Lição 10
02 a 09 de dezembro
Filhos da promessa
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Ef 1–3
Verso para memorizar: “Logo, tem Ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem Lhe apraz” (Rm 9:18).
Leituras da semana: Rm 9

Como está escrito: ‘Amei Jacó, mas rejeitei Esaú’ […]. Pois Ele diz a Moisés: ‘Terei misericórdia […] e terei compaixão de quem Eu quiser ter compaixão’” (Rm 9:13, 15; NVI).

Sobre o que Paulo estava falando nessa passagem? E quanto ao livre-arbítrio ou liberdade de escolha do ser humano, sem o qual muito pouco do que acreditamos faz sentido? Não somos livres para escolher Deus ou rejeitá-Lo? Ou será que esses versículos ensinam que certas pessoas são eleitas para ser salvas e outras para se perder, independentemente de suas próprias escolhas?

Como de costume, encontramos a resposta quando observamos o quadro mais amplo do que Paulo estava dizendo. Em sua linha de argumentação, o apóstolo tentava mostrar o direito divino de escolher aqueles que Ele usaria como Seus “eleitos”. Afinal, se Deus é o responsável máximo por evangelizar o mundo, por que Ele não pode escolher como Seus agentes quem Ele quiser? Visto que Ele não exclui ninguém da oportunidade de salvação, essa ação de Sua parte não é contrária aos princípios do livre-arbítrio. Ainda mais importante, não é contrária à grande verdade de que Cristo morreu por toda a humanidade e Seu desejo é que todos sejam salvos.

Desde que lembremos de que Romanos 9 não trata da salvação pessoal dos que são mencionados nesse capítulo, mas do chamado deles para realizar determinada obra, o capítulo não apresenta dificuldades.

Domingo, 03 de dezembro
Ano Bíblico: Ef 4–6
O fardo de Paulo

Vós Me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Êx 19:6).

Deus precisava de um povo missionário para evangelizar um mundo mergulhado no paganismo, escuridão e idolatria. Ele escolheu os israelitas e Se revelou a eles. Seu plano era que eles se tornassem uma nação-modelo e, assim, atraíssem outros para o verdadeiro Deus. O propósito de Deus era que, pela revelação de Seu caráter por meio de Israel, o mundo fosse atraído a Ele. Mediante o ensino do serviço sacrifical, Cristo deveria ser exaltado diante das nações, e todos os que olhassem para Ele viveriam. À medida que os israelitas crescessem em número e suas bênçãos aumentassem, eles deveriam ampliar suas fronteiras até que o reino de Israel envolvesse todo o mundo.

1. Leia Romanos 9:1-12. Qual é o argumento de Paulo sobre a fidelidade de Deus em meio às falhas humanas?

A linha de argumentação de Paulo revela que a promessa feita a Israel não tinha falhado completamente. Existia um remanescente por meio do qual Deus ainda pretendia trabalhar. A fim de validar a ideia do remanescente, Paulo recorreu à história israelita. Ele mostrou que Deus sempre foi seletivo: (1) o Senhor não escolheu toda a semente de Abraão para ser Seu povo da aliança, somente a linhagem de Isaque; (2) Ele não escolheu todos os descendentes de Isaque, somente os de Jacó.

É igualmente importante perceber que nem herança nacional nem descendência garantem a salvação. Você pode ser do “sangue certo”, da família certa, até mesmo da igreja certa, e ainda assim estar perdido, “fora” da promessa. É a fé que atua pelo amor que revela quem são os “filhos da promessa” (Rm 9:8).

“Nem todos os de Israel são, de fato, israelitas” (Rm 9:6). O que esse texto diz aos cristãos de hoje, que têm um papel semelhante ao dos antigos israelitas?
No dia 16 de dezembro será o encerramento do Mutirão de Natal. Ajude sua igreja a tornar sua cidade mais humana!
Segunda-feira, 04 de dezembro
Ano Bíblico: Filipenses
Eleitos

Já fora dito a ela [Rebeca]: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú” (Rm 9:12, 13).

Conforme afirmamos na introdução desta semana, é impossível entender corretamente Romanos 9 até que se reconheça que Paulo não estava falando da salvação individual, mas sim de funções específicas às quais Deus estava chamando certos indivíduos a desempenhar. O Senhor desejava que Jacó fosse o progenitor do povo que seria Seu agente evangelizador especial no mundo. Nada sugere, nessa passagem, que Esaú não pudesse ser salvo. Deus queria que ele fosse salvo tanto quanto deseja que todos os seres humanos sejam redimidos.

2. Leia Romanos 9:14, 15. Como entendemos essas palavras no contexto do que temos estudado? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Deus tinha em mente a função desempenhada por certos indivíduos.

B.( ) Deus se referia à salvação de cada ser humano.

Novamente, Paulo não estava se referindo à salvação individual, pois nessa área Deus estende Sua misericórdia a todos, pois Ele “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2:4). “A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tt 2:11). Mas Deus pode escolher nações para desempenhar funções, e embora elas possam se recusar a desempenhar essas funções, não podem impedir a escolha de Deus. Por mais que Esaú quisesse, ele não poderia ter se tornado o progenitor do Messias nem do povo escolhido.

