Lição 11
07 a 13 de dezembro
Apostasia do povo
Sábado à tarde
Ano Bíblico: 2 Tessalonicenses
Verso para memorizar: “Também mandei aos levitas que se purificassem e viessem guardar as portas, para santificar o dia de sábado. Também nisto, Deus meu, lembra-Te de mim; e perdoa-me segundo a abundância da Tua misericórdia” (Ne 13:22).
Leituras da semana: Ne 13:1-22; Dt 23:3-6; Nm 18:21-24; Jo 5:5-16

No intervalo entre os capítulos 12 e 13, Neemias voltou para a Babilônia. Embora não saibamos quanto tempo ele ficou lá, quando retornou a Jerusalém (por volta de 430-425 a.C.), os judeus haviam apostatado da fé. Eles tinham feito uma aliança com Deus quanto a diversos assuntos: primeiramente, não se casar com idólatras; em segundo lugar, observar cuidadosamente o sábado; e, por fim, cuidar do templo e de seus funcionários mediante os dízimos e ofertas (Ne 10). Apesar disso, eles haviam desonrado as três promessas.

Neemias percebeu a negligência na devoção. As pessoas tinham deixado de devolver os dízimos e as ofertas, começaram a usar os aposentos do templo para outros propósitos, deixaram de guardar o sábado apropriadamente e estavam se casando com estrangeiros. E, ainda pior, os líderes escolhidos por Neemias contribuíram para o declínio do relacionamento dos israelitas com Deus! Não é de admirar que Neemias tenha ficado arrasado ao ver o quanto as coisas haviam mudado. No entanto, em vez de aceitar esse fato, mais uma vez, conforme seu caráter exigia, ele agiu em prol da glória de Deus.

Domingo, 08 de dezembro
Ano Bíblico: 1 Timóteo
Liderança do templo corrompida

Neemias 13 começa com a preocupação acerca dos amonitas e moabitas, estrangeiros e idólatras, no meio de Israel (Ne 13:1-3). Esses versos não falam de afastar indivíduos simplesmente por serem de uma nação ou etnia diferente, mas referem-se à recomendação de mandar embora os que tinham uma fé diferente, pois não eram convertidos, adoravam idólos e não seguiam a Deus (veja também Dt 23:3-6).

1. Leia Neemias 13:1-9. Quem eram Eliasibe e Tobias? Por que a postura deles era inaceitável? Ne 2:10, 19; 3:1; 12:10, 22; 13:28

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Tobias e Eliasibe são figuras conhecidas no livro de Neemias. Eliasibe era o sumo sacerdote da nação e estava encarregado do templo. Tobias, amonita, foi mencionado como o inimigo que se opôs veementemente à obra que Neemias empreendeu em Jerusalém. A aliança entre Eliasibe e Tobias envolveu um relacionamento estabelecido por meio de casamento.

Mesmo que os registros da ligação matrimonial não tenham sido preservados, sabe-se que Tobias tinha um nome judaico (que significava
“o Senhor é bom”) e, portanto, provavelmente tinha origem judaica. Acredita-se que a família de sua esposa, os descendentes de Ará, embora não identificada, tivesse uma relação de parentesco com Eliasibe. Além disso, Sambalate, o horonita, outro adversário de Neemias, tinha uma filha que era casada com o neto de Eliasibe. Portanto, o círculo de intrigas em torno de Neemias deve ter sido intenso, uma vez que os oficiais da mais alta hierarquia da nação eram aparentados e estavam em uma aliança contra sua liderança.

Durante a ausência do governador, o sumo sacerdote concedeu a Tobias um dos aposentos do templo, designado à guarda do dízimo, das dádivas e das ofertas. Tobias recebeu residência permanente no templo, o que foi uma maneira de estabelecê-lo como um dos líderes da nação. Os inimigos de Neemias finalmente haviam conseguido o que eles sempre desejaram: destituir o servo de Deus e assumir o controle. Felizmente, o homem de Deus reagiu a essa situação.

Por que o povo de Deus, ao longo da história sagrada, sejam os judeus do antigo Israel, ou os cristãos que os seguiram durante e após os tempos do Novo Testamento, tão facilmente se permitem desviar da fidelidade? Como podemos evitar esses erros?
Segunda-feira, 09 de dezembro
Ano Bíblico: 2 Timóteo
Os levitas nos campos

2. De acordo com Neemias 13:10-14, o que o servo de Deus buscou remediar? Assinale a alternativa correta:

A. (  ) A dor e a pobreza das viúvas e dos órfãos.

B. (  ) A escassez dos levitas, que fugiam para o campo porque não havia mais sustento para eles no templo.

Cantores, porteiros e outros servos do templo tiveram que voltar a trabalhar nos campos para alimentar seus familiares, visto que a obra de Deus não estava sendo sustentada. Todo o sistema de dízimos e ofertas, que havia sido estabelecido de modo tão meticuloso, agora estava em ruínas. Neemias teve que começar de novo. O ato de atirar todos os móveis para fora do aposento revela desespero (Ne 13:8).

“Não somente o templo havia sido profanado, mas as ofertas tinham sido mal-empregadas. Isso estava desencorajando a liberalidade do povo. Haviam perdido seu zelo e fervor e relutavam em entregar o dízimo. A tesouraria da casa do Senhor estava pobremente suprida; muitos dos cantores e outros empregados nos serviços do templo, não recebendo sustento suficiente, haviam deixado a obra de Deus para trabalharem em outras partes” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 670).

