Lição 12
11 a 17 de dezembro
Deuteronômio no Novo Testamento
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Filemom
Verso para memorizar: “Está escrito: ‘O ser humano não viverá só de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’” (Mt 4:4).
Leituras da semana: Mt 4:1-11; Dt 8:3; At 10:34; Gl 3:1-14; At 7:37; Hb 10:28-31

O NT está repleto de referências ao AT. Ou seja, os escritores inspirados do NT citaram os escritores inspirados do AT como fonte de autoridade. O próprio Jesus disse: “Está escrito” (Mt 4:4), significando o seguinte: “Está escrito no AT”; e Ele disse: “para que se cumprissem as Escrituras” (Mc 14:49), isto é, as Escrituras do AT. E quando Jesus encontrou dois discípulos no caminho de Emaús, em vez de fazer um milagre para mostrar quem Ele era, “explicou-lhes o que constava a respeito Dele em todas as Escrituras” (Lc 24:27).

Seja usando citações diretas do AT, ou alusões, ou referências a histórias ou profecias, os escritores do NT constantemente usaram o AT para apoiar, e até mesmo justificar, suas afirmações.

Entre os livros frequentemente citados ou mencionados está Deuteronômio (junto com Salmos e Isaías). Mateus, Marcos, Lucas, Atos, João, Romanos, Gálatas, 1 e 2 Coríntios, Hebreus, as epístolas pastorais de Paulo e o Apocalipse remontam a Deuteronômio.

Nesta semana, examinaremos alguns desses casos e veremos quais verdades presentes podemos extrair deles.

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Domingo, 12 de dezembro
Ano Bíblico: Hb 1-3
Está escrito

1. Leia Mateus 4:1-11. Como Jesus respondeu às tentações de Satanás no deserto e qual é a lição importante para nós em Sua resposta?

Jesus não discutiu com Satanás nem o rebateu. Ele simplesmente citou as Escrituras, pois a Palavra de Deus é “viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes” (Hb 4:12). Em cada caso, a palavra que Ele citou era de Deuteronômio. É interessante que Jesus, no deserto, tenha escolhido citar textos que foram dados a Israel também no deserto.

Na primeira tentação, Jesus Se referiu a Deuteronômio 8:3. Moisés contava ao antigo Israel como o Senhor havia provido para ele no deserto o maná e outros recursos, como parte de um processo de refinamento, enquanto procurava ensinar-lhe lições espirituais. Uma dessas lições é que “o ser humano não viverá só de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:4). O Senhor lhe deu alimento físico, mas também o espiritual. Não se pode pegar apenas o primeiro sem o segundo. Jesus usou a imagem do pão como transição para Deuteronômio e para repreender Satanás e a dúvida que ele tentou despertar.

Na segunda tentação, Jesus citou Deuteronômio 6:16, em que Moisés falava ao povo da rebelião em Massá (Êx 17:1-7): “Não ponham à prova o Senhor, seu Deus, como o fizeram em Massá”. A expressão “pôr à prova” pode significar “tentar” ou “testar”. O Senhor já havia mostrado, repetidamente, Seu poder e disposição para lhes prover; ainda assim, quando houve o problema, eles clamaram: “Está o Senhor no meio de nós ou não?” (Êx 17:7). Jesus utilizou essa história para repreender Satanás.

Na terceira tentação, Satanás procurou fazer com que Cristo Se curvasse e o adorasse. Que revelação aberta e flagrante de quem ele realmente é e do que realmente queria! Em vez de debater, Jesus repreendeu Satanás e novamente voltou-Se à Palavra de Deus, em Deuteronômio, em que o Senhor alertava Seu povo sobre o que aconteceria caso se afastasse e adorasse outros deuses. “Temam o Senhor, seu Deus, sirvam a Ele e jurem somente pelo nome Dele” (Dt 6:13).

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Como podemos extrair mais poder para nossa vida do estudo da Bíblia, a fim de refletirmos mais plenamente o caráter de Jesus e, como Ele, resistir às tentações do inimigo?
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Segunda-feira, 13 de dezembro
Ano Bíblico: Hb 4-6
Levantando rostos

Em Deuteronômio 10, Moisés (novamente) recontava a história de Israel e (mais uma vez) usou esses relatos para admoestar seu povo à fidelidade. Em meio a essa advertência, ele disse algo mais.

