No versículo de hoje, a palavra hebraica traduzida como “insensato” é naval, um termo que denota não apenas ignorância ou limitação racional, mas principalmente alguém munido de perversidade moral. Seu comportamento é o oposto da sabedoria. Para chegar a esse nível, é preciso rejeitar um importante instinto que nos diz constantemente que há um Deus.
Em 1536, o reformador João Calvino discutiu a possibilidade de o ser humano conhecer a Deus de dentro para fora. Ou seja, todos nascemos com uma natureza que nos impele a reconhecer a existência de uma divindade, ainda que não possamos naturalmente saber como ela é. Essa seria uma espécie de “semente” do conhecimento de Deus que foi plantada em cada ser humano nascido neste mundo. Calvino dizia que isso se dá por obra da graça “para que ninguém possa abrigar-se sob o pretexto de ignorância”.
De fato, Helen Keller, a menina que era cega, surda e muda desde a mais tenra idade, só veio a se comunicar com o mundo exterior graças ao trabalho incansável de Anne Sullivan, uma cristã fervorosa que era sua tutora. Quando lhe perguntaram se ela tinha ideia de Deus em seus tempos de clausura mental, Helen respondeu: “Claro que eu tinha, Ele estava comigo em meu mundo de escuridão e silêncio. Eu só não sabia qual era Seu nome.”
Paulo, em sua carta aos Romanos, também esboçou o mesmo princípio ao descrever sua evidência de Deus: “Pois o que se pode conhecer a respeito de Deus é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, isto é, o Seu eterno poder e a Sua
divindade, claramente se reconhecem, desde a criação do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que Deus fez. Por isso, os seres humanos são indesculpáveis” (Rm 1:19, 20).
Esse reconhecimento não dispensa a revelação bíblica, nem se equipara a ela. Ele apenas diz que Deus existe, enquanto a Bíblia revela quem Ele é. No entanto, mesmo aqueles que não tiveram o privilégio de conhecer as Escrituras obtiveram testemunho suficiente para decidir a favor de Deus. Em Sua misericórdia, o Senhor não deixou ninguém em total escuridão. E você? Que decisão tem tomado com base na luz que tem recebido?