É impressionante ver que todo o povo de Judá se reuniu novamente e reconstruiu o que havia sido destruído. As pessoas estavam do lado de Neemias, opondo-se a Tobias e a Eliasibe, porque devem ter percebido que o servo de Deus fez tudo o que pôde para o benefício delas. Além disso, o governador confiou os cargos de superintendentes do templo a homens que ele considerava fiéis e confiáveis. Eles receberam a tarefa de coletar os dízimos e as ofertas, certificando-se de que as mercadorias fossem armazenadas adequadamente e distribuindo os recursos para os grupos apropriados. Em outras palavras, parece que o corrupto sistema de liderança foi extirpado de uma só vez.

Embora Neemias tivesse nomeado homens fiéis para a organização do templo, o corrupto Eliasibe, sumo sacerdote, não perdeu sua posição, pois ela havia sido transmitida mediante a descendência de Arão. Sua obra no templo pode ter sido prejudicada porque outras pessoas foram nomeadas para administrar algumas responsabilidades do sumo sacerdote; no entanto, ele ainda mantinha essa função.

Neemias havia orado: “Deus meu, lembra-Te de mim e não apagues as beneficências que eu fiz à casa de meu Deus e para o Seu serviço” (Ne 13:14). O que havia de tão humano nessa oração?
Terça-feira, 10 de dezembro
Ano Bíblico: Tito
Dízimos e ofertas

As reformas de Neemias nos serviços do templo incluíram a implementação dos dízimos e ofertas.

3. Leia Números 18:21-24, Malaquias 3:10, Mateus 23:23, 1 Coríntios 9:7-14, 2 Coríntios 9:6-8 e Hebreus 7:1, 2. Qual é a importância dos dízimos e ofertas, não apenas no serviço do templo, mas atualmente? Assinale a alternativa correta:

A. (  ) Os dízimos e ofertas sustentam os servos do Senhor.

B. (  ) O sistema de dízimos foi importante apenas para o antigo Israel.

Sem o recolhimento dos dízimos e ofertas, o templo não podia funcionar. Quando o povo parou de devolver os dízimos, os serviços no templo foram arruinados, e todo o sistema de adoração estava em risco. Visto que os funcionários do templo saíram para procurar outros empregos a fim de sustentar sua família, eles não conseguiam se concentrar nos cuidados do templo. Consequentemente, a adoração a Deus foi reduzida.

“O sistema de dízimos é belo em sua simplicidade. Sua justiça é revelada pela aplicação proporcional sobre o rico e o pobre. Na mesma proporção em que Deus nos concedeu o uso de sua propriedade, devemos Lhe retribuir o dízimo. Quando Deus reclama para Si o dízimo (Ml 3:10), Ele não apela para a nossa gratidão ou generosidade. Embora a gratidão deva fazer parte de todas as nossas expressões dirigidas a Deus, dizimamos porque Deus nos ordenou fazê-lo. O dízimo pertence ao Senhor, e Ele requer que Lhe devolvamos” (Nisto Cremos, 2003, p. 304).

Assim como ocorreu com o templo israelita, nossa igreja entraria em decadência sem o sustento dos dízimos e ofertas. Os cultos e serviços da igreja não funcionariam sem pessoas pagas para dedicar tempo a um ministério de qualidade, ao planejamento e à administração da igreja para Deus. A excelência da adoração a Deus também diminuiria. Mais importante ainda, sem os dízimos e ofertas, não existiria evangelismo.

Além disso, devolvemos o dízimo porque Deus estabeleceu esse sistema na Bíblia. Há ocasiões em que o Senhor não precisa explicar por que estabeleceu algo. O Criador espera que confiemos que Ele está no controle. Devemos estar informados sobre como o sistema funciona, mas, depois disso, precisamos confiá-lo aos cuidados do Pai celestial.

Por que o dízimo é tão importante para nossa espiritualidade, como uma atitude que demonstre nossa confiança em Deus?
Quarta-feira, 11 de dezembro
Ano Bíblico: Filemom
Pisando os lagares de vinho no sábado

4. Leia Neemias 13:15, 16. De qual problema ele tratou nessa passagem? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:

A. (  ) Da fome em Jerusalém.
B. (  ) Dos que pisavam lagares e vendiam peixes e mantimentos no sábado.

Não é fácil defender a Deus quando estamos em minoria. Visto que Ele havia dito que o sábado devia ser um dia santo no qual ninguém deveria fazer nenhum trabalho, Neemias pretendia assegurar que esse mandamento fosse seguido em Jerusalém. Evidentemente, ele sentiu a obrigação moral de assumir uma posição e agir de acordo com ela.

O sábado foi criado como o auge da semana da criação, porque é um dia especial em que as pessoas são renovadas e recriadas ao passar tempo com Deus de uma forma que não podem fazer quando estão envolvidas em ocupações e atividades seculares.

Dizem que “mais do que Israel guardava o sábado, o sábado guardava Israel”. O sétimo dia, o sábado, era e é um poderoso meio de ajudar a manter a fé dos que, pela graça de Deus, buscam observá-lo e desfrutar os benefícios físicos e espirituais que ele oferece.

