Lição 2
01 a 08 de abril
Uma herança incorruptível
Sábado à tarde
Ano Bíblico: 2Sm 1–4
Verso para memorizar: “Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente” (1Pe 1:22).
Leituras da semana: 1Pe 1:1, 2; Jo 3:16; Ez 33:11; 1Pe 1:3-21; Lv 11:44, 45; 1Pe 1:22-25

Sempre que estudamos a Bíblia, dando atenção especial a um livro ou até mesmo uma seção, é necessário responder, na medida do possível, a algumas perguntas.

Primeiramente, seria bom saber qual foi o público-alvo. Em segundo lugar, e talvez ainda mais importante, saber precisamente a razão pela qual o livro foi escrito. Que problema específico o autor quis abordar? (Por exemplo, a carta de Paulo aos Gálatas trata dos erros teológicos que estavam sendo ensinados sobre a salvação e a lei.) Como sabemos, a maior parte do Novo Testamento foi escrita em forma de epístolas ou cartas, e as pessoas costumavam escrevê-las a fim de comunicar mensagens específicas aos seus destinatários.

Em outras palavras, ao ler as epístolas de Pedro seria bom conhecer, tanto quanto possível, seu contexto histórico. O que ele estava dizendo? Por quê? E, evidentemente, o mais importante: O que podemos aprender com elas?

Embora Pedro tenha escrito suas cartas há muitos séculos, elas têm muitas verdades importantes para nos revelar hoje.

Está chegando o evangelismo da Semana Santa, de 8 a 15 de abril! Depois, a partir de 23 de abril, as igrejas iniciarão uma classe bíblica. Convide os amigos da comunidade! Ore por pessoas e cuide de pessoas!
Domingo, 02 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 5–7
Para os exilados

Se você recebesse um pedaço de papel que começasse assim: “Prezado (a) senhor (a) ”, perceberia que se trata de uma carta. Além disso, suporia que o remetente provavelmente não fosse alguém de quem você se sentisse próximo.

Assim como as cartas modernas têm uma forma estabelecida para o começo, as antigas também tinham. Primeiramente, Pedro começou como qualquer outra carta antiga. Ele identificou o autor e aqueles a quem ela era destinada.

1. Leia 1 Pedro 1:1. O que esse verso revela sobre o contexto da carta de Pedro? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Pedro se apresentou como enviado de Deus aos judeus em Jerusalém.

B.( ) Pedro se apresentou como apóstolo de Jesus Cristo, escrevendo para os eleitos de Deus, peregrinos na Ásia Menor.

C.( ) Pedro se apresentou como a pedra angular da igreja e escreveu aos fiéis da África.

Pedro se identificou claramente. Seu nome é a primeira palavra da carta. No entanto, ele se definiu como “apóstolo de Jesus Cristo”. Assim como Paulo sempre fazia (Gl 1:1; Rm 1:1; Ef 1:1), Pedro estabeleceu imediatamente suas “credenciais”, enfatizando seu chamado divino. Ele era um “apóstolo”, termo que significa “enviado”. O Senhor Jesus Cristo o havia enviado.

Pedro deu também o endereço de sua carta. Ela era destinada às regiões do Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia. Todas essas eram regiões da Ásia Menor, que equivalia aproximadamente à parte moderna da Turquia, a leste do estreito de Bósforo.

Existem alguns debates acerca do público-alvo de Pedro. Será que ele escreveu especialmente para cristãos judeus ou para cristãos gentios? As palavras “forasteiros da dispersão [Diáspora]”, usadas em 1 Pedro 1:1, naturalmente se referiam aos judeus que viviam fora da Terra Santa no primeiro século. A expressão “eleitos, em santificação”, em 1 Pedro 1:2, servia tanto aos judeus quanto aos cristãos. Ao descrever os que não pertenciam à comunidade como “gentios” (1Pe 2:12; 4:3), Pedro ressaltou também o caráter judaico daqueles a quem escreveu.

Alguns comentaristas argumentam que as palavras em 1 Pedro 1:18 e 4:3 seriam mais apropriadamente ditas a gentios convertidos ao cristianismo. Afinal de contas, Pedro teria escrito para seus compatriotas judeus sobre o “fútil procedimento que vossos pais vos legaram”? Ou teria ele dito aos leitores judeus estas palavras: “Basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias (1Pe 4:3)? No entanto, o mais importante não é tanto o público-alvo, mas o que a mensagem diz.

Segunda-feira, 03 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 8–10
Eleitos

2. Leia 1 Pedro 1:2. O que mais esse verso revela sobre aqueles a quem Pedro escreveu? Do que ele os chamou? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:

A.( ) Pedro escreveu aos outros onze apóstolos, instruindo-os como proceder após a ascensão de Jesus.

B.( ) Pedro escreveu aos eleitos segundo a presciência de Deus, que deviam viver em obediência e ser aspergidos pelo sangue de Jesus.

Quer tenha escrito especificamente para cristãos judeus, quer para cristãos gentios, o fato é que Pedro tinha a certeza de que eles eram “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai” (1Pe 1:2).

