Paulo continuou desenvolvendo o tema da reconciliação, destacado de forma marcante em Colossenses 1:20 (veja o estudo de quinta-feira da Lição 8). Nesse verso, ele descreveu o alcance cósmico dessa reconciliação, enquanto o que vem em seguida se torna mais pessoal e individual. Por meio de Sua morte na cruz, Jesus realizou a reconciliação de todas as coisas e de todas as criaturas, especialmente dos seres humanos, que estavam afastados da vida de Deus por causa do pecado. Agora, pela fé, temos a oportunidade de nos reconciliarmos com Ele.
O processo de reconciliação individual é destacado na passagem desta semana. Assim como na esfera cósmica, essa reconciliação ocorre por meio da morte de Cristo. No nível pessoal, a cruz deixa de ser apenas um símbolo passivo e se torna uma realidade ativa, em que o amor de Deus transforma vidas à medida que as pessoas ouvem o evangelho e recebem Cristo, a esperança da glória.
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1. Leia Colossenses 1:21 e 22. O que significa dizer que estávamos “separados de Deus” e éramos “inimigos Dele” (NVI)? O que a morte de Cristo obtém por nós? Veja também Efésios 5:27.
Paulo sempre retratou a humanidade de forma negativa e sombria, especialmente quando separada da justiça de Cristo. E quem, quase 2 mil anos depois, ousaria discordar? Alguém já disse que a única doutrina cristã que não precisa ser aceita pela fé é a pecaminosidade humana.
No entanto, desde a entrada do pecado, Deus tomou a iniciativa de nos reconciliar com Ele, apesar de nossa condição deplorável. Desde o princípio, Ele atua para resolver o problema do pecado, mesmo que a solução tenha custado Sua própria morte na cruz.
No Éden, Deus chamou Adão, a obra-prima da criação, com a pergunta: “Onde você está?” (Gn 3:9). E hoje, Ele continua buscando Suas ovelhas perdidas – nós. Ele nos procura individualmente e tem um plano perfeito para nos alcançar, cumprindo a primeira promessa sobre o evangelho, em Gênesis 3:15, ao colocar inimizade entre nós e Satanás.
Às vezes, o evangelho é apresentado de forma tão complicada e teórica que perde o significado prático para a vida no século 21. No entanto, ele é simples e direto.
O evangelho tem três partes principais:
1. Uma vez que somos incapazes de nos salvar, Jesus veio e morreu por nossos pecados (veja Rm 5:6-8).
2. Ao aceitar Sua morte como nossa, por meio da fé, do arrependimento e do batismo, somos justificados e libertos da condenação do pecado (veja Rm 5:9-11; 6:6, 7).
3. A vida que temos agora é resultado de nossa união com Cristo. Experimentamos Seu poder recriador, permitindo que Ele viva Sua vida em nós (veja 2Co 5:17-21; Gl 2:20).
Esses não são necessariamente eventos separados. Eles podem ocorrer de forma simultânea, assim que aceitarmos Jesus. E podem ser renovados a cada dia, quando nos entregamos a Ele pela manhã. Independentemente de como tenhamos experimentado a obra salvífica de Cristo, o fundamento sempre está na morte de Jesus. E sempre precisamos voltar a esse fundamento.
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2. Leia Colossenses 1:23. O que você entende sobre permanecer “alicerçados e firmes” na fé? (Veja também Cl 2:5; Ef 3:17.)
Em grego, existem quatro palavras diferentes para “se”. A que aparece em Colossenses 1:23 indica uma condição verdadeira. Nesse caso, Paulo encorajou os colossenses com a certeza de que eles realmente permaneceriam firmes na fé. Ele já tinha observado evidências dessa fé e firmeza (Cl 2:5). No entanto, a esperança deles ainda dependia de continuarem no caminho da fé que haviam começado a trilhar.
