Lição 4
18 a 24 de janeiro
Da fornalha ao palácio
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Êx 5-8
Verso para memorizar: “Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, Ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei” (Dn 3:17).
Leituras da semana: Dn 3; Ap 13:11-18; Êx 20:3-6; Dt 6:4; 1Co 15:12-26; Hb 11.

Assim aqueles jovens, imbuídos do Espírito Santo, declararam a toda a nação a sua fé, que Aquele que adoravam era o único Deus vivo e verdadeiro. Essa demonstração de sua fé foi a mais eloquente apresentação de seus princípios. Para impressionar os idólatras com o poder e a grandeza do Deus vivo, Seus servos devem revelar sua reverência para com Ele. Têm que tornar manifesto que o Senhor é o único objeto de sua honra e culto, e que consideração alguma, nem mesmo a preservação da vida, os pode induzir a fazer a menor concessão à idolatria. Essas lições têm influência direta e vital sobre nossa experiência nestes últimos dias” (Ellen G. White, Nos Lugares Celestiais, p. 149). Embora a ideia de enfrentar ameaça de morte por causa da questão da adoração possa parecer algo de uma época pré-científica e supersticiosa, as Escrituras revelam que no fim dos tempos, quando o mundo tiver “avançado” grandemente, algo semelhante ocorrerá, mas em escala mundial. Portanto, a partir do estudo dessa história, obtemos ideias sobre os problemas que, de acordo com as Escrituras, os fiéis de Deus enfrentarão.

Dez Dias de Oração e Resgate: ore por cinco amigos que já pertenceram à nossa comunidade e estão longe de Jesus. Planeje uma visita a essas pessoas. Peça que o Espírito Santo use você para resgatá-las.
Domingo, 19 de janeiro
Ano Bíblico: Êx 9-11
A estátua de ouro

1. Leia Daniel 3:1-7. O que provavelmente tenha motivado o rei a fazer a estátua?

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Cerca de vinte anos podem ter decorrido entre o sonho relatado no capítulo 2 e a construção da estátua. No entanto, parece que o rei não podia mais se esquecer do sonho e do fato de que Babilônia estava condenada a ser substituída por outros poderes. Não satisfeito em ser apenas a cabeça de ouro, o rei queria ser representado por uma estátua inteira de ouro, a fim de comunicar aos seus súditos que seu reino duraria ao longo de toda a História.

Essa atitude de orgulho nos lembra dos construtores da Torre de Babel, que, em sua arrogância, tentaram desafiar o próprio Deus. Não menos arrogante foi Nabucodonosor nessa ocasião. Ele havia realizado muitas coisas como governante de Babilônia e não podia viver com a ideia de que seu reino, por fim, passaria. Por isso, em um esforço de exaltação própria, o rei construiu uma estátua para evocar seu poder e, assim, avaliar a lealdade de seus súditos. Embora não esteja claro se a estátua pretendia representar o rei ou uma divindade, devemos ter em mente que, na Antiguidade, as linhas que separavam a política da religião eram muitas vezes indistintas, se é que existiam.

Devemos lembrar também que Nabucodonosor havia tido duas oportunidades de se familiarizar com o verdadeiro Deus. Primeiramente, ele tinha provado os jovens hebreus e os havia achado dez vezes mais sábios do que os sábios de Babilônia. Em seguida, depois que todos os outros especialistas falharam em lembrá-lo de seu sonho, Daniel relatou a ele os pensamentos de sua mente, o sonho e sua interpretação. Por fim, o rei havia reconhecido a superioridade do Deus de Daniel. Mas, surpreendentemente, essas lições anteriores da teologia não impediram Nabucodonosor de voltar à idolatria. Por quê? Provavelmente, por causa do orgulho. O ser humano pecaminoso resiste em reconhecer o fato de que suas realizações materiais e intelectuais são vaidade e estão condenadas ao desaparecimento. Às vezes, podemos agir como pequenos “Nabucodonosores”, ao darmos demasiada atenção às nossas realizações e nos esquecermos de como são insignificantes diante da eternidade.

Como evitar cair, ainda que de modo sutil, na mesma armadilha em que Nabucodonosor caiu?
Segunda-feira, 20 de janeiro
Ano Bíblico: Êx 12, 13
O chamado à adoração

2. Leia Daniel 3:8-15 e Apocalipse 13:11-18. Quais paralelos podemos ver entre o que aconteceu no tempo de Daniel e o que acontecerá no futuro?

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A estátua de ouro na planície de Dura, cujo nome em acadiano significa “lugar murado”, dava àquela área murada a impressão de um vasto santuário. Como se não bastasse, a fornalha próxima podia muito bem lembrar um altar. A música babilônica devia ser parte da liturgia. Sete tipos de instrumentos musicais foram listados, como que para transmitir a perfeição e eficácia do protocolo de adoração.

