Lição 7
08 a 14 de fevereiro
Da cova dos leões à cova do anjo
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Lv 20-22
Verso para memorizar: “Então, os presidentes e os sátrapas procuravam ocasião para acusar a Daniel a respeito do reino; mas não puderam achá-la, nem culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa” (Dn 6:4).
Leituras da semana: Dn 6; 1Sm 18:6-9; Mt 6:6; At 5:27-32; Mc 6:14-29; Hb 11:35-38

Depois que os medo-persas tomaram Babilônia, Dario, o medo, reconheceu a sabedoria de Daniel e o convidou para fazer parte do novo governo. O profeta idoso se destacou tanto em seus deveres públicos que o novo rei o nomeou administrador-chefe de todo o governo medo-persa.

Contudo, Daniel enfrentou o resultado do que poderíamos corretamente chamar de “pecado original supremo” – a inveja. Entretanto, ele foi fiel não apenas aos seus deveres seculares sob o governo dos medo-persas, mas acima de tudo, ao seu Deus. Além disso, podemos ter a certeza de que, em grande medida, sua fidelidade a Deus também influenciou diretamente sua lealdade em outras áreas.

A experiência de Daniel com a perseguição serve como paradigma para o povo de Deus no tempo do fim. A História não sugere que Seu povo será poupado das provações e sofrimentos. O que ela garante é que, no conflito contra o mal, o bem acabará vencendo, e Deus finalmente vindicará Seu povo.

Primeiro Deus - Quando você se sentir fraco e a ponto de cair, vá a Cristo e diga-Lhe: "Senhor, entrego-Te a minha vontade." Dez Dias de Oração e Resgate – 3 dia: hoje vamos orar pelos líderes da igreja e por cinco amigos.
Domingo, 09 de fevereiro
Ano Bíblico: Lv 23-25
Pessoas invejosas

Mesmo no Céu, um ambiente perfeito, Lúcifer teve inveja de Cristo. “Lúcifer ficou invejoso e enciumado de Jesus Cristo. Todavia, quando todos os anjos se curvaram diante de Jesus reconhecendo Sua supremacia e alta autoridade e direito de governar, ele curvou-se com eles, mas seu coração estava cheio de inveja e rancor” (Ellen G. White, História da Redenção, p. 14). Abrigar o sentimento de inveja é tão perigoso que, nos Dez Mandamentos, juntamente com a proibição do assassinato e do furto, há o mandamento contra a cobiça (veja Êx 20:17).

1. Leia Daniel 6:1-5; Gênesis 37:11 e 1 Samuel 18:6-9. Qual foi a função da inveja em todas essas histórias? Assinale a alternativa correta:

A. (  ) A inveja colocou homens de Deus no poder.

B. (  ) A inveja trouxe destruição e inimizade entre pessoas e líderes.

As habilidades administrativas de Daniel impressionaram o rei, mas provocaram inveja em outros oficiais. Portanto, eles conspiraram para se livrarem de Daniel, acusando-o de corrupção. Todavia, por mais que tivessem procurado, não encontraram falhas na administração de Daniel. “Os presidentes e os sátrapas procuravam ocasião para acusar a Daniel a respeito do reino; mas não puderam achá-la, nem culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa” (Dn 6:4). A palavra aramaica traduzida como “fiel” também pode ser traduzida como “digno de confiança”.

Daniel era irrepreensível; não havia nada que os oficiais pudessem fazer para levantar uma acusação contra ele. Porém, eles também perceberam como Daniel era fiel ao seu Deus e obediente à Sua Lei. Portanto, entenderam que, para incriminar Daniel, teriam que produzir uma situação na qual o profeta fosse confrontado com o dilema de obedecer à Lei de Deus ou à lei do império. Em virtude do que os oficiais haviam descoberto sobre o servo de Deus, eles estavam absolutamente convencidos de que, sob condições convenientes, se houvesse um conflito entre a Lei de Deus e a lei do império, Daniel se posicionaria ao lado da Lei de Deus. Que testemunho da fidelidade desse homem!

Você já teve que lidar com a inveja? Como reagiu a ela? Por que esse é um pecado espiritual tão mortal e incapacitante?
Dez Dias de Oração e Resgate – 4o dia: hoje vamos orar pelo reavivamento em nossa família e por cinco amigos.
Segunda-feira, 10 de fevereiro
Ano Bíblico: Lv 26, 27
A trama contra Daniel

2. Leia Daniel 6:6-9. Qual era o pensamento por trás do decreto? Como ele explorava a vaidade do rei?

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Dario foi tolo ao promulgar um decreto que ele logo desejou revogar. Ele caiu na armadilha dos oficiais, que foram espertos o suficiente para jogar com as circunstâncias políticas do reino recém-estabelecido. Dario havia descentralizado o governo e estabelecido cento e vinte sátrapas para tornar a administração mais eficiente. Porém, essa ação acarretava riscos em longo prazo. Um governador influente poderia facilmente promover uma rebelião e dividir o reino. Portanto, uma lei forçando todos a fazer petições apenas ao rei durante trinta dias parecia uma boa estratégia para promover a lealdade ao monarca e, assim, impedir qualquer tipo de revolta. Mas os oficiais enganaram Dario, alegando que essa proposta tinha o apoio de “todos” os governadores, administradores, sátrapas e conselheiros – uma evidente imprecisão, uma vez que Daniel não estava incluído. Além disso, a perspectiva de ser tratado como deus pode ter sido atraente para o rei.

