Lição 5
23 a 29 de julho
Calor extremo
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Is 1-4
Verso para memorizar: “Ao Senhor agradou esmagá-Lo, fazendo-O sofrer. Quando Ele der a Sua alma como oferta pelo pecado, verá a Sua posteridade e prolongará os Seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas Suas mãos” (Is 53:10).
Leituras da semana: Gn 22; Os 2:1-12; Jó 1:6–2:10; 2Co 11:23-29; Is 43:1-7

Quando a esposa do famoso escritor cristão C. S. Lewis estava morrendo, ele escreveu: “Não que eu esteja (suponho) correndo o risco de deixar de acreditar em Deus. O perigo real é o de vir a acreditar em coisas tão horríveis sobre Ele. A conclusão a que tenho horror de chegar não é: ‘Então, apesar de tudo, não existe Deus nenhum’, mas ‘Então, é assim que Deus é realmente’” (A Anatomia de Uma Dor [São Paulo: Editora Vida, 2006], p. 32).

Quando a vida se torna muito dolorosa, alguns de nós rejeitam a Deus completamente. Para outros como Lewis, há a tentação de mudar a visão sobre Deus e imaginar todas as coisas ruins sobre Ele. A pergunta é: Qual é a temperatura máxima que o crisol pode atingir? Quanto calor o Senhor está disposto a fazer Seu povo experimentar a fim de realizar Seu propósito supremo de nos moldar à “imagem de Seu Filho” (Rm 8:29)?

Resumo da semana: Deus deseja que O conheçamos e O amemos. No entanto, por que Ele está disposto a arriscar ser mal interpretado por nós? Até que ponto Ele faria isso para nos moldar à “imagem de Seu Filho”?

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Domingo, 24 de julho
Ano Bíblico: Is 5-7
Abraão no crisol

Sem explicação, de repente Deus chamou Abraão para oferecer seu filho como oferta queimada. Você pode imaginar como o patriarca se sentiu? Seria revoltante que Deus pedisse que você sacrificasse seu filho. Mesmo que Abraão julgasse isso aceitável, o que aconteceria com a promessa da herança? Sem o filho, ela não se cumpriria.

1. Leia Gênesis 22:1, 2. Por que Deus pediu a Abraão para oferecer esse sacrifício? Se Ele sabe tudo, qual era a questão?

O pedido divino e o momento em que foi feito não foram casuais. Foram calculados para ocasionar a mais profunda angústia possível, pois “Deus guardara Sua última e mais rigorosa prova a Abraão, até que o fardo dos anos fosse pesado sobre ele, e ele almejasse o repouso das ansiedades e tra- balhos” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 117 [147]). Esse foi o teste de um Deus louco? De forma nenhuma, pois “a aflição que Abraão sofreu durante os dias tenebrosos daquela terrível prova foi permitida para que compreendesse por sua própria experiência algo da grandeza do sacrifí- cio feito pelo infinito Deus para a redenção do ser humano” (Patriarcas e Profetas, p. 122 [154]).

Foi apenas um teste. O Senhor nunca desejou que Abraão matasse seu filho. Isso destaca algo muito importante sobre a maneira como Deus às vezes trabalha. Ele pode pedir que façamos algo que não pretende que com- pletemos. Pode pedir para irmos a algum lugar aonde nunca deseja que cheguemos. O importante para Ele não é necessariamente o fim, mas o que aprendemos à medida que somos remodelados pelo processo.

É possível que Jesus estivesse pensando sobre a experiência de Abraão quando disse aos judeus: “Abraão, o pai de vocês, alegrou-se por ver o Meu dia; e ele viu esse dia e ficou alegre” (Jo 8:56). Essa percepção poderia ter escapado a Abraão, e ele poderia ter desprezado as instruções como se fossem oriundas de Satanás. A chave para a sobrevivência e aprendiza- gem de Abraão através de todo o processo foi o fato de ele ter conhecido a voz de Deus.

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Como conhecer a voz de Deus? Como saber quando Ele está falando com você? De que forma Ele lhe comunica Sua vontade?


Segunda-feira, 25 de julho
Ano Bíblico: Is 8-10
O rebelde Israel

A história de Oseias tem lições poderosas para nos ensinar. A situação desse profeta é singular. Sua esposa, Gômer, fugiu e teve filhos com outros homens. Apesar da infidelidade da esposa de Oseias, Deus disse a ele que a levasse de volta para casa e lhe demonstrasse amor. Essa história devia ser uma parábola sobre Deus e Israel. Os israelitas abandonaram a Deus e se prostituíram espiritualmente com outros deuses, mas o Senhor ainda os amava e queria lhes mostrar Seu amor. Observe os métodos divinos!

2. Leia Oseias 2:1-12. Que métodos Deus disse que usaria para atrair Israel de volta a Si mesmo? Como foram essas experiências?

