Lição 7
10 a 16 de agosto
Jesus e os necessitados
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Jr 1-3
Verso para memorizar: “O Espírito do Senhor é sobre Mim, pois que Me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-Me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4:18, 19, ARC).
Leituras da semana: Lc 1:46-55; 4:16-21; 7:18-23; Mt 12:15-21; 21:12-16; Mc 11:15-19; Is 53:3-6

Entre outras razões para Sua encarnação, Jesus veio nos mostrar como Deus é. O Mestre fez isso por meio de Seus ensinos, de Seu sacrifício e de Sua vida; isto é, pela Sua maneira de Se relacionar com pessoas comuns. Muitas de Suas ações causaram mudanças imediatas e concretas na vida de outras pessoas.

Esse aspecto do ministério do Messias havia sido predito pelos profetas do Antigo Testamento, pela mãe de Jesus, Maria, e até pelo próprio Jesus quando Ele definiu Sua missão em Seu primeiro sermão registrado (Lc 4). Além disso, os escritores dos evangelhos, ao narrarem a história do Salvador, muitas vezes usaram a linguagem dos profetas do Antigo Testamento para explicar o que Ele estava fazendo. Dessa maneira, a vida de Cristo foi vista claramente na tradição desses profetas, incluindo a compaixão deles pelos pobres e oprimidos.

Contudo, os líderes religiosos enxergavam Jesus como uma ameaça. Em um terrível exemplo de injustiça e crueldade, eles prenderam Jesus, julgaram-No injustamente e O crucificaram. Em Cristo, Deus conheceu a injustiça – e, em Sua morte, expôs o horror do mal. Em Sua ressurreição, porém, Ele triunfou para a vida, bondade e salvação.

Domingo, 11 de agosto
Ano Bíblico: Jr 4-6
Cântico de Maria

Imagine a cena: Maria tinha recebido uma mensagem do anjo Gabriel alguns dias antes. Ele havia dito que ela seria a mãe de Jesus, o Filho do Altíssimo. Ela ainda não havia contado a ninguém, mas foi visitar Isabel, sua parente mais velha, que também estava esperando um bebê. Com discernimento espiritual, Isabel reconheceu a novidade de Maria antes mesmo que ela tivesse a chance de dizer qualquer coisa e, juntas, elas celebraram as promessas e a bondade de Deus.

1. Leia Lucas 1:46-55. Observe a mistura de louvores entre o que se referia apenas a Maria – “o Poderoso me fez grandes coisas” (Lc 1:49) – até o aspecto mais geral. Por que nosso louvor e adoração a Deus devem incluir uma ênfase tanto pessoal quanto geral?

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Essa notável canção poderia se encaixar bem entre os salmos ou escritos dos profetas hebreus. Maria estava transbordando com um sentimento de admiração e gratidão a Deus. Ela evidentemente via a atuação de Deus em sua vida, mas também estava bem ciente das implicações maiores do plano de Deus para sua nação e para a humanidade.

Porém, no entendimento de Maria, Deus não era somente poderoso e digno de louvor, mas também misericordioso e, aparentemente, revelava uma consideração especial pelos humildes, oprimidos e pobres. O anjo havia acabado de ir embora após anunciar as “boas-novas” do iminente nascimento de Jesus a Maria, e ela já estava cantando o seguinte: “[O Senhor] derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos” (Lc 1:52, 53).

Logo no início da história da vida de Jesus na Terra, Ele foi apresentado como um governante (veja Lc 1:43), mas um governante de um reino diferente. Conforme muitos comentaristas descreveram, o reino de Deus a ser inaugurado e estabelecido por Jesus era um “reino invertido” quando comparado à ordem social comum dos reinos deste mundo. Nas descrições do reino de Jesus, os poderosos e ricos deste mundo eram os menores, e os pobres e oprimidos eram libertados, satisfeitos e elevados.

Se a igreja deve ser uma expressão do reino de Deus, ela desempenha bem sua função de exemplificar o “reino invertido” descrito por Maria? Como algo assim poderia ser manifestado, sem que sejamos injustos com os ricos e poderosos, que também são recebedores do amor de Cristo?
Segunda-feira, 12 de agosto
Ano Bíblico: Jr 7-9
A declaração de missão de Jesus

Em Seu primeiro sermão público, Jesus leu o texto de Isaías 61:1, 2. Não foi coincidência o fato de que esses versos foram o texto de Seu primeiro sermão, quer eles tenham sido a leitura prescrita para aquele dia, quer Jesus tenha intencionalmente encontrado esses versos relevantes no manuscrito que recebeu para ler. Nem é coincidência que o início do registro de Lucas sobre o ministério público de Jesus apresente a história do breve sermão Dele em Lucas 4:16-21, que incluiu as palavras: “Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4:21).

