Lição 8
16 a 22 de novembro
Deus e a aliança
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Rm 1-4
Verso para memorizar: “Por causa de tudo isso, estabelecemos aliança fiel e o escrevemos; e selaram-na os nossos príncipes, os nossos levitas e os nossos sacerdotes. [...] não desampararíamos a casa do nosso Deus” (Ne 9:38; 10:39).
Leituras da semana: Ne 10:1-39; Gn 4:8-19; Hb 8:1-7; 13:20; Js 24

O que significa aliança na Bíblia? A explicação mais fácil para uma aliança bíblica é que ela é o estabelecimento legal de um relacionamento entre Deus e Seu povo. É Deus dizendo: “Você é Meu povo, e Eu Sou o seu Deus”. Além disso, encontramos a utilização de alianças escritas entre outros povos no mundo antigo, muitas vezes entre os líderes e seus súditos.

Essas alianças foram estabelecidas porque beneficiavam ambas as partes. O líder cuidava do povo, e o povo pagava impostos. Mas com Deus a aliança era diferente. Deus não recebia nada, e ainda prometia ser fiel à aliança até mesmo quando o povo não o fosse. Quando as coisas ruins começavam a acontecer, o conhecimento das bênçãos e maldições ­vinculadas à aliança permitiam que os israelitas percebessem que estavam quebrando a aliança.

Nesta semana, estudaremos em Neemias 10 a aliança que os israelitas renovaram com Deus e examinaremos algumas informações gerais, na Bíblia, sobre a história e a importância de se fazer uma aliança.

Domingo, 17 de novembro
Ano Bíblico: Rm 5-7
A ideia da aliança

1. Leia Neemias 10:1-29 (e relembre Neemias 9:36-38). Quem estava fazendo essa aliança? Por que ela foi feita?

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Embora somente os líderes tivessem assinado o documento, o texto menciona explicitamente que todo “o restante do povo” se obrigou “sob maldição e sob juramento a seguir a Lei de Deus” (Ne 10:28, 29, NVI).
O que havia de tão significativo na aliança a ponto de todos desejarem entrar num pacto com Deus? A fim de responder a essa pergunta, temos que voltar ao início e compreender a ideia bíblica de aliança.

A aliança era importante porque fazia parte da história de Deus lidando com a humanidade pecadora e demonstrava Seu anseio por um relacionamento com o povo. Ela também permitia que o povo revelasse seu desejo de se dedicar ao Senhor.

A história bíblica da criação, em Gênesis 1 e 2, revela não apenas a origem dos primeiros seres humanos, mas também o relacionamento entre eles e Deus, bem como entre eles mesmos. No entanto, o pecado rompeu todos esses relacionamentos. O pecado é a antítese da criação, trazendo a “descriação”, ou seja, a morte.

A linhagem de Adão finalmente se dividiu, visto que Caim escolheu o mal (Gn 4:8-19), e Sete seguiu a Deus (Gn 5:3-24). A genealogia de Caim culmina em Lameque (Gn 4:17-19), o sétimo a partir de Adão, que introduziu a poligamia. A violência e a vingança do lado de Caim se justapõem à linhagem fiel de Sete. A genealogia de Sete também foi especificada; o sétimo dessa linhagem é Enoque, que “andou com Deus” (Gn 5:24, NVI) e foi levado para o Céu.

Infelizmente, o mundo seguiu mais o mal do que a Deus, e a descendência dos fiéis se tornou muito pequena. Logo não restaria nenhuma família por meio da qual Deus pudesse cumprir Sua palavra ao enviar a Semente prometida para salvar a humanidade. Nesse momento, Deus interveio com o Dilúvio. No entanto, esse acontecimento foi uma descriação posterior, a reversão e a destruição da vida. Ainda assim, Deus destruiu apenas o que o ser humano já havia arruinado (Gn 6:11-13).

Você já experimentou a realidade da força destrutiva do pecado? Como? Qual é o único poder contra o pecado e como nos beneficiamos dele?
Movimento de oração e resgate: Neste trimestre, vamos iniciar um movimento de oração pelos amigos que estão afastados de Jesus Cristo.
Segunda-feira, 18 de novembro
Ano Bíblico: Rm 8-10
Alianças na história

Após o Dilúvio, Deus recomeçou a história com Seu povo, por meio de Noé e das pessoas que vieram depois dele. O Senhor também buscou um relacionamento com elas, e a ideia da aliança era central para isso. A Bíblia identifica as sete principais alianças que Deus fez com o povo:

1a Aliança – com Adão (Gn 1 a 3)

2a Aliança – com Noé (Gn 6 a 9)

3a Aliança – com Abraão (Gn 12:1-3)

4a Aliança – com Moisés e a nação israelita (conhecida como Aliança Sinaítica ou Mosaica – Êx 19 a 24)

5a Aliança – com Fineias (Nm 25:10-13)

6a Aliança – com Davi (2Sm 7:5-16)

7a Aliança – Nova Aliança (Jr 31:31-34)

2. Leia os textos a seguir. O que significa a “aliança eterna”? (Gn 9:16; 17:7; Is 55:3; Hb 13:20). Assinale a alternativa correta:

A.(  ) Uma aliança que duraria para sempre.

B.(  ) Uma aliança condicional à fidelidade do povo.

