Lição 6
29 de abril a 06 de maio
Sofrendo por Cristo
Sábado à tarde
Ano Bíblico: 2Rs 22, 23
Verso para memorizar: “Para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os Seus passos” (1Pe 2:21).
Leituras da semana: 1Pe 1:6; 3:13-22; 2Tm 3:12; 1Pe 4:12-14; Ap 12:17; 1Pe 4:17-19

É bem conhecida a história da perseguição nos primeiros séculos do cristianismo. A própria Bíblia, especialmente o livro de Atos, dá vislumbres do que aguardava a igreja. A perseguição e o sofrimento eram uma nítida realidade na vida dos cristãos a quem Pedro escreveu.

No primeiro capítulo, Pedro declarou: “Nisso vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de tempo, devam ser entristecidos por todo tipo de provação. Assim acontece para que fique comprovado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado” (1Pe 1:6, 7, NVI). Perto do fim de sua carta, Pedro tratou dessa mesma ideia: “Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à Sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, Ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar” (1Pe 5:10).

Nessa breve epístola de Pedro, há pelo menos três extensas passagens bíblicas que tratam do sofrimento de seus leitores por causa de Cristo (1Pe 2:18-25; 3:13-21; 4:12-19). Por isso, seja como for, o sofrimento causado pela perseguição é um assunto importante em 1 Pedro. Esse será o tema do nosso estudo desta semana.

Promova em sua igreja a leitura do livro missionário Em busca de esperança. Planeje reuniões para a leitura do livro até o dia 27 de maio, quando realizaremos o Impacto Esperança.
Domingo, 30 de abril
Ano Bíblico: 2Rs 24, 25
A perseguição aos cristãos primitivos

1. Leia 1 Pedro 1:6; 5:10. Que assunto ele abordou nessas passagens bíblicas? Como seus leitores deveriam reagir diante do que estavam enfrentando? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:

A.( ) A vida tranquila em Cristo Jesus. Eles não deveriam se preocupar, pois, com Jesus no controle, nada pode dar errado.

B.( ) As aflições como sinal de infidelidade. Os cristãos deveriam se arrepender dos erros que provocavam o castigo divino.

C.( ) Os sofrimentos e provações que acompanham nossa caminhada com Cristo. Eles deveriam se alegrar em sofrer pelo Mestre.

Nos primeiros séculos, o simples fato de ser cristão poderia resultar em morte terrível. Uma carta escrita ao imperador de Roma, Trajano, ilustra a precariedade da segurança dos cristãos primitivos. O autor da carta é Plínio; na época em que a escreveu ele era governador de Ponto e Bitínia (111-113 d.C.), duas regiões mencionadas em 1 Pedro 1:1.

Plínio escreveu a Trajano, pedindo orientação sobre o que fazer com as pessoas acusadas de ser cristãs. Ele explicou que havia executado aqueles que insistiam no cristianismo. Outros diziam que, apesar de terem sido cristãos no início, haviam abandonado a fé. Plínio permitiu que esses provassem sua inocência, ordenando-lhes oferecer incenso a estátuas de Trajano e a outros deuses, além de mandá-los amaldiçoar Jesus.

Adorar um imperador vivo era uma prática rara em Roma, embora na parte oriental do Império, para onde a primeira carta de Pedro foi enviada, esse ato fosse permitido e, às vezes, os imperadores até incentivavam a edificação de templos para si mesmos. Alguns templos possuíam seus próprios sacerdotes e altares, sobre os quais eram feitos os sacrifícios. Ao mandar que os cristãos mostrassem sua lealdade ao Império, oferecendo incenso e adoração a uma estátua do imperador, Plínio estava adotando uma prática muito antiga na Ásia Menor.

No primeiro século, houve momentos em que os cristãos enfrentaram graves perigos apenas porque eram cristãos, especialmente nos dias dos imperadores Nero (54-68 d.C.) e Domiciano (81-96 d.C.).

No entanto, a perseguição retratada em 1 Pedro tinha caráter mais local. São poucos os exemplos específicos de perseguição mencionados na carta, mas eles incluem acusações falsas (1Pe 2:12), injúrias e repreensão (1Pe 3:9; 4:14). Embora as acusações fossem graves, elas não parecem ter resultado em prisão generalizada ou morte, pelo menos naquele tempo. Mesmo assim, viver o cristianismo os colocaria em desacordo com elementos importantes da permissiva sociedade do primeiro século, e eles poderiam sofrer por causa de suas crenças. Portanto, Pedro estava tratando de um assunto sério quando escreveu essa primeira epístola.

Segunda-feira, 01 de maio
Ano Bíblico: 1Cr 1–3
O sofrimento e o exemplo de Cristo

2. De acordo com 1 Pedro 3:13-22, qual deve ser a reação dos cristãos para com aqueles que os fazem sofrer por sua fé? Qual é a relação entre os sofrimentos de Jesus e as aflições enfrentadas pelos cristãos por causa de sua fé?

Ao dizer: “Ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois” (1Pe 3:14), Pedro estava apenas ecoando as palavras de Jesus: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça” (Mt 5:10). Em seguida, o apóstolo declarou que os cristãos não deveriam temer aqueles que os atacavam, mas santificar (reverenciar) a Cristo como Senhor em seu coração (1Pe 3:15). Reafirmar Jesus em seu coração os ajudaria a acabar com o medo que tinham de seus opositores.

