A missão de Jesus na Terra estava concluída. Em breve Deus enviaria o Espírito Santo que, ao confirmar os esforços dos discípulos com muitos sinais e maravilhas, iria capacitá-los e guiá-los em uma missão que alcançaria os confins da Terra. Jesus não poderia permanecer com eles para sempre em corpo humano. Não somente Sua encarnação Lhe impunha uma limitação física no contexto de uma missão mundial, mas também Sua ascensão e exaltação no Céu seriam necessárias para que o Espírito viesse.
Até a ressurreição de Jesus, no entanto, os discípulos não entendiam claramente nenhuma dessas coisas. Quando deixaram tudo para segui-Lo, eles acreditavam que Ele era um libertador político que um dia expulsaria os romanos do país, restabeleceria a dinastia de Davi e restauraria Israel à sua glória passada. Para eles, era difícil pensar de maneira diferente.
Esse é o assunto principal das instruções finais de Jesus aos discípulos em Atos 1. A promessa do Espírito ocorre nesse contexto. O capítulo também descreve o retorno de Cristo ao Céu e como a igreja primitiva se preparou para o Pentecostes.
Existem dois tipos de profecias messiânicas no Antigo Testamento: o primeiro prevê um Messias soberano que governaria para sempre (Sl 89:3, 4, 35-37; Is 9:6, 7; Ez 37:25; Dn 2:44; 7:13, 14); o outro prediz que o Messias morreria pelos pecados do povo (Is 52:13–53:12; Dn 9:26). Essas profecias não se contradizem. Elas apenas apontam para duas fases consecutivas do ministério do Messias: primeiramente Ele sofreria, e depois Se tornaria Rei (Lc 17:24, 25; 24:25, 26).
A expectativa judaica no 1o século acerca do Messias, no entanto, era unilateral. A esperança de um Messias soberano, que traria libertação política, acabou obscurecendo a noção de um Messias que sofreria e morreria.
A princípio, os discípulos compartilhavam dessa esperança de um Messias soberano. Eles acreditavam que Jesus era o Messias (Mt 16:16, 20) e, às vezes, eram surpreendidos disputando entre si sobre quem se assentaria à Sua esquerda e à Sua direita quando Ele subisse ao trono (Mc 10:35-37; Lc 9:46). Apesar das advertências de Jesus sobre o destino que O aguardava, eles simplesmente não conseguiam entender o que Ele queria dizer. Então, quando Ele morreu, ficaram confusos e desanimados, e declararam: “Esperávamos que fosse Ele quem havia de redimir a Israel” (Lc 24:21).
1. De acordo com Atos 1:6 e 7, o que os discípulos ainda não compreendiam? Como Jesus lhes respondeu? Assinale a alternativa correta:
A.( ) Cristo primeiramente viria para morrer/Não lhes competia saber os tempos e épocas.
B.( ) Cristo estabeleceria o reino de Israel em Sua primeira vinda/Jesus lhes deu a data em que isso ocorreria.
Se a morte de Jesus representou um golpe fatal à esperança dos discípulos, Sua ressurreição a reacendeu, aumentando suas expectativas políticas, possivelmente a um nível sem precedentes. Parecia natural conceber a ressurreição como um forte indicador de que o reino messiânico seria finalmente estabelecido.
Contudo, Jesus não deu nenhuma resposta direta aos discípulos. Ele não rejeitou a premissa por detrás da pergunta deles a respeito de um reino iminente, mas também não a aceitou. Ele não solucionou a questão, lembrando-lhes de que o tempo das ações de Deus pertence ao próprio Deus e, portanto, é inacessível ao ser humano.
2. Leia Atos 1:8. Em lugar de se envolver com especulações proféticas, o que os discípulos deveriam fazer?
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Existem quatro elementos importantes nessa passagem a respeito da missão dos discípulos:
1. O dom do Espírito. O Espírito Santo sempre estivera ativo entre o povo de Deus. De acordo com os profetas, no entanto, haveria um derramamento especial do Espírito no futuro (Is 44:3; Jl 2:28, 29). Quando o próprio Jesus foi ungido, o Espírito Santo já estava atuando durante o período de Seu ministério (Lc 4:18-21), mas a era do Espírito não seria oficialmente inaugurada senão após a exaltação de Cristo no Céu (Jo 7:39; At 2:33).