A Bíblia apresenta o termo “aliança eterna” dezesseis vezes. Dessas, treze são especificamente aplicadas à aliança com Abraão; com Israel, no Sinai; e com Davi. Cada uma delas, embora singular, levava a marca da “aliança eterna”. Assim como o evangelho eterno foi anunciado primeiramente em Gênesis 3:15 e depois progressivamente revelado em toda a Bíblia, a mesma lógica se aplica à aliança eterna. Cada sucessiva aliança serve para esclarecer e aprofundar nossa compreensão da aliança eterna de amor, revelada mais plenamente no plano da salvação. A Nova Aliança e a Antiga Aliança, conforme são muitas vezes distinguidas, contêm os mesmos elementos.

1. Santificação: “Na mente, lhes imprimirei as Minhas leis, também no coração lhas inscreverei” (Jr 31:33; compare com Hb 8:10).

2. Reconciliação: “Eu serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo” (Jr 31:33; Hb 8:10).

3. Missão: “Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor, porque todos Me conhecerão, desde o menor até ao maior deles” (Jr 31:34; Hb 8:11).

4. Justificação: “Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais Me lembrarei” (Jr 31:34; Hb 8:12).

Terça-feira, 19 de novembro
Ano Bíblico: Rm 11-13
Estrutura da aliança

Os estudiosos da Bíblia reconhecem que existe uma estrutura típica para as alianças bíblicas; isso é visto até mesmo em alianças feitas pelos antigos hititas. Isto é, Deus Se comunicou com o povo de uma forma que ele, em sua cultura, pudesse entender.

As alianças comuns durante a época do antigo Israel tinham as seguintes partes: declaração preliminar (quem é Deus); prólogo histórico (relacionamento passado definido); determinações ou leis; bênçãos e maldições; testemunhas, provisão especial ou sinal da aliança. Portanto, não deveria ser surpresa o fato de Deus ter usado algo semelhante para Se comunicar com Seu povo naquela época, pois estavam familiarizados com a prática.

Por exemplo, todo o livro de Deuteronômio foi escrito na forma de uma aliança, pois Moisés convidou o povo de Deus a entrar em um novo relacionamento de aliança com o Senhor. Ele expressou a aliança da seguinte maneira: (1) Declaração preliminar (Dt 1:1-5); (2) prólogo histórico (Dt 1:6–4:43); (3) determinações ou leis (Dt 4:44–26:19); (4) bênçãos e maldições (Dt 27–30); (5) testemunhas (Dt 30:19); e, finalmente, (6) provisão especial (Dt 31:9-13).

3. Leia Josué 24. Como esse padrão de aliança é revelado também nesse capítulo?

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A renovação da aliança feita por Josué segue a mesma estrutura.
Primeiramente, há uma declaração na qual Deus Se apresentou como “o Senhor, Deus de Israel” (Js 24:2). Em seguida, vem um longo prólogo histórico, no qual Josué lembra o povo das obras que Deus realizou por ele no passado (Js 24:2-13). Após essa história, são especificadas as determinações ou leis (Js 24:14, 15, 23), mencionadas as bênçãos e maldições (Js 24:19, 20), identificadas as testemunhas (Js 24:22, 27) e declarada a provisão especial (Js 24:25, 26). Aqui, também, Deus usou a forma básica de uma aliança a fim de Se comunicar com Israel e mostrar aos israelitas não apenas Sua liderança no passado, mas o que era exigido deles para cumprir sua parte na aliança.

Leia Josué 24:15. Qual princípio encontrado nesse verso pode se aplicar a nós?
Quarta-feira, 20 de novembro
Ano Bíblico: Rm 14-16
Promessas

4. Leia Neemias 10:30-39. Quais são as quatro coisas que os israelitas prometeram fazer como parte da aliança renovada?

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O povo prometeu o seguinte:

1. Não realizar casamentos mistos (casamentos que pudessem levar à idolatria);

2. Praticar a verdadeira observância do sábado (sem distrações com transações comerciais);

3. Cumprir o cancelamento de dívidas e a observância do ano sabático a fim de cuidar dos pobres e dar-lhes liberdade;

4. Sustentar financeiramente o templo, seus serviços e suas equipes trazendo as primícias dos frutos, os primogênitos e os dízimos, assegurando a continuação da verdadeira adoração.

As três primeiras promessas se referem ao relacionamento com os outros (casamentos e cancelamento de dívidas) e com Deus (observância do sábado), enquanto a última (Ne 10:32-39) trata dos regulamentos do templo.

O objetivo dos israelitas era demonstrar que eles estavam comprometidos com a aliança e, portanto, implementariam formas práticas de desenvolver seu relacionamento com Deus e com os outros. Mesmo que nem sempre guardassem a aliança perfeitamente, eles entendiam que práticas e hábitos corretos influenciariam o futuro. Se a nação israelita desejava ir no caminho certo, ela teria que estabelecer maneiras de agir e costumes que a conduzisse aonde desejava seguir. Se desejava andar intimamente com Deus, era importante valorizar o sábado e cuidar do templo.

Infelizmente, os israelitas não cumpriram muito bem suas promessas, conforme demonstrado nos últimos capítulos de Neemias. No entanto, embora nem todos as tenham cumprido, muitos o fizeram. Com a ajuda de Deus e mantendo o foco Nele é possível desenvolver hábitos corretos e firmar-se no caminho certo.