Em seguida, Pedro recomendou aos cristãos que estivessem sempre aptos a explicar, de maneira atrativa, com mansidão e temor, a esperança que possuíam (“temor” às vezes é traduzido como “reverência”; veja 1Pe 3:15, 16).

Pedro insistiu que os cristãos não dessem às pessoas motivo para acusá-los. Eles deveriam manter a consciência limpa (1Pe 3:16). Assim, seus acusadores seriam envergonhados por sua vida irrepreensível.

Não há mérito em sofrer por ser malfeitor (1Pe 3:17). O sofrimento por causa do bem, por fazer o que é certo, faz a diferença crucial. “Se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do que praticando o mal” (1Pe 3:17).

Por fim, Pedro usou o exemplo de Jesus. O próprio Cristo sofreu por Sua justiça. A santidade e pureza de Seu caráter eram uma reprovação constante àqueles que O odiavam. Se houve alguém que sofreu por fazer o bem e não o mal, esse foi Jesus.

Porém, Seu sofrimento também proveu o único meio de salvação. Ele morreu no lugar dos pecadores (“o Justo pelos injustos” [1Pe 3:18]), para que aqueles que nEle creem tenham a promessa da vida eterna.

Você já sofreu por fazer o que é certo? Qual foi a experiência? O que aprendeu sobre o significado de ser cristão e refletir o caráter de Cristo?
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Terça-feira, 02 de maio
Ano Bíblico: 1Cr 4–6
Prova de fogo

3. De acordo com 1 Pedro 4:12-14, por que os cristãos não deveriam se surpreender com seu sofrimento? (Veja também 2Tm 3:12; Jo 15:18). Complete as lacunas:

“Amados, não estranheis o ________________________ ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, ________________________ na medida em que sois ________________________ dos sofrimentos de Cristo, para que também, na ________________________ de Sua glória, vos alegreis exultando. Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, ________________________ sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus” (1Pe 4:12-14).

Pedro deixou claro que sofrer perseguições por ser cristão é participar dos sofrimentos de Cristo. É algo a ser esperado. Paulo escreveu: “Todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3:12). O próprio Jesus advertiu Seus seguidores sobre o que eles enfrentariam: “Sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do Meu nome. Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros” (Mt 24:9, 10).

Ellen G. White escreveu: “A perseguição e o descrédito esperam todos os que estiverem imbuídos do Espírito de Cristo. O tipo de perseguição muda com o tempo, mas o princípio – o espírito que a anima – é o mesmo que tem assassinado os escolhidos do Senhor desde os dias de Abel” (Atos dos Apóstolos, p. 576).

4. O que Apocalipse 12:17 revela sobre a realidade da perseguição aos cristãos nos últimos dias? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Os cristãos que guardam os mandamentos e têm o testemunho de Jesus serão perseguidos.

B.( ) Os verdadeiros cristãos não serão perseguidos, pois Jesus os livrará de todos os males.

Para um cristão fiel, a perseguição pode ser uma realidade. Pedro tratou dessa questão ao advertir seus leitores sobre o “fogo ardente” que eles estavam enfrentando.

O fogo é uma boa metáfora. Ele pode ser destruidor, mas também pode purificar. Depende do objeto com o qual ele entra em contato. O fogo destrói casas, mas purifica a prata e o ouro. Embora nunca devamos propositalmente provocar a perseguição, Deus é capaz de tirar coisas boas de situações assim. Por isso, Pedro disse aos seus leitores: “A perseguição é ruim, mas não se desanimem por causa dela, como se fosse algo inesperado. Sigam em frente com fé”.

O que você pode fazer para ajudar os que sofrem por causa de sua fé?
Quarta-feira, 03 de maio
Ano Bíblico: 1Cr 7–9
O juízo e o povo de Deus

5. Compare 1 Pedro 4:17-19 com Isaías 10:11, 12 e Malaquias 3:1-6. O que essas passagens têm em comum? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Mencionam as joias de ouro e prata do povo de Israel.

B.( ) Falam dos deveres dos levitas.

C.( ) O fato de que o juízo começará pela casa de Israel.

Todas essas passagens descrevem que o processo do juízo começaria pelo povo do Senhor. Pedro relacionou até mesmo os sofrimentos de seus leitores ao juízo de Deus. Para ele, os sofrimentos que os cristãos estavam enfrentando poderiam ser pura e simplesmente o juízo do Senhor, que se iniciaria pela casa de Deus. “Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem” (1Pe 4:19).

6. Como Lucas 18:1-8 auxilia na compreensão do juízo de Deus?

Nos tempos bíblicos, o juízo geralmente era algo muito desejado. A imagem da viúva pobre, em Lucas 18:1-8, expressa a mais ampla atitude em relação ao juízo. Aquela mulher sabia que seria vitoriosa somente se encontrasse um juiz que aceitasse seu caso. Ela não tinha dinheiro nem status suficiente para levar seu caso adiante, mas finalmente convenceu o juiz a ouvi-la e a dar-lhe o que merecia. Como disse Jesus em Lucas 18:7: “Não fará Deus justiça aos Seus escolhidos, que a Ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los?” O pecado trouxe o mal ao mundo. O povo de Deus tem esperado ao longo dos séculos que Ele conserte as coisas.