2. Leia Deuteronômio 10:17-19. Qual é a mensagem essencial para o povo, e por que ela é relevante para a igreja de Deus hoje?

A frase “não trata as pessoas com parcialidade” é traduzida de uma figura hebraica de linguagem que significa literalmente “não levantar rostos”. Acredita-se que a expressão tenha se originado em um cenário jurídico em que o juiz ou rei via o rosto da pessoa no julgamento e, com base na condição dela (importante ou insignificante), dava o veredito. O que está subjacente nessa passagem é que o Senhor não trata as pessoas dessa maneira, apesar de Sua grandeza e poder. Ele é justo com todos, independentemente da posição social. Essa verdade foi revelada na vida de Jesus e em Seu modo de tratar até mesmo os mais desprezados na sociedade.

3. Leia Atos 10:34, Romanos 2:11, Gálatas 2:6, Efésios 6:9, Colossenses 3:25 e 1 Pedro 1:17. Como esses textos usam Deuteronômio 10:17?

Por mais variadas que sejam as circunstâncias em cada uma dessas referências (em Efésios, Paulo disse aos senhores para que fossem cuidadosos na maneira de tratar seus escravos; em Romanos, Paulo falou que, em relação à salvação e condenação, não há diferença entre judeus e gentios), todas elas remontam a Deuteronômio e à ideia de que Deus “não levanta rostos”. E se o “Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível” não o faz, então não faremos.

Em Romanos, vemos uma revelação do evangelho: estamos todos no mesmo nível, independentemente da nossa condição. Somos pecadores que precisam da graça de Deus. A boa notícia é que, não importa nossa posição, somos salvos em Cristo.

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Quantas vezes, mesmo sutilmente, você “levanta rostos”? Por que a cruz nos mostra quão pecaminosa é essa atitude?
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Terça-feira, 14 de dezembro
Ano Bíblico: Hb 7-9
Amaldiçoado em um madeiro

4. O que Paulo disse que é relevante para nós, e como ele usou Deuteronômio 27:26 e 21:22, 23 em seu argumento? Gl 3:1-14

Infelizmente, é comum se usar Gálatas como um tipo de justificativa para não guardar os Dez Mandamentos. Esse argumento é usado como razão para não guardar o quarto mandamento, como se guardar aquele, em oposição aos outros nove, fosse de alguma forma uma expressão do legalismo do qual Paulo tratou nessa passagem.

No entanto, o apóstolo não estava falando contra a lei, e certamente nada nesse texto poderia justificar a quebra do sábado. A chave encontra- se em Gálatas 3:10, em que ele escreveu que “todos os que são das obras da lei estão debaixo de maldição”, e então citou Deuteronômio 27:26. A questão não é obediência à lei, mas “confiar na lei”, uma posição difícil, se não impossível, para seres caídos como nós.

O que Paulo quis dizer é que não somos salvos pelas obras da lei, mas pela morte de Cristo em nosso lugar, a qual nos é creditada pela fé. Sua ênfase é o que Cristo fez por nós, na cruz. Para destacar esse ponto, ele se referiu a Deuteronômio 21:23. Como Jesus, Paulo disse: “Está escrito”, mostrando a autoridade do AT, e citou um texto que trata de alguém que, tendo cometido um crime capital e sido executado por isso, foi então pendurado em um madeiro, talvez para servir de exemplo.

Paulo, porém, usou isso como símbolo para a morte substitutiva de Cristo por nós: Cristo Se tornou “maldição em nosso lugar” porque enfrentou a maldição da lei; isto é, a morte que todos enfrentaríamos, pois transgredimos a lei. Porém, as boas-novas do evangelho dizem que a maldição que deveria ter sido nossa tornou-se Dele, na cruz, “a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido” (Gl 3:14).

“Ninguém, a não ser Cristo, poderia redimir da maldição da lei o homem decaído e levá-lo novamente à harmonia com o Céu. Cristo tomaria sobre Si a culpa e a humilhação do pecado, tão ofensivo para um Deus santo que deveria separar entre Si o Pai e o Filho” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 63).