2. A função do testemunho. Um testemunho é um relato em primeira mão. Os discípulos estavam plenamente qualificados a dar esse testemunho (At 1:21, 22; 4:20; compare com 1Jo 1:1-3) e foram incumbidos de compartilhar com o mundo sua experiência singular com Cristo.
3. O plano da missão. Os discípulos deveriam testemunhar primeiramente “em Jerusalém”, depois “em toda a Judeia e Samaria e”, por fim, “até aos confins da Terra”. Era um plano progressivo. Jerusalém era o centro da vida religiosa judaica, o lugar em que Jesus havia sido condenado e crucificado. Judeia e Samaria eram regiões vizinhas onde Jesus também tinha ministrado. Os discípulos, no entanto, não deviam se limitar apenas a essas localidades. O escopo de sua missão era mundial.
4. A orientação da missão. Nos tempos do Antigo Testamento, as nações deveriam ser atraídas a Deus (veja Is 2:1-5) – não era Israel que deveria “levar” Deus às nações. As poucas exceções (por exemplo, Jonas) não invalidam a regra geral. Agora, a estratégia era diferente. Jerusalém ainda era o centro, mas em vez de ficar e criar raízes ali, os discípulos deveriam sair para os confins da Terra.
3. Leia Lucas 24:44-48. Qual era a mensagem central que os discípulos deveriam pregar?
Nos quarenta dias em que passou com os discípulos após a ressurreição (At 1:3), Jesus deve ter lhes explicado muitas verdades sobre o reino de Deus, embora houvesse muitas coisas que ainda não compreendessem, conforme revela a pergunta deles em Atos 1:6. Eles estavam familiarizados com as profecias, mas agora finalmente podiam vê-las sob uma nova luz, a luz que emanava da cruz e do túmulo vazio (veja At 3:17-19).
4. Leia Atos 1:9-11. Como Lucas descreve a ascensão de Jesus? Nessa ocasião, dois anjos falaram com os discípulos. O que isso significa? (Veja Dt 19:15.)
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O relato de Lucas sobre a ascensão de Cristo é muito breve. Jesus estava com os discípulos no Monte das Oliveiras e, enquanto ainda os abençoava (Lc 24:51), foi levado para o Céu. É claro que a linguagem é fenomenológica; isto é, a cena foi retratada como pareceu aos olhos humanos, não como realmente foi. Jesus estava partindo desta Terra, e não havia outra maneira de fazê-lo de forma visível senão indo para cima.
A ascensão de Jesus foi um ato sobrenatural de Deus, um dos muitos ao longo da Bíblia. Isso fica implícito pela maneira como Lucas a descreveu, com a voz passiva ep?rth? (“Ele foi elevado às alturas”; At 1:9). Embora seja utilizada apenas nesse verso do Novo Testamento, essa forma verbal é encontrada diversas vezes na versão grega do Antigo Testamento (a Septuaginta), todas elas descrevendo ações de Deus, o que sugere que Deus mesmo elevou Jesus até o Céu, assim como Ele O ressuscitara dos mortos (At 2:24, 32; Rm 6:4; 10:9).
Lucas relata, apenas no livro de Atos, o episódio das duas figuras vestidas de branco que estavam ao lado dos discípulos, após Cristo ter sido encoberto por uma nuvem. A descrição coincide com a de anjos em suas vestes brilhantes (At 10:30; Jo 20:12). Eles vieram assegurar aos discípulos que Jesus voltaria da mesma maneira pela qual havia subido. Além disso, apenas o livro de Atos nos informa que Cristo subiu “à vista deles” (At 1:9).
