Lição 3
10 a 16 de janeiro
Vida e morte | 1º Trimestre 2026
Sábado à tarde
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 2
Verso para memorizar: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1:21).
Leituras da semana: Fp 1:19-30; 1Co 4:14-16; 2Co 10:3-6; Jo 17:17-19; Mq 6:8; At 14:22

Muitos afirmam que a morte é uma parte natural da vida, mas isso é mentira. A morte é o oposto da vida, uma inimiga. Ela não foi criada como parte da vida, assim como a destruição não é o propósito original de um carro. Paulo declarou, de maneira enfática, que Cristo morreu para que “derrotasse aquele que tem o poder da morte, isto é, o diabo, e libertasse aqueles que durante toda a vida estiveram escravizados pelo medo da morte” (Hb 2:14, 15, NVI).

Embora disposto a morrer por Cristo, Paulo tinha confiança em seu propósito. O mais importante para ele era honrar a Cristo, pela vida ou pela morte, e pregar o evangelho ao maior número de pessoas possível. Talvez isso explique por que ele escreveu tantas cartas. Por meio de seus escritos, Paulo conseguiu alcançar muitas pessoas e lugares, incluindo aqueles que ele nunca pôde visitar pessoalmente.

A vida é curta, e precisamos causar o maior impacto possível para o reino de Deus no tempo que Ele nos concede. Parte significativa desse impacto envolve promover a “unidade da fé”. Nesta semana, veremos que essa foi uma das razões mais importantes que levaram Paulo a escrever aos filipenses.

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!

Download iOS Download Android


Domingo, 11 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 3
Cristo será engrandecido

1. Leia Filipenses 1:19, 20. Qual era a expectativa de Paulo em relação ao desfecho de seu julgamento? Para ele, o que era mais importante do que ser absolvido?

Embora Paulo não fosse um criminoso, essa não tinha sido a primeira vez dele na prisão; ele já estava bem familiarizado com perseguições. Escrevendo aos coríntios, relatou em detalhes os sofrimentos que havia enfrentado: “Em prisões, muito mais; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus quarenta açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas. Uma vez fui apedrejado. Três vezes naufraguei. Fiquei uma noite e um dia boiando em alto mar. Em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de assaltantes, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez” (2Co 11:23-27).

Contudo, para que ninguém achasse que esses sofrimentos eram sua maior preocupação, Paulo acrescentou imediatamente: “Além das coisas exteriores, ainda pesa sobre mim diariamente a preocupação com todas as igrejas” (2Co 11:28).

2. Como Paulo se relacionava com as igrejas que havia fundado e com as pessoas que ele tinha levado a Cristo? 1Co 4:14-16; 1Ts 2:10, 11; Gl 4:19; Fm 10 

Assim como Jesus, que não poupou nada para nos salvar, Paulo estava disposto a gastar e se deixar gastar em favor dos irmãos na fé (2Co 12:15). Paradoxalmente, quanto mais as ações de alguém se assemelham às de Jesus, menos essa pessoa é amada ou valorizada por alguns (2Tm 3:12). Ainda assim, a fidelidade dos cristãos talvez seja a maneira mais poderosa de glorificar a Deus e revelar a verdade do evangelho (Fp 1:7). “A paciência e o bom ânimo de Paulo durante sua longa e injusta prisão, bem como sua coragem e fé, eram um constante sermão” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos [CPB, 2021], p. 295).

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!

Reflita sobre como você vive e se relaciona com as pessoas, especialmente aquelas que não o tratam bem. Que tipo de testemunho de Jesus você tem dado?
Download iOS Download Android


Segunda-feira, 12 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 4
Morrer é lucro

Podemos perceber com facilidade que estamos envolvidos no grande conflito, que acontece ao redor e dentro de nós. Experimentamos essa batalha cósmica e continuaremos a vivenciá-la até o dia da nossa morte, independentemente de quando ou como ela ocorrer.

