Lição 4
15 a 22 de abril
Relações sociais
Sábado à tarde
Ano Bíblico: 1Rs 11, 12
Verso para memorizar: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1Pe 4:8).
Leituras da semana: 1Pe 2:13-23; 1Pe 3:1-7; 1Co 7:12-16; Gl 3:27, 28; At 5:27-32; Lv 19:18

A carta de Pedro também confronta algumas questões sociais difíceis de seu tempo. Por exemplo, como os cristãos deveriam suportar um governo opressivo e corrupto como o Império Romano pagão? O que Pedro disse aos seus leitores, e o que suas palavras significam para nós?

Como os escravos cristãos deveriam reagir quando seus senhores os tratavam de maneira severa e injusta? Embora as relações atuais entre empregadores e empregados sejam diferentes do relacionamento entre senhor e escravo no primeiro século, aqueles que têm que lidar com chefes injustos e abusivos certamente se identificarão com o que Pedro disse. É extraordinário que ele tenha apontado Jesus como o perfeito exemplo de como os cristãos devem se comportar quando são maltratados (1Pe 2:21-24).

Como os maridos e esposas devem se relacionar, especialmente quando divergem sobre uma questão tão fundamental como a crença religiosa?

Finalmente, como os cristãos devem se relacionar com a ordem social e política, quando ela pode ser incontestavelmente corrupta e contrária à fé cristã?

Estamos chegando ao fim do evangelismo da Semana Santa. Faça uma culto jovem com testemunhos sobre os milagres que ocorreram durante a semana. A partir de 23 de abril, as igrejas iniciarão uma classe bíblica. Convide os amigos!
Domingo, 16 de abril
Ano Bíblico: 1Rs 13, 14
Igreja e Estado

Embora escrita há muito tempo, a Bíblia toca em questões muito relevantes hoje, como a relação entre os cristãos e o governo.

Em alguns casos, ela é bastante óbvia. Apocalipse 13 descreve uma época em que obedecer aos poderes políticos significará desobedecer a Deus. Nesse caso, a escolha é clara. (Veja o estudo de quinta-feira).

1. Leia 1 Pedro 2:13-17. Como o cristão deve se relacionar com o governo? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Sujeitando-se às autoridades constituídas na Terra, como bons servos de Deus.

B.( ) Militando e se envolvendo diretamente nas questões políticas.

C.( ) Ficando indiferente, pois Jesus está voltando.

As crueldades do Império Romano eram bem conhecidas por aqueles que viviam em seu território. Ele havia se expandido graças aos caprichos de homens ambiciosos que usavam de força militar implacável. O Império Romano enfrentava com violência qualquer resistência. Tortura e morte por crucificação eram apenas dois horrores que seus soldados infligiam sobre aqueles a quem puniam. O governo romano foi dominado pelo nepotismo e pela corrupção. A elite dominante exercia o poder com arrogância e crueldade. Apesar de tudo isso, Pedro exortou seus leitores a aceitar a autoridade de toda instituição humana no império, desde o imperador aos governantes (1Pe 2:13, 14).

Pedro argumentou que os imperadores e governantes castigam os que fazem o mal e louvam os que praticam o bem (1Pe 2:14). Ao fazer isso, eles desempenham um papel importante na formação da sociedade.

Na verdade, apesar de todas as suas falhas, o Império Romano proporcionou estabilidade e trouxe libertação da guerra. Sua justiça era severa, mas era baseada no Estado de direito. Os governantes romanos construíram estradas e estabeleceram um sistema monetário que atendia às suas necessidades militares. Ao fazer isso, Roma criou um ambiente que possibilitou o crescimento da população e fez com que ela, em muitos casos, prosperasse. Vistos por esse prisma, os comentários de Pedro sobre o governo fazem sentido. Nenhum governo é perfeito, e certamente aquele em que Pedro e seus leitores viveram também não era. Portanto, a lição para nós é que devemos ser bons cidadãos, obedecendo às leis do nosso país tanto quanto pudermos, apesar das imperfeições do governo sob o qual vivemos.

Por que é importante que os cristãos sejam bons cidadãos, mesmo em um contexto político aquém do ideal? O que você pode fazer para melhorar sua sociedade, mesmo que em pequena proporção?
Segunda-feira, 17 de abril
Ano Bíblico: 1Rs 15, 16
Senhores e escravos

2. Leia 1 Pedro 2:18-23. Qual é o significado dessa difícil passagem bíblica? Qual princípio podemos extrair dela para nossa vida?

Uma leitura cuidadosa de 1 Pedro 2:18-23 revela que, em vez de endossar a escravidão, os versos dão conselhos espirituais de como entender as circunstâncias difíceis que, naquele momento, não podiam ser mudadas.

A palavra oiketes, traduzida como “servo” ou “escravo” em 1 Pedro 2:18, era usada especificamente para se referir a escravos domésticos. A palavra mais comum para escravos, doulos, foi empregada em Efésios 6:5, uma passagem bíblica que dá conselho semelhante aos escravos.