Portanto, a ascensão visível se tornou a garantia do retorno visível, que também ocorrerá em uma nuvem, embora com “poder e grande glória” (Lc 21:27). Não será mais um evento reservado, pois “todo olho O verá” (Ap 1:7), e Ele não estará sozinho (Lc 9:26; 2Ts 1:7). A glória da segunda vinda de Jesus excederá em muito a da ascensão.
Em Sua resposta em Atos 1:7, 8, Jesus nada prometeu em relação ao tempo de Sua segunda vinda. No entanto, a implicação natural de Suas palavras era que logo depois que o Espírito viesse e os discípulos completassem sua missão, Ele retornaria (veja Mt 24:14). O comentário dos anjos (At 1:11) também não respondeu à pergunta sobre o momento da vinda do reino, mas podia ser entendido como se esse acontecimento não fosse demorar. Isso parece explicar por que os discípulos “voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo” (Lc 24:52). A promessa da segunda vinda de Jesus em um tempo não especificado (o que deveria dar-lhes incentivo adicional para a sua missão) foi entendida como se o fim estivesse próximo. Novos acontecimentos em Atos evidenciarão esse ponto.
5. Leia Atos 1:12-14. Quem mais estava no cenáculo, e como eles se prepararam para a vinda do Espírito? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
A. ( ) Moisés, Enoque e Abraão. Eles estavam conversando.
B. ( ) Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago. Eles perseveravam em oração.
Tendo retornado do Monte das Oliveiras, os discípulos se reuniram num quarto de hóspedes do pavimento superior (em latim, cenaculum) de uma casa particular em Jerusalém. Algumas seguidoras de Jesus (Lc 8:1-3; 23:49; 24:1-12), bem como Sua mãe e Seus irmãos, estavam ali com os discípulos.
Os irmãos de Jesus (Mc 6:3) eram filhos mais novos de José e Maria (Mt 1:25; Lc 2:7) ou, mais provavelmente, filhos do primeiro casamento de José (nesse caso, ele era viúvo quando tomou Maria como esposa). A presença deles entre os discípulos é uma surpresa, visto que sempre haviam sido bastante céticos em relação a Jesus (Mc 3:21; Jo 7:5). No entanto, a ressurreição de Cristo e Sua aparição especial a Tiago (1Co 15:7) parece ter feito toda a diferença. Mais tarde, Tiago aparentemente até substituiria Pedro na liderança da comunidade cristã (At 12:17; 15:13; 21:18; Gl 2:9, 12).
Constantemente em oração (At 1:14) e louvando a Deus no templo (Lc 24:53), todos eles certamente estavam envolvidos na confissão, arrependimento e abandono do pecado. Mesmo que, em sua mente, a vinda do Espírito seria imediatamente seguida do retorno de Jesus, sua atitude espiritual estava em plena harmonia com o que estava para acontecer, pois o Espírito Santo vem em resposta à oração.
A primeira ação administrativa da comunidade cristã primitiva, que somava cerca de 120 fiéis (At 1:15), foi escolher o sucessor de Judas.
6. Leia Atos 1:21, 22. Quais requisitos o sucessor de Judas deveria ter? Por que isso era tão importante?
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Havia a necessidade de uma testemunha da ressurreição de Jesus (compare com At 4:33). Isso é essencial porque, com frequência, a ressurreição é vista como uma evidência poderosa da messianidade de Cristo e da verdade de toda a fé cristã.
Eles deveriam, no entanto, escolher alguém dentre os que haviam acompanhado os apóstolos em todo o ministério de Jesus. Paulo posteriormente insistiria que, apesar de não ter estado com o Jesus terrestre, ele tinha direito ao ofício apostólico porque seu encontro com Cristo na estrada de Damasco o qualificava a testemunhar de Sua ressurreição (1Co 9:1). Embora admitisse ser como “um nascido fora de tempo” (1Co 15:8), Paulo se recusava a considerar-se menos qualificado do que os outros apóstolos (1Co 9:2; Gl 2:6-9). Somente os doze e Paulo, portanto, eram “apóstolos” no sentido técnico e autoritativo (At 1:25, 26); no sentido básico e geral de “enviado” ou “mensageiro”, porém, o termo também poderia ser usado para designar outros obreiros evangélicos (At 14:4, 14; Gl 1:19).