No final, Esaú não foi excluído da salvação por uma escolha arbitrária de Deus, nem por algum decreto divino. Os dons de Sua graça mediante Cristo são gratuitos a todos. Todos fomos eleitos para a salvação, não para a perdição (Ef 1:4, 5; 2Pe 1:10). São nossas escolhas, não as de Deus, que nos afastam da promessa de vida eterna em Cristo. Jesus morreu por todos os seres humanos. No entanto, Deus estabeleceu em Sua Palavra a condição pela qual cada pessoa será eleita para a vida eterna: a fé em Cristo, que leva o pecador justificado à obediência.

Como se ninguém mais existisse, você foi escolhido em Cristo, antes da fundação do mundo, para ser salvo. Essa é sua vocação e eleição, concedidas por Deus mediante Jesus. Por que todas as outras coisas perdem a importância em comparação com essa promessa? Por que seria a maior tragédia deixar o pecado, o eu e a carne tirarem de você tudo o que lhe foi prometido em Jesus?
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Terça-feira, 05 de dezembro
Ano Bíblico: Colossenses
Mistérios

Os Meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os Meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a Terra, assim são os Meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os Meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55:8, 9).

3. Leia Romanos 9:17-24. Considerando o que temos lido até agora, como devemos entender o argumento de Paulo nesse texto?

Por Sua maneira de lidar com o Egito na época do Êxodo, Deus estava trabalhando em prol da salvação da humanidade. Ao revelar a Si mesmo nas pragas do Egito e na libertação de Seu povo, o Senhor tinha o propósito de mostrar aos egípcios, bem como às outras nações, que o Deus de Israel era, de fato, a verdadeira divindade. O objetivo dessa revelação era fazer com que os povos e as nações abandonassem seus deuses e adorassem o Senhor.

Obviamente, Faraó já havia feito sua escolha em oposição a Deus, de modo que, ao endurecer seu coração, Deus não o estava excluindo da oportunidade de salvação. O “endurecimento” foi contra o apelo de libertar Israel, não contra o apelo de Deus para que Faraó aceitasse a salvação pessoal. Cristo morreu por Faraó assim como por Moisés, Arão e os demais filhos de Israel.

A questão fundamental é que, como seres humanos caídos, temos uma visão muito estreita do mundo, da realidade, de Deus e de como Ele age. Como podemos esperar entender todos os Seus caminhos, quando o mundo natural e tudo ao nosso redor contêm mistérios que não podemos compreender? Afinal de contas, apenas nos últimos 171 anos os médicos descobriram que seria uma boa ideia lavar as mãos antes de realizar uma cirurgia! Veja quanto temos estado imersos na ignorância. E se o tempo permitir, quem sabe quais coisas descobriremos no futuro, revelando assim que muitas informações e verdades ainda estão longe do nosso alcance?

Nem sempre entendemos os caminhos do Senhor, mas Jesus veio para nos revelar o caráter de Deus (Jo 14:9). Por que é essencial pensar no caráter de Cristo e no que Ele revelou sobre Deus e Seu amor por nós? Conhecer o caráter de Deus nos ajuda a permanecer fiéis em meio às provações e injustiças?
Quarta-feira, 06 de dezembro
Ano Bíblico: 1 Tessalonicenses
Ammi: “Meu Povo”

Em Romanos 9:25, Paulo citou Oseias 2:23, e, em Romanos 9:26, ele citou Oseias 1:10. O pano de fundo é este: Deus instruiu Oseias a tomar “uma mulher de prostituições” (Os 1:2) como uma ilustração de Seu relacionamento com Israel, pois a nação havia buscado deuses estranhos. Os filhos que nasceram desse casamento receberam nomes que significavam a rejeição de Deus e o castigo do Israel idólatra. O terceiro filho foi chamado de Lo-amí (Os 1:9, ARC), cujo significado literal é “Não-Meu Povo”.

No entanto, em meio a tudo isso, Oseias predisse o dia em que, depois de punir Seu povo, Deus restauraria sua sorte, removeria seus falsos deuses e faria uma aliança com Israel (veja Os 2:11-19). Então, aqueles que eram Lo-amí, “Não-Meu-­Povo”, iriam se tornar Ammi, “Meu Povo”.

Nos dias de Paulo, os “Ammi” eram os cristãos, “não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios” (Rm 9:24). Que apresentação clara e poderosa do evangelho, o qual, desde o início, destinava-se ao mundo inteiro! Não é de admirar que nós, adventistas, tomemos parte da nossa vocação de Apocalipse 14:6: “Vi outro anjo voando pelo meio do Céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a Terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo”. Hoje, assim como nos dias de Paulo e nos dias do antigo Israel, as boas-novas da salvação devem ser espalhadas por todo o mundo.

4. Leia Romanos 9:25-29. Observe quanto Paulo citou o Antigo Testamento para defender seu argumento sobre as coisas que estavam acontecendo em seus dias. Qual é a mensagem básica encontrada nessa passagem? Qual esperança está sendo oferecida a seus leitores? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:

A.( ) Os gentios se tornariam povo de Deus, assim como um remanescente de Israel.