Parece que Jesus assimilou o “tom” do cântico de Maria sobre um “reino invertido” e começava a colocá-lo em prática em Seu ministério. Jesus e Lucas (em sua narrativa da história do Mestre) utilizaram a profecia de Isaías para explicar o que Ele fazia e estava para fazer, mas a utilização dessa profecia também era outra maneira de expressar o que Maria havia descrito 30 anos antes. Os pobres, feridos e oprimidos eram o foco especial e os destinatários das boas-novas trazidas por Jesus.

Cristo adotou esses versos de Isaías 61 como Sua declaração de missão. Seu ministério foi espiritual e prático, e Ele demonstrou que esses aspectos não estão tão distantes quanto às vezes supomos. Para Cristo e Seus discípulos, o cuidado físico e prático das pessoas significava ao menos parte do cuidado espiritual delas.

2. Leia e compare os textos de Lucas 4:16-21 e 7:18-23. Em sua opinião, por que Jesus respondeu dessa maneira? Como você responderia a perguntas semelhantes sobre a divindade e messianidade de Jesus?

Quando Jesus enviou Seus discípulos, a comissão que Ele lhes deu também estava de acordo com essa missão. Embora eles devessem anunciar que estava “próximo o reino dos Céus” (Mt 10:7), as instruções de Jesus a Seus discípulos eram de que eles curassem os enfermos, ressuscitassem os mortos, purificassem os leprosos e expulsassem os demônios. De graça haviam recebido, de graça deviam dar (Mt 10:8). O ministério deles em Seu nome era refletir e pôr em prática os valores e princípios do ministério de Jesus e do reino para o qual Ele convidava as pessoas. Os discípulos também deviam se unir a Cristo em Sua missão de elevar os últimos, os menores e os perdidos.

Como podemos também equilibrar essa obra com a mensagem crucial da pregação das três mensagens angélicas ao mundo perdido? Por que tudo o que fazemos deve estar relacionado, de uma ou de outra maneira, com a proclamação da “verdade presente”?
Terça-feira, 13 de agosto
Ano Bíblico: Jr 10-13
Jesus cura

Os evangelhos estão repletos de histórias dos milagres de Jesus, especialmente os relatos de cura. Como Isaías havia profetizado, Ele curava os cegos e libertava os que haviam sido mantidos cativos pela doença, e às vezes após muitos anos de sofrimento (veja, por exemplo, Mc 5:24-34; Jo 5:1-15). Mas Ele fez mais do que isso: Cristo fez o aleijado andar novamente; curou os leprosos – não apenas por Sua palavra, mas por Seu toque, embora fossem “impuros”. Confrontou demônios que possuíam a mente e o corpo das pessoas; e até ressuscitou os mortos.

Podemos supor que esses milagres tenham ocorrido para atrair multidões e provar Seu poder aos céticos e críticos. Mas esse nem sempre foi o caso. Em vez disso, Jesus muitas vezes ordenou à pessoa curada que não contasse a ninguém o milagre. Embora pareça improvável que os recém-curados seguissem essa ordem e guardassem a maravilhosa notícia para si, Jesus estava tentando mostrar que Seus milagres eram algo mais importante do que um espetáculo. Evidentemente, o objetivo final era que as pessoas recebessem a salvação Nele.

No entanto, os milagres de cura de Jesus foram uma expressão de Sua compaixão. Por exemplo, nos momentos que antecederam à alimentação dos cinco mil, Mateus narrou: “Desembarcando, viu Jesus uma grande multidão, compadeceu-Se dela e curou os seus enfermos” (Mt 14:14). Jesus sentiu a dor dos sofredores e fez o que pôde às pessoas com as quais entrou em contato a fim de ajudá-las e levantá-las.

3. Leia a profecia de Isaías em Mateus 12:15-21. De que maneira Isaías e Mateus identificaram o que Jesus estava fazendo como algo maior do que apenas curar alguns doentes, ou algumas centenas de enfermos?

“Cada milagre realizado por Cristo foi um sinal de Sua divindade. Estava fazendo a própria obra predita acerca do Messias, mas para os fariseus essas obras de misericórdia eram um claro escândalo. Os guias judaicos olhavam com cruel indiferença aos sofrimentos humanos. Em muitos casos, seu egoísmo e opressão haviam causado a dor que Jesus aliviava. Assim, Seus milagres eram uma vergonha para eles” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 406).

Os milagres de cura de Jesus foram atos de compaixão e justiça. Mas em todos os casos, eles não eram um fim em si mesmos. Em última análise, todas as obras de Cristo foram realizadas com o propósito de levar as pessoas à vida eterna (veja Jo 17:3).

Quarta-feira, 14 de agosto
Ano Bíblico: Jr 14-16
Purificando o templo

Quando lemos as histórias de Jesus nos evangelhos, muitas vezes somos atraídos por Sua imagem mansa – Seu cuidado para com os doentes e as crianças, Suas histórias acerca da busca pelos perdidos e Seus discursos sobre o reino de Deus. Por isso, quando O vemos agindo de maneira enérgica e sem rodeios, especialmente contra os líderes religiosos de Sua época e algumas de suas práticas, podemos ficar surpresos.