Oseias 2:2, 3:

Oseias 2:5-7:

Oseias 2:8, 9:

Oseias 2:10:

Essa história levanta duas questões importantes sobre nossa maneira de considerar Deus quando Ele nos leva ao arrependimento. Primeiro, arriscamos não reconhecer que Ele está atuando. Quando Israel passou por tais experiências difíceis e dolorosas, pode ter sido difícil reconhe- cer que seu Deus estivesse trabalhando para sua salvação. Quando nosso caminho está cercado de espinhos cortantes ou quando um muro é levan- tado contra nós para que não encontremos o caminho a seguir (Os 2:6), é Deus que está agindo? Quando nos falta o básico ou somos envergonhados (Os 2:9, 10), nosso Pai está por trás disso? A verdade é que, não importa o que sintamos, Deus sempre trabalha para nos conduzir ao arrependimento, porque Ele nos ama muito.

Segundo, corremos o risco de interpretar mal a Deus quando Ele está trabalhando. Podemos reconhecer que o Senhor está atuando, mas não gostar do que Ele faz. Quando estamos machucados e envergonhados, é fácil dizer que Deus é cruel, que não intervém ou que não Se importa. Mas Ele sempre atua para nos restabelecer por meio de Sua aliança de amor.

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Leia Oseias 2:14-23. O que esse texto revela sobre Deus? Peça que o Espírito Santo lhe mostre se você está fugindo do Pai em alguma área da vida. Se estiver fugindo, por que esperar passar pelo crisol? O que o impede de render tudo ao Senhor agora?


Terça-feira, 26 de julho
Ano Bíblico: Is 11-14
Sobrevivendo por meio da adoração

3. Leia Jó 1:6–2:10. O que causou o sofrimento de Jó?

Em Jó 1, aconteceu algo assombroso. Os anjos se apresentaram diante de Deus, e Satanás estava com eles. Deus lhe perguntou de onde ele vinha, e Satanás respondeu: “De rodear a Terra e passear por ela”. Então Deus perguntou: “Você reparou no Meu servo Jó?” (v. 7, 8). A pergunta em si não é fora do comum. O que chama a atenção é quem a fez. Não foi Satanás quem apontou Jó como alguém a se examinar, mas Deus. Como sabia o que aconteceria, Deus chamou a atenção de Satanás para Jó. O patriarca não tinha ideia de que passaria por um crisol de temperaturas excessivas. Embora esteja muito claro que foi Satanás, não Deus, quem causou o sofrimento de Jó, também está claro que foi Deus quem lhe deu permissão para destruir as propriedades, os filhos e a própria saúde física do Seu servo. Se Deus permitiu que Jó sofresse, que diferença faz se foi Deus ou Satanás quem infligiu o sofrimento? Como pode Deus ser justo e santo se ativamente permitiu que Satanás causasse tal dor a Jó? Essa situação é um caso especial ou caracteriza a forma pela qual o Senhor ainda lida conosco hoje?4. Em Jó 1:20, 21, como o patriarca reagiu às provações?

4. Em Jó 1:20, 21, como o patriarca reagiu às provações?

É possível reagir de duas formas a sofrimentos assim. Podemos nos tornar mais amargos e zangados, e virar as costas para Deus acreditando que Ele seja cruel ou que não exista, ou podemos nos apegar ao Senhor com mais força. Jó lidou com sua catástrofe permanecendo na presença de Deus e adorando-O.

Em Jó 1:20, 21, vemos três aspectos de adoração que nos ajudam quando estamos angustiados. Primeiro, Jó aceitou seu desamparo e reconheceu que não tinha direito a reivindicar nada: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei”. Segundo, Jó reconheceu que Deus tinha o controle total da situação: “O Senhor o deu e o Senhor o tomou”. Terceiro, ele concluiu rea- firmando sua crença na justiça divina. “Bendito seja o nome do Senhor”.

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Você está passando por uma prova? Siga os passos de Jó. Isso pode ajudar você?


Quarta-feira, 27 de julho
Ano Bíblico: Is 15-19
Sobrevivendo pela esperança

“Não queremos, irmãos, que vocês fiquem sem saber que tipo de tribulação nos sobreveio na província da Ásia. Foi algo acima das nossas forças, a ponto de perdermos a esperança até da própria vida. De fato, tivemos em nós mesmos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, e sim no Deus que ressuscita os mortos” (2Co 1:8, 9). Sendo apóstolo de Cristo, Paulo tinha suportado mais aflições do que a maioria das pessoas. Contudo, ele não foi esmagado. Ao contrário, cresceu em louvor a Deus. Considere as dificuldades pelas quais ele passou (2Co 11:23-29; 2Co 1:3-11).

5. Leia 2 Coríntios 1:4. Em que medida o sofrimento pode ser um chamado ao ministério? Como estar mais atentos a essa possibilidade?