“Quem não temerá e não glorificará o Teu nome, ó Senhor? Pois só Tu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de Ti, porque os Teus atos de justiça se fizeram manifestos” (Ap 15:4).

Pense em todo o mal que não recebeu sua punição. Por que os conceitos de justiça e do justo juízo de Deus são tão essenciais para os cristãos? Que esperança temos de que a justiça será feita?
Quinta-feira, 04 de maio
Ano Bíblico: 1Cr 10–12
Fé em meio às provações

Como vimos anteriormente, Pedro escreveu aos cristãos que estavam sofrendo por causa de sua fé. Além do mais, conforme revela a história cristã, as coisas só pioraram, pelo menos por um tempo. Certamente, muitos cristãos que viveram nos anos seguintes encontraram conforto nas palavras de Pedro, assim como nós hoje.

Por que existe o sofrimento? Essa é uma pergunta muito antiga. O livro de Jó, um dos primeiros da Bíblia a serem escritos, traz o sofrimento como tema central. Na verdade, se houve alguém (além de Jesus) que não sofreu “como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem” (1Pe 4:15), esse foi Jó. Afinal de contas, até mesmo Deus falou a seu respeito: “Observaste o Meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal” (Jó 1:8). No entanto, veja o que o pobre Jó sofreu, não porque fosse mau, mas porque era bom!

7. Como estas passagens bíblicas ajudam a responder à pergunta sobre a origem do sofrimento? (1Pe 5:8; Ap 12:9; Ap 2:10). Assinale a alternativa correta:

A.( ) Revelam que o sofrimento está ligado ao mal que fazemos.

B.( ) Mostram que o sofrimento é causado pelo grande conflito.

C.( ) Indicam que o sofrimento não atinge os filhos de Deus.

Sofremos porque estamos no meio do grande conflito entre Cristo e Satanás. Isso não é uma simples metáfora, nem um símbolo do bem e do mal em nossa natureza. Jesus é real e o diabo também, disputando uma batalha real pelo ser humano.

8. Leia 1 Pedro 4:19. Como esse verso o ajuda em suas lutas?

Quando sofremos, especialmente quando esse sofrimento não resulta diretamente da nossa maldade, naturalmente fazemos a pergunta de Jó diversas vezes: Por quê? E, como muitas vezes é o caso, não temos uma resposta. Como disse Pedro, tudo o que podemos fazer é entregar nossa vida a Deus, confiando nEle, o nosso “fiel Criador”, e continuar “na prática do bem” (1Pe 4:19).

 

Conhecer pessoalmente o caráter, a bondade e o amor de Deus é fundamental para o cristão, especialmente para aquele que está sofrendo. Como podemos conhecer melhor a Deus e Seu amor?
Sexta-feira, 05 de maio
Ano Bíblico: 1Cr 13–16
Estudo adicional

O estudo de domingo abordou a perseguição enfrentada pelos cristãos. Eis aqui um trecho mais completo da carta escrita ao imperador Trajano sobre o sofrimento dos cristãos nos primeiros séculos: “[...] O método que tenho adotado em relação àqueles que foram denunciados a mim como cristãos é este: Eu os interrogo e pergunto se eles são, de fato, cristãos. Se confessam, repito a pergunta mais duas vezes, acrescentando a ameaça da pena capital. Se eles ainda assim perseveram, ordeno que sejam executados. Seja qual for a natureza de seu credo, ao menos posso ter a certeza de que a rebelião e a inflexível obstinação merecem castigo.

“Os que negam ser ou que afirmam nunca ter sido cristãos; que repetem comigo uma invocação aos deuses; que oferecem adoração às tuas imagens com o vinho e o incenso encomendados para esse propósito, e que finalmente amaldiçoam a Cristo (diz-se que nenhum dos verdadeiros cristãos podem ser forçados a realizar esses atos) – esses, julgo adequado libertar. Outros que foram delatados por aquele informante, primeiramente confessaram-se cristãos, mas depois negaram. Realmente, eles foram daquela fé, porém a abandonaram há cerca de três anos, outros há muitos anos e alguns até havia vinte e cinco anos. Todos eles adoraram a tua estátua e as imagens dos deuses, e amaldiçoaram a Cristo” (William Heinemann – Plínio Letters [As cartas de Plínio], Londres: 1915; v. 2, p. 401-403).

Perguntas para reflexão

1. Qual foi o principal problema enfrentado pelos cristãos, como revelado nessa carta impressionante? Que paralelos podemos traçar com o que acontecerá nos últimos dias, conforme revelado na terceira mensagem angélica de Apocalipse 14:9-12? Quais são algumas questões fundamentais no grande conflito?

2. “Os que honram a lei de Deus têm sido acusados de acarretar juízos sobre o mundo, e serão considerados como a causa das terríveis convulsões da natureza, da contenda e carnificina entre os homens, coisas que estão enchendo a Terra de pavor. O poder que acompanha a última advertência enfureceu os ímpios; sua cólera acende-se contra todos os que receberam a mensagem, e Satanás incitará à maior intensidade ainda o espírito de ódio e perseguição” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 614, 615). Embora não saibamos quando tudo isso acontecerá, devemos estar sempre prontos para enfrentar oposição por causa de nossa fé, independentemente de como ela venha. Qual é o segredo para estarmos preparados?

