Sempre que ponderamos sobre o sofrimento, surge a pergunta: Como o pecado e o sofrimento surgiram pela primeira vez? Por meio da revelação divina, temos boas respostas: surgiram porque seres livres abusaram da liberdade que Deus lhes deu. Isso leva a outra questão: Deus sabia de antemão que esses seres cairiam? Sim, mas obviamente Ele pensou, como escreveu C. S. Lewis, “Vale a pena o risco”.
Vale a pena o risco? Para quem? Para nós, enquanto Deus está sentado no trono do Céu? Não exatamente. A liberdade de todas as Suas criaturas inteligentes era tão sagrada que, em vez de nos negá-la, Deus escolheu carregar em Si mesmo o peso do sofrimento causado por nosso abuso dessa liberdade. Vimos esse sofrimento na vida e na morte de Jesus, que, por meio do sofrimento como Homem, criou laços entre o Céu e a Terra, os quais durarão por toda a eternidade.
Resumo da semana: O que Cristo sofreu por nós? O que podemos aprender com Seu sofrimento?
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A Bíblia nos dá poucas informações sobre os primeiros anos da vida de Jesus. Alguns versos, porém, nos dizem sobre as condições e o tipo de mundo ao qual veio o Salvador.
1. Leia Lucas 2:7, 22-24 (veja também Lv 12:6-8) e Mateus 2:1-18. O que há nesses versos que nos mostram como Jesus vivia?
Claro, Jesus não foi a primeira pessoa a viver na pobreza ou a enfrentar aqueles que queriam matá-Lo, mesmo desde a tenra idade. Há, entretanto, outro elemento que nos ajuda a entender a singularidade do que Cristo sofreu desde cedo.
2. Leia João 1:46. Que elemento há nessa passagem que nos ajuda a entender o que o jovem Jesus enfrentou?
Com exceção de Adão e Eva antes da queda, Jesus foi a única Pessoa sem pecado que já viveu. Em Sua pureza e impecabilidade, estava imerso em um mundo pecaminoso. Que tortura deve ter sido para Sua alma pura estar constantemente em contato com o pecado, desde quando Ele era criança! Mesmo em nossa dureza por causa do pecado, com frequência evitamos a exposição aos erros e ao mal que consideramos repulsivos. Imagine como isso deve ter sido para Cristo, cuja alma era pura. Pense no nítido contraste entre Ele e os outros ao Seu redor. Deve ter sido extremamente doloroso.
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3. Leia os versos a seguir, tendo em mente o fato de que Jesus é o Criador do céu e da Terra, e que veio para Se oferecer como sacrifício pelos pecados do mundo todo (Mt 12:22-24; Lc 4:21-30; Jo 8:58, 59). Como esses versos nos ajudam a entender os sofrimentos que Jesus enfrentou?
Os líderes, e até mesmo as pessoas comuns, constantemente interpretavam mal a vida, os atos e os ensinamentos de Jesus, e isso causava rejeição e ódio no coração das pessoas que Ele veio salvar. Em certo sentido, o sentimento de Jesus era como o de um pai que vê um filho rebelde precisando de ajuda e, embora esteja disposto a dar tudo por aquele filho, ele o rejeita, demonstrando desprezo talvez pela única pessoa que poderia poupá-la da ruína. Foi isso o que Jesus enfrentou.
4. Leia Mateus 23:37. O que esse texto nos diz sobre como Cristo Se sentia a respeito da rejeição? Pergunte a si mesmo: “Ele Se sentia mal por Si mesmo (como costumamos nos sentir quando enfrentamos a rejeição) ou por outro motivo?” Nesse caso, qual?
Todos nós sentimos o aguilhão da rejeição e talvez a nossa dor seja semelhante à de Cristo no sentido de que era altruísta: sofremos, não somente porque somos rejeitados, mas por causa do que a rejeição pode significar para aquele que nos rejeita (que pode ser alguém com quem nos importamos e que se recusou a aceitar a salvação em Cristo). Mas imagine como deve ter sido o sentimento de Jesus, que estava totalmente ciente do que enfrentaria para salvar os pecadores e, ao mesmo tempo, completa- mente consciente de quais seriam as consequências de Sua rejeição. “Foi, porém, devido à Sua inocência que Ele sentiu tão intensamente os ataques de Satanás” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 129).
