No livro de Josué, percebemos que a vida do personagem principal aponta para uma realidade muito maior do que ele mesmo. Esse princípio se repete em toda a Bíblia, como a terra de Canaã, um símbolo de nossa esperança eterna em uma nova terra. E, claro, o serviço do santuário terrestre apontava para uma realidade maior: “Cristo veio como Sumo Sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos humanas, quer dizer, não desta criação” (Hb 9:11).
Contudo, surgem as perguntas: De que maneira Josué aponta para um cumprimento futuro? Como podemos ter certeza de que tal interpretação do livro é legítima? Quais são os princípios bíblicos que controlam a aplicação do livro de Josué às realidades do Novo Testamento e aos eventos do fim dos tempos?
Nesta semana, veremos princípios de interpretação bíblica sobre tipologia. Estudaremos como a própria Bíblia contém indicadores desse tema e como a vida de Josué prenuncia o ministério do Messias e aponta para um simbolismo cumprido na igreja, e que se cumprirá na consumação da história humana.
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1. Estude as seguintes passagens que se referem a tipos e procure formular o que é tipologia bíblica: Rm 5:14; 1Co 10:1-13; Hb 8:5; 9:23
Essas passagens bíblicas usam o termo “tipo” (grego typos) ou “antítipo” (grego antitypos) para se referir à maneira como o escritor do NT definiu a relação entre um texto ou evento do AT e seu significado em seu próprio tempo ou no futuro.
Tipologia é uma forma específica de interpretação bíblica em que pes-soas, eventos ou instituições prefiguram Jesus ou outras realidades contidas no evangelho. O tipo corresponde ao antítipo como um molde ou uma forma oca que reflete a forma original, mesmo que o antítipo cumpra mais plena-mente o propósito do tipo. Assim, o tipo bíblico foi moldado de acordo com um propósito divino que tinha existido concretamente, ou conceitualmente, na mente de Deus, e serve para moldar cópias futuras (antítipos).
É crucial entender que os escritores do NT não atribuíram aleatoria-mente um significado tipológico a alguns textos do AT para mostrar um ponto de vista. Um tipo do AT é sempre validado nos escritos proféticos antes de adquirir um cumprimento antitípico no NT.
2. Veja como Davi aparece no Antigo Testamento e, então, como ele é prefigurado no Novo. Que lições podemos aprender sobre como a tipologia funciona a partir deste exemplo?
a) Davi (Sl 22:1, 14-18): _____________________________
b) O novo Davi (Jr 23:5; Is 9:5-7; 11:1-5): ___________________
c) O Davi antitípico (Jo 19:24): _________________________
Ao olhar para esses textos, descobrimos que o próprio AT apresenta a chave para identificar e aplicar tipos nas Escrituras. Ou seja, os escritores do NT, cuja Escritura era o AT, foram inspirados pelo Espírito Santo a usar os tipos do AT para revelar a “presente verdade” (2Pe 1:12, NVI), especialmente sobre Jesus e Seu ministério.
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Os intérpretes da Bíblia não podem decidir arbitrariamente sobre o que constitui um tipo bíblico ou como esse tipo em particular é cumprido no NT e além. A própria Bíblia oferece diretrizes e princípios quanto à aplicação da tipologia bíblica.
Da mesma forma, o NT desdobra o cumprimento antitípico de um tipo em três fases distintas: (1) na vida de Cristo (o cumprimento cristológico), (2) na experiência da igreja (o cumprimento eclesiológico) e (3) no fim dos tempos (o cumprimento escatológico).
Encontramos tipos e antítipos por toda a Bíblia, e eles são úteis para mostrar aos leitores como entender a Bíblia e quais verdades a Palavra de Deus está ensinando sobre Jesus, a salvação e a esperança final que temos.
3. Veja os seguintes tipos do AT: Israel, o êxodo e o santuário. Como cada um é cumprido nas três fases antitípicas: a cristológica, a eclesiológica e a escatológica?
1. Israel
a) Fase cristológica (Mt 2:15): _________________________
b) Fase eclesiológica (Gl 6:16): _________________________
c) Fase escatológica (Ap 7:4-8, 14): ______________________
2. O êxodo
a) Fase cristológica (Mt 2:19-21): _______________________
b) Fase eclesiológica (2Co 6:17): ________________________
c) Fase escatológica (Ap 18:4): _________________________
3. O santuário
a. Fase cristológica (Jo 1:14; 2:21; Mt 26:61): _________________
b. Fase eclesiológica (1Co 3:16, 17; 2Co 6:16): _________________
c. Fase escatológica (Ap 3:12; 11:19; 21:3, 22): ________________
“Visto que a Escritura possui um único e divino Autor, as diversas partes dela se harmonizam umas com as outras. [...] Todas as doutrinas da Bíblia são coerentes entre si; interpretações de passagens isoladas devem estar em harmonia com a totalidade do que a Escritura ensina sobre o assunto” (Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia [CPB, 2011], p. 75).