Respostas e tarefas da semana: 1. F; F; V. 2. Com antecedência, selecione um aluno para ler o trecho de 1 Pedro 3:13-22 e responder às perguntas. Peça que os outros alunos digam como podem aplicar essa passagem à sua vida hoje. 3. Fogo – alegrai-vos – coparticipantes – revelação – bem-aventurados. 4. A. 5. C. 6. Com antecedência, peça que dois alunos expliquem a relação entre essa parábola e o juízo de Deus. 7. B. 8. Peça a todos os alunos que façam duplas e respondam a essa pergunta, compartilhando com os outros sua experiência com o sofrimento. Incentive-os a orar juntos uns pelos outros.

 

Resumo da Lição 6
Sofrendo por Cristo

TEXTO-CHAVE: 1 Pedro 4:12-14, 19

O ALUNO DEVERÁ

Saber: Que as provações e sofrimentos fazem parte da expectativa do cristão e devem ser vistos como privilégio e bênção.

Sentir: Alegria em saber que as provações fazem parte do plano de Deus para salvar os pecadores.

Fazer: Confiar sua vida ao fiel Criador e continuar na prática do bem.

ESBOÇO

I. Saber: A expectativa de provações e sofrimentos

A. Por que os cristãos devem esperar as provações como algo comum em sua vida?

B. O conselho de Pedro está de acordo com outros textos do Novo Testamento? (Veja Mt 5:10-12; 24:9; Jo 15:20; 2Co 12:10; 2Tm 3:12; 1Pe 1:6, 7; Tg 1:2-4, 12.)

II. Sentir: Alegria ao suportar provações

A. De acordo com Pedro, por que devemos nos alegrar quando passamos por duras provações?

B. Qual deve ser nossa reação ao sermos insultados por causa do nome de Cristo?

III. Fazer: Compromisso de ser fiel

A. Qual é a diferença entre o desejo e o compromisso de ser fiel?

B. Por que Pedro mencionou nosso “fiel Criador” (1Pe 4:19)? (Compare com Ap 3:14.) Quais são as implicações do nosso compromisso com a fidelidade?

RESUMO: Os leitores de Pedro foram orientados a esperar o fogo ardente que surgiria entre eles para prová-los, “porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus” era “chegada” (1Pe 4:17). Eles não deveriam estranhá-lo, mas se alegrar por participar dos sofrimentos de Cristo, confiar sua vida ao fiel Criador e continuar praticando o bem.

Ciclo do aprendizado

Motivação

Focalizando as Escrituras: 1 Pedro 4:12, 13, 19

Conceito-chave para o crescimento espiritual: Deus, que vê o fim desde o princípio, sabe exatamente o que é melhor para nós e para nosso crescimento espiritual. Ele vê que o sofrimento e as provações promovem o desenvolvimento do nosso caráter (1Pe 1:6, 7; Tg 1:2-4). Assim como Jesus aprendeu a obedecer e desenvolveu um caráter perfeito por meio das coisas que sofreu (Hb 2:10; 5:8, 9), nós também podemos amadurecer por meio da participação em Seus sofrimentos se, como Ele, confiarmos nossa vida ao Deus fiel e praticarmos o bem. Esse processo de desenvolvimento do caráter mediante o sofrimento é a misericordiosa vontade de Deus para nós (1Pe 4:19).

Para o professor: Muitos comentaristas têm observado uma aparente ruptura entre os versos 11 e 12 de 1 Pedro 4. O verso 11 termina com uma doxologia e a palavra “amém”. O versículo 12 começa com um vocativo, como se Pedro estivesse introduzindo uma nova discussão baseada em um acontecimento recente. Alguns têm sugerido que, talvez, Pedro tivesse acabado de ser informado do incêndio em Roma nos dias do imperador Nero (64 d.C.), e que ele julgava que esse incêndio se tornaria um “fogo ardente” para seus leitores. O momento histórico coincide com esse acontecimento, embora não saibamos se Pedro estava se referindo, de fato, ao grande incêndio de Roma. De qualquer maneira, ele previu que a perseguição, prestes a ser enfrentada pelos cristãos, seria logo intensificada. Ele também a considerava uma ocorrência oportuna na sequência dos acontecimentos escatológicos. “O fim de todas as coisas está próximo” (1Pe 4:7). Pedro tomou como base Ezequiel 9:6 para fazer sua conclusão: “A ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada” (1Pe 4:17). O próprio Jesus não predisse esse cenário (Mt 24:9; Jo 16:2)?

Discussão e atividade inicial: Peça que os alunos leiam 2 Timóteo 3:12. Comentem sobre os fatores que tendem a conduzir à perseguição do povo de Deus. Por que enfrentamos a ira do dragão descrita em Apocalipse 12:17?

Compreensão

Para o professor: A gramática do texto grego de 1 Pedro 4:12 não deixa claro se o fogo ardente era uma realidade presente, algo que estava começando, ou uma experiência futura para os leitores de Pedro. De acordo com a gramática grega, o fogo ardente (pyrosis) pode ser narrado no 1) “presente descritivo”, que descreve eventos já em andamento; 2) “presente tendencial”, descrevendo eventos prestes a acontecer; ou 3) “presente futurístico”, descrevendo eventos que ainda se encontram no futuro, mas já são antevistos no presente. Todavia, o comentário de Pedro no versículo 17, de que havia chegado a hora do juízo, tem um sentido “tendencial” bastante claro. Além disso, as orações condicionais nos versos 14-16 sugerem um evento esperado, mas que ainda não havia ocorrido.