Hoje, somos bombardeados por apelos para que adotemos novos estilos de vida, novas ideologias, abandonemos nosso compromisso com a autoridade de Deus expressa em Sua Palavra e rendamos nossa lealdade aos sucessores contemporâneos do Império Babilônico. A sedução do mundo às vezes parece esmagadora, mas devemos nos lembrar de que nossa lealdade suprema pertence ao Deus Criador.

De acordo com o calendário profético, estamos vivendo nos últimos dias da História da Terra. Apocalipse 13 anuncia que os habitantes da Terra serão chamados a adorar a imagem da besta. Essa entidade fará com que “todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos” recebam “certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte” (Ap 13:16).

O Apocalipse declara que seis categorias de pessoas oferecem sua lealdade à imagem da besta: “os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos”. O número da besta, que é 666, também enfatiza o número seis. Isso mostra que a estátua erguida por Nabucodonosor é justamente uma ilustração do que a Babilônia escatológica fará nos últimos dias (veja em Daniel 3:1 os números seis e sessenta). Portanto, fazemos bem em prestar muita atenção ao que ocorre nessa narrativa e como Deus conduz de modo soberano os assuntos do mundo.

Adorar não é apenas se curvar diante de algo ou alguém e lhe declarar abertamente lealdade suprema. Quais são outras maneiras, muito mais sutis, de adorar algo que não seja o Senhor?
Primeiro Deus - Peça a Deus uma experiência de alegria e santidade a cada dia.
Terça-feira, 21 de janeiro
Ano Bíblico: Êx 14, 15
A prova de fogo

Para os três hebreus, a adoração da estátua imposta pelo rei era uma flagrante contrafação da adoração no templo em Jerusalém, que eles tinham vivenciado em seus primeiros anos. Embora eles ocupassem cargos no império e fossem leais ao rei, sua fidelidade a Deus estabelecia um limite à sua lealdade humana. Eles certamente estavam dispostos a continuar servindo ao rei como administradores fiéis; no entanto, não podiam participar da cerimônia.

3. Leia Êxodo 20:3-6 e Deuteronômio 6:4. O que deve ter influenciado a decisão dos três homens? Assinale a alternativa correta:

A. (  ) O medo de que Deus os amaldiçoasse caso fizessem algo errado.

B. (  ) O mandamento de adorar unicamente o Deus Criador.

Seguindo as instruções dadas pelo rei, todas as pessoas, ao som dos instrumentos musicais, curvaram-se e adoraram a estátua de ouro. Somente os três (Sadraque, Mesaque e Abede-Nego) ousaram desobedecer ao rei. Imediatamente, alguns babilônios levaram a questão à atenção do monarca. Os acusadores buscaram enfurecê-lo, dizendo que: (1) tinha sido o próprio rei que havia colocado aqueles três jovens para administrar a província de Babilônia; (2) que os homens judeus não serviam aos deuses do rei; e que (3) eles não adoravam a imagem de ouro que Nabucodonosor havia estabelecido (Dn 3:12). Mas apesar de sua fúria contra eles, o rei ofereceu aos três homens uma segunda chance. Ele estava disposto a repetir todo o procedimento para que aqueles homens pudessem se retratar e adorar a imagem. Se eles se recusassem a obedecer, seriam jogados na fornalha ardente. E Nabucodonosor encerrou seu apelo com uma afirmação muito arrogante: “E quem é o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos?” (Dn 3:15).

Dotados de coragem sobrenatural, eles responderam ao rei: “Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, Ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste” (Dn 3:17, 18).

Embora soubessem que seu Deus poderia livrá-los, os três jovens não tinham a garantia de que Ele o faria. No entanto, eles se recusaram a obedecer à ordem do rei, mesmo sabendo que poderiam ser queimados vivos. Como podemos obter esse tipo de fé?
Quarta-feira, 22 de janeiro
Ano Bíblico: Êx 16, 17
O quarto homem

4. Leia Daniel 3:19-27. O que aconteceu? Quem era a outra pessoa na fornalha? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:

A.(  ) O fogo não queimou aqueles homens. Jesus Cristo ficou com eles na fornalha.

B.(  ) A fornalha acabou se apagando, e o rei desistiu da ideia de ­jogá-los ali.

Tendo jogado os fiéis hebreus na fornalha, Nabucodonosor ficou perplexo ao perceber a presença de uma quarta pessoa em meio ao fogo. Pelo que era de seu conhecimento, o rei identificou a quarta figura como “um filho dos deuses” (Dn 3:25).

Nabucodonosor não conseguiu dizer muito mais, porém sabemos quem era Aquele quarto personagem. Ele havia aparecido a Abraão antes da destruição de Sodoma e Gomorra, lutado com Jacó ao lado do vau de Jaboque e Se revelado a Moisés em uma sarça ardente. Era Jesus Cristo em uma forma pré-encarnada vindo mostrar que Deus permanece com Seu povo em suas provações.

