Lição 10
26 de agosto a 02 de setembro
As duas alianças
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Jr 51, 52
Verso para memorizar: “Mas a Jerusalém lá de cima é livre, a qual é nossa mãe” (Gl 4:26).
Leituras da semana: Gl 4:21-31; Gn 1:28; 2:2, 3; 3:15; 15:1-6; Êx 6:2-8; 19:3-6

Muitas vezes, cristãos que rejeitam a autoridade do Antigo Testamento veem a promulgação da lei no Sinai como algo incompatível com o evangelho. Concluem que a aliança apresentada no Sinai representa uma época, uma dispensação, um tempo na história humana em que a salvação tinha por base a obediência à lei. Mas, pelo fato de que as pessoas não viveram à altura das exigências da lei, eles pensam que Deus anunciou a nova aliança da graça mediante os méritos de Jesus Cristo. Este é o seu entendimento das duas alianças: a antiga, com base na lei, e a nova, fundamentada na graça.

Por mais comum que seja essa visão, ela é equivocada. A salvação nunca foi pela obediência à lei. Desde o início, o judaísmo bíblico sempre foi uma religião de graça. O legalismo que Paulo estava confrontando na Galácia era uma perversão, não apenas do cristianismo, mas do próprio Antigo Testamento. As duas alianças não são questões de tempo; em lugar disso, elas são um reflexo das atitudes humanas e representam duas maneiras diferentes de tentar se relacionar com Deus, que remontam a Caim e Abel. A antiga aliança representa os que, como Caim, equivocadamente confiam na própria obediência como meio de agradar a Deus. Em contrapartida, a nova aliança representa a experiência dos que, como Abel, confiam inteiramente na graça de Deus para realizar tudo o que Ele prometeu.

Hoje é o dia do Projeto Quebrando o Silêncio. O que sua igreja pode fazer para alcançar e restaurar corações quebrantados?
Domingo, 27 de agosto
Ano Bíblico:
Princípios da aliança

Muitos consideram a interpretação de Paulo sobre a história de Israel em Gálatas 4:21-31 como a passagem mais difícil em sua carta. Isso porque ela apresenta um argumento extremamente complexo, que exige um amplo conhecimento das pessoas e acontecimentos do Antigo Testamento. O primeiro passo para dar sentido a essa passagem é ter um entendimento básico de um conceito do Antigo Testamento que é central para o argumento de Paulo: o conceito da aliança.

A palavra hebraica traduzida por “aliança” é berit. Ela ocorre quase 300 vezes no Antigo Testamento e se refere a um contrato obrigatório, acordo ou tratado. Por milhares de anos, as alianças desempenharam papel fundamental na definição das relações entre pessoas e nações do antigo Oriente Próximo. Muitas vezes, alianças envolviam sacrifício de animais como parte de seu processo (literalmente, “cortar” uma aliança). A matança de animais simbolizava o que aconteceria a uma das partes, caso esta falhasse em cumprir as promessas e obrigações da aliança.

“De Adão a Jesus, Deus Se relacionou com a humanidade por meio de uma série de promessas da aliança centralizadas em um futuro redentor, e que culminaram na aliança davídica (Gn 12:2, 3; 2Sm 7:12-17; Is 11). No cativeiro babilônico, Deus prometeu a Israel uma “nova aliança” mais eficaz (Jr 31:31-34) em conexão com a vinda do Messias davídico (Ez 36:26-28; 37:22-28)” (Hans K. LaRondelle, Our Creator Redeemer [Nosso Criador e Redentor], Berrien Springs, Michigan: Andrews University Press, 2005, p. 4).

1. De acordo com Gênesis 1:28; 2:2, 3, 15-17, qual foi a base da aliança original de Deus com Adão, no Jardim do Éden, antes do pecado?

Embora o casamento, o trabalho físico e o sábado fizessem parte das provisões gerais da aliança da criação, seu foco principal era o mandamento de não comer do fruto proibido. A natureza básica da aliança era “obedecer e viver”. Como a natureza humana foi criada em harmonia com Deus, o Senhor não exigiu o impossível. A obediência era a inclinação natural da humanidade. No entanto, Adão e Eva escolheram fazer o que não era natural e, nesse ato, não apenas romperam com a aliança da criação, mas tornaram impossível o cumprimento de seus termos aos seres humanos, agora corrompidos pelo pecado. O próprio Deus iria restaurar o relacionamento que Adão e Eva haviam perdido. Ele fez isso estabelecendo imediatamente uma aliança de graça, com base na promessa de um Salvador (Gn 3:15).

2. Leia Gênesis 3:15, a primeira promessa evangélica da Bíblia. Em que parte, nesse verso, encontra-se um indício da esperança que temos em Cristo?

Segunda-feira, 28 de agosto
Ano Bíblico: Ez 1–3
A aliança abraâmica

3. Quais promessas da aliança Deus fez a Abrão em Gênesis 12:1-5? Qual foi a resposta de Abrão?

As promessas de Deus para Abrão dizem respeito à graça divina. Foi o Senhor, não Abrão, que fez as promessas. Abrão não havia feito nada para merecer o favor de Deus, nem existe ali nenhuma indicação de que Deus e Abrão de alguma forma tivessem trabalhado juntos para chegar a esse acordo. Deus fez todas as promessas. Abrão, em contrapartida, foi chamado a exercer fé na promessa de Deus, não uma pretensa e frágil “fé”, mas uma fé que se manifestou quando ele, com 75 anos de idade, deixou seus familiares e se dirigiu à terra que Deus havia prometido.