5. O que Neemias fez para impedir a “compra e venda” no sábado? Ne 13:17-22

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Em razão de Neemias ser o governador de Judá, ele se sentia responsável por executar as regras. A base das normas da nação era a Lei de Deus. Por isso, ele se tornou guardião da Lei, o que incluía o sábado. Se os nobres de Judá tivessem enfrentado a corrupção trazida pelo sumo sacerdote, ele talvez não se encontrasse nessa situação. No entanto, talvez os governantes e os nobres já estivessem ressentidos com o servo de Deus porque ele os tinha feito restituir os recursos dos pobres que haviam sido explorados; assim, eles também não se opuseram às mudanças que Eliasibe e Tobias implementaram.

Neemias primeiramente repreendeu os nobres e, depois, ordenou que os portões fossem fechados e que se pusessem servos para guardá-los. Quando o mercado simplesmente se mudou para fora da cidade, ele tomou medidas ainda mais drásticas e ameaçou prender os mercadores (Ne 13:21, NVI). Neemias foi um homem de palavra, pois a partir desse momento os comerciantes se afastaram.

Quinta-feira, 12 de dezembro
Ano Bíblico: Hb 1-3
Seus pais não fizeram assim?

O zelo de Neemias pelo sábado é admirável. Ele tinha tanto entusiasmo por observar corretamente o dia do Senhor que até prometeu “prender” (NVI) os mercadores de outras nações. Em outras palavras, ele teria agido pessoalmente se os tivesse surpreendido novamente dentro da cidade ou nos portões em dia de sábado. Como governador, ele tinha a responsabilidade oficial de garantir que o mandamento fosse cumprido.

“Neemias destemidamente os repreendeu por sua negligência do dever. ‘Que mal é este que fazeis, profanando o dia de sábado?’, ele inquiriu asperamente. ‘Porventura, não fizeram vossos pais assim, e nosso Deus não trouxe todo este mal sobre nós e sobre esta cidade? E vós ainda mais acrescentais o ardor de Sua ira sobre Israel, profanando o sábado’. E ­ordenou-lhes então que ‘dando das portas de Jerusalém já sombra antes do sábado’ (Ne 13:17-19, ARC), fossem elas fechadas, e não mais se abrissem até passado o sábado; e tendo mais confiança em seus próprios servos do que naqueles que os magistrados de Jerusalém pudessem apontar, ele os colocou nas portas da cidade para que as suas ordens fossem ­executadas” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 671, 672).

A advertência de Neemias sobre a profanação do sábado, juntamente com outras exortações sobre a transgressão desse dia, parece ter ecoado através dos séculos até o tempo de Jesus. Sabemos disso porque os evangelhos repetidamente retratam Jesus em um embate com os líderes religiosos sobre a devida guarda do sábado.

6. Leia Mateus 12:1-8, Marcos 3:1-6, Lucas 6:6-11 e João 5:5-16. Qual foi o problema mencionado nessas passagens? Uma compreensão da história do antigo Israel ajuda a explicar a razão do surgimento do conflito?

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Em seu equivocado zelo para evitar a “profanação” do sábado, os líderes religiosos eram tão fanáticos que acusaram Jesus, o “Senhor do sábado”
(Lc 6:5), de transgredi-lo. Realmente, na tentativa de defender uma coisa boa, eles foram longe demais! A ironia é que, enquanto muitos desses homens expressavam grande preocupação com a Lei, esqueciam seus preceitos mais importantes: “a justiça, a misericórdia e a fé” (Mt 23:23).

De que modo podemos, individualmente e como igreja, evitar os erros dos tempos bíblicos, em relação ao sábado e outras coisas que acreditamos serem importantes para a fé? O que fazer para neutralizar o fanatismo e o liberalismo?
Sexta-feira, 13 de dezembro
Ano Bíblico: Hb 4-6
Estudo adicional

Texto de Ellen G. White: Caminho a Cristo, p. 115-126 (“Regozijo no Senhor”).

“Sendo-lhes apresentadas as leis e ameaças de Deus, e os terríveis juízos que visitaram Israel no passado por causa desse mesmo pecado, sua consciência foi despertada, e teve início uma obra de reforma que desviou a ira ameaçadora de Deus e recebeu Sua aprovação e bênção.

“Houve alguns no sagrado ofício que pleitearam por suas esposas pagãs, declarando que não poderiam separar-se delas. Mas nenhuma distinção foi feita; nenhuma consideração foi mostrada por classe ou categoria. Entre os sacerdotes ou chefes, quem quer que recusasse cortar sua relação com idólatras era imediatamente separado do serviço do Senhor. Um neto do sumo sacerdote, havendo se casado com uma filha do famigerado Sambalate, não foi apenas removido do ofício, mas prontamente banido de Israel. ‘Lembra-Te deles, Deus meu’, Neemias orou, ‘pois contaminaram o sacerdócio, como também a aliança sacerdotal e levítica’” (Ne 13:29; Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 673, 674).

Perguntas para discussão

1. Com base nessa citação de Ellen G. White, por que Neemias não fez exceção, no caso dos que amavam suas esposas e não desejavam se separar delas? Será que ele não foi muito duro e inflexível? Como a igreja pode exercer disciplina com amor e, ao mesmo tempo, ser coerente com os padrões da verdade?