Comentário bíblico

I. Nossa atitude diante do sofrimento

(Recapitule com a classe 1 Pedro 4:12, 13.)

Pedro apresentou dois argumentos fundamentais nos versos 12 e 13. Primeiramente, não devemos nos surpreender com as provações e sofrimentos, como se algo estranho estivesse acontecendo conosco, pois fomos avisados previamente (Jo 15:18-21; 16:2-4). Em segundo lugar, devemos nos alegrar quando sofremos, pois, temos o privilégio de participar dos sofrimentos de Cristo. Nossa alegria será ainda maior quando Sua glória for revelada por ocasião da Sua vinda (1Pe 1:6, 7; Tg 1:2-4). Se mantivermos essa atitude, não haverá nada com que, pela graça de Deus, não possamos lidar.

Pense nisto: Qual deve ser nossa reação diante das provações e sofrimentos? Por que essas coisas não devem nos surpreender?

II. Nossa experiência no sofrimento

(Recapitule com a classe 1 Pedro 4:14-16.)

Os versos 14 e 16 contêm duas orações condicionais, sendo ambas uma condição factual no grego, admitindo, portanto, as injúrias e sofrimentos como fatos, no presente ou no futuro esperado. Pedro aconselhou seus leitores a lidar com essas experiências reais, considerando bênçãos as injúrias por causa do nome de Cristo, e o sofrimento como motivo de louvor a Deus. No versículo 15, Pedro utilizou uma construção imperativa e negativa, cujo sentido é de um desejo futuro, a fim de recomendar a seus leitores que nenhum deles sofresse por fazer o mal. Em vez disso, como cristãos, eles deveriam sofrer sem se vergonhar, gratos pelo privilégio de levar o nome de Cristo.

Pense nisto: O termo “cristão” foi utilizado no Novo Testamento somente em 1 Pedro 4:16 e em Atos 11:26; 26:28. Os não cristãos geralmente o utilizavam para exprimir desprezo. Será que o sofrimento como consequência de fazer o que é correto reorientou o uso desse termo nos dias dos apóstolos?

III. A hora do juízo

(Recapitule com a classe 1 Pedro 4:17, 18.)

No versículo 17, Pedro apresentou a razão pela qual seus leitores deveriam esperar o “fogo ardente” naquele tempo. Ele já havia declarado: “O fim de todas as coisas está próximo”
(1Pe 4:7). Em sua escatologia, Pedro anteviu um juízo “pré-advento”, como aquele profetizado em Ezequiel 9, que começaria pela casa de Deus (não mais o templo, mas a igreja). Esse juízo purificaria os membros da família do Senhor, separando os maus daqueles que suspiravam e gemiam “por causa de todas as abominações que se [cometiam] no meio dela” (Ez 9:4). O fogo ardente da perseguição cumpriria perfeitamente essa função. Ezequiel registrou as palavras do homem vestido de linho: “Comecem” a matança “pelo Meu santuário. Então eles começaram com as autoridades que estavam na frente do templo” (Ez 9:6, NVI). Citando como precedente Provérbios 11:31, Pedro perguntou: “Ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?” (1Pe 4:17).

Pense nisto: Em Ezequiel 8, Deus mostrou ao profeta, em visão, quatro coisas detestáveis que estavam sendo cometidas em Sua casa (o templo de Jerusalém). Essas coisas Lhe provocaram a ira. Nesse capítulo, o profeta registrou o juízo de Deus sobre Seu povo, que havia cometido essas abominações em Sua casa. O Senhor ordenou a um homem vestido de linho, com um estojo de escrevente à cintura, que percorresse a cidade e marcasse “com um sinal a testa dos homens que” suspiravam e gemiam “por causa de todas as abominações que se” cometiam “no meio dela” (Ez 9:4). Em seguida, seis homens com armas mortais na mão foram orientados a seguir o homem vestido de linho pela cidade e, sem misericórdia, matar a todos. O Senhor disse: “Mas não toquem em ninguém que tenha o sinal” (Ez 9:6, NVI). Pedro entendeu essa profecia como um tipo, mostrando que o juízo começaria com a casa de Deus. O que esse “sinal” simboliza? Por que o povo de Deus deve buscar, com zelo, recebê-lo?

Perguntas para discussão

1. Qual é a nossa atitude diante das provações e sofrimentos?

2. Por que devemos nos entregar a Deus, nosso fiel Criador, e praticar o bem, mesmo quando enfrentamos provações e sofrimentos?

Aplicação

Para o professor: Pedro escreveu, citando Provérbios 11:31: “Se ao justo é difícil ser salvo, que será do ímpio e pecador?” (1Pe 4:18, NVI). Essa condição é factual, significando que é realmente com dificuldade que um justo será salvo. O que Pedro quis dizer com essa afirmação? Alguns têm insistido em dizer que é mais fácil se salvar do que se perder. Como o cristão deve entender essa questão?

