Há algo em nós que resiste à ideia de salvação somente pela fé, sem as obras da lei. De alguma forma, temos a tendência de confiar em nossos esforços, como se eles pudessem adicionar algo à nossa salvação. De maneira enfática, Paulo aborda essa questão em uma declaração polêmica contra aqueles que insistiam que a circuncisão era essencial para a salvação.
A fim de evitar que alguém considere suas ações, como a circuncisão, uma contribuição para a salvação, Paulo deixa claro que a justiça vem de Cristo como um presente recebido pela fé, e não pela lei. Embora a circuncisão possa não ser um tema central hoje, o princípio que ela representa ainda permanece atual.
A própria Reforma Protestante teve início por causa dessa questão: o papel da fé e das obras na vida de um seguidor de Cristo. No final, Cristo é tudo para nós: “Autor e Consumador da fé” (Hb 12:2). Quando nossas prioridades estão no lugar certo, vivemos com a certeza do amor de Deus e desfrutamos, desde já, da promessa de salvação, sem colocar nenhuma confiança “na carne” (Fp 3:3).
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1. Leia Filipenses 3:1-3. Que aspectos positivos e negativos Paulo destaca nesse texto e como eles se relacionam? De que forma ele descreve os crentes?
Paulo começou com um tom bastante positivo, quase dando a impressão de que estava encerrando sua carta. No entanto, ele ainda tinha mais a dizer. Ele retomou um dos temas centrais da epístola: alegrar-se no Senhor. Nesse trecho, ele apresentou várias razões para isso, sendo a principal a confiança em Cristo, e não em nós mesmos: “Nós [...] nos gloriamos em Cristo Jesus, em vez de confiarmos na carne” (Fp 3:3). Será que nós, de alguma forma, já aprendemos a importância de não confiar na carne?
A advertência enfática de Paulo – “Cuidado [...]!” (Fp 3:3) – é repetida três vezes, algo único nas Escrituras. Parece que os filipenses entendiam bem a ameaça à qual Paulo estava se referindo. Em vez de tratar de três problemas distintos, essa advertência parece se direcionar a um grupo de falsos mestres descritos de três maneiras diferentes.
No contexto de Israel, pessoas perversas ou não religiosas eram diversas vezes chamadas de “cães” (Fp 3:2; compare com Sl 22:16; Is 56:10; Mt 7:6; 2Pe 2:21, 22). Esses falsos mestres também foram descritos como “maus obreiros”. Além disso, Paulo os acusou de “falsa circuncisão” (Fp 3:2; literalmente, “mutilação”), indicando que, como na Galácia e em outras regiões, eles tentavam impor a circuncisão aos cristãos gentios, contrariando a decisão do Concílio Apostólico (ver At 15).
Curiosamente, uma solução para os desafios espirituais, incluindo o combate às falsas doutrinas, parece ser “Alegrem-se no Senhor” (Fp 3:1; compare com Fp 4:4).
Tudo aquilo que nos traz alegria também gera felicidade. A Palavra de Deus é como um manual de instruções que nos orienta a encontrar a felicidade genuína e a alegria duradoura. Alguns elementos que promovem essa alegria incluem: receber a misericórdia de Deus (Sl 31:7); confiar Nele (Sl 5:11); experimentar as bênçãos da salvação (Sl 9:14); adotar a lei de Deus como estilo de vida (Sl 119:14), incluindo o sábado (Is 58:13, 14); acreditar na Palavra de Deus (Sl 119:162); e criar filhos que sigam os caminhos de Deus (Pv 23:24, 25).
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É comum que os cristãos, ao se converterem, pensem em sua vida em termos de antes e depois de aceitar Jesus, assim como Paulo em Filipenses 3. No entanto, seja certo ou errado, às vezes nos referimos àqueles que não são cristãos como “pessoas boas”, e, segundo os padrões do mundo, muitos de fato são. Contudo, comparados aos padrões de Deus, ninguém é bom, nem mesmo os cristãos.
2. Em Filipenses 3:4-6, Paulo menciona diversos aspectos de sua vida que, em outro tempo, ele viu como motivo de orgulho. Quais são esses aspectos? Como você descreveria os pontos positivos de sua própria vida, tanto do passado quanto do presente?