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Pense no que você enfrentaria se recebesse a punição justa por seus erros. No entanto, visto que Cristo suportou a punição por seus erros em Si mesmo, de forma que você não precisa fazê-lo, qual deve ser sua resposta ao Seu sacrifício?
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Quarta-feira, 15 de dezembro
Ano Bíblico: Hb 10, 11
Um Profeta semelhante a você

Repetidamente, o Senhor advertiu Israel a não seguir as práticas das nações vizinhas. Ao contrário, ele deveria testemunhar a essas nações (Dt 4:6-8). Em Deuteronômio 18:9-14, Moisés outra vez o advertiu sobre práticas específicas que eram “abominação ao Senhor” (Dt 18:12). Nesse contexto, ele disse que os israelitas deviam ser “perfeitos para com o Senhor, seu Deus” (Dt 18:13).

5. Leia Deuteronômio 18:15-19. O que Moisés disse? Em seguida, compare sua fala com Atos 3:22 e 7:37. Como Pedro e Estêvão aplicam Deuteronômio 18:18?

Em referência à aliança no Sinai, Moisés falou de como os filhos de Israel, na revelação da lei de Deus (Êx 20:18-21), queriam que o servo de Deus fosse um mediador, um intercessor entre eles e o Senhor. Então Moisés lhes prometeu, duas vezes (Dt 18:15, 18), que o Senhor levantaria um profeta como ele, e que esse profeta, como Moisés, seria, entre outras coisas, também um intercessor entre o povo e o Senhor.

Muitos séculos depois, Pedro e Estêvão citaram o texto em referência a Jesus. Para Pedro, Jesus era o cumprimento do que havia sido falado pela “boca dos Seus santos profetas desde a antiguidade” (At 3:21), e os líderes deveriam obedecer às Suas palavras. Ou seja, Pedro usou esse texto, que os judeus conheciam, e o aplicou a Jesus, com a ideia de que eles precisavam se arrepender pelo que tinham feito a Ele (At 3:19).

Em seguida, em Atos 7:37, Estêvão, embora em um contexto diferente do de Pedro, também se referiu a essa famosa promessa e afirmou que ela apontava para Jesus. Ele quis dizer que Moisés, em seu papel na história como líder dos judeus, havia prefigurado Jesus. Assim como Pedro, Estêvão mostrou ao povo que Cristo Jesus era o cumprimento de uma profecia e que eles precisavam ouvi-Lo. Ao contrário da acusação feita pelos judeus contra Estêvão, de que ele estava falando “blasfêmias contra Moisés e contra Deus” (At 6:11), o servo de Deus proclamou o Senhor Jesus como Messias, cumprimento direto do que Deus havia prometido por meio da profecia de Moisés.

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Como esses versos nos mostram a centralidade de Jesus em toda a Bíblia, e por que todo o nosso entendimento dela deve ser centrado em Cristo?
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Quinta-feira, 16 de dezembro
Ano Bíblico: Hb 12, 13
Horrível coisa

O livro de Hebreus, em sua profundidade e sublimidade, em muitos aspectos, surgiu como uma longa exortação aos crentes judeus. E essa exortação foi: Permaneçam fiéis ao Senhor!

Essa fidelidade, é claro, deve originar-se de nosso amor a Deus, por quem Ele é e por Seu caráter e Sua bondade, mais poderosamente expressos na cruz de Cristo. Às vezes, porém, o ser humano precisa ser lembrado das terríveis consequências da infidelidade. Ou seja, precisamos lembrar que, se não aceitarmos o que Jesus fez por nós ao pagar a dívida pelos nossos pecados, teremos que pagá-la nós mesmos, e isso significa “choro e ranger de dentes” (Mt 22:13) seguidos da destruição eterna.

6. Leia Hebreus 10:28-31. O que Paulo disse e como isso se aplica a nós?

Para exortar os crentes judeus a continuar fiéis a Deus, Paulo citou uma exortação anterior aos israelitas para que permanecessem fiéis. O texto usado foi o de Deuteronômio 17:6, em que está escrito que alguém considerado digno de morte sofreria essa pena somente depois que pelo menos duas pessoas testemunhassem contra ele.

Paulo fez isso para deixar claro que, se a infidelidade podia levar à morte sob a antiga aliança, “quanto mais severo deve ser o castigo daquele que pisou o Filho de Deus, profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado e insultou o Espírito da graça”? (Hb 10:29). Em outras palavras, você tem mais luz e mais verdade do que eles e sabe sobre o sacrifício do Filho de Deus por seus pecados; assim, se você rejeitar isso, sua condenação será maior do que a deles.

