Quando as pessoas vivem e trabalham juntas, enfrentam desafios. Diferenças de opinião podem gerar tensões e dar origem a discussões. Quanto mais próxima for a relação, mais importante é que todos se entendam.
As relações mais próximas, naturalmente, são as familiares. O lar às vezes é chamado de “empresa familiar”, uma forma interessante de descrever seu funcionamento. Há semelhanças entre administrar um negócio e cuidar de um lar. Em ambos, deve haver consenso sobre valores, metas e objetivos; todos devem se dar bem e fazer sua parte para que tudo funcione em harmonia. Os mesmos princípios se aplicam à igreja, que, na essência, é uma família ampliada.
Na passagem desta semana, Paulo nos apresenta princípios para guiar a família cristã, que funciona de maneira diferente de um lar romano típico. Além disso, Ele oferece outros valores que se aplicam a diferentes relações sociais, tanto dentro quanto fora de casa.
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Várias instruções para o lar cristão aparecem no NT (Ef 5:21-33; 6:1-9; Cl 3:18-25; 4:1; Tt 2:1-10; 1Pe 2:18-25; 3:1-7). Esses “códigos domésticos”, como são chamados, não impõem uma hierarquia rígida, mas apresentam diretrizes que tornam as relações mais equilibradas e edificantes para todos.
1. Leia Colossenses 3:18, 19. Que equilíbrio você percebe? Quais conselhos adicionais Paulo dá em Efésios 5:22-25, 33?
Alguns homens citam este texto: “Esposas, que cada uma de vocês se sujeite a seu próprio marido”, e param por aí; mas observe a importante condição que Paulo acrescenta: “como convém no Senhor” (Cl 3:18). O NT em momento algum ensina que as mulheres devem se submeter a todos os homens; nem que a esposa seja subserviente, atendendo sem critério a todos os caprichos ou desejos do marido. A lealdade da esposa é primeiramente ao Senhor e, depois, ao marido. A individualidade da esposa não deve ser apagada pelo marido, nem ele pode servir de consciência para ela.
O amor de Cristo pela igreja, ao Se entregar por ela, ilustra como o marido deve amar a esposa (Ef 5:25). Ele será fiel, não importa o custo. Decidirá sempre o que for melhor para a esposa. Um amor assim torna mais fácil para a esposa obedecer ao mandamento de Deus de respeitar o marido (Ef 5:33).
Um casamento cristão saudável é caracterizado por reciprocidade, diálogo, cumplicidade e harmonia. Às vezes, quando decisões com implicações para toda a família precisam ser tomadas, pode ser apropriado incluir os filhos na discussão, mas os pais nunca devem brigar na frente deles. Após esse processo, se o marido e a esposa não chegarem a um acordo, o caminho bíblico para a paz é que a esposa ceda ao julgamento do marido, desde que isso não viole a Palavra de Deus. Igualmente, a maioria dos maridos, se não todos, pode se lembrar de momentos felizes em que seguiu os conselhos da esposa. Quanto mais o marido e a esposa cooperarem, mais feliz será o casamento.
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As crianças desempenham um papel essencial dentro da família. Elas precisam saber que são amadas e valorizadas como membros da família e cidadãs do Reino celestial. O culto familiar é fundamental, simples, mas deve ser regular, de manhã e à noite. Desde cedo, as crianças podem começar a ajudar com a limpeza da casa e outras responsabilidades. O mais importante é que elas sigam o mandamento de Paulo: “Filhos, em tudo obedeçam a seus pais, pois fazer isso é agradável diante do Senhor” (Cl 3:20).
2. Leia os versos a seguir. Quais princípios são apresentados para a criação dos filhos?
a) Dt 6:6, 7
b) Pv 1:8, 9
c) Pv 22:6, 15
d) Mt 19:14
Quando bem orientados para o Senhor, por meio de ensino e exemplo, os filhos se tornam uma bênção para a família, a igreja e a sociedade. A instrução de Paulo para os pais, assim como para maridos e esposas, é equilibrada e recíproca: “Pais, não irritem os seus filhos, para que eles não fiquem desanimados” (Cl 3:21). A maneira como os pais (especialmente o pai) interagem com os filhos e os disciplinam tem um grande impacto na formação espiritual deles.
