Lição 5
22 a 29 de julho
Fé e Antigo Testamento
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Ct 5–8
Verso para memorizar: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-Se Ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro)” (Gl 3:13).
Leituras da semana: Gl 3:1-14; Rm 1:2; 4:3; Gn 15:6; 12:1-3; Lv 17:11; 2Co 5:21

Um garoto havia feito um pequeno barco, todo pintado e preparado com muita beleza. Certa vez, alguém roubou seu barco, e ele ficou angustiado. Um dia, ao passar por uma loja de penhores, ele viu seu barco. Com alegria, correu até o dono da loja e disse: ‘Aquele é o meu pequeno barco!’ ‘Não’, disse o homem, ‘ele é meu, porque eu o comprei’. ‘Sim’, disse o garoto, ‘mas ele é meu, porque eu o fiz.’ ‘Bem’, disse o comerciante, ‘se você me pagar dois dólares, pode levá-lo’. Como não tinha dinheiro, cortou grama, fez todo tipo de trabalhos pequenos, e logo obteve o dinheiro.

Ele entregou o dinheiro e recebeu o barco. Pegou o barco em seus braços, o beijou e disse: ‘Amo você, querido barquinho. Você é meu duas vezes. Eu fiz você, e agora eu comprei você.’

“Assim acontece conosco. Somos duas vezes do Senhor. Ele nos criou, e acabamos na casa de penhores do diabo. Então, Jesus veio ao mundo e nos comprou a um custo elevado. Não foi prata nem ouro, mas Seu precioso sangue. Somos do Senhor pela criação e pela redenção” (William Moses Tidwell, Pointed Illustrations [Ilustrações Selecionadas], Kansas City, Missouri: Beacon Hill Press, 1951, p. 97)

No dia 26 de agosto, realizaremos o Projeto Quebrando o Silêncio. Perto e longe tem gente sofrendo a dor da violência. O amor compartilhado restaura corações machucados e cura as nossas próprias feridas.
Domingo, 23 de julho
Ano Bíblico: Is 1–4
Os insensatos gálatas

1. Leia Gálatas 3:1-5. Resuma abaixo o que Paulo disse a eles. Em que sentido podemos estar em perigo de cair na mesma armadilha espiritual, de começar bem e depois cair no legalismo?

Diversas traduções modernas têm tentado captar o sentido das palavras de Paulo no verso 1, sobre os gálatas “insensatos”. A palavra que Paulo usou, em grego, é ainda mais forte do que essa. Ela é anoetoi, que vem da palavra para designar “mente” (nous). Literalmente, significa “estúpido”. Os gálatas não estavam pensando. Paulo não parou por aí. Ele disse que, visto que eles estavam agindo de maneira tão insensata, ele queria saber se algum mágico havia lançado um feitiço sobre eles. “Quem os enfeitiçou?” Sua escolha de palavras aqui pode até sugerir que a principal fonte por trás da condição deles fosse o diabo (2Co 4:4).

O que deixou Paulo tão perplexo no tocante à apostasia dos gálatas em relação ao evangelho foi que eles sabiam que a salvação estava fundamentada na cruz de Cristo. Eles não poderiam ter dúvidas sobre isso. A palavra traduzida como “representado” (ARC) ou “exposto” (ARA), em Gálatas 3:1, significa literalmente “anunciado em cartaz”, ou “retratado”. Era usada para descrever todas as proclamações públicas. Paulo estava dizendo que a cruz era tão importante em sua pregação que os gálatas tinham, com efeito, visto o Cristo crucificado com os olhos da mente (1Co 1:23; 2:2). Em certo sentido, ele estava dizendo que, por suas ações, eles estavam se afastando da cruz.

Em seguida, Paulo comparou a experiência dos gálatas com a maneira pela qual eles, no começo, haviam experimentado a fé em Cristo. Para isso, ele fez algumas perguntas retóricas. Como eles haviam recebido o Espírito, ou seja, como eles haviam se tornado cristãos, no começo? E de uma perspectiva um pouco diferente, por que Deus havia concedido o Espírito? Foi porque eles haviam feito algo para merecê-Lo? Certamente, não! Em vez disso, foi porque eles haviam acreditado nas boas-novas do que Cristo já havia feito por eles. Tendo começado tão bem, o que faria com que eles pensassem que tinham que passar a confiar em seu próprio comportamento?

Você costuma ter estes pensamentos: “Estou me saindo muito bem”, “Sou um bom cristão, não faço isso, não faço aquilo […]”? Mesmo que de maneira sutil, você pensou que é suficientemente bom para ser salvo? O que há de errado com essa situação?
Participe do projeto “Reavivados por Sua Palavra”: acesse o site http://reavivadosporsuapalavra.org/
Segunda-feira, 24 de julho
Ano Bíblico: Is 5–7
Fundamentado nas Escrituras

Até Gálatas 3:5, Paulo defendeu seu evangelho da justificação pela fé apelando ao acordo feito com os apóstolos em Jerusalém (Gl 2:1-10) e à experiência pessoal dos gálatas (Gl 3:1-5). A partir de Gálatas 3:6, Paulo se voltou para o testemunho das Escrituras para a confirmação final e principal do seu evangelho. Gálatas 3:6 a 4:31 é composto por argumentos progressivos fundamentados nas Escrituras.

2. O que Paulo quis dizer quando escreveu sobre as “Escrituras” em Gálatas 3:6-8? Assinale a alternativa correta, considerando Romanos 1:2; 4:3; 9:17.

A.( ) Ele se referiu aos apócrifos.

B.( ) Ele se referiu ao Antigo Testamento.

Na época em que Paulo escreveu a Epístola aos Gálatas não existia o “Novo Testamento”. Paulo foi o primeiro escritor do Novo Testamento. O Evangelho de Marcos provavelmente seja o mais antigo dos quatro evangelhos, mas possivelmente ele não tivesse sido escrito até por volta da época da morte de Paulo (65 d.C.), ou seja, cerca de quinze anos depois da carta de Paulo aos Gálatas. Assim, quando o apóstolo se referia às Escrituras, ele tinha em mente apenas o Antigo Testamento.