Paulo fez um contraste claro entre os judeus crentes que propagavam falsas doutrinas e os cristãos não circuncidados que confiavam plenamente em Cristo para a salvação, sem depender de práticas humanas, como a circuncisão (ver Hb 6:1; 9:14; comparar com Rm 2:25-29). Embora a vida passada de Paulo e sua origem fossem impressionantes para os padrões dos judeus, nada disso contribuía para sua salvação. Na verdade, essas credenciais o impediram, por um tempo, de enxergar sua real necessidade de Cristo.
Paulo não era apenas circuncidado – ele era “do oitavo dia”, o que indicava que, como israelita de nascimento e membro do povo da aliança, foi circuncidado exatamente no seu oitavo dia de vida, conforme a lei. Ele também fazia parte da tribo de Benjamim, uma das mais importantes, que incluía cidades de grande relevância em Israel. Além disso, Paulo falava hebraico fluentemente e, como aluno de Gamaliel, o Velho (At 22:3; 26:4, 5), e fariseu, possuía um profundo conhecimento da lei e de suas tradições.
Paulo era tão zeloso pela lei que chegou a perseguir a igreja, acreditando que ela ameaçava o estilo de vida judaico que ele pensava ser ordenado por Deus. Embora fosse considerado irrepreensível segundo a justiça baseada em normas humanas, Paulo percebeu que a verdadeira exigência da lei era muito mais profunda do que ele imaginava e que, sem Cristo, ele estava condenado diante dela (Fp 3:6).
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Como o estudo de ontem destacou, aquilo que antes fazia Paulo se orgulhar era, na verdade, um obstáculo à fé, pois o impedia de reconhecer sua necessidade de Cristo. Paulo usou a linguagem do comércio, de ganho e perda, para descrever sua “contabilidade espiritual” antes de sua conversão. Embora muitas vezes evitemos refletir sobre isso, todo ser humano possui uma “contabilidade espiritual”. No passado, os valores de Paulo eram medidos pelos padrões judaicos da época, e não pelos valores bíblicos ensinados por Jesus.
Após sua conversão, sua contabilidade espiritual foi completamente transformada, com uma mudança radical na escala de valores: ele trocou a “moeda do judaísmo” pela “moeda do Céu”.
“Aquele que desceu do Céu pode falar sobre o Céu e apresentar corretamente as coisas que formam a moeda do Céu, sobre as quais Ele estampou Sua própria imagem e inscrição. Ele conhece o perigo em que se encontram aqueles a quem veio tirar da degradação e exaltar a um lugar ao Seu lado, em Seu trono. Ele aponta o risco de se derramar afeto sobre objetos inúteis e perigosos. Ele busca desviar a mente daquilo que é terreno para o celestial, para que não percamos tempo, talentos e oportunidades com coisas que são pura vaidade” (Ellen G. White, The Advent Review and Sabbath Herald, 1/7/1890).
No contexto do judaísmo do primeiro século, Paulo tinha sido uma estrela em rápida ascensão. Contudo, ao ficar cego diante da visão de Jesus glorificado no caminho para Damasco (At 9), sua visão espiritual foi corrigida, permitindo-lhe enxergar com clareza.
3. Em João 9, um cego passou a ver. Jesus disse: “Eu vim a este mundo [...] a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos” (Jo 9:39). Como esse princípio pode ser aplicado à sua própria vida?
O que pode ser mais valioso do que a vida eterna no Céu e na Nova Terra? Mesmo assim, muitos estão cegos pelos valores deste mundo. Há uma competição natural entre os valores terrenos (ver Mt 13:22; Lc 4:5, 6; 1Jo 2:16) e os valores do Céu, que incluem a semelhança com Cristo e a salvação das pessoas.
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Não devemos deixar passar despercebida a ideia central de Paulo: na estrada para Damasco, ele viveu uma troca extraordinária ao abandonar sua antiga vida baseada na lei para experimentar a presença do próprio Cristo – “para ganhar a Cristo e ser achado Nele” (Fp 3:8, 9).
4. Leia Efésios 1:4; 2 Coríntios 5:21; Colossenses 2:9; Gálatas 2:20. Com base nessas passagens, como você entende o significado de estar “Nele”, ou seja, em Cristo?
