Lição 7
09 a 15 de novembro
Nosso Deus perdoador
Sábado à tarde
Ano Bíblico: At 10-12
Verso para memorizar: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28:13).
Leituras da semana: Ne 9; Dn 9:4-19; Cl 1:16, 17; Rm 5:6-8

Após o fim da Festa dos Tabernáculos (Sukkot), os líderes reuniram o povo novamente. Eles tinham acabado de celebrar; agora era hora de voltar à obra inacabada de arrependimento e confissão de seus pecados diante de Deus.

Anteriormente, os líderes haviam mandado que o povo parasse de se lamentar e de ficar triste por causa de seus erros, mas isso não significava que a lamentação e a confissão não fossem importantes. Agora que haviam celebrado as festas era hora de passar a uma apropriada confissão.

A ordem dos eventos aqui apresentados não significa necessariamente que a alegria e a confissão tenham sempre essa sequência; nem significa que apenas a ordem inversa deva ser seguida. Embora a confissão possa vir primeiro, seguida pela celebração, esta talvez deva vir em primeiro lugar em nossa vida. Afinal, Romanos 2:4 declara que é a bondade de Deus que nos leva ao arrependimento. Sua bondade, então, deve suscitar louvor e celebração, enquanto também nos lembra de que precisamos que Deus nos perdoe, purifique e recrie.

Domingo, 10 de novembro
Ano Bíblico: At 13-15
Jejum e adoração

1. Leia Neemias 9:1-3. Por que o povo estava se apartando de todos os estrangeiros? Assinale a alternativa correta:

A.(  ) Porque a mistura com os estrangeiros produziria uma etnia mais fraca.
B.(  ) Para não se contaminar com outros deuses.

Embora Neemias desejasse muito que o povo associasse esse momento com a alegria, ele conduziu a assembleia ao jejum. Eles se humilharam perante Deus, jogaram pó na cabeça e vestiram pano de saco. Como os estrangeiros não tiveram participação no pecado coletivo do povo de Israel, os israelitas se apartaram deles, pois sabiam que seus pecados precisavam ser perdoados. Eles reconheceram os pecados de sua nação, que a levaram ao exílio.

Suas orações e confissão coletivas demonstraram uma profunda compreensão da natureza do pecado. Os israelitas poderiam ter ficado indignados com o fato de que seus antecessores haviam falhado, levando toda a nação ao exílio. Ou poderiam ter reclamado das escolhas dos líderes e da falta de piedade demonstrada pelas gerações anteriores, as quais os haviam conduzido à situação em que se encontravam naquele momento, sendo apenas um pequeno grupo de repatriados. No entanto, em vez de nutrirem ódio e mágoas, eles se voltaram para Deus em humildade e confissão.

De acordo com Neemias 9:3, os israelitas leram o Livro da Lei durante uma quarta parte do dia; na outra quarta parte, confessaram seus pecados e adoraram a Deus. Essa era a terceira leitura da Torá, um texto importante na confissão, que deve ser fundamentada na verdade originada em Deus. Mediante a leitura da Bíblia, Deus Se aproxima de nós, e o Espírito Santo pode falar conosco e nos ensinar. A verdade da Sua Palavra molda nosso pensamento e compreensão, encorajando-nos e elevando-nos.

O povo também se entristeceu e chorou, pois passar tempo na santa presença de Deus tornou-o consciente de Sua beleza e bondade. Também é extraordinário o fato de que o Criador do Universo escolhe estar conosco, apesar da nossa indignidade. Portanto, percebemos que sem Deus em nossa vida e sem um compromisso com Ele repetiremos os erros dos nossos antepassados espirituais. Somente a atuação divina nos torna quem devemos ser.

Leia Daniel 9:4-19. A oração e a confissão do profeta se aplicam a nós hoje? O que a realidade dessa aplicação nos revela individualmente e como igreja?
Segunda-feira, 11 de novembro
Ano Bíblico: At 16-18
O início da oração

A resposta do povo à leitura da Bíblia foi uma longa oração que narra a bondade de Deus em contraste com a história da incredulidade de Israel. Podemos observar que a resposta parece mais um sermão do que uma oração, porque quase todos os versos têm um paralelo em alguma passagem da Bíblia.

2. Leia Neemias 9:4-8. Quais são os principais assuntos em que a oração se concentra nesses versos? Por quê?

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Na primeira parte da oração, o povo louvou a Deus e, especificamente, o Seu nome. Na cultura hebraica, um nome não era apenas a maneira pela qual as pessoas chamavam alguém, mas dava a essa pessoa identidade. Portanto, o louvor ao nome de Deus é significativo porque demonstra ao mundo que esse é um nome digno de louvor e honra. Esse é o nome do Senhor do Universo. A oração começa com a adoração a Deus como Criador e Mantenedor de todas as coisas (Ne 9:6; veja também Cl 1:16, 17). Preservar vem de um verbo hebraico que significa “manter vivo”.