Ellen G. White diz: “O Senhor não esqueceu os Seus. Sendo Suas testemunhas lançadas na fornalha, o Salvador Se lhes revelou em Pessoa e junto com eles andava no meio do fogo. Na presença do Senhor do calor e do frio, as chamas perderam seu poder de consumir” (Profetas e Reis,
p. 508, 509).

Deus declarou em Isaías: “Quando passares pelas águas, Eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (Is 43:2).

Embora amemos histórias como essa, ela nos faz indagar sobre outros que não foram miraculosamente livrados da perseguição por causa de sua fé. Aqueles homens certamente conheciam a experiência de Isaías e Zacarias, que haviam sido mortos por reis impiedosos. Em toda a História sagrada, até hoje, cristãos fiéis suportaram sofrimentos terríveis cujo fim, pelo menos aqui na Terra, não foi um livramento miraculoso, mas uma morte dolorosa. O relato de Daniel foi um caso em que os fiéis foram livrados de forma extraordinária, mas, como sabemos, essas coisas geralmente não acontecem.

Qual livramento miraculoso ocorrerá com todos os fiéis de Deus, independentemente de seu destino aqui na Terra? (Veja 1Co 15:12-26).
Quinta-feira, 23 de janeiro
Ano Bíblico: Êx 18-20
O segredo de uma fé vitoriosa

Ao refletirmos sobre a experiência de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, podemos nos perguntar: qual é o segredo de uma fé tão forte? Como aqueles homens poderiam estar dispostos a ser queimados vivos em vez de adorar a estátua? Eles poderiam ter racionalizado o ato de se curvar em submissão às ordens do rei. No entanto, apesar de perceberem que poderiam ter morrido, como muitos outros haviam morrido, eles permaneceram firmes.

5. O que Hebreus 11 nos ensina sobre fé?

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Para desenvolver essa fé, precisamos entender o que ela é. Algumas pessoas têm uma percepção quantitativa da fé; elas medem sua fé pelas respostas que parecem receber de Deus. Elas vão ao shopping e oram por uma vaga no estacionamento. Se elas conseguem uma vaga logo na chegada, concluem que têm uma fé forte. Se todas as vagas estão ocupadas, elas podem pensar que sua fé não seja forte o suficiente para que Deus ouça suas orações. Essa compreensão da fé torna-se perigosa porque tenta manipular Deus e não considera Sua soberania e sabedoria.

A verdadeira fé, manifestada pelos amigos de Daniel, é medida pela qualidade de nosso relacionamento com o Senhor e sua resultante confiança absoluta Nele. A fé autêntica não busca dobrar a vontade de Deus para que ela se conforme ao nosso desejo; antes, a fé rende nossa vontade à de Deus. Como vimos, os três hebreus não sabiam exatamente o que Ele tinha reservado para eles quando decidiram enfrentar o rei e permanecer fiéis ao Senhor. Eles escolheram fazer a coisa certa, a despeito das consequências. Isso é o que realmente caracteriza uma fé madura. Mostramos verdadeira fé quando pedimos ao Senhor o que desejamos, mas confiamos que Ele fará o melhor para nós, mesmo que no momento não entendamos o que está acontecendo nem o porquê.

Como exercitar a fé todos os dias, mesmo nas “pequenas coisas”? Por que, em muitos aspectos, as provas nas “pequenas coisas” são as mais importantes?
Primeiro Deus - Não permita que o egoísmo tome o lugar do amor em sua vida.
Sexta-feira, 24 de janeiro
Ano Bíblico: Êx 21-23
Estudo adicional

Importantes são as lições a serem aprendidas da experiência dos jovens hebreus na planície de Dura. Nos dias atuais, muitos servos de Deus, embora inocentes de qualquer obra má, serão levados ao sofrimento, humilhação e abuso às mãos daqueles que, inspirados por Satanás, estão cheios de inveja e fanatismo religioso. A ira do homem será especialmente despertada contra os que santificam o sábado do quarto mandamento; e por fim um decreto universal denunciará estes como dignos de morte.

“Os tempos de provação que estão diante do povo de Deus reclamam uma fé que não vacile. Seus filhos devem tornar manifesto que Ele é
o único objeto do seu culto, e que nenhuma consideração, nem mesmo o risco da própria vida, pode induzi-los a fazer a mínima concessão a um culto falso. Para o coração leal, as leis de homens pecaminosos e finitos se tornam insignificantes ao lado da Palavra do eterno Deus. A verdade será obedecida, embora o resultado seja prisão, exílio ou morte” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 512, 513).

Perguntas para discussão

1. Leia 1 Pedro 1:3-9. Por que Deus resgata do sofrimento algumas pessoas, mas não outras? Talvez só obteremos a resposta para perguntas como essa quando chegarmos ao Céu. Nos casos em que os livramentos miraculosos não ocorrem, por que precisamos confiar na bondade de Deus, apesar desses desapontamentos?