Perguntas para reflexão

1. Tenho questionado por que suporto provações na vida? Seria essa uma atitude correta?

2. O que devo fazer para ter uma resposta adequada diante das provações e sofrimentos?

3. De que maneira Deus tem sido um Criador fiel em minha vida?

Atividade: Comente com os alunos sobre as regiões do mundo em que os cristãos são perseguidos atualmente por causa de sua fé. Busque na internet informações sobre o assunto e compartilhe com a classe. De que maneira eles lidam com essa perseguição? Forme grupos para orar por esses cristãos e pelos alunos que estão passando por provações.

Criatividade e atividades práticas

Para o professor: Embora a maioria dos alunos certamente tenha enfrentado algum tipo de provação na vida, é possível que muitos nunca tenham sofrido perseguição por causa do nome de Cristo. Nessa passagem, Pedro não se referiu às provações em geral, mas especificamente à perseguição por ser cristão (1Pe 4:14, 16). É preciso se colocar no lugar dos primeiros leitores de Pedro a fim de sentir empatia para com a situação deles. Compartilhe com os alunos histórias reais contemporâneas para que eles sintam o que outros enfrentam hoje. Uma fonte de histórias é o site https://www.portasabertas.org.br/.

Atividade: Abra um mapa-múndi e coloque-o em um quadro ou mural. Identifique os
países do mundo onde tem ocorrido perseguição por causa de Cristo. Comprometa-se a orar continuamente pelos cristãos que vivem nesses lugares, até mesmo citando especificamente nomes de pessoas que estão sofrendo perseguição por causa da sua fé.

Planejando atividades: O que sua classe pode fazer na próxima semana como resposta ao estudo da lição?

 

A escola que cura

Nota do editor: Dois diretores da Escola de Ensino Médio do Gabão, o atual e o anterior, compartilham histórias de alunos que tiveram a vida transformada ao experimentar um encontro com Jesus na sala de aula.

Jean Sangwa Samale é o diretor atual da nossa escola adventista em Libreville, Gabão. Essa escola se parece um pouco com um hospital. Sempre que alguém adoece, é levado para a sala de emergência. Se as crianças estão envolvidas em maus hábitos, os pais as levam para lá, com a esperança de que receberão educação de alta qualidade e cura do grande Médico.

Um dos alunos que receberam assistência na escola chama-se Mapikoud, que estava totalmente envolvido pelo alcoolismo e drogas. Ele tinha 18 anos e, por ter sido reprovado várias vezes, ainda cursava o sétimo ano. Seus pais foram à escola e pediram permissão para falar com o professor Jean. “Tentamos muito ajudar nosso filho”, disse o pai. “Chegamos a um ponto em que não sabemos o que fazer com ele. Se ele não mudar, será o fim para ele. Nossos vizinhos nos informaram que vocês oferecem uma excelente educação e têm professores muito bondosos. A escola pública é gratuita, mas estamos dispostos a pagar se puderem ajudar nosso filho.”

Mapikoud foi matriculado e ouviu do diretor da escola: “Você pode ter a vida transformada. Isso requererá muito esforço da sua parte, mas se estiver disposto, estaremos ao seu lado a cada passo do caminho. Veja o que acontece com aqueles que bebem e usam drogas. Isso não precisa acontecer com você. Você pode escolher um futuro melhor.”

O capelão e o diretor Jean começaram a estudar a Bíblia e a orar com Mapikoud diariamente. Isso era completamente desconhecido para ele, pois, antes de se matricular, não sabia nada sobre Cristo.

Eles aconselharam e ensinaram Mapikoud a fazer escolhas saudáveis, e o nomearam monitor da classe. Gradualmente, ele começou a crescer intelectual, emocional e espiritualmente.

Deixou de beber, de usar drogas e entregou o coração a Jesus. Seus pais ficaram tão felizes com as mudanças em Mapikoud, que enviaram também o filho mais novo para a escola.

Houve outra experiência semelhante com Moukala, um jovem de 19 anos. Ele estava na nona série, porque repetiu muitos anos. Os pais pediram à escola que o ajudasse a deixar de fumar e beber.

A instituição abraçou Moukala com amor e ajudou a conduzi-lo a Jesus. Seus pais ficaram tão felizes com seu progresso que levaram a filha mais nova para estudar na escola. Hoje, eles demonstram seu amor por Jesus e frequentam a igreja regularmente.

A menina irreconhecível

O antigo diretor, André Kabwe, também tem uma história que gostaria de compartilhar conosco.

“Saudações do Gabão! É uma alegria poder compartilhar histórias sobre a atuação de Jesus Cristo, por meio do ministério de nossas escolas”, diz André.

Dorcas é uma estudante que experimentou uma transformação extraordinária em sua vida.

Não sabemos o que aconteceu com os pais dela. Ela morava com a avó quando veio para nossa escola. Era fumante, usava bebidas alcoólicas e apresentava todos os tipos de comportamento nocivo. Ela não sabia absolutamente nada sobre Deus.

Hoje, podemos ver uma jovem transformada. Dorcas aceitou Jesus como Salvador e foi batizada. Está sempre acompanhada de sua Bíblia e tem sermões e livros de Ellen White gravados no celular. Ela testemunha de Cristo aos colegas e vizinhos.

A respeito dessa transformação, disse um aluno: “Não mais reconhecemos Dorcas. Ela está completamente mudada! É difícil acreditar que seja a mesma pessoa!”