Aquele que criou todas as coisas escolheu Abraão, um ser humano que não era de maneira nenhuma especial, a não ser por “seu coração fiel”. Aparentemente Abraão teve falta de fé em muitas ocasiões, mas quando Deus solicitou que entregasse seu filho, não vacilou (veja Gn 22). Ele não aprendeu a ser fiel de um dia para o outro, mas durante sua longa caminhada com Deus. No pensamento hebreu, o coração se refere à mente. Em outras palavras, Abraão desenvolveu fidelidade de pensamento e ação, e Deus o reconheceu por isso.

As primeiras frases da oração se concentram em Deus como (1) Criador, (2) Mantenedor e (3) Aquele que cumpre o que promete. Primeiramente, o povo se lembrou de quem é Deus: Ele é o Deus fiel, que nos criou, que nos preserva e que sempre cumpre Suas promessas. Ter isso em mente nos ajuda a manter nossa vida em perspectiva e a confiar Nele mesmo nas situações mais difíceis, quando parece que Ele está distante e indiferente aos nossos desafios.

Por que a doutrina de Deus como nosso Criador é tão central à nossa fé? Afinal de contas, que outro ensinamento seria tão importante comparado a esse, no qual somos ordenados por Deus a passar a sétima parte de cada semana lembrando Dele como nosso Criador?
Terça-feira, 12 de novembro
Ano Bíblico: At 19-21
Lições do passado

3. Leia Neemias 9:9-22. Qual é a diferença entre essa parte da oração e a anterior?

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A oração passa dos louvores a Deus, por Sua fidelidade, ao relato da contrastante infidelidade dos israelitas em sua experiência no Egito e no deserto. Nela, Neemias menciona todas as diferentes coisas que Deus deu aos israelitas; mas, infelizmente, a resposta dos “pais” a essas dádivas foi orgulho e teimosia, além do desprezo pelas ações graciosas de Deus entre eles.

O reconhecimento do fracasso humano e da falta de verdadeira devoção a Deus é um passo importante no arrependimento e na confissão.
E mesmo que o texto esteja falando de pessoas que há muito nos deixaram, ninguém pode negar que todos temos problemas com as mesmas questões que elas enfrentaram.

Aqui entra o evangelho tanto para nós quanto para elas. Confessar nossos pecados não nos salva, somente o sacrifício de Cristo pode fazer isso em nosso favor. O arrependimento, juntamente com a confissão, é central para o nosso reconhecimento de que devemos ser justificados somente por Jesus. “Quando por meio do arrependimento e fé aceitamos a Cristo como nosso Salvador, o Senhor perdoa nossos pecados e suspende a punição prescrita para a transgressão da Lei. Então, o pecador se encontra diante de Deus como uma pessoa justa; desfruta o favor do Céu e, por meio do Espírito, tem comunhão com o Pai e o Filho” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 191).

Ao mesmo tempo, visto que Sua bondade faz com que nos arrependamos dos pecados e os confessemos, devemos estar decididos, pelo poder de Deus, a abandoná-los.

A conclusão é que Israel tinha sido obstinado, e Deus, amoroso. Ao refletir sobre as ações do Senhor em favor dos israelitas, eles se lembraram de que, visto que Deus havia feito muito por eles no passado, Ele continuaria cuidando deles no presente e no futuro. Por isso era tão importante que o povo sempre se lembrasse das ações de Deus em sua história. Quando eles se esqueciam delas, envolviam-se em problemas.

Pense num momento em que você teve certeza de que Deus estava atuando em sua vida. Como essa lembrança pode confortá-lo da próxima vez que enfrentar lutas? Como pode confiar mais na bondade divina ao enfrentar sentimentos de desânimo, abatimento e temor quanto ao futuro?
Quarta-feira, 13 de novembro
Ano Bíblico: At 22, 23
A Lei e os profetas

4. Leia Neemias 9:23-31. Como os israelitas foram descritos em comparação com a grande bondade de Deus (Ne 9:25)? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:

A.(  ) Como rebeldes, desobedientes e assassinos de profetas.
B.(  ) Como bondosos e misericordiosos.

A próxima parte da oração/sermão se concentra na vida em Canaã, quando os israelitas possuíram a terra que Deus havia lhes dado. Eles tinham recebido terras, cidades, vinhas e campos prontos para serem usados, mas não haviam dado o devido valor, tomando essas coisas como garantidas. No fim do verso 25 somos informados de que eles “comeram, e se fartaram, e engordaram”. Engordar é uma expressão encontrada apenas algumas vezes na Bíblia (Dt 32:15; Jr 5:28) e em todas essas ocasiões tem uma conotação negativa.

O povo pode ter vivido “em delícias, pela [Sua] grande bondade”, mas não se deleitou em Deus; seu deleite estava nas coisas que tinha. Parece que possuir as coisas não produz uma caminhada íntima com Deus. Às vezes pensamos: “Se eu tivesse isso ou aquilo, seria feliz”. No entanto, os israelitas tinham tudo da parte de Deus, e, ainda assim, sua “felicidade” naquelas coisas apenas os tornou menos devotos a Ele. É muito fácil nos concentrarmos nas dádivas e nos esquecermos do Doador. Esse é um engano fatal.