B.( ) Os judeus seriam sempre os filhos de Deus, enquanto os gentios seriam apenas servos.

O fato de que alguns compatriotas de Paulo rejeitaram o apelo do evangelho trouxe “grande tristeza e incessante dor” ao coração do apóstolo (Rm 9:2). Mas pelo menos havia um remanescente. As promessas de Deus não falham, mesmo quando o homem fracassa. Temos a esperança de que, no fim, as promessas de Deus serão cumpridas, e se as reivindicarmos, elas se cumprirão em nós também.

Pessoas já falharam com você? Você já falhou consigo mesmo e com os outros? Provavelmente mais vezes do que você pode contar, certo? Quais lições você aprendeu com essas falhas? Em quem sua confiança suprema deve estar?
Quinta-feira, 07 de dezembro
Ano Bíblico: 2 Tessalonicenses
Tropeço

5. “Que diremos, então? Os gentios, que não buscavam justiça, a obtiveram, uma justiça que vem da fé; mas Israel, que buscava uma lei que trouxesse justiça, não a alcançou. Por que não? Porque não a buscava pela fé” (Rm 9:30-32, NVI). Qual é a mensagem nessa passagem? Como aplicar seus princípios hoje? Como evitar os mesmos erros que muitos israelitas cometeram?

Em palavras que não podem ser mal interpretadas, Paulo explicou aos seus compatriotas por que eles estavam perdendo algo que Deus desejava que eles tivessem, e mais do que isso, algo que realmente buscavam, mas não estavam alcançando.

Curiosamente, os gentios a quem Deus tinha aceitado nem sequer estavam se esforçando para obter essa aceitação. Eles estavam buscando seus próprios interesses e objetivos quando a mensagem do evangelho chegou até eles. Compreendendo seu valor, eles a aceitaram. Deus os declarou justos porque eles aceitaram Jesus Cristo como seu Substituto. Foi uma operação de fé.

O problema dos israelitas foi que eles esbarraram na pedra de tropeço (veja Rm 9:33). Alguns, nem todos (veja At 2:41), recusaram-se a aceitar Jesus de Nazaré como o Messias a quem Deus tinha enviado. Jesus não atendia às expectativas que eles tinham do Messias, portanto, quando Cristo veio, eles viraram as costas para Ele.

Antes de terminar esse capítulo, Paulo citou outro texto do Antigo Testamento: “Como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nela crê não será confundido” (Rm 9:33). Nessa passagem, Paulo mostrou novamente quanto a verdadeira fé é fundamental no plano da salvação (veja também 1Pe 2:6-8). Uma rocha de escândalo? E ainda, quem cresse nEle não seria confundido? Sim, para muitos, Jesus é uma pedra de tropeço, mas, para aqueles que O conhecem e O amam, Ele é outra rocha, “a rocha da [nossa] salvação” (Sl 89:26).

Você já viu Jesus como “pedra de tropeço” ou “rocha de escândalo”? O que o levou a essa situação? Como você saiu dela? O que aprendeu para que nunca mais se encontre nessa situação novamente?
Sexta-feira, 08 de dezembro
Ano Bíblico: 1 Timóteo
Estudo adicional

Leia, de Ellen G. White, “Progressos na Inglaterra”, p. 261, 262, em O Grande Conflito; “Faith and Works” [Fé e Obras], p. 530, 531, na The SDA Encyclopedia [Enciclopédia Adventista do Sétimo Dia]; “Comentários de Ellen G. White”, p. 1211, 1212, no Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 1.

“Há uma eleição de indivíduos e de um povo, a única eleição encontrada na Palavra de Deus, em que um homem é escolhido para a salvação. Muitos têm olhado para o fim, pensando terem sido certamente eleitos para a glória celestial; mas não é essa a eleição que a Bíblia revela. O homem é escolhido para operar a sua salvação com temor e tremor. É escolhido para usar a armadura, para pelejar a boa peleja da fé. É escolhido para usar os meios que Deus colocou ao seu alcance para lutar contra todo desejo profano, enquanto Satanás executa o jogo da vida por ele. É escolhido para vigiar em oração, para examinar as Escrituras e evitar entrar em tentação. É eleito para ter fé continuamente, é eleito para ser obediente a cada palavra que procede da boca de Deus, para que não seja apenas ouvinte, mas praticante da Palavra. Essa é a eleição bíblica” (Ellen G. White, Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 453, 454).

“Embora ‘nuvens e obscuridade [estejam] ao redor dEle; justiça e juízo são a base de Seu trono’ (Sl 97:2). Podemos compreender Seu trato para conosco a ponto de discernir a misericórdia ilimitada unida ao infinito poder. Temos a possibilidade de compreender tanto de Seus propósitos quanto somos capazes de alcançar; para além disso podemos ainda confiar naquela mão onipotente, naquele coração repleto de amor” (Ellen G. White, Educação, p. 169).