“Com a ‘bênção’ pronunciada sobre Abraão e, por meio dele, a todos os seres humanos, o Criador renovou Seu propósito redentor. Ele havia ‘abençoado’ Adão e Eva no paraíso (Gn 1:28; 5:2) e depois ‘abençoou Deus a Noé e a seus filhos’ após o Dilúvio (9:1). Dessa maneira, Deus tornou clara Sua promessa anterior de um Redentor que iria redimir a humanidade, destruir o mal e restaurar o paraíso (Gn 3:15). Deus confirmou Sua promessa de abençoar “todos os povos” em Sua obra universal de proclamação do evangelho” (Hans K. LaRondelle, Our Creator Redeemer, p. 22, 23).

4. Após dez anos de espera pelo nascimento do filho prometido, quais perguntas Abrão tinha sobre a promessa de Deus, de acordo com Gênesis 15:1-6?

É fácil exaltar Abrão como o homem de fé que nunca teve quaisquer dúvidas ou perguntas. No entanto, as Escrituras pintam um quadro diferente. Abrão acreditou, mas também teve dúvidas ao longo do caminho. Sua fé foi crescente. Como o pai do relato de Marcos 9:24, Abrão basicamente disse a Deus em Gênesis 15:8: “Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé!” Em resposta, Deus graciosamente deu a Abrão a certeza do cumprimento da Sua promessa, ao entrar numa aliança formal com ele (Gn 15:7-18). O que torna essa passagem tão surpreendente não é o fato de que Deus tivesse entrado em aliança com Abrão, mas quanto Ele estava disposto a ceder para realizá-la. Ao contrário de outros governantes do antigo Oriente Próximo, que rejeitavam a ideia de fazer promessas obrigatórias a seus servos, Deus não apenas deu Sua palavra, mas, simbolicamente, passando por entre os pedaços dos animais sacrificados, colocou em risco Sua própria vida nesse pacto. É claro, Jesus, no fim das contas, deu a vida no Calvário para tornar Sua promessa uma realidade.

Você precisa crer no impossível? Como manter a fé, não importando o que aconteça?
Terça-feira, 29 de agosto
Ano Bíblico: Ez 4–7
Abraão, Sara e Hagar

5. Por que Paulo tinha uma visão tão depreciativa do incidente com Hagar? Qual ponto crucial sobre a salvação foi apresentado mediante essa história do Antigo Testamento? Gl 4:21-31; Gn 16

O lugar de Hagar na história de Gênesis está diretamente relacionado ao fato de que Abrão deixou de crer na promessa de Deus. Como uma escrava egípcia na casa de Abrão, Hagar provavelmente tivesse se tornado propriedade do patriarca como uma das muitas dádivas que Faraó deu a ele em troca de Sarai. O acontecimento está associado ao primeiro ato de incredulidade de Abrão na promessa de Deus (Gn 12:11-16).

Depois de esperar dez anos pelo nascimento do filho prometido, Abrão e Sarai permaneciam sem filhos. Concluindo que Deus precisava da ajuda deles, Sarai deu Hagar a Abrão como concubina. Embora seja estranho para nós hoje, o plano de Sarai foi bastante engenhoso. De acordo com os costumes antigos, uma escrava poderia servir legalmente como mãe de aluguel para sua patroa estéril. Assim, Sarai podia considerar como dela própria qualquer criança nascida de seu marido e Hagar. Embora o plano tenha gerado uma criança, não se tratava do filho que Deus havia prometido.

Nessa história, temos um poderoso exemplo de como até mesmo um grande homem de Deus falhou em sua fé ao enfrentar circunstâncias assustadoras. Em Gênesis 17:18, 19, Abraão pediu a Deus que aceitasse Ismael como seu herdeiro. O Senhor, naturalmente, rejeitou essa oferta. O único elemento “miraculoso” no nascimento de Ismael foi a disposição de Sarai em compartilhar seu marido com outra mulher! Não houve nada fora do normal com relação ao nascimento de uma criança para essa mulher, uma criança nascida “segundo a carne”. Tivesse Abrão confiado no que Deus lhe havia prometido, em vez de permitir que as circunstâncias dominassem essa confiança, nada disso teria acontecido, e muito sofrimento teria sido evitado.

6. Em contraste com o nascimento de Ismael, considere as circunstâncias que envolveram o nascimento de Isaque. Por que essas circunstâncias exigiram muita fé por parte de Abraão e Sara? Gn 17:15-19; 18:10-13; Hb 11:11, 12.
Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:

A.( ) Porque Sara era estéril.

B.( ) Porque Abraão era estéril.

Sua falta de fé nas promessas de Deus tem lhe causado sofrimento? Como você pode aprender a confiar na Palavra de Deus, não importando o que aconteça? Quais escolhas podem fortalecer sua capacidade de confiar nas promessas de Deus?
Quarta-feira, 30 de agosto
Ano Bíblico: Ez 8–10
Hagar e o Monte Sinai (Gl 4:21-31)

7. Que tipo de relação de aliança Deus desejava estabelecer com Seu povo no Sinai? Quais são as semelhanças entre essa aliança e a promessa de Deus a Abraão? Êx 6:2-8; 19:3-6; Dt 32:10-12

Deus queria partilhar com os filhos de Israel no Sinai da mesma relação de aliança que havia compartilhado com Abraão. De fato, existem semelhanças entre as palavras de Deus em Gênesis 12:1-3 e Suas palavras a Moisés em Êxodo 19. Em ambos os casos, Deus enfatizou o que Ele faria por Seu povo. Ele não pediu que os israelitas prometessem fazer qualquer coisa para obter Suas bênçãos. Em vez disso, eles deviam obedecer como resposta a essas bênçãos. As palavras hebraicas traduzidas como “obedecer” e “guardar” em Êxodo 19:5 significam, literalmente, “ouvir”. Essas palavras de Deus não implicam justificação pelas obras. Ao contrário, Ele queria que Israel tivesse a mesma fé que, pelo menos na maior parte do tempo, caracterizou a resposta de Abraão às Suas promessas.

