Lição 6
02 a 09 de fevereiro
O povo de Deus selado
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Lv 5–7
Verso para memorizar: “São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Ap 7:14).
Leituras da semana: Ap 7; 14:4, 5, 12; 17:5; 2Pe 3:9-14; Dt 8:11-17; Rm 3:19-24

A mensagem apresentada na abertura dos sete selos mostra que toda pessoa que afirma crer em Cristo encontra bênçãos por sua fidelidade ou maldições por sua infidelidade. Os primeiros quatro selos descrevem os meios disciplinares de Deus para despertar Seu povo da letargia espiritual e torná-lo vitorioso. No entanto, o povo de Deus também sofre injustiça e opressão neste mundo avesso ao evangelho. Na abertura do sexto selo, Deus está pronto para lidar com os que prejudicaram Seu povo.

O capítulo 7 é um intervalo inserido entre o sexto e o sétimo selos.
O sexto selo nos leva à segunda vinda de Cristo. Enquanto os ímpios enfrentam o juízo, Apocalipse 7 responde à pergunta deles acerca de quem subsistirá no dia da vinda de Cristo: os que foram selados, os 144 mil.

As outras características desse povo são apresentadas em Apocalipse 14:1 a 5. Há também um intervalo inserido entre a sexta e a sétima trombetas (Ap 10:1–11:14). Esse intervalo, que começa com o Segundo Grande Despertamento e o surgimento do Movimento Adventista, coincide com o mesmo período de tempo das cenas iniciais do capítulo 7 e se concentra na experiência e na missão do povo de Deus no tempo do fim.

Domingo, 03 de fevereiro
Ano Bíblico: Lv 8–10
Retendo os ventos

1. Leia Apocalipse 7:1-3 e 2 Pedro 3:9-14. O que João viu? Por quanto tempo os anjos devem reter os ventos? O que ocorrerá quando o selamento for concluído? Complete as lacunas:

“Depois disto, vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da Terra, conservando seguros os quatro ___________ da Terra […]. Vi outro anjo […], tendo o ___________ do Deus vivo, e clamou em grande voz aos quatro anjos, […], dizendo: Não ________________ nem a Terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na fronte os servos do nosso Deus” (Ap 7:1-3).

No Antigo Testamento, os ventos representam forças destrutivas pelas quais Deus executa juízos sobre os ímpios (Jr 23:19, 20; Dn 7:2). “Ao cessarem os anjos de Deus de conter os ventos impetuosos das paixões humanas, ficarão às soltas todos os elementos de contenda” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 614). Essas forças destrutivas estão sendo retidas pela intervenção divina enquanto ocorre o selamento do povo de Deus.

Nos tempos antigos, o principal significado do selamento era propriedade. O significado do selamento simbólico no Novo Testamento é que “o Senhor conhece os que Lhe pertencem” (2Tm 2:19). Deus reconhece Seu povo e o sela com o Espírito Santo (Ef 1:13, 14; 4:30). No tempo do fim, o selo na testa é concedido ao povo fiel de Deus, que guarda Seus mandamentos (Ap 14:1, 12). O selo de Deus não é uma marca visível colocada na testa, mas, como afirma Ellen G. White, significa “a consolidação na verdade, tanto intelectual como espiritualmente, de modo que [o povo de Deus] não possa ser abalado” (Eventos Finais, p. 220). Por outro lado, os que por fim se posicionarem do lado da besta receberão a sua marca (Ap 13:16, 17).

A fidelidade do povo selado de Deus foi provada em todas as gerações. No entanto, a prova de fidelidade na crise final será a guarda dos mandamentos de Deus (veja Ap 12:17; 14:12). De maneira especial, o quarto mandamento se tornará a prova de obediência ao Senhor (Ap 14:7). Assim como o sábado foi o sinal do povo de Deus nos tempos bíblicos (Ez 20:12, 20; Hb 4:9, 10), também será o sinal de lealdade a Deus na crise final.

No tempo do fim, o selo funciona também como um sinal de proteção contra as forças destrutivas das sete últimas pragas (veja Ez 9:1-11 como pano de fundo de Ap 7:1-3). Portanto, a questão levantada em Apocalipse 6:17 é finalmente respondida: os que permanecerão protegidos no dia da ira de Deus são o Seu povo selado.

Paulo nos advertiu a não entristecer o Espírito Santo por quem fomos selados (Ef 4:30). O que isso significa? Quais escolhas você pode fazer para não entristecê-Lo?
Segunda-feira, 04 de fevereiro
Ano Bíblico: Lv 11, 12
O povo selado de Deus

2. De acordo com Apocalipse 7:4-8, quantas pessoas receberam o selo de Deus? Reflita sobre o significado desse número específico e assinale a alternativa correta:

A. (  ) 200 milhões.

B. (  ) 144 mil.

O anúncio do número dos que foram selados marca a conclusão do selamento. João ouviu que o número deles era 144 mil, das 12 tribos de Israel. Esse texto não se refere a um número literal, mas ao seu significado. O número 144 mil é composto por 12 x 12 x 1.000. O número 12 é um símbolo do povo de Deus: as tribos de Israel e a igreja edificada sobre o fundamento dos 12 apóstolos (Ef 2:20). Portanto, o número 144 mil representa a totalidade do povo de Deus do tempo do fim – “todo o Israel” (judeus e gentios) que estiver preparado para o retorno de Cristo e que será trasladado sem passar pela morte (Rm 11:26; 1Co 15:51-53).