O termo grego traduzido como “permanecer” (Cl 1:23) expressa a ideia de perseverança. Esse termo é usado, por exemplo, para descrever os escribas e fariseus que “insistiam” em questionar Jesus sobre o que fazer com a mulher adúltera (Jo 8:7). Já na história de Pedro, descreve que ele “continuava” batendo à porta depois que Rode reconheceu sua voz, mas correu para avisar os outros sem destrancar a porta (At 12:16). Paulo também utilizou essa palavra ao encorajar Timóteo a “continuar” fiel às instruções que havia recebido (1Tm 4:16). Em Colossenses 1:23, o significado é semelhante, mas aplicado de forma geral aos crentes.
Como veremos na lição da próxima semana, Paulo estava preocupado com o risco de os colossenses se desviarem, buscando soluções humanas para a salvação em vez de se firmarem na esperança do evangelho (veja Cl 2:8, 20-22). A palavra “alicerçados” aponta para a necessidade de uma base sólida de fé e amor, fundamentada na Palavra de Deus (veja Mt 7:25; Ef 2:20; 3:17).
A palavra “firmes” está conectada a essa ideia, pois descreve algo inabalável, como um cristão que não se deixa “afastar da esperança do evangelho” (Cl 1:23). Essa mesma palavra aparece em 1 Coríntios 15:58: “Sejam firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o trabalho de vocês não é vão.”
Ao contrário da ideia popular de que “uma vez salvo, salvo para sempre”, Paulo deixou claro que a salvação exige perseverança na fé.
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3. Leia Colossenses 1:24 e 25. O que Paulo escreveu sobre o sofrimento que experimentava por causa de Cristo?
A carta aos Colossenses foi escrita enquanto Paulo estava em prisão domiciliar em Roma, mas talvez seu maior sofrimento tenha sido não poder realizar o trabalho de pregar o evangelho de cidade em cidade e de casa em casa, como fazia antes (At 20:20). Esses sofrimentos (ou tribulações), sobre os quais Cristo havia alertado (Mt 24:9; Jo 16:33), “não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8:18). Esse é o panorama maior. Assim como escreveu aos cristãos de Filipos, Paulo agora disse aos colossenses que se alegrava em seus sofrimentos, que eram para o benefício deles (Cl 1:24).
Paulo podia estar preso, mas “a palavra de Deus não [estava] algemada” (2Tm 2:9). Durante esse período de confinamento, ele escreveu as cartas de Filipenses, Efésios e Filemom. Após sua libertação, Deus o inspirou a escrever os importantes conselhos de 1 Timóteo e Tito. Durante sua prisão final em uma cela romana, ele escreveu 2 Timóteo. Esses últimos anos proporcionaram a Paulo a oportunidade de escrever uma parte significativa do NT, provavelmente incluindo a carta aos Hebreus.
O plano eterno de Deus já previa tudo isso e muito mais. Em Colossenses 1:25, Paulo utilizou a palavra grega oikonomia, geralmente traduzida como “dispensação” (NAA) ou “responsabilidade” (NVI). Em sentido limitado, esse termo se refere ao “modo como Deus organiza as coisas”, como em 1 Timóteo 1:4 (Luke Timothy Johnson, The First and Second Letters to Timothy [Doubleday, 2001], p. 164). Isso inclui a missão apostólica de Paulo, mas, em sentido mais amplo, abrange todas as provisões de Deus no plano da salvação. O ministério de Paulo, dos outros apóstolos e até dos profetas do AT (Ef 2:20; 3:5), incluindo Moisés, foi planejado “para dar pleno cumprimento à palavra de Deus” (Cl 1:25).
Embora esse tema seja aprofundado no estudo de amanhã, é importante observar que Paulo reconhecia seu ministério como uma pequena parte de um plano divino muito maior e de longo alcance, que começou a ser implementado “antes da fundação do mundo” (Ef 1:4; ver Mt 13:35).
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4. Leia Colossenses 1:26 e 27. Paulo mencionou duas vezes o “mistério”. Que mistério é esse?