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Jesus disse a Pedro, Tiago e João: “A Minha alma está profundamente triste até a morte; fiquem aqui e vigiem” (Mc 14:34). De tudo que Jesus tenha sofrido ao longo de Seus 33 anos, nada Se compara ao que Ele enfrentou nas últimas horas antes da cruz. Desde os tempos eternos (Ef 1:1-4; 2Tm 1:8, 9; Tt 1:1, 2) foi planejado o sacrifício de Jesus como oferta pelos pecados do mundo, e então tudo estava para acontecer.
5. O que os seguintes versos dizem sobre o sofrimento de Cristo no Getsêmani? Mt 26:39; Mc 14:33-36; Lc 22:41-44
“Foi a uma pequena distância dos discípulos – não tão afastado que não pudessem vê-Lo e ouvi-Lo – e caiu prostrado por terra. Sentia que, pelo pecado, estava sendo separado do Pai. O abismo era tão grande, tão escuro, tão profundo, que tremeu diante dele. Para escapar dessa agonia, não podia usar Seu poder divino. Como Homem, devia sofrer as consequências do pecado humano. Como Homem, devia suportar a ira divina contra a transgressão.
“Nesse momento, Cristo estava em uma situação diferente daquela em que sempre estivera. Seus sofrimentos podem ser mais bem descritos pelas palavras do profeta: ‘Desperta, ó espada, contra o Meu Pastor e contra o Homem que é o Meu Companheiro, diz o Senhor dos Exércitos’ (Zc 13:7). Como Substituto e Fiador do pecador, Cristo estava sofrendo debaixo da justiça divina. Viu o que significa justiça. Até então, tinha sido como um Intercessor por outros; agora, desejava muito alguém que intercedesse por Ele” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 551 [686]).
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A morte por crucificação era uma das punições mais severas que os romanos infligiam a qualquer pessoa. Era considerada a pior maneira de morrer. Portanto, era horrível para alguém ser morto dessa forma, em particular o Filho de Deus! Jesus, devemos sempre lembrar, veio em carne humana. Entre as surras, os açoites, os pregos cravados em Suas mãos e pés, e o peso angustiante de Seu próprio corpo rasgando as feridas, a dor física deve ter sido insuportável. Passar por isso era duro, mesmo para o pior dos criminosos; era muito injusto, então, que Jesus, inocente de tudo, enfrentasse tal destino.
No entanto, como sabemos, os sofrimentos físicos de Cristo foram brandos em comparação com o que de fato estava acontecendo. Aquilo foi muito mais do que a morte de um inocente.
6. Quais eventos da morte de Jesus mostram que o que aconteceu era muito mais do que a maioria das pessoas podia entender na época? O que houve de importante que revela o que de fato aconteceu?
Mt 27:45
Mt 27:51, 52
Mc 15:38
Algo muito maior aconteceu do que apenas a morte, embora injusta, de um Homem inocente. De acordo com as Escrituras, a ira de Deus contra o pecado, nosso pecado, foi derramada sobre Jesus. Na cruz, Cristo sofreu a justa indignação de um Deus justo contra o pecado, os pecados de todo o mundo. Como tal, Jesus sofreu algo mais profundo, sombrio e mais doloroso do que qualquer ser humano poderia conhecer ou experimentar.
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É melhor nos acostumarmos: enquanto estivermos neste mundo, vamos sofrer. Como criaturas decaídas, esse é nosso destino. Nada na Bíblia nos promete algo diferente. Pelo contrário...
7. O que os versos a seguir nos dizem sobre o sofrimento dos seguidores de Cristo? At 14:22; Fp 1:29; 2Tm 3:12
Em meio ao nosso sofrimento, devemos ter duas coisas em mente. Primeira, Cristo, nosso Senhor, sofreu mais do que qualquer um de nós. Na cruz, “Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre Si” (Is 53:4); o que conhecemos como indivíduos, Ele sofreu corporativamente, por todos nós. Aquele que não tinha pecado tornou-Se “pecado por nós” (2Co 5:21), sofrendo de uma forma que nós, como criaturas pecadoras, não poderíamos sequer imaginar.