3. Qual é a base da guerra que enfrentamos e quais são as nossas armas? 2Co 10:3-6

As armas espirituais mais poderosas são as ideias, sejam corretas ou erradas. Satanás utiliza ferramentas como a crítica, a traição, o constrangimento, o medo, a pressão social e muitas outras que os cristãos jamais deveriam usar. Por outro lado, somos chamados a empregar o amor, a misericórdia, a paz, a mansidão, a paciência, a bondade e o domínio próprio. Nossa arma mais poderosa, quando utilizada com sabedoria, é a “espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Ef 6:17). Afinal, somente Deus pode levar a verdade ao coração das pessoas. Nós somos apenas instrumentos nas mãos do Senhor para realizar Seus propósitos.

4. Como entender os seguintes versos de Paulo no contexto do grande conflito? Fp 1:21, 22

Uma vez que a batalha é espiritual, estamos em uma guerra de ideias e valores. No entanto, Cristo já conquistou a vitória por nós na cruz. Enquanto estivermos conectados a Ele, jamais seremos derrotados, mesmo se morrermos. Paulo entregou sua vida e seu futuro a um tribunal superior, o que o levou a não se importar com o que acontecesse com ele aqui na Terra, por mais injusto que fosse.

Como cristãos, não devemos lutar tanto pelos nossos direitos, mas pelo que é certo. Não é “a força que faz o direito”, mas “o direito que faz a força”. O segredo é a submissão à vontade de Deus. Na verdade, essa é a única maneira de sermos vitoriosos na guerra em que nos encontramos. Jesus é o exemplo perfeito de submissão à vontade de Deus, como Paulo destacou em Filipenses 2.

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!

De que maneira você está vivenciando a realidade do grande conflito? Como encontrar o conforto e a força ao saber que Cristo já conquistou a vitória por nós?
Download iOS Download Android


Terça-feira, 13 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 5
Viver e morrer por Cristo

5. O que Paulo quis dizer ao afirmar que “partir e estar com Cristo” era melhor? Fp 1:23, 24

Essa passagem tem sido mal interpretada ao longo dos séculos. No verso para memorizar desta semana, Paulo falou sobre as diferenças entre viver e morrer. O cristão vive para Cristo e pode até morrer por Ele. Nesse sentido, a morte é “lucro”, pois nosso testemunho se torna ainda mais poderoso e convincente (Fp 1:21). Quando estamos dispostos a dar a vida por uma crença, provamos que nossa fé é verdadeira.

No entanto, também devemos reconhecer a realidade da morte. “Os mortos não sabem nada” (Ec 9:5) e estão descansando na sepultura até a ressurreição (Jo 5:28, 29). Por isso, Jesus disse a respeito de alguém que havia morrido: “Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo” (Jo 11:11).

Se quando as pessoas morrem elas vão imediatamente para o Céu, imagine como teria sido para Lázaro. Após quatro dias desfrutando do Céu, um anjo aparece com a má notícia: “Desculpe, Lázaro, mas Jesus está chamando-o de volta para a Terra. Você não pode continuar aqui.” Quando analisamos as consequências lógicas de uma ideia, podemos perceber mais facilmente quando estão erradas e o quanto são perigosas.

A morte é como um sono sem sonhos, do qual Jesus despertará Seus fiéis em Sua segunda vinda. Então, junto com os santos vivos, aqueles que forem ressuscitados serão arrebatados e levados ao Céu para estar com Jesus para sempre (1Ts 4:16, 17).

As palavras de Paulo sobre “partir” desta vida para estar com Cristo significam estar com Ele no sofrimento e na morte (2Tm 4:6), para “alcançar a ressurreição dentre os mortos” (Fp 3:11). Paulo também sabia que, depois de fechar os olhos na morte, a próxima cena que veria, em um piscar de olhos, seria Jesus. Cristo o levaria, com todo o povo de Deus, para o lugar que preparou para todos que O amam (Jo 14:3; 1Co 2:9).

Embora estivesse disposto a morrer por Cristo, Paulo sabia que seria melhor para os filipenses que ele continuasse “a viver” (Fp 1:24). Curiosamente, para o cristão, nem sempre é fácil saber se é melhor viver para Cristo ou morrer por Ele. Paulo estava “pressionado dos dois lados” (Fp 1:23, NVI), entre continuar vivo ou descansar na sepultura.

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!