Em outra ocasião, Paulo escreveu sobre o “mistério” do propósito eterno de Deus, que Ele “havia predeterminado para a nossa glória antes do princípio das eras” (1Co 2:7, NVI). Isso foi revelado a nós por meio do plano da salvação. Pedro descreveu essa verdade como algo que os profetas haviam previsto e que os “anjos desejam contemplar” (1Pe 1:10-12). Esse plano, estabelecido “antes da fundação do mundo” (1Pe 1:20) e “guardado em silêncio desde os tempos eternos” (Rm 16:25), foi plenamente revelado por meio da vida, morte e ressurreição de Cristo (2Co 3:14).
5. Como os textos abaixo sobre o mistério de Deus nos ajudam a entender diferentes aspectos do plano da salvação?
a) Ef 1:7-10
b) Ef 3:3-6
Em última análise, “todas as coisas” nos Céus e na Terra serão reunidas em perfeita unidade em Cristo. Esse foi o foco da oração de Jesus em João 17. Embora o modo como isso aconteceria fosse um mistério naquela ocasião, agora foi revelado por meio do evangelho.
Durante toda a eternidade, estudaremos para compreender melhor por que Deus nos amou tanto a ponto de entregar Jesus, o tesouro inestimável do Céu, para nossa salvação. No entanto, sabemos que Cristo “morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2Co 5:15). Assim, todos os que creem em Cristo, judeus e gentios, compartilham igualmente das promessas de Deus por meio do evangelho e são reunidos em um único corpo: a igreja.
“Cristo em vocês” (Cl 1:27) refere-se à presença de Cristo habitando em nosso coração pela fé (Ef 3:17; compare com Gálatas 2:20). Essa união espiritual com Cristo nos permite, mesmo agora, nos assentarmos “nas regiões celestiais” (Ef 2:6) e experimentarmos os “poderes do mundo vindouro” (Hb 6:5). Por meio da presença de Cristo em nossa vida, Ele já está começando a nos unir ao Céu. É o evangelho atuando em nosso coração que nos “capacitou a participar da herança dos santos na luz” (Cl 1:12).
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6. Colossenses 1:28 e 29. Qual é o foco de Paulo? Por que ele utilizou as expressões “todos”, “cada um” e “cada pessoa”?
A ênfase da pregação de Paulo era “Jesus Cristo, e Este, crucificado” (1Co 1:23; 1Co 2:2). De acordo com Efésios 5:27, o propósito do sacrifício de Cristo é “apresentar [a igreja] a Si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito”. Por isso, o objetivo da pregação do evangelho por Paulo era apresentar “cada pessoa perfeita em Cristo” (Cl 1:28). Ele buscava alcançar isso por meio do ensino e da advertência: ensinando os diversos aspectos da doutrina e prática cristãs (2Ts 2:15; 1Tm 4:11; 5:7; Tt 1:9) e advertindo sobre as consequências de rejeitar o evangelho e os perigos de falsos mestres (At 20:29-31; Rm 16:17).
Este é o caminho para crescermos e nos tornarmos cristãos maduros: aceitar os ensinos e levar a sério as advertências das Escrituras. A maturidade é um conceito fundamental. Os pais de um bebê celebram cada conquista – as primeiras palavras, os primeiros passos, a leitura das primeiras frases. Que pai ou mãe não ficaria preocupado se seu filho, após vários anos, ainda não conseguisse andar ou falar? Crescer e se desenvolver é algo natural e esperado, tanto na vida natural quanto na vida cristã.
A palavra grega traduzida como “perfeita” (teleios; Cl 1:28) tem o significado de algo completo ou sem defeito. Por meio do processo de crescimento espiritual, compreendemos a profundidade da lei de Deus e reconhecemos que cada um de Seus mandamentos é “ilimitado” (Sl 119:96). Também entendemos que essa lei abrange os “pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4:12).