8. Se a relação de aliança que Deus ofereceu a Israel no Sinai é similar àquela dada a Abraão, por que Paulo identificou o Monte Sinai com a experiência negativa de Hagar? Êx 19:7-25; Hb 8:6, 7

A aliança no Sinai foi destinada a apontar a pecaminosidade humana e o remédio da graça abundante de Deus, simbolizada nas cerimônias do santuário. O problema da aliança no Sinai não estava com Deus, mas com as promessas defeituosas do povo (Hb 8:6). Em vez de responder às promessas de Deus com humildade e fé, os israelitas responderam com autoconfiança. “Tudo o que o Senhor falou faremos” (Êx 19:8). Depois de viver como escravos no Egito por alguns séculos, eles não tinham uma concepção verdadeira da majestade de Deus nem da extensão de sua própria pecaminosidade. Assim como Abraão e Sara tentaram ajudar Deus a cumprir Suas promessas, os israelitas procuraram transformar a aliança da graça de Deus em uma aliança de obras. Hagar simboliza o Sinai, no sentido de que ambos revelam tentativas humanas de salvação pelas obras.

Paulo não afirmou que a lei dada no Sinai era ruim, tampouco que havia sido abolida. Ele estava preocupado com o equívoco legalista dos gálatas em relação à lei. “Em vez de servir para convencê-los da absoluta impossibilidade de agradar a Deus pela guarda da lei, a lei alimentava neles uma determinação profundamente arraigada de depender de recursos pessoais a fim de agradar a Deus. Assim, a lei não serviu ao propósito da graça de conduzir os judaizantes a Cristo. Em vez disso, ela os separou de Cristo” (O. Palmer Robertson, The Christ of the Covenants [O Cristo das Alianças], Phillipsburg, New Jersey, Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1980, p. 181).

Quinta-feira, 31 de agosto
Ano Bíblico: Ez 11–13
Ismael e Isaque hoje

O breve esboço que Paulo fez da história de Israel tinha o desígnio de combater os argumentos apresentados pelos seus adversários, que afirmavam que eram os verdadeiros descendentes de Abraão e que Jerusalém – o centro do cristianismo judaico e da lei – era sua mãe. Os gentios, conforme a acusação deles, eram ilegítimos. Se eles quisessem se tornar verdadeiros seguidores de Cristo, deviam primeiramente se tornar filhos de Abraão, submetendo-se à lei da circuncisão.

Paulo disse que a verdade é o oposto. Esses legalistas não eram os filhos de Abraão, mas eram filhos ilegítimos, como Ismael. Ao colocar sua confiança na circuncisão, eles estavam confiando “na carne”, como Sara fez com Hagar e como os israelitas fizeram com a lei de Deus no Sinai. Os cristãos gentios, no entanto, eram filhos de Abraão não pela descendência natural, mas, como Isaque, pela linhagem sobrenatural. “Como Isaque, eles eram um cumprimento da promessa feita a Abraão […]. Como Isaque, seu nascimento na liberdade era o efeito da graça divina; como Isaque, eles pertenciam à coluna da aliança da promessa” (James D. G. Dunn, The Epistle to the Galatians [A Epístola aos Gálatas], Londres: Hendrickson Publishers, 1993, p. 256).

9. De acordo com Gálatas 4:28-31 e Gênesis 21:8-12, o que os verdadeiros descendentes de Abraão enfrentarão neste mundo? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Os terroristas, que perseguem os que aceitam a nova aliança.

B.( ) Os nazistas, fascistas e comunistas, que não aceitam a Bíblia.

C.( ) Zombaria e perseguição dos falsos cristãos, presos ao legalismo.

Ser o filho prometido trouxe a Isaque não somente bênçãos, mas também oposição e perseguição. Em referência à perseguição, Paulo tinha em mente a cerimônia de Gênesis 21:8-10, em que Isaque foi honrado e Ismael apareceu zombando dele. A palavra hebraica em Gênesis 21:9 significa, literalmente, “rir”, mas a reação de Sara sugere que Ismael estivesse zombando de Isaque ou ridicularizando-o. Embora o comportamento de Ismael pareça insignificante para nós hoje, ele revelava hostilidades mais profundas, numa situação em que o direito de primogenitura da família estava em jogo. Muitos governantes da antiguidade tentaram assegurar sua posição eliminando rivais em potencial, incluindo irmãos (Jz 9:1-6). Embora Isaque enfrentasse oposição, ele também desfrutava de todos os privilégios do amor, proteção e favor relacionados com a condição de ser o herdeiro de seu pai.

Como descendentes espirituais de Isaque, não devemos ficar surpresos quando sofremos dificuldades e oposição, mesmo dentro da própria família da igreja.

Você tem sofrido perseguição por causa de sua fé, especialmente dos mais próximos de você? Responda a esta pergunta difícil: você tem perseguido pessoas por causa da fé que elas têm?
Sexta-feira, 01 de setembro
Ano Bíblico: Ez 14–17
Estudo adicional

Leia, de Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 363-373: “A Lei e as alianças”.

“Se na aliança abraâmica havia a promessa da redenção, por que se formou outra aliança no Sinai? – Em seu cativeiro, o povo em grande parte havia perdido o conhecimento de Deus e os princípios da aliança abraâmica […].

“Deus os levou ao Sinai; manifestou Sua glória; deu-lhes Sua lei, com promessa de grandes bênçãos sob condição de obediência. […] (Êx 19:5, 6). Os israelitas não compreendiam a pecaminosidade de seu coração, e que sem Cristo lhes era impossível guardar a lei de Deus; e prontamente entraram em aliança com Deus […]. No entanto, apenas algumas semanas se passaram antes que violassem sua aliança com Deus e se curvassem para adorar uma imagem esculpida. Não poderiam esperar o favor de Deus mediante uma aliança que tinham transgredido. Vendo sua índole pecaminosa e a necessidade de perdão, foram levados a sentir que necessitavam do Salvador revelado na aliança abraâmica e prefigurada nas ofertas sacrificais. Então, pela fé e amor, uniram-se a Deus como seu Libertador do cativeiro do pecado. Estavam preparados para apreciar as bênçãos da nova aliança” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 371, 372).