A expressão “em Cristo” mencionada por Paulo tem sido amplamente debatida. Talvez a melhor explicação venha do próprio apóstolo: “De fazer convergir em Cristo todas as coisas nos Céus e na Terra, na administração da plenitude dos tempos” (Ef 1:10, NVI). Esse foi o propósito de Deus desde o início. Paulo também esclarece como isso ocorre: “Vocês são Dele, em Cristo Jesus, o qual Se tornou para nós, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santificação e redenção” (1Co 1:30).
Estar “em Cristo” envolve todos os aspectos do plano da salvação: desde o despertar de nossa compreensão espiritual (sabedoria) até a justificação pela fé (justiça), a preparação para o Céu (santificação) e, por fim, a glorificação na segunda vinda (redenção). A salvação é obra completa de Cristo – tanto por nós quanto em nós. Assim, ao estarmos em Cristo, recebemos tudo o que necessitamos.
5. Leia Filipenses 3:9. Quais são os dois elementos que Paulo apresenta em contraste, e por que é tão importante se lembrar sempre dessa diferença?
No entendimento de Paulo, ter uma “justiça própria” (Fp 3:9) não é, de fato, justiça, pois a lei não é capaz de dar vida (ver Gl 3:21, 22). Somente Cristo pode fazer isso, por meio da fé. E não se trata de qualquer tipo de fé. Afinal, até os demônios creem e tremem (Tg 2:19). A única fé que salva é a “fé de Cristo”. Somente a fé Dele obedeceu plenamente e tem o poder de obedecer. (A palavra grega traduzida como “fé” [pistis] também significa fidelidade.) Portanto, se estamos em Cristo, e Ele vive em nós (Gl 2:20), vivemos por Sua fé, expressa por meio da nossa fé Nele.
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6. Leia Filipenses 3:10-16. Quais são os principais aspectos que Paulo aborda nessa passagem?
Não há nada mais importante do que conhecer a Cristo, o que nos garante que Ele também nos reconhecerá diante do Pai (ver Mt 7:21-23; 10:32, 33). Mas como podemos conhecê-Lo? Por meio de Sua Palavra escrita – lendo-a e vivendo-a, embora não possamos conhecê-Lo face a face como os discípulos, que O viram pessoalmente e falharam em compreender Suas palavras. Isso reforça nossa necessidade do Espírito Santo para nos guiar (ver Jo 16:13). Quanto mais O conhecemos, mais nos aproximamos Dele, porque experimentamos o “poder da Sua ressurreição” (Fp 3:10), que nos eleva para uma “novidade de vida” (Rm 6:4).
Outra maneira de nos aproximarmos de Jesus é tomando “parte nos Seus sofrimentos” (Fp 3:10). Cada provação enfrentada e cada experiência dolorosa nos ajudam a entender melhor o que Jesus passou por nós e a conhecer Sua vontade de forma mais clara.
Uma terceira forma de nos aproximarmos é avançando “para o alvo” (Fp 3:14). O que é esse alvo? O termo traduzido aqui, que aparece apenas uma vez no NT (skopos), refere-se à linha de chegada de uma corrida e ao prêmio dado ao vencedor. Paulo o chama de “prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3:14, NVI). Assim como Cristo, que por meio de Sua morte e ressurreição subiu aos Céus, Deus nos convida a receber a mesma recompensa celestial – a vida eterna.
É claro que ainda não alcançamos esse objetivo. Não seremos plenamente transformados até que “nosso corpo humilhado” seja renovado, tornando-se “semelhante ao Seu corpo glorioso” (Fp 3:21, NVI). Entretanto, ao conhecê-Lo e buscar Sua presença diariamente, avançamos em direção ao alvo de ser semelhantes a Jesus em todos os aspectos possíveis agora. Essa era a coisa em que Paulo se concentrava (Fp 3:13). Assim como em uma corrida (ver 1Co 9:24-27), não nos prendemos ao passado nem nos preocupamos com quem ficou para trás. Nosso foco está exclusivamente no que está à frente – o prêmio celestial que nos aguarda. A imagem é clara: um corredor totalmente dedicado ao objetivo, esforçando-se ao máximo e inclinando-se para alcançar a linha de chegada.