Ainda assim, precisamos ter cautela, e é por isso que Paulo usou a palavra “advertindo” em Colossenses 1:28. “Há caminho que ao ser humano parece direito, mas o fim dele é caminho de morte” (Pv 14:12). O discernimento espiritual surge de um entendimento da Palavra de Deus guiado pelo Espírito Santo. Falsos ensinos contêm elementos de verdade, mas acrescentam ou retiram algo essencial do que a Bíblia diz (ver Is 8:20). Geralmente, não atacam o que Deus revelou, mas lançam dúvidas sobre a validade ou relevância dessas verdades para os nossos dias. Devemos ser prudentes como as serpentes e inocentes como as pombas ao discernir a verdade doutrinária do erro.
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“Não possuímos em nós mesmos a justiça necessária para satisfazer as exigências da lei de Deus. Mas Cristo providenciou uma solução. [...] Ao entregar-se a Ele, aceitando-O como seu Salvador, você, por causa Dele, será considerado justo, não importa quão pecaminosa possa ter sido sua vida. O caráter de Cristo substituirá seu caráter, e você será aceito diante de Deus como se não houvesse pecado.
“Além de tudo isso, Cristo transformará seu coração; e ali, pela fé, Ele vai habitar. Por meio da fé e de uma contínua submissão de sua vontade a Cristo, você deve manter essa ligação com Cristo. Assim fazendo, Ele operará em você o querer e o realizar, segundo Sua vontade. [...]
“Portanto, nada temos pelo que nos vangloriar, nenhum motivo para exaltação própria. Nossa única razão para a esperança está na justiça de Cristo que nos é atribuída, como resultado da obra do Espírito Santo, o qual atua em nós e por nosso intermédio” (Ellen G. White, Caminho a Cristo [CPB, 2024], p. 40, 41).
“Foi dado a mim o esclarecimento muito vívido de que muitos sairiam de nosso meio, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios. O Senhor deseja que toda alma que professa crer na verdade tenha inteligente compreensão do que seja a verdade” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas [CPB, 2023], v. 2, p. 332).
Perguntas para consideração
1. Leia novamente o verso para memorizar (2Co 5:21). O que significa Cristo ter Se tornado pecado por nós? Como isso revela que Ele foi nosso Substituto e que, Nele, nos tornamos “justiça de Deus”?
2. “Uma vez salvo, salvo para sempre”. Por que consideramos essa doutrina equivocada? Que riscos ela apresenta? Como ter certeza da salvação sem adotar esse falso ensino?
3. Você está alicerçado e firme na fé (Cl 1:23)? Compreende bem no que acredita e por que acredita? O que pode fazer para aprofundar esse entendimento? Por que é essencial estar alicerçado e firme na fé?
Respostas às perguntas da semana: 1. Estar “separado de Deus” é viver longe da vontade Dele, dominado pelo pecado. A morte de Cristo nos reconcilia com Deus, para ser santos e irrepreensíveis. 2. Significa estar enraizado em Cristo, firme na verdade e resistente diante das provações. A fé precisa de base sólida para permanecer constante. 3. Paulo via o sofrimento como parte de sua missão. Ele sofria com alegria, porque seu sofrimento ajudava a edificar a igreja e anunciar o evangelho. 4. O mistério é Cristo habitando em nós, algo antes oculto, mas agora revelado aos que creem. 5. a) Efésios 1:7-10 mostra que o plano de Deus é reunir tudo em Cristo, por meio do perdão e da graça. b) Efésios 3:3-6 revela que o evangelho é para todos, judeus e gentios, unidos em Cristo como um só povo. 6. O foco de Paulo era apresentar cada pessoa madura em Cristo. Ao repetir “todos” e “cada um”, ele destaca que o evangelho é universal e que cada indivíduo é precioso para Deus.