Não há evidência de que os reis persas tivessem reivindicado status divino. No entanto, o decreto pode ter sido planejado para tornar o rei o único representante dos deuses durante trinta dias; isto é, as orações aos deuses tinham que ser oferecidas por meio dele. Infelizmente, o rei não investigou as motivações por trás da proposta. Assim, ele não conseguiu perceber que a lei que supostamente impediria uma conspiração foi, em si, uma conspiração para prejudicar Daniel.

Dois aspectos dessa lei merecem atenção. Primeiramente, a punição ao transgressor era ser lançado na cova dos leões. Como esse tipo de castigo não foi atestado em nenhum outro lugar, ele pode ter sido uma sugestão dos inimigos de Daniel para essa situação específica. Antigos monarcas do Oriente Próximo colocavam leões em jaulas a fim de libertá-los em certas ocasiões para caçar. Portanto, não faltariam leões para despedaçar quem ousasse transgredir o decreto do rei. Em segundo lugar, o decreto não podia ser alterado. A natureza imutável da “lei dos persas e medos” também é mencionada em Ester 1:19 e 8:8. Diodorus Siculus, um antigo historiador grego, mencionou uma ocasião em que Dario III (que não deve ser confundido com o Dario mencionado em Daniel) mudou de ideia, mas não conseguiu mais revogar uma sentença de morte que havia decretado contra um inocente.

Dez Dias de Oração e Resgate – 5o dia: hoje vamos pedir que Deus nos dê mais disposição para estudar Sua Palavra.
Terça-feira, 11 de fevereiro
Ano Bíblico: Nm 1-3
A oração de Daniel

“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6:6).

3. Leia Daniel 6:10. Por que Daniel simplesmente não orou de uma forma que ninguém o visse? Assinale a alternativa correta:

A. (  ) Porque queria se exibir para os oficiais.
B. (  ) Embora fosse discreto, ele não podia negar sua fé e sua confiança em Deus.

Daniel era um estadista experiente, mas, acima de tudo, era servo de Deus. Sendo assim, ele era o único membro do governo que entendia o que estava por trás do decreto do rei. Para Dario, essa ordem representava uma oportunidade para fortalecer a unidade do reino, mas para os conspiradores era uma estratégia para se livrarem de Daniel.

Evidentemente, as verdadeiras causas e os motivos por trás da conspiração residiam na batalha cósmica entre Deus e as forças do mal. Naquela ocasião (539 a.C.), o profeta já havia recebido as visões registradas em Daniel 7 (553 a.C.) e 8 (551 a.C.). Portanto, ele entendia o decreto real não como uma questão de mera política humana, mas como um exemplo dessa guerra cósmica. A visão do Filho do Homem entregando o reino ao povo do Altíssimo e o auxílio animador do anjo intérprete (Dn 7) podem ter lhe dado coragem para enfrentar a crise com determinação. Ele também pode ter refletido sobre a experiência de seus companheiros, que tinham sido corajosos o suficiente para desafiar o decreto de Nabucodonosor (Dn 3).

Portanto, ele não mudou seus hábitos devocionais, mas continuou sua costumeira  prática de orar três vezes por dia em direção a Jerusalém. Apesar da proibição de fazer petições a qualquer homem ou deus, exceto ao rei, Daniel também não tomou precauções para esconder nem disfarçar sua vida de oração durante aqueles trinta dias críticos. Ele era uma minoria absoluta, já que era o único, entre dezenas de governadores e outros oficiais, contrariando o decreto real. Contudo, mediante sua aberta vida de oração, ele demonstrou que a lealdade que devia a Deus vinha antes de sua lealdade ao rei e a seu decreto irrevogável.

Leia Atos 5:27-32. Embora a admoestação seja clara nesse texto, quando agimos em oposição à lei humana, por que devemos estar sempre certos de que estamos fazendo verdadeiramente a vontade de Deus?
Dez Dias de Oração e Resgate – 6 dia: hoje vamos orar por decisões importantes que precisamos tomar.
Quarta-feira, 12 de fevereiro
Ano Bíblico: Nm 4-6
Na cova dos leões

4. Leia Daniel 6:11-23. O que o rei disse a Daniel revelando que o profeta era uma poderosa e fiel testemunha de Deus?

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Os conspiradores logo avistaram Daniel orando – isto é, fazendo exatamente o que o decreto proibia. E ao trazerem a acusação perante o rei, eles se referiram a Daniel de maneira humilhante: “Esse Daniel, que é dos exilados de Judá” (Dn 6:13). Aos olhos deles, um dos principais oficiais do império, o favorito do rei, não passava de um “cativo”. Além disso, eles colocaram Daniel contra o rei dizendo que o profeta não demonstrava a devida consideração pelo rei nem pelo decreto que ele tinha assinado. Então, Dario percebeu que havia sido ludibriado ao assinar o decreto. O texto afirma que “até ao pôr-do-sol” o rei “se empenhou por salvá-lo” (Dn 6:14). Mas tudo o que ele fez não pôde salvar o profeta do castigo prescrito. A lei irrevogável dos medos e persas devia ser aplicada à risca. Assim, embora com relutância, o rei deu a ordem para jogar Daniel aos leões. Mas ao fazê-lo, Dario expressou uma vaga esperança, que soou como uma oração: “O teu Deus, a quem tu continuamente serves, que Ele te livre” (Dn 6:16).