No Império Romano, altamente estratificado, os escravos eram considerados propriedade legal sob o domínio absoluto de seu senhor, que poderia tratá-los bem ou com crueldade. Existia uma série de motivos pelos quais as pessoas se tornavam escravas: a derrota de um exército, nascimento na condição de filhos de escravos e a necessidade de se “vender” para saldar dívidas. Alguns escravos recebiam grandes responsabilidades. Alguns administravam vastas fazendas dos seus senhores. Outros cuidavam das propriedades e dos interesses comerciais de seus patrões, e alguns até mesmo educavam os filhos deles.

A liberdade de um escravo podia ser comprada; nesse caso, ele se tornava “redimido”. Paulo e Pedro usaram esse termo para descrever o que Jesus fez por nós (Ef 1:7; Rm 3:24; Cl 1:14; 1Pe 1:18, 19).

É importante lembrar que grande parte dos primeiros cristãos era escrava. Sendo assim, eles eram reféns de um sistema que não podiam mudar. Aqueles que tinham a infelicidade de ter senhores duros e injustos se encontravam em situações particularmente difíceis. Até mesmo os que tinham bons patrões poderiam enfrentar circunstâncias complicadas. As instruções de Pedro a todos os cristãos escravos são consistentes com outras declarações do Novo Testamento. Assim como Cristo, eles deveriam se submeter e suportar as adversidades (1Pe 2:18-20). Não há nenhuma honra em ser castigado por cometer erros. O verdadeiro espírito de Cristo é revelado quando sofremos injustamente. Assim como Jesus, não devemos revidar nem ameaçar em tais ocasiões, mas confiar nossa vida a Deus, que há de julgar com justiça (1Pe 2:23).

Como podemos aplicar à nossa vida o que Pedro escreveu nessa passagem bíblica? Será que isso significa que nunca devemos reivindicar nossos direitos?
Terça-feira, 18 de abril
Ano Bíblico: 1Rs 17–19
Esposas e maridos

3. Leia 1 Pedro 3:1-7. Que circunstância especial Pedro abordou nessa passagem? Qual é a relevância de suas palavras para o casamento hoje? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:

A.( ) O relacionamento íntimo entre os cônjuges. A passagem bíblica os ajuda a lidar com problemas de ordem sexual nos casamentos.

B.( ) A submissão das esposas cristãs aos esposos descrentes. Pedro instriu as mulheres a respeito da convivência com maridos incrédulos.

C.( ) A discórdia quanto às tarefas domésticas. Os ensinos do apóstolo são úteis, pois esclarecem qual é o papel de cada cônjuge no casamento.

Um indício textual importante habilita o leitor atento a resolver a questão tratada em 1 Pedro 3:1-7. Nessa passagem bíblica, o apóstolo se referiu aos maridos que “não obedecem à Palavra” (1Pe 3:1, ARC). Em outras palavras, Pedro estava falando sobre o que deveria acontecer quando uma esposa cristã fosse casada com um marido não cristão.

Ela encontraria dificuldades sendo casada com marido que não compartilhasse de sua fé. O que deveria ocorrer nessas circunstâncias? Assim como Paulo
(1Co 7:12-16), Pedro aconselhou que as esposas cristãs não deixassem seus maridos. Em vez disso, afirmou que as esposas nessa condição deveriam ter vida exemplar.

As funções disponíveis às mulheres do primeiro século no Império Romano eram determinadas, em grande parte, pela sociedade específica. As esposas romanas, por exemplo, tinham mais direitos diante da lei no tocante à propriedade e à reparação legal do que a maioria das mulheres a quem Pedro estava escrevendo. Porém, em algumas sociedades desse tempo, as mulheres eram excluídas da política, do governo e da liderança na maioria das religiões. Pedro as exortou a adotar uma série de medidas admiráveis no contexto em que se encontravam. Ele as exortou a ser puras e respeitosas (1Pe 3:2). Aconselhou a mulher cristã a se interessar mais por sua beleza interior do que pelo adorno de penteados da moda, joias ou roupas caras (1Pe 3:3-5). A mulher que teme ao Senhor se comportará de tal maneira que recomende o cristianismo àquele com quem tem maior intimidade, seu marido.

As palavras de Pedro não devem, de maneira alguma, ser tomadas pelos maridos como permissão para maltratar suas esposas. Como ele ressaltou, os maridos devem mostrar consideração para com as esposas (1Pe 3:7).

Embora Pedro estivesse tratando de uma questão específica, mulheres cristãs casadas com descrentes, podemos observar um pouco do matrimônio cristão ideal. Cônjuges cristãos devem se apoiar mutuamente e viver com integridade ao adorar a Deus por meio de suas atividades diárias.

Quarta-feira, 19 de abril
Ano Bíblico: 1Rs 20, 21
Relações sociais

4. Leia Romanos 13:1-7; Efésios 5:22-33; 1 Coríntios 7:12-16 e Gálatas 3:27, 28. Como podemos comparar o que Paulo disse às palavras de 1 Pedro 2:11–3:7?

Em várias passagens, Paulo abordou algumas questões levantadas em 1 Pedro 2:11–3:7. Seus escritos são notavelmente compatíveis com o que encontramos em 1 Pedro. Por exemplo, assim como Pedro, Paulo exortou seus leitores a se sujeitarem às “autoridades superiores” (Rm 13:1). Governantes são designados por Deus e são o temor daqueles que fazem o mal, não o bem (Rm 13:3). Portanto, os cristãos devem dar “a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra” (Rm 13:7).