Você já pensou que, após a morte, a próxima cena que verá será a volta de Cristo? Esse pensamento o ajuda a entender o raciocínio de Paulo?
Download iOS Download Android


Quarta-feira, 14 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 6
Permaneçam firmes na unidade

A última oração de Jesus pelos discípulos girou em torno de um tema central: a unidade. Jesus olhou além da cruz, contemplando a união com Seu Pai e conosco: “Pai, a Minha vontade é que, onde Eu estou, também estejam Comigo os que Me deste, para que vejam a Minha glória que Me conferiste” (Jo 17:24). Jesus orou para que o Pai guardasse Seus filhos, a fim de que eles fossem “um”, assim como Deus e Cristo são “um” (Jo 17:11). Jesus também destacou as terríveis consequências da desunião – ela pode levar muitos à incredulidade. Duas vezes, nessa breve oração, Jesus enfatizou que nossa união com Ele e com o Pai tem o objetivo de que o “mundo creia” e “conheça” que o Pai enviou a Cristo (Jo 17:21, 23).

6. Leia Filipenses 1:27 e compare com João 17:17-19. O que Jesus e Paulo afirmaram ser indispensável para a unidade da igreja?

A palavra grega traduzida como “vivam de modo digno” (Fp 1:27) é politeuomai. Nesse verso, ela significa “viver como cidadão”, não de um reino terrestre, mas do reino celestial. O Sermão do Monte apresenta lindas imagens do que significa ser filho do Pai celestial e cidadão do Seu reino: ser pobre em espírito, ser manso, ter fome e sede de justiça, ser misericordioso, puro de coração e pacificador, e ter a atitude de virar a outra face, amar os inimigos, bendizer os que nos amaldiçoam e fazer o bem aos que nos odeiam. Em resumo, praticar a justiça, amar a misericórdia e andar “humildemente com o seu Deus” (Mq 6:8).

É difícil ficar irritado com alguém assim, não é verdade? Às vezes, ficamos ofendidos com pessoas que parecem boas demais. Podemos até ser tentados a diminuí-las ou procurar pontos fracos para mostrar que não são tão boas quanto parecem para nos sentirmos melhores conosco mesmos. Por que não tentar ser também amorosos e humildes?

Ellen G. White mencionou aqueles que “amam o mundo e seus lucros mais do que a Deus ou a verdade” (Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 5, p. 234).

A desunião na igreja tem origem no orgulho. “À medida que orgulho e ambição mundana foram cultivados, afastou-se o espírito de Cristo e insinuaram-se rivalidade, dissensão e luta, para desviar e enfraquecer a igreja” (Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 204).

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!

A igreja seria diferente se imitássemos a humildade e mansidão de Jesus?
Download iOS Download Android


Quinta-feira, 15 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 7
Unidos e destemidos

7. A unidade e a luta “pela fé do evangelho” fortalecem a nossa coragem? Fp 1:27-30

A estratégia de Satanás é dividir para conquistar. A desunião é mortal. Jesus disse: “Se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir” (Mc 3:25). Esse é um princípio simples que Satanás tenta nos fazer esquecer. A unidade nos ajuda a cumprir nosso papel profético como o remanescente da profecia bíblica (Ap 12:17), proclamando o “evangelho eterno” a “cada nação, tribo, língua e povo” (Ap 14:6). A unidade é essencial para cumprir a missão de proclamar essa mensagem dada por Deus. E a oração de Jesus em João 17 destaca a “verdade” da Palavra de Deus como uma das chaves mais importantes para a unidade (Jo 17:17, 19). Por isso, a mensagem não pode ser separada da missão nem da unidade. As três devem andar juntas. Se uma dessas chaves estiver ausente, não conseguiremos obter sucesso. No entanto, se tivermos as três em ação, não há nada a temer. Não devemos nos sentir de forma alguma “intimidados pelos adversários” (Fp 1:28). Satanás é um inimigo derrotado. Mesmo se tivermos que morrer por nossa fé, nada pode nos prejudicar se formos “zelosos na prática do bem” (1Pe 3:13). O diabo é impotente para impedir o avanço da verdade de Deus.