7. Leia Atos 1:23-26. Como Matias foi escolhido?
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O método que eles usaram para escolher Matias pode parecer estranho, mas o lançamento de sortes era uma maneira de tomar decisões já há muito tempo estabelecida (por exemplo, Lv 16:5-10; Nm 26:55). Além disso, a escolha era entre dois candidatos previamente reconhecidos e de qualificações equivalentes, e não um passo rumo ao desconhecido. Os fiéis também oraram a Deus, acreditando que o resultado refletiria a Sua vontade (compare com Pv 16:33). E não há evidência de que a decisão tenha jamais sido contestada. Após o Pentecostes, o lançamento de sortes tornou-se desnecessário em razão da orientação direta do Espírito (At 5:3; 11:15-18; 13:2; 16:6-9).
“Todo o período entre o Pentecostes e a Parousia [segunda vinda de Cristo] (seja longo ou curto) deve ser preenchido com a missão mundial da igreja no poder do Espírito. Os seguidores de Jesus deviam anunciar o que Ele realizou em Sua primeira vinda e chamar o povo para arrepender-se e crer, preparando-se para a Sua segunda vinda. Eles deviam ser Suas testemunhas ‘até aos confins da Terra’ (At 1:8) e ‘até à consumação do século’ (Mt 28:20) […]. Não temos a liberdade de parar até que ambos os fins sejam alcançados” (John R. W. Stott, A Mensagem de Atos: Até aos Confins da Terra, São Paulo: ABU, 1994, p. 43).
“A comissão do Salvador aos discípulos incluía todos os que creem. Abrange todos os que confiam em Cristo até o fim dos tempos. É um grave erro supor que a obra de salvar pessoas depende apenas do pastor ordenado. Todos aqueles que receberam a inspiração celestial são depositários do evangelho. Todos os que recebem a vida de Cristo são mandados a trabalhar pela salvação de seus semelhantes. Para essa obra foi estabelecida a igreja, e todos os que tomam sobre si seus sagrados votos comprometem-se, assim, a ser colaboradores de Cristo” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 822).
Perguntas para discussão
1. Atos 1:7 relembra Marcos 13:32: “Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no Céu, nem o Filho, senão o Pai.” Ellen G. White afirmou: “Nunca mais haverá para o povo de Deus uma mensagem baseada em tempo. Não devemos saber o tempo definido nem para o derramamento do Espírito Santo nem para a vinda de Cristo” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 188). Ela acrescentou: “Qualquer que comece a anunciar a hora, dia ou ano da aparição de Cristo assume um jugo e proclama uma mensagem que o Senhor nunca lhe deu” (Advent Review and Sabbath Herald, 12 de setembro de 1893). Qual é a relevância dessas declarações hoje?
2. Alguém disse: “Deus precisa de testemunhas mais do que de advogados”. O que você acha dessa afirmação?
3. Qual foi o papel da oração na igreja primitiva? Seria coincidência o fato de que, em quase todos os momentos decisivos da vida da igreja primitiva, encontramos uma referência à oração (At 1:24; 8:14-17; 9:11, 12; 10:4, 9, 30; 13:2, 3)? Qual é o papel da oração em nossa vida?
Respostas e atividades da semana: 1. A. 2. Testemunhar em Jerusalém, na Judeia, em Samaria e nos confins da Terra. 3. O arrependimento para a remissão dos pecados. 4. Peça que um dos alunos leia o texto bíblico. Discuta a pergunta com a classe. 5. F; V. 6. Ele deveria ter andado com os discípulos desde o começo e testemunhado a ressurreição de Jesus. 7. Peça que um aluno leia o texto e apresente a resposta. Compartilhe a experiência de seu “chamado”
TEXTOS-CHAVE: Atos 1:1-8; Lucas 24:50-53
O ALUNO DEVERÁ
Conhecer: A continuidade da missão redentiva de Jesus.