Então Paulo voltou a Deuteronômio 32:35 para apoiar seu argumento. Considerando o que eles receberam em Cristo e seu conhecimento da grande provisão feita, o Senhor, que disse: “a Mim pertence a vingança”, Ele mesmo “julgará o Seu povo” (Hb 10:30) por sua apostasia e infidelidade. Afinal, Deus havia julgado seus antepassados, que não tiveram o que esses judeus do NT tinham, a revelação mais completa do amor divino demonstrado na cruz. Assim, basicamente, Paulo estava dizendo: Estejam avisados!

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“O Senhor fará justiça ao Seu povo” (Dt 32:36). Qual é a nossa única esperança nesse julgamento (veja Rm 8:1)?
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Sexta-feira, 17 de dezembro
Ano Bíblico: Tiago
Estudo adicional

Assim como o AT cita a si mesmo, o NT está repleto de citações diretas, referências e alusões ao AT. Salmos, Isaías e Deuteronômio estão entre os mais utilizados. Várias vezes os escritores do NT citaram o que é conhecido como a Septuaginta (LXX), chamada de “Antigo Testamento grego”, a mais antiga tradução grega conhecida da Bíblia hebraica. Os primeiros cinco livros da Bíblia, conhecidos como Torá ou Pentateuco, foram traduzidos no 3o século a.C., e o restante do AT por volta do 2o século a.C.

Pode-se aprender muito, também, de como interpretar a Bíblia pela forma com que os escritores inspirados do NT usaram o AT. E uma das primeiras lições que podemos aprender é que, ao contrário do que dizem muitos eruditos, os escritores do NT nunca levantaram nenhuma questão sobre a autenticidade ou autoridade dos livros do AT. Nada em seus escritos revelou, por exemplo, dúvida sobre a historicidade dos relatos do AT, desde a existência de Adão e Eva, a queda, o dilúvio, o chamado de Abraão e assim por diante. A “erudição” que questiona essas coisas é apenas ceticismo humano e não deve ter lugar no coração nem na mente dos adventistas do sétimo dia.

Perguntas para consideração

1. Levando em conta toda a luz que recebemos como adventistas do sétimo dia, o que isso nos ensina sobre a grande responsabilidade de sermos fiéis às verdades que nos foram confiadas?

2. Leia Deuteronômio 18:9-14. Que manifestações modernas dessas “abominações ao Senhor” existem, e como podemos ter certeza de que as evitamos?

3. Por que os cristãos, que entendem a aplicação universal da morte de Cristo na cruz, nunca deveriam “levantar rostos” (veja o estudo de segunda- feira)? Como podemos reconhecer em nós essa tendência? Como a cruz pode nos curar dessa atitude errada?

Respostas e atividades da semana: 1. Está escrito. É importante conhecer as Escrituras. 2. O Senhor é imparcial. Assim devemos ser também. 3. Falam da imparcialidade de Deus. Todos citam o princípio de Deuteronômio. 4. Paulo falou da justificação pela fé. Ele citou o AT. Cristo Se tornou “maldição em nosso lugar” porque enfrentou a maldição da lei. 5. Que Deus chamaria um Profeta dentre o povo. O texto foi aplicado a Jesus, nosso Intercessor. 6. Exortou a não rejeitarmos o sacrifício de Cristo na cruz.

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Resumo da Lição 12
Deuteronômio no Novo Testamento

TEXTO-CHAVE: Mt 4:4

FOCO DO ESTUDO: Mt 4:1-11 (compare com Dt 8:3); Gl 3:1-14 (compare com Dt 27:22-26); At 3:22 (compare com Dt 18:15-19); Hb 10:28-31 (compare com Dt 17:2-6); Dt 19:15; 32:35, 36

ESBOÇO

O livro de Deuteronômio é um dos quatro livros do AT citados com mais frequência no NT (Gênesis, Deuteronômio, Salmos e Isaías). Segundo os estudiosos da Bíblia, Deuteronômio é o livro que Jesus mais citou, principalmente nos momentos cruciais de Sua missão messiânica. A razão para a popularidade desse livro tem a ver com seu estilo de sermão, seu tom pedagógico e seu ensino teológico. Moisés não apenas citou as leis, mas comentou sobre elas e trouxe seu conteúdo teológico e intenção profunda com o propósito de aplicá-las à vida dos israelitas.