As 12 tribos listadas em Apocalipse 7 não são, evidentemente, literais, pois as 12 tribos de Israel, que incluíam tanto o reino do Norte como o do Sul, não existem mais hoje. As 10 tribos do reino do Norte foram levadas ao cativeiro durante a conquista assíria (2Rs 17:6-23), onde se integraram a outras nações. Portanto, as 12 tribos não constituem o judaísmo hoje.

Além disso, a lista das 12 tribos em Apocalipse 7 é diferente de todas as demais encontradas nas Escrituras (compare com Nm 1:5-15; Ez 48:1-29). Judá foi listada como a primeira tribo (Ap 7:5), em lugar da tribo de Rúben (compare com Nm 1:5). A tribo de Dã, incluída nas listas de Números 1 e de Ezequiel 48, foi omitida da lista de Apocalipse 7. Possivelmente Efraim tenha sido referida como José, e Dã foi substituída por Levi.
O motivo aparente da exclusão da tribo de Dã, da lista de Apocalipse 7, é que, no Antigo Testamento, ela é retratada algumas vezes de modo negativo em virtude da apostasia (Gn 49:17; 1Rs 12:29).

A lista das tribos de Apocalipse 7 não é histórica, mas espiritual. A ausência de Dã e a não menção de Efraim nessa lista sugere que a infidelidade dessas 2 tribos não tem lugar entre o povo de Deus selado (Os 4:17). Ademais, o Novo Testamento se refere à igreja como as 12 tribos de Israel (Tg 1:1). As 12 tribos de Apocalipse 7 representam todo o povo de Deus que perseverar até o fim, judeus e gentios.

Quais certezas bíblicas o Senhor concede aos que vivem durante o tempo da angústia?
Terça-feira, 05 de fevereiro
Ano Bíblico: Lv 13, 14
A grande multidão

3. Leia Apocalipse 7:9, 10. Qual grupo de santos João viu? Como eles foram descritos, e de onde vieram? O que eles clamavam diante do trono de Deus?_______________________________________________________________________________________________

João viu uma “grande multidão que ninguém podia enumerar”, os que vieram “da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Ap 7:9, 14). Ou seja, eles são um grupo especial de pessoas que, apesar das tribulações que enfrentaram, permaneceram fiéis a Jesus, uma fidelidade simbolizada pelo fato de que estão cobertas nas vestes de Sua perfeita justiça. A palavra “tribulação” é usada com muita frequência na Bíblia para se referir aos sofrimentos dos cristãos por causa de sua fé (veja, por exemplo, Êx 4:31; Sl 9:9; Mt 24:9; Jo 16:33; Rm 5:3). Portanto, embora alguns intérpretes adventistas considerem esse grupo uma outra representação dos 144 mil, podemos entender a “grande multidão” como uma referência a todos os redimidos que sofreram por sua fé ao longo dos séculos.

Na descrição que João fez da “grande multidão” que ninguém podia enumerar, vemos também, como em toda a Bíblia, o grande tema da salvação pela graça. Os redimidos reivindicam a salvação, a vida eterna, o novo céu e a nova Terra somente por conta da justiça de Cristo, concedida a eles pela graça.

“Mais próximo do trono estão os que já foram zelosos na causa de Satanás, mas que, arrancados como tições do fogo, seguiram seu Salvador com devoção profunda e intensa. Em seguida estão os que aperfeiçoaram um caráter cristão em meio de falsidade e incredulidade, os que honraram a lei de Deus quando o mundo cristão a declarava nula, e os milhões de todos os séculos que se tornaram mártires pela sua fé. E além está a “multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos” (Ap 7:9). Terminou sua luta, a vitória está ganha. Correram no estádio e alcançaram o prêmio. O ramo de palmas em suas mãos é um símbolo de seu triunfo, as vestes brancas, um emblema da imaculada justiça de Cristo, a qual agora possuem” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 665).

Somos cobertos pela justiça de Cristo, um dom da fé. Mas como podemos manter essa fé e permanecer fiéis em meio às provações e tribulações? E o mais importante, de que modo podemos manter a fidelidade em tempos de sossego e prosperidade? (veja Dt 8:11-17).
Quarta-feira, 06 de fevereiro
Ano Bíblico: Lv 15, 16
Os seguidores do Cordeiro

4. De acordo com Apocalipse 14:1-5, quais são as três principais características dos 144 mil? Como elas estão relacionadas à descrição dos santos do tempo do fim, em Apocalipse 14:12?_______________________________________________________________________________________________

O texto de Apocalipse 14:4 e 5 é uma descrição dos 144 mil que se ajustam com o povo de Deus dos últimos dias, “os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Ap 14:12). Embora tenham experimentado a plenitude da ira de Satanás na crise final, eles permaneceram firmes por causa de seu relacionamento íntimo com Jesus.