“Por meio do correto exercício da vontade, uma transformação completa pode ocorrer em sua vida. Entregando a vontade a Cristo, você se une com o poder que está acima de todos os outros. Obterá força do alto para permanecer firme e, pela constante entrega a Deus, será capacitado para viver a nova vida, a vida da fé” (Ellen G. White, Caminho a Cristo, p. 48). Há algo que o impede de vivenciar o que está escrito nessa citação?
Quinta-feira, 21 de novembro
Ano Bíblico: 1Co 1-4
O templo

5. Leia Neemias 10:32-39. Por que as práticas do templo eram essenciais aos israelitas, como é demonstrado nestas palavras: “Não negligenciaremos o templo de nosso Deus” (Ne 10:39, NVI)? Por que o templo era tão importante para a fé? (Veja também Hb 8:1-7.)

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Os israelitas prometeram cuidar do templo. Mesmo sendo um pequeno grupo financeiramente oprimido pelos reis, decidiram que precisavam doar do pouco que tinham para que o templo prosperasse e não apenas sobrevivesse. Por isso, escolheram dar a terça parte de um siclo para o serviço do templo a cada ano, em vez de fazer isso apenas quando ocorresse o censo, conforme ordenava a lei. A nação viu a necessidade de ir além do que era exigido. Além disso, atribuíram a famílias específicas a responsabilidade de queimar lenha no altar, pois reconheciam que, sem organização, essa prática morreria.

Os primeiros frutos, os primogênitos, os dízimos e as ofertas eram aspectos do serviço do templo que sustentavam o ministério dos sacerdotes e dos levitas. Um décimo de tudo devia ir para os levitas. Além disso, os primogênitos eram redimidos por dinheiro, o que era somado ao valor recebido pelos levitas. No entanto, o dízimo do dízimo dos levitas ia para os sacerdotes.

O templo servia como o coração da nação israelita. Ele era tão central à sua fé que a maior tragédia ocorreu quando Nabucodonosor o derrubou e levou os objetos sagrados.

Quando o templo era bem administrado, ele proporcionava vida espiritual vibrante à nação, pois indicava ao povo a solução definitiva para o problema do pecado, mediante a morte de um cordeiro. Quando Jesus morreu na cruz, essa solução foi providenciada (Rm 5:5-10). Além disso, por meio do serviço anual do Dia da Expiação, o povo aprendia que Deus tem, em última instância, um plano para acabar com o mal e o pecado para sempre. Em outras palavras, o templo servia como cenário para revelar ao povo todo o plano da salvação. As lições a ser aprendidas por meio do estudo dos serviços realizados nele são imensas e necessárias para nos dar uma visão maior do caráter de Deus e esclarecer o plano da salvação.

“Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1:15). Qual era a esperança de Paulo? Como podemos torná-la nossa também?
Sexta-feira, 22 de novembro
Ano Bíblico:
Estudo adicional

Texto de Ellen G. White: Caminho a Cristo, p. 43-48 (“Consagração”).

“O serviço no santuário terrestre dividia-se em duas partes: os sacerdotes ministravam diariamente no lugar santo, ao passo que uma vez ao ano o sumo sacerdote efetuava uma obra especial de expiação no lugar santíssimo, para a purificação do santuário. Dia após dia, o pecador arrependido levava sua oferta à porta do tabernáculo e, colocando a mão sobre a cabeça da vítima, confessava seus pecados, ­transferindo-os assim, figuradamente, de si para o sacrifício inocente. O animal era então morto. ‘Sem derramamento de sangue, não há remissão de pecado’
(Hb 9:22). ‘A vida da carne está no sangue’ (Lv 17:11). A Lei de Deus, sendo violada, exige a vida do transgressor. O sangue, representando a vida que havia sido perdida pelo pecador cuja culpa a vítima carregava, era levado pelo sacerdote ao lugar santo e aspergido diante do véu, atrás do qual estava a arca contendo a Lei que o pecador transgredira. Por essa cerimônia, o pecado era transferido, mediante o sangue, em figura, para o santuário. Em alguns casos o sangue não era levado para o lugar santo; mas a carne deveria então ser comida pelo sacerdote, conforme Moisés determinou aos filhos de Arão [...] ‘para que [levassem] a iniquidade da congregação’ (Lv 10:17). Ambas as cerimônias simbolizavam [...] a transferência do pecado do penitente para o santuário” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 418).

Perguntas para discussão

1. Você já fez promessas e não as cumpriu? Como evitar um erro semelhante?

2. Aliança é o estabelecimento legal de um relacionamento. Se quebramos a aliança com Deus, Ele é sempre fiel. A fidelidade divina pode nos atrair a uma ligação íntima com o Senhor e, assim, nos ajudar a viver como deveríamos?

3. Você já foi infiel e rejeitou as promessas da aliança? (Lc 22:20; Hb 8:13; 9:15). Entendeu a promessa do perdão em Jesus, cujo sangue selou a Nova Aliança conosco?