"Deus quer ministrar por nosso intermédio a pessoas que sofrem. Isso significa que Ele pode primeiramente permitir que experimentemos dores para então oferecermos encorajamento, não na teoria, mas a partir da nossa experiência da compaixão e conforto divinos. Esse foi um princí- pio da vida de Jesus (ver Hb 4:15).
As vívidas descrições de Paulo sobre suas dificuldades não foram escri- tas para que sintamos pena dele, mas para sabermos que, mesmo quando estivermos no fundo do poço, o Pai pode intervir para levar compaixão e consolo. Podemos até perder a esperança quanto à nossa vida, mas não tenhamos medo, Deus está nos ensinando a depender Dele. Podemos con- fiar Nele, pois o Senhor “ressuscita os mortos” (2Co 1:9).
Visto que o foco do apóstolo dos gentios continuou sendo proclamar o evangelho, ele sabia que Deus o salvaria também no futuro. A habilidade do apóstolo em permanecer firme tinha como base três coisas menciona- das em 2 Coríntios 1:10, 11. Primeiro, os antecedentes divinos: “o qual nos livrou e ainda livrará de tão grande morte”. Segundo, a determinação de Paulo em se concentrar somente em Deus: “Nele temos esperado que ainda continuará a nos livrar”. Terceiro, a intercessão contínua dos san-
tos: “enquanto vocês nos ajudam com orações”."

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O que você pode aprender com Paulo que pode ajudá-lo a evitar a autopiedade em meio a suas próprias lutas?


Quinta-feira, 28 de julho
Ano Bíblico: Is 20-23
Calor extremo

Até este ponto, neste trimestre, vimos exemplos de crisóis usados por Deus para nos tornar puros e semelhantes a Cristo. No entanto, a partir desses exemplos, alguns podem dizer: “Sabemos que Deus quer nosso bem, mas esses exemplos não revelam muito cuidado e amor. Em vez disso, Ele parece um algoz, pois tem um propósito que nos causa situações difíceis, e não há nada que possamos fazer a respeito disso.”

Enquanto vivermos nesta Terra cheia de pecados, entenderemos apenas um pouco do porquê de algumas coisas. No Céu compreenderemos plenamente (1Co 4:5; 13:12), mas, por ora, teremos que viver com a tensão de acreditar que Deus está presente e cuida de nós, mesmo que a situação não seja favorável.

Leia Isaías 43:1-7. Deus disse que Seu povo passaria pelas águas e pelo fogo (v. 2). Isso simboliza perigos extremos, mas talvez aludisse à travessia do Mar Vermelho e do Jordão, que foram momentos difíceis, mas que pavimentaram o caminho para uma vida nova. Talvez você esperasse que Deus dissesse que protegeria Seu povo dos perigos, que o guiaria por um caminho mais fácil. Contudo, como sugere a atitude do pastor no Salmo 23, Deus nos diz que, nos tempos difíceis, o Seu povo não precisa temer, pois o Senhor está com ele.

6. Volte a Isaías 43:1-7. Anote as diferentes maneiras pelas quais o Senhor assegurou a Seu povo conforto nos momentos de água e de fogo. Que imagem de Deus isso traz à sua mente? Que promessas você pode reivindicar para si?

Podemos resumir de três maneiras o que aprendemos sobre os crisóis de Deus. Primeiro, o calor extremo não tem o objetivo de nos destruir, mas destruir o pecado. Segundo, o calor não é para nos tornar miseráveis, mas para nos tornar puros, como fomos criados para ser. Terceiro, o cuidado de Deus por nós em todos os momentos é constante e terno – Ele jamais nos deixará sozinhos, não importa o que aconteça.

7. O que a Bíblia ensina sobre as ações e o caráter de Deus? Como você experimenta essa realidade? Sl 103:13, 14; Mt 28:20; 1Co 10:13; 1Pe 1:7

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Sexta-feira, 29 de julho
Ano Bíblico: Is 24-26
Estudo adicional

Leia, de Ellen G. White: Patriarcas e Profetas, p. 115-123 [145-155] (“O teste de fé”); Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 267-270 [315-319] (“Louvai ao Senhor”).

“Deus sempre tem provado Seu povo na fornalha da aflição. É no calor da fornalha que a escória se separa do verdadeiro ouro do caráter cristão. Jesus vigia a prova; Ele sabe o que é necessário para purificar o precioso metal, para que este possa refletir o brilho de Seu amor. É por meio de sofrimentos severos e decisivos que Deus disciplina Seus servos. Ele vê que alguns têm capacidades que poderão ser empregadas no avanço de Sua obra e põe essas pessoas à prova. Em Sua providência, Ele as leva a posições que provem seu caráter [...]. Mostra-lhes suas debilidades e os ensina a buscar Nele o apoio, pois Ele é seu único auxílio [...]” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 99 [129, 130]).

Perguntas para consideração

  1. Você já passou por um difícil teste de fé semelhante ao de Abraão? O que aprendeu com essa experiência sobre seus êxitos ou fracassos?
  2. Que extremos Cristo enfrentou nas Suas últimas 24 horas antes da crucifixão? Como Ele superou isso? Que princípios aprendemos com Cristo que nos ajudam a lidar com as nossas provas?

  3. Podemos ministrar aos que sofrem por meio de nosso sofrimento? Que problemas pode haver com essa ideia, por mais verdadeira que seja?

  4. É fácil confiar Nele “tanto nas trevas quanto na luz”? Como ajudar as pessoas a ter a fé que as habilitará a confiar em Deus nas dificuldades?