O texto bíblico não declara o que Daniel fez no meio dos leões, mas pode-se supor que ele estivesse orando. E Deus honrou a fé de Daniel enviando Seu anjo para protegê-lo. Pela manhã, Daniel continuava ileso e pronto para retomar suas atividades no governo. Comentando sobre esse episódio, Ellen G. White afirmou: “Deus não impediu que os inimigos de Daniel o lançassem na cova dos leões; Ele permitiu que anjos maus e homens ímpios chegassem a realizar seu propósito; mas isso foi para que pudesse tornar o livramento do Seu servo mais marcante e mais completa a derrota dos inimigos da verdade e da justiça” (Profetas e Reis, p. 543, 544).

Embora essa história tenha revelado um final feliz (pelo menos para Daniel), o que dizer dos relatos da Bíblia e de outras fontes que não terminaram em livramento nesta Terra? (Veja, por exemplo, Marcos 6:14-29.) Como devemos compreendê-los?
Primeiro Deus - Dizimar e ofertar é adorar a Deus. Dez Dias de Oração e Resgate – 7o dia: hoje vamos orar pela vitória sobre as tentações.
Quinta-feira, 13 de fevereiro
Ano Bíblico: Nm 7, 8
Vindicação

5. Leia Daniel 6:24-28. Que testemunho o rei deu sobre Deus?

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Um ponto importante da narrativa é o fato de Dario ter louvado a Deus e reconhecido Sua soberania. Isso é uma culminação, até mesmo um clímax, dos louvores ou expressões de reconhecimento oferecidos a Ele nos capítulos anteriores (Dn 2:20-23; 3:28, 29; 4:1-3, 34-37). Como Nabucodonosor, Dario respondeu ao livramento de Daniel louvando o Senhor. Mas ele também fez mais: o rei reverteu seu decreto anterior e ordenou a todos que tremessem e temessem “perante o Deus de Daniel” (Dn 6:26).

O profeta foi miraculosamente salvo, sua fidelidade foi recompensada, o mal foi punido e a honra e o poder de Deus foram vindicados. Vemos aqui um pequeno exemplo do que ocorrerá em escala universal: o povo de Deus terá livramento, o mal será punido, e o Senhor será vindicado perante o Universo.

6. Leia Daniel 6:24. O que é um tanto problemático nesse verso? Por quê?

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No entanto, há um problema perturbador: as esposas e os filhos que, até onde sabemos, eram inocentes e, contudo, sofreram o mesmo destino dos culpados. Como podemos explicar o que parece ser um mau uso da justiça?

Primeiramente, devemos notar que a ação foi decidida e implementada pelo rei de acordo com a lei persa, que incluía a família na punição do culpado. De acordo com um princípio antigo, toda a família era responsável pela transgressão de um membro da família. Isso não significa que essa prática esteja certa; significa apenas que o relato se encaixa com o que sabemos sobre a lei persa.

Em segundo lugar, devemos observar que a narrativa bíblica relata o evento, mas não endossa a ação do rei. De fato, a Bíblia proíbe claramente que os filhos sejam mortos por causa dos pecados dos pais (Dt 24:16).

Diante de injustiças como essa e tantas outras, como você pode obter conforto de ­textos como 1 Coríntios 4:5? O que esse texto afirma, e por que o argumento que ele defende é tão importante?
Dez Dias de Oração e Resgate – 8o dia: hoje vamos orar por novas oportunidades para testemunhar da nossa fé.
Sexta-feira, 14 de fevereiro
Ano Bíblico: Nm 9-11
Estudo adicional

O livramento de Daniel foi registrado em Hebreus 11. O capítulo que pode ser chamado de “Galeria dos Famosos da Fé” afirma que os profetas, entre outras realizações, “fecharam a boca de leões” (Hb 11:33). Isso é maravilhoso, mas devemos ter em mente que os heróis da fé não são apenas aqueles que escaparam da morte como Daniel, mas também aqueles que sofreram e morreram corajosamente, como Hebreus 11 também observa. Deus chama alguns para testemunhar por meio de sua vida, e outros, por meio de sua morte. Portanto, a narrativa do livramento de Daniel não sugere que essa libertação seja concedida a todos, como aprendemos com a multidão de homens e mulheres que foram mártires por causa de sua fé em Jesus. Contudo, o livramento miraculoso de Daniel mostra que Deus governa e, por fim, livrará todos os Seus filhos do poder do pecado e da morte. Isso fica claro nos próximos capítulos de Daniel.