Nesse ponto, porém, é preciso ter cuidado. Isso não significa que Deus tenha predestinado algumas pessoas para a salvação e outras para a perdição. Teria sido uma grande “sorte” se os leitores de Pedro fossem alguns desses escolhidos ou eleitos por Deus para a salvação, enquanto os outros fossem predestinados para a perdição. Mas a Bíblia não ensina isso.

3. Leia 1 Timóteo 2:4; 2 Pedro 3:9; João 3:16; Ezequiel 33:11. O que Pedro quis dizer quando chamou essas pessoas de eleitas? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Todas as pessoas foram eleitas por Deus para a salvação, mas nem todas escolheram seguir o Senhor.

B.( ) Os eleitos eram aqueles que ocupavam posições de destaque, como os fariseus e saduceus.

C.( ) Os eleitos eram aqueles a quem o povo elegia para governar.

As Escrituras deixam claro que o plano de Deus é que todos sejam salvos, um plano instituído em favor de todos antes da criação da Terra. “Assim como nos escolheu, nEle, antes da fundação do mundo” (Ef 1:4). “Todos” são “eleitos” no sentido de que o propósito original de Deus era que todos fossem salvos e ninguém perecesse. Ele predestinou toda a humanidade para a vida eterna. Isso significa que o plano da salvação foi suficiente para que todos fossem incluídos na expiação dos pecados, mesmo que nem todos aceitem o que essa expiação lhes oferece.

A presciência de Deus a respeito dos eleitos é simplesmente Seu conhecimento antecipado de qual será a livre escolha deles em relação à salvação. Sua presciência de maneira alguma força a decisão das pessoas. Semelhantemente, o fato de uma mãe saber, de antemão, que seu filho escolherá o bolo de chocolate em vez de vagem, não significa que seu conhecimento prévio da escolha obrigue a criança a decidir assim.

 

 

Que segurança você encontra na verdade de que Deus o escolheu para ser salvo?
Terça-feira, 04 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 11, 12
Temas principais

4. Leia 1 Pedro 1:3-12. Qual é a principal mensagem de Pedro nesses versos?

Na saudação aos seus leitores (1Pe 1:1, 2), Pedro já havia mencionado o Pai, o Filho e o Espírito Santo (1Pe 1:2). As três pessoas da Trindade são o tema de 1 Pedro 1:3-12. O Pai e o Filho são o assunto de 1 Pedro 1:3-9, e o Espírito Santo é destacado em 1 Pedro 1:10-12.

Ao escrever sobre o Pai, o Filho e a obra do Espírito Santo, Pedro introduziu muitos temas que ele retomou posteriormente.

Segundo ele, os cristãos haviam nascido de novo (1Pe 1:3; veja também Jo 3:7). Sua vida tinha sido transformada pela ressurreição de Jesus e pela extraordinária herança que os aguardava no Céu (1Pe 1:3, 4). Nessa passagem bíblica, assim como em tantos outros textos do Novo Testamento, a ressurreição de Jesus é fundamental para a esperança cristã.

Embora muitos cristãos que liam 1 Pedro estivessem sofrendo, essa esperança lhes dava motivo para se alegrarem. O sofrimento provava e refinava sua fé, assim como o fogo prova e refina o ouro. Embora os leitores de Pedro não tivessem conhecido Jesus durante Seu ministério terrestre, eles O amavam e nEle acreditavam. Como resultado de sua fé nEle, receberam a salvação e a promessa de “uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos Céus para” eles (1Pe 1:4).

Pedro revelou também aos seus leitores que os profetas do passado haviam predito a “graça a [eles] destinada” (1Pe 1:10). Os profetas do Antigo Testamento “indagaram e inquiriram” (1Pe 1:10) sobre a salvação que os cristãos estavam então experimentando em Jesus.

Pedro ressaltou aos seus leitores que, ao mesmo tempo em que eram perseguidos por sua fé, eles faziam parte de um conflito muito maior entre o bem e o mal. No fim, ele estava tentando ajudá-los a permanecer fiéis à verdade, mesmo em meio às provações.

 

De acordo com 1 Pedro 1:4, há uma herança reservada para nós no Céu. Há um lugar específico reservado para você. Qual é sua reação diante dessa promessa maravilhosa?
Alimente seu coração: Leia a Revista Adventista e as Meditações Diárias da Casa Publicadora Brasileira.
Quarta-feira, 05 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 13, 14
Viver a salvação

5. Leia 1 Pedro 1:13-21. De acordo com essa passagem, o que deve motivar o comportamento cristão? Assinale a alternativa correta:

A.( ) O caráter de Deus e o preço da redenção.

B.( ) O juízo vindouro

C.( ) Ambas alternativas estão corretas

A palavra “portanto”, que dá início ao verso 13, indica uma consequência ou conclusão do que Pedro havia acabado de dizer. Como vimos no estudo de ontem, Pedro estava falando sobre a graça de Deus e a esperança que os cristãos têm em Jesus Cristo (1Pe 1:3-12).