 

Respostas e atividades da semana: 1. Os líderes do povo. Porém, os sacerdotes, os levitas, os porteiros, os cantores, os servidores do templo e todo o restante do povo também decidiram fazer parte da aliança com Deus, pois desejavam andar na Lei e guardar os mandamentos. 2. A. 3. Declaração preliminar (Js 24:2); prólogo histórico (Js 24:2-13); determinações ou leis (Js 24:14, 15, 23); bênçãos e maldições (Js 24:19, 20); testemunhas (Js 24:22, 27); provisão especial (Js 24:25, 26). 4. Os israelitas se comprometeram a não mais se casarem com estrangeiros. Prometeram que não comprariam nada que os estrangeiros vendessem no sábado. Eles assumiram o compromisso de abrir mão da colheita e das cobranças no ano sabático (sétimo ano) e a doar, cada ano, a terça parte de um siclo para o serviço do templo e dos pobres. Por fim, prometeram dar as primícias dos frutos ao Senhor, com o primogênito dos filhos e dos animais, o dízimo, etc. 5. Porque toda a cultura e a vida judaica se concentravam no templo. Além de ser o local de encontro com Deus, o templo era a “sede” do governo. Ali eles distribuíam o auxílio aos pobres, entre outras coisas. O templo era importante para a fé, pois fazia relembrar a solução final para o pecado: a morte do Cordeiro.

Resumo da Lição 8
Deus e a aliança

ESBOÇO

TEXTOS-CHAVE: Neemias 9:38; 10:39c

FOCO DO ESTUDO: Neemias 10

A aliança era um ato culminante ao se estabelecer um relacionamento entre Deus e Seu povo. Primeiro, os israelitas estudaram as Escrituras, o que levou à convicção e à confissão dos pecados (Ne 8 e 9). Após a confissão, louvor e súplica, fez-se a renovação da aliança. Neemias assinou primeiro, seguido por 83 líderes da nação. Os líderes colocaram um selo no documento, e o restante da congregação concordou em entrar “numa imprecação e num juramento, de que andariam na Lei de Deus” (Ne 10:29). Em seguida, prometeram sua lealdade ao Senhor fazendo quatro juramentos: (1) não se casar com pessoas de outras nações; (2) guardar fielmente o sábado; (3) cancelar todas as dívidas; e (4) cuidar do templo (incluindo a devolução de dízimos e ofertas).

Em outras palavras, a assinatura da aliança não foi suficiente. Eles sabiam que isso tinha que ser seguido de ação. Seu compromisso com Deus tinha que ser observável, e assim reintroduziram aspectos importantes de caminhar com o Senhor como uma nação santa. Por meio de uma relação com Ele e da intencionalidade no comportamento eles cresceriam como povo de Deus. Um aspecto essencial da fidelidade ao Criador é desenvolver hábitos corretos e suplicar de forma regular e permanente por transformação e ajuda divina. Buscando Sua ajuda e mantendo nosso foco Nele, podemos desenvolver bons hábitos e persistir no caminho correto. Os judeus não deixaram seu crescimento ao acaso, mas diligentemente fizeram planos de ação que os manteriam firmados em Deus.

COMENTÁRIO

Estrutura temática do capítulo 10

1. Líderes selam a aliança (Ne 10:1-27)

2. O povo promete andar na Lei de Deus (Ne 10:28, 29)

3. Compromissos da aliança (Ne 10:30-39)

A. Compromisso de evitar casamentos com pessoas de outros povos (Ne 10:30)

B. Observância do sábado (Ne 10:31a)

C. Cancelamento de dívidas (Ne 10:31b)

D. Serviço no Templo (Ne 10:32-39)

I. Contribuições para o templo (Ne 10:32, 33)

II. Lenha (Ne 10:34)

III. Primícias (Ne 10:35-37a)

IV. Dízimo (Ne 10:37b-38)

V. Ofertas (Ne 10:39a, b)

VI. Declaração resumida: “Assim, não desampararíamos a casa do nosso Deus” (Ne 10:39c)

Da criação à recriação

A história da criação bíblica começa em Gênesis 1 e ocorre em uma série de sete dias. O ponto culminante da história da criação é o sétimo dia, o sábado. Essa narrativa diz aos seres humanos que fomos criados dependentes de Deus e que devemos viver em relacionamento com Ele. Em Gênesis 2, a criação é descrita a partir de uma perspectiva ligeiramente diferente, mas ainda em uma série de sete, culminando no estabelecimento de um relacionamento horizontal (ou seja, humano com humano) por meio do primeiro casamento. Infelizmente, por causa do pecado, a criação divina sofreu sérios danos quando a humanidade rompeu seu relacionamento com Deus como resultado da tentativa de viver de forma independente Dele. Dizer não à presença divina levou o mundo rapidamente à iniquidade, até que Deus teve que intervir por meio do Dilúvio para impedir a avalanche do mal; caso contrário, em breve não restaria ninguém que pudesse ser salvo.

Felizmente, pela fidelidade de Deus à Sua palavra, há sempre um novo começo; após o Dilúvio, Ele começou uma obra de recriação por meio da família de Noé. O Senhor preservou um remanescente, e por intermédio dele trouxe a salvação. Essa história de recriação, escrita em uma sequência de sete, culminou com a aliança (Gn 8:1–9:17). Embora o Senhor tivesse que recomeçar muitas vezes (na época da torre de Babel, de Abraão, de Moisés, etc.), a aliança permaneceu como um aspecto central da relação entre Deus e a humanidade.

Assim, a aliança entre Deus e os seres humanos é um elemento importante da missão de recriação que o Criador tem realizado desde a queda da humanidade, e um documento legal do relacionamento entre essas partes. É uma tentativa de restaurar o relacionamento rompido, necessária porque a humanidade não confia em Deus. Quando as pessoas confiam umas nas outras, não precisam de documentação e tratados jurídicos para garantir que cada parte no acordo cumprirá suas promessas. No entanto, Deus sabe que os humanos têm dificuldade de confiar Nele. Então, o Altíssimo planejou uma forma de demonstrar que Ele é sempre fiel. A aliança é uma das maneiras divinas de mostrar que o Criador leva a sério Seu compromisso com os seres humanos. Deus sempre dá o primeiro passo. Ele é o iniciador da aliança e estabelece o pacto com a humanidade.