Estudos mostram que, quando ambos os pais frequentam a igreja, uma porcentagem maior de filhos também permanece na igreja, ao contrário do que acontece quando apenas um dos pais o faz. O mais surpreendente é que a presença constante do pai na igreja, mais do que da mãe, tem um impacto ainda maior, fazendo com que mais filhos continuem na igreja na vida adulta. O papel do pai, portanto, na formação espiritual dos filhos é fundamental e não pode ser negligenciado. É crucial que os pais assumam esse papel com seriedade.
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3. Leia Colossenses 3:22-25; 4:1. Quais são as instruções dadas aos escravos? Quais princípios podem ser aplicados às relações de trabalho em geral?
Hoje algumas pessoas mencionam a escravidão para alegar que a Bíblia é ultrapassada. No entanto, elas não consideram os contextos históricos de Israel no AT e da igreja no NT. Os seres humanos foram criados à imagem de Deus e, portanto, para ser livres. A lei mosaica proibia manter um compatriota como escravo perpétuo (Dt 15:12) e estabelecia seis anos como o período máximo de serviço para quitar uma dívida financeira (Êx 21:2-6; Lv 25:39-43). A escravidão mencionada na Bíblia, embora repugnante para nossa visão moderna, normalmente não se assemelha às práticas cruéis da escravidão no mundo ocidental, que foram um flagelo e um crime contra a humanidade.
Nos tempos do NT, a igreja atuava numa sociedade regida pela lei romana, que permitia a posse de escravos. “Porém, ao contrário das formas modernas de escravidão, a lei romana concedia aos escravos direitos e oportunidades consideráveis, e tentar derrubar essa prática poderia constituir uma ameaça ao avanço do evangelho” (Clinton Wahlen e Wagner Kuhn, em Hermenêutica Bíblica: Como Interpretar as Escrituras e Avaliar Tendências [CPB, 2025], p. 153).
De fato, dentro da igreja, ao contrário do que acontecia na maior parte do Império Romano, a primeira obrigação do escravo era para com Deus. E seus senhores eram instruídos a tratá-los de forma justa, “sabendo que também [tinham] um Senhor no Céu” (Cl 4:1). Além disso, Paulo orientou Filemom a não tratar Onésimo como um escravo, mas como seu irmão (Fm 16). Na verdade, tanto no AT quanto no NT, os crentes são chamados de escravos (ou servos) de Deus (Sl 34:22; Lc 17:10; 1Pe 2:16).
Mesmo que não concordemos com as circunstâncias culturais em que alguns textos bíblicos foram escritos, devemos ainda aceitar a autoridade do texto. Caso contrário, colocamos nossa própria cultura acima das Escrituras. O melhor é considerar tudo o que a Bíblia diz sobre um tema antes de tirar conclusões sobre o que ela nos ensina a respeito.
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4. Leia Colossenses 4:2-4. Quais princípios sobre oração você encontra nesses versos? Quais pedidos de oração Paulo faz?
Algumas das palavras mais importantes que podemos dizer a alguém que enfrenta dificuldades e problemas são: “Estou orando por você.” Essa é a forma escolhida por Deus para nossa conexão e interação com o Céu. “Faz parte do plano de Deus nos conceder, em resposta à oração da fé, aquilo que Ele não daria se não pedíssemos assim” (Ellen G. White, O Grande Conflito [CPB, 2021], p. 439).
Observe como Paulo descreveu uma oração de fé: “Continuem a orar, vigiando em oração com ação de graças” (Cl 4:2). Ele nos diz para orar “em todo tempo” (Ef 6:18) e “sem cessar” (1Ts 5:17). Mais impressionante ainda, mesmo que não saibamos “orar como convém”, é que “o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8:26).