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4. À luz da tipologia bíblica, qual é o significado do paralelismo múltiplo entre a vida de Moisés e Josué? Compare Êxodo 3:1, 2 com Josué 1:1-3; Números 13:1, 2 com Js 2:1; Êxodo 3:5 com Josué 5:15.
Como descobrimos na primeira semana, Josué é apresentado como um novo Moisés que, na vida da segunda geração, repetiu os passos mais significativos do Êxodo do Egito. Assim como Moisés, ele foi comissionado por um encontro pessoal com o Senhor. Sob a liderança de ambos, a fama de Israel entre as nações inspirou medo. Moisés liderou Israel na travessia do Mar Vermelho, enquanto Josué liderou Israel em uma travessia milagrosa do Jordão. Ambos os líderes foram lembrados da necessidade da circuncisão e da importância da Páscoa. O maná começou a cair no tempo de Moisés e terminou com Josué. Ambos foram ordenados a tirar as sandálias. A mão estendida de ambos sinalizou a vitória de Israel. Moisés deu instruções para a divisão da terra e a instituição de cidades de refúgio. Josué cumpriu as instruções. Ambos fizeram um discurso de despedida à nação e renovaram a aliança para o povo no fim de seu ministério.
5. Estude Deuteronômio 18:15-19; 34:10-12; João 1:21; Atos 3:22-26; 7:37. Quem cumpriu a profecia de Moisés sobre um profeta como ele? Como Josué se encaixa no quadro?
A vida de Josué foi um cumprimento parcial da profecia feita por Moisés (Dt 18:15, 18). No entanto, a profecia feita por Moisés não foi plenamente cumprida com Josué. Em seu sentido pleno, a profecia só poderia ser cumprida pelo Messias. Ele conhecia o Pai intimamente (Jo 1:14, 18); Ele era verdadeiro e revelou Deus com sinceridade (Lc 10:22; Jo 14:6; Mt 22:16). Deus de fato colocou Suas palavras em Sua boca (Jo 14:24). Então, tanto a vida de Moisés quanto a de Josué se tornam tipos do Messias vindouro, Jesus.
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A história de Josué deve ser vista sob a perspectiva da tipologia. As guerras conduzidas por Josué foram eventos históricos, constituindo um segmento essencial da história de Israel. O objetivo dessas guerras foi estabelecer os israelitas na Terra Prometida, onde eles pudessem desfrutar em paz sua herança designada e estabelecer uma nova sociedade baseada nos princípios da lei de Deus.
Mais tarde, autores do AT, como Isaías, apresentam a obra do Messias como também consistindo em atribuir as “propriedades devastadas” do povo de Deus (Is 49:8), usando a mesma terminologia que é tão frequente no livro de Josué. Assim como a tarefa de Josué tinha sido repartir a terra aos israelitas, o Messias, retratado como o novo Josué, atribui a herança espiritual a um novo Israel.
6. Leia Hebreus 3:7–4:11. Como o Novo Testamento confirma que Josué, um novo Moisés, é ele mesmo um tipo de Jesus Cristo?
Os autores do NT apresentaram muitos aspectos do ministério de Jesus Cristo em termos da obra de Josué. Assim como Josué entrou em Canaã após 40 anos no deserto, o “Josué antitípico”, Jesus, entrou em Seu ministério terreno após 40 dias no deserto (Mt 4:1-11; Lc 4:1-13) e começou Seu ministério celestial após 40 dias no deserto terreno (At 1:3, 9-11; Hb 1:2, 3).
Após o batismo de Jesus no rio Jordão (Sua “travessia do Jordão”; Mt 3:13-17; Mc 1:9-11), os escritores do evangelho citam o Salmo 2:7 e Isaías 42:1, de um salmo messiânico e de uma canção sobre o Servo Sofredor de Yahweh (Mt 3:17; Mc 1:11; Lc 3:22). Consequentemente, por meio de Seu batismo, Jesus é apresentado como o guerreiro divino que irá, por meio de uma vida de obediência fiel, até a morte, travar as guerras de Yahweh contra as forças do mal. Sua vida e morte na cruz trouxeram a expulsão de Satanás, lideraram a conquista sobre nossos inimigos espirituais, ofereceram descanso espiritual ao Seu povo e reservaram uma herança para os redimidos (Ef 4:8; Hb 1:4; 9:15).
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7. Josué, como um tipo, aponta além do ministério de Jesus Cristo para um cumprimento na vida da igreja, o corpo de Cristo. Em que sentido as guerras travadas por Israel sob Josué prenunciam as lutas espirituais da igreja? Em que aspecto elas são diferentes? 1Tm 1:18; 2Tm 4:7; Ef 6:10-12; 2Co 10:3-5; At 20:32
Os escritores do NT reconhecem o cumprimento eclesiológico (na igreja) da tipologia de Josué. Os membros do corpo de Cristo, a igreja, estão envolvidos em uma guerra espiritual contra as forças do mal; no entanto, eles desfrutam o descanso da graça de Deus (Hb 4:9-11) e as bênçãos de sua herança espiritual.
8. O que os seguintes textos dizem sobre o cumprimento final da tipologia de Josué? 1Pe 1:4; Cl 3:24; Ap 20:9; 21:3
O cumprimento final e completo da tipologia de Josué será realizado na segunda vinda de Jesus Cristo (aspecto apocalíptico/escatológico).