Sentir: Perceber como a missão de pregar sobre a salvação teve início na igreja e como ela obteve seu poder e ímpeto.
Fazer: Examinar em que medida nós, como seguidores de Cristo, estamos comprometidos com a proclamação do evangelho.
ESBOÇO
I. Conhecer: A continuidade da missão redentora de Deus
Como sabemos que as boas-novas da salvação são uma história contínua da missão redentiva de Deus em favor dos pecadores?
II. Sentir: O poder da igreja primitiva
A. O que significa dizer que a propagação do evangelho não dependeu de inteligência nem de planejamento humanos, mas do poder do Espírito Santo?
B. A expansão histórica da igreja não foi apenas o resultado da obra humana, mas do poder do Espírito Santo. Podemos dizer que, neste trimestre, estamos estudando mais os “Atos do Espírito Santo” do que os “Atos dos Apóstolos”. Como o livro de Atos confirma essa avaliação?
III. Fazer: Nossa participação no crescimento da igreja
Visto que os Atos dos Apóstolos são uma crônica inacabada do crescimento da igreja que requer nossa participação, quanto estamos comprometidos com esse objetivo?
RESUMO
A ordem do Jesus ressuscitado a Seus seguidores é que eles deem testemunho de Sua mensagem salvífica. Ele também nos capacita a cumprir essa ordem. “Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo” (At 1:8). Como você recebeu essa ordem? Você tem sido dominado por esse poder?
Ciclo do aprendizado
1 Motivação
Focalizando as Escrituras: Lucas 24:50-52; Atos 1:6-8
Conceito-chave para o crescimento espiritual: O livro de Atos constantemente nos lembra de que o crescimento espiritual não ocorre de maneira isolada. Tudo que é realizado em nossa vida individual ou na vida coletiva da igreja é resultado do ministério de Jesus, e é realizado pelo poder do Espírito Santo. Talvez nenhum outro livro da Bíblia seja tão claro e, em um espaço tão breve, narre o nascimento, o crescimento, a missão e a continuação da vida cristã, como o livro de Atos. O resumo inicial dos cinco pontos de Lucas em Atos é notável: (1) esteja convicto da missão de Jesus [At 1:1-3]; (2) fique alerta e aguarde o recebimento do Espírito Santo [At 1:4-5]; (3) preocupe-se mais com o que e não com o quando do reino [At 1:4-7]; (4) esteja pronto para receber o Espírito [At 1:8]; (5) seja uma testemunha em todos os lugares, desde a sua casa até o mundo [At 1:8].
Para o professor: Sem o livro de Atos dos Apóstolos, nosso conhecimento e compreensão dos primórdios da igreja cristã seriam muito pobres. Embora o título do livro contenha a palavra “Apóstolos” no plural, apenas dois apóstolos desempenham um papel importante no livro. Pedro (At 1-15) percorre a história da igreja desde o Pentecostes até o Concílio de Jerusalém, testemunhando eventos muito importantes como o Pentecostes, a conversão dos gentios, o Concílio de Jerusalém, e assim por diante. Paulo (At 13-28) é o personagem principal do livro de Atos, desenhando o mapa missionário da igreja, de Jerusalém a Roma. Ao mencionar João e Tiago algumas vezes, juntamente com outros representantes da igreja (Estêvão, Filipe, Cornélio, Barnabé, João Marcos, Priscila e Áquila, Dorcas, Lucas, etc.), o livro de Atos apresenta uma dupla certeza: (1) todo aquele que leva o nome de Cristo tem uma função na missão cristã; e (2) o evangelho do reino será pregado “com toda a intrepidez” (At 28:31) a todo o mundo.
Discussão inicial: Em Atos 28:24, Lucas fez uma declaração notável: Alguns “ficaram persuadidos [...] outros, porém, continuaram incrédulos”. Essas poucas palavras proclamam ao Universo que Jesus é o Juiz supremo da humanidade. Aceite-O e você terá a vida eterna. Rejeite-O e será condenado. Mediante essa conclusão, Lucas encerrou sua narrativa sobre a igreja com um desafio àqueles que aceitam Jesus: preguem o reino de Deus e ensinem sobre Jesus com confiança. Por que podemos afirmar que, como cristãos, essa é nossa maior responsabilidade?
