Lição 1
25 de março a 01 de abril
Conhecendo Pedro
Sábado à tarde
Ano Bíblico: 1Sm 7–10
Verso para memorizar: “Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a submergir, gritou: Salva-me, Senhor! E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pequena fé, por que duvidaste?” (Mt 14:30, 31).
Leituras da semana: Lc 5:1-11; Mt 16:13-17; Mt 14:22-33; Lc 22:31-33, 54-62; Gl 2:11-14

Pedro é o autor dos dois livros que levam seu nome (1 e 2 Pedro). Ele foi um dos primeiros seguidores de Jesus. Permaneceu com Cristo durante Seu ministério na Terra e foi um dos primeiros discípulos a ver o túmulo vazio. Portanto, Pedro teve muitas experiências das quais, inspirado pelo Espírito Santo, pôde lançar mão a fim de escrever essas poderosas cartas. “Não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da Sua majestade” (2Pe 1:16).

Pedro aparece muitas vezes nos evangelhos, revelando tanto seus triunfos quanto seus fracassos. Ele costumava ser o porta-voz dos discípulos nas conversas que eles tinham com Jesus. Após a ressurreição e ascensão do Mestre, Pedro se tornou um preeminente líder da igreja primitiva. O livro de Atos, assim como o de Gálatas, discorre sobre ele.

Contudo, o mais importante é que Pedro sabia o que era cometer erros, ser perdoado e seguir em frente com fé e humildade. Tendo experimentado, pessoalmente, a graça de Deus, ele continua sendo uma voz poderosa a todos que precisam conhecer essa graça.

Envolva todos os departamentos da igreja e todos os pequenos grupos no evangelismo da Semana Santa. Se cada pessoa assumir o compromisso de cuidar de outra pessoa, veremos milagres da graça de Deus!
Domingo, 26 de março
Ano Bíblico: 1Sm 11–13
Afasta-Te de mim!

Na primeira vez que nos deparamos com Pedro, ele é descrito como um pescador no mar da Galileia (Mt 4:18; Mc 1:16; Lc 5:1-11). Ele havia trabalhado a noite toda sem pegar sequer um peixe. Porém, Pedro e seus companheiros obedeceram à ordem de Jesus de que retornassem ao lago e tentassem novamente. Imagine quanto ele e seus companheiros devem ter ficado assombrados ao pegar tantos peixes a ponto de seus barcos quase afundarem! O que deve ter passado na mente daqueles homens após esse milagre?

1. Leia Lucas 5:1-9. O que as palavras de Pedro a Jesus, em Lucas 5:8, revelam sobre sua condição espiritual? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:

A.( ) Pedro vivia dissolutamente no pecado. Reconhecendo sua pecaminosidade, não pôde suportar a presença santa de Jesus.

B.( ) Pedro era um homem espiritual que buscava o Senhor, tanto é que Jesus o chamou! Ele reconheceu sua pecaminosidade, fragilidade e imperfeições e, por essa razão, não se sentiu digno de estar diante de Jesus.

C.( ) Pedro havia conhecido o Deus verdadeiro na infância, porém, O abandonara. Ele se tornou um grande blasfemador entre seus companheiros.

Pedro sabia algumas coisas sobre Jesus que o haviam deixado impressionado. Por isso, quando Jesus mandou que o grupo lançasse as redes, embora incrédulo por não ter pescado nada, ele disse: “Sob a Tua palavra, lançarei as redes.” Isso ocorreu antes da pesca milagrosa. Parece que ele já tinha conhecimento de Cristo e isso o levou a obedecer. Evidências sugerem que Pedro já havia estado com o Mestre por certo tempo antes desse episódio. Lucas 5:3 revela o que havia acontecido antes do milagre dos peixes. “Entrando [Jesus] em um dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da praia; e, assentando-­Se, ensinava do barco as multidões.” Talvez tenham sido essas palavras de Cristo que impressionaram Pedro tão profundamente.

No entanto, após o milagre, Pedro percebeu algo mais em Jesus, algo sagrado que contrastava com sua própria pecaminosidade. A percepção de sua condição pecaminosa e sua boa vontade em admitir isso publicamente mostram quanto Pedro estava aberto ao Senhor. Não é de admirar que ele tenha sido chamado! Quaisquer que fossem seus defeitos, Pedro era um homem espiritual que estava pronto para seguir o Senhor, independentemente do preço que tivesse que pagar.

2. Leia Lucas 5:11. Qual é o princípio fundamental desse verso? Qual tipo de compromisso Jesus nos pede? Que lição aprendemos com a disposição desses pescadores de abandonar tudo, mesmo quando as redes estavam cheias?

Segunda-feira, 27 de março
Ano Bíblico: 1Sm 14–16
Confessando Cristo

Um dos grandes momentos na história de Jesus ocorreu em um diálogo com Pedro. Cristo havia acabado de lidar com alguns escribas e fariseus que O haviam desafiado a dar-lhes um sinal, algo que provasse quem Ele era (Mt 16:1-4). Posteriormente, a sós com os discípulos, Jesus falou sobre os dois milagres que Ele havia realizado, nos quais, por duas vezes, alimentara milhares de pessoas com apenas alguns pães e peixes. Cristo fez tudo isso para advertir os discípulos quanto ao “fermento dos fariseus e dos saduceus” (Mt 16:11).

3. Que acontecimento é relatado em Mateus 16:13-17? Qual é a importância das palavras de Pedro a Jesus? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Jesus começou a Se arrepender de ter escolhido os doze discípulos.