A vida de Josué refletiu tanto o caráter de Deus que certos aspectos de sua vida assumiram um caráter profético prenunciando a atividade e a pessoa do Messias.
Para nós, hoje, o Messias já veio. Seu ministério não precisa ser prefi-gurado, mas ainda temos o privilégio de refletir Seu caráter – a glória que Cristo ansiava por compartilhar com Seus discípulos (Jo 17:22) e que pode se tornar nossa ao contemplar o caráter de Cristo (2Co 3:18). Quanto mais contemplamos Jesus, mais refletimos a beleza de Seu caráter. Isso é fundamental para o objetivo da nossa caminhada diária com Cristo. É por isso que o tempo para estudar a Palavra, todos os dias, é tão importante. Também devemos passar tempo pensando na vida, no caráter e nos ensinamentos de Jesus. Ao contemplar, somos transformados.
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“A missão de Cristo não foi compreendida pelos homens de Seu tempo. [...] As tradições, máximas e decretos de homens lhes ocultavam as lições que Deus intencionava comunicar-lhes. [...] Ao vir a Realidade na pessoa de Cristo, não reconheceram Nele o cumprimento de todos os símbolos, a substância de todas as sombras. Rejeitaram o Antítipo e se apegaram aos seus tipos e cerimônias inúteis. [...] O evangelho de Cristo era para eles uma pedra de tropeço, porque, em vez de um Salvador, pediam um sinal. [...] Como resposta a essa expectativa, Cristo apresentou a parábola do semeador. O reino de Deus não devia prevalecer pela força de armas nem por intervenções violentas, mas pela implantação de um princípio novo no coração dos homens” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus [CPB, 2022], p. 13).
“A igreja necessita de fiéis Calebes e Josués, que estejam prontos para aceitar a vida eterna sob a simples condição de obediência. [...] O mundo é nosso campo. Missionários são necessários em cidades e vilarejos que certamente estão mais presos à idolatria do que os pagãos do Oriente que nunca viram a luz da verdade. O verdadeiro espírito missionário desertou das igrejas que fazem tão alta profissão de fé [...]. Faltam-nos obreiros fervorosos. Não haverá ninguém que responda ao clamor que vem de todas as partes: ‘Passa [...] e ajuda-nos’?” (At 16:9; Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 4, p. 138).
Perguntas para consideração
1. A tipologia bíblica ajuda você a entender o ministério de Cristo em seu favor?
2. Quais são as diferenças e semelhanças entre a guerra espiritual e a conquista de Canaã?
3. Pense no cumprimento final da tipologia de Josué. A imagem de um mundo sem dor e morte nos dá esperança nas lutas da vida?
4. Josué refletiu o caráter de Deus na medida em que prefigurou o ministério de Cristo. Como permitir que Jesus reflita Seu caráter em nós?
Respostas às perguntas da semana: 1. A tipologia bíblica é o estudo de padrões divinos em que pessoas ou eventos do AT prefiguram realidades do NT, revelando a unidade da Escritura. 2. Os sofrimentos de Davi prefiguram as aflições de Cristo. Sendo o “novo Davi”, Jesus cumpre as promessas messiânicas. O antítipo mostra cumprimentos literais das Escrituras, como no caso do sorteio das vestes de Cristo. 3. Os tipos principais e seus antítipos incluem Israel (Cristo como o “verdadeiro Israel”, e a igreja como o “Israel de Deus”, representada no fim pelos 144.000), Êxodo (Jesus como libertador, a igreja saindo do mundo e o êxodo final), e o santuário (Cristo como templo, a igreja como morada de Deus e o santuário celestial). 4. Moisés e Josué formam um paralelo tipológico: ambos receberam chamados similares, lideraram libertações e enviaram espias, prefigurando Cristo como libertador e a igreja em missão. 5. O “profeta como Moisés” é Jesus, enquanto Josué é um tipo secundário – ambos lideraram o povo rumo à “terra prometida”. 6. Hebreus contrasta Josué (que levou o povo para Canaã) com Jesus, que nos leva ao verdadeiro descanso. 7. As guerras de Josué prenunciam batalhas espirituais da igreja, mas sem violência física, focando no combate ao pecado. 8. O cumprimento final da tipologia de Josué é a herança eterna, a recompensa celestial e a Nova Jerusalém, quando Deus vencerá Seus inimigos.
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TEXTO-CHAVE: 1Co 10:11
FOCO DO ESTUDO: 1Co 10:1-13; Mt 2:15; Js 1:1-3; At 3:22-26; Hb 3:7–4:11, 2Co 10:3-5
ESBOÇO
Introdução: A tipologia é uma das principais maneiras pelas quais os autores do NT usaram o AT. Ela está enraizada na história e na teologia. No AT, os tipos eram como prévias históricas que antecipavam as realidades trazidas por Jesus. Nesse sentido, a tipologia era uma forma de profecia, por meio de eventos, em vez de palavras. A tipologia também estava fundamentada na teologia, pois Deus guiou os eventos, selecionou indivíduos específicos e estabeleceu instituições que profeticamente prenunciaram as realidades redentivas, desencadeadas por Jesus. Como a profecia, a tipologia aponta para a soberania de Deus sobre a história.