Perguntas para reflexão

1. Você vive na “antiga aliança” ou na “nova aliança”? Como saber a diferença?

2. Em sua igreja, quais questões causam tensão? Elas estão sendo resolvidas? Você é vítima de “perseguição” ou é o perseguidor? Percebe a diferença entre as duas atitudes? (Mt 18:15-17).

3. Você já fez promessas ao Senhor de que não faria isso ou aquilo, e acabou fazendo? Como esse triste fato o ajuda a entender o significado da graça?

Resumo: As histórias de Hagar, Ismael e os filhos de Israel no Sinai ilustram a loucura de tentar confiar em nossos próprios esforços para realizar o que Deus prometeu fazer. Esse método de justiça própria é mencionado como antiga aliança. Mas a nova aliança da graça é eterna. Foi estabelecida primeiramente com Adão e Eva após o pecado, renovada com Abraão e finalmente cumprida em Cristo.

Respostas e atividades da semana: 1. Peça a opinião dos alunos. 2. Peça a opinião dos alunos. 3. Peça a opinião dos alunos. 4. Com antecedência, peça que dois alunos reflitam sobre as perguntas de Abrão em Gênesis 15:1-6. O que elas demonstram? Peça que eles compartilhem sua resposta com o restante da classe. 5. Peça a opinião dos alunos.
6. V; F. 7. Com uma semana de antecedência, escolha dois alunos. Peça que eles estudem o assunto e apresentem à classe um resumo ou um quadro sobre as diferenças e semelhanças entre a aliança no Sinai e a promessa de Deus a Abraão. 8. Divida a classe em duplas e peça que os alunos reflitam sobre a desobediência dos israelitas após o Sinai e sobre o legalismo no tempo de Jesus. Eles não conseguiram cumprir a promessa de que seriam fiéis à aliança. Peça que eles troquem experiências sobre situações em que foram infiéis à aliança com Deus. Como a cruz de Cristo pode nos ajudar a viver a verdadeira aliança? 9. C.

Participe do projeto “Reavivados por Sua Palavra”: acesse o site http://reavivadosporsuapalavra.org/
Resumo da Lição 10
As duas alianças

TEXTO-CHAVE: Gálatas 4:26

O ALUNO DEVERÁ

Saber: Comparar e contrastar a antiga e a nova aliança com os filhos de Sara e Agar e a relação deles com Abraão.

Sentir: Apreciação, fé e amor a Deus pela libertação do pecado.

Fazer: Confiar nas promessas da aliança de Deus.

ESBOÇO

I. Saber: Ismael e Isaque

A. Os que insistiam na circuncisão se colocavam no grupo de Ismael, nascido de forma natural, e não no grupo de Isaque, nascido por um milagre.

B. Quais outros exemplos bíblicos ilustram nossas tentativas de resolver as coisas por conta própria?

C. Nessa história, como Abraão ilustra nossa tendência de confiar na antiga e não na nova aliança?

II. Sentir: Apreço pela nova aliança

A. O fracasso dos israelitas em cumprir as promessas feitas junto ao monte Sinai lhes ensinou acerca da necessidade de confiar no poder de Deus.

B. Como o sentimento da grande necessidade que temos da ajuda de Deus desperta nossa confiança e amor?

III. Fazer: Abraão e os filhos da promessa

A. De que maneira somos tentados a criar nossos próprios filhos da promessa, como Abraão fez, em vez de deixar Deus operar o milagre para nós?

B. Qual oposição enfrentamos por sermos filhos da nova, e não da antiga aliança?

RESUMO: A exemplo de Abraão, Agar e Israel no monte Sinai, muitas vezes somos tentados a fazer com que a Palavra de Deus se torne realidade por nosso intermédio. Mas nossos esforços não apenas não funcionam, mas também causam tragédias. A graça de Deus traz bênçãos em lugar de desastres.

Ciclo do aprendizado

Motivação

Focalizando as Escrituras: Gálatas 4:26

Conceito-chave para o crescimento espiritual: A atitude da antiga aliança é tentar fazer as coisas acontecerem por meio das obras humanas, enquanto a atitude da nova aliança é confiar em Deus para a realização de Seu propósito.

Para o professor: Conceda aos alunos dois minutos para fazer a seguinte reflexão: Em quais momentos temos procurado fazer o que só Deus pode fazer? Em quais situações temos deixado para Deus o que nós temos o dever de fazer?

Os atletas lidam com os esportes de maneira diferente. Há atletas tão determinados a fazer com que as coisas aconteçam que forçam a ação, a ponto de trapacear quando e onde podem.

Outros encaram os esportes com outra atitude. Eles “deixam o jogo entrar neles”. Confiam no sistema ou plano de jogo estabelecido por sua equipe técnica e se preocupam apenas com as funções que lhes foram designadas na execução desse plano. Esses atletas encontram o sucesso, não porque “fizeram as coisas acontecerem” nem porque “forçaram a ação”, mas porque confiaram na sabedoria e na experiência de seus treinadores, aceitando seus métodos de treinamento e funções atribuídas. Nessa abordagem é preciso confiar na liderança dos técnicos de maneira paciente e estar preparado para executar os planos do treinador sempre que as oportunidades se apresentem.

Ao longo da história, os seguidores de Deus têm exemplificado essas duas abordagens. Abraão entrou em pânico porque acreditava que o tempo do cronômetro de Deus estivesse terminando e, em vez de esperar pacientemente a realização do plano divino para o “jogo”, ele assumiu a responsabilidade de gerar o descendente. Essa ajuda só complicou as coisas.
Felizmente, o Abraão que estava amadurecendo espiritualmente experimentou uma mudança dramática quando entregou Isaque. No Sinai, de maneira autoconfiante, os antigos israelitas declararam sua intenção de executar perfeitamente a vontade de Deus, mas falharam muitas vezes em sua caminhada com o Senhor. O estudo desta semana contrasta vividamente essas abordagens conflitantes para a espiritualidade.