O Antigo Testamento desempenhou papel importante nos ensinamentos de Paulo. Ele não o via como palavras mortas, mas como a autorizada e viva Palavra de Deus. Em 2 Timóteo 3:16, ele escreveu: “Toda a Escritura é inspirada por Deus”. A palavra traduzida por “inspirada” é theopneustos. A primeira parte da palavra (theo) significa “Deus”, enquanto a segunda parte significa “inspirar”. A Escritura é “inspirada por Deus”. Paulo utilizou as Escrituras para demonstrar que Jesus é o Messias prometido (Rm 1:2), para dar instrução sobre a vida cristã (Rm 13:8-10) e para provar a validade de seus ensinamentos (Gl 3:8, 9).

Paulo citou o Antigo Testamento centenas de vezes em todas as suas cartas, exceto nas menores, Tito e Filemon.

3. Leia Gálatas 3:6-14. Identifique os trechos do Antigo Testamento citados nesses versos, relacionando-os com as colunas. Reflita sobre a autoridade do Antigo Testamento.

A.( ) Abraão creu “e isso lhe foi imputado para justiça”1. Gn 12:3.

B.( ) “Em ti, serão abençoados todos os povos”2. Dt 27:26.

C.( ) “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas” 3. Gn 15:6.

D.( ) “Aquele que observar os seus preceitos por eles viverá”4. Dt 21:22, 23.

E.( ) “Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro”5. Lv 18:5.

Você já chegou a pensar que uma parte da Bíblia seja mais “inspirada” do que as outras? Diante da afirmação de Paulo em 2 Timóteo 3:16, qual é o perigo de seguir por esse caminho?
Terça-feira, 25 de julho
Ano Bíblico: Is 8–10
Considerado justo

4. Por que Paulo apelou primeiramente a Abraão ao examinar as Escrituras em busca de confirmação para sua mensagem evangélica? Gl 3:6

Abraão é uma figura central no judaísmo. Não somente foi o pai do povo judeu, mas os judeus na época de Paulo também o consideravam o modelo de como deveria ser um verdadeiro judeu. Muitos não só acreditavam que sua característica essencial fosse a obediência, mas que Deus teria declarado que Abraão era justo por causa dessa obediência. Afinal, Abraão deixou sua terra natal e sua família, aceitou a circuncisão e estava disposto até a sacrificar seu filho, conforme a ordem de Deus. Isso é obediência! Insistindo na questão da circuncisão, os oponentes de Paulo certamente utilizaram esses mesmos argumentos.

Paulo, entretanto, respondeu com o mesmo argumento, apelando para Abraão nove vezes em Gálatas, mostrando que o patriarca havia sido um exemplo de fé, e não da observância da lei apenas.

5. O que significa ter a fé creditada [imputada] “como justiça”? Gn 15:6; Rm 4:3-6, 8-11, 22-24

Ao passo que justificação é uma metáfora tirada do mundo jurídico, a palavra contada e considerada é uma metáfora tirada do mundo dos negócios. Pode significar “creditar” ou “colocar algo na conta de alguém”. Não é utilizada em referência a Abraão apenas em Gálatas 3:6, mas ocorre outras onze vezes em conexão com o patriarca. Algumas versões da Bíblia a traduzem como contado, considerado ou imputado.

De acordo com a metáfora de Paulo, a justiça é colocada em nossa conta. Contudo, a questão é: Em qual base Deus nos considera justos? Certamente, não pode ser na base da obediência, apesar do que os adversários de Paulo alegavam. Não importa o que eles disseram sobre a obediência de Abraão, as Escrituras afirmam que Deus o justificou por causa de sua fé.

A Bíblia é clara: a obediência de Abraão não foi o fundamento de sua justificação; ela foi, em vez disso, o resultado. Ele não fez as coisas que fez a fim de ser justificado; fez porque já havia sido justificado. Justificação conduz à obediência, e não o contrário.

Você não é justificado pelas coisas que faz, mas somente pelo que Cristo fez em seu favor. O que esse fato significa para você? Por que essa é uma notícia tão boa? Como tornar essa verdade parte da sua vida, ou seja, acreditar que ela se aplica a você, pessoalmente, não importando suas lutas do passado e do presente?
Quarta-feira, 26 de julho
Ano Bíblico: Is 11–14
O evangelho no Antigo Testamento

Em Gálatas 3:8, Paulo disse: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos” (Gl 3:8). Paulo escreveu que não somente o evangelho foi pregado a Abraão, mas que foi pregado por Deus; assim, esse foi o verdadeiro evangelho. Mas, quando Deus pregou o evangelho a Abraão? A citação de Paulo de Gênesis 12:3 indica que ele tinha em mente a aliança que Deus fez com Abraão quando o chamou em Gênesis 12:1-3.

6.De acordo com Gênesis 12:1-3, qual era a natureza da aliança que Deus fez com Abraão? Assinale a alternativa correta:

A.( ) A aliança foi baseada em promessas da parte de Deus e envolvia a fé e a obediência.

B.( ) A aliança foi anulada com a morte de Cristo e com a infidelidade dos judeus.

A base da aliança de Deus com Abraão estava centralizada nas promessas de Deus a ele. Deus fez quatro promessas a Abraão. As promessas do Senhor a Abraão foram incríveis porque foram completamente unilaterais. Deus fez todas as promessas. Abraão não prometeu nada. A maioria das pessoas tenta se relacionar com Deus de maneira contrária. Nós geralmente prometemos que O serviremos, somente se Ele, em troca, fizer alguma coisa por nós. Mas isso é legalismo. Deus não pediu que Abraão prometesse nada, mas que aceitasse Suas promessas pela fé. Claro, isso não foi uma decisão fácil, porque Abraão teve que aprender a confiar totalmente em Deus e não em si mesmo (Gn 22). O chamado de Abraão ilustra, portanto, a essência do evangelho, que é a salvação pela fé.

Alguns erroneamente concluem que a Bíblia ensina duas formas de salvação. Eles afirmam que, nos tempos do Antigo Testamento, a salvação era fundamentada na guarda dos mandamentos; então, como isso não deu muito certo, Deus aboliu a lei e tornou possível a salvação pela fé. Nada poderia estar mais longe da verdade! Como Paulo escreveu em Gálatas 1:7, há apenas um evangelho.