Fazendo uma aliança

A aliança é um documento legal, escrito de acordo com os tratados hititas entre duas partes (geralmente um senhor suserano e seus vassalos), tornando o relacionamento obrigatório. O melhor exemplo de como um pacto era feito na cultura mesopotâmica encontra-se em Gênesis 15, onde Deus fez uma aliança com Abraão.

Abraão seguiu o costume de fazer uma aliança entre duas partes. A tradução literal para fazer uma aliança é “cortar” uma aliança, porque envolvia o “corte” de animais. Dependendo de quão rico fosse o vassalo (o servo), ele traria uma variedade de animais para dividir ao meio. O vassalo realizava esse trabalho e depois fazia um juramento ao soberano. Visto que Abraão era rico, ele trouxe uma novilha, uma cabra, um carneiro, uma rola e um pombinho (Gn 15:9), cortou cada um dos animais ao meio e colocou-os de frente um para o outro no chão, criando um caminho entre eles. As aves foram deixadas inteiras devido ao seu tamanho pequeno e colocadas em frente uma da outra. O trabalho do vassalo agora era andar entre as partes cortadas e proclamar algo como: “Que seja feito a mim como foi feito com esses animais se eu quebrar essa aliança.” O soberano não andava entre os animais, pois isso era feito apenas por aquele que tinha menor status no relacionamento. Assim, conforme o costume, Abraão deveria ter andado entre os animais partidos como um vassalo, mesmo que isso não tenha sido especificamente mencionado no texto.

Entretanto, embora se esperasse que essa atitude concluísse a história e que a aliança estivesse completa, Deus não terminou a ratificação do concerto ali. Quando o sol se pôs, Abraão de repente viu “um fogareiro fumegante e uma tocha de fogo” passar entre os pedaços (Gn 15:17). No Antigo Testamento, Deus é representado por meio de fumaça e fogo (fumaça desceu sobre o monte indicando a presença divina e uma coluna de fogo guiou o povo no deserto; depois, no Novo Testamento, temos as línguas de fogo [At 2], etc.). O que essas coisas significam? Deus andou entre os pedaços. Ele não esperou que Abraão passasse e fizesse o juramento; foi o próprio Deus quem prometeu: “Se Eu quebrar esta aliança, posso ser cortado ao meio como esses animais”. Foram os seres humanos que quebraram a aliança repetidas vezes, e no fim foi Deus quem Se dispôs a ser “cortado” na cruz e a morrer pelos pecadores a fim de demonstrar Sua fidelidade e incrível amor. Deus nunca quebrou a aliança, mas, porque nós o fizemos, Ele assumiu nosso lugar ao ser cortado ao meio: morreu por nós e pagou o preço dos nossos pecados.

Deus fez uma aliança conosco para demonstrar Seu compromisso e bondade. Apesar de rompermos o relacionamento com Ele, o Senhor continua trabalhando para consertá-lo. O Criador quer nos restaurar a Si mesmo (Êx 19:4; Jo 12:32).

Compromissos da aliança

Os judeus no tempo de Neemias viram que Deus é fiel, e queriam assumir o compromisso de ser uma nação santa. Os líderes assinaram um documento atestando o desejo de ser fiéis ao Senhor, e o restante dos israelitas concordou com isso e fizeram um juramento de seguir a Lei divina. Eles estavam cientes de que a responsabilidade de andar com Deus repousava sobre eles. Mas caminhar com o Senhor não pode ser apenas conversa, deve ser atitude. Todos deviam ser obedientes aos ensinamentos divinos.

Assim, em uma demonstração da intenção do povo de ser obediente, o restante do capítulo é dedicado a delinear detalhes de sua promessa a Deus. (1) Eles não se casariam com os povos ao seu redor e não dariam seus filhos em casamento àqueles que não viviam para Deus; (2) Não comprariam nem venderiam no sábado e iriam tratá-lo como um dia sagrado, um dia diferente, e fariam essas atividades nos demais dias da semana; (3) Eles também perdoariam qualquer dívida a cada sete anos e deixariam o solo descansar durante o ano do jubileu, conforme a instrução do capítulo 25 de Levítico; finalmente (4) os israelitas se concentrariam em restaurar os serviços no templo, provendo aos levitas e sacerdotes devolvendo os dízimos e as ofertas e mantendo todas as provisões do templo. Os sacerdotes deveriam receber um décimo dos dízimos. Nos primeiros dias, quando os levitas superavam em grande medida a quantidade de sacerdotes, essa porção era uma grande provisão, porém, na época de Neemias, restava um grupo tão pequeno de pessoas que um décimo dos dízimos representava uma quantidade escassa. O fato de que os sacerdotes concordavam com essa colocação demonstrava sua atitude desinteressada e humilde. As ações tomadas pela assembleia e os servos no templo mostram seu compromisso sincero com Deus.

Aplicação para a vida

Aliança com Abraão

1. Imagine a cena da aliança entre Deus e Abraão, envolvendo todos os cinco sentidos. Agora responda às seguintes perguntas:

A. Qual seria o cheiro do ambiente?

B. O que você ouviria?

C. O que experimentaria se estivesse lá?

D. O que veria?

E. O que sentiria?

2. Qual é a sua opinião sobre a atitude de Deus ao andar pelas partes cortadas dos animais em Gênesis 15? O que Abraão pensou disso? O que significa para você o fato de Deus ter feito uma aliança com Abraão?