4. Leia Mateus 21:12-16, Marcos 11:15-19, Lucas 19:45-48 e João 2:13-17. Qual é a importância do fato de que esses relatos semelhantes foram contados em todas as narrativas dos evangelhos?

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Não nos surpreende que esse incidente tenha sido incluído em cada um dos evangelhos. É uma história repleta de drama, ação e furor. Jesus estava evidentemente preocupado com o uso que estavam fazendo do templo e com a substituição da verdadeira adoração pela venda de animais sacrificais. Que profanação de tudo o que esses sacrifícios representavam, isto é, Sua morte substitutiva pelos pecados do mundo!

Essa ação direta se encaixa bem na tradição dos profetas hebreus. Esse ponto é sugerido em cada um dos evangelhos, por Jesus ou pelos escritores desses relatos ao citarem Isaías, Jeremias e Salmos para explicar o que ocorreu nessa história. O povo reconheceu Jesus como profeta (veja Mt 21:11) e aproximou-se Dele enquanto Ele curava e ensinava no pátio do templo depois de ter expulsado os mercadores e cambistas. As pessoas encontraram cura em Seu toque e a esperança crescia no coração delas enquanto ouviam Seu ensinamento.

Os líderes religiosos também reconheceram Jesus como profeta, Alguém que apresentava perigo ao seu poder e à estabilidade da ordem social, e conspiraram para matá-Lo, da mesma forma que seus antepassados tramaram contra os profetas nos séculos anteriores (Examine o contraste entre as duas respostas a Cristo em Lc 19:47, 48).

Sendo membros da igreja, como garantir que nossas congregações nunca se tornem lugares que necessitem daquilo que o templo necessitava nos dias de Cristo? Quais são os perigos espirituais que devemos evitar? Como fazer isso?
Quinta-feira, 15 de agosto
Ano Bíblico: Jr 17-19
A cruz de Cristo

É confortante saber que Deus vê e ouve os clamores dos pobres e oprimidos. É impressionante saber que Deus, em Jesus, suportou o pior da perversidade, opressão e injustiça do mundo. Apesar de toda a compaixão e bondade que Jesus demonstrou em Sua vida e ministério, Sua morte veio como resultado de ódio, ciúmes e injustiça.

Desde as angustiadas orações de Jesus no Jardim do Getsêmani até Sua prisão, julgamentos, tortura, zombaria, crucificação e morte, Ele suportou uma extenuante prova de dor, crueldade, maldade e poder opressivo. Isso foi exacerbado pela inocência, pureza e bondade Daquele que sofreu tudo isso: “Antes, a Si mesmo Se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-Se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a Si mesmo Se humilhou, tornando-Se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2:7, 8). Através da lente da história da salvação, vemos a beleza do sacrifício de Jesus por nós, mas não devemos esquecer a brutalidade do
sofrimento e da injustiça que Ele sofreu.

5. Leia Isaías 53:3-6. O que aconteceu com Jesus, o inocente que sofreu pelo culpado? Como isso nos ajuda a entender o que Ele enfrentou em nosso favor?

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Em Jesus, Deus sabe o que é ser vítima do mal e da injustiça. A execuçãode um homem inocente é um ultraje; o assassinato do Filho de  Deus mais ainda. Deus Se identificou tanto conosco em nossa condição quebrantada e caída que não podemos duvidar de Sua empatia, compaixão e fidelidade: “Porque não temos Sumo Sacerdote que não possa compadecer-Se das nossas fraquezas; antes, foi Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4:15). Que revelação do caráter do nosso Deus! Como podemos compreender as boas-novas sobre Deus representadas pela cruz?

Em tudo que fazemos para o Senhor, especialmente para alcançar os necessitados, por que devemos sempre manter a morte de Jesus, como nosso Substituto, no centro de nossa missão e propósito?
Sexta-feira, 16 de agosto
Ano Bíblico: Jr 20-23
Estudo adicional

Textos de Ellen G. White: Beneficência Social, p. 117-124 (“Nos Passos do Mestre”); A Ciência do Bom Viver, p. 29-50 (“Dias de Ministério”); O Desejado de Todas as Nações, p. 589-600 (“O Templo Novamente Puri­ficado”), e p. 723-740 (“Na Sala de Julgamento de Pilatos”).

“Deus deu em Sua Palavra prova decisiva de que punirá os transgressores de Sua Lei. Os que se lisonjeiam de que Ele é muito misericordioso para exercer justiça contra o pecador apenas têm que olhar para a cruz do Calvário. A morte do imaculado Filho de Deus testifica que ‘o salário do pecado é a morte’, que toda transgressão da Lei de Deus deve receber sua justa paga. Cristo, que não tinha pecado, Se fez pecado pelo homem. Suportou a culpa da transgressão, sendo-Lhe ocultado o rosto do Pai até se Lhe quebrantar o coração e desfazer a vida. Todo esse sacrifício foi feito a fim de que os pecadores pudessem ser remidos. De nenhum outro modo o homem conseguiria se livrar da pena do pecado. E toda pessoa que se recusa a tornar-se participante da expiação provida a tal preço, deve levar em si mesma a culpa e o castigo da transgressão” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 539, 540).