Deuteronômio contém ensinamentos que se tornaram os fundamentos teológicos da fé cristã. Vemos nele a tensão teológica entre o rigor da lei e as boas-novas da graça divina. Foi de Deuteronômio que Paulo extraiu a ideia de que a lei revela o pecado (Rm 7: 7) e de que a justiça é somente pela fé em Cristo (Rm 1:17; 10:6, 8, 17; compare com Dt 30:12-14); desse livro também deriva a esperança de que o povo de Deus se uniria aos gentios (Rm 15:10; leia Dt 32:43). É por isso que o livro de Deuteronômio foi comparado ao livro de Romanos no NT. O estudo desta semana apresenta o lugar e o significado do livro de Deuteronômio no NT.

Temas da lição

• Está escrito: Jesus usa a Palavra de Deus.

• Viva pela Palavra: lição profunda sobre onde os humanos encontram a fonte de vida e existência.

• Lei e graça: como o NT usa Deuteronômio para explicar a lei e a graça.

• Um Profeta como eu: Jesus apontou de volta para Deuteronômio, que havia apontado para Seu futuro ministério.

COMENTÁRIO

O estudo de Deuteronômio, da perspectiva do NT, oferece uma teologia abrangente e equilibrada. Com ele, aprenderemos sobre a necessidade da Palavra, pela qual devemos viver, apreciaremos o valor do princípio do “Está escrito”, compreenderemos melhor a interação entre lei e graça e, assim, ajustaremos nosso relacionamento com o Deus de justiça e amor e creremos nas profecias messiânicas.

Está escrito

O fato de Jesus usar a expressão “Está escrito” (Mt 4:4) para introduzir Sua citação de Deuteronômio indica que, para Ele, esse livro pertence ao repertório das Escrituras inspiradas. Essa é uma expressão técnica usada na época do AT (Js 1:8; 1Rs 2:3; Ne 10:34, etc.) e do NT (Mc 9:13; At 1:20; 1Co 1:19) para se referir à autoridade das Escrituras. A forma passiva do verbo tem a intenção gramatical de implicar o sujeito divino por trás desses escritos.

É interessante que não apenas Jesus, mas também Satanás se referem às Escrituras inspiradas, e ambos usam o convencional “Está escrito” para introduzir suas citações. Entretanto, apenas Jesus aponta para Deus, Satanás não. O diabo se concentra apenas no milagre, mas Deus não é importante em sua teologia. Jesus, por outro lado, concentra-Se em Deus, a quem devemos adorar (Mt 4:10), pois é possível conhecer bem as Escrituras e citá-las o tempo todo e ainda ignorar ou mesmo rejeitar o Deus que as inspirou.

Viva pela Palavra

Quando, no fim dos 40 dias de jejum no deserto, Jesus foi tentado por Satanás a transformar pedras em pão, uma alusão ao milagre do maná, Ele citou uma linha de Deuteronômio, em que Moisés disse a Israel ao fim de seus 40 anos no deserto: “O ser humano não viverá só de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:4; ver Dt 8:3). Esse verso se refere à Palavra de Deus, segundo a tradução grega (Septuaginta), que é citada no NT grego. Contudo, o texto hebraico implica mais do que as palavras que saem da boca de Deus. O texto hebraico diz literalmente: “O homem viverá de tudo o que sair da boca de Deus” (Dt 8:3; compare com a tradução de Robert Alter; compare com a versão JPS).

O verso hebraico alude também à criação dos seres humanos por Deus (Gn 2:7). Moisés estava enfatizando que é da boca de Deus, não do pão, que os humanos recebem a vida. Era importante que os israelitas entendessem essa lição. Mal-acostumados com o maná que caía regular e seguramente em seu solo, os israelitas se habituaram a essa provisão natural e podem ter, de fato, esquecido de que ela vinha de Deus. Jesus lembrou a Satanás que mesmo o poder do milagre não era a questão, mas a própria Pessoa de Deus.

Lei e graça

Como no livro de Deuteronômio, o apóstolo Paulo defende tanto a lei quanto a graça, embora também advirta contra a má compreensão desses dois princípios. Quando Paulo discutiu a maldição de Deuteronômio contra aqueles que observam a lei (Gl 3:10; compare com Dt 27:26), ele insistiu em dizer que não é a lei, por si só, que salvará os crentes. Aos gálatas, Paulo argumentou que eles não deveriam confiar na lei para a salvação, pois o rigor da lei na verdade os tornava dignos de morte. O esforço humano para obedecer à lei está fadado ao fracasso e, portanto, torna a maldição efetiva. Ainda assim, aprofunda Paulo, “aquele que observar os seus preceitos por eles viverá” (Gl 3:12), referindo-se às leis de Moisés (Dt 4:1; compare com Lv 18:5).