5. Leia novamente Colossenses 4:3. Que “porta” para a “palavra” Deus pode abrir para você compartilhar sua fé?
Paulo também orou para que dissesse as palavras certas. Quando lemos suas cartas ou seus discursos no livro de Atos, podemos imaginar que ele era sempre eloquente, sem nunca duvidar do que deveria dizer. No entanto, ele pedia orações para poder transmitir “essa mensagem com a devida clareza” (Cl 4:4, NVT). Além disso, usou uma palavra grega importante (dei) na última frase, que significa “como me cumpre fazer”, indicando a necessidade divina do trabalho de proclamar o evangelho. Paulo reconhecia a importância de levar essa mensagem aos mais altos níveis do governo romano, incluindo a casa de César.
“Para orar não é necessário que estejamos sempre prostrados, de joelhos. Cultivemos o hábito de falar com o Salvador quando a sós, quando estamos caminhando e quando ocupados com os trabalhos diários. Que nosso coração se eleve continuamente, em silêncio, pedindo auxílio, luz, força, conhecimento. Que cada respiração seja uma oração!” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver [CPB, 2021], p. 329).
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Qual é a verdade mais importante que nós, cristãos, sabemos? É o fato de que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados e que, por meio da fé Nele, podemos ter a vida eterna. Essa é uma verdade que nunca poderíamos ter descoberto sozinhos. Em vez disso, ela teve que ser contada, ou revelada, a nós. E ela nos foi revelada na Palavra de Deus.
Há uma grande quantidade de verdade, conhecimento e sabedoria que nunca teríamos se não fosse pelo que Deus nos revelou em Sua Palavra. Mas esse conhecimento e sabedoria não nos foram dados apenas como informação. Ao contrário, devemos viver em nossa vida essa verdade, esse conhecimento e essa sabedoria.
6. Leia Colossenses 4:5, 6. Em que situações Paulo nos ensina que precisamos mais ainda ser “sábios no modo de agir”? Por que isso é importante?
Infelizmente, nós, cristãos, às vezes somos tudo, menos cristãos! Paulo (citando o profeta Isaías) indicou que crentes podem afastar os descrentes: “O nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vocês” (Rm 2:24; Is 52:5). A maneira como agimos em relação aos outros, especialmente aos que não compartilham de nossa fé, faz toda a diferença (Tt 2:5; 2Pe 2:2). Um lar cristão, um grupo de jovens reunidos para fazer oração, não para travessuras, pequenas gentilezas e um espírito calmo e paciente falam muito para aqueles que nos observam tentando perceber se nossa profissão de fé é autêntica ou não.
Em Colossenses 4:6, Paulo destacou as palavras que usamos. “Que a palavra dita por vocês seja sempre agradável.” Isso é mais do que simplesmente ser gentil ou educado: é comunicar com as palavras a graça de Deus, por meio da ação do Espírito Santo. “Temperada com sal.” Em vez de trazer um tom agressivo, nossas palavras precisam ser apropriadas e agradáveis para aqueles a quem nos dirigimos. “Para que saibam como devem responder a cada um.” Só o Espírito Santo pode nos dar as palavras certas, no momento certo, com o propósito certo, e preparar o coração dos ouvintes para a mensagem que “devemos” compartilhar (aqui, também, a palavra grega dei, mencionada na lição de ontem, é usada).
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“Cada membro da família deve sentir que sobre que sobre ele repousa a responsabilidade individual de fazer sua parte em ajudar no conforto, ordem e regularidade do lar. Não deve trabalhar um contra o outro. Todos devem empenhar-se unidos na boa obra de se encorajarem mutuamente; devem exercer gentileza, longanimidade e paciência; falar em tom calmo e baixo, evitando confusão, e cada um fazendo o melhor para aliviar o fardo da mãe. [...]
“Todos, desde a criança de seis anos para cima, devem compreender que deles se requer que desempenhem sua parte nos deveres da vida” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 2, p. 566).