2. Se esse incidente tivesse terminado com a morte dos hebreus na fornalha ardente, quais lições ainda poderíamos tirar dessa história?

3. A partir da nossa compreensão dos eventos dos últimos dias, qual será o sinal exterior, a questão em cujo centro está a Pessoa que adoramos?
O que isso revela sobre a importância do sábado?

4. Leia Lucas 16:10. De acordo com as palavras de Cristo, o que significa verdadeiramente viver pela fé?

5. Em Daniel 3:15, Nabucodonosor disse: “Quem é o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos?” Como você responderia a essa pergunta?

 

Respostas e atividades da semana: 1. Seu orgulho e arrogância por ser o rei mais poderoso do mundo naquela época. Ele alimentou a ilusão de que seu reino não seria destruído. 2. Em ambas as passagens bíblicas, vemos Babilônia forçando a adoração à sua imagem. 3. B. 4. V; F. 5. “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11:1). Comente com a classe.

Resumo da Lição 4
Da fornalha ao palácio

ESBOÇO

TEXTO-CHAVE: Daniel 3:17, 18

FOCO DO ESTUDO: Daniel 3; Apocalipse 13:11-18; Êxodo 20:3-5; Deuteronômio 6:4; 1 Coríntios 15:12-26; Hebreus 11

Introdução

A experiência histórica dos amigos de Daniel nos oferece um exemplo concreto do que significa estar sob pressão por causa da lealdade a Deus.

Temas da lição:

1. Adoração

A questão mais crucial em jogo nessa narrativa é a adoração. Provavelmente, Nabucodonosor não estivesse exigindo adoração exclusiva. Os três jovens hebreus poderiam continuar adorando o Deus deles, Yahweh. Se tivessem se prostrado perante a imagem, teriam sido poupados de qualquer problema.

2. Fidelidade

As profundas convicções dos três jovens hebreus não lhes permitiram realizar um gesto externo que fosse contrário à teologia deles. Para eles, tais ações tiveram graves consequências.

3. Livramento

Embora os três exilados hebreus não tivessem dúvidas quanto à capacidade divina de livrá-los do fogo, eles não tinham certeza de que isso aconteceria. Essa incerteza está implícita na expressão “Se não” (Dn 3:18). Mesmo assim, preferiam morrer a comprometer sua lealdade a Deus.

Aplicação para a vida

Todos nós enfrentamos circunstâncias que exigem que assumamos uma posição firme e definida, mostrando claramente onde está nossa suprema lealdade. A lição mais importante que aprendemos com o episódio da fornalha ardente não é o livramento dos três exilados hebreus. Em vez disso, a mensagem principal está no fato de que o Senhor os fortaleceu, eles não temeram a morte e Deus caminhou com eles através do fogo.

Comentário

1. Adoração

Nabucodonosor parece ter entendido muito bem a mensagem transmitida pela estátua de vários metais de seu sonho. Ele não queria ser apenas a cabeça de ouro, mas desejava que seu reino fosse a estátua inteira da cabeça aos pés. Na busca desse objetivo, tentou usurpar os atributos do Criador. Então, ao fazer uma imagem (hebraico: tselem), o rei ironicamente imitou o ato de Deus de criar a humanidade segundo à Sua própria imagem (tselem; Gn 1:26, 27). Assim, Nabucodonosor, consumido pela arrogância, construiu uma imagem. Mas isso não era uma simples obra de arte; era um objeto de adoração.

E a acusação levantada contra os três exilados hebreus foi que eles não adoraram a imagem de ouro nem serviram aos deuses de Nabucodonosor (Dn 3:12, 14). O plural “deuses” sugere que a imagem pode ter sido uma representação dos “deuses” babilônicos e não de uma única divindade. As medidas da imagem (60x6 côvados) evocam o sistema sexagesimal da Babilônia, em oposição ao sistema decimal utilizado no Egito. Além disso, as proporções da imagem (10:1) indicam que ela não seguia as proporções normais de uma figura humana (5:1 ou 6:1). Então, a menos que a estátua tivesse um grande pedestal, ela se pareceria mais com um gigantesco pilar ou coluna parcialmente esculpida.

Ao promover tal cerimônia litúrgica, provavelmente o rei quisesse assegurar a lealdade de governadores, ministros, etc., ao sistema e à ideologia do império. No mundo antigo, a religião e a política eram fortemente interligadas. Assim, o patriotismo era expresso por meio da adoração dos deuses nacionais. Por isso, a recusa dos três exilados hebreus de adorar a imagem de ouro não foi apenas um ato de divergência religiosa, mas uma rejeição explícita das reivindicações totalitárias da ideologia política e religiosa de Babilônia. Os cativos hebreus nunca dariam ao império o que era devido somente a Deus.