Como resultado dessa graça e esperança, Pedro pediu aos seus leitores que estivessem com “a mente mente preparada” (1Pe 1:13, NVI). Isto é, em resposta à salvação que tinham em Jesus, eles deveriam preparar a mente a fim de se manter firmes e fiéis (1Pe 1:13).

6. Leia 1 Pedro 1:13. O que significa colocar sua esperança inteiramente na graça revelada em Jesus? Complete as lacunas:

“Por isso, cingindo o vosso ___________________, sede ______________ e esperai inteiramente na _____________ que vos está sendo trazida na revelação de ________________”.

Pedro falou que a esperança deles estava unicamente em Cristo. Porém, em seguida, enfatizou que determinado comportamento é esperado dos cristãos como consequência de sua salvação. Ele mencionou três grandes motivações para o comportamento cristão: o caráter de Deus (1Pe 1:15, 16), o juízo vindouro (1Pe 1:17) e o preço da redenção (1Pe 1:17-21).

A primeira coisa que motiva o comportamento cristão é o caráter de Deus. Seu caráter pode ser resumido da seguinte maneira: o Senhor é santo. Pedro citou Levítico 11:44, 45, quando escreveu: “Sede santos, porque Eu sou santo” (1Pe 1:16). Portanto, aqueles que seguem a Jesus também devem ser santos (1Pe 1:15-17).

A segunda motivação para o comportamento cristão ocorre quando percebemos que o Deus Santo julgará a todos com imparcialidade, de acordo com as obras de cada um (1Pe 1:17).

A terceira motivação resulta da grande verdade de que os cristãos são redimidos. Isso significa que eles foram comprados por um preço muito alto, o precioso sangue de Cristo (1Pe 1:19). Pedro enfatizou que a morte de Jesus não foi um acidente histórico, mas algo estabelecido antes da fundação do mundo (1Pe 1:20).

 

O que o motiva a ser cristão? Por que você é cristão?
Quinta-feira, 06 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 15–17
Amem uns aos outros

Prosseguindo em seu texto, Pedro guiou os cristãos à expressão suprema de uma vida santa e fiel.

7. Leia 1 Pedro 1:22-25. Qual foi o argumento fundamental de Pedro sobre o que significa ser cristão?

Pedro começou seu argumento afirmando que os cristãos já estavam purificados (“Tendo purificado a vossa alma [...]”), e obedeciam à verdade (1Pe 1:22). O verbo “purificar”, ou “limpar”, está intimamente relacionado às palavras “santo” e “santidade”, relacionadas ao que Pedro havia escrito um pouco antes (1Pe 1:15).

Os cristãos haviam sido purificados por meio do batismo e de seu compromisso com Jesus (compare com 1Pe 3:21, 22), ao dedicar sua vida exclusivamente a Deus mediante a obediência à verdade.

Como consequência natural dessa mudança em sua vida, eles passaram a ter um relacionamento próximo com outros que compartilhavam de semelhante visão. Tamanha era a proximidade desses relacionamentos que Pedro utilizou a linguagem familiar para descrevê-los. Os cristãos deveriam agir por amor fraternal. A palavra grega philadelphia, utilizada em 1 Pedro 1:22 e traduzida como “amor fraternal”, significa literalmente “amor de irmão ou irmã”. É o amor que os membros de uma família têm uns pelos outros.

Existem várias palavras gregas diferentes que são traduzidas como “amor”: filia (amizade), eros (amor apaixonado de um casal) e ágape (amor puro que busca o bem do outro). A palavra que Pedro utilizou quando escreveu “amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente” (1Pe 1:22) está ligada a ágape, que significa o puro amor que busca o bem das outras pessoas. Certamente foi por isso que ele acrescentou à sua frase as palavras “de coração” (1Pe 1:22), o coração que recebemos quando somos “regenerados” (1Pe 1:23; veja também 1Pe 1:3) por meio da Palavra incorruptível de Deus. Esse tipo de amor provém somente do Senhor. Não é manifestado por um coração não regenerado, egoísta e egocêntrico. Por isso, Pedro deu tanta ênfase à purificação e à “obediência à verdade” (1Pe 1:22). A verdade não é apenas uma crença; ela deve ser vivida.

 

Como podemos ser mais amorosos? Como podemos manifestar o tipo de amor que provém de um “coração puro”?
Fortaleça sua experiência com Deus. Acesse o site reavivados.org/
Sexta-feira, 07 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 18, 19
Estudo adicional

Leia, de Ellen G. White, “Obediência Perfeita Por Meio de Cristo”, p. 373-376, e “Cristo, o Caminho da Vida”, p. 365-368, em Mensagens Escolhidas, v. 1.