Paulo também enfatizou que as mulheres casadas com descrentes deveriam ter uma vida exemplar e, como resultado, seus esposos poderiam se unir à igreja
(1Co 7:12-16). O modelo que Paulo tinha do matrimônio cristão também era fundamentado na reciprocidade. Os maridos deveriam amar suas esposas como
Cristo amou a igreja (Ef 5:25). Além disso, ele aconselhou os escravos a obedecer a seus senhores terrestres como se estivessem obedecendo a Cristo (Ef 6:5).

Paulo estava disposto a trabalhar dentro dos limites culturais legalmente impostos. Ele compreendia o que podia, ou não, ser mudado em sua cultura. No entanto, ele acreditava que o cristianismo acabaria transformando o pensamento da sociedade em relação às pessoas. Assim como Jesus, Pedro e Paulo não procuraram fazer nenhuma revolução política a fim de mudar a ordem social. Em vez disso, a mudança poderia ocorrer por meio da influência do povo de Deus na sociedade.

5. Leia Gálatas 3:27-29. Como devemos nos relacionar uns com os outros em virtude do que Jesus fez por nós? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Devemos viver separados das pessoas diferentes de nós, pois elas não foram escolhidas por Deus.

B.( ) Devemos, como cristãos, unir-nos uns aos outros, pois diante de Jesus somos todos iguais.

C.( ) Devemos militar por igualdade social, tornando-nos cada vez mais engajados na política.

 

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Quinta-feira, 20 de abril
Ano Bíblico: 1Rs 22; 2Rs 1
O cristianismo e a ordem social

Embora soubessem que os governos e as instituições humanas eram falhos e corrompidos, e apesar de suas más experiências com governantes e líderes religiosos, tanto Paulo quanto Pedro exortaram os primeiros cristãos a se submeter às autoridades humanas (1Pe 2:13-17; Rm 13:1-10). Eles declararam que os cristãos deveriam pagar impostos e contribuir com as obrigações trabalhistas. Na medida do possível, os cristãos devem ser cidadãos exemplares.

6. Leia Atos 5:27-32. Qual é a relação entre a obediência que Pedro manda prestar às autoridades (1Pe 2:13-17) e o que ele e os outros apóstolos realmente fizeram nesse incidente?

Sempre que possível, devemos ______________ às autoridades. Porém, nesse caso, os ______________ preferiram obedecer a ______________ a obedecer aos ______________.

O sucesso inicial da igreja cristã resultou na prisão de Pedro e João (At 4:1-4). Eles foram interrogados pelos governantes, anciãos e escribas; depois, foram soltos com a severa advertência de que deveriam abandonar a pregação do evangelho (At 4:5-23). Logo depois, eles foram presos novamente e questionados sobre a razão pela qual não obedeceram ao que as autoridades lhes haviam ordenado (At 5:28). Pedro respondeu: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5:29).

7. Que verdade fundamental aprendemos com essas palavras? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Devemos obedecer a Deus até onde nos convém.

B.( ) Devemos obedecer a Deus acima de todas as coisas.

Pedro não estava sendo hipócrita, dizendo uma coisa e fazendo outra. Quando se tratou de obedecer a Deus ou ao ser humano, a escolha foi clara. Até chegar a esse ponto, os cristãos devem apoiar o governo e a ele se submeter, mesmo que também trabalhem para viabilizar mudanças sociais. Quando questões morais estão em jogo, os cristãos devem promover legalmente as mudanças sociais que refletem os valores e ensinamentos de Jesus. A maneira pela qual se deve fazer isso depende de muitos fatores. No entanto, ser cidadão leal e fiel não significa automaticamente que o cristão não possa ou não deva ajudar a melhorar a sociedade.

8. Leia Levítico 19:18 e Mateus 22:39. O mandamento de amar o próximo inclui a necessidade de promover mudanças que tornem a vida dele melhor e mais justa?

Sexta-feira, 21 de abril
Ano Bíblico: 2Rs 2, 3
Estudo adicional

Leia os seguintes capítulos do livro O Grande Conflito, de Ellen G. White: “O Maior Perigo Para o Lar e a Vida”, p. 582-592; “Nossa Única Salvaguarda”, p. 593-602 e “Aproxima-se o Tempo de Angústia”, p. 613-634.

Ellen G. White defendia que os adventistas do sétimo dia deveriam ser bons cidadãos e obedecer à lei da terra. Ela ainda pediu às pessoas que não desobedecessem aberta e flagrantemente às leis dominicais locais, isto é, embora devessem santificar o sétimo dia como Deus lhes havia ordenado, elas não precisavam transgredir deliberadamente as leis que proibiam o trabalho no domingo. Em um caso específico, no entanto, ela deixou claro que os adventistas não deveriam obedecer à lei. Se um escravo escapasse dos domínios de seu senhor, a lei exigia que ele fosse devolvido ao patrão. Ela protestou contra essa lei e mandou que os adventistas não a obedecessem, a despeito das consequências: “Quando as leis dos homens conflitam com a Palavra e a lei de Deus, cumpre-nos obedecer a estas, sejam quais forem as consequências. À lei de nossa terra que nos obriga a entregar um escravo ao seu senhor, não devemos obedecer; e cumpre-nos sofrer as consequências de transgredir essa lei. O escravo não é propriedade de nenhum homem. Deus é seu legítimo senhor, e o homem não tem nenhum direito de tomar em suas mãos o que foi criado por Deus, e pretender que seja propriedade sua” (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 201, 202).