Perguntas para discussão

1. Certos cristãos ensinam que, mesmo antes de nascermos, Deus escolheu alguns para ser salvos e outros para se perder. Se você fosse predestinado à perdição, não importariam suas escolhas, você estaria condenado (o que significa, para muitos, queimar eternamente no inferno). Somente por meio da providência de Deus, e não por meio de alguma escolha nossa, alguns estariam predestinados a viver sem a possibilidade de um relacionamento salvífico com Jesus na Terra, para serem queimados depois no fogo do inferno. O que há de errado com essa visão?

2. Como você vê a Igreja Adventista do Sétimo Dia e sua vocação no mundo em comparação com a função do antigo Israel? Quais são as semelhanças e as diferenças? Estamos fazendo melhor ou pior?

Respostas e atividades da semana: 1. Escolha um aluno para responder à questão e peça que apresente sua resposta à classe. 2. A. 3. Divida a classe em dois grupos e peça aos alunos que discutam a questão proposta. Ao final, peça que um representante de cada grupo compartilhe as respostas do grupo. 4. V; F. 5. Peça aos alunos que pensem sobre suas práticas religiosas. Pergunte se elas refletem mais a tentativa de buscar justiça pela fé ou pelas obras. Caso seja pelas obras, pergunte como é possível desenvolver a fé para a salvação.

Resumo da Lição 10
Filhos da promessa

TEXTO-CHAVE: Romanos 9

O ALUNO DEVERÁ

Saber: Que Deus não abandonou Israel e que Ele deseja salvar todos: judeus e gentios.

Sentir: Desenvolver uma compreensão convincente de que, embora Deus deseje salvar todos, somente Ele escolhe quem desempenha missões específicas em Seu reino.

Fazer: Buscar esclarecer a diferença entre aqueles que Deus salva e aqueles a quem Ele designa como seus agentes de salvação.

ESBOÇO

I. Saber: Como Deus redime os perdidos

A. Qual foi a razão pela qual Israel não compreendeu seu destino divino?

B. Por que Deus jamais fez uma aliança incondicional para salvar algum povo ou grupo religioso?

II. Sentir: A paciência de Deus para com as falhas de Israel

A. A rejeição e a crucifixão de Cristo por parte dos judeus poderiam ter feito com que Deus rejeitasse a nação, mas por que Deus não rejeitou completamente Israel?

B. Você já desperdiçou uma importante oportunidade de trabalho, mas teve uma segunda chance? Por favor, compartilhe sua reação a essa bênção especial.

III. Fazer: Submeter-se à vontade de Deus

A. Por que alguns invejam o ministério de outros?

B. É Deus quem determina os dons espirituais que serão concedidos a cada pessoa. O que esse fato demonstra sobre a divina designação para o serviço?

RESUMO: É importante tentar compreender a vontade divina de salvar todos, judeus e gentios, e esclarecer que Ele escolhe quem Ele deseja para alcançar os perdidos.

Ciclo do aprendizado

Motivação

Focalizando as Escrituras: Romanos 9

Conceito-chave para o crescimento espiritual: É essencialmente importante compreender que Deus não predetermina a salvação eterna de ninguém. No entanto, Ele determina quem cumprirá Sua ordem quando se trata das tarefas missionárias e dons espirituais. Numa vida de testemunho e serviço cristão, há uma grande bênção em fazer parte dos propósitos redentivos de Deus.

Para o professor: Deus não predetermina a salvação pessoal de ninguém. No entanto, o Senhor é soberano quando se trata do destino de Israel como testemunha missionária escolhida por Ele para alcançar a humanidade perdida. Assim, a pergunta-chave desta semana é: Como Deus Se relaciona com as falhas de Seu povo do Antigo Testamento no contexto de Seu desejo de salvar judeus e gentios?

Discussão inicial: Ao ler Romanos 9, já surgiram em sua mente perguntas a respeito da aparente irresistível predestinação divina, especialmente questões relacionadas à salvação pessoal do pecado e da morte eterna?

Perguntas para discussão

1. Na natureza divina, o que nos assegura que Ele não é um Ser que predetermina o destino eterno de todos de maneira irresistível?

2. Por que Paulo parece tão preocupado com a salvação dos judeus?

3. Considere a evidente preocupação de Paulo com o que tem sido chamado “a questão judaica” em Romanos 9. O que contribuiu para a angustiante perplexidade de Paulo pelo fato de que os judeus estavam resistindo ao evangelho, enquanto grande número de gentios alegremente afluíam para as igrejas e voluntariamente o abraçavam?

Compreensão

Para o professor: Embora desejemos justificar o anseio divino de salvar todos os seres humanos pecadores, a principal questão de Romanos 9 é: Como Deus pretende finalmente redimir os israelitas (judeus), a despeito das falhas deles no passado? Por isso, precisamos seguir cuidadosamente a argumentação de Paulo que tentará justificar as divinas providências redentoras ao salvar todos: judeus e gentios.

Comentário bíblico

I. A preocupação de Paulo e seu propósito para judeus e gentios

(Recapitule com a classe Rm 9:1-13.)