Em segundo lugar, à medida que sofremos, devemos nos lembrar dos resultados do sofrimento de Cristo, ou seja, ter em mente o que nos foi prometido por meio do que Ele fez por nós.
8. Leia João 10:28; Romanos 6:23; Tito 1:2; 1 João 2:25. Que promessa temos?
Sejam quais forem os nossos sofrimentos, temos a promessa da vida eterna, graças a Jesus, graças à Sua disposição de suportar o castigo pelos nossos pecados, graças à grande provisão do evangelho, no sentido de que pela fé podemos ser perfeitos em Jesus. Temos a promessa de que, por causa do que Cristo fez, por causa da plenitude e perfeição de Sua vida e sacrifício perfeitos, nossa existência, cheia de dor, decepção e perda, não é mais do que um instante, um lampejo, em contraste com a eternidade que nos espera, uma eternidade em um novo céu e uma nova Terra, sem pecado, sofrimento e morte. E tudo isso nos é prometido e garantido somente por causa de Cristo e do crisol pelo qual Ele passou para que um dia, em breve, pudesse ver o fruto do trabalho de Sua alma e ficar satisfeito (Is 53:11).
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Textos de Ellen G. White: O Desejado de Todas as Nações, p. 550-559 [685-697] (“Angústia no Getsêmani”) e p. 596-609 [741-757] (“A glória do Calvário”).
“Três vezes fez essa oração. Três vezes Sua humanidade recuou diante do último e supremo sacrifício. Entretanto, surgiu a história da raça humana na mente do Redentor do mundo. Viu que, se os transgressores da lei fossem abandonados à mercê de si mesmos, teriam que perecer. Viu o desamparo humano e também o poder do pecado. As aflições e o sofrimento do mundo condenado surgiram diante Dele. Viu o futuro e tomou a decisão. Salvaria o ser humano custasse o que custasse de Sua parte. Aceitou Seu batismo de sangue, para que, por meio Dele, milhões de pessoas que estavam a perecer recebessem a vida eterna. Ele deixou as cortes celestiais, onde tudo é pureza, felicidade e glória, para salvar a única ovelha perdida, o único mundo decaído pela transgressão. E não Se desviaria de Sua missão. Ele Se tornaria a expiação de uma raça que quis pecar. Sua oração agora manifestava apenas submissão: ‘Se não é possível passar de Mim este cálice sem que Eu o beba, faça-se a Tua vontade’” (Mt 26:42; Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 555 [693]).
Perguntas para consideração
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Saber que Cristo sofreu mais do que todos nos ajuda a enfrentar os nos- sos sofrimentos? O que os sofrimentos de Cristo em nosso favor de- vem significar para nós? Ellen G. White declarou: “Todo o sofrimento que constitui o resultado do pecado foi lançado no coração do inocente Filho de Deus” (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 129).
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Os sofrimentos de Cristo se assemelham aos nossos? Há diferenças? O que podemos aprender com o modo pelo qual Ele lidou com esses desafios?
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Quais são as suas promessas bíblicas favoritas, às quais você se apega em meio à tristeza e à dor? Escreva-as, reivindique-as para si e compartilhe as com a classe.
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Resuma os destaques da Lição do trimestre. Quais perguntas foram respondidas? Quais questões permanecem sem resposta? Como ajudar as pessoas a resolvê-las?
Respostas e atividades da semana: 1. Jesus nasceu em uma família pobre e foi perseguido. 2. Jesus sofreu preconceito por causa da cidade em que viveu. 3. Jesus foi perseguido, humilhado e ameaçado, embora fosse o Criador e estivesse na Terra para nos salvar. 4. Cristo Se sentia triste não pela rejeição, mas pelas consequências que isso teria sobre os que O rejeitavam. 5. Seu sofrimento foi intenso, visto que Seu suor se converteu em sangue. 6. Houve trevas sobre a Terra; o véu do santuário se rasgou; a terra tremeu; algumas pessoas ressuscitaram. 7. O ores de Cristo passarão por tribulações, sofrimentos e perseguições. 8. Temos a promessa da vida eterna.