Apesar da importância da interpretação tipológica das Escrituras, muitos cristãos não estão familiarizados com o tópico. O estudo de Josué oferece uma excelente oportunidade para aprender sobre a tipologia bíblica e considerar os critérios para identificar tipos no AT, seu cumprimento no N T e a relevância prática da tipologia na jornada adventista atual.
Por meio da tipologia, que destaca os padrões de Deus por toda a Escritura, as pessoas podem compreender Sua soberania sobre a história e Sua misericórdia duradoura para com a humanidade, apesar da pecaminosidade persistente de Seus filhos. A história é a plataforma sobre a qual Deus revela Seu amor pela humanidade. Essa revelação se desdobra por meio de vários estágios, intrinsecamente ligados às expressões únicas da aliança eterna entre Deus e Sua criação. Essas expressões formam a espinha dorsal da tipologia. Os padrões encontrados na tipologia de Josué destacam o desejo de Deus de salvar Seu povo para que eles possam desfrutar Sua presença e descansar, sem medo, em Seu incrível amor.
COMENTÁRIO
Definição
Não é exagero afirmar que “historicamente, o adventismo do sétimo dia não é apenas um movimento profético; é também um movimento tipológico”. Desde o início do adventismo, “a tipologia era um método usado para avaliar, experimentar e entender a identidade, o papel e a mensagem do adventismo na história da salvação” (Erick Mendieta, “Typology and Adventist Eschatological Identity: Friend or Foe?” Andrews University Seminary Student Journal, n. 1 [primavera de 2015]: p. 45, 46). Existem dois tipos de tipologia: vertical e horizontal. A tipologia vertical diz respeito à relação entre o santuário celestial e o terrestre. É a mais amplamente conhecida e estudada dentro do adventismo. A tipologia horizontal envolve a relação entre o Antigo e o Novo Testamentos, e é uma das principais maneiras de discernir Jesus dentro dos escritos de “Moisés e todos os profetas” (Lc 24:27). Essa tipologia é o foco da lição desta semana.
O entendimento tradicional de tipologia pode ser resumido na seguinte definição: “Estudo de pessoas, eventos ou instituições (os tipos) que Deus projetou divinamente para prefigurar seus cumprimentos do fim dos tempos (os antítipos) em Cristo e nas realidades do evangelho trazidas por Ele” (Richard M. Davidson, In the Footsteps of Joshua [Hagerstown, MD: Review and Herald, 1995], p. 26). Tal definição não foi imposta arbitrariamente às Escrituras, mas, em vez disso, emergiu da pesquisa das passagens em que o termo em grego typos (tipo) ocorreu no NT (1Co 10:1-13; Rm 5:12-21; 1Pe 3:18-22; Hb 8; 9), conforme mostrou a obra seminal de Richard M. Davidson, Typology in Scripture: A Study of Hermeneutical Typos Structures (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 1981).
Identificando a tipologia de Josué
De acordo com a definição de Davidson, há quatro critérios para identificar tipos e antítipos: historicidade, correspondência, prefiguração e intensificação. Primeiro, os tipos foram realidades históricas documentadas pelo AT. Quando o autor do NT olhou para o AT para encontrar tipos, buscou eventos, pessoas ou instituições enraizadas na história. Por exemplo, não houve significado tipológico em parábolas (compare com Js 9:7-15; 2Sm 12:1-4). Na tipologia, Deus agiu na história, criando padrões de significado profético para que fossem posteriormente reconhecidos por Seu povo e profetas. Da perspectiva do NT, não houve dúvida de que Josué foi um personagem histórico. Em seu discurso final, Estêvão relatou o papel de Josué como líder de Israel durante a conquista, durante a qual o tabernáculo do testemunho foi levado a Canaã (veja At 7:44, 45). Josué também foi mencionado em Hebreus 4:7 e 8 como aquele que trouxe descanso temporário a Israel.
Outro passo fundamental na identificação de relações tipológicas entre o Antigo e o Novo Testamentos é a presença de correspondências legítimas. Essas correspondências devem ser historicamente válidas, genuínas e não simplesmente coincidentes ou imaginativas. Além das correspondências destacadas no estudo de quarta-feira, Josué e Jesus compartilham o mesmo nome, diferenciado apenas pelos idiomas hebraico, grego e português. Essa conexão não parece ser acidental por dois motivos. Primeiro, o nome de Josué foi o primeiro no cânon bíblico a conter um elemento teofórico (adjetivo que se refere a nomes que contêm o nome de uma divindade, ou fazem referência a ela), especificamente contendo uma partícula que se refere ao nome de Deus. Ele combinou o verbo em hebraico ysh’ (salvar) com a partícula yo (ou jo), uma abreviação de Yahweh (geralmente traduzido como “o Senhor”). Segundo, Josué não nasceu com esse nome. Originalmente chamado de Oseias (que significa “salvação”), seu nome foi alterado por Moisés, provavelmente sob orientação divina, para Josué (“Yahweh é salvação”; Nm 13:16).