B.( ) Jesus questionou os discípulos sobre quem as pessoas diziam que Ele era. Pedro respondeu prontamente que Ele era o Cristo, filho do Deus vivo. A resposta de Pedro foi extremamente importante para que Jesus reafirmasse Seu ministério.

Nessa ocasião, Pedro falou ousadamente sobre sua fé em Jesus. Além disso, os outros discípulos também compartilhavam de sua confissão de que Cristo era o Messias, e isso é muito claro em Mateus 16:20. Embora os discípulos tivessem muito mais a aprender, esse momento foi decisivo no ministério de Jesus.

“Os discípulos ainda esperavam que Cristo reinasse como príncipe deste mundo. Embora Ele houvesse por tanto tempo ocultado Seu desígnio, acreditavam que não permaneceria sempre na pobreza e obscuridade; aproximava-se o tempo em que Ele estabeleceria Seu reino. Os discípulos nunca alimentaram o pensamento de que o ódio dos sacerdotes e rabis jamais desapareceria, de que Cristo seria rejeitado por Sua própria nação, condenado como enganador e crucificado como malfeitor” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 415).

Assim que os discípulos reconheceram Jesus como Messias, Ele começou a pregar que teria de sofrer e morrer (Mt 16:21-23), uma ideia que Pedro não podia aceitar. Ele chegou a “repreender” Jesus. Então, o Mestre lhe disse: “Arreda, Satanás!” (Mt 16:23). Essa foi uma das expressões mais duras que Cristo disse a alguém durante Seu ministério; no entanto, Ele o fez para o bem de Pedro. As palavras de Pedro refletiam seus próprios desejos e sua atitude egoísta em relação ao que queria. Cristo teve que detê-lo ali, naquele momento. Pedro precisava aprender que servir ao Senhor envolve sofrimento. Por meio de seus escritos posteriores, fica evidente que ele aprendeu a lição (veja 1Pe 4:12).

O que você faz quando seus desejos pessoais conflitam com a vontade de Deus para sua vida?
Terça-feira, 28 de março
Ano Bíblico: 1Sm 17–19
Andando sobre as águas

Em seus momentos com Jesus, os discípulos viram muitas coisas notáveis, embora poucas delas possam ser comparadas aos acontecimentos descritos em Mateus 14:13-33, Marcos 6:30-52 e João 6:1-21. Cristo usou cinco pequenos pães e dois peixes para alimentar mais de cinco mil pessoas! O que os discípulos devem ter pensado depois de testemunhar esse milagre?

4. Leia Mateus 14:22-33. Qual é a lição mais importante dessa história? Como ela nos ajuda em nossa caminhada com o Senhor?

Tendo alimentado a multidão, aqueles homens tinham acabado de testemunhar o poder de Jesus de maneira extraordinária. Cristo tinha, realmente, domínio sobre o mundo natural. Certamente isso motivou Pedro a fazer seu pedido bastante ousado, até mesmo presunçoso: “Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas” (Mt 14:28).

Que grande expressão de fé!

Jesus então reconheceu essa fé e mandou Pedro ir a Ele. Pedro obedeceu, dando mais uma demonstração de fé. Uma coisa teria sido andar sobre as águas quando elas estivessem calmas, mas Pedro andou sobre elas no meio de uma tempestade!

A lição que geralmente tiramos dessa história é que não devemos desviar nossos olhos de Jesus. Porém, ela não é a única. Pedro certamente confiava em Jesus, senão ele jamais teria feito aquele pedido e, em seguida, agido de acordo com ele. No entanto, o discípulo ficou com medo e começou a afundar.

Por quê? Jesus não poderia ter mantido Pedro na superfície das águas apesar de seu medo? Cristo, porém, permitiu que ele chegasse ao ponto de não poder fazer nada a não ser clamar em sua impotência: “Senhor, salva-me!” (Mt 14:30). Jesus estendeu a mão e fez exatamente o que Pedro havia pedido. O fato de Cristo ter estendido a mão e segurado Pedro (Mt 14:31), quando poderia simplesmente tê-lo mantido na superfície sem tocá-lo, certamente ajudou aquele discípulo a perceber quanto tinha que aprender a depender de Jesus.

Podemos começar nossa jornada com grande fé, confiando no poder do nosso Senhor. Porém, quando a situação se torna assustadora precisamos nos lembrar das palavras de Jesus a Pedro: “Homem de pequena fé, por que duvidaste?” (Mt 14:31).

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Quarta-feira, 29 de março
Ano Bíblico: 1Sm 20–23
Negando seu Senhor

5. Leia Lucas 22:31-34, 54-62. Quais lições podemos aprender com os fracassos de Pedro? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Não devemos confiar em nós mesmos.

B.( ) Devemos olhar para Cristo, não para nós mesmos.

C.( ) Ambas as alternativas estão corretas.

As intenções de Pedro eram boas. De fato, ele demonstrou mais coragem do que os outros discípulos. Na verdade, ele seguiu Jesus a fim de descobrir o que aconteceria, mas, ao fazer isso, Pedro decidiu esconder sua verdadeira identidade. Essa transigência, esse desvio do bom e correto caminho, levou-o a negar seu Senhor por três vezes, exatamente como Jesus o havia advertido.

Embora triste, a história de Pedro descrita nessa passagem é muito instrutiva quanto ao resultado devastador de uma transigência.

Como sabemos, a história cristã é manchada por terríveis consequências quando cristãos são condescendentes em relação às verdades fundamentais. Embora muitas vezes tenhamos que fazer concessões e estar dispostos a ceder e a nos submeter, devemos permanecer firmes nas verdades essenciais. Como povo, devemos saber quais são as coisas das quais jamais poderemos abrir mão, sejam quais forem as circunstâncias (veja, por exemplo, Ap 14:12).