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“Aquele que deseja construir um caráter forte e harmônico, e ser um cristão bem equilibrado, deve dar tudo a Cristo e fazer tudo por Ele, pois o Redentor não aceitará um serviço dividido. Precisa aprender diariamente o que significa entregar o próprio eu. Precisa estudar a Palavra de Deus, aprendendo seu significado e obedecendo aos seus preceitos. Assim ele pode alcançar o padrão da excelência cristã. Dia a dia Deus trabalha com ele, aperfeiçoando o caráter que deve resistir no tempo da prova final. E diariamente o cristão pode viver diante dos homens e dos anjos uma experiência sublime, mostrando o que o evangelho é capaz de fazer por seres humanos decaídos” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos [CPB, 2021], p. 306).
“ Os últimos raios da luz misericordiosa, a última mensagem de graça a ser dada ao mundo, é uma revelação do caráter do amor divino. Os filhos de Deus devem manifestar Sua glória. Revelarão em sua vida e caráter o que a graça de Deus tem feito por eles” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus [CPB, 2022], p. 245).
Perguntas para consideração
1. Reflita mais sobre a ideia de alegrar-se no Senhor. Perceba que não é dito para nos alegrarmos nas tribulações, mas no Senhor. Por que é tão importante mantermos o foco no Senhor, em Sua bondade, em Seu poder, em Seu amor e na Sua salvação? Como essa prática pode ajudá-lo a enfrentar as provações da vida?
2. Note como a graça atua na realização das “boas obras”. Por que isso é tão importante enquanto aguardamos a volta de Cristo? Sem essas obras, podemos realmente dizer que somos salvos?
3. O que significa não confiar na carne? Se é dom de Deus, por que não é confiável?
Respostas às perguntas da semana: 1. Paulo elogiou a alegria no Senhor e a verdadeira adoração, mas alertou contra os que confiavam na carne. Ele descreve os crentes como os que servem a Deus pelo Espírito e se orgulham em Cristo. 2. Paulo mencionou sua origem, zelo e obediência à lei. Ele tinha um passado exemplar, mas entendeu que a salvação é somente pela graça. Cada pessoa pode reconhecer aspectos bons da vida, mas é em Cristo que encontramos verdadeiro valor. 3. Esse princípio mostra que só vemos com clareza quando reconhecemos nossa necessidade de jesus. Orgulho espiritual nos impede de enxergar; humildade abre os olhos. 4. Estar em Cristo é viver em união com Ele. Significa receber Sua justiça, depender de Sua graça e deixar que Sua vida se manifeste em nós. 5. Ele contrasta a justiça própria, baseada na lei, com a justiça que vem pela fé em Cristo. Lembrar disso nos protege do orgulho espiritual e nos mantém dependentes da graça. 6. Paulo fala do desejo de conhecer a Cristo, da comunhão nos sofrimentos e da esperança da ressurreição. Ele nos convida a deixar o passado e prosseguir com firmeza para o alvo.
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TEXTO-CHAVE: Fp 3:10, 11
FOCO DO ESTUDO: Fp 3
ESBOÇO
Introdução: Depois de afirmar que os crentes brilham neste mundo ao praticarem boas obras centradas em Cristo, Paulo passou a enfatizar a necessidade de confiar exclusivamente em Cristo para a salvação. O apóstolo expressa preocupação com a influência de falsos mestres que promoviam uma abordagem com base na carne, distorcendo assim a mensagem do evangelho e colocando em risco toda a comunidade cristã em Filipos. Parecia que uma forma de falso ensino, semelhante à que ocorreu na Galácia, estava gerando certa confusão quanto ao que os cristãos gentios deveriam crer e fazer para serem salvos.
Paulo levou esse assunto muito a sério. Afinal, a mensagem do evangelho estava em jogo. Paulo mostrou-se extremamente preocupado com a infiltração de falsos mestres e seus ensinamentos, a ponto de se referir a eles como cães e maus obreiros (Fp 3:2). Esses foram termos fortes, usados para expressar desprezo e reprovação. Ao tratar dessas questões em Filipos, Paulo ofereceu preciosas lições sobre como lidar com falsos ensinamentos. Essas lições continuam sendo cruciais para a igreja hoje. Afinal, em maior ou menor grau, todas as nossas igrejas sofrem com o ataque de falsos mestres.