2. Fidelidade

Numa advertência contra a idolatria, Moisés lembrou aos israelitas que “o único Ser digno da adoração de Israel era o Deus que os havia tirado da ‘fornalha de ferro do Egito’, para que fossem Sua herança (Dt 4:20; comparar com 1Rs 8:51; Jr 11:4). Moisés rogou ao povo que guardasse a aliança e não fizesse nenhum tipo de ídolo. Na segunda advertência, Moisés disse que a razão pela qual os israelitas não deveriam se entregar à idolatria era que o Deus deles ‘é fogo que consome, é Deus zeloso’ (Dt 4:24). Olhando para o futuro de Israel, Moisés disse ao povo que, se (e quando) ele se entregasse à idolatria, Deus o expulsaria da terra prometida para lugares em que a idolatria era a ordem do dia. Entretanto, caso o povo voltasse a adorar e a obedecer somente a Deus, Ele não o abandonaria nem o destruiria, mas Se lembraria da Sua aliança. O Senhor o havia salvo da fornalha do cativeiro egípcio para torná-lo Seu povo. Em retribuição, Ele exigia sua fiel e exclusiva adoração” (Wendy Widder, Daniel, Grand Rapids, MI: Zondervan, 2016, p. 65).

Os cativos hebreus não se aproveitaram das circunstâncias para racionalizar seu compromisso com o Deus verdadeiro. Eles poderiam simplesmente ter racionalizado sua decisão a fim de evitar um confronto com o rei: “Vamos nos prostrar diante dessa imagem, mas em nosso coração, permaneceremos fiéis a Deus. Quem se importará com isso?” Mas eles não agiram assim. É importante destacar que, no ambiente politeísta do antigo Oriente Próximo, nenhuma divindade exigia lealdade exclusiva. Uma pessoa poderia ser devota de Marduque e também adorar, digamos, Ishtar. Antes do exílio, muitos israelitas caíram nessa armadilha. Eles adoravam ao Senhor, mas, ao mesmo tempo, sacrificavam a Baal e a outras divindades que supunham ser mais úteis para eles em determinadas áreas da vida. Somente o Deus da aliança dos hebreus exigia exclusividade de Seus adoradores (Êx 20:3-5; Dt 6:4); e os três cativos hebreus corresponderam a essa exigência.

3. Livramento

O livramento dos três cativos hebreus não tem nenhuma relação com a boa vontade do rei. Foi uma intervenção sobrenatural de Deus. O fato de a fornalha ter sido aquecida "sete vezes" mais (Dn 3:19) pode ser uma forma figurada de enfatizar o calor máximo possível. Seguramente, o rei queria ter certeza de que ninguém escaparia desse calor. Se um fogo brando estenderia a duração de sua punição e sua tortura, um fogo mais intenso deveria matá-los imediatamente. Parece que Nabucodonosor pretendia tornar a execução deles uma demonstração pública do preço de contrariar sua autoridade. Curiosamente, Jeremias menciona dois falsos profetas que foram “assados no fogo” por Nabucodonosor (Jr 29:21, 22).

Embora os três jovens hebreus cressem firmemente que Deus era capaz de protegê-los, também sabiam que Deus nem sempre agia dessa forma (Dn 3:17, 18). “Os lamentos em alguns dos Salmos demonstram isso. Em Daniel 7:21, 23; 8:24 e 11:32-35 fica claro que há ocasiões em que o povo fiel de Deus é chamado a suportar o sofrimento, e às vezes até o martírio. É em resposta a essa aparente injustiça, e à aparente negação da fidelidade de Deus para com o Seu povo ou da Sua soberania, que surge a promessa da ressurreição [...] e do juízo (Dn 12:1-4). A morte não é barreira para a fidelidade de Deus ou Sua soberania” (E. C. Lucas, “Daniel”, em T. Desmond Alexander e Brian S. Rosner, eds., New Dictionary of Biblical Theology, Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2000, p. 235).

Um ponto que merece destaque é a evidente ausência de Daniel. Comentaristas cristãos e o Talmude têm apresentado várias hipóteses para o motivo da sua ausência: (1) Daniel estaria viajando a negócios; (2) ele tinha permissão do rei para se ausentar; (3) ele estava com a moral tão alta com Nabucodonosor que ninguém ousava reclamar dele; (4) sua presença pode não ter sido exigida; (5) pode ser que estivesse doente; (6) Daniel não fazia mais parte do governo; (7) ele estava presente e se prostrou rapidamente diante da imagem, mas o Senhor não permitiu que seu nome fosse mencionado aqui por causa da sua fidelidade futura; (8) Deus manteve Daniel distante para que o povo não dissesse que havia sido “libertado por seus méritos”; (9) Daniel evitou a cena para não cumprir a seguinte profecia: “As imagens de escultura de seus deuses queimarás” (Dt 7:25); (10) Nabucodonosor “permitiu Daniel se ausentar, para que o povo não dissesse que ele queimou o seu deus no fogo” (Este resumo foi extraído de Peter A. Steveson, Daniel, Greenville, SC: Bob Jones University Press, 2008, p. 56).