O terceiro elemento a ser considerado é a prefiguração. Deus profeticamente projetou tipos legítimos que poderiam ser reconhecíveis mesmo antes de seu cumprimento, pelo menos em seus contornos básicos. Esse elemento reforçou a noção de que os autores do NT não estavam inventando criativamente conexões entre os Testamentos. O elemento profético do tipo do AT já fora escrito no texto bíblico. Por essa razão, o público original poderia ter compreendido esse significado preditivo através de pistas deixadas pelos autores inspirados. Uma vez que a maioria das pistas foi encontrada, à medida que os leitores comparavam uma revelação anterior com uma mais recente, era natural que os tipos se tornassem mais evidentes à medida que o cânon crescia.
Dois pontos importantes precisam ser enfatizados novamente. Primeiro, somente o evento de Cristo pôde revelar o significado messiânico do AT com força total. Segundo, na história da interpretação, alguns tipos foram reconhecidos apenas em retrospecto. No entanto, esses fatos não excluem o significado profético no contexto original e a possibilidade de reconhecimento desse significado pelo público original. Identificar essas bases textuais serviu como um controle interpretativo, impedindo o leitor de impor ao texto algo que não estava lá. Sem tais controles, a tipologia facilmente degeneraria para a alegoria. A alegoria foi o método predominante de interpretação bíblica durante a Idade Média. Ao contrário da tipologia, a alegoria encontrou significados espirituais no AT que não eram condizentes com a intenção do autor e o contexto original.
Uma garantia textual adicional, validando a tipologia de Josué no AT, pode ser mencionada aqui: o caráter único da conexão de Josué com a missão do Anjo do Senhor, o Cristo preexistente no Pentateuco. Davidson sugere que “as descrições da missão de Josué e do Anjo do Senhor contêm inúmeras expressões paralelas, usando exatamente as mesmas palavras em hebraico. Tanto Josué quanto o Anjo do Senhor deveriam ‘atravessar adiante’ e ‘ir adiante’ de Israel e ‘trazê-los para a terra’ e ‘fazê-los herdála’ (cf. Êx 23:23; Nm 27:17, 21; Dt 3:28; 31:3, 23)”. Davidson também ressalta a conexão direta entre Josué (o sacerdote pós-exílio) e o Messias em Zacarias 6:12, em que “o profeta equiparou o nome de Josué ao Messias”: Então fale com ele [Josué], dizendo: “Assim diz o Senhor dos Exércitos, dizendo: ‘Eis o homem cujo nome é Renovo’” (Davidson, In the Footsteps of Joshua, p. 29, 30).
O critério final para identificar a tipologia que deve ser mencionado aqui é a intensificação. O conceito de intensificação foi bem ilustrado pela metáfora da “sombra”, usada pelo autor de Hebreus para explicar a relação entre o sistema levítico de ofertas e sacrifícios, incluindo festivais e rituais, que apontavam para o evento de Jesus. A intensificação envolveu uma elevação ou ampliação do tipo para o antítipo: um ápice do local para o universal, do provisório para o definitivo, do temporal para o eterno e da esfera humana para a divina.
Essa progressão foi evidente na tipologia de Josué. Assim como Josué liderou a conquista de Canaã e ofereceu descanso temporário para Israel, o Novo Josué comandou o exército celestial na batalha cósmica contra “os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais” (Ef 6:12). Sua vitória foi definitiva e deu descanso eterno ao povo de Deus.
A tipologia escritural é uma área fascinante de estudos bíblicos e não deve ser restrita a estudiosos. Em seu diálogo na estrada para Emaús, Jesus repreendeu ternamente os dois homens por não lerem as Escrituras tipologicamente: “Como vocês são insensatos e demoram para crer em tudo o que os profetas disseram! Não é verdade que o Cristo tinha de sofrer e entrar na Sua glória? E, começando por Moisés e todos os Profetas, explicoulhes o que constava a respeito Dele em todas as Escrituras” (Lc 24:25-27). Que os adventistas do sétimo dia evitem cometer o mesmo erro nos dias atuais.
APLICAÇÃO PARA A VIDA
A consistência de Deus atualmente
Os diferentes tipos são baseados em padrões históricos que foram influenciados por intervenções divinas, como resultado das promessas de Deus. Eles demonstram a fidelidade de Deus em Suas interações com a humanidade e Sua autoridade suprema sobre a história. A tipologia não é apenas um método para interpretar o AT em relação a Jesus; é também uma maneira de interpretar a história.
De que forma a consistência e o controle de Deus sobre a história podem ajudá-lo a enfrentar as incertezas da vida?
Os tipos atualmente
Por um lado, o estudo da tipologia nos ajuda a entender quem é Jesus e o que Deus está fazendo por meio Dele. Ele mostra de que modo indivíduos como Moisés, Arão e Davi prenunciam os papéis do Messias como profeta, sacerdote e rei. Da mesma forma, tipos institucionais, como os sacrifícios e festivais religiosos como a Páscoa, revelam a natureza substitutiva de Sua missão. Eventos tipológicos também apontam para as coisas que Jesus realizará em favor de Seu povo. Por outro lado, a tipologia revela as expectativas de Deus em relação a Seus filhos.