Perguntas para discussão

1. O francês Jean Paul Sartre escreveu: “A melhor maneira de conceber o projeto fundamental da realidade humana é dizer que o homem é o ser cujo projeto é ser Deus” (Jean Paul Sartre, Being and Nothingness: A Phenomenological Essay on Ontolgy [O Ser e o Nada: Um Ensaio Fenomenológico sobre Ontologia]. Washington Square Press, 1956, p. 724). Como isso nos ajuda a entender, pelo menos em certo nível, por que o rei caiu na armadilha? Por que devemos, em qualquer condição na vida, evitar essa inclinação perigosa, por mais sutil que ela seja? De que maneira podemos desejar ser “como Deus”?

2. Que testemunho apresentamos aos outros em relação à nossa fidelidade a Deus e à Sua Lei? As pessoas que nos conhecem pensam que defenderíamos nossa fé, mesmo que isso nos custasse o emprego ou até mesmo a vida?

3. Quais qualidades fizeram de Daniel alguém que Deus pôde usar efetivamente para Seus propósitos? Com a ajuda do Senhor, como você pode desenvolver mais das mesmas características?

4. Daniel estaria justificado se decidisse, à luz do decreto, mudar a maneira de orar? Ou isso teria sido uma transigência perigosa? Por quê?

Respostas e atividades da semana: 1. B. 2. O pensamento era a superioridade do rei Dario em relação a qualquer outro deus, o que inflou o ego do rei e o levou a sancionar o decreto. 3. B. 4. “Que o seu Deus, a quem você serve continuamente, o livre [...] Daniel, servo do Deus vivo, será que o seu Deus, a quem você serve continuamente, pôde livrá-lo dos leões?” (Dn 6:16, 20, NVI). 5. Dario reconheceu o poder absoluto e o domínio do Deus de Daniel, fazendo até, inadvertidamente, uma profecia: o reinado do Senhor não teria fim. 6. A morte das mulheres e dos filhos dos oficiais. Isso fazia parte da lei dos medos e persas e não era endossado por Deus.

Dez Dias de Oração e Resgate – 9 dia: hoje vamos orar pelos jovens da igreja e por pessoas afastadas de Cristo.
Resumo da Lição 7
Da cova dos leões à cova do anjo

ESBOÇO

TEXTO-CHAVE: Daniel 6

FOCO DO ESTUDO: Daniel 6; 1 Samuel 18:6-8; Mateus 6:6; Atos 5:27-32; Marcos 6:14-26; Hebreus 11:35-38

Introdução

Daniel 6 destaca a fidelidade do profeta. Ele estava disposto a ser devorado por leões em vez de comprometer seu relacionamento com Deus. Finalmente, sua fidelidade ao Senhor e lealdade ao rei foram vindicadas.

Temas da lição

1. Fidelidade

Apesar do decreto que proibia que alguma petição fosse feita a qualquer homem ou deus, exceto ao rei, Daniel continuou a orar na direção de Jerusalém. Ele poderia ter fechado as janelas e orado em segredo; em vez disso, decidiu não comprometer seu testemunho. Seu compromisso com a verdade estava muito acima da proteção de sua própria vida.

2. Vindicação

Como resultado da lealdade de Daniel a Deus, o anjo do Senhor fechou a boca dos leões famintos. Daniel foi protegido e vindicado perante o rei e os que procuravam tirar sua vida. A experiência do mais notável entre os exilados hebreus serve como demonstração da vindicação final de Deus em favor do Seu povo ao longo dos séculos, quando são combatidos e perseguidos pelas forças do mal.

Aplicação para a vida

Os cristãos que aspiram a carreira política muitas vezes apontam para a experiência de Daniel como uma justificativa para entrar na luta por um cargo no serviço público. Que bênção seria para a igreja e para a sociedade se todo político cristão e todo oficial público imitassem a fidelidade de Daniel!

Comentário

1. Fidelidade

Daniel era um dos três oficiais encarregados de supervisionar os sátrapas (governadores das províncias), verificando suas obrigações e auditando suas contas, a fim de evitar a perda das receitas do rei e assegurar o bom funcionamento do governo (Dn 6:2). Fraude e má administração têm sido um problema desde os primórdios dos tempos. Alguns textos antigos do Oriente Próximo também retratam o clima de competição, rivalidade e intrigas entre os sábios e os conselheiros da corte, que muitas vezes se dirigiam ao rei com acusações contra um adversário real ou imaginário. Assim, nesse sentido, a situação refletida na corte do rei Dario não era exceção, pois os oficiais e os sátrapas queriam se livrar de Daniel. O ciúme pode ter desempenhado um papel fundamental, já que o servo de Deus seria indicado pelo rei como uma espécie de primeiro-ministro. Em relação a essa possibilidade, devemos também ter em mente que a integridade de Daniel pode ter sido um obstáculo aos que buscavam vantagens pessoais e lucro ilícito por meio dos cargos públicos. Finalmente, esses oficiais corruptos podem ter se voltado contra Daniel porque ele era judeu (Dn 6:13, comparar com Dn 3:12), e, como tal, era fiel ao seu Deus e não aos deuses deles.