2. Embora saibamos que não há nada de legalismo em guardar o sábado, assim como não há nada de legalismo em não cobiçar, roubar ou mentir, como podemos ter cuidado para não tornar a guarda do sábado (ou a obediência a qualquer mandamento) uma atitude legalista? Manter sempre na mente o que Cristo fez por nós na cruz seria a proteção mais poderosa contra a armadilha do legalismo?

3. Como se proteger contra os perigos da lenta, mas constante transigência, como a que Neemias enfrentou?

 

Respostas e atividades da semana: 1. Eliasibe era o sumo sacerdote de Israel; ele cuidava do templo. Tobias sempre foi descrito no livro de Neemias como inimigo dos israelitas. Ele era amonita e havia tentado interromper a obra da construção do templo e dos muros. Eliasibe construiu no templo uma câmara grande para Tobias, onde antes eram guardados os utensílios do templo, as ofertas de manjares e os dízimos. Isso foi inaceitável, pois Tobias, além de ser amonita, era inimigo declarado dos israelitas. 2. B. 3. A. 4. F; V. 5. Ele ordenou que, ao pôr do sol de sexta, todas as transações comerciais fossem proibidas e colocou guardas para vigiar as portas da cidade para que nenhuma mercadoria entrasse ou saísse. 6. Em todas essas passagens, Jesus aparece “transgredindo” o sábado, de acordo com os fariseus. Em seu fanatismo, eles acusaram Jesus de violar o mandamento do sábado. Entendendo o zelo do antigo Israel pela guarda do sábado, podemos perceber que esses fariseus exageraram.

Resumo da Lição 11
Apostasia do povo

ESBOÇO

TEXTO-CHAVE: Neemias 13:22

FOCO DO ESTUDO: Neemias 13:1-22

O capítulo 13 de Neemias começa com uma rápida referência à proibição estabelecida pela lei de Moisés quanto à participação dos amonitas e moabitas na congregação de Israel em festivais e assembleias solenes. Neemias afirmou que quando o povo ouviu a lei sobre não se misturar com os idólatras (Dt 23:3), “apartaram de Israel todo elemento misto” (Ne 13:3). Tal era o poder da lei sobre a mente e o coração do povo.

O capítulo passa então a descrever as reformas que Neemias instituiu antes de retornar à Babilônia. O rei Artaxerxes o chamou de volta à Pérsia, mas depois lhe deu permissão para viajar novamente a Israel. Depois de um tempo de ausência, o servo de Deus retornou a Jerusalém. Talvez ele tenha ouvido alguns rumores sobre a situação sombria em Israel desde sua partida e a respeito dos líderes corruptos que haviam assumido o poder. Com certeza, depois que Neemias chegou a Jerusalém, ele descobriu que Eliasibe, o sumo sacerdote, havia permitido que Tobias, o amonita, residisse em uma câmara do templo. A primeira reforma do homem de Deus foi expulsar Tobias e restaurar a câmara ao seu propósito original de abrigar ofertas de cereais e incenso. A segunda reforma dizia respeito aos levitas e aos cantores que não haviam recebido os dízimos e ofertas que lhes eram devidos. Talvez o povo estivesse desanimado com a má administração do templo e, consequentemente, não estivesse devolvendo seus dízimos e ofertas. Neemias restaurou o sistema do dízimo e nomeou líderes sobre certos aspectos do templo, de modo que o sumo sacerdote corrupto não tivesse controle sobre essas áreas. Por fim, o governador restaurou a devida guarda do sábado. Ele fechou os portões da cidade no sábado para cessar as transações comerciais e depois ameaçou aqueles que ainda estavam comprando e vendendo fora dos muros de Jerusalém. Seu zelo pela observância adequada do sábado é um exemplo até hoje.

COMENTÁRIO

Dízimo

Um dos aspectos extremamente importante para Neemias foi sistema dos dízimos. Ele restaurou essa prática em Israel porque o templo e seus serviços não podiam funcionar adequadamente sem ela. Por que Neemias deu tanta importância ao retorno do dízimo?

Quando os dízimos e ofertas são mencionados, muitas vezes nos concentramos na recompensa que receberemos, com base em Malaquias 3:10. Nessa passagem, Deus diz aos israelitas para “prová-lo” no dízimo, porque se eles o entregarem ao Senhor, serão abençoados. Ele afirma pessoalmente: “Provai-Me nisto... se Eu não vos abrir as janelas do Céu e não derramar sobre vós bênção sem medida” (Ml 3:10). Por isso, encorajamos outros a devolver a Deus para que recebam a bênção que Ele prometeu.

Contudo, a entrega de dízimos e ofertas não deve depender das bênçãos que recebemos. De fato, a entrega dos dízimos é chamada de “devolução” dos dízimos, porque tudo o que temos já é uma bênção de Deus, pois nos foi dado por Ele. Devolvemos ao Senhor porque Ele é nosso Criador e nós O reconhecemos como tal. Damos graças por aquilo que o Senhor fez: Ele nos criou, nos sustenta, cuida de nós, morreu por nós e continua a nos recriar. Vemos a atitude de gratidão em devolver os dízimos especialmente nas histórias de Abraão e Jacó.