De acordo com Ellen G. White, a transigência e o fracasso de Pedro começaram no Getsêmani, quando, em vez de orar, ele dormiu, e, portanto, não se preparou espiritualmente para o que estava por vir. Se Pedro tivesse sido fiel em oração, “não teria negado seu Senhor” (O Desejado de Todas as Nações, p. 714).

Pedro falhou terrivelmente, mas, por maior que houvesse sido seu fracasso, a graça de Deus foi ainda maior. “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5:20). O perdão de Jesus fez com que ele se tornasse um dos principais líderes da igreja cristã primitiva. Que lição poderosa a respeito da realidade da graça de Deus! Um exemplo de que todos nós, apesar de nossas falhas, devemos seguir adiante com fé!

Pedro soube o que significa ser perdoado. Ele soube, pessoalmente, qual é o significado do evangelho, pois experimentou não apenas a realidade da sua pecaminosidade, mas também a grandeza e a profundidade do amor e da graça de Deus para com os pecadores.

Como podemos aprender a perdoar aqueles que nos decepcionaram? Pense no exemplo de Cristo.
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Quinta-feira, 30 de março
Ano Bíblico: 1Sm 24–27
Pedro como líder da igreja

Durante o ministério de Jesus, Pedro atuou muitas vezes como líder dos 12 apóstolos. Ele costumava ser o porta-voz do grupo. Quando Mateus listou os discípulos, escreveu: “Primeiro, Simão, por sobrenome Pedro” (Mt 10:2). Pedro também teve papel de destaque na igreja primitiva. Foi ele quem tomou a iniciativa de designar um discípulo para substituir Judas Iscariotes, aquele que havia traído Jesus (At 1:15-25). No dia do Pentecostes, Pedro explicou às multidões que elas estavam testemunhando o prometido dom do Espírito, derramado por Deus sobre Seu povo (At 2:14-36). Foi ele que falou com o sumo sacerdote e com os líderes judeus ali reunidos, quando, juntamente com João, tinha sido preso por pregar sobre a ressurreição dos mortos (At 4:1-12). Pedro foi conduzido a Cornélio, o primeiro gentio a ser aceito como seguidor de Jesus (At 10:1-48). Paulo o visitou durante 15 dias, quando foi a Jerusalém pela primeira vez após sua conversão (Gl 1:18). Ao descrever o círculo de seguidores de Jesus em Jerusalém naquela época, Paulo identificou três “pilares” da igreja: Pedro, Tiago, irmão de Jesus, e João, o discípulo amado (Gl 2:9).

6. Leia Gálatas 1:18, 19; 2:9, 11-14. O que esses textos revelam sobre a preeminente atuação de Pedro na igreja primitiva? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:

A.( ) Pedro queria agradar os judeus e os gentios, por isso, comportou-se de maneira hipócrita quando os judeus chegaram. Ele ainda tinha muito a aprender.

B.( ) Pedro, ao tentar agradar judeus e gentios, mostrou quanto é importante tentar ficar em paz com todos.

Mesmo sendo líder da igreja, alguém claramente chamado pelo Senhor (Jesus lhe havia dito: “Apascenta as Minhas ovelhas” [Jo 21:17]); mesmo tendo recebido a visão de que não se deve chamar nenhum homem de “comum ou imundo” (At 10:28), Pedro ainda tinha coisas importantes a aprender.

No período inicial da igreja, quase todos os cristãos eram judeus, muitos dos quais eram “zelosos da lei” (At 21:20). Em sua interpretação, comer com os gentios era um problema, pois estes eram considerados impuros. Quando alguns cristãos judeus vieram de Jerusalém com Tiago, Pedro parou de comer com os gentios em Antioquia.

Para Paulo, esse comportamento foi uma ofensa ao próprio evangelho. Ele entendeu o comportamento de Pedro como clara hipocrisia e não teve medo de confrontá-­lo quanto a esse assunto. Na verdade, Paulo aproveitou a oportunidade para expressar o ensinamento fundamental da fé cristã: a justificação pela fé (veja Gl 2:14-16).

Como reagimos quando outras pessoas apontam nossos defeitos?
Sexta-feira, 31 de março
Ano Bíblico: 1Sm 28–31
Estudo adicional

Leia, de Ellen G. White, “O Chamado à Beira-Mar”, p. 244-251 e “Uma Noite no Lago”, p. 377-382, em O Desejado de Todas as Nações.

Desde quando admitiu primeiramente a própria pecaminosidade, até sua ousada declaração a respeito de que Jesus é “o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16); passando por sua terrível negação do Senhor até suas vitórias e equívocos como líder da igreja, Pedro certamente teve um papel fundamental. Portanto, sob a infalível inspiração do Espírito Santo, ele foi capaz de escrever suas cartas, não somente com base em conhecimento teórico, mas por experiência própria. Pedro conheceu não apenas a graça salvadora de Cristo, mas também Sua graça transformadora: “Antes de sua grande queda, [Pedro] era sempre ousado e ditatorial, falando inadvertidamente segundo o impulso do momento. Ele estava sempre pronto para corrigir os outros e expressar os próprios pensamentos, antes de ter uma clara compreensão de si mesmo ou do que deveria dizer. Mas ele se converteu, e o Pedro convertido foi diferente daquele irrefletido e impulsivo Pedro. Embora conservasse seu primitivo fervor, a graça de Cristo ajustou seu zelo. Em vez de ser impetuoso, autoconfiante e presunçoso, ele passou a ser calmo, ponderado e dócil. Então pôde apascentar os cordeiros e as ovelhas do rebanho de Cristo” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 334, 335).