É impressionante a riqueza, a profundidade e a abrangência desse primeiro capítulo de Pedro. Ele começou sua epístola com uma reflexão sobre o caráter da Trindade, apresentando o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O Pai providenciou um Salvador em Seu Filho Jesus, e nEle fomos eleitos para a santificação e obediência. Passamos a amar a Cristo e nEle muito nos alegramos, pois, por meio de Sua morte e ressurreição, temos a promessa de uma “herança incorruptível” no Céu. Mesmo em meio às provações podemos nos regozijar na salvação oferecida em Cristo. Referindo-se a Pedro, Ellen G. White escreveu: “Suas epístolas foram o meio de reavivar o ânimo e fortalecer a fé daqueles que estavam sofrendo provas e aflições, e de renovar para as boas obras os que, devido às tentações de toda ordem, estavam em perigo de perder o seu apego a Deus” (Atos dos Apóstolos, p. 517). Enquanto isso, o Espírito Santo atuou por meio dos profetas para que descrevessem os dias em que Pedro e seus leitores viviam. Como consequência, os cristãos deveriam ter vida santa, de obediência à verdade, em comunidades caracterizadas pelo amor que provém de um “coração puro”.

Perguntas para reflexão

1. O que o motiva a ser cristão?

2. A ressurreição de Jesus foi destacada duas vezes no primeiro capítulo de 1 Pedro (v. 3, 21). Por que a ressurreição é tão essencial à nossa fé?

3. Pedro falou sobre uma “herança incorruptível” (veja também Dn 7:18). O que isso significa? Pense em todas as coisas que desaparecem ou que podem ser destruídas neste mundo. O que isso revela sobre a maravilhosa herança prometida a nós?

4. Como podemos desenvolver nossa fé em meio às provações? Como podemos aprender com as coisas que sofremos?

Respostas e tarefas da semana: 1. B 2. F; V. 3. A. 4. Com antecedência, escolha um aluno para estudar 1 Pedro 1:3-22. Em classe, peça que ele sintetize a mensagem de Pedro nessa passagem da Bíblia. 5. C. 6. Entendimento – sóbrios – graça – Jesus Cristo. 7. Com antecedência, escolha um aluno para responder a essa pergunta. No próximo sábado, permita que ele compartilhe sua resposta e incentive a participação dos outros alunos.

 

Resumo da Lição 2
Uma herança incorruptível

TEXTO-CHAVE: 1 Pedro 1:3-9, 13-21

O ALUNO DEVERÁ

Saber: Que, em Cristo, somos regenerados para uma esperança viva, por meio de Sua ressurreição.

Sentir: A alegria da salvação.

Fazer: Viver como alguém que faz parte do povo da aliança de Deus, chamado por Ele para uma vida de fé, esperança, amor e santidade.

ESBOÇO

I. Saber: Regeneração para uma esperança viva

A. O que significa ser regenerado mediante a ressurreição de Cristo?

B. O que significa ser parte da comunidade da aliança de Deus, chamado à santidade?

II. Sentir: Não mais estrangeiros, mas nascidos na família de Deus

A. Qual é a sensação de ser estrangeiro em uma família ou comunidade?

B. Temos sentido a alegria de alcançar o alvo da nossa fé, a nossa salvação?

III. Fazer: Vivendo como membros da comunidade da aliança

A. Quais qualidades Pedro recomendou aos que são chamados para ser membros da comunidade de fé da nova aliança?

B. Qual motivação Pedro apresentou para que vivamos em santidade e temor?

RESUMO: Pedro lembrou seus leitores, estrangeiros dispersos no mundo, de que eles eram a posteridade do povo de Deus do Antigo Testamento, tendo sido redimidos da sua maneira vazia de viver e regenerados para uma esperança viva mediante a ressurreição de Cristo. Portanto, eles deveriam se comportar como membros da comunidade de fé, tendo em vista o juízo na segunda vinda de Cristo.

Ciclo do aprendizado

Motivação

Focalizando as Escrituras: 1 Pedro 1:3-5

Conceito-chave para o crescimento espiritual: Mediante a misericórdia de Deus fomos regenerados para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo. Essa esperança nos promete uma herança incorruptível, sem mácula e imarcescível. Deus a tem reservado no Céu para nós, que temos sido preservados pelo Seu poder por meio da fé, para a salvação que está prestes a ser revelada na segunda vinda de Cristo. Alegramo-nos muito nessa esperança, mesmo quando passamos por várias provações. O aperfeiçoamento do nosso caráter mediante essas provações resultará em louvor, glória e honra a Deus quando Cristo for revelado.

Para o professor: De acordo com 1 Pedro 1:1, o apóstolo escreveu para pessoas dispersas nas províncias da Ásia Menor, por causa da perseguição ou do reassentamento proposital ordenado pelas autoridades romanas. Em ambos os casos, essas pessoas eram despejadas de suas casas, sentindo-se forasteiras entre povos estranhos. Elas precisavam colocar sua esperança em uma herança duradoura. Pedro ofereceu essa esperança aos seus leitores.

Discussão e atividade inicial: Peça aos alunos que leiam o Salmo 64. Discutam sobre o contexto em que esse salmo de Davi parece ter sido escrito e como os leitores de Pedro podem ter se identificado com o sentimento de isolamento de Davi, e com seu desejo de esperança e salvação. Incentive os alunos a recordar momentos em que eles se sentiram desprovidos de direitos em sua comunidade e desejaram a esperança em Deus e Sua salvação. Quais promessas bíblicas lhes deram esperança e alegria nesses momentos?