Apesar do decreto real, Daniel não mudou seus hábitos de oração. Ele continuou a orar três vezes ao dia (comparar com Sl 55:17). A casa de Daniel provavelmente tivesse um quarto particular no andar de cima, no telhado plano. De uma janela aberta para o oeste, Daniel orava em direção a Jerusalém, onde o templo estava em ruínas. Na inauguração do templo, Salomão instruiu o povo a orar em direção ao templo (veja 1Rs 8:35, 38, 44, 48). Davi parece ter praticado o mesmo princípio (veja Sl 5:7; Sl 28:2). Jerusalém se tornou o lugar da presença de Deus porque o templo estava ali. Por isso, tal gesto simbolizava compromisso com Yahweh, o Deus que escolheu Jerusalém como o lugar em que colocaria Seu nome. Além disso, Daniel aguardava a restauração de Jerusalém como o cumprimento das promessas da aliança (Jr 31; Ez 36). Ele era um estrangeiro em Babilônia; sua verdadeira cidadania estava em Jerusalém.

Então, a primeira coisa que aprendemos sobre Daniel nessa narrativa é sua integridade profissional como oficial do império. Certamente, Dario convidou Daniel para servir como administrador por causa da sua reputação imaculada como servidor público. Além disso, a integridade de Daniel também foi claramente percebida por seus inimigos. Nesse sentido, duas observações merecem destaque. Primeiro, os inimigos de Daniel reconheceram que não puderam encontrar nada contra ele em seu serviço ao rei: “Então, os presidentes e os sátrapas procuravam ocasião para acusar Daniel a respeito do reino; mas não puderam achá-la, nem culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa” (Dn 6:4). Segundo, o aspecto mais impressionante da conspiração dos inimigos de Daniel se encontra no fato de que eles perceberam que sua suprema lealdade era para com o seu Deus. Essa devoção indica que Daniel vivia sua fé e expressava suas convicções abertamente. Todos sabiam o que era mais importante para Daniel. Por esse motivo, seus inimigos decidiram atacá-lo no centro da sua fé. Ao fazer isso, não esperavam que Daniel cedesse, mas que permanecesse fiel ao seu Deus e, assim, pudesse ser condenado à morte. O profeta, no entanto, não percebeu nenhum conflito entre suas responsabilidades como oficial do governo e como servo do Deus verdadeiro. Na verdade, Daniel considerou seu serviço público como uma oportunidade para honrar ao Senhor que é o supremo Soberano sobre todas as coisas.

2. Vindicação

Provavelmente, a característica mais marcante da narrativa sobre Daniel na cova dos leões é o fato de que Daniel foi salvo dos leões. Esse final feliz é compatível com outras narrativas bíblicas, como o livramento dos amigos de Daniel da fornalha de fogo ardente, bem como a restauração de Jó. Acima de tudo, está em harmonia com a própria macro-narrativa da Bíblia, que termina com a destruição do mal e o estabelecimento do reino eterno de Deus. A vindicação de Daniel sobre seus inimigos aponta para a vindicação final do povo de Deus, como é descrito na seção profética do livro de Daniel (Dn 7–12). Isso não significa, no entanto, que todo servo fiel que é perseguido será livrado como foi Daniel. A galeria dos mártires ao longo da história mostra que, às vezes, Deus permite que Seus servos paguem o preço mais alto pela lealdade deles, sem qualquer aparente justificativa nesta vida, antes de chegarmos ao Céu. Mas o livramento de Daniel serve como demonstração da vindicação divina em favor do Seu povo no tempo do fim e mostra que Ele detém o poder supremo sobre as forças do mal. O Deus que impediu que os leões devorassem Daniel, finalmente silenciará para sempre Satanás, o leão que ruge, o maior acusador dos irmãos (1Pe 5:8).

A fidelidade de Daniel a Deus foi expressa por meio da lealdade à Sua Lei. Assim, quando a lei humana entrou em conflito com a Lei divina, o servo do Altíssimo não demonstrou nenhuma hesitação sobre qual lei obedecer. O decreto foi sancionado de acordo com a lei dos medos e dos persas, “que se não pode revogar” (Dn 6:8). Aqui, surgiu um conflito entre duas leis, ambas reivindicando imutabilidade, o qual alcançará proporções escatológicas na tentativa do pequeno chifre de mudar os tempos e a lei (Dn 7). Dessa forma, se a lei dos medos e dos persas não pode ser mudada, o que dizer da Lei que reflete o caráter de Deus? O conflito entre a eterna Lei de Jeová e as contrafações humanas é um aspecto crucial do grande conflito presente na experiência de Daniel. Por mais que Daniel fosse leal ao estado, quando as leis do estado conflitaram com a Lei de Deus, ele não demonstrou nenhuma hesitação sobre qual lei obedecer.

A fidelidade de Daniel foi vindicada por Deus. Dario não tinha dúvidas sobre a integridade do profeta, tanto é que fez um grande esforço para encontrar uma brecha na lei imperial. Por fim, o rei foi forçado a ceder, embora com esperança de que o Deus de Daniel o livrasse. De acordo com a narrativa bíblica, a pedra que fechou a boca da cova, “selou-a o rei com o seu próprio anel e com o dos seus grandes” (Dn 6:17). Esse duplo selamento tinha a intenção de garantir que o destino de Daniel permanecesse inalterado. Como foi sugerido de forma plausível por um comentarista: “Os acusadores, que provavelmente estivessem presentes, e queriam que o selo do anel dos grandes fosse usado, desejavam assegurar que não haveria possibilidade de que próprio rei enviasse homens para resgatar Daniel. Por outro lado, o rei queria garantir que esses acusadores não tentassem tirar a vida de Daniel de outra maneira, se os leões não a tirassem” (Leon J. Wood, A Commentary on Daniel [Um comentário sobre Daniel], Grand Rapids, MI: Zondervan, 1973, p. 169).