A aliança de Neemias

1. Por que os israelitas se comprometeram especificamente com essas quatro promessas? O que é importante sobre cada uma delas?

2. A comunidade voltou ao ponto inicial. O povo se regozijou, lamentou e se comprometeu com Deus. Ao fazer esses novos compromissos, o remanescente israelita estava ansioso pelo futuro, sempre tendo em mente que o Senhor os ajudaria a caminhar com Ele, lhes daria força e um desejo maior de continuar vivendo com o Criador. Que compromissos você pode fazer com Deus? O que você pode fazer para garantir que cumprirá suas promessas ao vislumbrar no futuro um relacionamento mais profundo com o Senhor? Que papel o Espírito Santo desempenha no seu compromisso?

Cantando para Jesus

Yvonne Mushimiyimana estava ansiosa quando se inscreveu para cantar no concerto musical da escola. Ela tomou emprestadas roupas provocantes das amigas e usou maquiagem forte, para assegurar que seria notada no palco. Então, cantou com todo o coração. Após a apresentação, os colegas se aglomeraram ao seu redor. “Por que você está enterrando seu talento?”, perguntou um deles. “Pare de usar saias longas”, disse outro. “As roupas que as moças adventistas usam não combinam com sua beleza e voz melodiosa.” Yvonne gostou muito dos elogios e prontamente aceitou o convite dos novos amigos para ficar em uma festa após o concerto. Entretanto, muitos colegas adventistas deixaram o concerto para ir ao culto de sexta à noite.

No sábado, Yvonne foi à igreja como costumava fazer. Mas os líderes da igreja souberam que ela e quatro adolescentes haviam participado da festa. Todos eles foram disciplinados. Os quatro jovens pediram perdão e prometeram não desrespeitar a guarda do sábado, mas ela recusou desculpar-se. “Não posso. Quero cantar e dançar”, disse ela, e deixou de ir à igreja aos sábados. Yvonne mudou o estilo de vestir e a maneira de andar. Em todo lugar em que ela estava, as pessoas paravam para olhar. Em pouco tempo, tornou-se uma das garotas mais populares da escola.

Sua popularidade aumentou mais ainda quando começou a compor suas canções. Sua primeira música se tornou sucesso no campus. Ela ficava muito feliz quando ouvia os alunos e professoras ouvindo sua criação. Essa nova rotina a deixava muito ocupada e ela começou a matar aulas. Mesmo assim, passou nos exames finais com notas muito boas. Impressionados, os professores perguntavam como ela conseguiu boas notas sem frequentar as aulas. Ela não sabia o que responder mas, secretamente, pensava que a razão eram as orações da mãe.

Na universidade na capital da Ruanda, Kigali, Yvonne se esforçou para ser uma estrela. Ela se chamava Sister Yvonne (Irmã Yvonne) e gravou músicas em um estúdio profissional. Gravou videoclipes e se apresentava em bares e casas noturnas. Também mudou o estilo de vestir e maquiagem para combinar com o estilo atrevido de uma estrela pop. Usava três brincos em cada orelha e um piercing no nariz, além de fazer algumas tatuagens.

Em casa na região leste de Ruanda, os pais ficaram tristes e o pai deixou de sustentá-la. Mas Yvonne não desistiu. Quando percebeu que não conseguia pagar as contas com as apresentações, começou a vender roupas femininas. Depois, conseguiu um emprego de professora de jardim da infância. As crianças ficaram impressionadas quando Yvonne chegava à escola vestida de short jeans rasgados e enfeitada com muitas joias. Então, pediam às mães para usar tatuagem e piercing no nariz. Quando as mães descobriram que seus filhos estavam influenciados pela nova professora foram imediatamente a escola reivindicar mudanças.

A demanda de reclamações entristeceu Yvonne, e ela ansiava pelos fins de semana quando podia dançar nas casas noturnas. Mas isso não tirou sua tristeza e ela não sabia o que fazer. Certo dia, Yvonne estava em casa quando ouviu um sermão sendo transmitido por alto-falantes na igreja adventista vizinha. Ela não queria ouvir o sermão, trancou-se no quarto e ligou a música alta. No dia seguinte, o pregador fez outro sermão. Novamente, pregou no terceiro dia. A igreja adventista de Ruyenzi estava realizando uma campanha evangelística de três semanas.

Finalmente, Yvonne desistiu e ouviu um sermão. As palavras do pregador aqueceram o coração e ela começou a frequentar as reuniões na igreja. No último culto, foi batizada e dedicou a voz a Deus. Hoje, Yvonne tem 27 anos e é professora. Também é cantora gospel, compõe músicas para glorificar a Deus e é líder das mulheres solteiras da igreja. “Agradeço a Deus por ter me protegido nesses anos em que estive distante”, diz. “Se não fosse Sua proteção poderia estar morta.”

Ela é grata aos pais, especialmente por lhe haver ensinado valores bíblicos. Por isso, testifica a verdade que diz: “Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles” (Pv22:6, NVI). “Tenho certeza que os ensinos recebidos na minha infância por minha mãe foram muito úteis,” diz. “Mesmo quando me desviei de Deus, as palavras de minha mãe permaneceram no meu coração.”