Em Gênesis 14, lemos sobre uma batalha em Canaã. Quatro reis mesopotâmicos (reis de Sinar, Elasar, Elão e Goim) lutaram contra cinco reis de Canaã, especificamente das cidades de Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Bela. Os reis da Mesopotâmia venceram a batalha e apreenderam despojos e cativos. Visto que Ló morava naquela região, foi capturado. Quando Abrão percebeu que seu sobrinho havia sido levado, armou 318 de seus servos treinados e perseguiu o exército da Mesopotâmia. Seu pequeno contingente de guerreiros atacou os mesopotâmicos e os venceu. Deus deu a Abrão uma vitória incrível, e ele recuperou tudo o que havia sido tomado, incluindo Ló.

No caminho de volta, Abrão teve um encontro surpreendente com o rei de Salém, que também é chamado de “sacerdote do Deus Altíssimo”. Melquisedeque abençoou Abrão, e então Abrão deu a ele o dízimo de tudo (Gn 14:20). Em Hebreus 7:2, 4, Paulo especifica que Abrão deu um décimo do que tinha. Abrão devolveu um décimo a Deus porque o Senhor lhe tinha concedido uma vitória incrível. Ele foi surpreendido pelo admirável e poderoso Deus que foi com ele e lutou por ele. Seu coração estava cheio de gratidão e, por isso, devolveu o dízimo.

Jacó teve uma experiência semelhante quando seus pais o enviaram ao seu tio Labão a fim de que se casasse com uma mulher que seguisse a Deus, em vez de uma mulher cananeia, e também para protegê-lo de seu irmão Esaú, que tinha decidido matá-lo. Enquanto fugia para Harã, Jacó adormeceu e o Senhor lhe deu um sonho em que viu uma escada que chegava ao Céu e anjos subiam e desciam por ela, e “perto dele estava o Senhor” (Gn 28:13). Deus falou com ele e prometeu estar com ele e abençoá-lo. Quando Jacó acordou do sonho, exclamou: “Quão temível é este lugar! É a casa de Deus, a porta dos Céus” (Gn 28:17). Depois, Jacó fez um voto de que, se o Senhor realmente estivesse com ele, como afirmou no sonho, então, não somente Ele seria seu Deus, mas o patriarca daria ao Altíssimo um décimo de tudo o que recebesse do Senhor (Gn 28:20-22). Mais uma vez, vemos alguém que se surpreende com quem Deus é e com o que Ele faz, e depois, por gratidão, promete devolver o dízimo fielmente.

Portanto, é a partir de um coração cheio de gratidão que devolvemos o dízimo. Não fazemos isso porque receberemos uma bênção ao fazê-lo, mas porque Deus é fiel e admirável por cuidar de nós e providenciar para nós todos os dias. Neemias demonstrou por meio de suas ações que o dízimo é extremamente importante, não apenas para apoiar a obra de Deus, mas também para nos ajudar a reconhecer que tudo vem Dele. Nós damos porque o Senhor nos dá. Dessa forma, participamos do Seu ministério em favor da humanidade.

Sábado

O segundo aspecto que Neemias aborda nesse capítulo é o dia da adoração, o sábado. Os israelitas estavam fazendo transações comerciais com pessoas de regiões vizinhas no sábado, em vez de adorar ao Senhor (Lv 23:3). Neemias se opôs fortemente ao modo como o sábado estava sendo desconsiderado.

Neemias era o governador da terra e, por ser um homem muito piedoso, queria ter certeza de que as pessoas também seguiriam as instruções divinas. Ele sentiu que tinha que tomar algumas medidas rigorosas para que o povo entendesse que o sábado deveria ser santificado. Era para ser um dia de descanso no Senhor, no qual o povo reservava tempo para estar com a família e os amigos e, o mais importante, passar tempo com Deus. Ao fazer negócios no sábado, o povo estava perdendo as oportunidades de comunhão com o Criador e se privando da chance de mostrar amor e cuidado pelos outros.

Deus, o Criador, considerou o sábado extremamente importante, ou não o teria criado como um dia especial. Se tudo o que fosse necessário tivesse sido completado em seis dias, Deus não teria criado o sétimo dia. Mas Ele quis nos dar um dia especial como lembrete de que Ele é nosso Criador e que somos criados para estar em comunhão com Ele e viver em dependência Dele. Nesse dia de descanso dos negócios cotidianos, somos também revitalizados em nossa força e, o mais importante, respeitamos a maneira que Deus estabeleceu para celebrar a vida ao santificar esse dia. O sábado não é um dia como todos os outros, mas um dia santo. A palavra santo significa “separado para” um propósito especial e “separado para” atividades edificantes. Portanto, o que fazemos nesse dia deve ser diferente do que fazemos em todos os outros dias da semana. O próprio Jesus ficou na sepultura no dia de sábado e ressuscitou no domingo, guardando o sábado mesmo em Sua morte. Essa é a importância do sábado para Deus.