5. À luz de Apocalipse 17:5, em que sentido os 144 mil não se macularam com mulheres? Como a pureza de seu caráter se relaciona com o fato de que eles são redimidos da Terra como “primícias para Deus” (Ap 14:4)?_______________________________________________________________________________________________

A imoralidade sexual é um símbolo de infidelidade para com Deus. Em Apocalipse 17:5, mencionam-se a prostituta do fim dos tempos, Babilônia, e suas filhas, com quem todos os povos do mundo cometerão fornicação (veja Ap 18:3). No entanto, os 144 mil permanecerão leais a Cristo e resistirão às relações corrompidas com Babilônia e as igrejas apóstatas. Portanto, os 144 mil seguem o Cordeiro “por onde quer que vá” (Ap 14:4).

Os 144 mil foram descritos também como os “redimidos dentre os homens” como “primícias para Deus e para o Cordeiro” (Ap 14:4). No antigo Israel, as primícias eram os melhores frutos da colheita oferecidos a Deus (Nm 18:12). A palavra primícias se refere aos salvos, distintos do povo no mundo (veja Tg 1:18), mas em Apocalipse os 144 mil são claramente um grupo especial porque foram trasladados sem passar pela morte (1Co 15:50-52). Portanto, são as primícias da maior colheita de salvos de todos os tempos (veja Ap 14:14-16).

Estamos em perigo de cometer prostituição espiritual? Por que nos enganamos se pensarmos que não estamos correndo esse perigo?
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Quinta-feira, 07 de fevereiro
Ano Bíblico: Lv 17–19
Salvação ao nosso Deus e ao Cordeiro

6. Leia Apocalipse 14:5, 2 Pedro 3:14 e Judas 24, 25. O Apocalipse descreve o povo de Deus no tempo do fim como sem “mácula”. De que modo podemos alcançar esse estado? Assinale a alternativa correta:

A. (  ) Pela confiança na justiça divina para o perdão e fidelidade a Deus.

B. (  ) Tornando-nos impecáveis, sem nenhum pecado.

A característica final dos 144 mil é que “não se achou mentira na sua boca; não têm mácula” (Ap 14:5). Enquanto as pessoas do mundo escolhem acreditar nas mentiras de Satanás, o povo de Deus acolherá o amor da verdade para ser salvo (2Ts 2:10, 11).

A expressão “sem mácula” (amomos no grego, “irrepreensível”) se refere à fidelidade dos 144 mil a Cristo. Na Bíblia, o povo de Deus é chamado de “santo” (Lv 19:2; 1Pe 2:9). Abraão (Gn 17:1) e Jó (Jó 1:1) foram irrepreensíveis. Os cristãos são chamados para ser santos e sem mácula diante de Deus (Ef 5:27; Fp 2:15).

7. Leia Romanos 3:19-24. Por que devemos manter sempre em mente a verdade essencial apresentada nessa passagem?_______________________________________________________________________________________________

Nos últimos dias da história do mundo, os 144 mil refletirão o caráter de Cristo. Sua salvação revelará o que Cristo fez por eles, em vez de sua própria santidade e obras (veja Ef 2:8-10). Os 144 mil lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro (Ap 7:14) e, portanto, são achados “sem mácula e irrepreensíveis” diante de Deus (2Pe 3:14).

“Precisamos ser refinados, purificados de toda mundanidade, até que reflitamos a imagem de nosso Salvador e nos tornemos participantes da natureza divina […]. Quando terminar o conflito da vida, quando a armadura for deposta aos pés de Jesus, quando forem glorificados os santos de Deus, então, e só então, será seguro afirmar que estamos salvos e sem pecado” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 355, 356). Como podemos ter uma vida santificada, em preparação ativa para a eternidade e, no entanto, não cair nas armadilhas do perfeccionismo?
Sexta-feira, 08 de fevereiro
Ano Bíblico: Lv 20–22
Estudo adicional

Leia o capítulo  “Impecabilidade e Salvação”, do livro Mensagens Escolhidas, v. 3, de Ellen G. White, p. 353-357. A identidade dos 144 mil é uma questão polêmica. Parece evidente que os 144 mil são a última geração do povo de Deus. Sabemos que eles passarão pelo tempo de angústia e serão protegidos das sete pragas (veja Sl 91:7-16) e que sua lealdade será provada como jamais ocorreu no passado.

A identidade dessas pessoas é um dos segredos que Deus guardou para Si (Dt 29:29). Somente no futuro será revelado quem fará parte desse grupo. Em relação a esse mistério, recebemos uma advertência:

“Cristo diz que haverá na igreja pessoas que apresentarão fábulas e suposições, quando Deus deu verdades grandes, inspiradoras e de molde a enobrecer, as quais devem ser sempre conservadas no tesouro da memória. Quando as pessoas apanham esta e aquela teoria, quando são curiosas de saber alguma coisa que não lhes é necessário saber, Deus não os está conduzindo. Não é plano Dele que Seu povo apresente alguma coisa que eles supõem, a qual não é ensinada na Palavra de Deus. Não é Sua vontade que eles se metam em discussões acerca de questões que não os ajudam espiritualmente, como: Quais pessoas vão constituir os cento e quarenta e quatro mil? Isto, aqueles que forem os eleitos de Deus hão de, sem dúvida, saber em breve” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 174).

Perguntas para discussão

1. Pense nesta exortação: “Procuremos, com todo o poder que Deus nos tem dado, estar entre os 144 mil” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 7, p. 1084). Como praticar essas palavras?