Compreensão

Para o professor: A comentarista Karen H. Jobes defende de maneira bem convincente o programa de colonização romana, conduzido pelo imperador Cláudio, como uma explicação plausível para a descrição que Pedro fez de seus leitores, chamando-os de “peregrinos dispersos no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na província da Ásia e na Bitínia” (1Pe 1:1, NVI). “Todo o livro de 1 Pedro está estruturado e repleto de termos que dizem respeito ao exílio e aos estrangeiros (1Pe 1:1; compare com 1Pe 5:13)” (1 Peter, Baker Exegetical Commentary on the New Testament [Grand Rapids, Michigan: Baker Academic, 2005], p. 39). Se essa teoria estiver correta, é possível que os cristãos a quem Pedro escreveu não possuíssem a cidadania romana para protegê-los do exílio forçado e da privação de direitos, em benefício do povoamento das colônias recém-estabelecidas pelo imperador na Ásia Menor. A descrição que Pedro fez de sua condição como “eleitos segundo a presciência de Deus Pai”, regenerados “para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1Pe 1:2, 3) mostrou-lhes o propósito supremo de Deus para a situação em que se encontravam. Eles deveriam viver como estrangeiros e peregrinos na Terra, pois sua herança estava “reservada nos Céus [...] a salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1Pe 1:4, 5).

Comentário bíblico

I. Eleitos pela presciência de Deus

(Recapitule com a classe 1 Pedro 1:1, 2.)

Pedro se dirigiu aos destinatários de sua primeira carta, lembrando-lhes que, embora fossem estrangeiros nas províncias onde estavam residindo naquela ocasião, Deus os havia escolhido segundo Sua presciência divina. O Espírito do Senhor os tinha separado para um propósito especial, a saber, para a obediência e para ser aspergidos com o sangue de Jesus Cristo. Isso parece ser uma alusão ao estabelecimento da aliança mosaica, na qual as pessoas juravam obediência à aliança. A aliança era, então, confirmada pela aspersão do sangue do sacrifício sobre o povo (veja Êx 24:3-8). Em seguida, Pedro expressou aos seus leitores o desejo de que a graça e a paz lhes fossem multiplicadas.

Pense nisto: Podemos ser considerados estrangeiros neste mundo? (Veja Hb 11:9, 10, 13-16.) Como revelamos nosso chamado e nossa condição espiritual mediante nosso estilo de vida?

II. Regenerados para uma esperança viva

(Recapitule com a classe 1 Pedro 1:3-9.)

Uma nova vida começa com a regeneração. Ela é o resultado da misericórdia de Deus para com pecadores indignos. O cristão passa a ter uma esperança viva, derivada da própria ressurreição de Jesus. Essa esperança se baseia em uma herança reservada nos Céus aos que são guardados pelo poder divino mediante a fé. Ela culmina na salvação preparada para ser revelada no último dia, por ocasião da volta de Cristo. Essa esperança produz grande alegria no cristão, apesar das várias provações que testam sua fé. Ela resultará em louvor, glória e honra quando Jesus Cristo for revelado. Alegria indescritível é a experiência de todos os que alcançam o alvo da sua fé: a salvação.

Pense nisto: Como posso sentir a esperança e a alegria da regeneração? Quais são as evidências dessa regeneração em minha vida?

III. O evangelho proclamado pelos profetas

(Recapitule com a classe 1 Pedro 1:10-12.)

Os profetas do Antigo Testamento predisseram a graça que viria sobre os leitores de Pedro por meio do sofrimento de Jesus Cristo e de Sua glorificação posterior em Sua ressurreição e ascensão. Eles gostariam de ter compreendido melhor essas questões, mas foram informados de que seu ministério profético não deveria servir a eles mesmos, mas aos futuros cristãos representados pelos leitores de Pedro. Portanto, as boas-novas proclamadas pelos profetas não foram plenamente compreendidas por eles mesmos nem pelos anjos. Contudo, depois que Jesus veio, o evangelho da graça foi mais plenamente compreendido pelos leitores de Pedro do que jamais havia sido pelos profetas, embora eles tivessem o Espírito de Cristo (1Pe 1:11).

Pense nisto: Como essa proclamação da graça se aplica a nós, leitores de Pedro hoje? As palavras do apóstolo são mais aplicáveis à nossa realidade do que à época de Pedro?

IV. O chamado à santidade

(Recapitule com a classe 1 Pedro 1:13-25.)

Pelo precioso sangue de Jesus, os leitores de Pedro haviam sido redimidos de sua maneira vazia de viver, herdada de seus antepassados. Em virtude desse fato, Pedro apelou a eles que estivessem com a mente preparada, prontos para a ação, sendo sóbrios e colocando todas as suas esperanças na graça que lhes seria dada na revelação (ou visível retorno) de Jesus Cristo. Eles foram chamados a uma conduta santa, pois o Deus que os havia chamado é santo. Eles deveriam viver cientes do juízo iminente, com o devido respeito para com o Pai, que julga imparcialmente segundo as obras de cada um (1Pe 1:17, NVI). Isso significa que seus leitores revelariam amor mútuo e sincero, pois haviam sido regenerados por meio da Palavra de Deus, viva e permanente.