Embora algumas opções pareçam mais razoáveis do que outras, a verdade é que não sabemos onde Daniel estava naquela ocasião. Mas com base no caráter de Daniel retratado nas Escrituras, temos certeza de que ele não se prostrou diante da estátua ou não estava presente na cerimônia.

Aplicação para a vida

1. Como os três exilados hebreus, Mordecai também se recusou a se prostrar diante de Hamã (Et 3:1-5). Em ambos os casos, o Senhor trouxe livramento a Seus servos. No entanto, isso nem sempre acontece. Isaías e João Batista selaram sua fé com a própria vida. À luz desses desfechos, você se sente preparado para colher as indesejáveis consequências de suas justas convicções? Por quê?

2. As experiências anteriores dos exilados hebreus, tanto na questão da comida do rei (Dn 1) quanto na interpretação do sonho de Nabucodonosor (Dn 2) de alguma forma os preparou para enfrentar a prova do fogo. Quais provas e experiências vividas por você anteriormente o prepararam para desafios maiores que surgiram depois?

3. A lição desta semana pode levar a uma autoavaliação. Peça aos membros da classe que reflitam sobre as seguintes questões:

  • Quais são algumas das coisas que atualmente somos tentados a adorar? De que maneira, mesmo como cristãos, de forma lenta mas constante, envolvemo-nos na adoração de outras coisas além de Deus?
  • Onde você estabelece o limite entre o firme compromisso com o Senhor e o fanatismo?
  • Quando se trata de nosso relacionamento com os que ainda não conhecem o Senhor, existe espaço para fazermos concessões? Se sim, de que maneira e sob quais circunstâncias? Em quais áreas, se houver, podemos ou devemos fazer concessões? Como podemos saber se estamos comprometendo nossos princípios ou simplesmente sendo prudentes?
  • Você arriscaria sua vida por se recusar a cometer uma pequena infração? Se não, por que não conseguiria se conformar externamente ao mesmo tempo sentir restrições morais interiores?
  • Qual seria a melhor escolha: morrer pela verdade ou evitar crises e viver para continuar testemunhando?

Trens, caminhões e sábado

Pela primeira vez, o garoto de dez anos ouvia maravilhado o sermão na igreja adventista do sétimo dia. O pregador contou a história de um carteiro que pegou uma carta direcionada ao Papai Noel. Um menininho havia escrito a carta pedindo um trem de brinquedo. O carteiro não tinha filhos e decidiu comprar um trem para o garoto. O menino ficou encantando com o presente! O jovem Rosen Nakov ouviu a história e também ficou maravilhado. Ele morava na cidade de Sofia, capital da Bulgária, e também desejava ganhar um trem. A história lhe tocou o coração e ele voltou à igreja nos sábados seguintes. Fez amizade rapidamente com os irmãos da igreja e, acima de tudo, firmou amizade com Jesus.

Depois de concluir o Ensino Médio, Rosen precisou se alistar ao serviço militar no então país comunista. Mas ele tinha duas opções: alistar como soldado por dois anos ou trabalhar em uma fábrica durante cinco anos. Ele escolheu a fábrica, para evitar qualquer problema com a observância do sábado. Aproximadamente dez adventistas trabalhavam em uma gigantesca fábrica de caminhões em Sofia, e Rosen decidiu trabalhar lá como alternativa ao serviço militar. Ao visitar a fábrica, ele conheceu um adventista que convidou para se juntar a ele no departamento que instalava os motores nos caminhões.

Rosen foi ao escritório da fábrica para se candidatar à função. Um gerente, entretanto, olhou o currículo, viu que ele tinha experiência como mecânico de automóveis, e perguntou: “Por que você se candidatou para o trabalho de instalar motores? Você poderia consertar os motores dos caminhões na garagem.” Imediatamente Rosen perguntou se o cargo dava folga aos sábados. “Sim”, o gerente respondeu. “O trabalho seria de segunda a sexta.”

Ele enviou Rosen ao Departamento de Recursos Humanos para terminar a documentação. Entretanto, quando Rosen apresentou seus documentos, o gerente desse departamento disse: “Por que você se candidatou para consertar o motor dos caminhões? Você deveria trabalhar na pequena loja de motores na garagem.”

No primeiro dia de trabalho, ele descobriu que teria seis colegas na pequena loja. Durante o almoço, na lanchonete da empresa, um colega perguntou: “Conte para nós, quem é seu conhecido no alto escalão?” “O que você quer dizer?”, Rosen perguntou. “Você deve ter um amigo de alto nível na alta gerencia para conseguir esse emprego”, disse outro colega. Então, ele descobriu que a loja era um dos cargos mais requisitados para trabalhar. Muitos funcionários se envolviam em trabalhos árduos e sujos. Mas o trabalho na loja era relativamente leve e limpo. Seus colegas de trabalho conseguiram a posição porque tinham amigos na administração.