7. Quais outros exemplos podemos encontrar no Antigo Testamento sobre salvação unicamente pela fé? Lv 17:11; Sl 32:1-5; 2Sm 12:1-13; Zc 3:1-4

Muitas vezes ouvimos a expressão “graça barata”. Contudo, esse termo é incorreto. A graça não é barata, é gratuita (pelo menos para nós). Mas nós a arruinamos, quando pensamos que, por meio de nossas obras, podemos adicionar algo a ela, ou quando pensamos que podemos usá-la como desculpa para o pecado. Em sua própria experiência, para qual desses dois caminhos você está mais inclinado a se dirigir? Como você pode mudar de direção?
Quinta-feira, 27 de julho
Ano Bíblico: Is 15–19
Resgatados da maldição (Gl 3:9-14)

Os oponentes de Paulo ficaram, sem dúvida, espantados com suas ousadas palavras em Gálatas 3:10. Eles certamente não pensavam que estivessem sob maldição. Se havia algo que eles podiam esperar, era o recebimento das bênçãos por sua obediência. No entanto, Paulo foi claro: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las” (Gl 3:10).

Paulo contrastou duas alternativas completamente diferentes: salvação pela fé e salvação pelas obras. As bênçãos e maldições da aliança descritas em Deuteronômio 27 e 28 foram diretas. Aqueles que obedecessem seriam abençoados, e os que desobedecessem seriam amaldiçoados. Isso significa que, se uma pessoa quisesse confiar na obediência à lei para ser aceito por Deus, então toda a lei devia ser guardada. Não temos a liberdade de escolher aquilo que queremos seguir, nem deveríamos supor que Deus esteja disposto a deixar passar alguns erros aqui e ali. É tudo ou nada!

Essa foi, naturalmente, a má notícia, não apenas para os gentios, mas também para os adversários legalistas de Paulo, porque “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23, ARC). Não importa quanto tentemos ser bons, a lei só pode nos condenar como transgressores.

8. De acordo com Gálatas 3:13 e 2 Coríntios 5:21, como Cristo nos libertou da maldição da lei?

Paulo introduziu outra metáfora para explicar o que Deus fez por nós em Cristo. A palavra redimir significa “comprar de volta”. Ela representa o ato de pagar o preço do resgate para libertar reféns ou escravos. Visto que o salário do pecado é a morte, a maldição por não guardar a lei era frequentemente a sentença de morte. O resgate pago pela nossa salvação não foi insignificante: custou a Deus a vida de Seu próprio Filho (Jo 3:16). Jesus nos resgatou da maldição, tornando-Se nosso portador de pecados (1Co 6:20; 7:23). Ele voluntariamente tomou sobre Si nossa maldição e sofreu em nosso favor toda a penalidade do pecado (2Co 5:21).

Paulo citou Deuteronômio 21:23 como prova bíblica. Segundo o costume judaico, uma pessoa estava sob a maldição de Deus se, após a execução, o corpo fosse pendurado num madeiro. A morte de Jesus na cruz foi vista como um exemplo dessa maldição (At 5:30; 1Pe 2:24).

Não é de admirar, então, que a cruz tenha sido uma pedra de tropeço para alguns judeus que não podiam conceber a ideia de que o Messias fosse amaldiçoado por Deus. Mas esse foi exatamente o plano de Deus. Sim, o Messias sofreu a maldição; mas ela não era dEle, era nossa!

Sexta-feira, 28 de julho
Ano Bíblico: Is 20–23
Estudo adicional

Sobre Cristo como nosso substituto e penhor, foi posta a iniquidade de nós todos. Foi contado como transgressor, a fim de nos redimir da condenação da lei. A culpa de todo descendente de Adão pesava sobre Seu coração. A ira de Deus contra o pecado, a terrível manifestação de Seu desagrado por causa da iniquidade, encheram de consternação a vida de Seu Filho. Em toda a Sua vida, Cristo havia anunciado ao mundo caído as boas-novas da misericórdia do Pai e de Seu amor perdoador. A salvação para o maior pecador foi Seu tema. Agora, porém, com o terrível peso de culpa que carregava, não pôde ver a face reconciliadora do Pai. O afastamento do semblante divino, do Salvador, nessa hora de suprema angústia, penetrou Seu coração com uma dor que nunca poderá ser bem compreendida pelo homem. Tão grande era essa agonia, que Ele mal sentia a dor física (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 753).

“Entrou Lutero, então, ousadamente, em sua obra como campeão da verdade. Sua voz era ouvida do púlpito em advertência ardorosa e solene. Expôs ao povo o caráter ofensivo do pecado, ensinando ser impossível ao homem, por suas próprias obras, atenuar a culpa ou fugir do castigo. Nada, a não ser o arrependimento para com Deus e a fé em Cristo, pode salvar o pecador. A graça de Cristo não pode ser comprada; é um dom gratuito. Aconselhava o povo a não comprar indulgências, mas a olhar com fé para um Redentor crucificado” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 129).

Perguntas para reflexão

1. Alguns têm dificuldade em aceitar a salvação unicamente pela fé, e que a graça de Deus nos salva por meio de Cristo, à parte de nossas obras. O que está por trás dessa hesitação em aceitar essa verdade fundamental?

2. Paulo falou de maneira muito forte sobre o erro teológico da salvação pelas obras. Qual é a importância da teologia correta? Por que devemos nos levantar vigorosamente, se necessário, quando o erro estiver sendo ensinado entre nós?

Resumo: A base da nossa salvação é a fé unicamente em Cristo. Foi por causa da fé que Abraão teve nas promessas de Deus que ele foi considerado justo, e esse mesmo dom de justiça está disponível a todo aquele que partilhar da fé de Abraão. A única razão pela qual não somos condenados pelos nossos erros é que Jesus pagou o preço dos nossos pecados, ao morrer em nosso lugar.