Mas a vindicação de Daniel implicava na condenação daqueles que conspiraram contra ele. Esse resultado é o lado triste, mas necessário, da vindicação. O rei ordenou que os inimigos de Daniel fossem jogados na mesma cova em que ele tinha sido lançado, o que resultou na destruição deles pelos leões. Para a mente moderna e pós-moderna, é difícil aceitar o fato de que o rei tenha incluído as famílias na punição dos conspiradores. No entanto, observe que o rei estava simplesmente seguindo uma prática antiga, embora terrível. Deus não ordenou que isso fosse feito. O que o Senhor fez foi salvar Daniel dos leões, o que tornou clara a inocência do profeta em todas as questões relacionadas ao rei. Mas acima de tudo, devemos ter em mente que não apenas Daniel foi vindicado; o próprio Deus também foi vindicado diante de Dario. O rei finalmente reconheceu que Aquele que livrou Daniel é o Deus vivo e verdadeiro: “O Seu reino não será destruído, e o Seu domínio não terá fim” (Dn 6:26). Essas palavras concluem a seção narrativa de maneira apropriada e envolvem o núcleo da mensagem teológica transmitida pela seção profética de Daniel.

Aplicação para a vida

“Querida juventude, qual é o alvo e propósito de sua vida? Vocês têm a ambição de educar-se para poder ter nome e posição no mundo? Têm pensamentos que não ousam expressar, de poder um dia alcançar as alturas da grandeza intelectual; de poder assentar-se em conselhos deliberativos e legislativos, cooperando na elaboração de leis para a nação? Nada há de errado nessas aspirações. Vocês podem, cada um de vocês, estabelecer um alvo. Vocês não devem contentar-se com realizações tacanhas. Aspirem à altura, e não se poupem trabalhos para alcançá-la” (Ellen G. White, Mensagens aos Jovens, p. 36).

1. Quais são os tipos de cargos públicos, se houver, compatíveis com a vida cristã?

2. Onde você estabelece o limite entre lealdade ao estado e lealdade a Deus?

3. Se Daniel é um modelo, quais são as quatro coisas que ele fez e que devem ser imitadas pelos que aspiram a carreira política e o serviço público? (Dn 6:10, 11).

Desafiando o sábado

Vincenzo Gallina, especialista em TI alemão, não compreendia o que estava acontecendo. A uma crise global parecia seguir outra: 9 de setembro, turbulência financeira na Europa, Criméia e crise migratória. Algo estava errado. Vincenzo se questionava se era o fim do mundo. Ele lutava para entender as decisões aparentemente incoerentes dos políticos, procurou respostas nos vídeos do YouTube e retornou à igreja de sua infância. Ele não havia frequentado somente os cultos dominicais, como também os cultos aos sábados e quartas-feiras. Os líderes da igreja ficaram tão impressionados com seu interesse em religião, que tentaram convencê-lo a se tornar pastor. Vincenzo não aceitou. Seu único objetivo era encontrar respostas aos eventos globais e viver uma vida santificada.

Nessa busca, ele abraçou três princípios importantes e os cultivou no coração: seguir a verdade não importa onde levasse; ser honesto com outros e especialmente consigo mesmo; e agir de modo coerente. Ler a Bíblia, entretanto, o deixou frustrado. Ele não entendia o que lia. Certa noite, ele orou desesperadamente pedindo que Deus enviasse alguém explicar a Bíblia. “Deus, me perdoe por não entender Sua Palavra”, orou. Em suas pesquisas no YouTube, ele encontrou o sermão de um evangelista adventista. Ao assistir ao vídeo, algo aclarou em sua mente. Ele gostou que o evangelista usava a Bíblia para corroborar com tudo que ele dizia.

Em pouco tempo, ele via cinco sermões por dia, sua mente absorvia esse novo conhecimento como uma esponja. Convenceu-se de que o sétimo dia era o dia sagrado e começou a frequentar uma igreja adventista da cidade, Colônia, aos sábados. Ele queria adorar o Deus Criador. Queria provar o equívoco do mal que diz ser impossível guardar os mandamentos de Deus. Ele queria ser honesto e seguir a verdade não importa onde quer que isso levasse.

O fato de que ainda morasse com os pais dificultou sua decisão em favor de uma vida santa. Seus pais não oravam antes das refeições e assistiam à TV aos sábados. Dúvidas surgiram em sua mente sobre a importância de guardar o sábado. Ele ponderou as palavras de Jesus em Marcos 2:27, E então lhes disse: "O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.” Lembrou-se da fala de Paulo: “Porque vocês não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rom 6:14), e deixou de guardar o sábado.