Respostas e atividades da semana: 1. Para que Abraão compreendesse por experiência própria a grandeza do sacrifício de Cristo a fim de redimir a humanidade. 2. Deus tornaria Israel uma terra seca, impediria que fosse atrás de outros deuses e tiraria seu sustento para que reconhecesse que era Deus quem lhe sustentava. 3. Satanás quis testar a fidelidade de Jó, pois dizia que ele era fiel apenas porque Deus o abençoava. O Senhor permitiu que Satanás causasse sofrimento a Jó. 4. Embora triste, Jó adorou e louvou a Deus, reconhecendo a soberania do Pai. 5. Deus pode permitir que soframos a fim de que ajudemos os que passam pelas aflições que passamos. 6. Deus prometeu que estaria com eles em todos os momentos; a imagem de um Pai amoroso que cuida dos filhos; promessas de cuidado, proteção e bênção. 7. Deus é Pai amoroso, compassivo, fiel e justo; Ele prometeu estar conosco todos os dias até o fim. Comente com a classe.

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Resumo da Lição 5
Calor extremo

TEXTO-CHAVE: Is 53:10

FOCO DO ESTUDO: Gn 22; Jó 1:6–2:10; Is 43:1-7; Os 2:1-12; 2Co 11:23-29

ESBOÇO

A lição desta semana se concentra em vários exemplos bíblicos que nos ajudam a entender melhor os motivos do sofrimento e as maneiras de vencer o mal e as adversidades. O exemplo da prontidão de Abraão em sacrificar seu próprio filho em obediência ao Senhor nos ensina uma confiança sem reservas em Deus, mesmo quando os mandamentos divinos não fazem sentido. O doloroso relacionamento de Oseias com sua esposa infiel revela o próprio sofrimento de Deus causado pela infidelidade do Seu povo, Sua presença contínua na vida dele e Sua atuação para restaurar o relacionamento com o povo rebelde e desviado. A lealdade resoluta de Jó para com Deus, mesmo quando sua própria esposa o instigava a amaldiçoar o Senhor, nos ensina que evitar o sofrimento e a morte não é o objetivo final da vida. Junto com Jó, Paulo nos ensinou que o amor e a fidelidade a Deus, ao Seu reino e à Sua missão no mundo é a experiência mais gratificante da vida cristã. Claro, existem coisas que não entendemos, mas o cristão passa pelo sofrimento e pela morte armado com a visão do apóstolo Paulo sobre a batalha: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo ou a espada?” (Rm 8:35).

Temas da lição

A lição desta semana destaca dois temas principais:

  1. Estudo profundo de exemplos relevantes de sofrimento que nos ajudarão a entender por que Deus permite as tribulações em nossa experiência.
  2. Ilustrações vívidas da história de Abraão e de Isaque no monte Moriá, e como pai e filho sobreviveram aos crisóis, aprendendo e crescendo por meio dessas experiências.

COMENTÁRIO

O sofrimento de Deus conosco

Na segunda metade do século 20, a teologia do processo propôs uma nova teodiceia ou explicação de como o mal se originou e existe no reino do Deus todo-amoroso, todopoderoso e perfeitamente justo. Teólogos do processo (como John B. Cobb Jr.) imaginam um Universo composto de entidades livres e autocriadoras engajadas em um processo progressivo contínuo de construir um mundo em constante mudança. No entanto, uma vez que essas entidades também pensam que o poder de Deus seja limitado, concluem que o mal e o sofrimento de alguma forma surgiram desse complexo processo de construção.

A única boa notícia que a teologia do processo pode nos oferecer é que Deus é solidário a nós e sofre com o Universo. Ele não pode erradicar o mal porque não pode interferir em nossa liberdade, mas trabalha para persuadir todas as entidades de todo o Universo a se moverem em direção a um equilíbrio de harmonia, criatividade e alegria.

O tema do sofrimento de Deus conosco tem sido usado frequentemente além dos círculos dos teólogos do processo. Sim, o conceito do sofrimento de Deus conosco é essencial para nossa compreensão do evangelho, mas deve ser entendido corretamente à luz da verdade bíblica. A maior ameaça do conceito de que Deus sofre conosco é que isso se tornou uma teodiceia por si só, excluindo outros aspectos importantes da teodiceia bíblica.

Por mais inovadoras que essas ideias possam ser, a teologia do processo e sua teodiceia são incompatíveis com a revelação bíblica e não podem ser aceitas pelos cristãos que creem na Bíblia. Sim, em nosso mundo decaído, o sofrimento é real e inevitável. E, sim, Deus sofre conosco. Contudo, essa realidade não é o fim da história. Um dos numerosos problemas da teologia do processo é sua especulação de que o mal está intrinsecamente relacionado à criação; a teologia do processo é evolucionária por natureza. Em contraste com essa posição, a explicação bíblica é que o mal não é “natural”; não pertence à ordem original da criação ou da natureza. O mal se opõe ao caráter de Deus, ao Seu amor e à Sua justiça. Ele criou um mundo perfeito, uma natureza perfeita, animais e seres humanos perfeitos.