Dorcas é apenas uma entre centenas de alunos cuja vida foi transformada como resultado do encontro com Jesus em nossa escola.

Escola pequena, grande missão

A Escola Adventista de Ensino Médio é um forte centro de evangelismo nesta cidade porque a maioria dos nossos alunos não é adventista; e alguns nem são cristãos. Eles começam cada dia com oração e culto. As crianças são ensinadas a entender a Bíblia e aplicar na vida prática os ensinamentos recebidos. A escola ajuda os alunos a construir uma ligação forte e sincera com Deus, e os envolve em atividades evangelísticas na comunidade, ajudando os necessitados. Pela graça de Deus, muitos deles entregaram o coração a Jesus e foram batizados. Alguns compartilham com os pais o que aprendem na escola e ajudam a levá-los a Cristo.

Os obreiros dessa instituição fazem tudo o que podem a fim de curar os quebrantados e os sofredores. Mas poderiam fazer muito mais se tivessem outra escola secundária no país. A oferta especial do trimestre ajudará a construir uma nova escola para que possam alcançar mais pessoas para Cristo. Queridos irmãos e irmãs, sejam liberais!

Resumo missionário 

• O Gabão conquistou sua independência em 17 de agosto de 1960.

• Há ricas reservas de madeira, petróleo, manganês e ferro no país.

• A floresta tropical cobre aproximadamente ¾ do país, que ainda tem alguns dos maiores parques naturais do mundo.

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 2º trimestre de 2017
Tema geral: “Apascenta as Minhas ovelhas”: 1 e 2 Pedro
Lição 6: 29 de abril a 6 de maio
Sofrendo por Cristo

Autor: Moisés Mattos

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

Além deste comentário escrito, o Pr Moisés Mattos publica a cada semana um esboço para professores, em sua página do facebook (https://www.facebook.com/classedeprofessores/) e no Youtube (https://www.youtube.com/channel/UCLjNImiw8T4HieefHrrTOxA)

Introdução

Uma senhora de 62 anos, em Washington, EUA, foi acusada de ter desviado mais de 72 mil dólares dos cofres de uma igreja evangélica onde trabalhava como auxiliar administrativa. Mais do que o sumiço do dinheiro, o que surpreendeu os policiais foi a confissão da mulher. Ela, que assumiu parte da culpa, disse que o que pesou mais no roubo foi o diabo.

A mulher justificou que ela estava cheia de dívidas. Com medo de perder a casa, acabou sucumbindo às tentações do demônio. Assim, falsificou a assinatura do pastor responsável pela igreja em mais de 80 cheques. Até que foi pega.

Muitas vezes culpamos o diabo (e ele tem culpa, realmente, mas não sozinho) e os outros por erros que cometemos e nos fazem sofrer. Mas sempre é bom identificar o tipo de tentação que nos levou ao pecado e que causou o sofrimento. Muitas vezes, o sofrimento é fruto de nossos erros. Outras vezes, como no caso de Jó, a explicação é outra. Nesta semana, estamos estudando o sofrimento e a perseguição a partir do contexto de 1 Pedro. Qual era a origem do sofrimento? De que tipo de sofrimento o apóstolo estaria falando? E o que aprendemos de tudo isso?

I- Qual era a origem do sofrimento?

Perseguições aos cristãos, na segunda metade do primeiro século, eram tão comuns que as palavras de Pedro podiam se aplicar a qualquer década daquele período. Os autores que falam da perseguição e consequente sofrimento dos cristãos no tempo de Pedro dão diferentes momentos para esse acontecimento. Alguns a colocam tardiamente no tempo do imperador Trajano (98-117 A.D.), enquanto outros a colocam no período de Nero (54-68 d.C.; mais informações sobre esse assunto podem ser encontradas no Comentário Bíblico Moody, 1Pe, p. 1-3).

Considerando que o autor inspirado não especificou o tempo de perseguição a que se referia, podemos perceber duas tendências mais aceitas para explicar o sofrimento ao qual se submeteram os cristãos:

1. Perseguição movida por Nero – Em 19 de julho de 64 d.C., as chamas irromperam sobre Roma e queimaram grande parte da cidade. Acusado de ser o mentor daquela desgraça e pressionado pela população, Nero precisava arranjar um bode expiatório para seu ato tresloucado. Assim, ele achou nos cristãos, um povo sobre o qual pairavam dúvidas e desconfianças, um endereço certo para sua injustiça. A acusação ganhou corpo e pegou, por uma série de motivos. Instalou-se então uma selvagem perseguição. E não foi uma simples perseguição realizada mediante recursos legais. O historiador Tácito, citado por William Barclay, assim se expressou sobre esse tempo em relação aos cristãos: “`A sua morte se adicionava toda classe de vexames. Eram cobertos com peles de bestas e depois destroçados pelos cães, e assim pereciam. Ou eram pregados em cruzes ou condenados às chamas e queimados para que servissem de iluminação quando já a luz diurna se extinguia. Nero oferecia seus jardins para o espetáculo e exibia um show no circo, misturando-se com a multidão vestido como um auriga ou permanecendo de pé sobre seu carro. Por isso, até por criminosos que mereciam um castigo severo e exemplar, era despertado um sentimento de compaixão. Porque, aparentemente, eles não estavam sendo destruídos para o bem público, mas para satisfazer a crueldade humana (Tácito, Anais 15:44; William Barclay, The First Letter of Peter, p. 21).