Perguntas para discussão

1. O texto acima retrata Cristo, o Inocente, sofrendo o castigo do culpado! Por que é importante manter essa verdade diante de nós?

2. Jesus não defendeu a reforma política para promover o Seu “reino”. Afinal, a História está repleta de relatos de pessoas que usaram de violência e opressão para “ajudar” os oprimidos. Muitas vezes, o que aconteceu foi a substituição de uma classe opressora por outra. Embora os cristãos devam trabalhar com as autoridades para ajudar os oprimidos, por que precisamos ter cautela em usar a política para alcançar esses objetivos?

3. No plano da salvação, o justo sofreu pelos injustos. Isso deve nos tornar novas criaturas?

Resumo: Nos evangelhos, o ministério de Jesus foi apresentado com referência à obra dos profetas do Antigo Testamento. Boas-novas aos pobres, liberdade aos oprimidos e cura aos quebrantados foram proclamadas como sinais do Messias e cumpridas por Jesus em Seu ministério. Ele também sofreu a injustiça e venceu o pior da humanidade caída. Graças à Sua morte injusta, nossos pecados foram perdoados e temos a promessa da vida eterna.

Respostas e atividades da semana:

1. Devemos louvar o Senhor porque Ele é o Criador, porém, é importante louvá-­­Lo também de um modo mais pessoal, que fale de Suas ações em nossa vida.

2. Jesus provou que era o Messias ao cumprir as profecias e restaurar vidas física e espiritualmente.

3. Comente com a classe.

4. Essa história é importante, pois mostra que Jesus também veio purificar o templo e remover dali os sacrifícios profanos.

5. Jesus tomou sobre Si o nosso pecado e as nossas dores. Sua morte substituiu a nossa morte, para que herdássemos a paz que era Dele.

Resumo da Lição 7
Jesus e os necessitados

De acordo com Mateus 11:1-15, depois que Jesus terminou de instruir Seus doze discípulos, Ele foi ensinar e pregar nas cidades da Galileia. Enquanto João Batista estava na prisão, seus discípulos o visitaram. Eles lhe contaram sobre “as obras de Jesus” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 214; ver também Mt 11:2) e acerca de como o povo estava se aglomerando em torno Dele. Mas os discípulos de João “indagavam por que, se esse novo Mestre era o Messias, não fazia nada para que João fosse solto? Como podia Ele permitir que Seu fiel precursor fosse privado da liberdade e talvez da vida? Essas perguntas não deixaram de produzir efeito. Dúvidas que, do contrário, nunca teriam sido suscitadas, foram então sugeridas a João" (O Desejado de Todas as Nações p. 214, 215).

João esperava que Jesus tivesse vindo para julgar e libertar o povo de Deus. Mas quando Jesus não cumpriu suas expectativas, o profeta “ficou perplexo e perturbado” (Idem, p. 215). João enviou dois de seus discípulos para pedir a Jesus esclarecimentos sobre Sua missão. Os discípulos de João perguntaram ao Senhor: "És Tu Aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?" (Mt 11:3). “E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho” (Mt 11:4, 5).

Esta lição nos lembra de que, embora a maioria das pessoas, incluindo João Batista, tenha compreendido mal a verdadeira natureza do ministério de Jesus, as Escrituras hebraicas previam isso. Além do mais, Jesus expressou Sua missão aos pobres e aos oprimidos como um cumprimento da profecia em Isaías 61.

Objetivos do professor:

Com a ajuda da classe, comparar o alegre cântico de Maria em Lucas 1:46-55 e a canção de Ana em 1 Samuel 2:1-10.

Examinar as implicações da declaração de missão de Jesus sobre a declaração de missão da sua igreja.

Levar a classe a refletir sobre a seguinte pergunta: O que é o “espírito de vitimização”?

Discutir com a classe a seguinte questão: Qual é o papel da cruz de Cristo na obra que fazemos para Ele?

Estudar com os alunos por que a cruz é o ápice da demonstração do amor da Divindade pela humanidade.

 

Escritura

Depois que o anjo anunciou o nascimento de Jesus a Maria, ela foi visitar sua prima Isabel, que estava grávida. Durante essa visita, Maria, Isabel e o bebê que estava em seu ventre se alegraram (Lucas 1:41-44). Maria, em seguida, irrompeu em uma canção (Lc 1:46-55). Esse cântico está repleto de conceitos e expressões do Antigo Testamento. Ele revela a submissão total de Maria à vontade de Deus, sua compreensão das Escrituras e a gratidão por seu Salvador. Como a canção de Ana (1Sm 2:1-10), o cântico de Maria revela um Deus que defende os oprimidos e ministra aos famintos. Ele também exibe um elemento messiânico e revela a humilde consciência de Maria sobre seu próprio exaltado papel como escolhida de Deus.