Pense nisto: Qual é a diferença entre a atitude da antiga aliança e a atitude da nova aliança? Como podemos viver a atitude da nova aliança?

Compreensão

Para o professor: O texto a seguir enfatiza as duas fases da fé na experiência de Abraão. Peça que os alunos comparem essas fases com sua experiência pessoal.

Abraão constitui um exemplo convincente de ambas as abordagens para a observância da aliança. Anteriormente ele mostrou autoconfiança, quando assumiu a responsabilidade de cumprir a promessa de Deus. Quantos cristãos bem-intencionados repetem esse erro? Sinceramente tristes por seu passado pecaminoso, eles declaram com autoconfiança que nunca mais repetirão o comportamento anterior, efetivamente dizendo que sua força de vontade é suficiente para cumprir as promessas de Deus a respeito da vida transformada. A obstinação de Abraão gerou Ismael e uma família profundamente dividida. Infelizmente, os cristãos autossuficientes igualmente produzem ou promovem resultados semelhantes e dividem a família de Deus. Mais tarde, Abraão aprendeu que a entrega de si mesmo, não a autossuficiência, abre o celeiro das bênçãos de Deus.

No topo do monte Moriá, Abraão entregou seu filho para o sacrifício. Ali, ele estava essencialmente entregando a si mesmo, independentemente das aparentes consequências para seus sonhos acalentados. Completamente submisso, Abraão estava então na condição adequada para experimentar a extraordinária graça de Deus. O Filho de Deus, prefigurado pelo cordeiro preso, cumpriria a promessa, assumindo o lugar de Isaque e de toda a humanidade.
O poder de renovação pertence a Cristo, não aos seres humanos.

Há hoje cristãos que, a exemplo de Abraão, experimentam a segunda fase: sinceramente se arrependem de sua conduta pecaminosa, mas reconhecem que a justiça nunca poderá ser alcançada por meio do esforço humano para vencer a tentação, porém mediante a submissão à liderança de Deus a cada momento e confiança absoluta no sacrifício de Cristo. A igreja renovada é qualquer grupo de cristãos que substituiu a antiga aliança e a obediência autossuficiente pela nova aliança e pela obediência fundamentada na confiança. Não há dúvidas acerca da obediência: serviremos a alguém, sejam às noções de justiça inventadas por nós mesmos ou a Cristo, conforme revelado nas Escrituras.

Comentário bíblico

Abraão, Sara e Agar

(Recapitule com a classe Gl 4:21-31; Gn 16.)

Aqueles entre nós que compartilham das sensibilidades modernas podem se tornar consternados com a ilustração de Paulo envolvendo Agar, porque, aparentemente, Agar e Ismael são responsabilizados, ao serem colocados como exemplo da religião legalista. Que justiça pode haver em condenar a escrava impotente que não tinha escolha acerca de gerar ou não o descendente de sua rica senhora? Para piorar as coisas, Paulo exaltou o relacionamento entre Abraão e Sara (as pessoas que causaram o problema) como exemplo de genuína justiça! O propósito de Paulo não foi difamar a abandonada Agar nem consagrar Sara, autora da trama. A situação familiar lamentável que envolveu todos eles apenas ilustra duas fases da jornada espiritual de Abraão: a fase da religião do “faça você mesmo” e a fase posterior do “confie completamente em Deus”.

Infelizmente, as más escolhas de Abraão prejudicaram irremediavelmente seu relacionamento com o primogênito e trouxeram tensões desnecessárias à sua casa. Devemos lembrar que a relação que gerou Ismael, não Ismael em si, foi o que simbolizou a justiça própria. A autossuficiência de Abraão imposta à impotente Agar exemplificou a justiça própria. Agar e Ismael foram meras vítimas da experiência de Abraão com a religião do “faça você mesmo”.

Pense nisto: Nos conflitos da igreja em relação à natureza da justiça, às vezes, as pessoas legalistas são atacadas. Os que já experimentaram a graça salvadora de Cristo deveriam ser mais graciosos com os que não tiveram essa experiência. Em lugar de condená-los, os cristãos genuínos não deveriam demonstrar mais compaixão para com as vítimas dessa falsa, mas difundida, filosofia religiosa? Como os cristãos genuínos podem se opor à filosofia de autossuficiência do legalismo e, ao mesmo tempo, revelar compaixão para com a pessoa legalista? O que podemos aprender com a transformação de Abraão, de autossuficiente e vivendo a religião do “faça as coisas acontecerem”, para a religião da dependência de Deus?

Aplicação

Para o professor: Mostre para a classe que a nova aliança não significou mudança na lei de Deus, mas uma atitude diferente do ser humano em relação ao Legislador e à Sua lei. Com base na cruz, essa atitude é uma expressão de gratidão pela salvação já recebida, não uma tentativa de obter salvação.

Perguntas para reflexão

1. Quais atitudes em relação à observância da aliança distinguem a antiga e a nova aliança?

2. Os requisitos éticos da antiga aliança permanecem inalterados. O adultério continua sendo adultério, o homicídio permanece homicídio e o pecado ainda é errado. As Escrituras não sugerem em nenhum lugar que a transgressão dos mandamentos de repente se tornou aceitável. No entanto, a orientação da aliança mudou. Anteriormente, Israel via a aliança de Deus como uma obrigação penosa. Por que consideramos a observância da nova aliança um privilégio?