Quem não se identifica com Pedro de alguma forma? Quem já não defendeu bravamente sua fé e, depois, falhou terrivelmente?

Perguntas para reflexão

1. Mesmo depois de ter negado Jesus de modo tão vergonhoso, Pedro ainda desempenhou função preeminente e importante não apenas na igreja primitiva, mas na própria fé cristã. O que isso revela sobre a graça de Deus? Como lidar com os que falham com o Senhor?

2. Em quais situações precisamos ceder e nos submeter? De quais coisas jamais podemos abrir mão?

3. Pedro aprendeu algumas lições da maneira mais difícil. Com base em seus erros, como podemos obter esse conhecimento de modo mais fácil?

Perguntas e respostas para a semana: 1. F; V; F. 2. Com antecedência, escolha um aluno para responder a essa pergunta e apresentar sua resposta no sábado. Promova uma discussão prática sobre o que nos impede de ter um compromisso total com Jesus 3. B. 4. Divida a classe em 3 grupos e peça aos alunos que leiam sobre o milagre relatado em Mateus 14:22-23. Em seguida, escolha um representante de cada grupo para apresentar as conclusões do grupo ao restante da classe. 5. C. 6. V; F.

Nota do editor: As perguntas do estudo de segunda a quinta-feira, com alternativas de múltipla escolha, “falso ou verdadeiro”, “assinale a alternativa correta”, etc., são elaboradas para dinamizar e facilitar o estudo da lição. O estudo de sexta-feira traz respostas sugestivas para essas alternativas. Porém, essas respostas não excluem a possibilidade de opiniões e interpretações diferentes, principalmente em pontos para os quais não há uma clara definição bíblica nem uma posição definida pela Igreja.

Resumo da Lição 1
Conhecendo Pedro

TEXTO-CHAVE: Lucas 5:1-11

O ALUNO DEVERÁ

Conhecer: Sua própria insuficiência enquanto confia no poder de Cristo para cumprir Sua missão.

Sentir: Gratidão pelo privilégio de ser chamado para cooperar com Jesus, apesar de sentir-se indigno de ter um relacionamento íntimo com Ele.

Fazer: Atender ao chamado de Jesus para tornar-se um pescador de homens e mulheres, crianças e jovens, disposto a deixar tudo para segui-Lo.

ESBOÇO

I. Conhecer: Jesus chamou cooperadores para a “pesca”

A. O que nos torna dignos de cooperar com Cristo?

B. De onde vem o poder para trazer pessoas para a “rede” do evangelho? Como podemos nos conectar à Fonte desse poder?

II. Sentir: Pecadores indignos, mas gratos e obedientes

A. Como podemos manter um relacionamento íntimo com Jesus, mesmo nos sentindo indignos e pecadores?

B. Como podemos expressar gratidão pelo privilégio de ser chamados a cooperar com Cristo?

III. Fazer: Atendendo ao Seu chamado

A. Por que é importante reconhecer que é a suficiência de Jesus, e não a nossa, que nos tornará bem-sucedidos na missão?

B. Por que devemos abandonar tudo para seguir a Jesus e cumprir Sua missão pelas pessoas?

RESUMO: A vida de Pedro foi dramaticamente transformada quando ele se deu conta de sua verdadeira condição de pecador na presença de Cristo. Independentemente de suas habilidades como pescador profissional, ele obedeceu voluntariamente à ordem de Jesus e testemunhou de Seu poder para cumprir Sua missão. Pedro aprendeu que deveria confiar somente na suficiência de Cristo.

Ciclo do aprendizado

Motivação

Focalizando as Escrituras: Mateus 14:25-33

Conceito-chave para o crescimento espiritual: Confiar em nossa própria suficiência nos leva ao perigo e ao desespero. Quando Pedro percebeu que sua única esperança estava em Cristo e clamou por Seu auxílio, ele foi capaz de vencer as ondas do desespero que ameaçavam sua vida. Assim como fez com Pedro, Jesus ainda nos faz a mesma pergunta: “Por que duvidaste?” (Mt 14:31). Como os discípulos, precisamos responder em adoração: “Verdadeiramente és o Filho de Deus!” (Mt 14:33).

Outras experiências da vida de Pedro também revelam sua luta constante contra a autossuficiência, bem como sua lentidão em aprender a lição que Cristo tentou lhe ensinar. Ele se converteu completamente apenas quando foi humilhado e quebrantado depois de negar a Jesus. A partir desse momento, Pedro se submeteu por completo à suficiência de Cristo, pronto a se tornar um instrumento nas mãos do Mestre para o cumprimento de Sua missão.

Para o professor: O objetivo desta lição é levar os alunos a desconfiar de sua própria suficiência e aprender a confiar na suficiência de Cristo.

Discussão e atividade inicial: Peça aos alunos que leiam Mateus 14:25-33. Promova uma discussão sobre o lugar em que esse episódio ocorreu (Mt 14:13-24), e o que Pedro deveria ter aprendido com esses acontecimentos. Peça a eles que pensem em situações que os levaram a confiar em si mesmos. O que ocorreu antes de se renderem à liderança e ao poder de Cristo? Com base nos acontecimentos posteriores da vida de Pedro, ele aprendeu efetivamente a lição desse episódio? E nós, aprendemos de verdade a confiar no poder e na suficiência de Cristo no início da nossa experiência cristã? Por que Jesus não desiste de nós quando não aprendemos na primeira vez?