Nesses versos, Paulo tentou demonstrar que o plano de Deus para usar Israel não falhou completamente, e ainda está produzindo um “remanescente” da semente de Abraão. Portanto, embora Deus tenha sido seletivo, Sua vontade de salvar os perdidos certamente tem sido efetuada, ainda que lentamente. Por exemplo, Abraão, o pai da nação judaica, foi escolhido, e ele (pela fé nas promessas e no poder de Deus) gerou um filho chamado Isaque; e, pela fé, Isaque gerou a Jacó, o progenitor direto das tribos de Israel. Embora Deus tenha enfrentado algumas complicações, de maneira firme, persistente e providencial, Ele está suscitando uma “semente” fiel, ou filhos redimidos. E esses filhos do milagre estão se tornando Seus progenitores de Israel e agentes de salvação neste mundo atormentado pelo pecado e desespero.

Pense nisto: Embora Deus tenha sido seletivo na escolha de Seus servos especiais, que evidência temos de que o Senhor não tem sido arbitrário na escolha das pessoas que Ele salva?

II. Mensageiros escolhidos por Deus para o mundo

(Recapitule com a classe Rm 9:14-24.)

Paulo continuou seu argumento citando Êxodo 33:19 e 9:16 para enfatizar que Deus terá “misericórdia de quem” Ele escolher. Ele demonstrará Sua “compaixão” e Seu “poder […] por toda a Terra” (Rm 9:15, 17). Paulo também apresentou o soberano “poder” de Deus na ilustração do divino Oleiro, que tem a prerrogativa de moldar o barro como Ele preferir (Rm 9:19-24). Assim, Deus é Aquele que está no comando quando se trata de decidir quem fará Sua vontade missionária na Terra.

Pergunta para discussão: Deus está no controle quanto à escolha dos Seus agentes missionários. Esse fato nega Sua competência para conceder aos seres humanos o direito de escolher aceitar ou rejeitar a salvação eterna? Por quê?

III. Deus está no comando de Sua missão de salvar o mundo

(Recapitule com a classe Romanos 9:25-33.)

Separe um tempo para examinar as passagens do Antigo Testamento citadas por Paulo e que profetizam acerca da missão divina aos gentios (por exemplo, Os 2:23; 1:10; Is 10:22, 23; 1:9; 13:19).

Pense nisto: Nesses versos, quais evidências indicam a paixão de Deus para salvar judeus e gentios?

IV. Oferta universal de salvação

(Recapitule com a classe 1Tm 2:3, 4; 4:10; Jo 3:16; Tt 2:11; e 2Pe 3:9.)

Esses textos para recapitulação claramente testificam de uma oferta universal de salvação. Mas como essas passagens se relacionam com a tese de Paulo acerca da soberania divina ao escolher Israel para cumprir Sua tarefa missionária?

Para responder a essa pergunta, vamos considerar cinco textos que falam claramente da salvação relacionada à graça redentora e ao livre arbítrio:

1. “Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos” (1Tm 2:3, 4).

2. “Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis” (1Tm 4:10).

3. “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16).

4. “A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tt 2:11).

5. “O Senhor […] é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2Pe 3:9).

Pense nisto: Releia a pergunta que iniciou esta seção: Como devemos entender esses versos bíblicos? Para responder, pense no seguinte argumento: se, em Romanos 9, Paulo quisesse dizer que Deus irresistivelmente predeterminou a salvação a todas as pessoas, independentemente da sua resposta ao evangelho, dada livremente, com base na graça e na fé, então encontramos nas Escrituras uma grave contradição. O que deve ser feito acerca desse suposto problema? Pareceria “lógico” concluir que o tema do grande conflito estivesse desprovido de seu poder interpretativo para explicar a origem do pecado e do sofrimento. O terrível resultado dessa conclusão seria que Deus Se tornaria a causa única do mal e o Doador de uma arbitrária salvação do salário do pecado. Como uma correta compreensão da verdade bíblica em Romanos 9 anula essa falsa suposição?

Aplicação

Para o professor: Convide seus alunos a pensar na última pergunta acerca da dinâmica do tema do grande conflito no passo anterior e, então, discuta as perguntas abaixo:

Perguntas para reflexão

1. A filosofia e a teologia frequentemente mencionam o tema da “teodiceia”, ou seja, a questão de como lidar com o assunto de vindicar ou “julgar” adequadamente a Deus diante do problema do sofrimento e da tristeza. Como você tem lutado para compreender o problema do mal?

2. Como nossa explicação de Romanos 9 faz sentido no contexto do desdobramento do argumento de Paulo em Romanos? Ou nós introduzimos inadequadamente o tema relacionado ao “livre-arbítrio” e à “livre graça”, que é alheio ao pensamento geral de Paulo? Comente.

3. É justo colocar Paulo na narrativa mais ampla do cânon bíblico quando se trata das várias passagens acerca do livre-arbítrio e da graça citadas acima?

4. Como o grande conflito apresenta uma explicação satisfatória do problema do mal e da inconcebível quantidade de sofrimento humano e de perda manifestados na história deste mundo?

Criatividade e atividades práticas

Para o professor: Enquanto seus alunos discutem Romanos 9 e a luta de Paulo com “a questão judaica”, tente levá-los a se identificarem de maneira solidária com Paulo e suas preocupações missionárias para com os judeus e gentios.

Atividades

1. Oriente os alunos a reler Romanos 9:1-4, que apresenta a angustiada e desesperada confissão de Paulo sobre sua preocupação com a salvação dos judeus.