“Devemos deixar Cristo entrar em nosso coração e em nosso lar se queremos andar na luz. O lar deve ser tudo o que está implícito nessa palavra. Deve ser um pequeno Céu na Terra, um lugar em que se cultivem as afeições em vez de serem sistematicamente reprimidas. Nossa felicidade depende do cultivo do amor, da compaixão e da verdadeira cortesia de uns para com os outros. [...] Devemos esquecer-nos a nós mesmos, sempre procurando oportunidades – mesmo em coisas pequenas – para mostrar gratidão pelos favores recebidos, e estar atentos para observar oportunidades para animar outros, confortando-os em suas tristezas e aliviando-lhes as cargas por mostras de terna bondade e pequenos atos de amor. Essas atenciosas cortesias, que, iniciando-se em nossa família, se estendem até fora do círculo familiar, ajudam a tornar o montante da vida feliz” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 3, p. 449).
Perguntas para consideração
1. Se você é casado(a), quais princípios ajudam você? Que conselho daria para quem ainda não é casado?
2. Muitos filhos criados em lares cristãos rejeitam a fé. Que palavras de conforto e conselho você daria a seus pais? O que seria melhor evitar dizer?
3. Reflita mais sobre o conselho de “andar em sabedoria”. O que significa, por outro lado, andar em “estupidez”?
Respostas às perguntas da semana: 1. Paulo orienta que haja amor e respeito no casamento. O marido deve amar a esposa como Cristo amou a igreja, e a esposa, respeitar o marido com dedicação. 2. Os textos mostram que os filhos devem ser ensinados com amor, firmeza e presença constante dos pais. 3. Os servos devem trabalhar honestamente, como para o Senhor. Esses princípios se aplicam ao ambiente de trabalho: dedicação, honestidade e consciência de que Deus vê tudo. 4. Ele ensina a orar com perseverança, vigilância e gratidão. Paulo pede oração para que Deus lhe dê oportunidade e clareza ao anunciar o evangelho. 5. Deus abre oportunidades quando cria circunstâncias favoráveis à comunicação do evangelho. 6. Devemos ser mais sábios ao lidar com os que não pertencem à igreja.
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TEXTO-CHAVE: Cl 4:6
FOCO DO ESTUDO: Cl 3:18-25; 4:1-6
ESBOÇO
Introdução: Colossenses 3:18 a 25 e o capítulo 4:1 a 6 apresentam uma série de orientações para os relacionamentos sociais na família e no trabalho. Paulo resumiu como esposas e maridos, filhos e pais, servos e senhores, deveriam se comportar à luz da mensagem do evangelho. Como veremos, Paulo não foi unilateral em sua abordagem. Ele deu instruções específicas para todos esses grupos e desejava que cada um cumprisse seus deveres como demonstração de sua fidelidade a Deus. Assim, as esposas deviam se sujeitar a seus maridos “como convém no Senhor” (Cl 3:18); os filhos deviam obedecer a seus pais, porque “isso é agradável diante do Senhor” (Cl 3:20); e os servos deviam obedecer “a seus senhores aqui na Terra”, “temendo o Senhor” (Cl 3:22).
De modo muito curioso, “Em cada categoria, a parte tipicamente vista como mais vulnerável é abordada primeiro. Os mandamentos dirigidos à parte vulnerável são, de forma útil, pareados com instruções específicas àquele que detém mais poder. Paulo conclama os poderosos a não abusarem de sua autoridade, mas a usarem-na com sabedoria. Isso permite que os vulneráveis se submetam com mais disposição àqueles que exercem autoridade” (Douglas Mangum, ed., “The Christian Home ([Cl] 3:18–4:1)”, Lexham Context Commentary: New Testament
[Bellingham, WA: Lexham Press], 2020). Após tratar dessas questões, Paulo voltou-se para exortações específicas sobre a influência externa que os membros da igreja podem exercer, por meio da oração, da sabedoria e de uma palavra temperada, ao apresentarem sua fé aos de fora.