Não demorou para Rosen perceber que, ao honrar a Deus guardando o sábado, Deus o honrou com um cargo cobiçado. Do outro lado da mesa da lanchonete, um colega pressionou Rosen para responder. “Quem é seu amigo?” Rosen apontou paro o alto e disse: “Meu Amigo está lá em cima.” A partir daquele dia, todos da loja e da garagem sabiam que ele era adventista. Muitos procuravam sua ajuda quando souberam que era especialista em mecânica. Ele era o único adventista na garagem.

“Muitos adventistas trabalhavam na fabrica, mas ninguém trabalhava na garagem”, ele disse em uma entrevista. “Aparentemente, Deus precisa de mim naquele lugar.” Rosen, que agora tem 48, não sabe se algum colega aceitou Jesus através de sua influência, mas sabe que Deus tem um plano. “Assim como Deus usou a história do trem para tocar meu coração quando eu era um garoto, talvez ele desejou que eu trabalhasse na garagem para tocar o coração de alguém”, diz. “O bom Senhor sabe como tocar o coração de cada pessoa.”

Parte da oferta do trimestre ajudará a construir uma igreja para a congregação da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Sofia West, na cidade natal de Rosen, Sofia, Bulgária. Muito agradecemos pelas ofertas.

Dicas da história

• Assistir ao vídeo sobre Rosen no YouTube: bit.ly/Rosen-Nakov.
• Fazer o download das fotos no Facebook (bit.ly/fb-mq) ou banco de dados ADAMS (bit.ly/trains-trucks-sabbath).
• Fazer o download das fotos dos projetos do trimestre no site: bit.ly/eud-2020-projects.

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 1º Trimestre de 2020

Tema Geral: Daniel

Lição 4 – 18 a 25 de janeiro

Da fornalha ao palácio

Autor: Marcelo Rezende

Editor: André Oliveira Santos

Revisora: Rosemara Santos

Desde o início da sua narrativa, o livro de Daniel apresenta todas as histórias ocorrendo sobre um pano de fundo espiritual que envolve a questão central do grande conflito entre Deus e Satanás: adoração. Quem deve ser adorado? Daniel 3 nos apresenta, em última instância, uma sessão de adoração babilônica. O tema da adoração geralmente é abordado quando a discussão gira em torno da estética do culto, das sequências de uma liturgia ou sobre os limites de uma cultura e sua influência sobre a maneira coletiva de expressar o louvor. Além do tema do livramento e da fidelidade de Deus para com o Seu povo, Daniel 3 nos oferece outra visão a respeito desse assunto.

1 – A imagem de ouro

O contexto histórico de Daniel 3 é a manifestação da prepotência do rei Nabucodonosor, anos depois da interpretação do sonho feita por Daniel. O rei construiu um monumento político-religioso que manifestou o velho espírito de Babel, visto em Gênesis 11. Ele buscou reunir todas as classes de pessoas em rebelião contra Deus com a finalidade de exaltar o poder estatal de Babilônia, evidenciado no ouro da estátua, o que representava seu reino no sonho do capítulo 2. Foi proclamado um decreto por meio do qual devia ser oferecida adoração ao império, simbolizado na imagem (“tselem”, em aramaico, a mesma palavra usada em Gn 1:27 para descrever a criação do homem), que havia sido “levantada” (do verbo “kum”, estabelecer, levantar, o mesmo verbo utilizado em Daniel 2:44 em referência ao reino eterno levantado por Deus), na planície de Dura. A imagem era uma contrafação do reino de Deus e um desafio à soberania divina em conduzir a história conforme Sua vontade, revelando também que a estátua possuía um significado espiritual. Não sabemos ao certo qual era o formato da imagem, mas, pelas dimensões descritas, ela tinha aproximadamente 30 metros de altura por 3 de largura, e não se assemelhava a uma figura humana. Provavelmente poderia ser uma espécie de obelisco com uma cabeça humana decorativa no alto, ou algo parecido. Nabucodonosor ocupou ali o lugar de Deus ao “levantar” (kum) uma “imagem” (tselem) para ser adorada em reconhecimento ao seu poder.