Em toda a Bíblia, Deus nos mostra que o dia do sábado é crucial, instruindo-nos a abandonar os negócios e atividades comuns e a celebrar o Senhor do sábado. Ele nos encoraja a reconhecer o sábado como “um deleite”, como “o santo dia do Senhor” e a honrá-lo, não seguindo nossos próprios caminhos, nem encontrando nossos próprios prazeres egoístas, nem falando nossas próprias palavras mundanas. Deus mais uma vez promete uma bênção (Is 58:13, 14). Da mesma forma que o Senhor promete nos abençoar quando devolvemos o dízimo, Ele também promete uma bênção quando vivemos o sábado em Seu caminho, sem nos concentrar em nossos próprios desejos, mas glorificando a Deus em tudo o que fazemos. Contudo, mais uma vez, assim como foi mencionado no tocante ao dízimo, não devemos guardar o dia santo a fim de obter bênçãos, mas porque é um dia que nos foi dado como um presente para nos concentrarmos na bondade do Senhor.

Aplicação para a vida

Dízimo

1. Qual é o princípio por trás do ato de devolver o dízimo? Por que Deus nos pede que entreguemos a Ele 10 por cento da nossa renda?

2. Mencione as lições que podemos aprender com o ato de devolver o dízimo.

Sábado

1. Por que a Bíblia não menciona especificamente o que devemos e não devemos fazer no sábado?

2. Veja as seguintes passagens práticas sobre como guardar o sábado: Êxodo 16:22-30, Êxodo 34:21, Êxodo 35:3, Isaías 56:2, Isaías 58:13 e Jeremias 17:21. Escreva a partir desses textos os princípios sobre como Deus quer que observemos o sábado como sagrado.

3. Veja as seguintes histórias na Bíblia sobre a guarda do sábado: Marcos 2:23-28, Marcos 3:1-6, Lucas 13:10-17 e João 5:1-12. Reflita sobre essas narrativas e responda às seguintes perguntas:

A. O que Jesus ensinou sobre o sábado que as pessoas e os líderes não entenderam?

B. Quais são os princípios sobre a guarda do sábado que aprendemos com essas histórias?

Nada a perder

Para Sintayehu Berhanu, os dois primeiros anos de estudos na Universidade de Addis Ababa passaram voando, até que uma professora agendou a avaliação final de estatística para o sábado. Caso não conseguisse aprovação nessa matéria, ele não se formaria. O jovem etíope era um bom aluno, e pediu ajuda à professora: “Creio que o sábado é o dia de guarda,” ele disse. “Uso todo o dia para servir a Deus. Posso ficar na igreja?” A resposta foi uma gargalhada sarcástica. “Esta é uma instituição acadêmica, não confessional e não podemos aceitar esse tipo de caso”, respondeu em seguida. Sintayehu insistiu. “Desculpe-me, mas esta é minha crença. Você poderia mudar o dia da avaliação?” “É impossível”, a professora disse.

Sintayehu, o primeiro adventista da família, contou aos parentes sobre sua situação e pediu que orassem por ele. Entretanto, eles o pressionaram a realizar o exame. Um tio que morava na Alemanha lembrou-o de que ele, como irmão mais velho, era responsável pelos seis irmãos e duas irmãs. Os pais haviam falecido havia alguns anos. Um parente que morava nos Estados Unidos viu uma brecha. “Por que você não faz a prova e, posteriormente, pede para ser rebatizado? É como tomar um banho. As vezes fazem isso nos Estados Unidos.”

Batizado quando era garoto e aluno da Escola Missionária Akiki, Sintayehu recusou a sugestão. “Creio que o batismo é feito uma vez”, disse. “Não podemos vulgarizar deliberadamente a participação nesse ritual. Deus é nosso Rei e deseja que guardemos o sábado.” Até mesmo um pastor adventista o incentivou a fazer a prova. “Satanás está testando você”, disse. “Ele está tentando anular todos os anos de esforço que você colocou nos estudos.” Mas Sintayehu recusou voltar atrás: “Creio que Deus está no Céu e sabe o que acontece na minha vida. Se Ele sabe e está em silencio, então, tem algo melhor para mim. Preciso esperar.” Sintayehu perdeu a prova, a professora deu uma nota baixa, mas não ficou triste. Ele imaginou que não tinha nada a perder.

No ano seguinte, ele refez a matéria de estatística. A mesma professora lecionou essa matéria e agendou o exame final para o sábado. Novamente, ele perdeu a avaliação e perdeu a nota. Na terceira vez que foi reprovado, ele foi expulso da universidade. Era norma da instituição que se aluno fosse reprovado três vezes deveria ser desligado da universidade. Sintayehu pensou que aquele era o fim dos seus estudos, mas não se preocupou. Ele imaginou que não havia nada a perder.

Então, ele encontrou emprego em uma escola adventista de educação infantil em Debrezeit, cidade localizada a 40 quilômetros de Adis Abeba. Um ano se passou, e a universidade anunciou que havia mudado as normas. No semestre anterior, eles foram forçados a expulsar uma grande quantidade de alunos reprovados pela terceira vez. Por isso, decidiu receber os alunos com as maiores médias. Sintayehu voltou à universidade e começou a cursar estatística pela quarta vez. Sua antiga professora havia saído da universidade e ele foi aprovado facilmente na matéria.

Após a formatura, uma Escola Adventista em Adis Abeba ofereceu imediatamente a ele um emprego, por causa da sua boa reputação ao lecionar na escola de educação infantil. Em seguida, formou-se no mestrado e começou a trabalhar na Radio Adventista Mundial. Atualmente, ele é produtor na televisão da igreja adventista. Uma das atividades favoritas de Sintayehu é se encontrar com os alunos adventistas da sua antiga universidade em Adis Abeba e lhes oferecer uma injeção de ânimo. Muitos enfrentam problemas com as aulas aos sábados. Ele os incentiva a obedecer a Deus e guardar o sábado. Eles não têm nada a perder.