2 Compreensão
Para o professor: De acordo com Atos 1:1, antes que o livro fosse escrito, seu autor havia escrito um “primeiro livro”. Ambos os relatos – o terceiro evangelho e o livro de Atos (Lc 1:3; At 1:1) – foram dirigidos a Teófilo, um nobre grego que tinha muitos recursos e cultura. Teófilo era amigo de Lucas e possivelmente um recém-convertido à fé cristã. Visto que tanto o livro de Atos quanto o terceiro evangelho foram dirigidos a Teófilo, a igreja primitiva considerou que ambos os relatos haviam sido escritos por um único autor, Lucas. Juntos, os dois relatos de Lucas podem ser chamados de “ origem e história da igreja cristã”. O primeiro trata da vida e dos ensinamentos de Jesus Cristo. O segundo trata da propagação do evangelho de Jerusalém a Roma.
Comentário bíblico
Quando Jesus ensinou Seus discípulos a orar “venha o Teu reino” (Mt 6:10), Ele semeou uma expectativa urgente no coração não apenas dos doze, mas das gerações de Seus seguidores.
O reino é o tema que motiva Sua mensagem. Estar com Deus; viver em comunhão com os santos de todas as épocas; retirar-se para sempre do reino do mal e entrar no reino da justiça é o desejo de todo seguidor de Jesus. Assim, envolvidos pela glória do poder da ressurreição, novamente preenchidos pelo imensurável poder do Salvador ressurreto, os discípulos perguntaram algo que estava perturbando seu coração: “Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel? (At 1:6, NVI). A Palavra de Deus responde à pergunta com uma certeza e uma missão.
I. A pergunta dos discípulos
Tendo Satanás sido derrotado na cruz e a morte sido vencida na manhã da ressurreição, os discípulos tinham uma pergunta para a qual ainda aguardavam uma resposta: quando o reino seria estabelecido? O reino de Deus é o tema central dos ensinamentos de Cristo. A palavra “reino” e suas palavras associadas – “reino de Deus” e “reino dos Céus” – ocorrem repetidas vezes nos evangelhos: 50 vezes em Mateus, 13 em Marcos, 37 em Lucas e 5 em João. Sempre que ocorre uma referência ao reino, há um senso de novidade, urgência e expectativa. Novidade porque a entrada de Jesus na história introduziu um elemento novo e dinâmico: Deus entrou no espaço e no tempo humanos e realizou uma mudança singular na ordem criada. Urgência porque, com Jesus, o tempo assume uma nova qualidade. De Belém em diante, o tempo deve ser medido do ponto de vista de um novo evento. Tanto a história humana quanto a história pessoal devem ser datadas em termos de um relacionamento – a.C. ou d.C. A esperança humana é segura e certa apenas dentro da dinâmica do reino de Deus. Daí a expectativa: quando o reino virá?
Pense nisto: “Este reino não é, como esperavam os ouvintes de Cristo, um domínio temporal e terrestre. Cristo estava a abrir aos homens o reino espiritual de Seu amor, Sua graça, Sua justiça” (Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, p. 8). O que deve caracterizar aquele que vive no espírito do reino de Deus?
II. A certeza e a missão de Cristo
(Recapitule com a classe Jo 14:2, 3 e At 1:11.)
À pergunta inquieta dos discípulos sobre quando o reino viria, Jesus lhes deu uma certeza e uma missão:
Certeza: O Cristo ressuscitado não deixou dúvidas sobre a realidade do reino. Ele disse: “Vou preparar-vos lugar. E, quando Eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para Mim mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também” (Jo 14:2, 3). Para lembrar e reforçar essa certeza, após a ascensão de Jesus, Deus enviou Seus anjos com palavras de garantia aos discípulos: “Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado ao céu, voltará da mesma forma como O viram subir” (At 1:11, NVI).