O fato de Deus ter nos criado livres não torna o mal necessário e, portanto, os três pontos a seguir são especialmente relevantes: 1. O mal tem suas raízes na liberdade e nas ações morais de seres livres, como anjos e humanos. 2. O mal afetou e afeta a natureza, mas não surgiu da natureza. 3. O mal não é eterno nem coeterno com Deus ou com a criação (a criação foi planejada para ser, e na verdade era, perfeita e livre do mal, no início); o mal foi trazido à existência pelo abuso da liberdade, mas será levado ao fim pela intervenção amorosa e poderosa de Deus ao livrar o Universo de sua existência e ameaça.

Assim, devido à Sua natureza amorosa, Deus de fato sofre conosco, compartilhando conosco dos crisóis que trazemos sobre nós mesmos, sobre a natureza e sobre todo o Seu reino. Mas Deus não sofre numa condição de incapacidade e desamparo, como se nada pudesse ser feito porque o mal faz parte do surgimento e crescimento evolucionário do Universo. Não! Deus fez e está fazendo algo sobre isso. Ele assumiu a consequência final do pecado sobre Si mesmo em Cristo e atua ativamente para combater o mal. Ele convida todas as pessoas a aceitar Sua graça e a estar prontas para retornar ao Seu reino, do qual Ele erradicará o mal para sempre.

O sacrifício de Isaque

A ordem de Deus para sacrificar Isaque foi única com múltiplos propósitos. Por um lado, o chamado de Deus a Abraão foi uma provação ou teste. Ellen G. White escreveu que, no monte Moriá, Deus testou a fidelidade de Abraão: “Seres celestiais foram testemunhas daquela cena em que a fé de Abraão e a submissão de Isaque foram provadas. A prova foi muito mais severa do que aquela a que Adão havia sido submetido. A adequação à proibição imposta aos nossos primeiros pais não envolvia sofrimentos, mas a ordem dada a Abraão exigia o mais cruciante sacrifício. O Céu inteiro contemplava com espanto e admiração a  estrita obediência de Abraão. O Céu todo aplaudiu sua fidelidade. [...] O concerto de Deus, confirmado a Abraão por um juramento perante os seres de outros mundos, testificou que a obediência será recompensada” (Patriarcas e Profetas, p. 122, 123 [155]).

Por outro lado, a ordem divina foi mais do que um teste. Na verdade, seu propósito principal era tríplice: uma revelação, uma profecia e uma tipologia. Deus queria ensinar Abraão e toda a humanidade sobre o sacrifício de Seu Filho por nós (Jo 3:16). Ellen G. White enfatizou esse ponto em vários de seus escritos.

“Abraão havia desejado muito ver o prometido Salvador. [...] E viu a Cristo. [...] Viu o Seu dia e se alegrou. Foi-lhe dada uma compreensão do divino sacrifício pelo pecado. Ele tinha uma ilustração desse sacrifício no que se passara consigo mesmo. Fora-lhe dada a ordem: ‘Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e [...] oferece-o [...] em holocausto’ (Gn 22:2). Sobre o altar do sacrifício, apresentou o filho da promessa, o filho em quem se concentravam suas esperanças. Então, enquanto estava ao pé do altar com a faca erguida para obedecer a Deus, ouviu uma voz do Céu, que dizia: ‘Não estenda a mão sobre o menino e não faça nada a ele, pois agora sei que você teme a Deus, porque não Me negou o seu filho, o seu único filho’ (Gn 22:12). Essa terrível prova foi imposta a Abraão, para que pudesse ver o Dia de Cristo e compreendesse o grande amor de Deus para com o mundo: amor tão grande que, para erguê-lo da degradação, entregou Seu único Filho a tão vergonhosa morte” (O Desejado de Todas as Nações, p. 375, 376 [468, 469]).

Em outro lugar, a escritora reuniu os dois propósitos da ordem divina em Gênesis 22: “Foi para impressionar a mente de Abraão com a realidade do evangelho e para provar sua fé que Deus mandou que ele matasse seu filho. A aflição que ele sofreu durante os dias tenebrosos daquela terrível prova foi permitida para que compreendesse por sua própria experiência algo da grandeza do sacrifício feito pelo infinito Deus para a redenção do ser humano. Nenhuma outra prova poderia ter causado a Abraão tanta agonia como oferecer seu filho em sacrifício. Deus entregou Seu próprio Filho para que morresse de forma dolorosa e humilhante. Aos anjos que testemunharam a humilhação e o sofrimento do Filho de Deus não foi permitido intervir, como no caso de Isaque. Não houve nenhuma voz clamando: ‘Chega!’ Para salvar a raça decaída, o Rei da Glória rendeu a vida. Que prova mais forte se pode dar da infinita compaixão e do amor de Deus? ‘Aquele que não poupou o Seu próprio Filho, mas por todos nós O entregou, será que não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas?’” (Rm 8:32; Patriarcas e Profetas, p. 122 [154]).

Se o propósito principal de Gênesis 22 era revelar parte do plano divino da salvação, é importante enfatizar que o mandamento divino a Abraão foi um evento profético singular, único na história do mundo. Por meio dessa experiência única de Abraão, Deus comunicou com eficácia Seu plano para salvar a humanidade por meio do sacrifício substitutivo de Jesus Cristo. Portanto, ninguém mais na história da humanidade jamais recebeu, nem receberá, a ordem de sacrificar outro ser humano novamente. Mesmo no caso de Abraão, o sacrifício de Isaque foi substituído de imediato pelo sacrifício de um animal. Por isso, a experiência de Abraão não pode ser associada justificadamente com a prática antiga de sacrifício de crianças ou com qualquer abuso infantil, antigo ou contemporâneo.