A razão desse paradoxo reside não só no valor da lei, mas também na fé na graça divina: “O justo viverá pela fé” (Gl 3:11), princípio retirado de Gênesis 15:6. Paulo explica essa “contradição” e dá a chave para ela: “Cristo nos resgatou da maldição da lei” (Gl 3:13) que está ligada à transgressão da lei. que está ligada à transgressão da lei. Paulo não promove a rejeição da lei; ao contrário, ele reforça a necessidade da lei. Embora vivamos por ela, é precisamente essa vida de fidelidade que nos levará à fé em Jesus Cristo, que morreu devido ao fracasso do pecador. Mas somos obrigados a sofrer a maldição por confiar apenas em nossas obras da lei, excluindo a dimensão da misericórdia (Hb 10:28; compare com Dt 17:2-6; 19:15; Hb 10:30; compare com Dt 32:35, 36). Assim, será ainda pior se ignorarmos a misericórdia divina e rejeitarmos, ou “insultarmos”, o Espírito da graça que Se manifestou na cruz (Hb 10:29).

Um Profeta como eu

Quando, sob inspiração, Moisés predisse a vinda de um Profeta semelhante a ele (Dt 18:15-19), ele não estava apenas se referindo à futura vinda dos profetas em geral. Houve profetas antes de Moisés (Gn 20:7; 37:5-9; Nm 11:25). Moisés tinha em mente o futuro Messias, assim como os profetas posteriores previram Sua vinda. Observe que a mesma expressão, “levantarei um Profeta”, foi usada em outras partes do AT para descrever a vinda do Messias, aludindo à profecia anterior de Moisés (2Sm 7:12). Então, quando Jesus veio e realizou o milagre extraordinário da multiplicação dos pães, os judeus imediatamente se lembraram do milagre do maná e pensaram que o profeta semelhante a Moisés havia chegado (Jo 6:14). Não é de admirar que Pedro e Estêvão, que sabiam dessa profecia messiânica, a usaram como argumento para convencer os judeus daquela época que ainda esperavam um profeta como Moisés (At 3:22, 23).

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Como você aplica as Escrituras?

Considere os seguintes casos em que as pessoas podem conhecer bem as Escrituras, sem, contudo, levar a sério sua natureza inspirada:

• Aplicação hermenêutica. Algumas pessoas podem questionar a verdade histórica, ética e teológica do texto e/ou interpretar as Escrituras do ponto de vista de seus pressupostos culturais (teorias evolucionistas, pressão social e política, etc.). Qual é o perigo para a fé de alguém com esse modo de pensar? Qual é a solução?

• Aplicação existencial. Para alguns, as Escrituras não impactam sua vida pessoal e profissional, como se o Deus das Escrituras (AT e NT) fosse apenas um Deus de outra época e que nada tem a ver com seu cotidiano. Como o pensador existencial pode tornar as Escrituras e Deus mais pessoais?

Como você observa as leis bíblicas?

• O sábado. O que você pode fazer a fim de se preparar para a chegada do sábado desde o início da semana, de modo a viver esse dia como um momento de alegria e um presente de Deus para você, não como uma tarefa árdua?

• O dízimo. Você reclama quando tem que reservar parte do seu salário para Deus? Para você, o que é o dízimo? O que você pode fazer para reformular sua atitude em relação ao dízimo?

Como você entende as profecias messiânicas?

Comente com a classe as seguintes respostas:

• Como predições reais que foram entendidas como tais pelo profeta que as proferiu.

• Como reflexões que se aplicam apenas à situação contemporânea.

• Como profecias com dupla aplicação (contemporânea e futura) e reinterpretadas pelos escritores do NT.


Uma igreja no vilarejo

A história de hoje é sobre Xiu-yue, uma senhora indígena de 68 anos de idade do norte de Taiwan, refletindo a realidade do povo indígena em Taiwan. Há três anos, parte da oferta trimestral ajudou a espalhar o evangelho entre o povo indígena. Neste trimestre, a oferta ajudará a abrir três centros urbanos de influência destinado ao povo indígena e outros cidadãos de Taiwan. Obrigado por apoiar a espalhar o evangelho nesse país.