8. Quais são as ideias em comum nos seguintes versos? Mt 10:38; At 14:22; Rm 8:17; 2Tm 3:12

A vida neste mundo de pecado é difícil, mesmo para as pessoas que estão mais perto de Deus. Jó era um homem justo, e o próprio Senhor disse que ele era um “homem íntegro e reto”, que temia a Deus e se desviava do mal (Jó 1:1, 8). E, ainda assim, da noite para o dia, tragédias atingiram Jó e sua família. Todos nós já aprendemos, seja por nossa experiência pessoal ou pela observação da experiência dos outros, que viver neste mundo é como estar à beira de um precipício, e nunca sabemos quando poderemos cair. O sofrimento, em algum grau, é parte da nossa vida. Ainda assim, é melhor sofrer por causa de Cristo do que por qualquer outra razão.

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!

Que esperança e conforto devemos ter em meio ao sofrimento?
Download iOS Download Android


Sexta-feira, 16 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 8
Estudo adicional

“Dos instrumentos de tortura, das fogueiras, das masmorras, das covas e cavernas da Terra ecoou em seus ouvidos o grito de triunfo dos mártires. Ele ouviu o testemunho dos que ficaram firmes e que, embora despojados, afligidos e atormentados, deram testemunho da fé, de forma destemida e solene, declarando: ‘Sei em quem tenho crido’ (v. 12). Os que, dessa forma, renderam sua vida pela fé declararam ao mundo que Aquele em quem acreditaram era capaz de salvá-los plenamente” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos [CPB, 2021], p. 326).

“É-nos assegurado que os atalaias verão com seus próprios olhos quando o Senhor voltar a Sião. Também é dito que no tempo do fim os sábios entenderão. Quando isso se cumprir, haverá unidade de fé entre todos a quem Deus considera entendidos; pois os que realmente compreendem com correção devem também compreender em união. [...] De considerações como essa torna-se evidente que o estado perfeito da igreja aqui predito está ainda no futuro; logo esses dons não completaram ainda sua obra” (Roswell F. Cottrell, “Introdução”, em Ellen G. White, Primeiros Escritos [CPB, 2022], p. 139).

Perguntas para consideração

1. De acordo com a última citação acima, o que é necessário para que o Espírito Santo traga unidade à igreja de Deus hoje? Qual é a importância, para a unidade da igreja, de aplicar os conselhos dados por meio do dom de profecia?

2. Como você explicaria o ensino bíblico sobre a morte a um amigo que acredita que Paulo e outros cristãos que morreram estão agora no Céu com Cristo?

3. Como podemos compreender a terrível realidade do sofrimento no mundo? Por que o tema do grande conflito nos ajuda a entender tudo isso? Por que é tão importante olhar para Jesus na cruz como a expressão mais plena do amor do Pai e aprender a confiar Nele, mesmo nos piores momentos?

Respostas às perguntas da semana: 1. Paulo esperava ser libertado, mas o mais importante para ele era que Cristo fosse exaltado em sua vida ou em sua morte. 2. Como um pai espiritual, cuidando com carinho, exortando com firmeza e sentindo profunda afeição para com cada pessoa. 3. A guerra é espiritual, e as armas são poderosas em Deus: verdade, fé, obediência e autoridade para destruir o mal. 4. Paulo entendia que viver significava servir a Cristo, e morrer seria estar em paz, aguardando a vitória final. 5. Ele se referia à esperança da ressurreição. Como a morte é um estado de inconsciência, para quem morre não existe espera-o próximo instante será com Cristo. 6. A unidade da igreja depende da verdade e da consagração. Foi isso que Paulo e jesus afirmaram. 7. Quando lutamos juntos pela fé, encontramos coragem. A união nos fortalece diante da oposição. 8. O sofrimento faz parte da vida cristã. Seguir a Cristo envolve renúncia, resistência e fidelidade até o fim.

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!