A lição desta semana enfatiza dois temas principais:
1. Princípios bíblicos relativos às relações familiares e de trabalho.
2. Instruções sobre a oração vigilante, o andar com sabedoria e a fala graciosa.
COMENTÁRIO
Relações familiares e de trabalho baseadas na Bíblia
Em Colossenses 3:18 a 25 e no capítulo 4:1 Paulo abordou três pares de relações humanas, com exortações específicas para cada um. Notavelmente, o primeiro grupo mencionado diz respeito a esposas e maridos. Essa ordem não foi acidental, pois Paulo quis enfatizar que o casamento é a base para todos os outros tipos de relações humanas.
O relacionamento entre um homem e uma mulher no casamento é um tema tão crucial que Paulo o mencionou diversas vezes ao longo de suas cartas (1Co 7:1-7, 27-31; 1Co 11:3; e Ef 5:21-33).
Relacionamento entre esposas e maridos
A ordem de Paulo de que as esposas sejam sujeitas a seus maridos (Cl 3:18) é alvo de muito debate. A passagem paralela em Efésios 5:22 é quase sinônima: “Esposas, que cada uma de vocês se sujeite a seu próprio marido, como ao Senhor” (Ef 5:22). No entanto, antes de fazer essa declaração, Paulo primeiro disse: “Sujeitem-se uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5:21). O verbo “sujeitar” em Efésios 5:22 não aparece no texto grego original, mas foi corretamente suprido com base em sua ocorrência em Efésios 5:21. Essa complementação sugere que Efésios 5:22 está conectado com Efésios 5:21 e deve ser interpretado nesse contexto. Assim, não apenas as esposas são chamadas a se sujeitar a seus maridos, mas também os maridos são chamados a se sujeitar a suas esposas “no temor de Cristo” (Ef 5:21). A ordem de Paulo de que as esposas se sujeitassem a seus maridos não deve ser interpretada como uma afirmação de inferioridade da mulher. Na realidade, “o que está em questão aqui é que, ao se subordinar voluntariamente ao marido, a esposa deve ver esse ato como realizado em submissão ao Senhor, pois, na relação conjugal, o marido reflete o Senhor enquanto ela reflete a Igreja” (Andrew T. Lincoln, “Ephesians”, v. 42, em Word Biblical Commentary [Dallas: Word, Inc., 1990], p. 368).
Notavelmente, tanto em Efésios quanto em Colossenses, a atitude esperada dos maridos em relação às suas esposas é a mesma: “Maridos, que cada um de vocês ame a sua esposa” (Ef 5:25; Cl 3:19). Embora a ordem dada às esposas seja quase sinônima nas passagens paralelas: “Esposas, que cada uma de vocês se sujeite a seu próprio marido, como ao Senhor” (Ef 5:22); “Esposas, que cada uma de vocês se sujeite a seu próprio marido, como convém no Senhor” (Cl 3:18), a ordem dada aos maridos apresenta uma diferença digna de nota: “Maridos, que cada um de vocês ame a sua esposa, como também Cristo amou a igreja e se entregou por ela” (Ef 5:25; ver também Ef 5:28); “Maridos, que cada um de vocês ame a sua esposa e não a trate com amargura” (Cl 3:19). Em Efésios, espera-se que os maridos demonstrem um amor sacrifical, assim como Jesus demonstrou para com a igreja.
Em Colossenses, Paulo ordenou: “Maridos, que cada um de vocês ame a sua esposa”. Essa ordem foi acompanhada da instrução adicional: “E não a trate com amargura” (Cl 3:19). A palavra grega usada é pikraino, que é cognata de pikros, termo utilizado para descrever “uma característica com frequência atribuída a um domínio tirânico” (James D. G. Dunn, The Epistles to the Colossians and to Philemon: A Commentary on the Greek Text, New International Greek Testament Commentary [Grand Rapids, MI; Carlisle: William B. Eerdmans Publishing; Paternoster Press, 1996], p. 249). As esposas devem se submeter voluntariamente a seus maridos, assim como se submeteriam ao Senhor.