Outro aspecto importante dessa experiência foi a própria participação e reação de Isaque. Enquanto nos concentramos na angústia e no sofrimento de Abraão, precisamos enfatizar que essa experiência foi também o crisol de Isaque, e sua reação é inestimável. Ele poderia ter reagido de várias maneiras, como chamar o pai de velho louco ou fugir correndo, mas Isaque não fez isso. O fato de ter sido educado quanto à fidelidade e à confiança em Deus e em seu pai fez dele um exemplo perfeito para o cristão que passa por crisóis. Ellen G. White destacou esse ponto em uma narração vívida dessa experiência:

“Abraão, [...] em obediência à ordem divina [...], seguia seu caminho com Isaque ao lado. Via diante de si o monte que, Deus lhe dissera, havia de indicar como aquele sobre o qual ele devia oferecer o sacrifício. Tirou a lenha das costas do servo e colocou-a sobre Isaque, aquele que devia ser oferecido. Cingiu-se de firmeza e angustiosa severidade, pronto para a obra que Deus exigia dele. Coração quebrantado e mão desfalecida, tomou o fogo, enquanto Isaque indagava: ‘Pai, aqui está o fogo e a lenha; mas onde está a oferta?’ Mas, oh, Abraão não lhe podia dizer ainda! Pai e filho construíram o altar, e chegou para Abraão o terrível momento de dar a conhecer a Isaque o que lhe vinha causando angústia de alma através de toda aquela longa jornada – que o próprio Isaque era a vítima. O filho não mais era um rapazinho, mas um jovem plenamente desenvolvido. Ele poderia haver recusado se submeter ao desígnio paterno, se assim quisesse. Ele não acusou seu pai de loucura, nem sequer lhe procurou mudar o desígnio. Submeteu-se. Confiava no amor de seu pai, e que ele não faria esse terrível sacrifício de seu filho único, não houvesse Deus assim solicitado” ( Filhos e Filhas de Deus, p. 205).

APLICAÇÃO PARA A VIDA

  1. Compartilhe três princípios da história de Abraão e Isaque que mostram como vencer os crisóis.

  2. Como Jó e Oseias reagiram ao sofrimento? O que as reações deles ensinam sobre como vencer um crisol?

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Linda Pedra

Kurt

Bolívia | 23 de julho

Carol procurou seu amigo Kurt comum grande problema. Alguém estava tentando roubar sua casa em Trinidad, Bolívia, e ela queria a ajuda de Kurt.

O problema começou quando Carol se mudou da Bolívia para o Brasil para fazer uma pós-graduação em anestesiologia. Carol e Kurt haviam trabalhado juntos em uma faculdade de medicina, e ela e seu marido também administraram uma clínica médica em Trinidad.

Quando Carol e seu marido se mudaram para o Brasil, eles deixaram sua casa e suas terras nas mãos de um amigo de confiança. Era um bom imóvel, em uma localização nobre, a apenas três quarteirões do centro da cidade. Seu amigo mudou-se para a casa deles e expressou interesse em comprá-la e as terras vizinhas. Carol emprestou-lhe dinheiro para ajudar na compra.

Mas quando Carol voltou para uma visita vários anos depois, desco- briu, para sua consternação, que o amigo havia iniciado um processo legal para adquirir a casa e o terreno sem nenhum custo. Ele estava se aproveitando da lei de usucapião, um processo legal que permite a uma pessoa adquirir o título de uma propriedade simplesmente por possuí-la por um longo período de tempo ininterrupto.

Carol foi ao tribunal, e o litígio se arrastou ano após ano. No quinto ano do litígio, Carol concluiu a pós-graduação e recebeu um bom emprego no Brasil. Ela e o marido também compraram uma casa no Brasil e se estabeleceram no país. Eles não tinham dinheiro para processar o caso na Bolívia. Então, Carol procurou Kurt, um velho amigo.

 “Quero dar esta propriedade à sua igreja”, disse ela. 

Ele lembrou que ela e o marido quiseram, em determinado momento, construir uma clínica médica no local. Mas agora, ela disse que gostaria de ver uma Igreja Adventista do Sétimo Dia construída no local em vez de uma clínica.

“Quero que esta propriedade seja uma clínica para a alma”, disse ela.

Kurt consultou os líderes da igreja, e eles concordaram em aceitar a doação para expandir o alcance do evangelho na cidade.

Mas parecia que Satanás queria impedir o negócio. O processo judicial continuou por mais cinco anos e acabou na Suprema Corte da Bolívia. O caso consumiu muito tempo, mas o bom Deus interveio, e a Suprema Corte decidiu a favor da Igreja Adventista em apenas 30 dias. A igreja recebeu o título de propriedade, e planos foram colocados em prática para construir um novo prédio da igreja e um centro de estilo de vida saudável.