2. Após refletir sobre sua experiência de testemunho e serviço cristão, pergunte (primeiro individualmente e depois em grupo) se vocês já atingiram o ponto de estar dispostos a morrer “com” (a exemplo de Moisés) ou “pelos” (a exemplo de Paulo) cristãos e não cristãos.

3. Em Romanos 9:30-33, enquanto Paulo ponderava sobre as diferentes maneiras pelas quais “Israel” (principalmente os “judeus” do primeiro século) e os “gentios” se relacionavam com o evangelho, ele comparou as duas experiências contrastantes daqueles que perseguiram “a lei de justiça” (Rm 9:31). Ele identificou essas duas experiências como (1) “a justificação [...] da fé” (Rm 9:30) e (2) “obras da lei” (Rm 9:32, ARC). Quais seriam algumas características essenciais que poderiam auxiliar os seguidores de Cristo a distinguir as experiências baseadas na “fé” daquelas fundamentadas nas “obras da lei”?

Planejando atividades: O que sua classe pode fazer na próxima semana como resposta ao estudo da lição?

Falando de Jesus no trem

Ser cristão não é somente falar. Ser cristão é viver de maneira que as pessoas percebam que somos diferentes. Então elas fazem perguntas, e nós respondemos com entusiasmo porque sabemos a resposta. Mas, se as pessoas não nos perguntam nada, não temos motivos para falar.

Recrutador ativo

Nikolai Zhukalyuk procura maneiras de conversar com as pessoas. Ele não acredita que seja correto iniciar uma conversa discutindo sobre o sábado ou outra doutrina. Em vez disso, quer que as pessoas percebam que ele pode oferecer algo de que elas precisam.

Certo dia, Nikolai viajou de trem de Lviv [pronuncia-se Levive] até Kiev, a capital da Ucrânia, num trajeto feito durante a noite. Ele reservou uma cama num compartimento com dois lugares para dormir, e o outro passageiro era uma senhora.

Quando se conheceram, ele disse à senhora: “Viajaremos por algumas horas, precisamos nos apresentar. Você é de Lviv ou esteve lá a trabalho?”

A senhora respondeu: “Não sou de Lviv. Sou de Kiev e estou indo para casa.”

Ele sorriu e respondeu: “Eu sou de Lviv e vou para Kiev.”

“Por que você vai para Kiev?” Ela perguntou, de maneira curiosa, mas educada.

Ele disse que havia sido líder de igreja e que tinha muitos amigos ao redor do mundo. Quando os amigos vêm à Ucrânia, às vezes, eles o convidam para se encontrarem em Kiev. Ele disse que é mais conveniente para os amigos e que fica feliz em viajar para vê-los. Isso lhe permitiu dar uma breve biografia da sua vida.

Despertando o interesse

Suas palavras captaram o interesse da senhora. Ela disse: “Meu nome é Nadya. Qual é a igreja que o senhor ajudou a liderar?”

Ele não respondeu imediatamente. Em vez disso, sorriu e perguntou: “Qual igreja a senhora frequenta?”

“Eu não frequento nenhuma igreja”, ela respondeu. “Mas me considero ortodoxa”. Nadya explicou que é psicóloga especializada no tratamento de pessoas traumatizadas pelo contínuo conflito no leste da Ucrânia. Então ela disse: “Percebi que você não é da religião ortodoxa. Qual é a diferença entre a sua igreja e a Igreja Ortodoxa?”

“Os ortodoxos guardam o domingo, e nós guardamos o sábado”, ele disse.

“O que quer dizer guardar o sábado?”

“Você já leu a Bíblia?”, ele perguntou.

“Sim, claro.”

“Conhece os Dez Mandamentos?”

“Sim”, respondeu pensativa. “Não furtarás, não matarás [...]”

“Bem, o quarto mandamento fala sobre o sábado”, ele disse.

A conversa continuou por um longo tempo. Nikolai percebeu que podiam conversar a noite toda, por isso sugeriu que descansassem um pouco. A mulher queria saber mais e perguntou se poderia encontrar um dos livros de sua autoria em livrarias de Kiev. Ele havia mencionado que é autor de 15 livros.

Mantendo contato

A mulher expressou decepção quando Nikolai disse que seus livros estavam esgotados, mas prometeu enviar um livro para o endereço dela. Ela anotou seu endereço e número de telefone e entregou a Nikolai.

Na manhã seguinte, ao chegar a Kiev, a senhora apresentou o pastor Nikolai ao marido, que a esperava na estação de trem. Ela e seu marido ajudaram a transportar a bagagem de Nikolai até a sala de espera da estação de trem e disseram ao pastor que telefonasse caso ninguém viesse buscá-lo. “Vamos cuidar de você”, ela disse.

Isso é testemunhar! Agora Nikolai tem uma nova amiga interessada em aprender mais sobre Deus e Suas verdades. Eles desejam manter contato.

As ofertas missionárias ajudam a prover literatura para aqueles que têm fome de conhecer a verdade ao redor do mundo. Obrigado por se lembrarem dos projetos missionários da igreja em suas orações e por apoiá-los com suas ofertas missionárias da Escola Sabatina.