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TEXTO-CHAVE: Mt 27:46
FOCO DO ESTUDO: Mt 2:1-18; 27:51, 52; Lc 2:7, 22-24; 22:41-44; Jo 8:58, 59; Rm 6:23; Tt 1:2
ESBOÇO
A maior questão da religião bíblica é que o pecado e o sofrimento foram gerados por nós, mas foi nosso Deus quem os suportou. Não há outra divindade nas religiões do mundo que condescenderia em fazer tal sacrifício. É por isso que o cristianismo bíblico é chamado de a religião do amor e da graça, desde a criação até a salvação. Deus nos criou pela graça (e sem nossa contribuição), porque nos amou, e nos salva pela graça (também sem nossa contribuição), porque nos ama.
Entretanto, em ambos os casos (criação e salvação), temos a escolha de aceitar ou rejeitar Seu ato da graça. Depois de terem sido criados pela graça, Adão e Eva tomaram a decisão de rejeitar o ato divino de criação e escolheram o caminho da rebelião que conduz à aniquilação ou morte. Depois de ser salvo pela graça por meio da morte de Cristo na cruz, cada um de nós tem a escolha de aceitar o sacrifício de Deus em nosso lugar e retornar ao Seu reino de luz, graça e amor, ou rejeitar Sua grande salvação e desaparecer na inexistência eterna. Escolha hoje. Mas escolha o amor, a graça e a vida. Escolha o amor de Deus, a graça de Deus e a vida de Deus. Isso trará felicidade a você, aos seus entes queridos e a Deus.
Temas da lição
A lição desta semana destaca dois temas principais:
- O sofrimento de Jesus Cristo não representa somente o sofrimento de outro Ser. Em vez disso, Seu sofrimento é a essência do amor e da salvação divina a nós. Jesus Cristo sofreu por nós e em nosso lugar para nos resgatar do poder do pecado, do sofrimento e da morte para sempre.
- O que Jesus sofreu no Getsêmani e o que isso significa para nós.
COMENTÁRIO
Os primeiros anos do ministério de Jesus
Desde as primeiras horas de vida, Jesus experimentou dificuldades e foi cercado por tragédias e sofrimentos humanos: negação, rejeição, pobreza e humildade (nascido em uma manjedoura), sofrimento físico (circuncisão), massacre, perseguição e fuga. Ao longo de Sua infância, Ele continuou a experimentar o sofrimento humano. No entanto, o batismo no início de Seu ministério apontava a entrada do crisol para o qual Ele tinha vindo, para o tipo de ministério que Ele tinha vindo oferecer. Por que foi batizado se não tinha pecado?
É claro que Ele foi batizado para nos dar o exemplo. Ellen G. White observou que “Jesus não recebeu o batismo como confissão de pecado de Sua própria parte. Identificou- Se com os pecadores, dando os passos que nos cumpre dar. A vida de sofrimento e paciente perseverança, que viveu depois do batismo, foi também um exemplo para nós” (O Desejado de Todas as Nações, p. 78 [111]). Mas há mais no batismo de Cristo do que o fato de ser um exemplo.
O apóstolo Paulo explicou o significado do batismo com base na morte e na ressurreição: “Ou será que vocês ignoram que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na Sua morte? Fomos sepultados com Ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida” (Rm 6:3, 4). Em outro lugar, Paulo afirmou: “Aquele que não conheceu pecado, Deus O fez pecado por nós, para que, Nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5:21). Jesus veio ao mundo para levar nossos pecados sobre Si e morrer em nosso lugar, para que pudéssemos levar sobre nós Sua justiça. Ellen G. White escreveu: “Ao sair da água, Jesus Se inclinou em oração à margem do rio. Uma fase nova e importante se abria diante Dele. Entrava agora, de maneira mais ampla, no conflito de Sua vida. Embora fosse o Príncipe da Paz, Sua vida devia ser como o desembainhar de uma espada. [...] Ninguém na Terra O compreendera, e em Seu ministério ainda andaria sozinho. [...] Como Um conosco, devia suportar o fardo de nossa culpa e aflição. Aquele que não tem pecado devia sentir a vergonha do pecado. [...] Precisava percorrer o caminho sozinho; e sozinho também carregaria o fardo. Sobre Aquele que tinha aberto mão de Sua glória e aceitara a fraqueza da humanidade devia estar a redenção do mundo” (O Desejado de Todas as Nações, p. 78, 79 [111]).