Perguntas para reflexão

1. Os cristãos nunca devem reivindicar seus direitos? Quais são os nossos direitos?

2. Conhece exemplos em que os cristãos foram uma força poderosa para a mudança e o bem na sociedade? Que lições aprendemos com esses relatos?

3. Conhece casos de cristãos que, em vez de ajudar a transformar os males da sociedade, condescenderam com eles e até mesmo os justificaram? Que lições aprendemos com essas histórias?

4. 1 Pedro 2:17 diz: “Honrai o imperador”. Naquele tempo, o imperador provavelmente fosse Nero, um dos mais vis e corruptos de toda uma linhagem de homens também vis e corruptos. O que isso nos ensina?

5. Leia 1 Pedro 2:21-25. Como esses versos resumem a mensagem do evangelho? Que esperança eles nos oferecem? Qual chamado eles nos fazem? Será que temos obedecido ao que eles nos mandam?

Respostas e tarefas para a semana: 1. A. 2. Com antecedência, peça a um aluno que estude essa passagem bíblica durante a semana e compartilhe suas conclusões no sábado com a classe. Promova uma discussão prática sobre como a escravidão, ainda que velada, pode ocorrer ainda nos dias de hoje. 3. F; V; F. 4. Peça aos alunos que formem 3 grupos. Cada grupo deverá estudar as passagens com uma semana de antecedência e explicar, no sábado seguinte, as semelhanças e as diferenças entre os textos de Paulo e a passagem bíblica de Pedro. 5. B. 6. Obedecer – apóstolos – Deus – homens.
7. B. 8. Peça que um aluno estude essas passagens com antecedência e compartilhe com a classe suas reflexões acerca das mudanças necessárias em nossa comunidade.

Resumo da Lição 4
Relações sociais

TEXTO-CHAVE: 1 Pedro 2:13-17

O ALUNO DEVERÁ

Saber: Que Deus estabeleceu diferentes níveis de autoridade neste mundo e que os cristãos devem se submeter a toda autoridade estabelecida.

Sentir: Perceber o sistema divino de ordem e autoridade e se submeter a ele.

Fazer: Seguir o conselho de Pedro e o exemplo de Jesus a respeito de como os cristãos devem se relacionar com as autoridades estabelecidas.

ESBOÇO

I. Saber: O sistema divino de ordem

A. O que Pedro disse sobre nossa responsabilidade diante da ordem estabelecida por Deus? (Compare com a orientação de Paulo em Rm 13:1-7).

B. Qual é a vontade de Deus para Seu povo em relação à prática do bem (1Pe 2:15-17)?

II. Sentir: Seguindo o exemplo de Cristo

A. Como devemos considerar as provações e o sofrimento (1Pe 2:21-24), tendo Cristo como nosso exemplo?

B. O que Pedro quis dizer ao chamar Jesus de “Pastor e Bispo da [nossa] alma”? (Compare com 1Pe 5:2-4).

III. Fazer: A devida submissão à ordem de Deus

A. À luz de 1 Pedro 2:21-23, como devemos entender o conselho do apóstolo, de que escravos ou servos deveriam se submeter aos seus senhores?

B. Qual é o conselho de Pedro aos maridos e esposas? Qual modelo ele citou em 1 Pedro 3:5, 6?

RESUMO: Pedro descreveu a vontade de Deus com relação ao modo como o cristão se relaciona com diversos níveis de autoridade, fazendo o que é certo e bom, a fim de glorificar o Senhor. Ele citou como modelo para os cristãos do Novo Testamento o exemplo de Jesus, bem como o das santas mulheres do passado.

Ciclo do aprendizado

Motivação

Focalizando as Escrituras: 1 Pedro 2:13-15

Conceito-chave para o crescimento espiritual: Se seguirmos o exemplo de Jesus e de outras pessoas piedosas das Escrituras, veremos que Deus estabeleceu vários níveis de autoridade aos quais somos chamados a nos submeter apropriadamente, de acordo com Sua vontade (1Pe 2:15) e “por causa do Senhor” (1Pe 2:13). Paulo deu orientações muito semelhantes em Romanos 13, Efésios 5:21–6:9 e Colossenses 3:18–4:1. O cristão deve ser um exemplo de boa conduta para glória de Deus, mediante submissão às autoridades estabelecidas no governo civil, nas relações de trabalho, em casa e na igreja.

Para o professor: À medida que o tema da lição é explorado, seria proveitoso estudar os paralelos nos escritos de Paulo, mencionados acima, com o propósito de compreender melhor a questão por meio de um quadro bíblico mais amplo. Em Romanos 13:2, Paulo falou com muito rigor sobre os que rejeitam a autoridade estabelecida por Deus e como eles serão julgados (compare com 2Pe 2:9, 10; Jd 6, 8). Discuta com os alunos as consequências desses conselhos para todas as relações humanas.