Nikolai Zhukalyuk tem 84 anos de idade e foi presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Ucrânia. Na época da União Soviética, ele ficou preso durante dois anos por causa da sua fé. Leia mais sobre ele no site da Missão Adventista: bit.ly/nikolaizhukalyuk.

Mensagem missionária

• A maioria dos ucranianos pertence a alguma forma de cristianismo ortodoxo; cerca de 2,25% da população afirma ser cristã protestante, quase 2% é católica e cerca de 1% é muçulmana. Aproximadamente 11% da população não pertence a nenhum grupo religioso.

• Mais de 47.500 adventistas vivem na Ucrânia. Esse número representa quase 45% dos adventistas da Divisão. Isso significa que a Ucrânia tem um adventista para cada 900 habitantes.

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 4º trimestre de 2017
Tema geral: Salvação somente pela fé: o livro de Romanos
Lição 10: 2 a 9 de dezembro
Filhos da Promessa

 

Autor: Pr. Clacir Virmes Junior, professor de Teologia na FADBA – Cachoeira, Bahia

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

 

Introdução

O capítulo 9 de Romanos é um dos mais desafiadores de toda a Escritura. Ele forma uma unidade com os capítulos 10 e 11, os quais estudaremos na próxima semana. A questão é que muitos veem nele base para defender a ideia da predestinação, no sentido de que Deus escolheu alguns para que sejam salvos e outros para que se percam. Conforme a lição, não é esse o tema da exposição de Paulo. Ele ainda estava falando sobre a salvação para todos, como fez em toda a epístola, mas agora ele se voltou para perguntas que seus leitores poderiam estar fazendo ao ler tudo que ele ensinou nos capítulos anteriores.

O fardo de Paulo

Paulo iniciou a discussão em Romanos 9 deixando transparecer sua preocupação com seu povo. Suas palavras ecoam o sentimento de Moisés quando ocorreu a apostasia de Israel, conforme registrado em Êxodo 32:32. Vemos aqui o mesmo amor, a mesma preocupação com as pessoas. O apóstolo tinha uma missão especial no mundo gentio, mas ele ainda amava seus compatriotas. Ele queria que eles também usufruíssem das bênçãos que tinham sido profetizadas no Antigo Testamento e se cumpriram em Cristo.

Romanos 9:5 é um verso importante para nossa compreensão sobre quem é Jesus. Paulo afirmou inequivocamente que Cristo, o Descendente dos patriarcas segundo a carne, é também “Deus bendito sobre todos”. Jesus, da perspectiva humana, foi um judeu que viveu no primeiro século e andou pelas estradas empoeiradas da Palestina. Por outro lado, Paulo disse que essa não é toda a história. Cristo é “Deus bendito sobre todos”. Essa é uma das mais claras afirmações neotestamentárias sobre a plena divindade de Jesus.

A partir do verso 6, o apóstolo começou a abordar questões que provavelmente surgiriam na cabeça dos judeus cristãos de Roma após a leitura de toda a exposição de Paulo entre os capítulos 1 e 8. O que fazer com toda a história de Israel descrita nas Escrituras? Como explicar que, aparentemente, o plano de Deus para Seu povo havia falhado? Para Paulo, a primeira parte da resposta é simples: nem todos os israelitas são descendentes de Abraão. Não é o nascimento que salva o israelita. Para ser um verdadeiro descendente de Abraão, ele precisa crer nas promessas de Deus, especialmente na grande promessa do Messias cumprida em Cristo (cf. Gl 3:7).

Eleitos

Um dos versículos mais controversos na epístola é a citação de Malaquias 1:2 a 3, em Romanos 9:13: “Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú”. Várias soluções já foram propostas para a interpretação do verso. Contudo, no contexto da explanação paulina, amar Jacó e aborrecer Esaú parece ser a maneira de Deus dizer que escolheu um em vez do outro para ser o canal por onde o mundo seria abençoado.

Isso está de acordo com a exemplificação dada por Paulo, que iniciou com Ismael e Isaque nos versos 6 a 9. Ismael também era filho de Abraão, mas Isaque foi o escolhido para ser o patriarca através do qual se cumpririam as promessas de bênçãos sobre todas as famílias da Terra (cf. Gn 12:1-3). De idêntica maneira, embora Esaú fosse o mais velho, Deus escolheu Jacó para dar continuidade ao plano de redimir todos os seres humanos.

O que não se pode perder de vista aqui é que Paulo estava lidando com a eleição de Israel para sua missão, não com uma eleição exclusivista para a salvação. Mais adiante, em Romanos 11:32, o apóstolo retoma numa sentença toda a discussão dos capítulos 1 a 3, para mostrar que Deus tem misericórdia de todos. Contudo, escolheu Israel no passado e escolhe a igreja hoje para ser o meio pelo qual todos, sem exceção, ouçam as boas-novas da salvação.

Mistérios

A seção dos versos 17 a 24 de Romanos 9 focaliza a soberania de Deus. Mais uma vez, é importante lembrar que, nesse texto, Paulo não estava lidando primariamente com a salvação. Ele estava abordando a ideia da eleição de Israel como nação missionária no grande plano da redenção e, agora, introduz a figura do faraó do Egito no contexto do Êxodo.