A lição desta semana enfatiza três temas principais, a saber:
1. Alegrar-se no Senhor é o oposto de confiar na força humana.
2. Uma conversão genuína leva a uma mudança radical: da confiança na carne para a confiança em Cristo.
3. Conhecer a Cristo é uma experiência progressiva. À medida que nos aproximamos Dele, nossa intimidade com Ele se aprofunda cada vez mais. A intimidade com Cristo deve continuar crescendo até o dia em que O veremos face a face.
COMENTÁRIO
Ilustração
“O rei da Itália e o rei da Boêmia prometeram a John Huss transporte e custódia seguros. No entanto, quebraram suas promessas, e Huss foi martirizado. Thomas Wentworth carregava um documento assinado pelo rei Carlos I que dizia: ‘Pela palavra de um rei, você não sofrerá na vida, na honra ou bens’. Pouco tempo depois, no entanto, sua sentença de morte foi assinada pelo mesmo monarca. ‘Não confiem nos príncipes’, foram suas últimas palavras. ‘É melhor confiar no Senhor’ do que em qualquer outra pessoa ou coisa” (Paul Lee Tan, Encyclopedia of 7,700 Illustrations: Signs of the Times [Garland, TX: Bible Communications, Inc., 1996], p. 1525).
Alegrar-se no Senhor versus confiança na carne
Em Filipenses 3:1 a 3, Paulo introduziu uma advertência contra o orgulho nas realizações humanas. A exortação “Alegrem-se no Senhor”, no verso 1, expressa um conceito frequentemente encontrado no AT, especialmente no livro dos Salmos. Alguns exemplos notáveis incluem: “Na Tua força, Senhor, o rei se alegra! E como exulta com a Tua salvação!” (Sl 21:1); “Alegrem-se no Senhor e regozijem-se, ó justos” (Sl 32:11); “O justo se alegra no Senhor” (Sl 64:10; comparar com Sl 97:12); “Alegra a alma do Teu servo” (Sl 86:4); “Pois me alegraste, Senhor” (Sl 92:4); “Seja-Lhe agradável a minha meditação; eu me alegrarei no Senhor” (Sl 104:34); “De fato, grandes coisas o Senhor fez por nós; por isso, estamos alegres” (Sl 126:3). De fato, alegrar-se no Senhor é um mandamento repetidamente enfatizado ao longo do livro de Deuteronômio (ver Dt 12:7, 12, 18; 14:26; 16:11, 15; 26:11; 27:7).
Em Filipenses 3:1 a 3, a ideia de se alegrar aparece duas vezes em algumas traduções da Bíblia: “Alegrem-se no Senhor” (Fp 3:1) e “nos gloriamos em Cristo Jesus” (Fp 3:3). No entanto, o texto original grego utiliza duas palavras diferentes. Em Filipenses 3:1, Paulo empregou o termo chair?, que, no NT, frequentemente expressa felicidade e bem-estar. Por outro lado, em Filipenses 3:3, Paulo utiliza o verbo kauchaomai, que a versão Nova Almeida Atualizada frequentemente traduz como “se gloria”, tanto em Romanos (ver Rm 2:17, 23) quanto especialmente em 2 Coríntios, em que também aparece como “se orgulhar” ou “se gloriar” (2Co 5:12; 7:14; 9:2; 10:8, 13, 15, 16; 11:12, 16, 18, 30; 12:1, 5, 6, 9, 11). O verbo kauchaomai transmite um sentido de exultação mais específico e enfático do que chair?.
Paulo usa o termo “carne” em Filipenses 3:3 para se referir aos esforços humanos realizados com o objetivo de obter a salvação. No entanto, nas palavras da Nova Versão Transformadora, quando se trata de salvação, os crentes não colocam “nenhuma confiança nos esforços humanos” (Fp 3:3, NVT). De fato, dependemos completamente dos esforços de Cristo. Essa ideia era provavelmente o que Paulo queria dizer ao afirmar que nos gloriamos em Cristo. Alegrar-se no Senhor (Fp 3:1) e gloriar-se “em Cristo Jesus” (Fp 3:3) são conceitos paralelos, assim como no Salmo 34:2: “A minha alma se gloriará no Senhor; os humildes ouvirão isso e se alegrarão”.