Resumo da Lição 3
Vida e morte | 1º Trimestre 2026

TEXTO-CHAVE: Fp 1:21

FOCO DO ESTUDO: Fp 1:19-30; 1Ts 4:14-16

ESBOÇO

Introdução: Martin Luther King Jr. disse: “Se um homem não descobriu algo pelo que morreria, ele não está apto a viver” (Citado por Mark Water, The New Encyclopedia of Christian Quotations [Alresford, Hampshire, Inglaterra: John Hunt Publishers Ltd., 2000], p. 404). Paulo expressou um sentimento semelhante: “Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1:21). Essas não foram palavras vazias! Paulo realmente estava disposto a morrer por Cristo (Rm 14:8), e de fato morreu por Ele (2Tm 4:6-8).

Ao citar o Salmo 44:22, Paulo declarou: “Por amor de Ti, somos entregues à morte continuamente; fomos considerados como ovelhas para o matadouro” (Rm 8:36). Por isso, suas palavras em Gálatas 2:20 não deveriam nos surpreender: “Fui crucificado com Cristo”. Paulo esteve disposto a morrer por Cristo porque estava comprometido a viver para Ele. O apóstolo continuou: “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus” (Gl 2:20). Assim, Paulo viveu e morreu por causa do evangelho.

A lição desta semana enfatiza três temas principais:

1. Deus nos chamou a viver com a mente voltada para a missão, inclusive nos convidando a estar dispostos a morrer por Ele.

2. A morte é comparada a um sono, cuja solução é a ressurreição do corpo, e não a imortalidade da alma.

3. Cristo nos chamou à unidade em Seu Espírito. Como todos estamos envolvidos em uma guerra espiritual, devemos não apenas usar as armas corretas, mas também lutar juntos, em unidade.

COMENTÁRIO

Ilustração

John Bradford foi queimado vivo na fogueira em 1o de julho de 1555. Bradford “foi capelão do rei Eduardo VI, da Inglaterra, e um dos pregadores mais populares de sua época. Mas tornou-se mártir por causa de sua fé. Quando estava sendo levado à Prisão de Newgate, em Londres, para ser queimado, foi-lhe concedida permissão para falar, e, da carroça em que seguia para a morte, por todo o caminho do oeste de Londres até a Prisão de Newgate, ele clamava: ‘Cristo, Cristo, nada além de Cristo’” (Paul Lee Tan, Encyclopedia of 7,700 Illustrations: Signs of the Times [Garland,TX: Bible Communications, Inc., 1996], p. 787). Assim como Paulo, Bradford entregou-se à missão, vivendo e morrendo por Cristo.

Viver e morrer por Cristo

A declaração de Paulo em Filipenses 1:21 foi uma das mais notáveis de todas as suas cartas. Sua disposição de viver por Cristo, o que implicava suportar dificuldades inevitáveis e até mesmo morrer por Ele, destaca a esperança expressa no verso anterior: “Cristo será engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte” (Fp 1:20).

Um conceito intrigante, no entanto, é a afirmação de Paulo de que morrer é lucro. O que ele quis dizer com isso? Como alguém pode se beneficiar com a própria morte? Com base no desejo que Paulo expressou em Filipenses 1:23, “partir e estar com Cristo”, alguns inferiram que ele estaria afirmando que estaria na presença de Cristo imediatamente após a morte. No entanto, tal ideia contradiz os ensinamentos claros das Escrituras a respeito da mortalidade da alma e da morte como um sono. Para entender o que Paulo quis dizer ao se referir à morte como lucro, é importante examinar seu uso da palavra “lucro” (do grego kerdos) e do verbo cognato “lucrar” (do grego kerdain?) em outros trechos de seus escritos. Em Filipenses 3:7 e 8, Paulo mencionou que aquilo que antes considerava como lucro (kerdos), agora considera como perda “por causa de Cristo” (Fp 3:7); isto é, “por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus” (Fp 3:8). Paulo explica ainda: “Por causa Dele perdi todas as coisas e as considero como lixo, para ganhar [kerdain?] a Cristo” (Fp 3:8).

Assim, para Paulo, morrer era lucro no sentido de que, no fim, ele ganharia Cristo ao vê-Lo em Sua segunda vinda (2Tm 4:8).