Compreensão

Para o professor: É preciso enfatizar aos alunos diversos pontos importantes desenvolvidos em Lucas 5:1-11. Em primeiro lugar, Jesus prepara quem Ele chama; o poder é dEle. Os homens chamados por Cristo eram pescadores profissionais, mas Ele os chamou para aprender a pescar pessoas, uma tarefa para a qual não estavam preparados. Jesus apresentou evidências de que Ele era profissional nessa área. Se aqueles a quem Ele chama confiarem nEle e não em seus próprios métodos, Ele lhes proporcionará uma pesca bem-sucedida. Precisamos reconhecer Sua divindade e nossa própria indignidade. Precisamos também abandonar nossas ferramentas e métodos, a fim de segui-Lo em humilde obediência ao Seu chamado e preparo.

Comentário bíblico

I. O chamado para o serviço

(Recapitule com a classe Lucas 5:1-11.)

Como pescador profissional, Pedro vivia na água. Ele sabia como pegar peixes, ou assim acreditava. Ele sabia também que não era possível andar sobre as águas. Jesus subverteu todo o conhecimento e autossuficiência de Pedro. A fim de pegar peixes de maneira eficaz era preciso ter poder sobre a natureza. Somente Jesus tinha esse poder. Depois de Pedro haver trabalhado arduamente durante toda a noite sem pegar nada, Cristo provou Seu poder ao encher as redes de Pedro com uma quantidade enorme de peixe. (Mais tarde, Ele demonstrou Seu poder também ao andar sobre as águas.) Pedro precisou reconhecer a divindade de Jesus, bem como sua própria indignidade a fim de cooperar com o Mestre (Lc 5:8). Ele teve que aprender a confiar nas ordens de Cristo, pois o Salvador sempre sabia o que estava fazendo e tinha poder para realizar Sua própria vontade. Passando, então, a ser um aprendiz do Mestre Pescador de homens e mulheres, Pedro precisou abandonar todas as suas ferramentas e métodos para seguir Jesus (Lc 5:10, 11).

Pense nisto: Temos sido bem-sucedidos em pescar pessoas por contra própria, utilizando métodos puramente humanos? Teríamos mais sucesso se confiássemos nos métodos e no poder de Cristo? Por quê?

II. O chamado para revelar quem era Jesus

(Recapitule com a classe Mateus 16:13-19.)

Jesus encorajou Seus discípulos a manifestar como compreendiam Sua identidade (“Quem dizeis que Eu sou?” [Mt 16:15]). Pedro, o impetuoso porta-voz dos outros discípulos, declarou que Jesus era o Cristo, o Messias, Filho do Deus vivo (Mt 16:16). Jesus afirmou que Pedro somente poderia ter conhecido essa verdade mediante a revelação do Pai (Mt 16:17). Cristo não deu o crédito a Pedro, mas ressaltou a necessidade de uma iluminação divina para se chegar a essa conclusão. Infelizmente, parece que Pedro se tornou mais confiante em sua própria compreensão de Cristo e de Sua missão (Mt 16:21-23).

Pense nisto: Conhecemos a verdadeira identidade de Cristo como Messias? Como podemos conhecê-Lo mais intimamente? O que Ele é capaz de realizar em nossa vida?

III. O chamado à humildade

(Recapitule com a classe Mateus 16:21-23.)

Quando Jesus tentou explicar Sua missão a Seus discípulos, Pedro O repreendeu: “Senhor, isso de modo algum Te acontecerá” (Mt 16:22). A atitude autoconfiante de Pedro foi fortemente reprovada por Cristo como sendo a expressão do espírito de Satanás. O que Jesus quis dizer quando respondeu a Pedro: “Não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens” (Mt 16:23)? O que Pedro tinha em mente quando repreendeu Jesus? Como podemos desenvolver mais humildade e discrição? O que ajudou Pedro a compreender finalmente a importância da humildade? (Veja 1Pe 5:5, 6.)

Pense nisto: De que maneiras nossas expectativas sobre Jesus correspondem ao Seu próprio senso de identidade e missão? Estamos prontos para aprender a lição da humildade?

IV. O chamado à fidelidade

(Recapitulem juntos Mateus 26:31-35, 69-75; Lucas 22:31-34.)

Depois de três anos e meio andando com Jesus, Pedro ainda não havia aprendido a lição. Primeiramente, ele negou a predição de Cristo de que todos O abandonariam e fugiriam, insistindo que ele jamais faria isso. Em seguida, Pedro negou o próprio Jesus, teimando que não O conhecia. Quando percebeu que o Mestre o conhecia melhor do que ele mesmo, finalmente Pedro se submeteu por completo a Deus e permitiu que Seu Espírito o dominasse. Essa submissão completa resultou em sua conversão, possibilitando que ele se tornasse um líder espiritual da igreja de Cristo e o escritor de duas epístolas que incentivam outros a ser fiéis a Jesus.

É interessante notar que, após ter se tornado um apóstolo e um líder ativo da igreja por muitos anos, de acordo com Paulo, em Gálatas 2:11-14, Pedro ainda apresentava algumas fraquezas pelas quais foi reprovado. Ellen G. White escreveu sobre esse incidente: “Pedro viu o erro em que havia caído, e procurou reparar imediatamente, tanto quanto possível, o mal que causara. Deus, que conhece o fim desde o princípio, permitiu que Pedro revelasse essa fraqueza de caráter, para que o provado apóstolo percebesse que não havia em si mesmo nada de que pudesse se vangloriar. Mesmo os melhores homens, se entregues a si próprios, errarão no julgamento” (Atos dos Apóstolos, p. 198).