Relacionamento entre pais e filhos
As instruções de Paulo para filhos e pais são baseadas em responsabilidades recíprocas, de maneira semelhante à sua abordagem com esposas e maridos. A ordem para que os filhos obedeçam a seus pais (Cl 3:20) é fundamentada no quinto mandamento. Essa base ficou evidente em Efésios, em que, após dar uma ordem praticamente idêntica (Ef 6:1), Paulo citou Êxodo 20:12 (ver Ef 6:2, 3). Espera-se que os filhos sejam não apenas obedientes aos pais, mas também fonte de alegria para eles (Pv 15:20; 23:24).
Por sua vez, os pais não devem irritar os filhos. Existe um debate sobre o que Paulo quis dizer ao usar o termo “irritar” (Cl 3:21). Ellen G. White apresenta uma visão sobre o significado dessa expressão ao comentar as palavras de Colossenses 3:21: “Satanás se agrada quando os pais irritam seus filhos com palavras ríspidas e iradas. Paulo fez uma advertência sobre esse ponto: ‘Pais, não irritem os seus filhos, para que eles não fiquem desanimados.’ Eles podem estar muito errados, mas você não poderá conduzi-los ao caminho certo se perder a paciência com eles” (Advent Review and Sabbath Herald, 24/01/1907).
Relacionamento entre escravos e senhores
Por fim, Paulo tratou do relacionamento entre escravos e senhores. Tanto os escravos quanto os senhores deveriam cumprir seus deveres à luz de suas responsabilidades diante de Deus. Aos escravos foram dadas duas ordens. Primeiro, eles deveriam obedecer a seus “senhores aqui na Terra [...] temendo o Senhor” (Cl 3:22). A expressão “temendo o Senhor” é comumente entendida como a base para a ordem, visto que eles temiam o Senhor; por isso, deviam obedecer aos senhores terrestres. Os escravos ou servos deviam ter em mente que, em última instância, seu serviço a um senhor terreno representava seu serviço ao Senhor Jesus (Cl 3:23, 24).
Ao contrário do que muitos podem pensar, a escravidão no primeiro século diferiu consideravelmente da forma praticada no mundo ocidental em tempos mais recentes. As diferenças são: nos tempos do NT, “fatores raciais não desempenhavam nenhum papel na escravidão; a educação era altamente incentivada (alguns escravos eram mais instruídos do que seus donos) e aumentava o valor do escravo; muitos escravos exerciam funções sociais sensíveis e de alta responsabilidade; os escravos podiam possuir propriedades (inclusive outros escravos); suas tradições religiosas e culturais eram as mesmas das pessoas livres; não havia leis que proibissem a reunião pública de escravos; e (talvez acima de tudo) a maioria dos escravos urbanos e domésticos podia legitimamente esperar ser emancipada por volta dos 30 anos de idade” (S. Scott Bartchy, “Slavery: New Testament,” em The Anchor Yale Bible Dictionary, ed. David Noel Freedman, et al., v. 6 [Nova York: Doubleday, 1992], p. 66).
É importante observar que Paulo não legitimou a escravidão, prática que sabemos que é repreensível em qualquer contexto. Ele simplesmente reconheceu uma característica da cultura do primeiro século. Uma eventual abolição da escravidão naquele período teria causado repercussões econômicas drásticas, inclusive para os próprios escravos. Nesse contexto, Paulo ofereceu um conselho enfático aos senhores, persuadindo-os a tratar aqueles que trabalhavam para eles de maneira justa e equitativa (Cl 4:1), por mais difícil que seja compreender isso hoje.
Vigiando em oração, andando com sabedoria e falando com graça
É digno de nota que as exortações de Colossenses 4:2 a 6 seguiram a discussão de Paulo sobre as relações familiares e de trabalho. Nesta nova seção, Paulo revelou sua preocupação no sentido de que a comunidade da igreja pudesse dar um bom testemunho diante do público externo. Essa sequência de temas sugere que, para que o evangelho influenciasse os de fora, ele devia primeiro moldar a conduta dos de dentro, especialmente dentro dos lares. De acordo com as instruções de Paulo nessa passagem, três passos devem ser seguidos para que o evangelho alcance os de fora de maneira poderosa:
Primeiro: oração vigilante (Cl 4:2-4).