O ponto principal da descrição da imagem está no fato de que nela vemos a união do poder do Estado com o poder religioso, que impõe sua agenda de forma opressora a todas as classes sociais, ameaçando com a pena de morte os que não se submetem a essa ordem. A maior evidência desse entendimento da história pode ser vista no fato de que a narrativa da imagem de Nabucodonosor e a fornalha ardente estão na base da profecia de Apocalipse 13 sobre a imagem da besta, sua marca e o número 666. O livro do Apocalipse entende essa história como símbolo descritivo da realidade futura, a ser manifestada no fim da história humana, quando haverá uma reedição de proporções mundiais da fusão do poder do Estado e da religião, com o objetivo de controlar a sociedade, perseguir e matar aqueles que não forem submissos ao seu poder e não “adorarem a imagem da besta”, cuja marca é o número 666 (Ap 13:14-18). É curioso notar que em Daniel 3:1 as medidas da estátua são apresentadas como sendo 60 côvados de altura e 6 de largura. Nabucodonosor entende o ato de adoração à estátua não apenas como um reconhecimento ao seu poder como rei, mas como uma manifestação de adoração a todos os seus deuses (Dn 3:12, 14). É sabido que o número 6 era considerado sagrado na Babilônia, sendo o sistema sexagesimal a base matemática usada para se dividir o tempo e o espaço, como até hoje fazemos ao medirmos segundos, minutos, ângulos e arcos. Os deuses babilônicos possuíam valores numéricos atribuídos a cada um deles, sendo o deus Anu (posteriormente Marduk), o mais poderoso, representado pelo número 60 e o deus menor pelo número 6. A somatória do panteão dos deuses babilônicos seria 600 “a totalidade dos deuses ou espíritos do mundo inferior e superior, o Igigi e o Annunaki”. Alguns comentaristas afirmam que os sacerdotes babilônicos utilizavam uma espécie de peitoral ou amuleto numérico em que a somatória de todas as linhas e colunas, verticais ou horizontais, resultava em 666. Vemos em Daniel 3 uma imagem que representa a união opressiva e perseguidora do poder político com o poder religioso, cujo número é 666 – 60 côvados de altura e 6 de largura, representando todos os deuses babilônicos (600). Ela seria adorada em reconhecimento ao poder de um rei que havia usurpado o lugar de Deus diante dos seus súditos – da mesma forma como Apocalipse 13:18 nos afirma que 6 é o “número do homem”, em franco estado de rebelião contra Deus.

2 – A adoração babilônica

O desenvolvimento da história e a descrição do ritualismo formal do culto possuem um profundo significado sobre a essência da verdadeira adoração. Pela excessiva repetição dos instrumentos musicais e dos detalhes da sequência litúrgica a ser executada pelos adoradores, o texto de maneira “cômica” descreve a religião babilônica como sendo burocrática, mecânica, automatizada e sem vida, uma adoração que tem como objetivo apenas cumprir uma liturgia que é executada para que as pessoas atuem de acordo com o que havia sido estipulado previamente. O resultado é o estado de “robotização” dos adoradores que não questionam, não pensam, não possuem individualidade, mas que manifestam grande carga de reação emocional no culto, pois o “movimento” de adoração acontece como reação ao som da música e do impacto poderoso de toda a beleza do ritual. Babilônia promove uma adoração que nada mais é do que um fim em si mesma, na qual o homem é o centro de tudo o que acontece e todas as orações são feitas “de si para si mesmo” (Lc 18:11).

Esse padrão está em evidência ainda hoje em diversas culturas e denominações, mostrando que a adoração “babilônica” pode estar presente mesmo em meio àqueles que professam a verdade de Deus. A consequência desse sistema de adoração é alienação e falta da percepção da realidade de quem somos, o que fica evidenciado de forma prática na qualidade de nosso relacionamento com o próximo, ao manifestarmos frieza, espírito crítico, intolerância para com os diferentes, ou mesmo um sentimento velado de superioridade por conhecermos verdades que muitos não conhecem. Conforme Daniel 3:8, esse foi o resultado da liturgia babilônica. A ação dos caldeus, descrita pela expressão aramaica vaahulu kartsehon, traduzida como “acusaram”, significa literalmente “devoraram pedaços”. Além de oferecer aqui um contraponto interessante com o que aconteceria posteriormente a Daniel pelas mesmas razões no capítulo 6, ao ser lançado na cova dos leões para ser devorado pelas feras, vemos que, ao fazer do homem o foco, a adoração babilônica destitui nos seus participantes o senso do amor ao próximo.

Daniel 3 nos mostra o poder de um Deus presente, que anda na fornalha junto com aqueles que passam pelas mais terríveis provações, que pode fazer maravilhas e libertar do poder do mal seus filhos amados, mas que nos adverte de um perigo maior do que a fornalha da planície de Dura: um coração “babilônico” que se fechou em si mesmo, mascarando seu egocentrismo pelas atitudes plásticas e performáticas de uma religião sem vida.

Conheça o autor dos comentários para este trimestre:

Atualmente, Marcelo Rezende é pastor do distrito de São Carlos, na Associação Paulista Oeste. Há 20 anos é pastor e tem servido a igreja em diversas funções ministeriais. Possui mestrado em teologia bíblica com ênfase em teologia paulina pelo Unasp-Engenheiro Coelho. É casado com Simone Ramos Rezende e juntos têm dois filhos: Sarah (que nasceu em um dia 22 de outubro – os que estudarem a lição de Daniel entenderão!), e o caçula Daniel (o mesmo nome do profeta!).