Discussão e atividade inicial: Peça que os alunos leiam juntos 1 Pedro 2:13-15 e Romanos 13:1-5. Comentem sobre as semelhanças entre essas duas passagens e como elas apoiam e reforçam uma a outra. Há diferença na maneira pela qual elas apresentam Deus e Sua vontade? Essas passagens dão autoridade irrestrita aos indivíduos ou ela pertence aos cargos e posições que eles ocupam? Explique. A qual autoridade superior essas pessoas, por sua vez, devem se submeter?

Compreensão

Para o professor: Compare 1 Pedro 2:16 com Gálatas 5:13. O que essas duas passagens defendem? Por que é perigoso pensar que estamos livres de toda restrição ou lei? Leia 2 Pedro 2:18-20. Discuta com os alunos o argumento de Paulo, em Romanos 6:15-22, sobre os benefícios de ser servo da justiça em vez de ser escravo do pecado. Como essa linha de raciocínio é desenvolvida na discussão mais ampla de 1 Pedro 2, sobre a submissão às autoridades? Por que Pedro concluiu o verso 16, que começa com as palavras “Vivam como pessoas livres” (NVI), dizendo “vivam como servos de Deus”? Como devemos entender essa aparente contradição?

Comentário bíblico

I. Relações entre empregadores e empregados

(Recapitule com a classe 1 Pedro 2:18-20.)

Depois de discutir sobre submissão às autoridades em geral, especialmente a civil, Pedro passou a tratar das relações entre servos e senhores, uma lição às relações modernas entre empregadores e empregados. O termo doulos abrange diversas funções de um servo ou escravo; contudo, geralmente ele se refere a um indivíduo que trabalha para saldar uma dívida. De qualquer maneira, o doulos devia lealdade, respeito e serviço fiel ao senhor para quem ele trabalhava. Seu dever para com o patrão não se baseava na bondade com que era tratado, mas no poder do seu senhor e em sua responsabilidade de se submeter a essa autoridade. A despeito do tratamento severo, a submissão era considerada recomendável, pois revelava que o servo tinha consciência de Deus como supremo Senhor e Autoridade (compare com Ef 6:5-9).

Pense nisto: Como meu relacionamento com meu empregador impacta os que observam minha conduta diária como cristão?

II. O exemplo de Cristo

(Recapitule com a classe 1 Pedro 2:21-25.)

Pedro insistiu que os que sofriam por fazer o bem haviam sido chamados a seguir o exemplo de Cristo, que havia sofrido por eles ao fazer o mesmo. Ele “não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em Sua boca” (1Pe 2:22). Como prova de que Cristo tinha feito o bem, Pedro citou Isaías 53:9, acrescentando: “Ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-Se Àquele que julga retamente” (1Pe 2:23). Em seguida, novamente, ele fez uso da profecia messiânica de Isaías 53, concluindo, no versículo 24 de sua epístola: “Ele mesmo levou em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça; por Suas feridas vocês foram curados” (NVI).

Por causa do sacrifício substitutivo de Jesus por nós, devemos, assim como Ele, agir com humildade, estando prontos para sofrer pelo que é correto. Em 1 Pedro 2:25, o raciocínio do apóstolo é que, embora no passado tenhamos sido como ovelhas desgarradas, agora nos convertemos ao “Pastor e Bispo da nossa alma” e, portanto, devemos seguir Seus passos assim como as ovelhas seguem o pastor, quando têm um relacionamento com ele.

Pense nisto: Jesus suportou o sofrimento mantendo Seu foco no objetivo (Hb 12:2). Qual objetivo nos ajuda a suportar o que Ele suportou?

III. Relacionamentos conjugais

(Recapitule com a classe 1 Pedro 3:1-7.)

Dando continuidade ao tema da submissão às autoridades estabelecidas, Pedro passou a se dirigir às esposas, ordenando-lhes que fossem submissas aos seus maridos. Esse conselho é muito semelhante ao que Paulo deu em Efésios 5:22-33 e Colossenses 3:18, 19. Porém, somente nessa passagem de Pedro foram incluídas explicitamente as esposas cujos maridos não eram cristãos, o que amplia ainda mais a aplicação do texto. Ele argumentou que os esposos incrédulos poderiam ser ganhos para Cristo sem uma palavra, apenas pelo bom comportamento de suas esposas e por sua pureza e respeito (1Pe 3:1, 2).

Em seguida, Pedro falou sobre a beleza do caráter cristão, “um espírito manso e tranquilo”
(1Pe 3:3, 4) que as esposas devem demonstrar, ao contrário da exibição exterior “de cabelos trançados, roupas caras ou joias” (NVI). Então, o apóstolo citou o exemplo das “santas mulheres do passado” (1Pe 3:5, NVI), como Sara, que foram respeitosas para com seus maridos e lhes obedeceram, demonstrando respeito pelo que é correto (1Pe 3:6). Finalmente, Pedro se dirigiu aos maridos. “Igualmente”, eles devem viver “a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com” sua “mulher como parte mais frágil”, tratando-a “com dignidade, porque” ambos são, “juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam” suas “orações” (1Pe 3:7).