2. Uma característica dos 144 mil é seu novo cântico. Ninguém mais poderá cantar esse cântico senão os 144 mil, pois é o cântico da experiência – uma experiência que nenhum outro grupo na história teve (Ap 14:3, 4; Ap 15:2, 3). Sua caminhada espiritual reflete um cântico de uma nova experiência com Deus? Ou sua vida reflete suas antigas histórias sem evidência de um compromisso atual?

3. Qual é a diferença entre simplesmente saber sobre Cristo e realmente conhecê-Lo? Você sabe como é Cristo?

Respostas e atividades da semana: 

1. Ventos – selo – danifiqueis.

2. B.

3. São os que vieram da grande tribulação. Suas vestes são brancas e eles têm palmas nas mãos. Eles clamam e adoram a Deus: “Ao nosso Deus, que Se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação”.

4. “São estes os que não se macularam com mulheres, porque são castos. São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá. São os que foram redimidos dentre os homens, primícias para Deus e para o Cordeiro” (Ap 14:4).

5. Eles não participaram da infidelidade de Babilônia. O fato de serem redimidos como primícias para Deus significa que eles não sofreram a corrupção da morte, pois foram trasladados.

6. A.

7. Porque, caso contrário, estaremos em risco de incorrer no perfeccionismo.

Resumo da Lição 6
O povo de Deus selado

RESUMO DA LIÇÃO 6 – O povo de Deus selado

PARTE I: ESBOÇO

TEXTO CHAVE: Apocalipse 6:17

FOCO DO ESTUDO: Apocalipse 7 responde à pergunta de Apocalipse 6:17: Quem subsistirá à segunda vinda de Jesus?

INTRODUÇÃO: Apocalipse 7 revela a importância de ser selado a fim de sobreviver às calamidades que acompanham a segunda vinda de Cristo.

TEMAS DA LIÇÃO: A lição e a passagem em foco introduzem os seguintes temas:

I. O significado dos selos e do selamento

Documentos são selados para ocultar ou validar seu conteúdo. As pessoas são seladas como um sinal de propriedade ou de proteção.

II. Efésios 4:30 e o conflito cósmico

No contexto, a tristeza do Espírito é uma versão localizada do conflito cósmico.

III. O número 144 mil é literal ou simbólico?

A lição interpreta o número como simbólico, o que é sustentado no tema III, na parte 2.

IV. Os 144 mil e a grande multidão são dois grupos diferentes ou duas maneiras de descrever o povo de Deus no fim dos tempos?

A lição é ambígua quanto à resposta a essa pergunta. Veja a discussão adicional sobre esse assunto na seção “Comentário”, na parte II.

V. Romanos 3:19-24 e o significado da expressão “não têm mácula” (Ap 14:5).

A lição faz referência a Romanos 3 para argumentar contra uma interpretação perfeccionista para a expressão “não têm mácula”. Esse argumento é explanado na parte II da seção Comentário.

APLICAÇÃO PARA A VIDA: Os membros da classe são convidados a refletir sobre a restrição divina do mal no mundo de hoje, e acerca dos significados das figuras militares em Apocalipse 7:1-8 e do novo cântico que somente os 144 mil podem cantar (Ap 14:3).

PARTE II: COMENTÁRIO

O capítulo 7 é inserido como um parêntese entre o sexto (Ap 6:12-17) e o sétimo selos (Ap 8:1). O capítulo 6 termina com os opositores de Deus chamando os montes e os rochedos para escondê-los da face de Deus e da ira do Cordeiro (Ap 6:15, 16). Então, eles concluem com a declaração comovente: “porque é vindo o grande Dia da Sua ira; e quem poderá subsistir?” (Ap 6:17; ARC). Essa pergunta é respondida no capítulo 7 com o surgimento de dois grupos, os 144 mil (Ap 7:4-8) e a grande multidão (Ap 7:9-14). A fim de sobreviver às calamidades que acompanham a segunda vinda de Jesus, é necessário ser selado (Ap 7:1-3). O resultado final é um povo que permanece sem mácula diante do trono de Deus (Ap 14:5), e O serve em Seu templo (Ap 7:15). O propósito de Apocalipse 7 e 14, dentro de seu contexto mais amplo, é identificar como será o povo de Deus antes da segunda vinda de Jesus.

EXPLICAÇÃO DOS PRINCIPAIS TEMAS DA LIÇÃO 6:

I. O significado dos selos e do selamento

No mundo antigo, selar um livro tinha dois propósitos principais. Alguém selava um livro para esconder de vista seu conteúdo (Is 29:11; Ap 10:4) ou para validar o conteúdo como autêntico ou oficial (1Rs 21:8, Et 8:8; Jr 32:44). O propósito básico de selar o livro em Apocalipse 5 parece ser ocultar seu conteúdo. O livro já era validado por estar em posse de Deus. Romper os selos e abrir o livro mostraria seu conteúdo.