Considerando esses dois aspectos da tipologia, o que os seguintes tipos revelam sobre Jesus, e como você pode usar seus exemplos para modelar sua vida de acordo com a vontade de Deus?
1. Isaque deitado no altar em submissão (Gn 22; compare com Hb 11:17-19):
2. José como libertador de sua família em sua interação com seus irmãos (Gn 44; 45):
3. Moisés como libertador e intercessor de Israel (Êx 32:30-34):
4. Davi como o rei escolhido (messias) em sua interação com Saul (1Sm 24; 26):
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Uma viagem que mudou vidas
Chile | Varinnia
Foi uma viagem de Uber que mudou muitas vidas.
Varinnia, de dezenove anos, pegou um Uber para a Universidade Adventista do Chile, onde ela estudava. O motorista ficou curioso sobre os longos mastros de metal que ela pediu que ele colocasse dentro do carro. Varinnia trabalhava com os desbravadores, e os mastros eram para bandeiras dos desbravadores.
“O que você está fazendo com estes mastros?”, perguntou o motorista, que estava na casa dos 50 anos.
“Estou ajudando a preparar uma semana de oração especial organizada pelos desbravadores”, disse Varinnia.
O motorista parecia intrigado.
“O que são desbravadores?”, disse ele.
Varinnia explicou que os desbravadores são um clube semelhante aos escoteiros, mas o foco está diretamente na Bíblia.
“Fazemos muito evangelismo, bem como atividades ao ar livre, mas as atividades ao ar livre são sempre combinadas com a Bíblia”, disse ela.
O motorista queria saber mais.
“E a qual igreja você pertence?”, ele perguntou.
“Adventista do sétimo dia”.
“Você mora no campus da Universidade Adventista do Chile?”
“Sim, eu moro no dormitório”.
“Oh, então você é uma missionária”, disse o motorista.
“Não, eu sou apenas uma aluna”.
A conversa voltou-se para Deus e depois para a Bíblia. Varinnia perguntou ao motorista se ele tinha uma Bíblia em casa.
“Sim”, disse ele. “Eu leio-a com frequência e gosto”.
“Você gostaria de estudar a Bíblia comigo?”, perguntou Varinnia.
Pouco tempo depois, o motorista deixou Varinnia e seus mastros para bandeiras na Universidade Adventista do Chile. Não muito tempo depois, Varinnia foi até a casa dele e começou a estudar Bíblia com ele, sua esposa e sua filha.
Pode-se pensar que a viagem de Uber mudou apenas a vida do motorista e de sua família. Mas mudou também a vida de sua passageira e de seus pais.
Os pais de Varinnia eram muito protetores. Eles não queriam que ela participasse dos desbravadores ou estudasse na Universidade Adventista do Chile. Eles diziam que os desbravadores iriam distraí-la de suas tarefas e que a Universidade Adventista do Chile era muito longe de sua casa na capital do Chile, Santiago. A distância entre Santiago e a Universidade Adventista do Chile é de cerca de 1.040 quilômetros.
Então, Varinnia tinha se matriculado na Universidade Adventista do Chile sem o apoio deles. Ela tinha conseguido o dinheiro somente para a mensalidade ao obter uma bolsa de estudos. Ela tinha apenas começado a participar dos desbravadores na universidade.
Por muitos anos, Varinnia havia orado por um relacionamento melhor com seus pais.
Quando ela contou aos seus pais sobre a viagem de Uber, eles ficaram chocados.
“Como você fez isso?”, sua mãe perguntou.
“Foi tudo Deus e o Espírito Santo”, respondeu Varinnia.
Seus pais não disseram mais nada, mas a partir daquele dia, o relacionamento com sua filha mudou. Seus pais começaram a dar-lhe mais liberdade quando viram que Deus a tinha usado para convencer o motorista de Uber a estudar a Bíblia.
Varinnia não podia estar mais feliz. Foi uma viagem de Uber que mudou muitas vidas.
“Quando vejo a mudança em meus pais, só posso dizer que é tudo Deus e o Espírito Santo”, disse ela.
Parte da oferta deste trimestre, também conhecida como oferta para projetos missionários, irá para a Universidade Adventista do Chile em Chillán, no Chile. A oferta permitirá que mais 50 alunos vivam nos dormitórios do campus. Atualmente, a universidade tem cerca de 3.000 alunos, a maioria deles não é adventista e vive fora do campus. Os dormitórios ampliados estarão disponíveis para todos, mas são especialmente necessários para os alunos adventistas de Teologia e Educação que vêm de lugares distantes para a universidade e estão se preparando para trabalhar em igrejas e escolas adventistas. Varinnia mora em um dos dormitórios que será ampliado com a oferta. Muito obrigado por planejar uma oferta generosa.
Por Andrew McChesney
Dicas para a história
• Mostre a América do Sul e Chillán, Chile, no mapa.