Também é possível que o “lucro” (kerdos) em Filipenses 1:21 tenha um sentido missionário. Em 1 Coríntios 9:19 a 22, Paulo usa kerdain? como um termo missionário: “Fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar [kerdain?] o maior número possível. [...] Para com os judeus, fiz-me como judeu, a fim de ganhar [kerdain?] os judeus; para os que vivem sob o regime da Lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar [kerdain?] os que estão debaixo da Lei, embora eu não esteja debaixo da Lei. Aos sem lei, como se eu mesmo o fosse, [...] para ganhar [kerdain?] os que vivem fora do regime da lei. Fiz-me fraco para com os fracos, a fim de ganhar [kerdain?] os fracos.”

Nesse sentido, o seguinte comentário sobre Filipenses 1:21 é esclarecedor: “[Paulo] está preocupado em glorificar a Cristo. Se o Senhor achava melhor que ele testemunhasse por meio da vida e do ministério, certamente ele o faria. No entanto, a morte de um justo também pode ser uma afirmação poderosa da eficácia do evangelho da graça. O contraste entre a morte dele e a de alguém que morre sem esperança seria tão marcante que sua influência seria positiva para o reino de Cristo. Os corações são tocados e abrandados pela confiança de alguém cuja esperança está em Deus, mesmo em face da morte” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 7, p. 132). Paulo acreditava que sua morte marcaria a culminação de sua obra missionária (Fp 2:17; comparar com 2Tm 4:6, 7). Além disso, é provável que ele pensasse que entregar sua vida poderia encorajar “os filipenses a um autossacrifício” ou “levasse outros a conhecer a fé que ele mantinha tão tenazmente” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 7, p. 146).

Paulo via a morte como lucro porque, em sua próxima experiência consciente, a ressurreição, ele veria Cristo. Ao mesmo tempo, Paulo também tinha certeza de que, entre sua morte e a segunda vinda de Cristo, estaria dormindo no túmulo.

A morte é como um sono

Paulo comparou a morte a um sono (1Ts 4:14, 15), sugerindo um estado de inconsciência. Essa ideia está de acordo com o ensinamento de Jesus nos evangelhos (Lc 8:52, 53; Jo 11:11-13). Um exemplo claro é a história da ressurreição da filha de Jairo. Curiosamente, enquanto Mateus e Marcos mencionam apenas que as pessoas zombaram da afirmação de Jesus de que a menina estava dormindo (Mt 9:24; Mc 5:39, 40), a observação de Lucas, médico de profissão, foi mais precisa: “E riam-se dele, porque sabiam que ela estava morta” (Lc 8:53, ênfase acrescentada). Além disso, o livro de Atos, também escrito por Lucas, descreveu a morte de Estêvão dizendo que ele “adormeceu” (At 7:60). Isso também é dito a respeito de Davi (At 13:36).

Ao se referir à morte dos “pais”, Pedro disse que eles “dormiram” (2Pe 3:4). Os estudiosos debatem se, ao dizer “os pais”, Pedro estava se referindo à geração anterior de cristãos ou aos patriarcas, mas essa distinção é irrelevante. Seja qual for o caso, a morte é retratada como um estado de inconsciência, semelhante ao que acontece quando adormecemos todas as noites. Também é digno de nota o fato de que “muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados” na ressurreição de Jesus (Mt 27:52, ARC, ênfase acrescentada). Essa passagem no Evangelho de Mateus é importante não apenas por comparar a morte ao sono, mas também porque aponta claramente para a ressurreição do corpo como o remédio para a morte.

Conforme já observado, a crença de Paulo de que a morte é comparável ao sono está profundamente enraizada nos ensinamentos de Jesus e está em harmonia com o pensamento expressado por outros apóstolos. Assim, a Bíblia não retrata a morte como um estado de consciência, como muitos imaginam.

Unidade em Cristo

Filipenses 1:27 iniciou uma seção da carta (Fp 1:27-30) na qual Paulo passa de uma discussão sobre seu próprio sofrimento para tratar do sofrimento de seus leitores em sua obra por Cristo. Dois temas cruciais surgem em Filipenses 1:27: um modo de vida semelhante ao de Cristo e a unidade. Os crentes eram chamados a demonstrar uma conduta exemplar e a permanecer unidos, apesar da oposição implacável e do sofrimento que enfrentavam por causa de sua fé em Cristo.