Leia a canção de Ana em 1 Samuel 2:1-10. Que semelhanças você vê entre o cântico de Maria e a canção de Ana?

Escritura

Em Lucas 4:14-30, lemos sobre o retorno de Jesus à Sua cidade natal para anunciar Sua declaração de missão, que se encontra nos versículos 18 e 19. Jesus cita Isaías 61:1, 2, e termina Sua leitura logo antes da última metade do verso 2, omitindo as palavras “e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram". Jesus desejava enfatizar que o tempo ainda não havia chegado para um juízo de vingança (ver João 3:17). Em vez disso, o foco de Jesus estava na restauração do Jubileu. Um comprometimento genuíno com a restauração do Jubileu, consequentemente, resultaria em uma transformação da comunidade. Observe o que está prometido em Isaías 61:3, 4: O Senhor deseja “pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo SENHOR para a Sua glória. Edificarão os lugares antigamente assolados, restaurarão os de antes destruídos e renovarão as cidades arruinadas, destruídas de geração em geração."

Há pouca evidência de que Israel tenha observado plenamente as ordens do ano do Jubileu. Mas na época de Jesus, os líderes do Sinédrio tinham desenvolvido uma forma de contornar legalmente as ordens, o que torna ainda mais marcante a proclamação de Jesus em Lucas 4:19 sobre o ano aceitável do Senhor (Jubileu).

Comente com a classe: Como a declaração de missão de Jesus se compara à declaração de missão de sua igreja? Analise os eventos e projetos de sua igreja no ano passado e observe o rumo que sua igreja está seguindo.

Ilustração

Sundar Singh (1889-1929) foi um missionário cristão indiano que propagou a Palavra de Deus entre o povo do Tibete, na região das montanhas do Himalaia.

Certa tarde, quando ele e um companheiro viajavam a pé por um caminho montanhoso no Tibete, foram apanhados por uma forte tempestade de neve. Sucedeu que, durante uma breve trégua na tempestade, Sundar olhou para baixo da beira de uma encosta íngreme e viu o corpo de um viajante deitado sobre a neve ao pé do penhasco, a mais de dez metros abaixo do caminho. Obviamente, o estranho havia caído do caminho e precisava de ajuda urgente. Enquanto Sundar descia para resgatar o homem, seu companheiro o desencorajou a fazê-lo. Ele advertiu Sundar que, se perdessem tempo no esforço de salvar o estranho, todos os três congelariam até a morte na tempestade de neve antes que chegassem ao abrigo. No entanto, Sundar estava determinado a salvar o homem desamparado e pediu a seu companheiro que colaborasse. Mas ele se recusou a ajudar e continuou caminhando para salvar a sua própria vida.

Sundar cuidadosamente desceu a encosta e alcançou o desvalido indivíduo. O homem estava gravemente ferido e tinha quebrado uma perna na queda. Sundar carregou o estranho nos ombros, cobrindo-o com um cobertor enquanto subia o caminho íngreme e escorregadio levando a pesada carga. Depois de horas de uma viagem difícil com a pesada carga na terrível tempestade de neve, Sundar se aproximou da aldeia mais próxima pouco antes do anoitecer. Ele estava encharcado de suor. De repente, tropeçou em um corpo humano, meio enterrado, "na estrada coberta de gelo". Era o cadáver congelado do companheiro que o havia abandonado, seguindo em frente sozinho para salvar a própria vida.

Sundar carregou o estranho até um abrigo aquecido e seguro naquela aldeia e lhe deu toda a assistência necessária. Ele percebeu que, ao salvar o estranho, na realidade tinha salvo a si mesmo. O esforço de carregar a pesada carga, a transpiração e o contato de seus corpos vivos os aqueceram e salvaram a vida deles. Ele se lembrou das palavras de Jesus: “Quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a vida por Minha causa, este a salvará” (Lc 9:24).

Certa vez, um dos discípulos de Sundar Singh lhe perguntou: “Qual é a tarefa mais difícil da vida?” Sundar respondeu: “Não ter nenhum fardo para carregar!" A maravilha do serviço abnegado é que ele também ajuda os que servem (<http://christian.moral-stories.com/2012/08/selfless-service.html>).

Escritura

Leia João 5:1-15. Jesus fazia um passeio sabático perto do Portão das Ovelhas junto ao tanque de Betesda (que significa “casa de misericórdia”, ou “casa de graça”), ao norte do templo em Jerusalém. Ele viu um homem que estava inválido havia 38 anos e lhe perguntou: "Você quer ser curado?" (Jo 5:6, NVI). Obviamente, a resposta do inválido simplesmente deveria ter sido: "Sim, eu quero ser curado!". Em vez disso, o homem se concentrou nos obstáculos: "Senhor, não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque quando a água é agitada. Enquanto estou tentando entrar, outro chega antes de mim” (Jo 5:7, NVI).