 

Dicas da História

  • • Assista ao vídeo sobre Yvonne no Youtube: bit.ly/Sister-Yvonne.
  • • Ouça Yvonne cantar no Youtube: bit.ly/Sister-Yvonne-vídeo
  • • Fazer o download das fotos de resolução média desta história na página do Facebook: bit.ly/fb-mq. As fotos estarão disponíveis nos domingos, seis dias de a história ser apresentada.
  • • Fazer o download das fotos em alta-resolução no banco de dados na página: bit.ly/ Sister-Act-Yvonne
  • Fazer o download das fotos em alta-resolução dos projetos do trimestre no site: bit.ly/ECD-projects-2019.

 

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 4º Trimestre de 2019

Tema Geral: Esdras e Neemias

Lição 8: 16 a 23 de novembro

Autor: Luiz Gustavo Assis
Revisora: Josiéli Nóbrega
Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Deus e a aliança

O foco do nosso estudo desta semana é o décimo capítulo do livro de Neemias, em que os líderes da nação e o todo o povo de Judá entraram numa aliança com Javé, após a leitura das Escrituras, confissão de pecados e uma oração em que os levitas não só reconheceram os erros da nação ao longo da sua história mas também suplicaram o favor divino. Antes de comentarmos brevemente o conteúdo de Neemias 10, creio que seja válido explorar um pouco mais o conceito de aliança nas páginas da Bíblia Hebraica.

O que é “aliança”?

A palavra-chave para aliança no Antigo Testamento é o termo hebraico berit, que possivelmente tenha origem no termo biritu, da língua acadiana (usada na antiga Mesopotâmia), que por sua vez indica o espaço entre dois territórios ou algemas de bronze, dependendo do contexto. Ambos os significados dão a ideia de duas partes ligadas entre si. Vários tabletes cuneiformes descobertos em áreas da antiga Turquia (Anatólia) e Iraque (Mesopotâmia) descrevem a prática comum de se estabelecer alianças (ou contratos) entre indivíduos e suas famílias na administração de suas propriedades e bens. Esse tipo de aliança também é encontrado nas Escrituras, onde a palavra berit é usada na resolução da disputa por um poço entre Abraão e o rei Abimeleque de Gerar (Gn 21:22-32), para se referir a casamento (Pv 2:16, 17; Ml 2:14), e para descrever a amizade (1Sm 18:3). A expressão hebraica karat berit (lit. “cortar uma aliança”) é uma expressão idiomática muito comum em várias passagens do Antigo Testamento usadas para expressar o estabelecimento de uma aliança entre duas partes (Gn 21:27, 32; 26:28; 31:44). A origem dessa expressão idiomática pode estar relacionada à prática de sacrificar animais e cortá-los em pedaços como um aviso sobre as severas consequências de uma possível violação das responsabilidades de um contrato (Jr 34:18-20; Gn 15:17-20).

Várias passagens das Escrituras também indicam que alianças eram usadas para a administração política no antigo Oriente Médio. Um dos tipos de aliança entre governantes de reinos do antigo Oriente era o chamado “tratado de paridade”, onde as duas partes tratavam-se como iguais. Quando Acabe de Israel fez uma aliança política com Ben-Hadad de Damasco, o israelita se referiu ao arameu de Damasco como “irmão”, indicando o nível igualitário entre os dois nesse contrato (1Rs 20:32, 33). Um outro modelo de aliança muito comum na região em que a Bíblia foi escrita era aquela estabelecida quando um reino mais forte dominava um mais fraco. Quando o rei Acaz de Judá buscou a ajuda do rei assírio Tiglate-Pileser III, ele colocou a si mesmo e toda a nação sob o julgo do império Assírio (2Rs 16:7-9). Em vez de se tratarem como “irmãos”, as partes se tratavam como senhor-servo e pai-filho. Esse segundo modelo de aliança, comumente conhecido como “suserano-vassalo” é o que Deus utilizou para expressar Seu relacionamento com o povo de Israel.

Especialistas do Antigo Testamento têm estudado por décadas a estrutura das alianças entre um suserano e seus vassalos, dada à sua semelhança com o livro de Deuteronômio. Os tratados políticos que os reis do antigo Império Hitita (antiga Turquia) estabeleceram com seus vassalos durante os anos 1400-1200 a.C. tinham as seguintes seis partes: 1) título, introduzindo o nome do soberano; 2) prólogo histórico, narrando os eventos que culminaram com a aliança; 3) estipulações, contendo as obrigações e deveres que o vassalo deveria executar; 4) depósito do texto da aliança e sua leitura em voz alta como forma de perpetuar o documento; 5) introdução de testemunhas para validar aquele tratado; e 6) maldições e bênçãos que poderiam sobrevir ao vassalo em caso de desobediência ou obediência. A estrutura do livro de Deuteronômio parece seguir essa sequência de perto: 1) Título (Dt 1:1-5); 2) Prólogo histórico (Dt 1:6–3:29); 3) Estipulações (básicas, Dt 4:1–11:32; detalhadas: Dt 12–26); 4) Depósito do texto (Dt 31:9, 24-26) e sua leitura em voz alta (Dt 31:9-13); 5) Testemunhas (livro: Dt 31:26; canção: capítulo 32); 6) bênçãos (Dt 28:1-14) e maldições (Dt 28:15-68).