Essa troca pôde ser vista figurativamente no batismo. Jesus não foi batizado para Sua própria salvação: em vez disso, o Senhor anunciou que tinha vindo para levar nossos pecados sobre Si e morrer em nosso lugar. Quando somos batizados, morremos junto com Jesus para os nossos próprios pecados, recebemos Sua justiça e, então, ressurgimos das águas batismais em novidade de vida!
Jesus no Getsêmani
Em A Cruz de Cristo, John R. W. Stott (1921-2011), famoso teólogo e evangelista anglicano, tentou entender o crisol do Senhor no Getsêmani comparando Jesus a Sócrates em face da morte. Sócrates (470-399 a.C.), um dos fundadores da filosofia e da cosmo- visão ocidentais, tinha cerca de setenta anos quando um tribunal ateniense o condenou à morte por acusação de corromper a juventude e por impiedade (rejeitar os deuses da cidade-estado [pólis, em grego]). Sócrates deveria morrer bebendo um cálice do veneno cicuta. Embora pudesse escapar do julgamento e da condenação, ele escolheu permanecer na cidade e enfrentar a morte. No local da execução, o filósofo foi cercado por seus discípulos que o apoiavam, que choravam por seu mestre. Quando lhe foi entregue o cálice com o veneno, o pai do pensamento ocidental pegou-o com toda satisfação e confiança e corajosamente bebeu-o até o fim (sobre o relato de Platão sobre essa história, leia Phaedo, de Platão, em Euthyphro, Apology, Crito, Phaedo, Phaedrus, traduzido por Harold North Fowler [Loeb Classical Library, Londres; Harvard University Press, 2005], p. 393-403).
Por outro lado, Jesus Cristo passou Suas últimas horas no Jardim do Getsêmani. Quando pediu aos Seus discípulos que ficassem e vigiassem, pois Sua alma estava “profundamente triste até a morte” (Mc 14:34), eles adormeceram. Um de Seus discípulos O vendeu por dinheiro, e os outros fugiram do jardim depois que a multidão chegou para prender Jesus (Mc 14:10, 11, 50). Mas Jesus, ao contrário de Sócrates, agonizou com o cálice que deveria beber até o fim. Longe de descrever Jesus como alegre e corajoso tomando o cálice, o evangelista Lucas destacou que “o suor Dele se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lc 22:44), enquanto orava: “Pai, se queres, afasta de Mim este cálice!” (Lc 22:42). Jesus, o Deus encarnado, é, de fato, o Salvador do mundo, considerando que Ele teve tanto medo daquele cálice e da morte? Por que Ele pareceu ser mais fraco do que Sócrates? Era Ele realmente mais fraco?
Stott fez perguntas semelhantes e sugeriu uma resposta: “Que cálice é esse? Será um
sofrimento físico do qual Ele deseja Se desviar, a tortura do açoite e da cruz juntamente, talvez, com a angústia mental da traição, da negação e da deserção da parte dos Seus amigos, e a zombaria e o abuso de Seus inimigos? Nada poderia me fazer crer que o cálice que Jesus temia era qualquer uma dessas coisas (por mais terríveis que fossem) ou to- das juntas. Sua coragem física e moral durante todo o Seu ministério público havia sido indomável. Para mim, é ridículo supor que Ele estivesse com medo da dor, do insulto e da morte. Sócrates, na cela de um cárcere em Atenas, segundo relato de Platão, tomou o cálice de cicuta ‘sem tremer, nem mudar de cor ou de expressão’. Então ele ‘levou o cálice aos lábios, e alegre e tranquilamente o sorveu’. Quando seus amigos começaram a chorar, ele os repreendeu por seu comportamento ‘absurdo’ e instou com eles a que ‘se aquietassem e fossem fortes’. Ele morreu sem temor, pesar ou protesto. Teria sido Sócrates mais corajoso do que Jesus? Ou continham os seus cálices venenos diferentes?” (John R. W. Stott, A Cruz de Cristo, p. 32).