Um emprego mais simbólico da palavra selamento tinha a ver com pessoas. Selar alguém podia ser um sinal de propriedade (Ef 1:13; 4:30; 2Tm 2:19; Ap 14:1) ou de proteção (Ez 9:4-6). No judaísmo primitivo, o selamento estava associado à circuncisão. No cristianismo do segundo século, o selamento estava associado ao batismo. Assim, o fato de Deus selar o povo seria um sinal de que eles pertencem a Ele (2Tm 2:19; Ap 9:4) e que o Senhor conhece os que Lhe pertencem. Num sentido espiritual, o selamento confirma que a pessoa está com Deus. Mas o selamento de Apocalipse 7 é diferente. Ali os “servos do nosso Deus” (Ap 7:3, já selados no primeiro sentido) são selados como uma proteção contra as calamidades que acompanham o tempo do fim (Ap 6:15–7:3). Veja o primeiro ponto da seção “Aplicação Para a Vida”.

II. Efésios 4:30 e o conflito cósmico

À luz da discussão exposta acima, alguns podem se surpreender com o fato de que a lição se refere a Efésios 4:30 no contexto desse selamento protetivo no fim dos tempos. O contexto de Efésios 4:30 é uma lista de comportamentos morais que entristecem o Espírito (Ef 4:25–5:2). Mas há um elemento apocalíptico para essa lista de comportamentos. Os crentes não devem “dar lugar ao diabo” (Ef 4:27); em vez disso, devem ser imitadores de Deus (Ef 5:1). Portanto, entristecer o Espírito está no contexto do conflito cósmico entre Deus e Satanás. O crente deve imitar o caráter de Deus (verdade, honestidade, fala amável e encorajadora, bondade, ternura, perdão, amor, sacrifício próprio), em lugar do caráter de Satanás (mentira, ódio, roubo, linguagem abusiva, amargura, dureza de coração, calúnia, ira). Como é o caso do livro do Apocalipse, as pequenas batalhas do trabalho diário de desenvolvimento do caráter estão ligadas ao conflito muito maior no Universo.

III. O número 144 mil é literal ou simbólico?

Deve-se dar preferência à leitura simbólica do número. 1. Em nenhum outro lugar a lista das 12 tribos é apresentada dessa forma; não é uma lista literal. Como prova disso, Judá é listado em primeiro lugar, em vez de Rúben. José (pai de Efraim e Manassés) substitui Efraim. A lista não contém a tribo de Dã, e Levi está incluído (compare Nm 1:5-15; 13:4-15). Eles também não estão listados na ordem de nascimento (Gn 49:3-28).

2. Apocalipse 1:1 nos diz que todo o livro do Apocalipse foi “significado” [notificado, ARA] (em grego: esêmanen, muitas vezes traduzido como “tornado conhecido”) em linguagem simbólica que se refere ao futuro. Assim, no Apocalipse, a melhor maneira de abordar o texto é tratar tudo como símbolo, a menos que seja óbvio que o significado pretendido é literal.

3. Interpretar as tribos como descendentes literais de Jacó contraria o fato de que pelo menos 10 dessas tribos estão essencialmente perdidas para a história. Alguns judeus ainda podem traçar sua linhagem até Judá, Benjamim ou Levi, mas não os demais.

IV. Os 144 mil e a grande multidão são dois grupos diferentes ou duas maneiras de descrever o mesmo povo de Deus no fim dos tempos?

Alguns acreditam que os dois grupos sejam diferentes; outros creem que sejam o mesmo grupo. Nesta lição, veremos dois argumentos que sustentam que os dois grupos são o mesmo.

No Apocalipse, os termos usados para o povo de Deus no tempo do fim são, com frequência, intercambiáveis.

João jamais vê os 144 mil no capítulo 7; ele ouve o número (Ap 7:4), mas, “depois destas coisas”, quando ele olha, vê um grupo que ninguém pode numerar, uma grande multidão (Ap 7:9). Diz-se que esse é um padrão literário no Apocalipse. João ouve uma coisa (Leão), então vê o seu oposto (Cordeiro); mas os dois são maneiras diferentes de descrever uma única realidade (Ap 5:5, 6; veja também Apocalipse 1:10-12; 17:1, 3).

Por outro lado, há muitos que acreditam que os 144 mil e a grande multidão são dois grupos diferentes: o primeiro representando o povo de Deus no tempo do fim e o último representando o povo de Deus ao longo da história. Aqueles que apoiam essa visão geralmente apontam as diferenças entre os grupos. Os 144 mil são um número das 12 tribos de Israel que são vistos na Terra e aparecem antes que os quatro ventos sejam liberados. Em contraste com isso, a grande multidão não pode ser contada, procede de todas as nações, é vista diante do trono e aparece após a grande tribulação. Além disso, Apocalipse 14:1-5 também distingue os 144 mil desse grupo.

V. Romanos 3:19-24 e o significado da expressão “não têm mácula” (Ap 14:5)

Romanos 3 deixa claro que não há nada que o ser humano possa fazer para merecer justificação diante de Deus (Rm 3:20). Todos pecaram e, portanto, estão destituídos da glória divina (Rm 3:23). O tempo presente da expressão “carecem” [destituídos estão], (em grego, husterountai) significa que sempre precisaremos de um Salvador e do perdão que o sacrifício Dele nos propiciou. Nada mudará até que os pecados sejam apagados e recebamos o toque final da imortalidade. Portanto, a expressão “não têm mácula” não significa estar sem a necessidade de perdão, mas que as pessoas mantêm um tipo de lealdade em que elas prefeririam morrer a pecar. Os 144 mil confiam em Jesus para conservar suas vestes limpas (Ap 7:14) e são inflexíveis em sua obediência Àquele que os redimiu (Ap 14:4, 5). Afinal de contas, é Sua justiça.