Perguntas para aplicação

1. Como as divisões na igreja podem ser solucionadas sem fazermos concessões para a religião voltada para as obras?

2. Como os religiosos autossuficientes podem ser levados a um relacionamento voltado para a fé?

Criatividade e atividades práticas

Para o professor: Desafie os alunos a verificar se existem elementos da antiga aliança em sua vida espiritual. Depois, peça que eles coloquem em seu lugar os elementos da nova aliança. A atividade a seguir nos ajuda a lembrar quais são esses elementos.

Atividade

Examine canções de Natal dentro do hinário, procurando expressões da relação da nova aliança com Deus. Convide os membros da classe a compartilhar suas descobertas. Peça a cada um que explique como as frases selecionadas exemplificam a relação da nova aliança para eles.

Lar, doce lar!

 

A mãe de Ranjith [Ranjite] cometeu suicídio, e ele foi abandonado pela família. Mas o menino continuou confiando no conselho que havia recebido quando ainda era criança.

Ranjith cresceu em uma família pobre e muitas vezes passou fome. Porém, sua vida foi salva por um conselho que recebeu do proprietário da casa que seus pais alugaram. O homem lhe disse: “Ore diariamente, leia a Bíblia e Jesus o guiará.”

O proprietário da casa cuidou de Ranjith e até o matriculou na escola adventista, pagando todas as despesas escolares. Mas, quando Ranjith cursava o 5º ano, o homem se mudou para outro país, e Ranjith teve que estudar na escola pública.

Bênção inesperada

Então Ranjith soube que poderia voltar a estudar na escola adventista, pois havia recebido uma bolsa integral de estudos da Adventist Child India [Criança Adventista da Índia], uma organização sem fins lucrativos criada para cobrir as despesas com a educação de crianças e jovens na Índia. Ranjith disse que deve sua vida a pessoas que patrocinaram sua educação.

Quando fazia o 7º ano, Ranjith se mudou para o residencial masculino na Escola Secundária Memorial James, no sul da Índia. Foi então que ele começou a seguir o conselho de orar e estudar a Bíblia. Também começou a frequentar regularmente os cultos da igreja. Ele diz que a escola se tornou um paraíso longe de sua casa, onde seus pais brigavam com frequência.

“Aqui eu senti que minha vida estava segura”, Ranjith explica.

A tragédia

Porém, quando Ranjith estava no 8º ano, aconteceu uma tragédia. Seus pais estavam discutindo, e sua mãe colocou fogo em si mesma, morrendo em consequência das queimaduras. “Essa foi a pior parte da minha vida”, disse Ranjith. “Mas graças àqueles que se preocupam com jovens estudantes pobres, eu ainda tinha uma casa – a minha escola.”

Buscando superar a morte da mãe, Ranjith resolveu servir a Jesus fielmente. Ele se ofereceu para realizar várias atividades na igreja da escola, inclusive sendo responsável pelas chaves.

Quando Ranjith abraçou a nova fé, sua família o rejeitou. “Perdi o amor de meu pai e o relacionamento com meus parentes”, disse Ranjith. “Tento falar com meus familiares sobre Deus, mas não consigo me aproximar deles. Eles me evitam.”

As dificuldades se intensificaram quando seu pai se casou de novo, e a nova esposa não aceitou Ranjith. Durante aquele tempo, ele lutou para se concentrar nos estudos, mas suas notas foram baixas. Ele fez novos amigos e esses o influenciaram negativamente, chegando ao ponto de pensar em abandonar Jesus.

Então ele participou de uma semana de oração na escola e contou sua história para o orador, um pastor adventista. “Ele orou por mim, e eu orei sobre todas as minhas necessidades e sofrimentos”, disse Ranjith.

Fé renovada e fortalecida

A fé de Ranjith foi renovada. Hoje, ele tem 17 anos e está cursando o Ensino Médio. Ele ora diariamente, lê a Bíblia e está buscando fazer a vontade de Jesus, enquanto se prepara para o batismo. “Para mim, o residencial é o meu lar, doce lar! A igreja é o único lugar seguro”, ele afirmou.

A Escola Secundária Memorial James é um lar e um refúgio, bem como uma escola para centenas de alunos. Ao longo dos anos, milhares de jovens estudaram nessa escola e aprenderam quem é Jesus e quanto Ele os ama. Muitas vidas foram transformadas por essa escola e pela educação adventista na Índia de um modo geral, que alcançou centenas de estudantes em sua história.

Parte da oferta da Escola Sabatina deste trimestre ajudará a construir um residencial feminino na Escola Secundária Memorial James. O atual residencial feminino tem 65 anos, tendo apenas cinco banheiros e cinco chuveiros para cerca de cem moças. O novo residencial acomodará mais estudantes e proporcionará um ambiente mais saudável para viver e estudar. Por favor, em suas orações lembrem-se dessa escola e também de sua oferta missionária da Escola Sabatina. Sejam generosos e nos ajudem a salvar vidas.

Resumo missionário

• A Escola Secundária Memorial James está localizada no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, e foi fundada em 1941. A escola possui classes desde o Jardim da Infância até o Ensino Médio. Ao todo são 936 alunos, incluindo 243 no internato.

• Embora 80% dos alunos sejam de famílias adventistas, uma classe batismal é realizada todos os sábados e está aberta para todos os estudantes independentemente da fé que professam. Entre 50 e 60 alunos são batizados todos os anos.

• Muitos estudantes desejam frequentar a Escola Secundária Memorial James, mas os residenciais não podem acomodar mais alunos. Um novo residencial feminino será construído com a ajuda da oferta da Escola Sabatina deste trimestre.