Pense nisto: A expressão “vaso mais fraco” (ARC), no versículo 7 de algumas traduções, não se refere à fraqueza física ou emocional, mas a louças delicadas. Muito provavelmente seja uma referência à maneira pela qual os homens devem tratar as mulheres, agindo como se elas fossem uma valiosa louça de porcelana, que deve ser manuseada com muito cuidado e respeito para que não se quebre. A expressão é uma análise positiva do valor da mulher e do modo amável e gentil pelo qual ela deve ser tratada. Qual é o valor das mulheres em nossa vida?

Perguntas para discussão

1. Como devemos honrar as autoridades civis cujo comportamento não esteja em harmonia com a prática do bem e a punição do erro?

2. Por que não podemos utilizar 1 Pedro 2:18-20 como justificativa legítima para a escravidão?

3. Quais detalhes Pedro abordou em sua discussão sobre o relacionamento entre marido e mulher?

Aplicação

Para o professor: Ao declarar, em 1 Pedro 2:17, que devemos tratar “todos com o devido respeito” (NVI), o apóstolo mencionou três classes específicas, além dos servos e senhores e maridos e mulheres a quem ele falou diretamente no capítulo 3. Essas classes são a família em Cristo, o imperador e Deus. O Senhor está na mais alta posição de autoridade. Devemos temê-Lo, demonstrando a Ele o devido respeito, reverência e adoração. O imperador ou rei representa a mais alta posição de autoridade na Terra; ele deve ser honrado acima das outras autoridades civis. A família cristã são todos os que estão na mesma posição que nós, pois em Cristo “não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher, pois todos são um” (Gl 3:28). Devemos amar a igreja, nossa família cristã, com o amor abnegado (ágape) de Deus e de Cristo. Como essa ordem resume a intenção de Pedro?

Perguntas para reflexão

1. Ainda que o patrão seja duro, injusto, bom ou atencioso, por que é importante que o empregado cristão se submeta a ele com o devido respeito?

2. Se sou chamado a seguir os passos de Jesus, qual deve ser meu comportamento ao sofrer por fazer o que é certo?

3. Devemos priorizar um belo caráter em vez do adorno exterior. Como fazer isso? De acordo com Pedro, o que tornava belas as santas mulheres do passado?

Atividade: Discuta com os alunos sobre o sofrimento de Cristo por causa da justiça e a maneira pela qual podemos seguir Seus passos.

Criatividade e atividades práticas

Para o professor: Na discussão de Paulo sobre sujeitar-nos uns aos outros (Ef 5:21–6:9), todos os quatro exemplos de submissão envolvem relacionamentos em que a sujeição é unilateral, não recíproca. Por exemplo, as esposas devem se sujeitar aos maridos, a igreja a Cristo, os filhos aos pais e os servos aos seus senhores. Paulo não ordenou que os maridos se sujeitassem às esposas, nem Cristo à igreja, nem os pais aos filhos, nem os senhores aos servos. Autoridade e sujeição só funcionam em uma direção. Esse princípio permeia as Escrituras, envolve o Céu (1Co 11:3) e, de certa maneira, alcança a eternidade (1Co 15, 28).

Atividade: Incentive os alunos a criar um quadro, representando os relacionamentos bíblicos que envolviam autoridade e sujeição. Inclua nesse quadro as relações entre os seres humanos, entre a Terra e o Céu e entre a família celestial. Anote passagens bíblicas que identificam esses relacionamentos. Observe como eles se encaixam no padrão de relacionamento mencionado por Pedro na lição desta semana.

Planejando atividades: O que sua classe pode fazer na próxima semana como resposta ao estudo da lição?

 

O legado de Leo – parte 2

Na semana passada conhecemos Bienvevu [Bianvevi], que se viu em uma situação na qual precisou escolher entre obedecer a Deus ou manter um excelente emprego. Hoje, saberemos como Deus o levou à perfeita oportunidade para ajudar a missão da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Gabão.

“Vou recomeçar!”, Bienvevu pensou enquanto se demitia do melhor emprego que tivera. Embora não soubesse como ajudaria a sustentar a mãe, ele não ficou desapontado por ter escolhido obedecer a Deus. De fato, desde que havia ficado viúva, a mãe passou a depender do filho.

“Senhor”, Bienvevu orou, “preciso trabalhar. Por favor, me ajude a encontrar um emprego que me permita servir ao Senhor.”

Sonho estranho

Certa noite, depois de orar, Bienvevu se deitou e teve um sonho estranho. Nesse sonho, ele estava na igreja conversando com um homem, a quem perguntou se era membro da igreja. O homem respondeu que era visitante, continuou falando, mas Bienvevu estava tão preocupado com suas próprias dificuldades que não prestou atenção ao que ele falava. No fim da conversa, Bienvevu se levantou para deixar o local. Nesse momento, lembrou-se da 

história bíblica sobre o anjo que visitou Jacó. Ele se recusou a deixar o anjo ir até que ele o abençoasse. “E se esse homem fosse um anjo?”, Bienvevu pensou. “Por favor, não me abandone!” “Mas, o que você deseja?”, o homem perguntou. Então, Bienvevu viu atrás do homem muito dinheiro, mansões, carros e roupas. “Quero ficar rico!”, ele respondeu.