Respostas e atividades da semana: 1. Divida a classe em grupos e peça aos alunos que reflitam sobre os perigos de cair no legalismo. Apresentem medidas por meio das quais podemos nos prevenir de cair nessa armadilha. 2. B. 3. A (3); B (1); C (2); D (5); E (4). 4. Peça a opinião dos alunos. 5. Peça a opinião dos alunos. 6. A. 7. Com antecedência, selecione 4 alunos para estudar as passagens sugeridas. Peça a eles que sintetizem esses exemplos no sábado, em classe. 8. Peça a opinião dos alunos.

Resumo da Lição 5
Fé e Antigo Testamento

TEXTO-CHAVE: Gálatas 3:13

O ALUNO DEVERÁ

Conhecer: O fundamento, no Antigo Testamento, para a compreensão da redenção e da justificação pela fé.

Sentir: A tristeza e a agonia suportadas por Cristo em nosso favor, por causa da maldição da separação do Pai.

Fazer: Aceitar e valorizar o sacrifício de Cristo em nosso benefício e, pela fé, suplicar que Ele nos cubra com Sua justiça e perdoe os nossos pecados.

ESBOÇO

I. Conhecer: Redenção no Antigo Testamento

A. Como o tema da redenção era ilustrado no Antigo Testamento, por meio do sistema de sacrifícios?

B. Quais histórias do Antigo Testamento desenvolvem o tema de um substituto pagando um trágico preço a fim de salvar os outros?

II. Sentir: Ele suportou a nossa maldição

A. Por que Deus Se envolveu em tantas dificuldades para ilustrar a morte substitutiva de Cristo muito antes da vinda do Salvador à Terra?

B. Por que é fundamental que nos identifiquemos com a humilhação e vergonha de Cristo na prisão, acusações, nudez e sensação de abandono da crucificação?

III. Fazer: Aceitando o custo

A. O sistema sacrifical do Antigo Testamento era um lembrete físico diário dos sofrimentos que Cristo suportaria em nosso favor. Como podemos manter vivas essas imagens hoje?

B. Como podemos compartilhar a morte de Cristo e, pela fé, aceitar Sua dádiva de vida?

RESUMO: Mediante o sistema sacrifical, o Antigo Testamento ilustrava o terrível custo do pecado e a oferta de um substituto perfeito para tomar o lugar do pecador na morte.

Ciclo do aprendizado

Motivação

Focalizando as Escrituras: Gálatas 3:13

Conceito-chave para o crescimento espiritual: A fé unicamente em Cristo é o que nos torna filhos e filhas de Deus.

Para o professor: Na lição desta semana, os professores são incentivados a seguir o exemplo de Paulo em Gálatas 3, apresentando e realizando exercícios que encorajem e ajudem a classe a se livrar da ideia generalizada de que nossas obras nos salvam. Somos solicitados a reorientar nossa mente continuamente, focalizando o conceito maravilhoso de que a graça nos salva mediante a fé unicamente em Cristo.

Em Gálatas, encontramos um paradoxo interessante: Paulo, homem instruído na lei, usou sua notável capacidade de raciocínio persuasivo para argumentar que é a fé que nos liga a Deus, não a lógica nem a razão.

Discussão inicial: Peça que os alunos avaliem honestamente em qual grau eles se identificam com os gálatas. Estes podem ser chamados de “insensatos”. Contudo, vivemos em um momento histórico que define “verdade” como o que pode ser conhecido empiricamente por meio do raciocínio lógico, hipóteses testadas, evidências de análise de estatísticas, e assim por diante. Compartilhamos da luta dos gálatas para avançar na fé e acreditar em algo e em Alguém cuja presença não podemos “provar”, a não ser pela nossa experiência?

Compreensão

Para o professor: A história de Abraão é familiar a todos nós. No entanto, a própria familiaridade com essa história cria o maior obstáculo para que ela seja contemplada como se fosse pela primeira vez e produza a sensação de espanto por sua audácia: tanto na impossibilidade (da perspectiva humana) do cumprimento das promessas de Deus para Abraão quanto na simultânea e épica luta de fé revelada na vida desse patriarca. Esta lição é uma oportunidade de redescobrir a história de Abraão, que pode funcionar como um roteiro de como viver com absoluta fé e confiança em Deus.

Comentário bíblico

Saber que somos salvos pela graça mediante a fé em Cristo deve tornar a história de Abraão um ponto de referência para cada um de nós, uma ferramenta para nos reorientar a ter uma vida centralizada na fé. De acordo com a carta de Paulo aos Gálatas, a história de Abraão apresenta um modelo atemporal para a fé. Três aspectos importantes dessa história nos ajudam a focalizar o significado de viver pela fé.

Estude com profundidade o que a Bíblia diz a respeito das questões a seguir: (a) Como Deus Se revelou a Abraão, (b) A natureza progressiva das promessas de Deus a Abraão e (c) A jornada de Abraão para uma vida de fé na promessa de Deus. Se avaliada por qualquer outro padrão além da fé (por exemplo, razão, experiência humana, etc.), essa viagem parece absolutamente ridícula.

As três lições de fé ensinadas na história de Abraão

(Recapitule com a classe Gn 12:1-8; 13:14-18; 15:1-10.)

Implícita no uso que Paulo fez da história de Abraão como exemplo especial da verdadeira fé está a ideia de que essa é uma possibilidade para todos nós. De fato, não apenas uma possibilidade, mas algo que Deus deseja compartilhar conosco. A história de Abraão nos ensina a nos envolvermos com Deus numa jornada pessoal de fé, na qual Deus pode revelar Sua Pessoa, Suas promessas e Seu expresso desejo para cada um de nós.

Três momentos de ensino: a Bíblia diz que Deus falou a Abraão (Gn 12:1, 4; 13:14), apareceu a Abraão (Gn 12:7) e veio a Abraão em visão (Gn 15:1). Nessas passagens, encontramos os métodos da revelação, a crescente progressão das informações reveladas e também a luta de Abraão para aceitar as extraordinárias promessas que lhe foram dadas.