Perguntas para discussão

1. Como as experiências de Pedro nos episódios de Mateus 26 e Lucas 22 prepararam seu discernimento para escrever suas duas epístolas?

2. De que maneira nos identificamos com a autoconfiança e assertividade de Pedro? Como podemos submeter nossa autoconfiança a fim de aprender aos pés do Mestre?

3. Qual foi o papel da oração de Jesus por Pedro (Lc 22:32) em sua conversão? Como essa oração habilitou Pedro a fortalecer seus irmãos por meio de suas duas epístolas? Como o fato de sabermos que Cristo orou por nós (Jo 17:20) nos concede ânimo e esperança?

Aplicação

Para o professor: Relembre à classe que Pedro não foi o único a ter essa experiência. Ele apenas se afirmou de maneira mais ousada e franca, em diversas situações, do que os demais discípulos, recebendo, portanto, mais atenção nos Evangelhos. Nenhum discípulo entendia o que Jesus lhes havia dito sobre Sua missão (Lc 9:44, 45). Assim como Elias (Tg 5:17), eles eram seres humanos que compartilhavam das nossas mesmas fraquezas, necessitando do mesmo poder divino para vencê-las.

Perguntas para reflexão

1. O que eu e Pedro temos em comum? Qual é meu potencial para o bem e para o mal?

2. Como posso me fortalecer ao lembrar que Jesus orou por mim, para que quando eu me convertesse, pudesse então fortalecer meus irmãos e irmãs?

Atividade: Peça aos alunos que orem especificamente por aqueles que estão lutando contra as tentações de Satanás. Incentivem uns aos outros a ser fiéis.

Atividade alternativa: Em Lucas 5:1-11 (compare com Mt 4:18-22), Jesus chamou Pedro, André, Tiago e João para ser discípulos, pescadores de homens. Faça um projeto com os alunos que atraia pessoas para as “redes” do evangelho.

Criatividade e atividades práticas

Para o professor: Temos a oportunidade de nos identificar com a vida e a experiência de Pedro. Observe como Jesus o encorajou em vez de criticá-lo por seus fracassos, mesmo prevendo alguns deles. Peça aos alunos que citem experiências nas quais Jesus também os encorajou, apesar de suas frequentes falhas.

Atividade: Dependendo da disponibilidade dos recursos, crie um gráfico dos altos e baixos, sucessos e fracassos de Pedro, conforme registrados no Novo Testamento. Caso não haja recursos disponíveis, peça à classe que liste esses aspectos da vida de Pedro. Qual padrão emerge? Qual é a relação entre esse padrão e a experiência de conversão de Pedro? O que podemos aprender com isso?

Planejando atividades: O que sua classe pode fazer na próxima semana como resposta ao estudo da lição?

Evangelizando na escola 

Pastor Medou Eyi

Nossos irmãos adventistas do Gabão estão entusiasmados porque a oferta especial deste trimestre ajudará um dos projetos missionários no país.

Georges Medou Eyi é presidente da Missão Adventista do Gabão, localizada na capital do país, Libreville. A sede abriga um escritório, uma escola de ensino fundamental e médio, um posto de saúde e uma igreja.

A oferta especial do trimestre ajudará a construir uma segunda escola de Ensino Médio na cidade de Franceville, localizada a aproximadamente 500 km da capital, Libreville. Esse projeto é uma necessidade urgente, por ser uma das maneiras efetivas de compartilhar a mensagem adventista por meio de nossas escolas missionárias.

Um grande desafio que a Igreja enfrenta nesse país é alcançar 1,75 milhão de gaboneses com apenas um colégio no país. A instituição ajudará a evangelizar estudantes não adventistas e suas respectivas famílias. Futuramente, ela deverá aumentar intensamente a  presença adventista no Gabão.

Estudantes não adventistas

Nossa escola de Ensino Médio em Libreville é um verdadeiro campo missionário. Aproximadamente 70% dos alunos não são adventistas e alguns nem são cristãos. Mas a escola é pequena e não há espaço para expandir o campus, delimitando a matrícula em 120 alunos.

A escola de Ensino Fundamental é maior e pode acomodar 300 crianças. Ela tem se mostrado uma bênção, mas quando essas crianças atingem o Ensino Médio, a direção é obrigada a recusar muitos alunos. Isso significa que acabam frequentando a escola pública onde há provas obrigatórias aos sábados.

Muitos alunos que tiveram sua matrícula recusada nessa instituição entregaram a vida a Jesus e, evidentemente, tornaram-se observadores do sábado. Eles se questionam: “Por que devemos permanecer fiéis às nossas convicções se não existe uma escola que facilite a prática da nossa religião? Afinal, continuaremos adventistas quando deixarmos esta escola!” Isso nos entristece, especialmente ao sabermos que as crianças são muito mais receptivas ao evangelho do que os adultos, e será mais difícil alcançá-las futuramente.

Infelizmente, esses alunos não são os únicos que a escola é obrigada a recusar. Muitas famílias não adventistas em Libreville valorizam a qualidade de nossa educação. Eles nos trazem seus filhos, dizendo: “Confiamos em vocês porque sabemos que são cristãos e que ensinarão nossos filhos a se tornarem bons cidadãos.”

Imagine o paradoxo! As pessoas vão à escola na qual seus filhos podem receber o evangelho, e a escola é obrigada a recusá-los! A escola adventista perde a oportunidade de alcançar não apenas as crianças para Cristo, mas também seus pais.