Da confiança na carne à confiança em Cristo
A advertência contra o orgulho nas realizações humanas, introduzida em Filipenses 3:1 a 3, foi desenvolvida em Filipenses 3:4 a 6. Observe que a expressão “confiança na carne” é uma frase-chave em Filipenses 3:1 a 6. Ela aparece nada menos que três vezes. Conforme mencionado anteriormente, em Filipenses 3:3, Paulo contrasta a confiança na carne com o gloriar-se em Cristo. Em Filipenses 3:4, o apóstolo argumenta que nenhum outro judeu tinha tanta confiança na carne quanto ele. Em Filipenses 3:5 e 6, ele apresenta sete razões pelas quais, mais do que qualquer outro, poderia confiar na carne: (1) “circuncidado ao oitavo dia”; (2) “da linhagem de Israel”; (3) “da tribo de Benjamim”; (4) “hebreu de hebreus”; (5) fariseu; (6) perseguidor da igreja; e (7) irrepreensível. Curiosamente, a circuncisão abre a lista, enquanto a condição irrepreensível a encerra. Parece que Paulo acreditava que seus esforços garantiriam sua salvação. No entanto, ao se encontrar com Cristo, percebeu a ineficácia de suas conquistas para alcançar a salvação.
Em Filipenses 3:7 a 9, Paulo contrasta sua vida pós-conversão com suas experiências anteriores à conversão, conforme descrito anteriormente. Os termos “ganho” e “perda” se destacam nessa breve passagem. Os versos 7 e 8 foram organizados em ordem concêntrica, da seguinte maneira:
A. “Mas o que para mim era lucro” (Fp 3:7a)
B. “Isto considerei perda por causa de Cristo” (Fp 3:7b).
B’. “Na verdade, considero tudo como perda” (Fp 3:8a)
A’. “Para ganhar a Cristo” (Fp 3:8b).
Essa estrutura concêntrica, também conhecida como estrutura quiástica, enfatiza a mudança radical na mentalidade de Paulo. Além do termo “perda” (do grego z?mia), em Filipenses 3:8 Paulo também usou sua forma verbal, “sofrer perda” (do grego z?mio?). Essa ênfase torna ainda mais notável a mudança em sua forma de pensar. Os itens na lista de sete elementos de ostentação autobiográfica foram considerados como perda à luz da “sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus” (Fp 3:8). O conhecimento de Cristo colocou todas as coisas da vida anterior de Paulo na devida perspectiva. Paulo passou da confiança na carne para a confiança em Cristo, de uma justiça centrada na lei para uma centrada em Cristo, completamente dependente da graça de Deus mediante a fé (Fp 3:9).
Conhecer a Cristo é uma experiência progressiva
Em Filipenses 3:10, Paulo indicou que o propósito supremo de sua vida era conhecer Cristo. O fato de ele mencionar os sofrimentos, a morte e a ressurreição de Cristo sugere que conhecer a Cristo envolve não apenas um aspecto cognitivo, mas também, especialmente, uma experiência relacional em um processo de crescimento gradual (ver 2Pe 3:18). Embora essa ideia esteja, de certo modo, implícita em Filipenses 3:10, Paulo a desenvolveu ainda mais em Filipenses 3:12 a 16.
Além disso, Paulo tinha consciência de que um conhecimento mais completo de Cristo seria alcançado apenas na ressurreição (Fp 3:10, 11). Essa ideia parece ser o contexto da declaração em Filipenses 3:12: “Não que eu já tenha recebido isso ou já tenha obtido a perfeição”. Em seguida, Paulo explicou como perseguia o objetivo descrito em Filipenses 3:10 e 11, sugerindo que a tarefa era dupla: (1) ele esquecia das coisas que ficaram para trás e (2) avançava para as que estavam diante dele (Fp 3:13). No entanto, uma coisa não se separava da outra. De fato, Paulo se referia a essas duas ações como uma só, ao dizer: “uma coisa faço” (Fp 3:13). Essa única coisa era impulsionada por um propósito claro: buscar “o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3:14). O prêmio e a vocação referiam-se à mesma realidade, conforme a Nova Tradução na Linguagem de Hoje: “Esse prêmio é a nova vida para a qual Deus me chamou por meio de Cristo Jesus”. Muito provavelmente, essas expressões são metáforas da ressurreição, o momento em que Paulo conheceria plenamente a Cristo. Até lá, os crentes são chamados a continuar crescendo no conhecimento de Cristo, enquanto prosseguem em busca do prêmio (Fp 3:15, 16).