1. O elemento central e fundamental revelado na história de Abraão a respeito da vida de fé é que ela é mais do que apenas crença em Deus; é um relacionamento com Deus. Fé é abrir a mente e o coração para ter um relacionamento pessoal com o Divino. É estar aberto à ideia de que Deus fala com cada um de nós da maneira que estamos mais bem preparados para ouvir,seja pela natureza, pelos conselhos, sinais, sonhos – seja qual for a maneira que Ele escolher para Se comunicar conosco. É uma viagem e um relacionamento que podem desafiar a lógica e as expectativas humanas, e não que podem ser autenticados pelo raciocínio científico, pela lógica, nem pelo conhecimento compartilhado da experiência humana.

2. Vemos na história de Abraão que, ao longo do tempo, Deus revelou de maneira progressiva informações específicas sobre Sua promessa. Inicialmente, Deus prometeu a terra e descendentes. Com o tempo, detalhes específicos foram acrescentados a esse conteúdo, logo resultando no conhecimento de que Abraão seria o pai de um filho nascido de Sara. Podemos fazer muitas perguntas a respeito dessa história que podem nos guiar em nosso esforço para ter uma vida de fé: (1) O que a história de Abraão demonstra acerca da revelação contínua?
(2) Por que as promessas de Deus são reveladas aos poucos, ao longo do tempo?

3. A promessa divina de que Abraão seria pai de uma grande nação, gerada de um filho que nasceria de sua esposa, cujo ventre havia muito tempo já tinha perdido sua capacidade reprodutiva, desafia a lógica e a razão humanas. Porém, Abraão teve a audácia de acreditar, pelo menos na maioria das vezes. Vemos nossa própria experiência de fé por meio da vida de Abraão. À medida que os anos passaram, Abraão lutou. Ele tomou decisões erradas que não resultaram da fé. Por exemplo, ele mentiu ao Faraó sobre seu relacionamento com Sara por causa do medo de morrer, apesar da promessa de Deus de que ele viveria para ser o pai de uma grande nação. Além disso, ele tentou resolver os problemas por seus próprios métodos, ao gerar um filho com Hagar. Ele questionou as promessas de Deus quando lhe parecia que Deus só falava e não agia. Nesse elemento da história, há grande esperança para nós. Apesar de todas essas “falhas”, Paulo citou Abraão como exemplo excepcional de fé. Podemos obter muita coragem dessa citação, sabendo que somos chamados a continuar voltando à fé, mesmo depois de lutar e fracassar.

Pense nisto: A dinâmica entre Deus e Abraão é o primeiro aspecto a ser focalizado na história.Que lição aprendemos com o patriarca acerca de estar aberto à voz do Senhor? O segundo aspecto de interesse é a maneira progressiva pela qual o Pai celestial revelou a Si mesmo e Suas promessas a Abraão. Podemos ver claramente que as promessas divinas ao patriarca cresceram em especificidade e conteúdo ao longo do tempo. O que isso nos mostra sobre a vida de fé em relação a Deus? O terceiro elemento e momento de ensino nessa história é o testemunho da vida de Abraão, que aprendeu a confiar nas promessas de Deus. O que podemos aprender sobre a disposição de Abraão em acreditar, igualmente acompanhada por sua luta para crer? Afinal, ele recebeu a promessa de algo que, olhando de uma perspectiva racional ou objetiva, seria absurdo, se não impossível de acreditar!

Aplicação

Para o professor: Enfatize a verdade simples, mas profunda, de que fé é mais do que uma aceitação de Deus ocorrida no passado. Nossa primeira declaração de fé em Deus é simplesmente a entrada pela porta aberta. O restante da história de fé ocorre na caminhada com Deus ao longo da vida.

Perguntas para reflexão

1. Além de ler as Escrituras e orar, quais práticas você emprega para ouvir a voz de Deus? Como Deus revela Sua vontade e Suas promessas únicas para sua vida? Qual foi a última vez que você ouviu a inconfundível voz de Deus em seu coração? O que lhe capacitou a obedecer ao que ouviu?

2. Em sua comunidade espiritual, vocês gastam tempo suficiente compartilhando suas jornadas individuais de fé? Quais métodos podem ser utilizados para confirmar a confiança das pessoas e encorajá-las ao envolvimento mais direto com Deus em um relacionamento de fé?

Perguntas para aplicação

O que pode ser feito para criar verdadeiras “comunidades de fé”, portos seguros para confirmar que Deus fala a todos nós de muitas maneiras diferentes? Como podemos assegurar que, assim como o Pai celestial sabe o número de fios de cabelos da nossa cabeça, Ele também tem planos para nossa vida, os quais o Senhor está esperando para nos revelar, se estivermos dispostos a embarcar em uma odisseia de fé?

Criatividade e atividades práticas

Para o professor: A fé é um salto inicial rumo ao desconhecido, mas nosso Pai celestial promete nos tomar em Seus santos braços. Imagine que você está em Seus braços, como um recém-nascido na fé. Agora, prossiga na metáfora do crescimento na fé, comparando-o ao crescimento de uma criança. O convite de Deus para dar o primeiro salto vem com a promessa de que Ele nos dará oportunidades ao longo da vida para crescer em um relacionamento especial com Ele.

Atividades

1. Se você está sentindo falta de uma significativa prática de fé, decida passar pelo menos uma hora por dia, de agora em diante, fazendo algo novo para cultivar sua experiência de fé. Aos poucos você sentirá necessidade de aumentar o tempo dedicado a essa experiência. Peça a Deus que abra seu coração para as formas pelas quais Ele já está falando com você, que talvez você não esteja percebendo.

2. Se você se sente profundamente enriquecido em sua caminhada de fé, decida servir, aconselhando ou apoiando, outras pessoas em seu círculo de amigos, familiares, membros da igreja e pessoas da comunidade. Peça a inspiração e a direção de Deus a respeito de como sua experiência pode servir melhor ao Seu propósito de fortalecer a fé dos outros.

 

Quatro pastores, quatro estudantes

 

Os pastores adventistas do sétimo dia desempenham um papel importante nas escolas adventistas. Se não fosse pelos pastores adventistas, centenas de crianças não estariam frequentando uma escola adventista na Índia. Vamos conhecer quatro deles.

Siyon

Siyon [Saion] conheceu um pastor adventista quando tinha dez anos. Uma vez por semana, o pastor ia à casa dele para dar estudos bíblicos a seus pais e orar com eles. Pouco tempo depois, um pastor de outra denominação religiosa também passou a ir à casa de Siyon, e também lia a Bíblia e orava com eles.