Ellen G. White escreveu: “Deus nos ordenou: ‘Sede santos, porque Eu sou santo’ (1Pe 1:16). E um inspirado apóstolo declarou que, sem santidade, ‘ninguém verá o Senhor’ (Hb 12:14). Santidade é harmonia com Deus. Pelo pecado, a imagem divina no homem foi desfigurada e quase obliterada; é a obra do evangelho restaurar o que se havia perdido; e cumpre-nos cooperar com o agente divino nessa obra” (Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 743).

Perguntas para discussão

1. A menos que você tenha uma razão para viver no futuro, o que motiva suas ações no presente?

2. Que valor Pedro deu à herança que ele revelou aos seus leitores?

3. Com base no preço pago pela redenção, que valor ele deu aos seus próprios leitores? Que dever esse preço impôs sobre eles?

Aplicação

Para o professor: Relembre com os alunos as experiências de outros personagens bíblicos como Abraão, José, Davi e Daniel, que foram estrangeiros em terras estranhas e aprenderam a confiar nas promessas de Deus quanto à herança futura. Peça que os alunos leiam juntos Hebreus 11:8-10, 13-16 e discutam sobre a atitude que inspirou fé e esperança nos patriarcas. Compare com nossa situação, mencionada em Hebreus 11:39, 40.

Perguntas para reflexão

1. Qual é a essência do evangelho anunciado pelos profetas do Antigo Testamento e proclamado pelo Espírito Santo?

2. Você tem consciência do preço pago para redimi-lo de sua maneira vazia de viver? Que diferença esse conhecimento faz em nosso estilo de vida?

3. Como experimentamos a alegria da salvação em nosso cotidiano?

Atividade: Peça aos alunos que compartilhem testemunhos sobre a esperança que sentiram ao encontrar a alegria da salvação em Cristo.

Criatividade e atividades práticas

Para o professor: Muitos acham difícil testemunhar sobre a esperança e alegria da salvação. Primeiramente, é preciso experimentar essa realidade de maneira significativa. Testemunhem uns aos outros antes de tentar testemunhar a estranhos. Na classe, temos a oportunidade de compartilhar nosso testemunho até que estejamos confortáveis, sabendo o que fazer e dizer.

Atividade: Permita que os alunos aprendam a testemunhar de sua fé, criando uma encenação em que eles testemunhem uns aos outros como se estivessem abordando as pessoas da comunidade. Peça que os membros mais experientes comecem dando o exemplo. Em seguida, incentive os outros a imitar o exemplo deles até que ganhem confiança.

Planejando atividades: O que sua classe pode fazer na próxima semana como resposta ao estudo da lição?

Oração de mãe

Michele ficou muito triste quando soube que sua filha, Joana, não poderia cursar o Ensino Médio no Colégio Adventista do Gabão. A Missão passava por dificuldades e não havia recursos suficientes para ampliar as instalações para o Ensino Médio. A opção seria enviá-la para outra escola adventista, mas a igreja tem apenas um colégio no país.

Joana começava o dia participando do culto e orando na escola adventista. O Ensino Religioso faz parte do currículo escolar. Os professores amam os alunos e os estimulam a participar das atividades comunitárias. Mas isso estava prestes a mudar.

As primeiras lutas

“O que será da fé abraçada por Joana, quando ela tiver que frequentar a escola pública?”, Michele se perguntava.  “Permaneceria ela fiel a Jesus?” Por meio de alguns amigos, ela ouvira o que tinha acontecido com os filhos que passaram por essa situação. “Muitos colegas do meu filho bebem e usam drogas”, disse um pai. “Todas as atividades sociais são agendadas para as noites de sexta-feira e aos sábados”, uma senhora contou. “A professora só aparece quando quer, deixando os alunos sozinhos”, outra lamentou. E para completar sua preocupação, Michele sabia que as provas eram marcadas para os sábados.

Não demorou muito tempo para que Joana começasse a frequentar a nova escola. Infelizmente, Michele começou a perceber mudanças na vida espiritual da filha. Ela passou a negligenciar os momentos devocionais e estava pouco interessada em atividades comunitárias. “Estou preocupada com você, meu amor”, disse Michele certo dia. “Está tudo bem?”

Joana desviou o olhar, com uma expressão de profunda tristeza. “Não, mãe, não está nada bem. Parece que tudo está tentando me afastar de Jesus. Não queria que isso acontecesse, mas eu me sinto como se estivesse longe dEle.”

Michele confortou a filha dizendo que, mais do que ela possa imaginar, Jesus a ama, e que não havia nada que ela pudesse fazer para mudar isso. “Estarei sempre do seu lado, Joana”, ela acrescentou. “Farei o que for possível para ajudá-la, estarei em oração constante por você!”

Orações e respostas

Michele orou em favor de Joana e pediu que amigos mais próximos se unissem a ela nesse projeto. Alguns meses depois, Joana se aproximou da mãe com um sorriso radiante. “Mãe, meu relacionamento com Jesus está ótimo novamente!”, disse. “Ele é meu melhor Amigo e faço o possível para mostrar Sua bondade aos meus colegas da escola!”