Stott conclui que “o cálice do qual Jesus Se afastou foi algo diferente. Não simbolizava nem a dor física de ser açoitado e crucificado, nem a aflição mental de ser desprezado e rejeitado até mesmo por Seu próprio povo; antes, foi a agonia espiritual de levar os pecados do mundo. Em outras palavras, foi a angústia de suportar o juízo divino que esses pecados mereciam” (A Cruz de Cristo, p. 33). De fato, Sócrates morreu como homem pecador comum. E, como apontou Stott, os mártires cristãos tiveram morte aparentemente muito mais heroica do que a de Jesus quando morreram na pira. A morte de Jesus, como Seu batismo, foi única. Enquanto todos os humanos que morrem experimentam a morte como seres humanos pecadores, Jesus, o Filho de Deus sem pecado, morreu a morte que representa o juízo divino sobre o pecado. É por isso que a ressurreição de Jesus é o evento mais singular e extraordinário na história do Universo. Nenhum ser humano, incluindo Sócrates, poderia experimentar essa morte e viver novamente. Nenhum ser humano poderia experimentar essa morte e se tornar o Salvador do mundo.
Ellen G. White também descreveu o conteúdo do cálice: “Jesus estivera conversando intensamente com os discípulos, instruindo-os. Mas, ao Se aproximar do Getsêmani, estranhamente ficou em silêncio. Muitas vezes havia estado lá para meditar e orar, mas nunca com o coração tão cheio de tristeza como nessa noite de Sua última agonia. Durante Sua
vida na Terra, tinha andado à luz da presença de Deus. Quando em conflito com pessoas que eram inspiradas pelo próprio espírito de Satanás, podia dizer: “Aquele que Me enviou está Comigo, não Me deixou só, porque Eu faço sempre o que Lhe agrada” (Jo 8:29). Agora, porém, parecia excluído da luz da presença mantenedora de Deus. Nesse momento, era contado entre os transgressores. Devia suportar a culpa da humanidade decaída. Sobre Aquele que não conheceu pecado, devia ser colocada a iniquidade da raça decaída. O pecado Lhe parecia tão terrível, e tão grande o peso da culpa que devia levar sobre Si, que foi tentado a temer que ele O separasse para sempre do amor do Pai. Sentindo quão terrível é a ira de Deus contra a transgressão, exclamou: ‘A Minha alma está profundamente triste até à morte’” (Mc 14:34; Mt 26:38; O Desejado de Todas as Nações, p. 550 [685]).
APLICAÇÃO PARA A VIDA
- Relembre a experiência do seu batismo. Como você considera seu batismo à luz do batismo de Jesus? Como sua percepção ajuda a enriquecer sua experiência de morte para o pecado e vida para o reino de Deus? Como isso aprofunda sua aliança com Deus e seu compromisso com a causa divina, aconteça o que acontecer?
- A seção do sábado à tarde da lição desta semana dá uma explicação incrivelmente bela da razão pela qual Deus criou o Universo e os seres inteligentes, embora soubesse que o mal surgiria de Sua criação: valeu a pena! Valeu para Ele, mas também para nós. Caso contrário, nunca teríamos existido. E mais um ponto: Deus poderia julgar que valeu a pena porque Ele não apenas tinha o poder de criação, mas , no caso da queda, tinha a solução (levar o nosso pecado sobre Si), que é o poder da salvação e o poder da ressurreição! Como esse entendimento muda nossa perspectiva sobre Deus, Sua criação e a salvação?