APLICAÇÃO PARA A VIDA
Medite sobre os temas a seguir. Depois, peça aos seus alunos que respondam às perguntas no fim da seção.
A Bíblia ensina claramente que nossa salvação não depende de nossos próprios esforços. Esse ensinamento é uma razão poderosa para nos alegrarmos no Senhor dia após dia. Afinal, se a salvação dependesse de nossas boas obras, não teríamos nenhuma esperança! Do ponto de vista bíblico, a alegria é nossa resposta ao que Deus fez por nós por meio de Jesus Cristo. As coisas podem não acontecer da forma como desejamos ou esperamos. Ainda assim, temos motivos para nos alegrar, como é lindamente expresso no cântico de Habacuque: “Mesmo assim eu me alegro no Senhor, e exulto no Deus da minha salvação” (Hc 3:18).
Na vida de um verdadeiro crente, não há espaço para o orgulho nas realizações humanas. Quando se compreende que a salvação não depende do que podemos fazer, mas do que Deus fez e está fazendo por nós em Cristo, aquilo que antes era considerado lucro passa a ser visto como perda, “por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus” (Fp 3:8). Tornar-se semelhante a Cristo passa a ser o alvo da busca, e as boas obras surgem naturalmente como resultado. Como Paulo afirma em outro lugar: “Somos feitura Dele, criados em Cristo Jesus
para boas obras” (Ef 2:10).
Como cristãos, somos uma obra em andamento. Essa é a ideia que Paulo expressou na seção de agradecimento de sua carta aos filipenses, ao dizer: “Aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus” (Fp 1:6). Até que esse dia chegue, devemos esquecer as “coisas que ficam para trás” e avançar para “as que estão diante” de nós (Fp 3:13).
Perguntas:
1. Reflita mais sobre a ideia de que nossa salvação não depende de nossas boas obras. Por que esse ensinamento é uma notícia tão boa? Por que isso deve nos encher de esperança?
2. Muitas pessoas estão presas em um ciclo de autodepreciação e culpa por pecados do passado. Embora aceitem intelectualmente o perdão de Cristo, ainda não o internalizaram verdadeiramente, duvidando, no fundo, de que estão realmente perdoadas. Como resultado, não conseguem se desprender totalmente do passado. Reflita mais sobre a ideia de que devemos esquecer “as coisas que ficaram para trás” e avançar para “as que estão diante” de nós (Fp 3:13). Que permissão surpreendente essa ordem nos dá? Por que essa instrução é tão libertadora e curadora para o coração humano?
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VIDA A SERVIÇO DE DEUS
Fiji | Moape
Moape se levanta com nascer do sol. Mesmo aos 77 anos, sua rotina matinal é a mesma: pés no chão antes do amanhecer, uma oração sussurrada, então direto para sua mesa.
"Eu gosto de ser o primeiro a chegar no trabalho", diz ele com um sorriso. "Deus merece minhas melhores horas". Moape cresceu na costa acidentada de Ra, Fiji. Seu pai, um pastor da igreja, o ensinou a consertar redes de pesca, varrer o chão da capela e cumprimentar todos os vizinhos pelo nome. "Eu observava meu pai servir as pessoas", lembra Moape. "Eu pensava: é assim que quero passar minha vida".
Seus dias de escola o levaram à Universidade Fulton, um campus na encosta de uma colina onde as árvores de frangipani sombreavam os caminhos. Ele estudava, orava e empurrava rolos pesados na gráfica estudantil. A tinta manchava seus dedos, mas a esperança enchia seu coração.
Numa sexta-feira, ele se ajoelhou ao lado do púlpito de madeira da igreja de Suva e pediu a Deus por uma parceira no serviço. "Envie-me uma mulher que Te ame", ele sussurrou.
Deus respondeu. Ele se casou com Mere, uma revisora gentil com quem criou três filhas. O casal prometeu seguir a Deus onde quer que Ele os levasse.