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º trimestre de 2017
Tema geral: “O evangelho em Gálatas”
Lição 10: 26 de agosto a 2 de setembro
As duas alianças



Autor: Pr. Nilton Aguiar
Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br
Revisora: Josiéli Nóbrega


Introdução

Na Bíblia, o tema da aliança está diretamente relacionado com o tema da salvação. A Bíblia ensina que a salvação é uma prerrogativa única e exclusiva de Deus. Não há absolutamente nada que o ser humano possa fazer para ser salvo. Porém, a divina oferta de graça demanda uma resposta humana de fé demonstrada por meio da obediência aos requerimentos divinos. Escrevendo aos Gálatas, Paulo demonstrou que a obediência à lei não substitui a fé, mas é o resultado dela. Quando a lei deixa de ser vista por esse prisma, ela se torna um obstáculo no relacionamento do crente com Cristo, visto que, nesse sentido, ela se torna rival de Cristo e não a expressão de Seu caráter. “A comparação de Paulo entre a aliança do Sinai e escravidão em Gálatas 4:24, 25 deve ser vista a partir dessa perspectiva”.

Princípios da aliança

O respeitado dicionário bíblico da Universidade de Yale define aliança como “um acordo promulgado entre duas partes em que uma ou ambas fazem promessas sob juramento de realizar ou abster-se de determinadas ações estipuladas previamente”.  No Antigo Oriente Próximo, havia duas modalidades de aliança: aquela que ocorria entre iguais e aquela que ocorria entre o senhor e o vassalo. O Dicionário Bíblico Adventista comenta que, na Bíblia, o termo ‘aliança’ geralmente descreve a relação entre Deus e Seu povo escolhido, Israel. “De uma forma preliminar, essa aliança foi feita com Adão na queda (Gn 3:15), e depois com Noé (Gn 9:12, 15, 16). Porém, foi primeiro com Abraão e sua posteridade que ela se tornou plenamente efetiva (Gn 12:1-3; 15:18; 17:1-7, etc.). A aliança foi ratificada de maneira mais formal no Sinai, quando Israel como nação se propôs a cumprir os requisitos divinos e aceitou as promessas (Êx 19:5-8; 24:3-8)”.  O termo “aliança” foi utilizado para dar nome às duas grandes seções da Bíblia: Antigo Testamento ou Antiga Aliança e Novo Testamento ou Nova Aliança. É importante, porém, ressaltar que “essencialmente, as provisões, condições e objetivos das duas alianças são idênticas. A principal diferença é que a ‘antiga’ aliança foi feita com a nação de Israel, enquanto a ‘nova’ aliança é feita individualmente com os crentes em Cristo”.  


No Novo Testamento, a palavra traduzida como aliança vem do grego diath?k?, a qual tem o mesmo sentido da palavra traduzida como aliança no Antigo Testamento (b?rît). Esta é a palavra que Paulo utilizou para aliança não somente em Gálatas, mas também em suas outras cartas. Ao pensar em “aliança”, Paulo tinha em mente o conceito que encontramos no Antigo Testamento, cujo sentido básico diz respeito ao relacionamento entre Deus e Seu povo.  Assim, “o substantivo diath?k? é uma palavra-chave nas passagens do Novo Testamento que ligam a obra de Cristo ao fluxo da história da redenção”.  Como a aliança é uma iniciativa divina, ela nada mais é do que uma oferta de graça, cuja contrapartida humana é aceitação e obediência.

A aliança abraâmica

Em Gênesis 12, o relato da aliança de Deus com Abraão marca um ponto de mudança na narrativa de Gênesis. Enquanto os capítulos um a onze focalizam as origens, a partir do capítulo doze o foco passa a ser a história dos patriarcas. Embora encontremos uma profecia messiânica já em Gênesis 3:15, é no capítulo doze que o autor apresenta um panorama mais claro de como aquela profecia será cumprida.


A promessa de Deus a Abraão envolve, inicialmente, um aspecto local e particular. Porém, à medida que a narrativa avança, ela assume uma dimensão cósmica, universal. Essa expansão do particular para o universal pode ser vista claramente nas seguintes passagens: Gênesis 12:1-3, 7; 13:14-17; 15:4-21; 17:4-16; 22:15-18.  O aspecto particular da promessa de Deus a Abraão é evidente a partir das expressões “tua terra”, “tua parentela” e “casa de teu pai”, em Gênesis 12:1. Esse é o ponto de partida. No entanto, na passagem, existe um movimento para a frente, percebido a partir das expressões: “terra que te mostrarei”, “uma grande nação” e “bênção a todas as famílias”. A progressão continua a ponto de atingir dimensões cósmicas em Gênesis 22:15-18: “Multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus”. A mudança do particular para o universal é demonstrada pela própria mudança do nome do patriarca. Em Gênesis 12, ele é chamado de Abrão, que significa “pai exaltado”; em Gênesis 17:5, 6, ele recebe o nome de Abraão, que significa “pai de muitos”. Em sua aliança com Abraão, Deus prometeu fazer dele uma grande nação e conceder a terra de Canaã à sua descendência. O cumprimento pleno dessa promessa é visto em Apocalipse. Os descendentes de Abraão pela fé (Gl 3:29) formam uma inumerável multidão (Ap 7:9) e herdam a Nova Jerusalém (Ap 21; 22). Na aliança abraâmica, já encontramos uma previsão do reino eterno de Cristo.

Abraão, Sara e Hagar

A ilustração de Hagar e Sara em Gálatas 4:21-31 talvez seja uma das partes mais difíceis de toda a carta aos Gálatas.  Apesar disso, o sentido parece bastante claro. Nos versos 22 e 23, Paulo relembrou aos seus ouvintes que Abraão teve dois filhos, e então contrastou a história do nascimento de Ismael e Isaque. O primeiro era filho de uma escrava e nasceu segundo a carne; o segundo era filho da livre e nasceu segundo a promessa.