A comunidade

A escola dá ênfase aos métodos de evangelismo para os alunos do Ensino Médio e organiza muitos programas que envolvem os estudantes. Enérgicos, fortes, e apaixonados pela missão, esses jovens são peças-chave para alcançar a comunidade para Cristo. No posto de saúde, eles ajudam no atendimento aos doentes, e confortam solitários, enlutados e deprimidos. Eles oram com as pessoas, falam sobre Jesus e distribuem comida e roupas. Nossa igreja cresce porque eles se misturam com as pessoas e atendem às suas necessidades.

O Gabão é um país com 3.041 adventistas. Aproximadamente 79% são estudantes. Com exceção daqueles que vivem em Libreville, todos esses jovens não têm escolha a não ser estudar em instituições não adventistas, onde enfrentam muitas pressões, incluindo exames obrigatórios aos sábados.

Percebemos que muitos alunos abandonam a fé quando frequentam essas escolas. Precisamos prover um refúgio seguro onde eles sejam livres para guardar o sábado e receber nutrição espiritual.

Apelamos aos nossos irmãos em todo o mundo para que apoiem generosamente esse projeto, de modo que possamos ajudar nosso povo do Gabão a conhecer e amar Jesus, preparando-se para Seu breve regresso.

Resumo missionário

• Sessenta e dois por cento dos habitantes do Gabão têm menos de 25 anos. Isso os torna o foco da missão adventista através da educação.

• Em 1975, a União Africana Equatorial (atual União Centro-Africana) enviou o colportor Raymond Ondoua e esposa para iniciar a obra adventista no Gabão.

• Em 1976, Daniel Cordas, enviado pela Associação Geral, fundou uma igreja com mais de 40 membros na capital do país, Libreville.

• A Missão do Gabão foi organizada em 1978.

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 2º trimestre de 2017
Tema geral: “Apascenta as Minhas ovelhas”: 1 e 2 Pedro
Lição 1: 25 de março a 1º de abril
Conhecendo Pedro

Autor: Moisés Mattos

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

Além deste comentário escrito, o Pr Moisés Mattos publica a cada semana um esboço para professores, em sua página do facebook (https://www.facebook.com/classedeprofessores/) e no Youtube (https://www.youtube.com/channel/UCLjNImiw8T4HieefHrrTOxA)

Introdução geral: Nesta primeira semana estudamos algumas características desse importante personagem do Novo Testamento. Para fins didáticos vamos trabalhar com os seguintes tópicos:

  1. Pedro, o pecador

Nosso encontro com Pedro começa justamente às margens de um lago onde ele ganhava a vida como pescador. Ele vivia num ambiente rude e afastado da sofisticação. Depois de tentativas frustradas de apanhar peixes em uma jornada que parecia sem fim, apareceu Alguém. Desse Alguém Pedro já tinha ouvido falar vagamente. Como um mestre experiente ele ordenou: "…Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar.”

Mesmo retrucando seu interlocutor e querendo convencê-Lo de que era impossível conseguir alguma coisa naquela hora, pois haviam tentado a noite toda sem sucesso, Pedro lançou as redes e o milagre aconteceu: as redes quase se romperam com tantos peixes!

A reação foi uma mistura de estupefação e reverência. Pedro e seus amigos perceberam que diante deles estava mais do que um mestre milagreiro. Em suas primeiras palavras, o pescador confessou sua condição pecaminosa e a distância em que estava do ideal de Jesus para ele. No entanto, sua confissão "Senhor, ausenta-Te de mim, que sou um homem pecador” (Lc 5:8) pode ser contrastada com a declaração de Jesus: "Não temas; de agora em diante serás pescador de homens” (Lc 5:10).

O Senhor não apenas o perdoou mas lhe deu uma missão. Assim ocorre com todos os pecadores que se aproximam de Deus. A primeira constatação é a de sua pecaminosidade e inadequação diante do Eterno e Santo. Após esse decisivo impacto ocorre o perdão, a justificação e o chamado para a missão de Deus. Foi assim com Isaías (Is 6), foi assim com Pedro e será assim com qualquer pecador que se encontrar com o Senhor.

  1. Pedro, o confessor

Uma das mais brilhantes participações de Pedro no ministério de Cristo ocorreu quando ele respondeu à pergunta de Jesus: "Quem dizem os homens ser o Filho do homem? (Mt 16:13).

Rápido e certeiro o discípulo cravou a resposta: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16).

Com essa confissão de fé, Simão Pedro, "reconheceu e declarou abertamente a divindade do Senhor. É possível que ele tenha falado da parte de todos os discípulos. O verso 20 dá a entender que era uma convicção que todos aceitavam” (F. Davidson, ed., O Novo Comentário da Bíblia, v.II, p. 969).

Embora aceito por todos, o fato de Jesus ser o Messias prometido ainda não era totalmente entendido. Eles o visualizavam como um libertador da opressão do império romano. Um messias temporal. A ideia de um reino espiritual e eterno não passava pelas convicções deles. Muito menos um Cristo que sofreria e morreria em uma cruz, não fazia parte do credo desse grupo de seguidores do Mestre. Por essa razão foi que Pedro, depois do acerto de sua confissão, cometeu um erro tentando dissuadir Jesus de morrer na cruz. Não foi sem sentido que Jesus o repreendeu dizendo que aquela era obra do diabo e não tinha nada a ver com Sua missão (Mt 16:21-23).