Se quisermos alcançar pessoas para Cristo, a oração é um excelente ponto de partida. Melhor ainda, a oração é a melhor maneira de começar! Paulo inclusive pediu que a igreja orasse, não apenas por si mesma, mas também por ele e por Timóteo, para que tivessem uma porta aberta para a pregação.
Segundo: andar com sabedoria (Cl 4:5). Como lemos na versão bíblica Almeida Revista e Corrigida: “Andai com sabedoria para com os que estão de fora, remindo o tempo”. O verbo traduzido como “andai” (ARC) é peripateo, em grego, e foi usado regularmente no NT para indicar conduta. Não raro, ele é traduzido como “viver” ou “comportar-se” (ver, por exemplo, Mc 7:5; Rm 13:13; e Cl 2:6).
Terceiro: fala agradável (Cl 4:6). Por fala agradável, Paulo provavelmente quis se referir a qualidades como cortesia, gentileza e bondade, de modo a causar boa impressão nos de fora e atraí-los ao evangelho de Jesus.
APLICAÇÃO PARA A VIDA
Reflita nos seguintes temas. Depois, peça aos alunos que respondam às perguntas ao fim da seção.
“Uma família não é simplesmente um grupo de pessoas morando sob o mesmo teto. Por essa definição, qualquer hotel ou prisão poderia se qualificar como família. Uma família não é um grupo de pessoas que compartilham o mesmo nome. Pessoas com o mesmo nome podem viver espalhadas por todo o país e ser totalmente desconhecidas. [...] Família não é apenas um grupo de pessoas, mas um espírito de unidade. É um espírito produzido por meio do amor e da saudade, do riso e das lágrimas, da alegria e da tristeza compartilhadas, da luta e do respeito mútuos, da fé, da fidelidade e da busca comum de objetivos dignos” (Herschel H. Hobbs, My Favorite Illustrations [Nashville, TN: Broadman Press, 1990], p. 98). A igreja, como extensão de nosso lar, deve ser um lugar em que se encontra amor, conforto, respeito e um profundo senso de pertencimento.
Jesus disse: “Eu lhes dou um novo mandamento: que vocês amem uns aos outros. Assim como Eu os amei, que também vocês amem uns aos outros. Nisto todos conhecerão que vocês são Meus discípulos: se tiverem amor uns aos outros” (Jo 13:34, 35). Os autores do NT levaram essa ordem muito a sério (ver Rm 13:8, 10; Gl 5:14; 1Ts 4:9; Hb 13:1; Tg 2:8; 1Pe 1:22; 4:8; 1Jo 3:23; 2Jo 5). Assim como Jesus, Paulo e Tiago também associaram a prática do amor ao cumprimento da lei. Nosso lar deve ser um lugar em que todos revelam esse amor por meio da oração, de uma caminhada sábia com o Senhor e de uma fala agradável.
Perguntas:
1. De que maneira a sua igreja é uma extensão do seu lar? O que a sua igreja pode fazer para promover ainda mais um espírito de família entre seus membros?
2. Nosso amor uns pelos outros mostra que somos discípulos de Cristo. Como nossa igreja e nosso lar podem revelar esse amor de maneira mais plena?
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LEVANDO O EVANGELHO À SELVA
Papua-Nova Guiné | Andrew
Nas profundezas do coração exuberante e acidentado da Papua-Nova Guiné, um jovem chamado Andrew ouviu um chamado que mudaria sua vida para sempre.
Nascido em uma família cristã, Andrew cresceu ouvindo histórias sobre o amor de Deus. Mas tudo mudou no dia em que o pastor Tom Carawah chegou à sua aldeia rural. Com mensagens emocionantes sobre o retorno de Jesus e a verdade do sá bado, o pastor despertou a curiosidade de Andrew. Ele participava de todas as reuniões, faminto por entender mais sobre a Bíblia e sobre Deus que chama pessoas comuns para fazer coisas extraordinárias.