Joana estava testemunhando de sua fé entre os colegas na escola. Michele ficou muito feliz. “Como você testemunha, meu amor?”

“Bem, quando se aproxima uma prova, convido meus amigos para se unirem a mim em oração, pedindo que Deus nos ajude a tirar notas boas. Ou, se estamos enfrentando uma situação difícil, digo: ‘Vamos orar para que Deus nos ajude a lidar com isso da melhor forma possível’. Mesmo durante nossas conversas diárias, há oportunidades de falar sobre Cristo.”

Michele ficou muito feliz ao saber que Joana havia renovado seu compromisso com Deus. Ficou muito feliz também ao saber que a oferta deste trimestre ajudará a construir uma nova escola de Ensino Médio no Gabão, a fim de manter nossos filhos firmes na fé. Joana conseguirá frequentar uma escola adventista novamente, com centenas de outras crianças que desejam receber a educação cristã.

Confiança no futuro

A obra adventista do sétimo dia teve um início tardio no Gabão. Como resultado disso, as pessoas não sabem muito sobre nossa igreja. A nova escola de Ensino Médio servirá como centro evangelístico, onde nossos jovens serão treinados para servir Jesus e levar pessoas a aceitá-Lo como Senhor e Salvador. Eles são o futuro da nossa igreja! Por meio da educação, conseguiremos fortalecer a presença adventista a fim de preparar o povo gabonês para a vinda de Cristo.

“Espero que Joana se engaje na missão adventista até o fim. Essa é minha oração por todos os nossos filhos. Ajudem-nos a construir nossa escola doando uma generosa oferta!”, apela Michele.

Resumo missionário

• O Gabão é uma república independente situada na costa oeste da África Central. Limita-se ao noroeste com a Guiné Equatorial, ao norte com Camarões, ao leste e ao sul com a República do Congo, e a oeste com o Oceano Atlântico.

• Antiga colônia francesa, o Gabão mantém fortes laços com a língua e a cultura francesa.

• O país é um pouco menor que o estado do Colorado, nos Estados Unidos.

 

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 2º trimestre de 2017
Tema geral: “Apascenta as Minhas ovelhas”: 1 e 2 Pedro
Lição 2: 1º a 8 de abril
Uma herança incorruptível

Autor: Moisés Mattos

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

Além deste comentário escrito, o Pr Moisés Mattos publica a cada semana um esboço para professores, em sua página do facebook (https://www.facebook.com/classedeprofessores/) e no Youtube (https://www.youtube.com/channel/UCLjNImiw8T4HieefHrrTOxA)

Introdução: Sempre que estudamos os livros da Bíblia, precisamos fazer algumas perguntas que nos ajudarão a entender o texto sagrado: Quem escreveu? Quando escreveu? A quem escreveu? Quais temas desenvolveu?

Nesta semana vamos nos concentrar em duas dessas questões:

1) A quem escreveu?

2) Quais temas desenvolveu?

I - A quem escreveu?

As duas epístolas de Pedro podem ser chamadas de católicas, isto é, “de acordo com o todo” porque não são dirigidas a uma pessoa ou congregação específica, mas à igreja espalhada por quase toda a Ásia Menor. Ele escreveu as duas cartas aos “forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia” (1 Pedro 1:1). Essas cinco regiões incluem quase tudo o que se chama hoje de Ásia Menor (localizada na atual Turquia). Muitos dos membros dessas igrejas eram gentios. O momento histórico em que a carta foi escrita era de perseguição contra a igreja. A carta buscava confortar e estimular os cristãos na sua caminhada, que naquela época tinha um preço muito alto. É uma carta de conforto. O texto de 1 Pedro 4:12, 13 é bem claro: “Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de Sua glória, vos alegreis exultando”. O sofrimento existia e iria crescer. Em 1 Pedro 1:1 e 2, o escritor identificou sua audiência em 2 palavras exploradas pelo autor da Lição da Escola Sabatina:

  1. Dispersos, tradução da palavra grega parepidemois (“hóspedes”, “exilados”). Essa palavra é usada de maneira metafórica para se referir tanto aos cristãos judeus quanto aos crentes gentios, os quais consideravam o Céu seu lar permanente, pois, para eles, a Terra não passava de "terra alheia" (Hb 11:9; Comentário Bíblico Adventista, v. 7, p. 600).
  2. Eleitos (v. 2). Esses cristãos foram eleitos porque haviam escolhido aceitar o plano da salvação. Eles não foram escolhidos em um processo conhecido como “predestinação calvinista”, isto é, Deus elege uns para a salvação e outros para a perdição. Na predestinação bíblica, Deus sempre nos elege para a salvação. Basta ler João 3:16 e Apocalipse 22:17 para se perceber que, sempre que a Bíblia fala de predestinação tem a ver com o fato de que Deus nos predestina para a salvação e nunca para a perdição. Ao homem dotado de livre-arbítrio cabe escolher entre a oferta de perdão e a condenação eterna. Um texto esclarecedor sobre a questão está em 1 Tessalonicenses 5:9: “Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo.”

II- Quais temas desenvolveu?