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TEXTO-CHAVE: 2Co 5:21
FOCO DO ESTUDO: Cl 1:21-29; Rm 5; 2Co 5:18-21
ESBOÇO
Introdução: Em sua carta aos colossenses, Paulo ensina que temos todas as coisas em Cristo. Jesus é nosso Criador e Redentor. O apóstolo desenvolve essa ideia atribuindo a Jesus títulos que refletem o que Ele fez por nós. Jesus é o Cabeça da igreja, o Princípio e o Primogênito dentre os mortos, o que resulta em Sua primazia em todas as coisas (Cl 1:18). Paulo também disse que “Deus achou por bem que, Nele, residisse toda a plenitude” (Cl 1:19). Em outras palavras, Paulo afirmou que Jesus é Deus! Em termos simples, Paulo está dizendo que Jesus faz o que faz porque Ele é quem Ele é. Sendo plenamente Deus, Ele pode criar e redimir. Em Colossenses 1:19 e 20, Paulo deu a entender que Deus Se agradou de duas coisas: (1) que em Jesus residisse toda a Sua plenitude e (2) que, por meio de Jesus, todas as coisas fossem reconciliadas com Ele. Essas duas ideias indicam que o status divino de Jesus e Sua obra de reconciliação são inseparáveis.
A lição desta semana enfatiza três temas principais:
1. Deus dá o primeiro passo para nos reconciliar Consigo mesmo. Com esse propósito, Ele enviou Jesus ao mundo para trazer a humanidade de volta a Ele. Mas, em resposta, devemos permanecer na fé e não ser afastados “da esperança do evangelho” (Cl 1:23).
2. Em nosso trabalho para Cristo, precisamos lembrar que somos apenas Seus instrumentos dentro de um plano divino muito maior.
3. O poder do evangelho nos conduz ao amadurecimento para a salvação em Cristo.
COMENTÁRIO
Ilustração
Os pais de Elizabeth Barrett Browning desaprovavam tão fortemente seu casamento com Robert Browning que a deserdaram. Quase toda semana, Elizabeth escrevia cartas de amor para sua mãe e seu pai, pedindo uma reconciliação. Eles nunca lhe responderam. Após dez anos escrevendo cartas, Elizabeth recebeu uma grande caixa pelo correio. Ela a abriu. Para sua tristeza e desgosto, a caixa continha todas as suas cartas aos pais. Nenhuma delas havia sido sequer aberta.
Hoje, essas cartas de amor estão entre as mais belas da literatura clássica inglesa. Se seus pais tivessem aberto e lido apenas algumas delas, uma reconciliação poderia ter sido realizada. A Bíblia é a carta de reconciliação de Deus para nós. Devemos abri-la e lê-la com atenção e frequência (Michael P. Green, 1500 Illustrations for Biblical Preaching [Grand Rapids, MI: Baker Books, 2000], p. 297).
Reconciliação, fé e esperança
A Bíblia indica claramente que foi Deus que iniciou o processo de reconciliação da humanidade Consigo mesmo. Quando nossos primeiros pais caíram em pecado, Deus visitou o jardim do Éden para buscá-los (Gn 3:9). Paulo afirmou que “nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do Seu Filho” (Rm 5:10). Esse ensinamento reflete o sentimento de Paulo em Colossenses 1:21 e 22. Notavelmente, a iniciativa de Deus em promover a reconciliação é um tema recorrente em Romanos 5:5 a 11, como se pode observar na tabela a seguir.

Há um paralelismo estreito entre os versículos 6, 8 e 10 (ver também Ef 2:4, 5). Quando ainda éramos fracos, quando éramos pecadores e inimigos, Cristo morreu por nós, reconciliando-nos, assim, com Deus. Paulo também abordou esse tema em outras passagens, com pequenas variações, como mostra a tabela abaixo.

Deus sempre foi o Agente supremo e o Iniciador do processo de reconciliação. Em Gálatas 4:4 e 5, Paulo utilizou a linguagem da adoção para se referir à iniciativa divina em nos reconciliar Consigo mesmo. Como João declarou com eloquência: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4:19). A reconciliação se tornou possível por meio da morte de Cristo (Rm 5:6; 2Co 5:21; Cl 1:20; Ef 2:13, 16; etc.) e resultou em paz com Deus (Ef 2:14-19). Visto que fomos adotados como filhos de Deus (Rm 8:15; Gl 3:26; 4:4-6; 1Jo 3:1, 2), nosso status elevado, pela fé em Cristo, passou a nos garantir acesso a Ele (Rm 5:2; Ef 2:18; 3:12; Hb 10:19-22).