O homem olhou tristemente para Bienvevu e disse: “Tenho algo para lhe oferecer, mas você não está pronto para receber.”

“O que você tem para oferecer?”, Bienvevu perguntou, mas não ouviu a resposta porque, nesse momento, acordou do sonho e, imediatamente, ajoelhou-se para orar: “Amado Deus, não quero ser rico. Estou disposto a realizar Sua obra. Sou imensamente grato pelo nosso vizinho adventista que resgatou minha família. Agora, desejo alcançar e levar pessoas ao Senhor. Por favor, ajude-me a falar do Seu amor às pessoas.” 

Novas oportunidades

Dias depois de ter feito aquela fervorosa oração, começou a fazer um curso em tecnologia e multimídia, como videografia, fotografia e infografia. Então, percebeu que essas habilidades poderiam ajudar a igreja a promover o evangelho e que não havia ninguém realizando esse trabalho. “Senhor, por Tua graça”, orou, “ajudarei a construir Tua igreja.”

Bienvevu comprou uma câmera e começou a fotografar eventos e casamentos da igreja. À medida que ganhava dinheiro, comprava outras câmeras e teve que contratar auxiliares. O trabalho cresceu tanto que ele chegou a filmar programas da igreja e apresentações do coral, que foram exibidos na televisão local.

“Louvo a Deus por me haver ajudado a apresentar nossa igreja à população. Meu objetivo é que, um dia, possamos ter um canal adventista”, diz. “Sou grato a Deus por haver inspirado aquele homem adventista a alcançar minha família. Agora quero alcançar outros. Quero que todos no Gabão saibam que Jesus os ama e morreu por eles. E que, em breve, voltará para levá-los para casa.”

Nossa missão

Nossas escolas missionárias representam um instrumento poderoso nas mãos da Igreja para alcançar o povo gabonês para Cristo. Temos apenas uma escola de ensino fundamental e médio no país, e a oferta especial deste trimestre nos ajudará a construir outra escola de Ensino Médio para que possamos ampliar nosso impacto. Essa nova escola nos permitirá receber centenas de estudantes não cristãos, envolver nossos jovens em um ministério na comunidade e alcançar, no futuro, uma forte presença adventista no Gabão. Por favor, sejamos generosos neste trimestre e oremos para que o Espírito de Deus atue poderosamente no coração de cada habitante gabonês.

Resumo missionário 

• A capital de Gabão é Libreville, que em francês significa “cidade livre”. A cidade foi fundada por escravos libertos, em 1949. 

• O clima é sempre quente e úmido.

• O francês é o idioma oficial do país. Outros idiomas falados são fang, myene, nzebi, bapounou/eschira e kota.

 

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 2º trimestre de 2017
Tema geral: “Apascenta as Minhas ovelhas”: 1 e 2 Pedro
Lição 4: 15 a 22 de abril
Relações sociais

Autor: Moisés Mattos

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

Além deste comentário escrito, o Pr Moisés Mattos publica a cada semana um esboço para professores, em sua página do facebook (https://www.facebook.com/classedeprofessores/) e no Youtube (https://www.youtube.com/channel/UCLjNImiw8T4HieefHrrTOxA)

Introdução

Como cristãos no século 21 nos deparamos com questões éticas de difícil resposta. Assuntos como ideologia de gênero, casamento entre pessoas do mesmo sexo, produção independente de filhos, e outros assuntos, geram muitas discussões. No tempo do apóstolo Pedro o nascente cristianismo também se deparava com questões que exigiam uma resposta por parte dos líderes e membros. Algumas respostas a assuntos da época estão em nosso estudo desta semana com base em 1 Pedro 2:13-23 e 3:1-7. Há uma grande ênfase em relacionamentos. Isso é muito significativo porque, embora alguns creiam que tudo se resuma à pessoa e a Deus, a vida cristã não é intimista, mas relacional. Não acontece no templo, mas na vida social. Nesses versos ele apresentou instruções de como os filhos de Deus devem proceder em relação à sociedade.

  1. Primeira instrução: Viver exemplarmente entre os não cristãos (1Pe 2: 12).

O cristianismo não isola o homem, mas o qualifica para ser mais útil à sociedade. Não é fugindo nem se tornando um monge que alguém pode ser um bom seguidor de Cristo. Aliás, foi Jesus quem pediu a Deus: "Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno” (Jo 17:15, NVI).

O grande problema não é estar no mundo, mas assimilar e colocar em prática as coisas erradas do mundo. Um barco nas águas do mar está seguro até que as águas não estejam dentro do barco. Um cristão no mundo está seguro enquanto o mundo não estiver dentro dele. O conselho é claro: "Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, naquilo em que eles os acusam de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção (1Pe 2:12, NVI).

  1. Segunda instrução: Obedeçam às regras e às autoridades constituídas (1Pe 2:13, 14). Mesmo sabendo das dificuldades que isso significava no tempo do império romano, Pedro insistiu em declarar que os crentes deviam obedecer às autoridades constituídas, pois isso significava honrar a Deus. Além do mais, as autoridades eram usadas por Deus para castigar os que procedem erroneamente. Nossa lição de domingo captou isso e resumiu o assunto da seguinte maneira: "Nenhum governo é perfeito, e certamente aquele em que Pedro e seus leitores viveram também não era. Portanto, a lição para nós é que devemos ser bons cidadãos, obedecendo às leis do nosso país tanto quanto pudermos, apesar das imperfeições do governo sob o qual vivemos.”