Dois pontos gerais devem ser destacados quando falamos do conteúdo dessa carta do apóstolo. O texto de 1 Pedro 1:2-21 é um resumo dos temas que ele abordou ao longo do livro. Em sua tarefa de animar na fé os irmãos que passavam por perseguições e provações, ele apresentou em primeiro lugar a base da fé que estava alicerçada na graça de Deus (versos 3 a 12). Nessa seção são apresentados o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Esses são os autores e propagadores da salvação estendida aos cristãos que têm uma “herança incorruptível” no Céu (v. 4). Parece que ele teve a intenção de levar seus destinatários a entender que eles faziam parte de um projeto maior de Deus para a salvação de Seus filhos em meio ao conflito com Satanás.

Em segundo lugar, o autor trabalhou com os resultados práticos da salvação na vida do crente. A expressão “por isso”, que dá início ao verso 13, indica uma consequência ou conclusão do que Pedro havia acabado de dizer. Ele estava falando sobre a graça de Deus e a esperança que os cristãos têm em Jesus Cristo (1Pe 1:3-12). Como resultado dessa graça e esperança, Pedro pediu aos seus leitores que cingissem o próprio entendimento (1Pe 1:13).

"Essa é uma expressão deliberadamente vívida. No Oriente, os homens levavam longas vestimentas flutuantes que os impediam de avançar com rapidez ou desenvolver um trabalho intenso. Em torno da cintura usavam um largo cinturão ou cinto e, quando era necessário cumprir uma tarefa intensa, eles encurtavam suas vestes flutuantes, levantando-as e prendendo-as ao cinturão para ter assim liberdade de movimentos. Uma expressão equivalente para nós seria ‘arregaçar as mangas’ ou tirar a jaqueta ou casaco para ter assim maior comodidade para o trabalho. Aqui, então, Pedro estava exortando seus leitores para que estivessem preparados para o mais intenso esforço mental. Nunca deviam se contentar com uma fé medíocre e negligente” (William Barclay, The First Letter of Peter. The Saint Andrews Press, p. 58, 59). Embora tenha falado que o estilo de vida esperado dos cristãos é consequência de sua salvação, Pedro mencionou três grandes motivações para o comportamento cristão: o caráter santo de Deus (1Pe 1:15, 16), o juízo vindouro (1Pe 1:17) e o preço da redenção (1Pe 1:17-21).

"A primeira coisa que motiva o comportamento cristão é o caráter de Deus. Seu caráter pode ser resumido da seguinte maneira: o Senhor é santo. Pedro citou Levítico 11:44, 45, quando escreveu: ‘Sede santos, porque Eu sou santo’ (1Pe 1:16). Portanto, aqueles que seguem Jesus também devem ser santos (1Pe 1:15-17). A segunda motivação para o comportamento cristão ocorre quando percebemos que o Deus santo julgará todos com imparcialidade, de acordo com as obras de cada um (1Pe 1:17). A terceira motivação resulta da grande verdade de que os cristãos são redimidos. Isso significa que eles foram comprados por um preço muito alto, o precioso sangue de Cristo (1Pe 1:19). Pedro enfatizou que a morte de Jesus não foi um acidente histórico, mas algo estabelecido antes da fundação do mundo” (1Pe 1:20; Lição de quarta-feira).


Conclusão: Ao encerrar sua mensagem, o apóstolo fez o apelo dizendo: “Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal, não fingido; amai-vos, de coração, uns aos outros, ardentemente” (1Pe 1:22). Em um só verso é destacado que a prova de conversão de um cristão é o amor apresentado através de duas palavras gregas: a) philadelfia (amor fraternal), que é próprio de uma irmandade. b) agapao (amor puro, verdadeiro e não interesseiro), que tem sua origem em Deus. Ellen White descreveu esse amor nas seguintes palavras, que constituem um desafio para nós: "Quando formos um com Cristo, seremos um com os Seus seguidores. A grande necessidade da alma é Jesus, a esperança da glória. Essa unidade pode ser obtida por meio do Espírito Santo, e o amor pelos irmãos será abundante, fazendo com que os homens reconheçam que temos estado com Jesus e aprendido dEle. Nossa vida será um reflexo de Seu santo caráter. Como crentes nEle, representaremos Sua mansidão de espírito, Sua delicadeza nas maneiras. As pessoas que compõem a igreja de Deus precisam atender individualmente à oração de Cristo, até que todos cheguemos à unidade do Espírito” (E Recebereis Poder [MM 1995], p. 86)

 

Autor do comentário: Moisés Mattos graduou-se em teologia em 1989 e concluiu seu mestrado na mesma área no ano 2000, pelo Seminário Adventista Latino Americano de Teologia. Cursou também uma pós-graduação em Gestão Empresarial. Serve à Igreja Adventista há 27 anos como professor de ensino religioso; pastor distrital; departamental em nível de Associação e União; presidente de Missão e Associação. Atualmente exerce sua atividade como pastor na Associação Paulista Oeste, na União Central Brasileira. É casado com a professora Luciana Ribeiro de Mattos, é pai de Thamires (estudante de jornalismo) e Lucas (estudante de Arquitetura).