Em resposta à iniciativa de Deus, devemos permanecer na fé e não ser afastados “da esperança do evangelho” (Cl 1:23). Fé e esperança são virtudes cristãs que andaram sempre juntas (1Co 13:13; Gl 5:5; 1Ts 1:3; 5:8; 1Pe 1:21). Cremos e esperamos em Deus para a salvação (1Pe 1:21), e não em conquistas humanas.
Participantes em um plano muito maior
Em Colossenses 1:25, Paulo declarou que ele se tornou “ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus [...] para dar pleno cumprimento à Palavra de Deus.” Paulo sabia que seu ministério não era um fim em si mesmo. Ele era apenas um participante em um plano muito maior. Do contrário, como poderia ele se alegrar em seus sofrimentos (Cl 1:24)? Somente alguém que entende que nossas aflições neste mundo são apenas uma dor momentânea, quando comparadas ao “eterno peso de glória, acima de toda comparação”, que Deus está preparan-
do para nós (2Co 4:17), consegue se alegrar nelas. Paulo afirmou que o cumprimento da Palavra de Deus estava relacionado ao “mistério que esteve escondido durante séculos e gerações, mas que agora foi manifestado aos seus santos” (Cl 1:26). De fato, Paulo compreendeu que ele era um verdadeiro ator em uma história muito maior do que ele mesmo.
Para o cumprimento de Seu propósito eterno, Deus chamou muitos personagens ao longo dos séculos para desempenhar seu papel na história da redenção. Por exemplo, José não percebeu, a princípio, que Deus estava guiando os acontecimentos para preservar o povo por meio do qual o Messias prometido viria. No entanto, foi exatamente isso que Deus estava orquestrando. A caminho do Egito, “Por algum tempo, José entregou-se a uma dor e pesar incontidos. Mas, na providência de Deus, mesmo esta experiência seria uma bênção para ele. Aprendeu em poucas horas o que de outra maneira anos não lhe poderiam ter ensinado” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 180, ênfase acrescentada). Por fim, os anos ensinaram a José que Deus estava conduzindo todos os eventos “para salvar a vida de muitos” (Gn 50:20).
E quanto a outros personagens bíblicos? São tantos que é impossível falar de todos (ver Hb 11). E quanto ao livro de Rute, por exemplo? À luz da narrativa bíblica mais ampla, a história de Rute mostrou que Deus estava agindo, mesmo quando parecia não estar. Rute desempenhou um papel importante ao se tornar bisavó de Davi, o grande rei de Israel (Rt 4:13, 21, 22). Ela foi apenas uma personagem em uma história muito maior. Deus fez uma aliança com Davi ao prometer que levantaria a sua descendência depois dele e “estabeleceria para sempre o trono do seu reino” (2Sm 7:12, 13). Essa promessa se cumpriu, em última instância, em Jesus, o Filho de Davi no contexto escatológico (Mt 1:1). Deus está conduzindo todos os eventos na Terra para o cumprimento de Seu propósito eterno em Jesus Cristo! Esse propósito é o mistério que estava oculto, mas que agora foi revelado (Cl 1:26).
Maturidade em Cristo
Como cristãos, somos chamados a crescer em maturidade por meio da fé e da prática da Palavra de Deus. Paulo indicou que o objetivo do evangelho é apresentar cada pessoa perfeita em Cristo” (Cl 1:28). Deus deseja que cresçamos enquanto nos preparamos para a segunda vinda de Jesus, sabendo que “Aquele que começou boa obra em [nós] há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus” (Fp 1:6).