Missão: A certeza de que Cristo virá uma segunda vez para estabelecer Seu reino envolve uma missão – a mensagem de Seu reino e o meio para entrar nesse reino devem ser proclamados até os confins da Terra. Embora não saibamos o dia nem a hora da vinda do reino, temos a missão de proclamá-lo (At 1:8).
Pense nisto: “A comissão do evangelho é a Carta Magna missionária do reino de Cristo. Os discípulos deviam trabalhar fervorosamente pelas pessoas, estendendo a todas o convite de misericórdia. Não deviam esperar que o povo viesse a eles; deviam eles ir ao povo com a mensagem” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 28). Quanto e de que maneira você está envolvido nessa missão?
3 Aplicação
Para o professor: No estudo de Atos 1, observamos até agora três verdades sobre o reino: (1) Os discípulos de Cristo desejavam o estabelecimento de Seu reino. (2) O Jesus ressuscitado afirmou que o reino não admite demora nem incerteza. (3) A proclamação do reino e sua mensagem salvífica envolve todo o mundo. Em Atos 1, há um aspecto que ainda precisava ser esclarecido na missão global do reino: o preenchimento das posições de liderança.
Discussão: Como preenchemos uma vaga que surge na liderança da igreja? Atos 1:15-26 estabelece duas qualificações principais. (1) Ter uma experiência pessoal com Jesus: um potencial líder devia ter vivido com Jesus “começando no batismo [...], até ao dia em que dentre [eles havia sido] levado às alturas” (At 1:22). Educação, teologia, cultura, administração e persuasão são qualificações que a igreja pode usar, mas nenhuma delas substitui o conhecimento pessoal de Jesus. (2) Ser uma “testemunha [...] da Sua ressurreição” (At 1:22): a ressurreição não pode ser isolada da cruz. A cruz vindica o plano redentivo de Deus para o pecado, e a ressurreição oferece a esperança da novidade. Não se pode ser um cristão, que dirá um líder cristão, sem experimentar o poder da cruz e do túmulo vazio. Experimentar o poder da ressurreição é indispensável para a proclamação do evangelho (1Co 15:8).
4 Criatividade
Para o professor: “Deus toma os homens tais quais são, e os educa para Seu serviço, uma vez que se entreguem a Ele [...]. O caráter fraco e vacilante muda-se em outro forte e firme. A devoção contínua estabelece uma relação tão íntima entre Jesus e Seu discípulo, que o cristão se torna como Ele em espírito e caráter” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 251).
1. Tendo em mente a citação acima, peça a voluntários em sua classe que contem a história de líderes da igreja, seja ao longo da história ou no ministério atual, que sejam exemplos de como Deus transforma pessoas comuns em líderes.
2. Quais personagens bíblicos refletem o princípio de que Deus atua na escolha de Suas testemunhas? Tenha sempre em mente que, à parte do poder transformador de Cristo na vida, os indivíduos escolhidos não estão suficientemente aptos.
Dominada por espíritos
Quando Si-Woo [pronuncia-se: She-oo] era criança, sofria de enxaquecas crônicas em Daegu, uma grande cidade da Coreia do Sul. Mesmo depois de ter crescido, ter-se formado na faculdade, ter-se casado e se tornado mãe de uma menina, a vida era uma constante luta devido às enxaquecas. Para agravar a situação, os médicos não conseguiam descobrir a causa. Ela visitou templos budistas, para se consultar com monges e encontrar alívio, mas eles sempre a enviavam de volta para casa, sem solução.
Até que, certo dia, Si-Woo visitou um xamã, uma pessoa que acreditava comunicar-se com espíritos bons e maus. Ele disse a Si-Woo que uma criança fantasma havia entrado na sala antes dela, que o tal espírito era irmão dela e a causa da enxaqueca era que esse irmão havia falecido por causa de doenças da cabeça.
De fato, Si-Woo tinha um irmão falecido, mas sabia pouca coisa sobre ele, porque ele nascera antes dela. Ao voltar para casa, a mãe confirmou a história do irmão. Então, Si-Woo retornou ao xamã, em busca de mais conselhos. O xamã disse que ela devia ser possuída por um espírito e se tornar xamã. Se recusasse, disse o religioso, sua filha mais nova seria atormentada pelo espírito. Isso a convenceu a se tornar xamã.
