Muitos que vivem no Ocidente acham a Bíblia esquisita. Mesmo entre os cristãos, há aqueles que se sentem desconfortáveis com as histórias bíblicas: Deus querendo matar Moisés por não ter circuncidado seu filho; Davi cortando o prepúcio de 200 homens para provar seu amor por uma mulher; uma jumenta que adverte um profeta… Como alguém racional pode acreditar em um livro assim?
Devemos lembrar que nossa forma ocidental de raciocínio foi herdada do mundo grego e não da cultura hebraica que moldou as Escrituras. Pensamos de modo abstrato e, por isso, consideramos o argumento lógico mais convincente do que os ensinamentos de Jesus.
Como “filhos” do Iluminismo, ficamos convencidos de que a razão humana é a medida de todas as coisas. A ciência é a prova final, e o que não se enquadra nela é considerado superstição.
É interessante observar que, quando pesquisas psicológicas feitas na Europa e nos Estados Unidos questionam entrevistados ocidentais, elas reforçam os pressupostos de seus promotores. Porém, quando esses mesmos questionários são aplicados a grupos distantes, como os beduínos do Oriente, esse tipo de pergunta não faz sentido algum.
“Você acha justo Deus não livrar João Batista da morte?” – pergunta um inglês a um monge do deserto. “E por que Ele deveria?” – rebate o oriental. Percebe? Esses mesmos traços culturais tendem a nos distanciar do mundo que moldou a Bíblia.
Estamos demasiadamente industrializados, adquirimos mais do que precisamos, comemos mais do que deveríamos e nos informamos mais do que aprendemos. Isso sem contar que o ritmo de nossa vida foi totalmente transformado pela chegada da modernidade. Não nos sustentamos da terra, passamos o dia longe de casa, vemos os filhos crescerem à distância e dialogamos com eles apenas por aparelhos remotos.
Nesse contexto, parábolas sobre pescadores e agricultores não causam grande impacto. É preciso um megashow ou um filme de milhões para agitar nossos sentidos. Será que a Bíblia é realmente confusa ou foi nosso mundo que se tornou estranho demais para entender o que ela diz?