O crescimento espiritual envolve pelo menos três aspectos. Em primeiro lugar, devemos crescer na fé. Ao escrever aos coríntios, Paulo deixou claro que esperava que a fé deles aumentasse (2Co 10:15). De modo semelhante, em 2 Tessalonicenses 1:3, Paulo agradeceu a Deus pelos tessalonicenses, porque a fé deles crescia “cada vez mais”. Em segundo lugar, devemos crescer no conhecimento. Pedro apela para que cresçamos “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3:18; ver também 2Pe 1:3). Da mesma forma, Paulo exortou os colossenses a “viver de modo digno do Senhor” e a crescer “no conhecimento de Deus” (Cl 1:10). Em terceiro lugar, devemos crescer no amor. Por isso, em 1 Tessalonicenses 3:12, Paulo expressou seu desejo para com eles: “E o Senhor faça com que cresça e aumente o amor de uns para com os outros e para com todos, como também o nosso amor por vocês” (ver também Fp 1:9). É evidente que o crescimento espiritual vem de Deus. Os crentes são chamados a crescer “com o crescimento que vem de Deus” (Cl 2:19; ver também Fp 1:6; 1Co 3:6, 7; 2Co 9:10).
APLICAÇÃO PARA A VIDA
Medite sobre os seguintes temas. Em seguida, peça aos alunos que respondam às perguntas ao fim desta seção.
É extremamente encorajador saber que Deus toma a iniciativa em nossa salvação, não é mesmo? Sem esse movimento inicial da parte Dele, será que conseguiríamos nos aproximar Dele por conta própria? Certamente que não! Como disse de forma persuasiva A. W. Tozer: “Antes que o homem possa buscar a Deus, Deus precisa primeiro ter buscado o homem” (A. W. Tozer e W. L. Seaver, Oração: Comunhão com Deus em Tudo – Percepções Reunidas de A. W. Tozer [Chicago: Moody Publishers, 2016], p. 238).
A Bíblia mostra que Deus tomou a iniciativa, não apenas em um nível cósmico ao alcançar a única ovelha que se desviou (nosso planeta, a Terra), mas também em um nível pessoal. Afinal, não foi exatamente isso que Jesus fez com a mulher samaritana junto ao poço (Jo 4:1-42), com Natanael (Jo 1:48) e com tantos outros?
Embora Deus tome a iniciativa de nos salvar, não podemos esquecer que Ele espera que a nossa resposta ao Seu amor por nós seja o nosso amor por Ele e o cumprimento do nosso papel em Seu plano divino de salvação cósmica. Deus pode nos usar apesar de nossas fraquezas e limitações. Em Seu poder e força, podemos fazer mais do que imaginamos. No entanto, precisamos ter em mente que somos apenas atores em uma história divina muito maior do que os nossos próprios enredos particulares. Um dia, poderemos compreender mais plenamente o papel que nossas histórias individuais desempenharam na grande narrativa da redenção. Até que esse dia chegue, Deus deseja que cresçamos em fé, conhecimento e amor, como instrumentos de reconciliação e esperança!
Perguntas:
1. De que maneira Deus o buscou no passado? Compartilhe uma experiência pessoal.
2. Qual é o seu papel no grande plano da salvação? Com quem você já compartilhou sua história sobre o amor redentivo de Deus? Com sua história já impactou, de maneira significativa, a vida de outras pessoas?
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UM LUGAR PARA ADORAÇÃO
Fiji | Alice
Meu nome é Alice e sou das Ilhas Salomão. Passei muitos anos como professora no ensino médio, mas hoje trabalho como educadora e pesquisadora autônoma. Adoro planejar programas para jovens e servir em minha comunidade. E em tudo que faço, sinto uma profunda gratidão por um lugar que ajudou a moldar minha fé - o Centro Evangelístico Terciário do Pacífico ou PTEC.
O PTEC é mais do que apenas um prédio. É um lar espiritual para jovens do Pacífico que estudam em Suva, Fiji. E sua história começou com um sonho.
No início dos anos 2000, nossos grupos de louvor estudantis se deslocavam de um lugar para outro para reuniões todos os fins de semana. Usávamos salas de aula universitárias ou salões comunitários. Transportávamos instrumentos musicais pesados e aparelhos de som em táxis. Algumas vezes, motoristas cobravam a mais pela carga. Outras vezes, enfrentávamos a chuva com vasos de flores, utensílios de santa ceia e toalhas de mesa enfiadas debaixo de guarda-chuvas ou lonas plásticas.