Com base nessas similaridades, alguns acadêmicos sugerem que Deuteronômio tenha sido escrito no 2º milênio a.C., ao contrário de um consenso acadêmico que afirma que Deuteronômio foi escrito no 7º século a.C., tendo sido altamente influenciado pelas alianças políticas do Império Neo-assírio. É importante ressaltar que esses tratados assírios, principalmente aqueles feitos pelo rei Esar-Hadom (681-667 a.C.), possuem uma organização diferente daquela encontrada nos textos hititas e em Deuteronômio. Eles seguem a seguinte ordem: 1) título; 2) testemunhas; 3) estipulações; e 4) maldições.

Embora esses textos assírios não sejam um paralelo exato do livro de Deuteronômio, a descoberta de um tablete cuneiforme contendo o texto da aliança entre o rei Esar-Hadom e o rei da cidade de Tell Tayinat (atual sul da Turquia) no “santo dos santos” do templo daquela cidade ilustra muito bem o depósito do texto da aliança de Deus com Israel no “santo dos santos” do templo israelita em Jerusalém.

Tablete cuneiforme (frente e verso) narrando a aliança do rei Esar-Hadom da Assíria com o governante da cidade de Tell Tayinat. Fonte: Jacob Lauinger, “Esarhaddon’s Sucession Treaty at Tell Tayinat: Text and Commentary”, Journal of Cuneiform Studies 64 (2012), 87-123.

Um dos templos da cidade de Tell Tayinat, com três compartimentos. A aliança entre Esar-Hadom e o governante local estava depositado no compartimento mais interno (o santíssimo) desse templo, semelhante à prática descrita nas Escrituras de depositar o texto da aliança entre Deus e Israel no lugar santíssimo, junto com a arca da aliança. Fonte: wikipedia.

Momento da descoberta do tablete cuneiforme contendo a aliança entre Esar-Hadom da Assíria e o governante da cidade de Tell Tayinat, em 2011. Fonte:

Em suma, “aliança” era algo extremamente comum na região e época em que a Bíblia foi escrita e, por ser tão praticada entre reis de nações poderosas daquela época, Deus, o Rei dos reis, revelou Seu relacionamento com o povo de Israel através de “alianças.”

A aliança dos moradores de Jerusalém com Deus em Neemias 10

Neemias 10 relata o compromisso que o povo de Judá assumiu diante de Deus após a leitura das Escrituras, confissão dos pecados e uma oração feita pelos levitas (ver capítulo 9). Em 10:29, lemos que eles “prometeram, com juramento e sob pena de maldição”, as seguintes ações:

1. Recusar casamentos mistos (10:30);

2. Praticar a verdadeira observância do sábado (10:31a);

3. Cancelamento de débitos e observância do ano sabático em favor dos necessitados (10:31b);

4. Suporte financeiro ao templo, seus serviços e para aqueles que ministravam nele (10:32-39).

Recomendo que o leitor reveja a lição de quarta-feira, em que o autor discute cada um desses compromissos que o povo firmou com Deus. Os dois primeiros serão discutidos nas próximas semanas, quando trataremos dos eventos descritos em Neemias 13. Por ora, gostaria de ponderar sobre o quarto item dessa lista, a saber, o suporte financeiro ao templo que os moradores de Jerusalém prometeram oferecer. Pelo número de versos, percebe-se que esse era um assunto de extrema importância para a nação e, por isso, creio que podemos extrair pelo menos uma aplicação desse fato para nossa vida cristã.

Ainda que Jesus tenha inaugurado uma adoração em que um templo físico não é necessário (cf. Jo 4:19-24), precisamos lembrar que Deus nos dá o privilégio de apoiar financeiramente as atividades e inciativas missionárias em nossas comunidades, seja no âmbito local, seja numa geografia mais ampla. Por meio dos nossos dízimos, estamos mantendo homens e mulheres no serviço nobre de ensinar as Escrituras para aqueles que ainda não conhecem a Deus. É bem provável que existam pastores que não fazem jus ao salário que recebem. Quanto a esses, Deus tem um acerto de contas marcado com cada um, como Ele fez com vários sacerdotes hipócritas no Antigo Testamento (cf. Lv 10; 1Sm 2:12-36; Os 4:6). Mas devemos nos lembrar principalmente daqueles servos de Deus que acordam de madrugada e oram pelos membros de suas igrejas, visitam os enfermos e necessitados da congregação, passam horas preparando seus sermões para alimentar suas comunidades, e são incansáveis para servir aqueles a quem Deus colocou aos seus cuidados. Quem sabe você esteja sendo abençoado(a) por um pastor assim na sua igreja. Lembre-se de que esse pastor só está ali por causa do suporte financeiro de muitos adventistas ao redor do Brasil e do mundo. Ao contribuirmos financeiramente com a obra de Deus, estamos garantindo que milhares de pessoas ao redor do Brasil e do mundo também tenham a mesma bênção.

Conheça o autor dos comentários: Luiz Gustavo Assis serviu como pastor distrital no Rio Grande do Sul por cinco anos e meio. Em 2013, continuou seus estudos acadêmicos nos Estados Unidos. Ele possui um mestrado em arqueologia do Antigo Oriente e línguas semíticas pela Trinity Evangelical Divinity School (Deerfield, IL), e atualmente está no meio do seu programa doutoral em Antigo Testamento no Boston College (Newton, MA). É casado com Marina Garner Assis, que por sua vez faz seu doutorado em filosofia da religião na Boston University. Juntos eles têm um filho, Isaac Garner Assis.