Vale lembrar que ele mesmo já havia falado de um limite para essa obediência: Quando um governo atenta contra os princípios claros da lei e da vontade de Deus não devemos obedecê-lo. "Mais importa obedecer a Deus do que aos homens”, já advertia Pedro em Atos 5:29.

  1. Terceira instrução: Quando procedemos bem estamos realizando uma revolução silenciosa, mas eficaz (1Pe 2:15). Nosso maneira de proceder pode começar uma mudança naquilo que está errado ao nosso redor. "É da vontade de Deus que, praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos” (NVI).
  1. Quarta instrução: Escravos, relacionem-se bem com seus senhores e sejam obedientes a eles, mesmo os maus (1Pe 2:18-20). Parece contraditório que o cristianismo primitivo estivesse instruindo que seus seguidores escravos fossem obedientes a seus senhores. No entanto, considerando o contexto da época, esse procedimento fazia parte daquilo que o cristianismo podia fazer sem piorar a situação, a fim de que, aos poucos pudesse ser cimentado um caminho para a libertação dos escravos. Não podemos esquecer que grande parte da mão de obra daquele tempo era formada por escravos. Até mesmo médicos e outros profissionais estavam nessa categoria.

Semelhante atitude teve Paulo quando aconselhou, em Efésios 6, os servos a servirem como se estivessem servindo ao Senhor, mas equilibrando as coisas. E advertiu os senhores dos escravos a tratá-los de maneira diferente dos pagãos e com a dignidade que os escravos mereciam: "E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no Céu, e que para com Ele não há acepção de pessoas" (Ef 6:9).

Assim, longe de dizer que o cristianismo apoiou a escravidão, como dizem alguns críticos, ele normatizou as relações entre servos e senhores ajudando a viabilizar os grandes avanços da humanidade nessa área. William Barclay ponderou que "o cristianismo introduziu uma nova relação entre o senhor e o escravo […] O cristianismo não aboliu as distinções sociais; não anulou as diferenças entre amo e servo, mas introduziu uma nova relação de irmandade dentro da qual outras diferenças foram ultrapassadas e modificadas” (William Barclay, The First Letter of Peter, p. 94).

  1. Quinta instrução: Sofrer pelo evangelho e pelas coisas corretas nos torna semelhantes a Jesus (1Pe 2:20-25). Note bem: Ele não estava incentivando o sofrimento como algo meritório para a salvação, mas ensinando que, se ele acontecesse, os cristãos deviam entender que isso também havia acontecido com Jesus. Embora Pedro tenha falado isso no contexto da relação patrão X escravo, podemos compreender que não há glória em sofrer como consequência de nossos erros, porém, se sofremos por algo correto, Jesus também passou por isso e aprendeu. Mesmo sendo “Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” (Hb 5:8).

E mais, ao sofrer a exemplo de Cristo, o cristão pode dar seu testemunho e ajudar na conversão de pessoas que o observam.

  1. Sexta instrução: Mulheres estejam sujeitas a seus maridos. Maridos tratem suas mulheres como cristãos que têm suas orações atendidas (1Pe 3:1-7).

Pedro instruiu que a beleza da mulher deve ser primeiro no aspecto interior, inspirada em Deus e nas santas mulheres (v. 3-6). Ele falou sobre sua sujeição ao marido (v. 1). Essa sujeição não significa o rebaixamento nem a humilhação da mulher. Ele equilibra as coisas dizendo que o marido deve tratar a mulher com honra de tal modo que suas orações (do marido) não sejam interrompidas. E quando nossas orações são interrompidas? Quando estamos em rebelião contra Deus (ver Pv 28:9; Sl 66:18).

Conclusão

O grande evangelista Billy Graham é autor de dezenas de frases interessantes e impactantes sobre assuntos variados da Bíblia e do cristianismo. No entanto, há uma comparação que ele faz sobre a coerência entre o que dizemos ser e o que de fato somos, como cristãos, que me impressiona pela originalidade e simplicidade. Ele disse: "Um verdadeiro cristão é uma pessoa que pode dar seu papagaio de estimação para os fofoqueiros da cidade.”

Que Deus nos ajude a ser esse tipo de cristãos neste mundo que envelhece piorando!

 

Autor do comentário: Moisés Mattos graduou-se em teologia em 1989 e concluiu seu mestrado na mesma área no ano 2000, pelo Seminário Adventista Latino Americano de Teologia. Cursou também uma pós-graduação em Gestão Empresarial. Serve à Igreja Adventista há 27 anos como professor de ensino religioso; pastor distrital; departamental em nível de Associação e União; presidente de Missão e Associação. Atualmente exerce sua atividade como pastor na Associação Paulista Oeste, na União Central Brasileira. É casado com a professora Luciana Ribeiro de Mattos, é pai de Thamires (estudante de jornalismo) e Lucas (estudante de Arquitetura).