Isso continuou por algum tempo. Finalmente, os pais de Siyon decidiram guardar o sábado. Mas eles enfrentaram um dilema e Siyon questionou: “Quem dirá aos pastores sobre a nossa decisão?”

Os pais tinham muitas questões a resolver, mas não tiveram dificuldade em decidir onde Siyon iria estudar. Quando o pastor falou sobre um internato adventista a cerca de 40 minutos de sua casa, eles disseram ao filho para fazer as malas.

Ao chegar à nova escola, Siyon sentiu-se triste e sozinho, pois não conhecia ninguém. Ele estudou muito para aprender inglês e se esforçou para fazer novos amigos. Ele passou a falar inglês fluentemente e amar sua nova escola. Aprendeu a ser líder, a participar da música e a ajudar nas reuniões de oração e na Escola Sabatina.

Os parentes e amigos notaram que Siyon ficou diferente. Quando ele volta para casa nas férias, eles se reúnem em sua casa e pedem que ele dirija as reuniões de oração. Eles também querem enviar os filhos para a escola onde Siyon estuda – e vários já fizeram isso. Agora cinco crianças estão estudando na escola por causa das mudanças que sua família e os amigos viram na vida de Siyon.

Siyon é um dos 260 estudantes da Escola Adventista de Alate, no oeste da Índia. Parte da oferta da Escola Sabatina deste trimestre ajudará a construir um novo prédio de salas de aula para substituir as salas antigas. Isso permitirá que a escola aceite mais estudantes, alguns de lares adventistas, porém muitos vêm de famílias que sabem pouco ou nada sobre Cristo, Seu sacrifício de amor e a vida eterna.

Snehal e David

Snehal [Snirróu] é uma garota de 15 anos que estuda na Escola Adventista de Alate há cinco anos. Ela é líder na Escola Sabatina e em outros programas de adoração. “Comecei a ler a Bíblia e me interessei pela igreja quando cheguei a esta escola”, ela diz. “Estou muito feliz por estar aqui!”

David tem onze anos e se matriculou na escola por influência do pastor.

“Meu pai é pedreiro, e por várias semanas ele não conseguia encontrar trabalho. Por isso não tínhamos muito alimento para comer”, David diz. “Então um estranho foi à nossa casa e lhe entregou um folheto cristão. Papai começou a ler por curiosidade.”

Pouco tempo depois, o pai de David viu várias pessoas bem vestidas olhando para um canteiro de obras. Caminhou até o grupo esperando encontrar trabalho. Ficou surpreso ao reconhecer no grupo o homem que lhe tinha dado o folheto. Buscou coragem, dirigiu-se ao homem e disse que estava lendo o folheto e pediu mais informações. O homem se apresentou como pastor adventista e o convidou para estudar a Bíblia com ele.

“Meu pai estudou com o pastor e pediu o batismo. Finalmente, o restante da família se uniu a ele. Estou estudando o 5º Ano na Escola Adventista de Alate e me sinto feliz por estar aqui, onde posso aprender mais sobre Jesus enquanto me preparo para um futuro melhor.”

Abhishek

A mãe de Abhishek [Abisheque] considera um milagre o fato de seu filho estar frequentando a escola adventista. A seca tinha arruinado as colheitas da família. Ela e seus familiares estavam em casa, passando fome e sem saber o que fazer. Então um pastor adventista foi à sua casa e se ofereceu para orar pela família.

Visto que a família de Abhishek não era cristã, sua mãe mandou que o pastor fosse embora. Mas o pastor voltou dia após dia. Finalmente, ela permitiu que ele orasse por eles.

Hoje, a mãe de Abhishek acredita que o Espírito Santo dirigiu essas visitas. O pastor ajudou a família a ter alimento e ministrou estudos bíblicos. Finalmente, ela se uniu à Igreja Adventista. Abhishek conseguiu uma bolsa de estudos e se matriculou na escola adventista há dois anos.

“Gosto da educação que meu filho está recebendo nessa escola”, a mãe diz. “Ele é uma boa influência para os nossos vizinhos. A honestidade e bondade dele fizeram com que os vizinhos pedissem informações sobre a Igreja Adventista e sobre o sábado.”

As escolas adventistas estão cheias de histórias semelhantes de estudantes que puderam crescer em um ambiente adventista. Por favor, lembre-se da Escola Adventista de Alate em suas orações e participe das ofertas missionárias da Escola Sabatina. Vamos lembrar também de orar pelos pastores adventistas, que desempenham papel importante na educação adventista.

Resumo missionário

• A Escola Adventista de Alate foi construída em 1943 no oeste da Índia. Ficou fechada por algum tempo e reabriu em 1981.

• Hoje a escola tem 260 alunos, incluindo 35 que moram no internato. O número de alunos poderá aumentar quando a escola concluir as novas instalações.

• Uma parte das ofertas da Escola Sabatina deste trimestre será destinada à construção de um novo prédio, com 14 salas de aula. A estrutura atual é antiga e pequena para acomodar mais estudantes. A nova estrutura é um passo na modernização das instalações e contribuirá para aumentar o número de alunos nessa instituição adventista.

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º trimestre de 2017
Tema geral: “O evangelho em Gálatas”
Lição 5: 22 a 29 de julho
Fé e Antigo Testamento

 

 

Autor: Pr. Nilton Aguiar

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

 

Introdução

A Bíblia utiliza a metáfora do resgate para se referir à salvação oferecida em Cristo Jesus (Mc 10:45; Jo 10:11; Ef 1:7; Cl 1:13, 14; 1Tm 2:5, 6; Tt 2:14; Hb 2:9; 1Pe 1:18, 19). Em geral, as palavras usadas no Novo Testamento para “resgate” são usadas fora do Novo Testamento para se referir ao preço pago em dinheiro pela libertação de um escravo. No caso do Novo Testamento, essas palavras são utilizadas para se referir ao preço que Cristo pagou pela nossa salvação com Sua própria vida (Mt 20:28; Mc 10:45), por meio de Seu precioso sangue (Ef 1:7). Isso demonstra a enormidade do nosso pecado. Ao mesmo tempo, ao falar sobre o alto preço que Deus pagou pelo nosso resgate, a Bíblia apresenta provas de que nossa salvação é possível somente por Cristo e Sua infinita graça, e de que ela é recebida somente pela fé.