"Todo sábado era uma aventura", disse um de nossos membros, certa vez, com um sorriso. "Nunca sabíamos se a sala estaria reservada ou se nos molharíamos para chegar lá".
Enfrentamos muitos desafios - falta de espaço, horário de reserva limitado e mau tempo que com frequência atrapalhava nossos programas. Mas, mais do que o esforço físico, ansiávamos por um lugar que pudéssemos chamar de nosso - um lugar seguro e acolhedor onde jovens alunos adventistas pudessem se reunir, crescer e adorar livremente.
Os líderes da igreja perceberam a necessidade e oraram por uma solução. A visão era clara: construir um centro próximo das universidades em Suva. Um lugar onde os alunos fossem nutridos, capacitados e encorajados a se tornarem embaixadores de Cristo, onde quer que seus estudos os levassem.
Não foi fácil, mas muitas mãos e corações tornaram isso possível. Ainda me lembro dos nomes: Sr. Joe Talemaitoga, Pastor e Sra. Kaufononga, Sr. e Sra. Vakamocea, Sr. e Sra. Senibulu, Sr. e Sra. Barry llaisa, Sr. e Sra. Semi Duaiabe, Sr. Clayton Kuma, Jone Koroisovau, Sr. Jon Orton e Sr. Bhupen. Cada um desempenhou um papel, seja por meio da liderança, do incentivo ou da doação fiel.
Então veio uma grande conquista - a oferta do terceiro trimestre de 2006. Os líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia escolheram nosso projeto, e membros de todo o mundo doaram generosamente. Aquela oferta lançou a base para nosso futuro. O terreno na Grantham Road, 7, em Suva foi adquirido com os fundos. Com o tempo, a estrutura foi erguida: um novo lugar para adoração e ministério.
Hoje, o PTEC é uma comunidade vibrante e de fé. Somos conhecidos por nosso Ministério do Coral Contemporâneo, que traz alegria e significado através da música. A equipe de evangelismo IMPACT visita regularmente as comunidades locais para servir e compartilhar. A Associação de Estudantes Adventistas (ASA) cria um espaço onde os estudantes podem liderar e crescer na fé. Mas, mais do que os programas, as pessoas fazem do PTEC o que ele é. Muitos encontraram seu chamado aqui. Outros formaram amizades para a vida toda. Alguns, como Sandra Dausabea, das ilhas Salomão, dizem que o PTEC mudou suas vidas.
"O clímax da minha vida espiritual aconteceu na igreja do PTEC com a família PTEC", com partilhou Sandra. "Sempre será o PTEC. Deus é fiel e bom".
No PTEC, os alunos recebem apoio em sua jornada espiritual. Eles aprendem a liderar, servir e compartilhar sua fé com confiança. Recebem funções e responsabilidades que os moldam -não apenas como membros da igreja, mas como futuros líderes.
Para nós, este edifício é mais do que concreto e madeira. É um testemunho vivo de fé, generosidade e união. Um lembrete de que não estamos sozinhos nesta missão.
Quero agradecer à igreja mundial. Suas doações criaram um lugar onde os jovens encontram propósito e conexão. Vocês ajudaram a construir mais do que uma igreja-ajudaram a construir um lar.
Deus nos abençoou com diferentes dons. Vamos usá-los com gratidão, humildade, bondade e um coração voltado para a missão. Sim, pode haver momentos de tristeza ou fracasso. Mas, que o fio dourado do amor de Deus nos una -e que Sua luz continue a brilhar através das vidas que tocamos, onde quer que formos.
Parte da oferta do terceiro trimestre de 2009 ajudou a construir o Centro Evangelístico Terciário do Pacífico {PTEC). Obrigado por sua deste trimestre, que ajudará a apoiar projetos de saúde para crianças nas Ilhas Salomão e Vanuatu.
Conforme contado a Maika Tuima, escrito por Milo Ethanie Fevaaiai.
Dicas para a história
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• Compartilhe fatos e atividades relacionadas à Divisão do Pacífico Sul: bit.ly/spd-2026.