Em uma noite de sexta-feira, após o pôr do sol, Vincenzo estava trabalhando no computador quando ouviu uma voz: “Você não está guardando um dos Meus mandamentos.” Então, lembrou-se de seu princípio de ser honesto com os outros e consigo mesmo. “Sim, não estou guardando o sábado”, Vincenzo disse. “Mas é realmente importante?” E voltou às suas atividades. “Você não está guardando a lei“, a voz insistia. “O que você está fazendo não é correto.” Ele questionou: “Mas é realmente tão importante guardar esse dia?” Tomando sua Bíblia, argumentou: “Jesus não disse que o homem é feito para o sábado? Não estamos mais debaixo da lei?” 

A voz não desistiu de falar. Finalmente, Vincenzo orou pedindo orientação. Ajoelhou-se e, com a Bíblia nas mãos, pediu a Deus uma resposta clara. “Você deseja que eu guarde o sábado? Esse dia é importante? Eu preciso de ajuda para tomar essa decisão.” Ele pensou que precisava criar uma oportunidade para Deus responder. Olhando a Bíblia em sua mão, decidiu abrir aleatoriamente e aceitar qualquer resposta que Deus lhe desse. Vincenzo fechou os olhos e abriu a Bíblia. Ao olhar a Bíblia leu Isaías 58:13, 14: "Se você vigiar seus pés para não profanar o sábado e para não fazer o que bem quiser em meu santo dia; se você chamar delícia o sábado e honroso o santo dia do Senhor, e se honrá-lo, deixando de seguir seu próprio caminho, de fazer o que bem quiser e de falar futilidades, então você terá no Senhor a sua alegria.”

Vincenzo começou a chorar. Ele não podia continuar trabalhando após uma resposta como essa. Desligou o computador e abriu a Bíblia. Desde então, Vincenzo não tem mais dúvida sobre a observância do sábado. Voltou a frequentar a igreja aos sábados e, agora aos 29 anos, ele é membro fiel da igreja adventista.

Parte da oferta do trimestre ajudará a reformar o prédio central da Marienhöhe Academy em Darmstadt, Alemanha. Muito obrigado por sua generosa oferta.

 

Dicas da história

• Pronúncia de Vincenzo: .
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Comentário da Lição da Escola Sabatina – 1º Trimestre de 2020
Tema Geral: Daniel
Lição 7 – 8 a 15 de fevereiro
Da cova dos leões à cova do anjo

Autor: Marcelo Rezende
Editor: André Oliveira Santos
Revisora: Josiéli Nóbrega

Se o capítulo 2 do livro de Daniel traz a profecia mais conhecida das Escrituras, o capítulo 6 traz a história mais conhecida desse livro e uma das mais famosas de toda a Bíblia. Nossa familiaridade com esse episódio pode nos dar a impressão de que tudo já foi dito, mas veremos que ali existe um tesouro inesgotável da sabedoria de Deus para nossa vida. Daniel 6 é a contraparte da experiência de perseguição e livramento registrada no capítulo 3 envolvendo Sadraque, Mesaque e Abede-Nego.

1 – Fidelidade

Dario mal havia assumido o trono de Babilônia e já se encontrava subjugado pelo espírito babilônico do desejo humano de ocupar o lugar de Deus. Contrariando a prática comum daqueles tempos, Daniel, que tinha sido ministro encarregado da administração do reino anterior, permaneceu na corte do reino dos Medo-Persas e foi um dos três principais supervisores de todos os governadores das províncias do império. Além disso, ele contava pessoalmente com a amizade e o respeito de Dario. Essa condição de favor desfrutada por Daniel foi a fagulha necessária para acender a animosidade da inveja destruidora dos demais oficiais do reino, que arquitetaram um plano ardiloso, um decreto real em que apenas Dario deveria ser adorado pelo prazo de um mês. Esse decreto foi criado com base na prática devocional de oração de Daniel, para colocá-lo em transgressão contra a lei dos medos e persas, de maneira que a sua desobediência e rebeldia fossem punidas com a morte na cova dos leões. A fidelidade de Daniel a Deus o colocou em rota de colisão com esse decreto.

No relato do complô contra Daniel, vemos mais uma vez exposta a essência da espiritualidade babilônica: o homem busca a exaltação própria ao se constituir o centro da adoração, e quando o homem se volta para si mesmo substituindo a Deus como o único Senhor da vida, a autoridade de Deus passa a ser relativizada e questionada. A consequência imediata da mudança da fonte de autoridade é o choque entre a Lei de Deus e a vontade humana expressa em suas próprias leis, contrárias à vontade divina. As perguntas-chaves são: Quem deve ser adorado? Afinal, qual autoridade deve ser obedecida?

Um artifício geralmente usado por escritores para indicar a sua intenção verdadeira ao escrever é a repetição de palavras-chaves em vários pontos importantes de um texto. Em Daniel 6, por exemplo, vemos a repetição da palavra “lei” (dat) diversas vezes, ora referindo-se à Lei de Deus, ora às leis dos medos e dos persas que não podiam ser revogadas, estabelecendo assim o grande impasse: diante de duas leis adversas e de dois conceitos legais irrevogáveis opostos, qual lei deve ser levada em consideração? Daniel faz a opção pela Lei de Deus. Essa escolha o colocou em rota de colisão com os poderes sociais estabelecidos. Devemos ressaltar aqui que, ao orar três vezes por dia, Daniel não manifestou postura provocativa nem desafiadora, antes ele continuou sendo fiel à sua essência, praticando o que era seu hábito e que sempre correspondeu à verdade do seu ser. A posição escolhida por Daniel o transformou em um tipo de Cristo e um tipo do povo de Deus que, em todas as épocas, aguarda a vindicação divina pelas perseguições sofridas por sua fidelidade.