PARTE III: APLICAÇÃO PARA A VIDA

1. Ao refletir sobre Apocalipse 7:1-3, você crê que estamos vivendo no tempo em que Deus está restringindo as forças do mal ou que elas estão sendo liberadas? Se o Senhor é quem as está restringindo, quem é que está causando todo dano? Quando Deus age em juízo, por que Ele faz isso? Algumas respostas possíveis:

Em muitos aspectos, os tempos turbulentos de hoje fazem parecer que tudo está desmoronando. Por outro lado, em comparação com os horrores do holocausto e da Segunda Guerra Mundial, as vítimas do terrorismo são relativamente menores e a maioria dos lugares parece razoavelmente segura. Então, alguém poderia argumentar que ainda vivemos em um período de restrição.

No livro do Apocalipse, a culpa pelos males do mundo cai claramente sobre Satanás (Ap 9:11; 12:12). Ele, não Deus, é o destruidor.

Quando Deus age em juízo, o propósito geralmente não é destruir, mas disciplinar Seu povo (como em Apocalipse 3:19; Hebreus 12:5-7) ou livrá-lo de danos causados pelas forças do mal (Ap 20:7-10). Satanás é implacável em sua busca pela destruição. Se não fosse pela influência restritiva do Espírito de Deus, as coisas seriam muito piores do que são agora. A execução do juízo final de Deus para destruir o pecado e os pecadores é chamada de “Sua obra estranha” (Is 28:21).

2. Por que há tantas figuras militares na Bíblia? A figura militar também é familiar para as pessoas hoje, dado que as notícias, e os filmes de ação e de suspense mantêm a guerra no centro da consciência de todos. Deus alcança as pessoas onde elas estão, usando uma linguagem familiar para ilustrar verdades espirituais. Uma leitura atenta do Apocalipse nos mostra que as batalhas mais importantes são muitas vezes “uma guerra de palavras e ideias”. A guerra no Céu é entre Cristo e o “acusador dos nossos irmãos” (Ap 12:10, 11). Os que subsistirão à batalha do Armagedom são os que praticam vigilância espiritual (Ap 16:14-16).

3. Qual é o significado de “cântico novo” em Apocalipse 14:3? Por que ninguém pode cantar esse cântico, exceto os 144 mil? Os 144 mil têm uma experiência única, pois passam pelos eventos do tempo do fim que moldam o caráter (Ap 7:1-3, 14:1-5). As tribulações desse tempo desenvolverão neles uma apreciação única por Cristo que não teria acontecido de outra forma. Deus não deseja os problemas do tempo do fim, mas Ele os usa para acentuar a semelhança de Cristo em Seus seguidores. Os crentes do tempo do fim poderão então desempenhar um papel único na eternidade (Ap 7:14, 15; ver tema IV na seção “Comentário”).

Sonhos inquietantes

A vida de Antônio estava completamente desorganizada. Em um curto período de tempo, casou-se com sua primeira namorada, teve um caso e perdeu o emprego como policial da alfândega em São Tomé, capital de São Tomé e Príncipe, localizado na costa oeste africana. Depois de um ano, conseguiu emprego numa cervejaria. Tentou reconciliar-se com a esposa, ela recusou e se divorciaram. Então, o pai de Antônio faleceu, o que o levou a beber muito.

Antônio conheceu outra mulher, Alcina, e tiveram dois meninos e uma menina. “A vida estava complicada”, ele disse. “Eu bebia tanto que não sobrava muito dinheiro para sustentar a família.” E para complicar ainda mais as coisas, Antônio começou a ter sonhos estranhos que não conseguia entender. Em São Tomé, as pessoas prestam muita atenção aos sonhos. Sonhar com enchentes significava que um problema está prestes a surgir. Sonhar com safou, uma fruta local, significa a morte de um membro da família.

Sonhos

Antônio não sonhou com inundações nem frutas. Em vez disso, teve um sonho em que ficou diante de duas escadas e carregava uma mochila nos ombros. Uma das escadas era larga e a outra era estreita. Ele descobriu que podia subir a escada larga com a mochila, mas não conseguia subir a escada estreita.

Então teve outro sonho no qual andava em direção a uma porta quando, de repente, uma mulher o deteve com uma pedra grande. Antônio não conseguiu afastar aquela pedra enorme, mas viu uma abertura estreita por onde poderia se esgueirar. Entrando na abertura, ele se encontrou diante de uma piscina natural dentro da caverna e viu alguém apontando para a água. Depois de cada sonho, acordava perplexo. “Eu não entendia os sonhos, mas parecia que Deus estava revelando algo”, disse.

Certo dia, enquanto trabalhava na casa do proprietário da cervejaria, aceitou o convite de um vizinho para participar de uma reunião evangelística na Igreja Adventista do Sétimo Dia local. Naquela noite, Antônio ficou impressionado quando o pastor leu Mateus 7:13, 14: “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Estreita é a porta e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram.”