Paulo usou duas expressões-chave para destacar o tipo de conexão que deveria caracterizar o relacionamento entre os crentes: “Um só espírito” e “uma só alma” (Fp 1:27). Essa linguagem de companheirismo permeia toda a carta. Nesse contexto, Paulo afirmou que os filipenses completariam sua alegria “tendo o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor e sendo unidos de alma e mente” (Fp 2:2). Em Filipenses 4:1 a 3, Paulo sugeriu que a unidade era essencial para o cumprimento da missão.

Filipenses 4:3 apresenta quatro palavras compostas introduzidas pela partícula grega syn (“com” ou “juntamente com”): syzygos (“companheiro de jugo”); syllamban? (literalmente, “tomar junto”); synathle? (“lutar juntamente com”) e synergos (“cooperador” ou “companheiro de trabalho”). Assim, Paulo mencionou mulheres que se esforçaram com ele no evangelho, bem como seus cooperadores, todos eles envolvidos na missão.

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Reflita sobre os temas a seguir. Em seguida, peça aos alunos que respondam às perguntas ao fim desta seção.

Jesus disse: “O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo acima do seu senhor” (Mt 10:24). Entre outras coisas, esse ensinamento inclui rejeição, sofrimento e até martírio. Em João 15:20, Jesus declarou: “Se perseguiram a Mim, também perseguirão vocês”. Como obreiros na causa de Cristo, devemos estar preparados para tempos difíceis. A Bíblia revela que Satanás está atuando com diligência neste mundo para impedir que o evangelho seja pregado a todas as nações, tribos, línguas e povos, pois “sabe que pouco tempo lhe resta” (Ap 12:12). O povo de Deus também deve trabalhar com diligência.

Assim, Cristo nos chama a viver para a missão. E, se morrermos enquanto estivermos dedicados à nossa tarefa missionária, temos a certeza de que dormiremos no túmulo, aguardando a ressurreição na segunda vinda de Jesus. Deus não Se esquece daqueles que morreram fiéis à mensagem do terceiro anjo. É prometido a eles: “Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham” (Ap 14:13). Por enquanto, é necessário perseverar (Ap 14:12). Somos chamados a tomar a nossa cruz e seguir a Cristo (Mt 10:38) até o dia em que trocaremos a cruz pela coroa da vida (Ap 2:10). Enquanto isso, devemos trabalhar juntos contra um inimigo comum. Paulo escreveu: “A nossa luta não é contra carne e sangue [...], mas contra as forças espirituais do mal” (Ef 6:12). Unidos em Cristo e revestidos com a armadura de Deus, seremos vencedores!

Perguntas:

1. Pense em um momento em que você sofreu perseguição religiosa. Como o sofrimento por causa de Cristo fortaleceu sua fé?

2. Para qual missão Cristo o chamou? Como você tem cumprido essa missão para Ele?

Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!


O DEUS DO MEU AVÔ

Nova Caledônia | Stanislas

Stanislas foi criado em um lar cristão rico em cultura, fé e tradição. Ele era o segundo de oito filhos, e suas primeiras memórias eram repletas de amor e do ritmo da vida familiar. Mas uma tragédia aconteceu quando seu pai morreu em um aciden­te de carro. Na época, a mãe de Stanislas estava grávida de seu irmão mais novo.

Incapaz de cuidar dos filhos sozinha,ela os enviou para morar com os avós. Foi na casa dos avós que Stanislas testemunhou pela primeira vez uma profunda devoção espiritual. Todas as manhãs, ele acordava com o aroma suave de uma vela acesa e a visão de seus avós ajoelhados em oração. Seu avô, um obreiro fiel da igreja, dedicou sua vida para servir a Deus.

No entanto, mesmo quando menino, Stanislas começou a se perguntar: "Se Deus é tão bom, por que alguém como meu avô, que O amava tanto, sofria tanto?" Aquela dúvida silenciosa cresceria nos anos seguintes.

