Uma antiga parábola, originalmente descrita por Soren Kierkegaard, filósofo do século 19, fala de um palhaço e seu desafio de alertar a todos sobre um incêndio que se alastrava. Ao lê-la, julguei que seria pertinente para uma reflexão acerca de nossa missão de pregar o evangelho.
“Certa vez, houve um incêndio em um circo ambulante na Dinamarca. O diretor mandou imediatamente o palhaço, que já se encontrava vestido e maquiado a caráter, para a vila mais próxima, para que buscasse ajuda.
“O palhaço correu até a vila e pediu aos moradores que viessem ajudar a apagar o incêndio que estava destruindo o circo. Mas os habitantes viram nos gritos do palhaço apenas um belo truque de publicidade que visava levá-los em grande número às apresentações do circo; aplaudiam e morriam de rir.
“Diante dessa reação, o palhaço sentiu mais vontade de chorar do que de rir. Fez de tudo para convencer as pessoas de que não estava representando, de que não era um truque, mas um apelo da maior seriedade: tratava-se realmente de um incêndio. Mas sua insistência só fazia aumen-
tar os risos; as pessoas achavam excelente sua performance – até que o fogo alcançou de fato a vila. Aí já era tarde, e o fogo acabou destruindo não só o circo, mas também o povoado” (citado por Joseph Ratzinger, Introdução ao Cristianismo, p. 9).
Em muitas situações, o problema não está na mensagem, mas no mensageiro. Aquele sujeito sempre se portou como palhaço, falou como palhaço e se vestiu como palhaço. Quando precisou falar a verdade, ninguém o levou a sério.
Assim também será comigo se não demonstrar, por palavras e ações, a força do que digo: todas as vezes que falo da volta de Cristo, mas não vivo como alguém que está se preparando para esse dia, pareço um palhaço com a mensagem certa. O fogo pode até ser verdadeiro e o perigo iminente, mas tudo não passará de uma grande piada.
Sei que existem aqueles que zombam por puro amor à zombaria. Contudo, isso não nega a realidade de que a minha e a sua conduta podem potencializar o escárnio da cruz. Arauto ou palhaço? Quem você escolhe ser?