  1. Pedro, o homem de fé

O episódio de Pedro andando sobre as águas (Mt 14:23 a 31) ilustra duas verdades principais:

  1. O Senhor pode atender nossos pedidos. Pedro pediu e logo estava andando sobre as águas com Jesus. Claro, o pedido precisa estar de acordo com a vontade de Deus (Mt 6:10).
  2. Há necessidade de constância na entrega e na dependência de Deus. Ao desviar de Jesus seu olhar, Pedro começou a afundar. O autor de Hebreus advertiu sobre a necessidade de olhar fixamente para Jesus, Autor e Consumador de nossa fé (Hb 12:20, NVI).
  1. Pedro, o homem que transigiu, mas foi perdoado

O verbo transigir pode ser definido como chegar a um acordo por meio de concessões de parte a parte. Na vida de Pedro, transigir foi um fato principalmente notado nos dias finais do ministério de Cristo na Terra. Diante da crepitante fogueira, ele negou seu Senhor por três vezes, mesmo tendo sido alertado anteriormente sobre isso. “Que triste!”, dizemos. Como pode alguém cometer tal deslize? Aí entra o verbo transigir ou fazer concessões, mesmo que pequenas, na vida. Os grandes pecados sempre têm origem em “inocentes concessões” de caráter. O bêbado de hoje começou com aquele “experimental gole” de ontem. O drogado de hoje foi apenas o “provador” de ontem. Pedro descuidou-se de sua comunhão com Deus e fez concessões. Por estar fragilizado em sua intimidade com Deus ele teve três atitudes: A primeira atitude é a autoconfiança. Quantas vezes na vida espiritual nos julgamos muito fortes, melhores que outros que caíram. “Nós não caímos; nunca fizemos isso! Os outros caíram porque são sem-vergonha, porque são fracos, porque são relaxados, porque se fossem crentes dedicados como eu sou, ninguém passaria por isso [...]”

Em segundo lugar, faltou aplicação espiritual. Isso também se torna uma advertência muito grande para nós porque parece que os cristãos de hoje vivem uma prática de fast food (comida rápida). Para muitos, os cultos devem ser dinâmicos, enérgicos, mas não trazem reflexão. Vivemos em função de celebração e não em função de conteúdo. A vida cristã de muita gente se resume a uma hora de culto. Mas fora do culto elas não leem a Bíblia, não oram, não têm nenhuma atividade espiritual, não têm substância. Então se tornam pessoas sem nenhuma aplicação. Elas têm casca mas não têm conteúdo, têm aparência mas não significado e acabam caindo […]

Uma terceira razão que levou Pedro ao fracasso, e que leva muita gente ao fracasso, foi o envolvimento com más companhias. Ele deveria estar com os discípulos mas foi sentar-se com os zombeteiros, foi para perto do foguinho. O fogo aqueceu as mãos mas congelou o coração dele. Ou seja, o lugar em que ele estava não era o lugar em que deveria estar. Ali o seu Senhor estava sendo zombado. Então veio o fracasso […]

  1. Pedro, o líder

Deus nos molda e nos ensina por meio de nossos erros e acertos. Ele não desiste daquele que fracassou, não o abandona. Ele não apenas perdoa, restaura o pecador, mas vai além: entrega-lhe uma missão. Nesse modelo, Pedro, pecador, impetuoso, e às vezes vacilante na fé, foi transformado em um destemido líder da primitiva igreja cristã.

Conclusão

Algumas conclusões sobre Pedro como cristão, apóstolo e escritor:

  1. Ele não possuía grande instrução acadêmica (At 4:13), mas suas cartas são bem escritas. Não conhecia a filosofia grega nem o direito romano, mas como o grego era língua conhecida por todo o mundo, escreveu em grego.
  2. Ele escreveu essa carta com autoridade, sem hesitação. Apresentou-se como “apóstolo” (1Pe 1:1) e “testemunha das aflições de Cristo” (5:1). Mas “apóstolo”, para ele (bem como para os demais autores do Novo Testamento), não significava domínio sobre os demais. Nem era sinal de superioridade eclesiástica ou título de nobreza espiritual. Era consequência de ter vivido com Jesus e recebido uma missão da parte dele. Não era uma carreira que se fazia na igreja, mas uma função que se desempenhava.
  3. Ele escreveu de Roma, que chamou de “Babilônia” (1Pe 5:13). A provável data da carta fica entre 62 e 69 d.C. Um dado para isso é que o autor não fez referência à destruição de Jerusalém, no ano 70. Se tivesse escrito depois dessa data, sem dúvida teria comentado isso em seu escrito, à luz das experiências que os discípulos viveram na cidade e da palavra de Jesus de que ela seria destruída.
  4. As cartas de Pedro revelam Jesus, que Se tornou conhecido por meio de Sua Palavra. Ele transforma os pecadores e os capacita a andar com Ele. Finalmente voltará para dar o galardão da vida eterna. Confiemos, a exemplo de Pedro!

Autor do comentário: Moisés Mattos graduou-se em teologia em 1989 e concluiu seu mestrado na mesma área no ano 2000, pelo Seminário Adventista Latino Americano de Teologia. Cursou também uma pós-graduação em Gestão Empresarial. Serve à Igreja Adventista há 27 anos como professor de ensino religioso; pastor distrital; departamental em nível de Associação e União; presidente de Missão e Associação. Atualmente exerce sua atividade como pastor na Associação Paulista Oeste, na União Central Brasileira. É casado com a professora Luciana Ribeiro de Mattos, é pai de Thamires (estudante de jornalismo) e Lucas (estudante de Arquitetura).