“Meus colegas de classe pensaram que perdi muito ao ser expulso da universidade”, ele testemunha. “Eles se formaram e contratados imediatamente. Mas agora estou melhor. Se eles forem demitidos ou enfrentarem outras dificuldades, podem perder tudo. Mas eu não tenho nada a perder. Tenho Deus e Ele é tudo para mim.’

Dicas da História

  • Pronúncia de Sintayehu:
  • Sintayehu foi batizado no sétimo ano, e sua primeira experiência de liderança na igreja foi contar o informativo mundial para mil colegas na Escola Sabatina. Talvez ele leia sua própria história na classe da Escola Sabatina hoje, na Etiópia!
  • Sintayehu recitou Romanos 8:28 repetidamente quando enfrentou o conflito do sábado: “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que O amam, dos que foram chamados de acordo com o Seu propósito.”
  • Seu lema é: “Acredito que o Deus poderoso está sentado em Seu trono. Ele sabe e vê o que está acontecendo comigo. Quando eu lhe dou toda a responsabilidade, tenho alívio. Sento-me, vejo o que Ele está fazendo e não me preocupo.”
  • Assista ao video de Sintayehu no YouTube: bit.ly/Sintayehu-Berhanu.
  • Fazer o download das fotos de resolução média desta história na página do Facebook: bit.ly/fb-mq. As fotos estarão disponíveis nos domingos, seis dias antes de a história ser apresentada.

Comentário da Lição da Escola Sabatina
4º Trimestre de 2019
Tema Geral: Esdras e Neemias
Lição 11: 7 a 14 de dezembro

Autor: Luiz Gustavo Assis
Revisora: Josiéli Nóbrega
Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Apostasia do povo

Quando estudamos o capítulo 10 de Neemias, falamos sobre a aliança de Deus com os moradores da província de Yehud e o compromisso que eles assumiram com Javé em três áreas específicas: 1) evitar casamentos com pessoas de outras nações; 2) guardar corretamente o sétimo dia da semana, o sábado; e 3) sustentar fielmente o serviço do templo por meio dos dízimos e ofertas. Essas três promessas foram quebradas na narrativa dos eventos descritos em Neemias 13. A lição desta semana (11ª semana) se concentrou na quebra da segunda e da terceira promessas. A 12ª lição irá tratar especificamente da quebra da primeira promessa. A seguir, examinaremos os eventos envolvidos na interrupção do serviço do templo e na transgressão do sábado nos dias de Neemias.

1. Primeira transgressão: interrupção do serviço do templo (Ne 13:4-14)

Quando Neemias voltou de sua viagem diplomática, encontrou o amonita Tobias residindo nas dependências do templo, na sala em que as ofertas e dízimos de cereais, incenso, utensílios, entre outros itens eram armazenados (13:4, 5). Apesar do nome carregado de piedade (Javé é bom), Tobias foi opositor ferrenho dos esforços de Neemias para reconstrução dos muros da cidade de Jerusalém, junto com Sambalate e Gesém (Ne 2:19; 4:1-8). De acordo com Neemias 13:4, foi o parentesco do sumo sacerdote Eliasibe com Tobias, possivelmente por meio do casamento entre membros das respectivas famílias, que criou oportunidade para a presença de Tobias no templo, ou seja, nepotismo. O autor do livro de Neemias listou duas atitudes dessa péssima administração do templo de Jerusalém: 1) os levitas não receberam seus salários, o que os forçou a abandonar (hebraico, ‘azab) o serviço do templo (13:11); e 2) o povo deixou de levar suas ofertas e dízimos para o templo (cf. 13:12). Graças aos esforços de Neemias, Tobias foi expulso do templo, esses mesmos levitas foram levados de volta para a capital de Yehud, e o povo voltou a contribuir com suas ofertas (13:14).

Esse triste incidente na história do templo de Jerusalém mostra como até mesmo na esfera religiosa podem existir casos de nepotismo, uso das contribuições para a obra de Deus em benefício próprio e desrespeito para com outros servidores. No antigo Israel, sacerdotes muitas vezes tinham mais poder que o próprio rei. Em Deuteronômio 17:14-20, o rei deveria ficar sob a autoridade de um sacerdote para executar seu mandato (cf. 17:18). E quem tinha autoridade sobre os sacerdotes para corrigi-los e admoestá-los? Não são poucas as passagens bíblicas em que lemos sobre abusos e explorações dos sacerdotes de Israel e Judá (Lv 10; 1Sm 2:11-36; Jr 5:31; Ez 22:26; Os 5:1; 6:9; Ml 2:3; etc). Essa função de repreendê-los era dos profetas.