Quando confrontado com um obstáculo, você se concentra no obstáculo, em vez de se concentrar na graça oferecida para superá-lo? Se é assim, você pode acreditar que o máximo que vai alcançar é a condição em que está. Concentrar-se nos obstáculos faz com que você acredite que não há nada que possa fazer para mudar sua situação. Além disso, acreditará que todas as demais pessoas querem passar à sua frente. Pensará que não consegue alcançar seu objetivo porque sua mãe não o afirmou tanto quanto deveria quando era criança, ou porque seu pai o abandonou, ou porque sua família não está por perto para ajudá-lo. Quem sabe você não seja capaz de controlar as circunstâncias. Talvez tenha sido até vítima delas. Mas você tem condições de escolher como responderá a essas circunstâncias. Não precisa permitir que o espírito de vitimização controle sua vida ou suas escolhas. A vitimização invalida nossa personalidade, transformando os feridos em inválidos. Precisamos desviar nossos olhos do problema para a solução. Jesus é proativo em oferecer ao homem uma solução instantânea: “Então, lhe disse Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda. Imediatamente, o homem se viu curado e, tomando o leito, pôs-se a andar” (Jo 5:8, 9).

Comente com a classe: Quem são os que, devido à própria resposta negativa às circunstâncias desfavoráveis, tornaram-se “inválidos” na sua comunidade? Fazemos parte desse grupo? De que maneira? Alguns daqueles a quem servimos estão envolvidos em um espírito de vitimização? Como podemos ajudá-los a superar essa situação?

Escritura

O apóstolo Paulo declarou: “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (Gl 6:14). Observe nessa passagem três aspectos da cruz: (1) a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, que é o único objeto digno de nosso louvor; (2) a crucificação do mundo no coração do crente; e (3) a crucificação do eu para o mundo. O que esses três aspectos da cruz podem significar em nossa caminhada diária com Deus? Como os aspectos de morrer para o eu e para o mundo afetam tudo o que fazemos?

Aplicação para a vida

“O mundo necessita atualmente daquilo que tem sido necessário já há mil e novecentos anos – a revelação de Cristo. É preciso uma grande obra de reforma e, unicamente mediante a graça de Cristo, a obra de restauração física, mental e espiritual pode ser efetuada” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p.143, ênfase acrescentada).

“O objetivo da obra médico-missionária [ministério integral] é encaminhar homens e mulheres enfermos pelo pecado ao Homem do Calvário” (Ibidem, p. 144).

Convide a classe a ficar atenta às oportunidades de direcionar as pessoas a quem servem para "o Homem do Calvário". Peça-lhes que compartilhem maneiras de fazer isso. Faça um acompanhamento com eles nas próximas semanas, pedindo que compartilhem suas experiências de sucesso. Como sugestões iniciais, aqui estão algumas ideias que outras pessoas tentaram:

1. Convide alguém para participar de um estudo em pequeno grupo, utilizando, se for possível, uma Bíblia anotada especialmente elaborada para estudo em pequenos grupos. As questões e assuntos levantados podem oferecer oportunidades para você dar estudos bíblicos mais profundos aos membros interessados.

2. Você sente que Deus o está dirigindo para contar sua experiência de conversão a algumas pessoas? Então compartilhe com elas seu testemunho. Leia em Atos 26:11-27 como Paulo fez isso. Seguindo o exemplo da abordagem de Paulo diante do rei Agripa, inclua em seu testemunho: (1) sua vida antes de conhecer a Cristo, (2) como você conheceu a Cristo e (3) o resultado desse encontro com Cristo. Em seguida, faça um apelo e aguarde uma resposta. Peça aos membros da classe que pratiquem a narração do seu testemunho em grupos de dois.

3. Motivado pelo Espírito Santo, faça uma apresentação do evangelho a alguém que deseja seguir Jesus. Inclua estes elementos: o problema do pecado (Rm 3:23; Is 59:2); a solução para o pecado (Rm 6:23); a aceitação pessoal da solução (Ef 2:8, 9). Em seguida, faça um apelo para que a pessoa aceite a Cristo como seu Salvador pessoal. Faça a seguinte oração, convidando-a a repetir depois de você: “Senhor, percebo que sou pecador e mereço a morte. Aceito Seu dom da vida eterna. Desejo que Tu sejas meu Senhor e Salvador. Obrigado por Sua graça" (Essa oração do crente é emprestada de Del Dunavant, especialista em crescimento de igreja).

A guarda do sábado

Sophie Buama aceitou o sábado com o dia de guarda quando o pastor falou sobre o quarto mandamento, em uma campanha evangelística realizada em outubro de 2017. Felizmente, ela não precisou sair do emprego em Nova Caledônia, um território francês no Pacifico Sul. Sophie trabalhava quatro dias por semana, das terças-feiras às sextas-feiras, no supermercado em Mebuet, um vilarejo na pequena ilha de Maré. Outra colega, Celine, trabalhava nos outros dias. Mas, dependendo da estação do ano, o por do sol da sexta-feira era entre às 17h30min e 18h45min.