Por dez vezes no relato do Êxodo é dito que Deus endureceu o coração de faraó (Êx 4:21; 7:3; 9:12; 10:1; 10:20; 10:27; 11:10; 14:4, 8, 17). Ao mesmo tempo, em 5 versos é dito que o coração de faraó se endureceu (Êx 7:13; 7:22; 8:19; 9:7; 13:15). Em outras ocasiões é dito que Faraó endureceu o seu próprio coração (Êx 8:32; 9:34; 1Sm 6:6) e uma vez foi registrado que seu coração já estava endurecido (Êx 9:35). Assim, ao mesmo tempo em que a Bíblia atribui ao Senhor o endurecimento do coração de Faraó, ela também fala da responsabilidade, ou da escolha, do próprio faraó. O que quer que pensemos sobre a soberania de Deus, ela não oblitera o livre-arbítrio das pessoas.

Nem sempre conseguimos entender essa tensão entre soberania divina e a liberdade de decisão que Ele nos deu. Mas pelo próprio contexto da epístola de Romanos, temos a certeza de que o Senhor não escolhe ninguém para a perdição. É por isso que Romanos 9:24 diz que Deus chamou pessoas tanto entre os gentios quanto entre os judeus. Deus quer todos.

Ammi: “Meu povo”

Com base em Oseias e Isaías, Paulo mostrou que, mesmo que nem todos os israelitas aceitem a graça e as reivindicações do Senhor, sempre haverá um remanescente. O apóstolo já havia declarado anteriormente que nem todos os que nasceram como israelitas são verdadeiramente israelitas. Muitos podem declarar que pertencem ao povo de Deus, mas apenas o remanescente, os verdadeiros israelitas, serão salvos. Quem são eles? Aqueles que se voltam para o Senhor, ainda que tenham se afastado Dele em algum momento de sua vida.

No contexto escatológico, Deus tem seu remanescente visível que Ele elegeu, como fez com Israel, para levar adiante Seu plano de abençoar todas as famílias da Terra no contexto dos últimos dias (Ap 14:6, 7). Ao mesmo tempo, o Senhor tem um remanescente invisível, pessoas que só precisam ser despertadas para as verdades especiais para o nosso tempo, para que se voltem das práticas que não estão de acordo com Sua vontade. No final, haverá um só povo do Senhor. O povo que aceitou o sacrifício de Jesus e O aceitou como Seu Salvador; o povo que foi transformado por Sua graça e viveu de acordo com Sua lei.

Tropeço

No final de Romanos 9, Paulo se voltou para o real problema com seus compatriotas. Os gentios, que não buscavam a salvação, a encontraram. Eles não tinham as vantagens que Israel tinha. Não haviam recebido a revelação especial de Deus através de Suas Escrituras. Contudo, ao conhecerem o plano da redenção, eles o abraçaram, creram e foram salvos.

Por outro lado, os israelitas queriam ser salvos. Eles conheciam a vontade revelada do Senhor. Porém, queriam alcançar a redenção por causa das vantagens que tinham, pois confiavam em sua própria força e não no Redentor. Eles não conseguiram discernir em Cristo a sua salvação. A pedra que teria erguido o edifício de sua vida foi rejeitada porque não se encaixava em seus preconceitos. Corremos o mesmo risco hoje como os israelitas do passado. Podemos ficar tão absortos com nossas próprias tradições, com nossas próprias conquistas, que nos esquecemos de que é Jesus quem deve ser o centro e a circunferência de nossa vida.

Conclusão

Nem todos os israelitas rejeitaram Jesus. O livro de Atos dos Apóstolos e as próprias cartas de Paulo mostram que muitos judeus piedosos, sacerdotes, fariseus e escribas aceitaram o evangelho. Mas o evangelho prosperou muito mais entre os gentios do que entre os judeus. Apesar do desejo de Deus de salvar o povo que Ele elegera para ser um vaso de honra, de bênção para as nações do mundo todo, nem todos aceitaram Seu convite. Como adventistas do sétimo dia, também fomos chamados para dar uma mensagem especial num momento especial da história. Precisamos tomar para nós a lição de não permitir que nosso orgulho e triunfalismo tirem de nossa mente que o centro de tudo não é nossa missão, mas o Cristo que nos deu a missão.

Autor do comentário: Clacir Virmes Junior é graduado em Sistemas de Informação (2005) pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) e em Teologia (2010) pelo Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, sede Bahia (SALT-FADBA). É mestre em Teologia Bíblica (2014) pelo mesmo seminário e mestre em Ciências das Religiões (2015) pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Exerceu as funções de pastor distrital durante 5 anos (2011-2015) na Missão Nordeste (MN) da União Nordeste Brasileira (UNeB). Desde 2016 é professor de Novo Testamento e coorderna as atividades de extensão no SALT-FADBA. É casado com a Drª. Daniella Cláudia Barbosa Ângelo Virmes, médica, especialista em Medicina de Família e Comunidade (2015) pela UFPB e membro da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (2016).