Parte da oferta do décimo terceiro sábado ajudará na construção do prédio da igreja e do centro de estilo de vida saudável em Trinidad. Obrigado por estar planejando uma generosa oferta para o dia 24 de setembro para que este terreno tenha uma clínica de almas.

“Deus mostrou mais uma vez que estabelece os tempos e decide os lugares de acordo com Sua vontade”, diz Kurt. “Deus está no controle. Que Sua vontade sempre seja feita na Terra, assim como é feita no Céu.”

Dicas para a história

  • Mostre a foto de Kurt e seus amigos.

  • Baixe as fotos no Facebook: bit.ly/fb-mq.

  • Baixe publicações sobre a missão e fatos rápidos da Divisão Sul-Americana: bit.ly/sad-2022.

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Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º trimestre de 2022

Tema geral: Provados pelo fogo

Lição 5 – 23 a 30 de julho de 2022

Calor extremo

Autor: Célio Barcellos

Editoração: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Rosemara Santos

 

Era uma quinta-feira de 2016, por volta das 16h, quando me dirigi até o Hospital Evangélico, em Vila Velha, Espírito Santo. Nesse período, eu cuidava do distrito de Carapina, na Grande Vitória. Pois bem, eu precisava visitar uma pessoa no hospital e em seguida ir até Laranjeiras, na Serra, e de lá, depois, ainda ir ao cartório antes do encerramento do horário de atendimento.

Quando cheguei no hospital, observei uma senhora chorando ao sair da UTI. Ela não era a pessoa que eu visitaria naquele local, mas o Espírito Santo me impressionou a abordá-la. Quando ela se aproximou, eu perguntei:

– O que aconteceu? Posso ajudá-la em algo?

Aquela senhora olhou para mim e disse:

– A minha sobrinha… Ela desenvolveu lúpus, foi hospitalizada e precisou amputar os dois braços. Neste momento, acabo de ter a notícia de que ela está sendo levada às pressas para a sala de cirurgia para amputar as duas pernas. Ela só tem 44 anos e sua mãe de 74 anos sofre de Alzheimer e depende inteiramente dela.

Naquele momento, meu mundo veio ao chão. De repente, eu a abracei e me ofereci para orar com ela ali mesmo. Enquanto as pessoas passavam, nós estávamos orando. Despedimo-nos e entreguei a vida dela e da sua família nas mãos de Deus.

Que tipo de provação você está enfrentando? Será que você está experimentando um calor extremo, à semelhança dos amigos de Daniel na fornalha ardente? (Dn 3). Se porventura você estiver num grau intenso de provação, qual é o seu sentimento para com Deus? No momento em que estavam sendo levados para o crisol, os amigos de Daniel não blasfemaram nem perderam a confiança no Senhor. Pelo contrário, disseram o seguinte: “Se o nosso Deus, a quem servimos, quiser livrar-nos, Ele nos livrará da fornalha de fogo ardente” (Dn 3:17).

Certamente, não é fácil suportar um sofrimento terrível. Também não é agradável ver pessoas sofrendo e não ter uma solução para elas. Parece que uma única oração num hospital repleto de pessoas não faz sentido em meio ao intenso sofrimento. Porém, esse é o recurso poderoso que o cristão possui. Ellen White diz que “a oração é chave nas mãos da fé para abrir os depósitos do Céu” (Caminho a Cristo, p. 123). Ela diz mais: “Devemos nos manter tão perto de Deus que, em cada provação inesperada, nossos pensamentos se voltem para Ele tão naturalmente quanto a flor se volta para o Sol” (Caminho a Cristo, p. 128).

No entanto, se uma pessoa não tem o estimulo da fé que produz resiliência, ela não vai encarar o fogo ardente, as provações massacrantes e outras coisas negativas com a segurança dos amigos de Daniel nem com a disposição de um Abraão ao obedecer a estranha ordem divina de sacrificar o filho amado (Gn 22:1, 2).

Aparentemente, servir a Deus é atrair para si uma enorme carga de sofrimento. Mas a principal causa do sofrimento é o pecado que infectou nosso mundo, nos tornando sujeitos às terríveis consequências que vão desde uma simples gripe até uma infecção generalizada capaz de mutilar uma pessoa. Uma das consequências do pecado é a perseguição contra os que lutam para vencer o pecado pela graça de Cristo.

Apesar disso, a Bíblia diz que “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8:18). Essas são palavras de alguém que foi açoitado, apedrejado, passou por naufrágios e sofreu duras penas no crisol da provação (2Co 11:24-26). Além de passar por tudo isso, o apóstolo Paulo foi levado para uma prisão em Roma, onde permaneceu por algum tempo e acabou sendo morto.

O que falar de Jó? “Este homem era íntegro e reto, temia a Deus e se desviava do mal” (Jó 1:1). O que a vida de Jó e de outros tementes a Deus revela é que o pecado afeta a todos, inclusive os servos do Senhor. É preciso olhar para o sofrimento com a consciência de que ele ocorre por causa da interferência maligna no mundo. Por isso, vemos tanta gente sofrendo doenças, miséria e morte. Há sofrimentos causados pelos próprios indivíduos que quebram leis numa rebelião inconsequente. Por outro lado, há pessoas que sofrem de maneira passiva, sem nada ter com a situação.