Quando chegou à adolescência, Stanislas havia se afastado de suas raízes. Ele passou a fumar, beber e, eventualmente, roubar. O que começou como pequenos atos de rebelião o levou a uma vida perigosa de crime. Ele se envolveu com roubos, furtos de carros, e tráfico de drogas.As ruas lhe ensinaram um conjunto diferente de regras-aquelas que dizem que apenas os mais fortes sobrevivem.

Então, uma noite, tudo mudou. Bêbado e ao volante de um carro roubado, Stanislas de repente ouviu uma voz em seu coração: "O que você está fazendo? É assim que você quer que sua vida termine?"

Abalado, ele sabia que não poderia continuar vivendo daquela forma. Na manhã seguinte, ele decidiu abandonar o crime e recomeçar.

Ele voltou para sua cidade para reconstruir sua vida. Não foi fácil- levou um ano e meio -, mas Stanislas estava determinado. Aos 78 anos, ele se alistou no exército, completou o treina menta e, por fim, encontrou um em prego estável.

Mais tarde, ele conheceu uma mulher e eles começaram uma vida juntos. Eles tiveram dois filhos, e tudo correu bem por um tempo. Mas velhas feridas e dores não resolvidas começaram a aparecer, criando tensão em seu relacionamento. Por fim, o casal se separou.

Não muito tempo depois, o pai da mulher ligou para Stanislas e pediu que lhe dessa outra chance. Ele concordou, sem saber o que esperar. 

Sua parceira havia crescido em uma família adventista do sétimo dia. Embora estivesse afastada da igreja, ela ainda lia sua Bíblia todos os dias. Um dia, ela disse a ele: "Eu quero voltar para a igreja".

Stanislas respondeu: "Por que não? Eu já tentei de tudo-talvez seja o momento de tentar Jesus".

Ela começou a frequentar a igreja aos sábados, enquanto ele começou a ir à igreja aos domingos. Algumas vezes, ela ia com ele, mas ele nunca ia com ela. Ainda assim, ele percebeu que algo havia mudado. Ela estava mais calma e feliz. Havia uma paz nela que ele não conseguia explicar.

Um dia, ele perguntou a ela: "Por que você passa o dia inteiro na igreja? A minha dura apenas algumas horas".

Ela sorriu e disse: "Venha comigo. Você vai entender".

Ele concordou -e aquele prime iro sábado na igreja dela foi um ponto de virada. A mensagem tocou seu coração de uma forma que ele não esperava. Ele ainda não entendia Jesus completamente, mas algo se moveu dentro dele.

O pastor o convidou a estudar a Bíblia. Stanislas aceitou.

Ao abrir a Bíblia, ele começou a encontrar respostas para perguntas que o assombravam desde a infância. A imagem de Deus, que havia sido danificada pela dúvida, foi lentamente curada. Ele percebeu que a mesma voz que havia ouvido anos antes, naquele carro roubado, estava falando com ele novamente -desta vez através das Escrituras. 

Certa noite, depois da sessão de estudos, ele se virou para sua esposa e disse: "Eu acho que tenho fé agora. Eu fina I mente entendo o que significa crer".

Não muito tempo depois, eles se casaram e foram batizados juntos.

Dois anos mais tarde, Stanislas se matriculou na universidade adventista em Fiji, onde ele se formou em teologia. Hoje, ele serve como pastor na Nova Caledônia, na mesma ilha onde sua jornada começou.

Mas agora, ele serve o Deus de seu avô -não por tradição, mas por convicção, amor e um relacionamento pessoal com Cristo.

Sua oferta do trimestre, também conhecida como oferta para projetos missio­nários, terá um impacto eterno na vida de pessoas como o pastor Stanislas Weneguei. Ela ajudará a estabelecer um centro de influência em Wallis, que ajudará os adventistas a construírem pontes de entendimento e amizade com as pessoas do território da Missão Nova Caledônia.

Por Stanislas Weneguei.

Dicas para a história

• Mostre a localização da Nova Caledônia no mapa.

• Pronuncie Stanislas como: STAN-ih-slahz.

• Baixe as fotos desta história pelo Facebook: bit.ly/fb-mq.

• Compartilhe fatos e atividades relacionadas à Divisão do Pacífico Sul: bit.ly/spd-2026.