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Dependendo apenas de Deus
Marcelo
Brasil | 17 de setembro
Tudo parecia perfeito e sob controle depois que Marcelo entregou seu coração a Jesus no Brasil. Mas então uma nova equipe de gestão assumiu o controle da empresa têxtil onde ele trabalhava, e as mudanças colocaram seu emprego em risco. Os novos gestores reduziram o número de horas de trabalho dos funcionários durante a semana e, para compensar, introduziram uma jornada extra de trabalho aos sábados.
Marcelo não tinha a intenção de trabalhar aos sábados. Ele guardava fielmente o sábado todas as semanas desde que ele e sua esposa, Claúdia, se uniram à Igreja Adventista do Sétimo Dia, três anos antes.
Marcelo tentou falar com a administração, mas sem sucesso. Todos os funcionários foram convidados a assinar um contrato concordando com o novo horário de trabalho. Marcelo foi o único que recusou.
O medo se apoderou de Marcelo ao contemplar um futuro incerto. Ele seria despedido? O que aconteceria a seguir?
Então, ele decidiu entregar tudo a Deus. Ele deixaria Deus lutar a batalha por ele. A paz encheu seu coração quando ele tomou a decisão. Ele tinha certeza de que Deus não o abandonaria.
As chamas da aflição ficaram mais quentes á medida que a empresa implementava a nova rotina de trabalho dos outros. Porém, no sábado ele foi à igreja, enquanto seus colegas de trabalho passaram o primeiro sábado no trabalho.
Quando voltou ao trabalho na segunda-feira, para sua surpresa, ele descobriu que ainda tinha um emprego. Os dias se passaram, e ele se perguntou o que aconteceria a seguir. No dia do pagamento, ele descobriu que seu salário havia sido cortado.
Marcelo não sabia como ele e sua esposa sobreviveriam. Para complicar as coisas, sua esposa tinha engravidado recentemente.
A empresa não era mais um lugar agradável para se trabalhar. Colegas de trabalho zombavam de Marcelo. “Você está louco”, disse um. “Você é preguiçoso”, disse outro. Marcelo jamais esquecerá o dia em que um colega de trabalho disse: “Quero ver o que o seu Deus fará por você”.
Marcelo renovou sua decisão de deixar tudo nas mãos de Deus. Mês após mês, ele e sua esposa viviam pela fé e com a ajuda emergencial de membros da igreja e parentes. À medida que a crise se arrastava, ele permanecia firme em sua decisão. Ele permaneceria fiel a Deus qualquer preço.
Depois de um tempo, os colegas de trabalho de Marcelo pararam de provocá-lo ao ver sua fidelidade a Deus e sua diligência no trabalho. Eles até começaram a apoiá-lo. Um dia, eles assinaram um abaixo-assinado aos gestores, pedindo que Marcelo recebesse folga aos sábados e salário integral. A petição ficou sem resposta.
Dois anos se passaram, mas Deus não abandonou Marcelo e sua família. Marcelo viu o cumprimento das palavras do salmista: “Fui moço e agora sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão” (Sl 37:25, NAA).
Deus honrou Marcelo por sua fidelidade. Um dia, Marcelo recebeu uma carta inesperada dos gerentes. Eles reconheceram que o trataram injustamente e prometeram restaurar seu salário e respeitar seu direito de adorar aos sábados. Marcelo e sua esposa ficaram emocionados! Deus respondeu às suas orações!
Marcelo continuou a trabalhar na empresa por mais quatorze anos. Ele diz: "Posso afirmar que vale a pena servir a Deus. Acredito que, pela graça de Deus, consegui deixar uma marca na empresa. Muitos colegas de trabalho aprenderam sobre Deus e Sua fidelidade por meio de minha experiência. Eles viram o que meu Deus é capaz de fazer”.
Parte da oferta do décimo terceiro sábado ajudará na inauguração de uma nova igreja na cidade natal de Marcelo, Mauá, Brasil. Obrigado por planejar uma oferta generosa.
Dicas para a história
- Mostre a foto de Marcelo, sua esposa, Claúdia, e a filha de 14 anos.
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Baixe as fotos no Facebook: bit.ly/fb-mq.
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Baixe publicações sobre a missão e fatos rápidos da Divisão Sul-Americana: bit.ly/sad-2022.
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