Seu primeiro trabalho foi na Trans-Pacific Publishing House (Casa Publicadora Transpacífico), em Suva. Moape carregava papel ao amanhecer, ajustava a impressora e observava os folhetos do evangelho serem distribuídos em pilhas organizadas.
Quando o gerente soube que Moape sonhava em se torna pastor, balançou a cabeça.
"Fique na gráfica", insistiu ele. "Cada página que você imprime pode ir mais longe do que qualquer sermão".
As palavras tocaram Moape profundamente. "Percebi que um homem quieto como eu ainda poderia compartilhar esperança", diz ele.
Moape trabalhou na gráfica por nove anos. O trabalho árduo o levou a promoções como operador de máquinas, encarregado e diretor financeiro. Cada passo parecia um gentil empurrãozinho de Deus para frente.
Em 1978, as prensas ficaram em silêncio. A união fechou a fábrica e pediu a Moape para cuidar das contas da Universidade Fulton.A família empacotou suas poucas caixas e subiu em direção a montanha, esperando encontrar outra casa bem cuidada no campus. Em vez disso, eles encontraram uma cabana desgastada pelo tempo, com um telhado com vazamentos e paredes descascadas.
Mere começou a chorar. "Vamos voltar para Suva", implorou ela.
Moape passou o braço em volta dos ombros dela. "Não estamos aqui pelo conforto",disse ele suavemente. "Estamos aqui pelo Senhor".
O casal esfregou, pintou e remendou a cabana até que a luz do sol brilhasse nas paredes limpas. Com o tempo, tornou-se uma casa de hóspedes para os líderes visitantes. "Deus transformou nossa pior casa na melhor", Mere gosta de dizer, com risada na voz.
Os anos passaram. Os alunos vinham pedir conselhos.As crianças brincavam debaixo das mangueiras. E as contas batiam até o último centavo.
Certa tarde, um ex-aluno doTaiti chegou usando um terno estiloso.
"Estou começando um negócio", anunciou ele. "Cuide dele para mim. Triplicarei seu salário e lhe darei um carro e uma casa nova".
A oferta era tentadora, mas Moape não hesitou. Ele ergueu os olhos e falou com firmeza: "Já escolhi servir a Deus até me aposentar. O dinheiro não pode mudar isso".
O visitante suspirou, desistiu de seu plano,e deixou Fiji no dia seguinte.
Momentos como esse fortaleceram a fé de Moape. "Cada teste me fez confiar ainda mais em Deus",diz ele. A oração diária o mantinha firme-de manhã cedo ao lado de uma árvore de fruta-pão, ao meio-dia em uma sala de aula vazia, e à noite com sua família ao redor de uma pequena lamparina a querosene.
Finalmente, após 52 anos de serviço, Moape fechou o cofre da universidade pela última vez e caminhou para casa ao anoitecer. Ele não era mais o jovem veloz que carregava papel em Suva, mas seu sorriso era maior. Mere o recebeu na porta, com as filhas e netos se aglomerando atrás dela. Eles cozinharam mandioca, cantaram hinos e contaram histórias até tarde da noite.
Que lição ele passa aos corações mais jovens? Ele responde sem hesitar, citando um versículo que aprendeu quando menino: "Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas" (Provérbios3:5, 6).
Em seguida, ele acrescenta seu próprio desafio simples: "Coloque Deus em primeiro lugar-todas as manhãs, em todas as escolhas. Você pode começar em uma cabana velha ou em uma gráfica barulhenta, mas Ele o levará exatamente para onde você precisa estar".
O sol se põe sobre Ra, pintando o céu de laranja e dourado. Amanhã, antes que o primeiro galo cante, Moape se levantará novamente -pronto, como sempre, para ser o primeiro a trabalhar para Aquele que o conduziu por todo o caminho.
Parte da oferta do primeiro trimestre de 2000 ajudou a aumentar a biblioteca da Universidade Adventista de Fulton. Obrigado por sua oferta trimestral, que neste trimestre irá apoiar projetos de saúde para crianças nas Ilhas Salomão e Vanuatu.
Conforme contado a Maika Tuima, escrito por Moape Vuloaloa.
Dicas para a história
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