No texto de ontem, contei que tive a oportunidade de visitar os vales valdenses no norte da Itália. Depois de conhecer as imponentes basílicas de São Pedro, em Roma, e de Santa Maria das Flores, em Florença, com suas esculturas e ostentação, e plantadas no centro da cidade, foi refrescante ver as majestosas montanhas do Piemonte com seus lindos vales adornados com flores e árvores frutíferas. O templo valdense era bastante rústico, mas grande em sua pureza. Sem imagens nem outros adornos que distraíssem o adorador, a Bíblia aberta reinava no silêncio, convidando à meditação. A verdade não necessita que lhe acrescentem adornos para ser atrativa. Ela é atraente em si mesma, e sua beleza reside tanto em sua simplicidade como em sua pureza.
Depois fui a uma caverna onde os valdenses se refugiavam para adorar em momentos de perseguição. Naquela caverna, eles foram descobertos depois de uma traição. Depois de cruzar uma passagem estreita, surge um salão espaçoso ao que se opõe uma parede de rocha lisa, plana e alta. Na parte superior há uma fenda pela qual entra a luz do sol.
Cheguei ao local pouco depois do meio-dia. A luz intensa do sol incidia sobre um tronco apoiado em uma das paredes. Decidi usá-lo como escada para obter uma vista mais ampla do lugar. Nesse instante, meus companheiros gritaram para que eu não me movesse, apenas desse meia-volta. Ao fazê-lo, percebi que a luz agora iluminava a caverna, antes completamente escura. Devido ao ângulo em que os raios solares atravessavam a fenda, refletiam-se com força sobre minha roupa, iluminando todo o interior. Nas fotografias, pareço banhado em luz ou abraçado pelo fogo.
Não somos a luz, mas, quando nos colocamos sob sua presença, mesmo com nossas imperfeições, ela nos envolve e ilumina tudo ao nosso redor. Que tal escolher caminhar na luz ao longo deste dia?