 Os insensatos gálatas

 Há dois níveis de incidência de palavras na Bíblia que devem chamar nossa atenção. Primeiro, quando uma palavra ocorre inúmeras vezes, isso significa que Deus quer chamar nossa atenção para o conceito que ela expressa; segundo, quando uma palavra ocorre apenas uma vez ou poucas vezes, devemos fazer a seguinte pergunta: O que levou o autor inspirado a escolher exatamente essa palavra? Essa é a pergunta que devemos fazer ao nos depararmos com a palavra “insensatos” em Gálatas 3:1.

O adjetivo ano?toi (insensatos, tolos) ocorre apenas seis vezes em todo o Novo Testamento. É usado cinco vezes por Paulo (Rm 1:14; Gl 3:1, 3; 1Tm 6:9; Tt 3:3) e uma vez por Lucas (Lc 24:25). Em Lucas 24:25, a palavra ano?toi é usada pelo Cristo ressurreto para Se dirigir a dois discípulos na estrada de Emaús. Jesus associou esse termo com a expressão “tardios de coração”. As duas características juntas, insensatez e lentidão de coração, são apresentadas por Cristo como o empecilho para que os discípulos cressem em “tudo o que os profetas disseram”. Isso não é um pouco parecido com o que estava acontecendo na Galácia? Os membros da igreja estavam deixando de acreditar no ensino de Paulo sobre a salvação fundamentada unicamente na cruz de Cristo. Paulo estava tão incomodado com a situação que ele chamou os gálatas de insensatos duas vezes na abertura da carta (Gl 3:1, 3). O sentido com que Paulo empregou a palavra ano?toi em Gálatas é o mesmo daquele de Romamos 1:4, onde o termo é usado em contraste com a palavra “sábios”, e em 1 Timóteo 6:9 e Tito 3:3, onde a palavra é usada para se referir a uma conduta anticristã.

Fundamento nas Escrituras

 Logo após a dura repreensão aos Gálatas na abertura da carta, Paulo argumentou que o evangelho que ele anunciava estava fundamentado nas Escrituras do Antigo Testamento (Gl 3:6-4:31). Esse é um ponto importante que merece cuidadosa reflexão. O atento leitor da Bíblia perceberá que os quatro Evangelhos registrados no Novo Testamento não apenas trazem um resumo acerca da vida e ministério de Jesus na Terra, como também apresentam o cumprimento das profecias do Antigo Testamento relacionadas a Cristo. Por exemplo, Mateus usou constantemente fórmulas de citação para introduzir o Antigo Testamento (Mt 1:21; 2:15, 17, 23; 4:14; 8:17; 12:17; 13:14, 35; 21:4). O mesmo ocorre nos demais evangelhos (exemplo, Jo 19:24, 28, 36).

Alguns estudiosos da Bíblia reconhecem que a primeira profecia sobre a vinda do Messias está registrada em Gênesis 3:15 (cf. Rm 16:20; Ap 12:17). Por essa razão esse verso da Bíblia é comumente chamado de protoevangelho, que significa primeiro evangelho. Jesus deixou claro que as Escrituras do Antigo Testamento apontavam para Ele: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de Mim” (Jo 5:39). Lucas mencionou que, ao conversar com dois discípulos na estrada de Emaús, Jesus expôs o que a Seu respeito constava em todas as Escrituras, começando por Moisés e discorrendo por todos os profetas (Lc 24:27). Assim, Paulo argumentou que o Evangelho que ele anunciava tinha sua raiz nas profecias messiânicas do Antigo Testamento. Em Gálatas 3:8, ele declarou que Deus preanunciou o evangelho a Abraão, dizendo: “Em ti, serão abençoados todos os povos”. Esta é uma citação de Gênesis 12:3. A promessa feita a Abraão é repetida a Isaque (Gn 26:4) e a Jacó (Gn 28:14), porque, da descendência de Abraão, Isaque e Jacó viria o Messias (Mt 1:1-2). Portanto, em Gálatas 3:8 o argumento de Paulo foi que o evangelho que ele anunciava estava profundamente enraizado no Antigo Testamento, que era a Bíblia de sua época.

Considerado justo

A justificação não é um ato humano, mas divino. Ela não tem por base o que fazemos, mas o que Deus fez e faz por nós através de Cristo. Em seu debate com os judaizantes, Paulo explicou esse ponto usando o exemplo de Abraão. Uma leitura rápida da história de Gênesis 15 pode deixar a impressão de que as bênçãos prometidas a Abraão envolviam, exclusivamente ou em grande parte, recursos materiais. De fato, ele recebeu a promessa de uma terra e de que um herdeiro lhe seria dado para receber suas posses (Gn 15:2-4). Porém, Hebreus 11:10 nos garante que Abraão tinha em vista outra terra, bem como aprendeu que o herdeiro prometido por Deus (Gn 15:4) apontava para outro Herdeiro (Gn 12:3; 22:8, 13, 15-18; comparar com Gl 3:8). Ao dizer que Deus pregou o evangelho a Abraão, Paulo estava afirmando que o patriarca acreditava que o Messias viria séculos mais tarde para estender Sua oferta de salvação à humanidade.