Com a nova experiência, Sophie se sentiu muito mal por trabalhar nas primeiras horas do sábado. Ela não tinha coragem de pedir demissão, porque era muito difícil conseguir emprego e seu salário ajudava a alimentar a família toda. Por isso, orou para que Deus mudasse sua escala de trabalho.

Então, chegou mais uma sexta-feira e Sophie estava preocupada em iniciar o sábado trabalhando, quando recebeu um telefonema de Celine. A colega de trabalho disse que estava na capital, Numeia, em outra ilha e não conseguiu reservar uma passagem de avião de volta para Maré. “Você poderia me substituir amanhã, por favor?”, perguntou. “Não posso, amanhã vou à igreja”, Sophie respondeu. “Você sabe que é meu dia de adorar a Deus.”

Pouco tempo depois, Sophie recebeu uma mensagem de texto no celular da proprietária do supermercado, que também estava na capital de Nova Caledônia. “Você precisa abrir a loja amanhã e trabalhar no sábado”, escreveu a proprietária. Sophie mandou uma mensagem de volta: “Não, amanhã é meu dia para adorar a Deus, então não abrirei o supermercado.”

Depois de um momento, a dona respondeu: “Não há problemas. Feche o supermercado.” Sophie ficou preocupada, e decidiu conversou com uma irmã da igreja. “Não tema o homem”, a irmã respondeu. “Tema ao Senhor.” No domingo, a colega ainda estava viajando, e Sophie abriu o supermercado. A proprietária, que conseguiu um voo de volta, foi ao trabalho e estava furiosa. “Este supermercado nunca fechou no sábado e não quero que isso se repita”, disse. Sophie lembrou a proprietária sobre suas crenças e acrescentou: “Se quiser me despedir, sinta-se livre para fazê-lo.”

Algumas semanas depois, Sophie conseguiu uma folga de quatro dias para viajar com sua filha adolescente, Catherine, para a capital. Ao voltar, foi informada que precisaria trabalhar para compensar sua ausência. Dois dias caíram no sábado. Sophie tentou trocar dias com sua colega de trabalho, mas a dona insistiu que ela trabalhasse, e ela trabalhou nos dois sábados, e chorou muito enquanto trabalhava. À noite, não conseguia dormir. Desesperada, orou: “Deus, ajude-me a não trabalhar mais no sábado!”, e também pediu que os irmãos da igreja orassem por ela.

Alguns dias depois, a proprietária anunciou uma nova escala de trabalho. Sophie trabalhava a mais cada dia, a pedido da proprietária, o que ficou muito custoso, por causa do pagamento pelas horas extras. “A partir de agora, você trabalhará de domingo a quarta-feira”, disse a proprietária. Sophie não podia acreditar no que ouvia! Um grande sorriso encheu seu rosto enquanto corria para casa e dava a notícia ao marido. O salário diminuiu, mas Sophie não se importa. Ela pode adorar a Deus no sábado. “Meu salário não é importante, meu tempo com Deus é”, diz. “Minha alegria é ter liberdade para adorar a Deus no sábado.”

Há três anos, parte da oferta trimestral ajudou a construir duas salas de aula da Escola Sabatina para crianças na Maré, inclusive na igreja de Sophie. Muito obrigado por suas ofertas missionárias que ajudam crianças e adultos a aprenderem a respeito de Deus.

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2019

Tema Geral: “Meus pequeninos irmãos”: servindo aos necessitados

Lição 7: 10 a 17 de agosto

Jesus e os necessitados

Autor: Geraldo L. Beulke Jr.

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

Com este tema, passamos da metade do terceiro trimestre. É extremamente importante fazermos um exercício de reflexão sobre nossa reação aos conteúdos apresentados até aqui. Quais planos nossa igreja está fazendo para servir de forma efetiva aos necessitados dentro dela e ao seu redor? Como nossa classe de Escola Sabatina está colocando em prática o que tem sido discutido? Quais projetos surgiram ao longo desses dois meses? Individualmente, como temos procurado nos harmonizar com esses ensinamentos bíblicos? Nesta semana, temos mais oportunidades para oferecer respostas tanto práticas quanto bíblicas a esses questionamentos, pois refletiremos sobre Aquele que é nossa maior motivação e exemplo: Jesus. Perceberemos que, desde o anúncio do Seu nascimento, Jesus é a personificação da mensagem dos profetas sobre uma conexão entre adoração e prática da justiça. Ele é a demonstração viva do estilo de vida prescrito em Miqueias 6:8.