2. Uma perseguição local – O próprio autor da lição parece compartilhar desse ponto de vista. Segundo ele, "a perseguição retratada em 1 Pedro tinha caráter mais local. São poucos os exemplos específicos de perseguição mencionados na carta, mas eles incluem acusações falsas (1Pe 2:12), injúrias e repreensão (1Pe 3:9; 4:14). Embora as acusações fossem graves, parece que elas não resultaram em prisão generalizada ou morte, pelo menos naquele tempo. Mesmo assim, viver o cristianismo os colocaria em desacordo com princípios importantes da ampla sociedade do primeiro século e eles poderiam sofrer por causa de suas crenças.” (Lição de domingo). Seja como for, o que o autor estava fazendo era fortalecer a fé dos irmãos que passavam e ainda passariam pelo “fogo da provação” (1Pe 4:12).

II – Sobre qual tipo de sofrimento Pedro estava escrevendo?

a) Sobre o sofrimento por causa do evangelho – 1 Pedro 4:16.

b) Sobre o sofrimento por causa de Cristo, descrito como algo glorioso – 1 Pedro 4:14.

c) Sobre um tipo de sofrimento que não era o resultado de um pecado ou pecados pessoais que envolvessem a desobediência a Deus. Ele explicou: "Se algum de vocês sofre, que não seja como assassino, ladrão, criminoso nem como quem se intromete em negócios alheios” (1Pe 4:15, NVI). A lista de pecados desse verso é simples de ser entendida, menos a última parte. O que quer dizer “intrometer-se em negócios alheios”? Alguns têm interpretado que essa expressão grega (allotriepiskopos, literalmente, “supervisor ou bispo das questões alheias”) está indicando que o cristão não deve cobiçar as coisas alheias. Outros pensam que o autor estivesse advertindo contra a participação nas coisas alheias (e erradas) ao comportamento cristão. Finalmente, uma das explicações mais aceitas (sem invalidar as demais) sobre essa expressão seria a de que o cristão não deve se interessar excessivamente nos assuntos de outras pessoas, ser um fofoqueiro, um intrometido. (Sobre isso, consulte H. D. M. Spence, ed., The Pulpit Commentary, v. 22, p. 175; J. Vernon McGee, Thru the Bible, v. 5, p. 709.)

III – O que aprendemos com os escritos de Pedro sobre o sofrimento?

a) Nem sempre o sofrimento é resultado do pecado pessoal. Foi o caso de Jó, que sofreu por causa da guerra entre o bem e o mal, e não por algum pecado pessoal. Muitas vezes, sofremos porque confessamos Jesus (1Pe 3:17 e 4: 16).

b) Podemos glorificar a Deus através do sofrimento por Cristo (1Pe 4:13). O fogo que destrói também purifica.

c) Deus está no controle de tudo e o sofrimento não durará para sempre. Em 1 Pedro 4:17 (NVI), as seguintes palavras alimentam a esperança dos sofredores: "Chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus; e, se começa primeiro conosco, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?”

Essa passagem que frequentemente citamos para apoiar a ideia do juízo investigativo, começando pelo povo de Deus, deve ser vista também como algo buscado pelos filhos de Deus que, na história bíblica, sofriam injustiças e precisavam ter o seu caso vindicado por um juiz. "Nos tempos bíblicos, o juízo geralmente era algo muito desejado. A imagem da viúva pobre, em Lucas 18:1-8, expressa a mais ampla atitude em relação ao juízo. Aquela mulher sabia que seria vitoriosa somente se encontrasse um juiz que aceitasse seu caso. Ela não tinha dinheiro nem status suficiente para levar seu caso adiante, mas finalmente convenceu o juiz a ouvi-la e a dar-lhe o que merecia. Como disse Jesus em Lucas 18:7: “Não fará Deus justiça aos Seus escolhidos, que a Ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los”? O pecado trouxe o mal ao mundo. O povo de Deus tem esperado ao longo dos séculos que Ele conserte as coisas” (Lição de quarta-feira).

Conclusão

Diferentemente do que alguns pensam, o juízo de Deus é um momento de redenção para o sofrido povo que serve ao Senhor. Por essa razão, o salmista já pedia: "Em Ti, Senhor, me refugio; nunca permitas que eu seja humilhado; livra-me pela Tua justiça” (Sl 31:1, NVI).

Nesse e em outros versos, Lutero e muitos cristãos descobriram o segredo do juízo de Deus: Temos um Juiz que está ao nosso lado para nos salvar e fazer cessar nossos sofrimentos para sempre.

Bendito juízo de Deus!

Autor do comentário: Moisés Mattos graduou-se em teologia em 1989 e concluiu seu mestrado na mesma área no ano 2000, pelo Seminário Adventista Latino Americano de Teologia. Cursou também uma pós-graduação em Gestão Empresarial. Serve à Igreja Adventista há 27 anos como professor de ensino religioso; pastor distrital; departamental em nível de Associação e União; presidente de Missão e Associação. Atualmente exerce sua atividade como pastor na Associação Paulista Oeste, na União Central Brasileira. É casado com a professora Luciana Ribeiro de Mattos, é pai de Thamires (estudante de jornalismo) e Lucas (estudante de Arquitetura).