Iniciação e desfecho
Para ser possuída, ela precisava recitar uma reza durante cem dias e fazer uma peregrinação nas montanhas, acompanhada do marido e o xamã que a iniciara. Seria necessário que ela rezasse durante três horas à noite, duas horas pela manhã, e tomasse banho gelado para purificar o corpo. No fim do processo, ela estava possuída não por um, mas por vinte espíritos.
Si-Woo abriu um santuário para esses espíritos e, sob a influência deles, passou os vinte anos seguintes fazendo fortuna e oferecendo cura de doenças. Devido às possessões, ela era bem requisitada. Se uma pessoa estivesse estava com dor de barriga e a procurasse, ela acertava o diagnóstico. Caso estivesse com problema cardíaco, ela curava a dor. Prescrevia amuletos, rezas, exorcismo e os sintomas desapareciam. Com isso, fez fortuna, mas não estava feliz. As enxaquecas desapareceram, mas sofria de dor no corpo e psicose crescente, uma desordem mental onde pensamentos são tão prejudiciais que a pessoa perde o senso de realidade. O marido e filhos a desertaram e ela tentou cometer suicídio várias vezes.
Então, certo dia, ela sofreu um acidente de carro e precisou ficar hospitalizada por um mês. O acidente a deixou perplexa, perguntando-se como poderia ter previsto o futuro das pessoas, mas não previu o próprio infortúnio. “Por que os deuses aos quais tenho servido há vinte anos não me protegeram?”, pensou. “Se eles não conseguem me proteger, como confiarei neles?” Si-Woo rezou para que a fé fosse fortalecida, mas nada aconteceu. Frustrada, ateou fogo no seu santuário e anunciou que não serviria mais aos deuses. Finalmente, os vinte espíritos a deixaram.
Vazio preenchido
Mas, sem o santuário, Si-Woo se sentia vazia e amedrontada. Começou a perguntar se existia um Deus mais poderoso que outros deuses. Lembrou-se de uma mulher adventista que certa vez lhe falara sobre Jesus e decidiu telefonar para ela. A senhora adventista lhe apresentou um pastor aposentado, que se dispôs a estudar a Bíblia com ela. Si-Woo descobriu o verdadeiro estado dos mortos e percebeu que estivera servindo a Satanás. Terminados os estudos, ela foi batizada em 2016.
Decidida a não deixar o inimigo comandar sua vida novamente, She-Woo confiou na mensagem de Lucas 11:24: “Quando um espírito imundo sai de um homem, passa por lugares áridos procurando descanso, e não o encontrando, diz: ‘Voltarei para a casa de onde saí.’” Por isso, lê a Bíblia e ora todas as manhãs. Pela primeira vez na vida, sente alegria e paz.
Quando Jesus expulsou os demônios de um homem, deu a ele esta instrução: “Vá para casa, para a sua família e anuncie-lhes quanto o Senhor fez por você e como teve misericórdia de você” (Mc 5:19). Seguindo essa orientação, Si-Woo testemunha, nas igrejas da Coreia do Sul, o que Jesus fez por ela. E todos os que ouvem ficam maravilhados!
Conhecendo a Coreia do Sul
- Os coreanos adoram o kimchi, um tradicional prato coreano condimentado feito de vegetais. Kimchi de repolho, kimchi de rabanete e kimchi de pepino, existem cerca de 250 tipos diferentes dessa iguaria.
- Em vez de aquecedores de ar, os sul-coreanos têm piso aquecido. Chamado “ondol” (pedra quente), o calor é passado através de tubos subterrâneos. É uma tecnologia antiga, e mais de 90% das casas coreanas ainda utilizam.
- O número “4” é considerado número de azar na Coreia. Nos elevadores, o botão do quarto andar é frequentemente mostrado com a letra "F", ou não aparece.