O fato é que o pecado trouxe enormes prejuízos ao mundo. Desde o dia em que Adão e Eva ouviram as palavras da serpente e agiram de modo egoísta e incrédulo, o mundo não foi mais o mesmo. O escritor Ryan Holiday diz que o “ego é a voz dizendo que somos melhores do que de fato somos” (O Ego é Seu Inimigo, [Rio de Janeiro, RJ: Editora Intrínseca], Edição digital Kindle, 1ª ed., Loc 198, 2017). No pensamento de Holiday, “o ego impede a conexão com o mundo à nossa volta” (O Ego é Seu Inimigo, Loc 203). O egoísmo afetou não somente a conexão do homem com o mundo, mas com o próprio Deus. O homem passou a ter olhar míope e mente deturpada.

O ser humano não só acreditou que era melhor do que era de fato, como também quis superar o próprio Deus ao desejar conhecer o bem e o mal (Gn 3:5). Essa decisão o deixou numa situação complexa, como se o ser humano estivesse num casebre insalubre contendo uma única janela, sem a visão completa de antes do pecado e sem poder respirar o puro ar da sabedoria divina. A insalubridade do pecado afetou os genes humanos de tal maneira que as deformidades afetaram em cheio qualquer pessoa nos quatro cantos da Terra.

O escritor e psiquiatra Victor Frankl, em seu livro sobre os horrores do nazismo, disse que o “livro não trata de fatos e acontecimentos externos, mas de experiências pessoais que milhares de prisioneiros viveram de muitas formas. É a história de um campo de concentração visto de dentro, contada por um dos seus sobreviventes” (Victor Frankl, Em Busca de Sentido, p. 9). Essa fala de Frankl mostra que o indivíduo que não vivenciou determinada experiência não poderá contar com total assertividade o seu relato.

Isso quer dizer que não temos a dimensão total das coisas que vemos. Nunca entenderemos porque uns sofrem mais do que outros. No entanto, teremos sempre à nossa vista o resultado da malignidade do pecado, seja na nossa vida ou na vida de alguém. O mais seguro em meio às provações é se agarrar firmemente nas mãos do Senhor Jesus. Ele não só conhece tudo desde o princípio (Jo 8:58) como também experimentou sozinho o campo de concentração do pecado e sofreu o calor extremo da morte, e morte de cruz.

Por mais que surjam sentimentos de dúvidas em meio a tanto sofrimento, ainda assim, o melhor é fixar o olhar em Cristo e compreender que a primeira coisa que herdamos Dele é Seu sofrimento (1Pe 4:13). O Apóstolo Pedro diz que devemos nos alegrar, mas isso somente ocorre se, de fato, nos encontramos em sintonia com Ele. Do contrário, o corpo repleto de adrenalina e cortisol tende a explodir como defesa a tamanho sofrimento assistido.

Naquela quinta-feira de 2016, saí do Hospital Evangélico em direção ao cartório. Era por volta das 17h30 quando encontrei Maria (nome fictício) em frente ao cartório. Ela estava em desespero, pois seu filho havia sido alvejado com 10 tiros e se encontrava hospitalizado. Naquele momento, ao me ver, em prantos, ela disse: “Pastor! O que eu faço? Estou arrasada.” Não tive outra opção a não ser ouvir aquela senhora desesperada enquanto carros e transeuntes disputavam as ruas do Bairro Laranjeiras, na Serra. Além do sentimento de desespero pela situação do filho, ela estava enfrentando o desemprego e a falta de alimentos em casa.

Confesso que me senti sem forças para fazer alguma coisa. Na minha mente vinha a cena da mulher de 44 anos que poderia ter todo um futuro pela frente, mas estava numa sala de cirurgia para amputar os membros do corpo. Naquele momento, utilizei o único recurso disponível – a oração. Numa calçada repleta de transeuntes orei com Maria e disse que iria à sua casa visitá-la, levar alguma coisa e solicitar apoio da ação solidária da igreja.

Sabe amigo, o calor extremo da provação não é fácil, mas ele existe. Ele pode afetar qualquer pessoa. Pode ser que o seu calor seja menos intenso do que o do outro, mas ainda assim é um calor que sufoca e desanima. Porém, olhe para o alto e busque em Jesus o bálsamo necessário para sua alma, pois Ele é o único que pode libertar você do calor extremo produzido pelo fogo da provação. Confie em Deus. Ele vai ajudar você a vencer e a suportar o sofrimento, ao mesmo tempo em que vai fortalecer em seu coração a esperança de que todo sofrimento em breve chegará ao fim.

 

Conheça o autor dos comentários para este trimestre: Célio Barcellos é pastor no distrito de Pirassununga, na Associação Paulista Central. Atualmente cursa jornalismo e possui MBA em Liderança Missional. Contribui com artigos em veículos denominacionais e seculares, além de transcrever palestras e pregações para auxiliar a igreja. É natural de Itaúnas/Conceição da Barra, ES. Casado com Salomé Barcellos, tem dois filhos, Kairos Álef, de 18 anos, ilustrador e estudante de Arquitetura, e Krícis Barcellos, de apenas 10 anos.