Realidade

Antônio voltou na noite seguinte para ouvir um pouco mais a mensagem de Deus. “Ao continuar participando das reuniões, percebi que precisava remover tudo, a fim de poder passar pela abertura estreita da pedra. Eu precisava remover tudo na minha vida para subir pela escada estreita”, disse ele. Assim, entendeu que a mochila representava os fardos que pesavam na vida e a piscina simbolizava o batismo. “Para ser batizado, precisava remover tudo em minha vida que me escravizada”, disse ele. Antônio e sua esposa foram batizados e casaram oficialmente.

Hoje, Antônio tem 45 anos e trabalha como caixa em uma pequena marcenaria. Ele também é diácono na igreja onde participou das reuniões evangelísticas. A vida não é mais complicada. “Estou feliz e agradeço a Deus por tudo o que Ele nos deu!”, diz ele.

Parte da oferta da Escola Sabatina ajudará na construção de um centro de reabilitação para viciados em drogas e álcool – um centro de influência – em São Tomé, para ajudar pessoas como Antônio a deixar de beber. Agradecemos por sua oferta missionária. 

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 1º Trimestre de 2019

Tema Geral: O livro do Apocalipse

Lição 6: 2 a 9 de fevereiro

“O povo de Deus selado”

Autor: Érico Tadeu Xavier

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

A obra de selamento dos crentes no tempo do tempo é relatada depois da descrição da segunda vinda de Jesus (Ap 6:12-17). Mas o selo de Deus não é dado depois do segundo advento de Cristo. A razão para essa sequência nessa parte do Apocalipse é simplesmente que o capítulo 6:17 faz uma pergunta importante: "Quem poderá subsistir?" A resposta a essa pergunta é que aqueles que forem selados antes do segundo advento poderão subsistir ou ficar de pé quando Jesus vier. Apocalipse 7:1-8 responde a pergunta de Apocalipse 6:17.

1. Os 144 mil selados – Ap 7:1-8 e Ap 14:1-5

O selo – O selo de Deus é o nome de Cristo "e o nome de Seu Pai" escritos na fronte (Ap 14:1). No Antigo Testamento a palavra hebraica shem ('nome') às vezes é usada com o significado de caráter (ver Jeremias 14:7 e 21), e quase pode ser sinônimo da própria pessoa (ver Sl 18:49). "O selo do Deus vivo só será colocado sobre os que possuem semelhança de caráter com Cristo” (Comentários de Ellen White no Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 7, p. 1083). O selo não é algum "sinal que possa ser visto, mas a consolidação na verdade, tanto intelectual como espiritual, de modo que não possa ser abalado" (Comentários de Ellen White no Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 4, p. 1280). O sábado é o sinal externo do selo de Deus. (Ver O Grande Conflito, p. 605, e Lição da Escola Sabatina do segundo trimestre de 2018: Preparação para o tempo do fim).

Santos vivos – “Estes, tendo sido trasladados da Terra, dentre os vivos, são tidos como 'as primícias para Deus e para o Cordeiro' (Ap 14:1-5; Ap 15:3. 'Estes são os que vieram de grande tribulação' (Ap 7:14); passaram pelo tempo de angústia tal como nunca houve desde que houve nação; suportaram a aflição do tempo da angústia de Jacó; permaneceram sem intercessor durante o derramamento final dos juízos de Deus. Mas foram livres, pois 'lavaram os seus vestidos, e os branquearam no sangue do Cordeiro'" (O Grande Conflito, p. 649).

Não se macularam com mulheres – Os 144 mil resistiram às investidas de "Jezabel" e suas filhas (Ap 2:20-23). Ou seja, eles não se deixaram atrair pela grande meretriz – Babilônia e suas filhas (Ap 17:1-6). São espiritualmente "sem mancha" porque rejeitaram a contrafação de Satanás.

O número 144.000 – As Escrituras ensinam que os 144 mil provêm das doze tribos de Israel. O número 144 mil representa inteireza e perfeição, e constitui o resultado da multiplicação de 12 por 12 e então por 1000. Seria um erro deduzir que João estivesse pensando em termos literais. A menção dos 144 mil está contida numa profecia muito simbólica. Apocalipse 7 usa tais símbolos como "quatro anjos", "quatro cantos", "quatro ventos", "Oriente", "o selo" na fronte dos que constituem o povo de Deus. Interpretar literalmente esses símbolos seria omitir o ponto principal da passagem. O simbolismo tem um importante significado para os cristãos dos últimos dias.

2. A grande multidão – Ap 7:9-17

O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia (v. 7, p. 868) apresenta três possíveis pontos de vista sobre a grande multidão: o primeiro argumenta que os 144 mil e a “grande multidão” (Ap 7:9) descrevem o mesmo grupo. O segundo ponto de vista enfatiza as diferenças entre os 144 mil e a “grande multidão”. A terceira perspectiva identifica a “grande multidão” com todo o grupo de remidos, que inclui os 144 mil.