O cântico de Maria

O Evangelho de Lucas registra quatro cânticos desenvolvidos no estilo dos Salmos e relacionados ao nascimento do Messias. Um desses é o famoso Magnificat, assim intitulado por ser a primeira palavra desse cântico na versão em latim. É o cântico de Maria, entoado como louvor e adoração a Deus, expressando humildade, gratidão e profundo conhecimento da mensagem e da história do Antigo Testamento. Sugiro que, se você for um professor da Escola Sabatina, solicite que seus alunos abram a Bíblia em Lucas 1:46-55, leiam o texto de forma atenta e então, em duplas, dialoguem sobre o conteúdo, apontando os motivos para adoração, as alusões ao texto do Antigo Testamento e a postura de Maria. Em seguida, peça a cada dupla que faça um breve comentário ou relatório do que descobriram.

Além de toda essa riqueza, esse cântico de louvor nos fornece um precioso vislumbre sobre a obra do Messias, pois a adoração que Maria presta a Deus tem tanto um caráter recordativo (sobre a promessa feita a Abraão e os grandes feitos divinos), quanto antecipatório (a respeito do que Messias realizaria em continuidade à obra de misericórdia divina). Assim, ela carregou em seu ventre Aquele que conecta o passado ao futuro, oferecendo a salvação no presente. Por séculos, a humanidade vinha insistindo, mesmo contra o clamor dos profetas, numa ordem social que não se harmoniza com o reino de Deus. Então, o próprio Deus encarnou para não deixar dúvidas de que Seu reino, comparado às estruturas pecaminosas de exploração, segregação e acepção, é um reino invertido: “Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos” (Lc 1:52, 53).

A declaração de missão de Jesus

Lucas registra o início do ministério público de Jesus com Sua leitura e interpretação das Escrituras em um sábado, na sinagoga de Nazaré. Não temos certeza de que Jesus tivesse escolhido o texto ou se já estava no calendário para aquele sábado, providencialmente preparado pelo Espírito Santo. Mas Isaías 61:1, 2, nos lábios de Jesus, tornou-se uma espécie de declaracão de missão do Messias: evangelizar os pobres, libertar os cativos, restaurar a vista aos cegos, pôr em liberdade os oprimidos e apregoar a graça do Senhor. Tudo sob a unção do Espírito Santo. E esse detalhe é essencial: o Espírito O ungiu para esse tipo de missão. Dar atenção aos pobres, doentes, feridos e oprimidos, ofertando-lhes o pão, o alívio e a liberdade é uma obra espiritual, pois lhes abre o coração para o amor de Deus; é colocá-los no processo de restauração à imagem do seu Criador.

Jesus afirmou: “Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4:21), pois o texto de Isaías seria vivido por Ele diariamente. Seus milagres eram uma expressão de Sua compaixão, não uma simples estratégia. Sua justiça era motivada pela misericórdia, porque Ele andava humildemente com Deus (Mq 6:8), buscando a cada manhã o conselho do Céu para ser o Servo do Senhor, a fim de que Seus atos contribuíssem para o plano da salvação tanto em nível geral quanto individual (Is 50:4-7).

A identificação com os oprimidos

Jesus não Se identificou com o aflito e necessitado apenas atendendo-os com cura, restauração e salvação. Ele próprio Se tornou um aflito e necessitado: “e O deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2:7); “o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8:20); “algumas mulheres que haviam sido curadas, e muitas outras. […] Lhe prestavam assistência com os seus bens” (Lc 8:2, 3); “A Minha alma está profundamente triste até à morte” (Mt 26:38); “Tenho sede” (Jo 19:28).

Mais do que isso, como afirma a lição, em Jesus, Deus experimentou o que é ser vítima do mal e da injustiça. O julgamento forjado, humilhação, torturas, condenação e cruel execução ultrapassam qualquer dificuldade que um de nós já tenha suportado. Tudo isso porque Ele Se dispôs, resolutamente (Fp 2:7, 8), a nos oferecer uma solução para a aflição, injustiça e opressão que o pecado trouxe para nossa vida. Não importa quão terrível e angustiante seja a situação que você, eu ou outro necessitado estejamos enfrentando, Cristo, que Se identificou conosco sem perder Sua identidade, entende nosso sofrimento e é capaz de nos acolher, socorrer e confortar: “Porque não temos Sumo Sacerdote que não possa compadecer-Se das nossas fraquezas; antes, foi Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4:15).

Conheça o autor do comentário: O pastor Geraldo L. Beulke Junior é natural de Porto Alegre, RS. Graduou-se em Teologia no ano de 2003 e já serviu à Igreja tanto na obra educacional quanto distrital, nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Espírito Santo. Atualmente, pastoreia o Distrito de Mangueiras, em Tatuí, São Paulo. Em 2014, concluiu o mestrado em Interpretação e Ensino da Bíblia, pelo SALT – FADBA, e está cursando o programa de doutorado em Teologia Pastoral pelo SALT – UNASP – EC. É casado com a pedagoga Elisama Gama Beulke, com quem tem três filhos: Lara, de 12 anos, Alícia, de 9, e Willian, de 1 ano.