2 – Vindicação

A narrativa da cova dos leões se transforma em uma espécie de “narrativa da Paixão” registrada no AT:

A narrativa da Paixão em Daniel

A narrativa da Paixão nos evangelhos

Presidentes e sátrapas "conspiraram" contra Daniel (Dn 6:6).

"Os principais sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, chamado Caifás, e deliberaram prender Jesus à traição e matá-Lo" (Mt 26:3, 4).

Os conspiradores não encontraram falta alguma em Daniel (Dn 6:4).

Os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho contra Jesus para O condenar à morte e não achavam (Mc 14:55).

Daniel orava e suplicava a Deus três vezes por dia e, mesmo assim, foi condenado; aparentemente suas orações não foram ouvidas (Dn 6:10-11).

Em seguida, Jesus foi com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a Seus discípulos: “Assentai-vos aqui, enquanto Eu vou ali orar. [...] Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras” (Mt 26:36, 44). “Ele, Jesus, nos dias da Sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem O podia livrar da morte (Hb 5:7).

Daniel foi condenado por trapaça (Dn 6:7).

O sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: “Blasfemou! Que necessidade mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes agora a blasfêmia!” (Mt 26:65).

Daniel foi considerado culpado de transgredir a lei dos medos e persas (Dn 6:13).

“Responderam-lhe os judeus: Temos uma lei, e, de conformidade com a lei, Ele deve morrer, porque a Si mesmo Se fez Filho de Deus” (Jo 19:7).

Dario tentou, sem sucesso, salvar Daniel (Dn 6:14).

Pilatos tentou, sem sucesso, salvar Jesus (Mt 27:24).

Daniel "confiou em seu Deus" (Dn 6:23).

Jesus confiou em Seu Pai (Mt 26:39, 42; cf. 27:43; 1Pe 2:23).

Daniel desceu à “cova” (Dn 6:16), sua “sepultura”.

O corpo de Jesus foi colocado em uma tumba (Mt 27:60).

A “sepultura” de Daniel foi fechada por uma pedra selada pelo rei e por seus nobres (Dn 6:17).

O túmulo de Jesus foi fechado com uma grande pedra que foi selada (Mt 27:60, 66).

Bem cedo, na manhã seguinte, o rei Dario encontrou Daniel vivo e o tirou de seu “túmulo” (Dn 6:19, 23).

“E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do Sol, foram ao túmulo. [...] Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; Ele ressuscitou, não está mais aqui; vede o lugar onde O tinham posto” (Mc 16:2, 6).

Daniel afirmou sua inocência diante de Deus (Dn 6:22).

“Com efeito, nos convinha um Sumo Sacerdote como Este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os Céus” (Hb 7:26).

Daniel prosperou depois que Deus o salvou da morte certa na cova dos leões (Dn 6:28).

“Toda a autoridade Me foi dada no Céu e na Terra (Mt 28:18). [...] Pelo que também Deus O exaltou sobremaneira e Lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos Céus, na Terra e debaixo da Terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2:9-11).

Daniel não é apenas um tipo de Cristo nessa história, mas representa todos aqueles que foram injustiçados e silenciados na cova do verdadeiro leão, o adversário de todos nós (1Pe 5:8). Daniel lidou com o medo primordial de todos os homens: a morte. Esse medo escraviza a humanidade aos laços de Satanás. É o medo da morte que nos lança de maneira desenfreada em busca do prazer autodestrutivo no anseio de fazer a vida “valer a pena”. A insegurança quanto ao futuro, a incerteza da felicidade, a insatisfação constante que existe no coração do ser humano, a frustração e a amargura de uma vida desperdiçada, tudo isso é fruto do medo da morte e da consciência de nossa existência finita. A Bíblia nos afirma que Jesus Se tornou homem “para que, por Sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida (Hb 2:14, 15). Por isso, aqueles que são habitados pelo Espírito Santo têm a plena convicção de ter a vida eterna já agora (1Jo 5:13)! Podemos encarar todas as covas colocadas pelo inimigo diante de nós e vivermos livres do medo da morte neste exato momento, já vitoriosos e vindicados por Deus sobre a sepultura, por meio da ressurreição de Jesus, nosso Senhor!

Conheça o autor dos comentários para este trimestre:

Atualmente, Marcelo Rezende é pastor do distrito de São Carlos, na Associação Paulista Oeste. Há 20 anos é pastor e tem servido a igreja em diversas funções ministeriais. Possui mestrado em teologia bíblica com ênfase em teologia paulina pelo Unasp-Engenheiro Coelho. É casado com Simone Ramos Rezende e juntos têm dois filhos: Sarah (que nasceu em um dia 22 de outubro – os que estudarem a lição de Daniel entenderão!), e o caçula Daniel (o mesmo nome do profeta!).

 

Com base em Sidney Greidanus, Preaching Christ From Daniel: Foundations for Expository Sermons, p. 186, 187.