Existe muita especulação sobre a identidade dos 144 mil e a grande multidão de Apocalipse 7. Embora os adventistas tenham geralmente separado os 144 mil da grande multidão, há argumentos a favor da crença de que eles sejam um mesmo grupo. Entre eles, 1. O fato de que o capítulo 7 do Apocalipse é uma resposta à pergunta de Apocalipse 6:17: “Chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?” O capítulo 7 responde a essa pergunta mostrando o grupo que poderá suster-se no tempo do fim e no momento da volta de Jesus. 2. Há um padrão no Apocalipse em que o profeta ouve uma parte da revelação e depois vê uma cena relacionada ao que ele havia ouvido. “Essa construção esquemática é paralela à de Apocalipse 1:12 e 13, na qual João ouve uma voz lhe dizendo para escrever o que ele está vendo e, em seguida, vê a Cristo. A visão esclarece o conteúdo audível. Em Apocalipse 5, Cristo é anunciado como um leão (v. 5), antes de ser visto como um cordeiro (v. 6). Em 9:16 e 17, João ouve o número de cavaleiros e então vê os cavalos. A mesma sequência de ouvir antes de ver também está presente em 6:2, 5 e 8. A sequência contrária é encontrada em Apocalipse 21, quando João vê a Nova Jerusalém (v. 2) e depois ouve uma explicação (v. 3). Independentemente da ordem, a mesma entidade se faz presente em todos os casos” (Richard P. Lehmann, em A Teologia do Remanescente, Casa Publicadora Brasileira, capítulo 5; Ver Estudos sobre Apocalipse, Unaspress, p. 282).

É importante enfatizar que não temos uma posição oficial sobre a interpretação de cada ponto das profecias do Apocalipse. Por isso, temos diferenças de opinião em alguns desses pontos. Mas isso não deve impedir que respeitemos as pessoas que adotam visões diferentes das nossas em pontos específicos que não estejam claramente definidos pela Revelação e pelas doutrinas da Igreja. Ao contrário, devemos nos manter unidos na diversidade, tendo em comum os principais pontos de fé, que nos levam a viver unidos ao Cordeiro de Deus. O objetivo mais importante da nossa caminhada cristã é seguirmos o Cordeiro de maneira unida, para que um dia estejamos diante Dele, salvos para a eternidade. E, embora devamos nos esforçar ao máximo para entender a Revelação, somente na eternidade poderemos esclarecer todos os pormenores dos mistérios proféticos. Isso deve nos tornar humildes para aceitar a limitação do nosso conhecimento e determinados a seguir toda a luz que Deus já nos ofereceu.

Uma visão panorâmica da grande multidão de Apocalipse 7:9 a 17

1ª. Eles vêm da grande tribulação;Em Apocalipse 7:13 e 14, o ancião diz três coisas a respeito dos fiéis:

2ª. Lavaram suas vestes sujas no sangue do Cordeiro;

3ª. Alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro.

Essa é uma cena de triunfo sobre o pecado, por meio do poder do Senhor Jesus Cristo.

"Em todos os tempos, os escolhidos do Salvador foram educados e disciplinados na escola da provação. Seguiram na Terra por veredas estreitas; foram purificados na fornalha da aflição. Por amor de Jesus suportaram a oposição, o ódio, a calúnia. Acompanharam-No através de dolorosos conflitos; suportaram a negação própria – e experimentaram amargas decepções. Pela sua própria experiência dolorosa compreenderam a malignidade do pecado, seu poder, sua culpa, suas desgraças; e para ele olham com aversão. Uma intuição do sacrifício infinito feito para reabilitá-los, humilha-os à sua própria vista, enchendo-lhes o coração de gratidão e louvor, que os que nunca decaíram não poderão apreciar” (O Grande Conflito, p. 649, 650).

Ilustração: Certa noite, Martinho Lutero sonhou que viu o diabo em pé à sua frente, tendo na mão um rolo de pergaminho, que chegava até o chão, embora só estivesse desenrolado parcialmente. No pergaminho Lutero viu a longa e aparentemente interminável lista de seus pecados. Ele notou, porém, que o diabo encobria uma parte do rolo com a mão. Lutero mandou que o diabo retirasse a mão, mas inutilmente. Então ele repetiu a ordem no nome de Cristo. O diabo tirou a mão, e Lutero leu as palavras: “O sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1Jo 1:7).

Não é de admirar que Lutero tenha escrito: “Portanto, o Cristo que é aceito pela fé e que vive no coração é a verdadeira justiça do cristão, em razão da qual Deus nos considera justos e nos concede a vida eterna” (Luther’s Works; St. Louis, Missouri: Concordia, 1963, v. 26, p. 130).

ConclusãoA visão dos 144 mil e da grande multidão descreve a vitória dos que suportaram as tribulações por amor a Cristo. "Não mais são fracos, aflitos, dispersos e opressos. Doravante devem estar sempre com o Senhor. Acham-se diante do trono com vestes mais ricas do que já usaram os mais honrados da Terra" (O Grande Conflito, p. 650).

Conheça o autor do comentário: Érico Tadeu Xavier possui graduação em Teologia Pastoral (1991) e mestrado (2000) pelo Seminario Adventista Latino-Americano de Teologia; Doutorado (PhD) pelo South African Theological Seminary (2011). Pós-doutorado (2014) na área de teologia sistemática pela FAJE – Faculdade de Filosofia e Teologia Jesuíta, de Belo Horizonte. Foi professor de teologia na Bolívia e na Bahia, na FADBA. Atualmente é professor de teologia sistemática no SALT – IAP. Autor de 11 livros, é casado com a psicopedagoga e mestre em educação, Noemi, com que tem dois filhos, Aline e Joezer, que são casados e vivem no Paraná