Eu não tenho um carro. Eu não sei dirigir uma moto ou uma bicicleta. A única forma de ir à igreja aos sábados é usando o taxi. Porém, minhas saídas de casa nesse dia causaram grandes problemas no meu casamento. Meu esposo, que não é adventista, ficava irritado quando eu o deixava para participar do culto na igreja da minha cidade natal.

Morávamos em uma cidade, grande sem uma adventista, no norte de Taiwan. Essa cidade natal ficava em uma montanha a alguma distância. Meu marido estava doente e não queria ir comigo. Ele também não queria ficar em casa. Certo sábado, quando voltei para casa e lhe ofereci o almoço, ele jogou a comida no chão. “Você só se importa com esta igreja!”, gritou. “Você nem se importa se eu vou viver ou morrer!” Eu me importava sobre a igreja, mas também me importava com meu esposo. Eu não sabia o que fazer. Parecia que sempre que procurava ser fiel ao Senhor, era atacada pelo inimigo.

Meu filho ficou gravemente ferido em um acidente de carro enquanto estava no serviço militar obrigatório. Saí de casa para cuidar dele e, enquanto estava com meu filho, o marido faleceu repentinamente. Senti-me responsável pela sua morte, porque poderia ter lhe ajudado se estivesse em casa. O luto me dominou e, por um mês, senti que não conseguia orar ou ler a Bíblia. Entretanto, lentamente, percebi que Deus estava no controle e tinha um lindo plano para mim.

Também vi que Deus tinha um plano maravilhoso para nossa igreja. Precisávamos de reformas na igreja e estimamos que o custo seria de 100 mil novos dólares taiwaneses (cerca de $3.550). Era uma quantia muito grande para os moradores, membros do grupo indígena Atayal.

Nosso trabalho de reforma teve vários problemas. Primeiro, uma senhora da igreja foi levada ao hospital após um acidente, e perdemos dois valorosos trabalhadores voluntários — ela e seu esposo — em um único dia. Então o único funcionário contratado, que não era membro da igreja, desmaiou de insolação. Felizmente, ele acordou após alguns minutos e, dizendo que estava bem, voltou ao trabalho. Depois disso, meu irmão se sentiu desanimado, preocupado que tivéssemos calculado mal os custos do projeto.

“Nunca conseguiremos cobrir os custos”, ele disse. Incentivei-o a confiar em Deus continuar trabalhando. Naquele ponto, um homem que era membro de outra denominação passou em frente à construção da nossa igreja. Ele parou e ofereceu ajuda com o trabalho da reforma. “A vida é muito curta para impedir um cristão de outra denominação de trabalhar para Deus”, disse ele. Então, ao anoitecer, ele entregou um pacote, e disse: “Quero fazer uma doação.”

Fiquei surpresa, ao descobrir um maço de cédulas com a enorme soma de seis mil novos dólares taiwaneses (aproximadamente $215). Quando o funcionário contratado soube a respeito da doação, ficou tão sensibilizado que informou que não queria ser pago pelo trabalho. “Quero trabalhar para a igreja gratuitamente”, disse. Ao testemunhar tudo isso, meu irmão ganhou confiança em nossos esforços e louvou ao Senhor.

Após seis anos, a reforma da igreja ainda não está completa, mas creio que Deus Se preocupa com Sua igreja e as necessidades do Seu povo. Ele sempre está. Continue orando por nós!

Informações adicionais

• Pronúncia de Xiu-yue: (“zi” é pronunciado comum “i” breve como em “zip”).

• Faça o download das fotos no Facebook: bit.ly/fb-mq.

• Para mais notícias sobre o Informativo Mundial e outras informações sobre a Divisão do Pacífico Norte-Asiático, acesse: bit.ly/nsd-2021.

 

 

Esta história ilustra os componentes seguintes do plano estratégico da !greja Adventista, “I Will Go”: Objetivo de Crescimento Espiritual nº 1 – “reavivar o conceito de missão mundial e sacrifício pela missão como um estilo de vida que envolva não apenas os pastores, mas todos os membros da igreja, jovens e idosos, na alegria de testemunhar por Cristo e de fazer discípulos”; e Objetivo de Crescimento Espiritual nº 2 – “fortalecer e diversificar o alcance dos adventistas nas grandes cidades”. Conheça mais sobre o plano estratégico em IWillGo2020.org.


Olá, lamentamos não ter esse conteúdo disponível no momento. Em breve um novo recurso de estudos para você.