre teoria e prática. Ele sabia que nossa intimidade com Deus cresce à medida que conhecemos melhor o que Ele revelou de Si mesmo em Sua Palavra. Intimidade sem conhecimento é ilusão e superficialidade, mas o conhecimento da Verdade é uma porta aberta para a liberdade! Como disse Jesus: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:32). Paulo pregou a verdade com amor. Ele queria conduzir seus ouvintes a uma vida de liberdade em Cristo!

 Notas

 [1] O autor é pastor, mestre em Ciências da Religião, mestre e bacharel em Teologia, licenciado em Letras e autor de diversos livros e artigos. É docente do curso de Teologia, no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, Cachoeira/BA, e atualmente está cursando o doutorado em Novo Testamento, na Andrews University (EUA). É casado com a professora Cristiane Aguiar, e tem dois filhos: a Karol e o Lucas.

[1] A. W. Tozer, The classic works of A. W. Tozer: the pursuit of God & Man, the dwelling place of God. Disponível no Kindle, posição 1767.

[1] John R. W. Stott, The Message of Galatians: Only One Way (Downer’s Grove, IL: InterVarsity Press, 1986), 111.

[1] John R. W. Stott, The Message of Galatians, 112.

[1] Richard N. Longenecker, Galatians, vol. 41, Word Biblical Commentary (Dallas: Word, Incorporated, 1998), 189.

[1] John R. W. Stott, The Message of Galatians, 112.

[1] Ronald Y. K. Fung, The Epistle to the Galatians (Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1953), 198.

[1] John R. W. Stott, The Message of Galatians, 116-117.

Autor do comentário: O autor é pastor, mestre em Ciências da Religião, mestre e bacharel em Teologia, licenciado em Letras e autor de diversos livros e artigos. É docente do curso de Teologia, no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, Cachoeira/BA, e atualmente está cursando o doutorado em Novo Testamento, na Andrews University (EUA). É casado com a professora Cristiane Aguiar, e tem dois filhos: a Karol e o Lucas.