Enquanto o nascimento de Ismael envolveu falta de confiança na promessa de Deus por parte tanto de Abraão quanto de Sara, o nascimento de Isaque se deu num contexto de fé. O nascimento de Ismael envolveu apenas aspectos físicos, enquanto o nascimento de Isaque envolveu aspectos sobrenaturais. A lição que Paulo quis ensinar é clara. Os verdadeiros filhos de Abraão são aqueles que têm a mesma fé que ele teve. Isso abrange judeus e gentios. De fato, diferentemente de Ismael, Isaque demonstrou a mesma fé que Abraão teve. Como Abraão, Isaque também se submeteu completamente à vontade de Deus, sem questionar (Gn 22:7-10).


Antes de passar para o próximo tópico, é importante ressaltar que, ao apresentar essa alegoria, Paulo não estava dando a entender que os personagens Abraão, Sara, Hagar, Ismael e Isaque não sejam históricos. Tampouco ele pretendia insinuar que os eventos envolvendo esses personagens fossem fictícios. A alegoria de Paulo explora, primeiramente, o background histórico desses personagens (v. 22, 23). Em seguida, explora verdades espirituais a partir da história (v. 24-27), e finaliza com uma aplicação prática (v. 28-31).

Hagar e o monte Sinai

Algo surpreendente na alegoria de Paulo em Gálatas 4:21-31 é que o ponto principal de diferença entre Ismael e Isaque não é quem é o pai deles, mas quem é a mãe. Para entender bem a intenção de Paulo ao apresentar essa alegoria é importante levar em consideração que ela não é exclusiva de Paulo. Outros escritores judaicos também exploraram o contraste entre Hagar e Sara, a exemplo de Filo de Alexandria, filósofo judeu que viveu entre 20 a.C e 50 d.C.  Apesar das similaridades entre Paulo e esses escritores, há marcantes diferenças. Paulo usou essa alegoria como argumento contra seus oponentes judaizantes. Como ela era conhecida pelos judeus da época, seus oponentes podem tê-la utilizado para alegar que alguém devia ser circuncidado a fim de se tornar filha de Abraão. Paulo já havia argumentado que aqueles que são de Cristo pela fé (3:26, 29) são os verdadeiros descendentes de Abraão. O apóstolo trouxe o papel da fé novamente à discussão ao contrastar Sara e Hagar. No verso 23, ele apresentou Sara como a mãe do filho da promessa. Nos versos 28 e 31, ele comentou que somos filhos da promessa; portanto, somos “filhos de Sara”. Para dizer de outro modo, somos filhos da fé. Em contraste, aqueles que alegam salvação pelas “obras da lei” são filhos da escrava. Finalmente, essa alegoria de Paulo não anula o papel da lei na vida do cristão. Ela apenas ressalta, mais uma vez, que a lei não tem poder para salvar.

Ismael e Isaque hoje

As palavras de Paulo em Gálatas 3:29 têm alvo certo. Ao se referir “ao que nascera segundo a carne”, Paulo tinha em mente seus oponentes judaizantes. A conclusão lógica é que eles são filhos ilegítimos de Abraão. Em contrapartida, ao mencionar “o que nasceu segundo o Espírito”, Paulo estava pensando em todos aqueles que não confiam nas “obras da lei” como meio de salvação. Há duas coisas principais para destacar em Gálatas 3:28-31.


Primeiro, a perseguição é certa. Paulo disse que, assim como foi naquele tempo, agora também acontece (v. 29). “A perseguição da verdadeira igreja [...] nem sempre é pelo mundo [...] mas pelos nossos meios-irmãos, pessoas religiosas, a igreja nominal. Sempre foi assim. O Senhor Jesus sofreu amarga oposição, foi rejeitado, ridicularizado e condenado pela Sua própria nação. Os adversários mais ferozes do apóstolo Paulo [...] eram a igreja oficial, os judeus. A estrutura monolítica do papado medieval perseguiu todas as minorias protestantes com ferocidade implacável e incessante. E os maiores inimigos da fé evangélica hoje não são os incrédulos que, quando ouvem o evangelho, muitas vezes o abraçam, mas a igreja, o estabelecimento, a hierarquia. Isaque sempre é zombado e perseguido por Ismael”. Segundo, há uma herança prometida. Essa herança está disponível a todos aqueles que, como Abraão, avançarem pela fé!

Conclusão

A Bíblia jamais defendeu salvação pelas obras. Mesmo a religião do Antigo Testamento é uma religião da graça. Abraão foi justificado pela fé na promessa de Deus. O Senhor cumpriu Sua promessa na vida do patriarca e tem cumprido o que Ele traçou no grande plano da redenção. Em Cristo, pela fé, nós nos tornamos descendentes de Abraão. Isso pode e deverá atrair perseguição, assim como ocorreu com Isaque. Porém, temos a garantia de uma herança eterna em Cristo Jesus, a exemplo do que aconteceu com ele e sua descendência.

Notas

Raoul Dederen, Handbook of Seventh-Day Adventist Theology, electronic ed., v. 12, Commentary Reference Series (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2001), p. 277.

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Siegfried H. Horn, The Seventh-Day Adventist Bible Dictionary (Review and Herald, 1979), p. 243.

Idem, p. 243.

Walter A. Elwell and Barry J. Beitzel, “Covenant,” Baker Encyclopedia of the Bible (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1988), 530.

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Douglas Mangum and Derek R. Brown, Galatians, Lexham Bible Guide (Bellingham, WA: Lexham Press, 2012).

John R. W. Stott, The Message of Galatians (Leicester, England; Downer’s Grove, IL: InterVarsity Press, 1986), 122-128.

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John R. W. Stott, The Message of Galatians, 127.

Autor do comentário: O autor é pastor, mestre em Ciências da Religião, mestre e bacharel em Teologia, licenciado em Letras e autor de diversos livros e artigos. É docente do curso de Teologia, no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, Cachoeira/BA, e atualmente está cursando o doutorado em Novo Testamento, na Andrews University (EUA). É casado com a professora Cristiane Aguiar, e tem dois filhos: a Karol e o Lucas.