Portanto, Abraão foi declarado justo não com base na sua obediência, como os oponentes de Paulo alegavam, mas com base na vinda do Salvador e Sua obra em favor da raça humana. Paulo desenvolveu esse pensamento de três maneiras: “Primeiro, ele disse que Abraão foi justificado pela fé na palavra de Deus em relação às coisas espirituais, ou seja, pela fé no evangelho... (Gl 3:8-9). Segundo, Paulo disse que as promessas espirituais que Abraão recebeu e nas quais ele acreditava dizem respeito à redenção (Gl 3:3-14)... Finalmente, Paulo disse que, além de buscar uma bênção espiritual a ser alcançada pela obra redentora de Deus, Abraão também aguardava especificamente a vinda do Senhor Jesus Cristo” (Gl 3:16).[2]

 O evangelho no Antigo Testamento

 A Bíblia define o que é evangelho em Romanos 1:16: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...”. Em outras palavras, a salvação é recebida pela fé. A Bíblia diz que Abraão “creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça” (Gn 15:6). Essa é uma afirmação tão importante para a fé cristã que é citada no Novo Testamento três vezes (Rm 4:3; Gl 3:6; Tg 2:23). Assim, o Novo Testamento garante que a salvação no Antigo Testamento é também pela fé apenas, ao contrário do que diziam os oponentes de Paulo e do que dizem alguns hoje. A mesma declaração feita a Abraão em Gênesis 15:6 ocorre no Salmo 106:31, onde ela é aplicada a Fineias. Nessa passagem, a frase pode ser entendida como se referindo à aprovação divina.[3] Porém, seu significado específico pode ser apreendido a partir de Números 18:27, 30, onde o verbo hebraico hashav (o mesmo traduzido por “foi imputado” em Gênesis 15:6) é usado para dizer que algo foi contado aos levitas. Os levitas eram mantidos pelos dízimos, mas eles mesmos tinham que dizimar do dízimo que recebiam, e isso era contado como se “eles estivessem dando o dízimo de seus próprios produtos”.[4] Na verdade, eles não tinham nada para dar. Porém, Deus lhes concedia algo para que eles, em atitude de fé e obediência, pudessem dar de volta. Igualmente, a justiça imputada a Abraão é um ato divino. A fé de Abraão é uma resposta à revelação de Deus. Porém, a resposta humana ao convite divino é demonstrada pela sua obediência. Abrão confiou inteiramente em Deus. A prova disso é Gênesis 22. A fé, porém, não nasce no vácuo, no vazio. Deus dá algo em que o ser humano possa crer. Isso diz respeito ao conteúdo da mensagem evangélica, a qual, no caso de Abraão, é dada em Gênesis 12:1-3.

Resgatados da maldição

 Há dois pontos importantes para observar em Gálatas 3:10. Primeiro, a afirmação de Paulo de que aqueles que “são das obras da lei estão debaixo de maldição”. Segundo, a citação que ele faz do Antigo Testamento a fim de sustentar seu pensamento.

Na lição 4, já vimos que a expressão “obras da lei” é usada na Bíblia apenas por Paulo (Rm 3:20, 28; 9:32; Gl 2:16; 3:2, 5, 10). Paulo estava combatendo o pensamento de que as obras são uma espécie de coadjuvante da fé para que alguém alcance justificação. Por essa razão ele foi tão enfático em Romanos 3:28: “concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”. Uma tradução literal da última parte do verso a partir do texto grego fica assim: “sem obras da lei”. Portanto, no contexto de Gálatas 3:9-14, as pessoas que estão sob maldição são aquelas que pretendem ser justificadas diante de Deus em função de suas obras. Para Paulo, elas se desligaram de Cristo e decaíram da graça (Gl 5:2-4).

A citação de Paulo em Gálatas 3:30 vem de Deuteronômio 27:26. Em Gálatas 3:13, ele mencionou que Cristo nos resgatou da maldição da lei (conferir Dt 27:11-26; 28:15-68). Em Deuteronômio 27 e 28, Moisés transmitiu uma série de instruções aos israelitas sobre o cuidado que eles deveriam ter em relação à observância da lei quando chegassem à terra prometida. Ele falou das bênçãos que derivam da observância da lei e das maldições pela negligência mesmo de partes dela, uma vez que “o mais leve desvio dos requerimentos da lei era suficiente para incorrer em maldição”.[5] Portanto, “todos os que se apegam às obras da lei estão sob a maldição pronunciada pela própria lei sobre todos aqueles que não a observam completamente”.[6] Como Paulo declarou que todos pecaram (Rm 3:23), isto significa que ninguém obedeceu à lei completamente, exceto Cristo (Rm 5:19). Por Sua obediência perfeita, Cristo Se tornou nosso Substituto. A maldição que devia recair sobre nós, Ele a tomou sobre Si. Assim, só existe uma forma pela qual o ser humano pode ser justificado: pela justiça de Cristo!

Conclusão

Paulo demonstrou que a atitude daqueles que esperavam alcançar justificação por meio das “obras da lei” não passava de insensatez. Mesmo Abraão, que era tido pelos judeus como um exemplo máximo de obediência, não foi justificado por suas obras, mas por sua fé na vinda do Messias e Sua obra redentora. Utilizando o exemplo de Abraão, Paulo demonstrou que somos justificados não em função do que fazemos, mas com base no que Cristo fez e faz por nós.

Notas

[1] O autor é pastor, mestre em Ciências da Religião, mestre e bacharel em Teologia, licenciado em Letras e autor de diversos livros e artigos. É docente do curso de Teologia, no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, Cachoeira/BA, e atualmente está cursando o doutorado em Novo Testamento, na Andrews University (EUA). É casado com a professora Cristiane Aguiar, e tem dois filhos: a Karol e o Lucas.

[2] James Montgomery Boice, Genesis: An Expositional Commentary (Grand Rapids, MI: Baker Books, 1998), 550.

[3] Robert G. Bratcher and William David Reyburn, A Translator’s Handbook on the Book of Psalms, UBS Handbook Series (New York: United Bible Societies, 1991), 914.

[4] Gordon J. Wenham, Genesis 1–15, v. 1, Word Biblical Commentary (Dallas: Word, Incorporated, 1998), p. 329, 330.

[5] Francis D. Nichol, ed., The Seventh-Day Adventist Bible Commentary, v. 6 (Review and Herald Publishing Association, 1980), 955.

[6] Ronald Y. K. Fung, The Epistle to the Galatians (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1953), p. 142.

Autor do comentário: O autor é pastor, mestre em Ciências da Religião, mestre e bacharel em Teologia, licenciado em Letras e autor de diversos livros e artigos. É docente do curso de Teologia, no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, Cachoeira/BA, e atualmente está cursando o doutorado em Novo Testamento, na Andrews University (EUA). É casado com a professora Cristiane Aguiar, e tem dois filhos: a Karol e o Lucas.