Em vista disto, temos algumas responsabilidades, sendo professores da Escola Sabatina, membros e líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Não devemos apenas devolver os dízimos e entregar ofertas – afinal, essa é uma prática bíblica – mas Deus também espera da Sua igreja transparência e competência no uso desses recursos por parte da nossa Associação, União e Divisão, de modo que mais pessoas sejam alcançadas por meio desses sagrados recursos. Nossa igreja já faz um bom trabalho sendo transparente e apresentando relatórios que podem ser acessados por qualquer membro das nossas comunidades, mas sempre há espaço para crescimento e aprimoramento. Na época em que vivemos, grande parte da população brasileira olha com muita ressalva transações financeiras em instituições religiosas. Por isso, quanto mais transparente e sábia for nossa Igreja no uso das contribuições dos seus membros, estaremos honrando melhor ao Senhor e melhor será nossa reputação diante de todos. Mas além de contribuir com dízimos e ofertas e administrar com transparência e competência os recursos, devemos orar pelos pastores e administradores da nossa amada Igreja, especialmente para que eles tenham sabedoria e bom senso no uso dos dízimos e ofertas que oferecemos a Deus a cada sábado.

2. Segunda transgressão: profanação do sábado (Ne 13:15-22)

É desnecessário aqui revisar as passagens bíblicas que falam da santidade do sábado, o sétimo dia da semana, e de como podemos descansar nesse dia dos nossos afazeres semanais (cf. Gn 2:1-3; Êx 20:8-11; Dt 5:12-15; Is 58:13, 14; Ez 20:12, 20; Mt 12:8, 12; etc). Embora os moradores de Jerusalém também conhecessem esses ensinamentos sobre o sábado, Neemias presenciou pessoas pisando uva em lagares, descarregando e carregando jumentos, e estrangeiros comercializando nas ruas de Jerusalém no dia de sábado (Ne 13:15, 16). O personagem bíblico novamente protestou contra essas práticas e lembrou a população que Deus já havia trazido uma calamidade contra o povo de Judá por desobediência a Seus mandamentos no passado. Ao transgredirem o sábado, os moradores de Jerusalém estavam aumentando a ira (hebraico, harôn) de Deus sobre Israel (13:17, 18). Neemias não ficou só no discurso, mas também implantou certas práticas para criar um ambiente favorável para a guarda do sábado (13:19-22).

Quando chamamos o sábado de “santo”, queremos dizer que ele é um dia separado dos demais, um dia diferente. Sou de uma época em que na minha casa não se ligava TV nas horas do sábado, mas hoje, muitas vezes as pessoas gastam as sagradas horas do sábado usando redes sociais, em que não existe um filtro entre conteúdo próprio para as horas do sábado e conteúdo para os outros dias da semana. É preciso evitar a tentação de usar o tempo sagrado para coisas comuns. Se somássemos o número de horas gastas durante o sábado com vídeos no YouTube, posts no Facebook, mensagens de WhatsApp e fotos no Instagram, ficaríamos surpresos (e envergonhados). Alguns podem se sentir incomodados com esse tipo de advertência por pensarem que estejamos querendo impor uma guarda do sábado monástica, isolada da sociedade, dos amigos e da família. Mas recentemente vivi uma experiência que me fez repensar a minha guarda do sábado. Permita-me compartilhá-la com você.

Recentemente cursei uma disciplina numa universidade judaica nos arredores de Boston, na Brandeis University. Um dos meus colegas de classe era um rabino, seu nome é Neil. Depois de um longo semestre estudando juntos o livro de Provérbios, Neil e sua família me convidaram juntamente com a minha esposa para receber o sábado no pôr do Sol de sexta-feira na casa deles. Além dos belos hinos em hebraico para receber o sábado e da maravilhosa refeição servida, algumas práticas me chamaram a atenção. Nenhum membro daquela família, Neil, sua esposa e dois filhos, tinha seus celulares na mesa. A conversa girava em torno de tópicos leves como histórias da família, discussões sobre a porção da Bíblia que seria lida na sinagoga na manhã seguinte, e trivialidades. Em um momento da conversa, meu amigo Neil disse que ele não abria o e-mail dele nas horas do sábado, nem lia jornais naquele dia. Ali estava eu, um pastor adventista “fiel” guardador do sábado, que tem sempre seu celular e suas distrações (e-mail e redes sociais) por perto nas horas sabáticas, ouvindo sobre uma forma muito mais leve de observar o sétimo dia da semana e de receber os benefícios daquelas horas sagradas. Meu amigo Neil foi um Neemias para mim, me relembrando da simplicidade e beleza da guarda do sábado.

No próximo sábado, que tal fazer uma caminhada num parque da cidade sem celular, somente com alguém da família ou um(a) amigo(a)? Que tal visitar um asilo ou um orfanato? Que tal trocar as conversas de WhatsApp e os vídeos do YouTube por um livro? Como adventistas, de que adianta nos orgulharmos de guardar o sábado se não honramos a Deus em muitas das nossas conversas e atividades, nem recebemos a benção que Ele colocou nesse dia?

Conheça o autor dos comentários: Luiz Gustavo Assis serviu como pastor distrital no Rio Grande do Sul por cinco anos e meio. Em 2013, continuou seus estudos acadêmicos nos Estados Unidos. Ele possui um mestrado em arqueologia do Antigo Oriente e línguas semíticas pela Trinity Evangelical Divinity School (Deerfield, IL), e atualmente está no meio do seu programa doutoral em Antigo Testamento no Boston College (Newton, MA). É casado com Marina Garner Assis, que por sua vez faz seu doutorado em filosofia da religião (cristianismo e islamismo) na Boston University. Juntos eles têm um filho, Isaac Garner Assis.