Logo, Andrew se tornou ativo na comunidade adventista local. Por dois anos, ele estudou as Escrituras com paixão crescente. Seu coração ardia com o desejo de fazer mais do que a penas acreditar - ele queria liderar, pregar e servir.
Então, Deus abriu uma porta. O diretor distrital das igrejas adventistas locais reconheceu em Andrew um grande potencial e se ofereceu para enviá-lo a um treinamento de leigos. Se ele concordasse, ele se tornaria um pastor voluntário em uma das regiões remotas do país.
Andrew disse sim - e entrou para uma vida de desafios, fé e milagres.
A missão de Andrew o levou às profundezas da selva. Algumas aldeias eram tão distantes que levava três d ias de caminhada, travessias de rios e noites dormindo na mata para chegar até elas. Ele seguiu em frente, motivado por uma missão: compartilhar as boas-novas de Jesus.
Mas os desafios não eram apenas físicos.
"Houve momentos em que eu passei dias com os aldeões, orando e ensinando", Andrew disse. "Alguns aceitavam, outros rejeitavam. Aprendi a seguir em frente, mas nunca desistir".
A oposição espiritual era real. Algumas comunidades desconfiavam dos adventistas, e Andrew às vezes enfrentava palavras duras e o desprezo. Mas ele continuou, confortado pelas vidas que estavam mudando. Ele viu os doentes sendo curados, corações se abrirem e a verdade se enraizar nos lugares mais improváveis.
A vida como missionário na selva não era apenas difícil - muitas vezes era de partir o coração. Havia dias em que Andrew e sua esposa não tinham comida, dinheiro ou ajuda. Durante uma semana, eles ficaram sem comer nada. Sentados na selva, na casa missionária, eles recorreram à única fonte de forças que lhes restava: a adoração. Começaram a cantar.
No meio do canto, um estranho apareceu.
"Ele pediu para olharmos para fora",Andrew recorda. "Não encontramos comida. Mas encontramos dinheiro. Deus havia enviado provisão".
Momentos como esse se tornaram os pilares da fé de Andrew.
Em 2012, Deus abriu outra porta. Graças ao patrocínio de um piloto adventista australiano, Andrew se matriculou na Escola Adventista de Ministério de Omaura. Ele lembra que a instituição era bem menor na época, mas, assim como hoje, tinha um propósito significativo.Andrew treinou por um ano, aprendendo a compartilhar as verdades bíblicas e habilidades práticas, antes de ser designado para servir a uma igreja com mais de200 membros. Em apenas um ano,seus esforços resultaram em 120 batismos e na construção de uma nova igreja.
No entanto, o momento mais inesquecível de Andrew veio durante a PNG para Cristo, uma campanha evangelística nacional envolvendo o presidente da Associação Geral, Ted Wilson. Em um vilarejo remoto na selva, Andrew humildemente batizou 874 novos membros na família eterna de Deus.
Essa experiência transformadora aprofundou o chamado de Andrew. Alguns meses depois, Deus deu a ele outra oportunidade para desenvolver sua liderança espiritual. A Igreja Adventista em Papua-Nova Guiné, patrocinou Andrew para voltar à Escola Adventista de Ministério Omaura para um treinamento avançado. Ele está se preparando para qualquer missão que venha pela frente - seja numa trilha, na selva ou em uma rua na cidade.
"Preparei meu coração para ir aonde Deus me enviar", diz Andrew com determinação. "Para onde quer que eu vá, sempre haverá uma benção em realizar a obra de Deus".
Sua generosa oferta para este trimestre ajudará a Escola Adventista de Ministério Omaura a preparar homens e mulheres a compartilharem as boas-novas em Papua-Nova Guiné. Obrigado por sua doação fiel!
Conforme contado a Gracelyn Lloyd, escrito por Andrew Sipiai.
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