• Assista a um vídeo curto no YouTube sobre Varinnia em: bit.ly/Varinnia-SAD.
• Faça o download das fotos desta história pelo Facebook: bit.ly/fb-mq.
Comentário da Lição da Escola Sabatina – 4º Trimestre de 2025
Tema geral: Josué
Lição 10 – 29 de novembro a 5 de dezembro
O verdadeiro Josué
Autor: Volney da Silva Ribeiro
Editoração: Lucas Diemer de Lemos
Revisão: Rosemara Franco Santos
Sombras do futuro
Em 1Co 10:11, vemos que aquilo que Israel viveu, nós o reencontramos como advertência e inspiração no tempo do fim. Quando observamos Josué, percebemos sua trajetória como significativo mosaico espiritual. Ele conduz o povo à herança prometida, mas, por trás dessa liderança, há aspecto simbólico maior: a obra de Cristo guiando Seu povo rumo à Canaã celestial. De forma semelhante, a terra prometida no passado funciona como prenúncio da restauração total que Deus realizará na nova terra, quando o tempo da peregrinação finalmente acabar.
O Novo Testamento reforça essa leitura tipológica quando declara, em Hebreus 9:11, que o santuário terrestre era apenas a figura de uma realidade mais plena no ministério de Cristo. Assim, quando perguntamos se Josué aponta legitimamente para o Messias e para os eventos finais, a Bíblia nos mostra que Deus organiza a história por meio de sinais, modelos e antecipações que encontram seu ápice em Jesus. O protagonista do livro de Josué torna-se, pois, um sinal que nos direciona ao verdadeiro Libertador. A tarefa de conduzir Israel ao descanso encontra seu cumprimento pleno no descanso maior que Cristo oferece hoje à Sua igreja. Podemos, pois, ler o livro de Josué como um convite a enxergarmos o agir de Deus conduzindo Seu povo rumo ao fim glorioso que Ele prometeu.
Tipologia em ação
A análise de Romanos 5:14, 1 Coríntios 10:1 a 13, Hebreus 8:5 e 9:23 mostra que a tipologia bíblica é um método inspirado de leitura das Escrituras. Nesses versos, o termo “tipo” e seu correspondente “antítipo” revelam que Deus organizou a história da redenção por meio de correspondências intencionais entre o Antigo e o Novo Testamento. Sendo assim, Adão, Israel, o êxodo ou o santuário funcionam como moldes de realidades mais amplas cumpridas em Cristo. Quando o autor de Hebreus afirma que o santuário terrestre era “cópia e sombra das coisas celestes” (Hb 8:5), demonstra que esses elementos eram estruturas proféticas destinadas a apontar para a obra superior do Messias. Assim, a tipologia mostra a unidade interna da revelação e a condução soberana de Deus em toda a narrativa bíblica.
O exemplo de Davi ilustra ainda mais esse processo. Em Salmo 22:1, 14 a 18, sua experiência pessoal de sofrimento torna-se um prenúncio da paixão do Cristo. Os trechos de Isaías 9:5 a 7, 11:1 a 5 e Jeremias 23:5 ampliam esse horizonte ao anunciar um “novo Davi”, cuja justiça, governo e fidelidade superariam em muito o rei histórico. O Novo Testamento, ao aplicar Salmo 22:18 diretamente à crucificação (Jo 19:24), confirma que a própria Escritura estabelece a ponte entre tipo e antítipo. Isso é o reconhecimento de que o Espírito Santo inscreveu na história de Israel padrões que encontram sua plenitude em Jesus.
Revelação coerente e progressiva
A tipologia bíblica se constrói pelo próprio movimento interno da revelação. A Escritura estabelece os tipos e os seus antítipos, apresentando critérios que evitam leituras arbitrárias. O Novo Testamento mostra que o cumprimento tipológico se desdobra em três momentos: na pessoa e obra de Cristo, quando Ele encarna e conclui aquilo que símbolos e figuras antecipavam; na experiência da igreja, que participa diariamente das realidades inauguradas pelo Messias; no horizonte escatológico, quando tudo o que foi prometido alcança sua plena manifestação. Essa progressão demonstra que a tipologia é um testemunho da unidade orgânica entre o Antigo e o Novo Testamento.
Quando observamos Israel, o êxodo e o santuário, vemos que cada um atravessa as três fases antitípicas com profunda unidade. Israel reaparece em Cristo como o verdadeiro Filho chamado do Egito (Mt 2:15), continua na igreja como o “Israel de Deus” (Gl 6:16) e se completa nos remidos selados do tempo do fim (Ap 7:4-8, 14). O êxodo se renova no retorno de Cristo do Egito (Mt 2:19-21), na convocação da igreja à separação do mal (2Co 6:17) e no apelo final para sair da Babilônia escatológica (Ap 18:4). O santuário atinge novo significado quando Cristo habita entre nós (Jo 1:14) e Se apresenta como o verdadeiro templo (Jo 2:21), continua na igreja como morada do Espírito (1Co 3:16, 17) e se consuma na plena presença de Deus no novo mundo (Ap 11:19; 21:3, 22). Essa progressão harmoniosa é possível porque a Escritura possui um único Autor divino, que conduz a revelação de modo coerente, intencional e crescente na história.
Continuidade e cumprimento da promessa
O paralelismo entre Moisés e Josué revela a continuidade da condução divina e a intenção de Deus ao repetir certos padrões na história de Israel. Episódios semelhantes (o chamado na presença do Senhor, o envio de espias, a travessia milagrosa e a ordem de tirar as sandálias) mostram que Josué não apenas sucede Moisés, mas reencena os grandes marcos do Êxodo. Essa repetição ensina que a missão pertence primeiramente a Deus e que Ele mantém Sua fidelidade ao guiar Seu povo com os mesmos sinais de presença e autoridade, mesmo quando os protagonistas mudam.
Em se tratando da profecia de Deuteronômio 18, vê-se que a experiência de Josué representa um cumprimento inicial, mas limitado, do “profeta como Moisés”. Josué conduz o povo, comunica a vontade divina e estabelece a terra prometida, mas não alcança a profundidade do mediador final anunciado. O Novo Testamento deixa claro que esse papel encontra sua realização plena em Jesus, que revela o Pai de forma perfeita, fala as palavras de Deus com autoridade absoluta e inaugura a restauração e a plenitude espiritual que todas as figuras anteriores apenas esboçavam de modo parcial.
Jesus, o verdadeiro Josué
A figura de Josué adquire pleno significado quando vista como elo entre o evento histórico e a realidade escatológica que Cristo efetiva. Suas guerras foram parte do processo pelo qual Deus estabelecia Seu povo na herança prometida, antecipando a obra maior do Messias que, segundo Isaías 49:8, restauraria as propriedades devastadas e concederia herança ao novo Israel. O Novo Testamento retoma essa tipologia ao mostrar que Jesus, após Seus 40 dias no deserto e Sua própria “travessia do Jordão” no batismo, entra em ministério como o verdadeiro Guerreiro do Senhor, vencendo pelo poder da obediência e da entrega sacrificial. Hebreus 3 e 4 reforçam essa leitura ao afirmar que o descanso concedido por Josué preparou o caminho para o descanso definitivo alcançado pela vitória de Cristo sobre Satanás. Assim, Jesus cumpre as funções atribuídas a Josué e as eleva, concedendo libertação espiritual, expulsando o inimigo e garantindo à igreja a herança que somente Ele pode assegurar.
Restauração plena em Cristo
As batalhas travadas por Israel sob Josué anunciam a realidade espiritual que a igreja enfrenta hoje: uma luta constante pela fidelidade em meio às forças que se opõem ao reino de Deus (Ef 6:10-12). Porém, diferentemente das guerras territoriais e visíveis do antigo Israel, a igreja combate pela verdade, pela santidade e pela missão, usando armas espirituais: a Palavra, a oração e a fé (2Co 10:3-5; 1Tm 1:18). Essa marcha espiritual é sustentada pela graça de Deus, que fortalece Seu povo e o conduz à herança prometida (At 20:32). E o Novo Testamento deixa claro que essa tipologia só se completa plenamente na segunda vinda, quando Cristo, o verdadeiro Josué, estabelecerá definitivamente Seu povo na herança incorruptível (1Pe 1:4; Cl 3:24; Ap 21:3).
Até lá, Ele nos convida a refletir Seu caráter, a glória que deseja compartilhar conosco, e a viver de modo que nossa vida revele essa transformação diária (2Co 3:18). Se Josué desafiou Israel a não adiar a posse da terra, Cristo hoje nos perguntaria: até quando deixaremos de assumir plenamente a vida espiritual e a missão que Ele já colocou em nossas mãos?
Conclusão
A tipologia de Josué nos conduz a uma visão unificada da revelação: tudo aponta para Cristo, tudo converge Nele e tudo se cumpre plenamente em Sua obra redentora. Ao revisitar a experiência de Israel, o NT revela que esses acontecimentos históricos foram sombras providenciais do ministério do verdadeiro Josué, que conduz Seu povo à herança eterna. Assim, a Bíblia inteira testemunha a fidelidade de Deus, que repete padrões, amplia figuras e aprofunda significados até que tudo alcance sua plenitude em Jesus e, finalmente, na restauração final da nova Terra. A história de Josué, portanto, é um convite urgente a caminhar com confiança rumo ao cumprimento final de todas as promessas de Deus.
Conheça o autor dos comentários deste trimestre: Volney da Silva Ribeiro é professor, escritor e teólogo. É graduado em Letras (português e espanhol) e em Teologia. Além disso, é pós-graduado em Gestão Educacional. Foi diretor pedagógico e administrativo de escola particular (2008 a 2010), vice-diretor de uma creche-escola (2024 e 2025) e consultor pedagógico da Associação Cearense da Igreja Adventista do Sétimo Dia (2020 a 2022). Desenvolve o ministério de pregação há mais de duas décadas e serve a Deus atualmente como primeiro-ancião na Igreja Adventista do Sétimo Dia de Aldeota, em Fortaleza, Ceará.