Isso não significa que não podemos ficar felizes pelas coisas que Deus nos concede. Ele deseja que nos alegremos em Suas dádivas, mas essa alegria não garante um relacionamento com Ele. Se não formos cuidadosos, essas coisas podem se tornar uma pedra de tropeço.

Nesse momento, os líderes confessaram que haviam sido infiéis a Deus. Ao examinarem sua história, eles mencionaram especificamente as transgressões que haviam cometido como nação. Alguns aspectos são especialmente importantes, pois são repetidos: (1) Israel rejeitou a Lei de Deus e (2) perseguiu os profetas.

Em outras palavras, os israelitas perceberam que a Lei de Deus e Seus profetas eram essenciais para o desenvolvimento deles como nação piedosa e como indivíduos. A oração enfatiza essa conclusão, afirmando que, se um homem cumprisse os mandamentos de Deus, por eles viveria (Ne 9:29; veja Lv 18:5). A prece destaca que foi o Espírito que falou por intermédio dos profetas. Deus nos deu Seus mandamentos para que tenhamos vida em abundância e enviou Seus profetas para nos guiar em nossa compreensão da verdade. O que fazemos com essas dádivas é uma questão essencial para nós.

Quinta-feira, 14 de novembro
Ano Bíblico: At 24-26
Louvor e petição

5. Leia Neemias 9:32-38. Qual é o foco da conclusão dessa oração de confissão?

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Novamente, a oração se volta para o louvor a Deus, exaltando Suas qualidades: Ele é grande, poderoso e temível, Aquele que guarda a aliança e a misericórdia. O povo parecia sincero em seu reconhecimento da bondade de Deus para com ele. Também apresentou uma petição que consistia em uma aliança estabelecida com Deus, que foi descrita em detalhes no capítulo 10. Qual era a petição do povo?

“Agora, pois, ó Deus nosso, ó Deus grande, poderoso e temível, que guardas a aliança e a misericórdia, não menosprezes toda a aflição que nos sobreveio” (Ne 9:32).

A comunidade tinha que pagar tributos aos reis que a dominavam. A opressão de todos os lados estava atormentando o pequeno grupo de israelitas, e eles estavam cansados disso. Tinham suportado uma tirania após a outra e esperavam alívio.

Curiosamente, eles se chamaram de “servos”. Após destacarem a infidelidade de sua nação, concluíram a oração referindo-se a si mesmos por meio dessa palavra. Servos evidentemente obedecem aos seus superiores. O uso desse termo, então, sugere que eles percebiam que precisavam obedecer ao Senhor de uma forma que seus antepassados não haviam feito. Essa era a expressão do desejo de serem fiéis ao Senhor e aos Seus mandamentos. Como servos de Deus, eles estavam Lhe pedindo que agisse em seu favor.

A comunidade de Esdras e Neemias descreveu sua experiência naquele momento como uma “grande angústia” (Ne 9:37), que pode ser comparada à aflição que os israelitas viveram no Egito (Ne 9:9). A oração deles louvava a Deus porque Ele tinha visto sua aflição no Egito e não a havia ignorado. A comunidade pedia a Deus que interviesse, como Ele havia feito no passado, mesmo que eles não merecessem. Reconheciam que, entre reis, príncipes, sacerdotes, profetas e ancestrais, ninguém era fiel; portanto, confiavam somente na graça e na misericórdia de Deus para com eles, não em si mesmos nem nas obras de seus antepassados.

Leia Romanos 5:6-8. Como esse texto reflete o que os israelitas estavam pedindo a Deus? Que consolo encontramos na petição dos israelitas e nas declarações de Paulo em Romanos?
Sexta-feira, 15 de novembro
Ano Bíblico: At 27, 28
Estudo adicional

Texto de Ellen G. White: Caminho a Cristo, p. 37-41 (“Abra o Coração a Deus”).

Em Neemias 9:25, os hebreus falaram sobre como seus antepassados “viveram em delícias” pela “grande bondade” de Deus. A raiz verbal da frase “viveram em delícias” aqui é a mesma do nome Éden, como aparece em “jardim do Éden” (Gn 2:15). Talvez, a melhor tradução seria “eles se edenizaram”, caso edenizar fosse um verbo.

Afinal de contas, o evangelho é restauração. Pode haver um símbolo melhor do que o Éden para representar aquilo em que seremos restaurados? Deus levantou o povo hebreu e o trouxe a um lugar estratégico do mundo antigo a fim de criar a imagem mais próxima do Éden que poderia existir em uma Terra caída. Mesmo depois do cativeiro e do retorno, esse potencial ainda estava ali. “Porque o Senhor tem piedade de Sião; terá piedade de todos os lugares assolados dela, e fará o seu deserto como o Éden” (Is 51:3).

O povo desfrutou das bênçãos que o Senhor lhes havia prometido, as quais, num mundo caído, relembravam a abundância do Éden. E, tudo bem, eles deviam desfrutá-las. Deus criou o mundo físico de maneira que o ser humano pudesse usufruir dele, e o antigo Israel, abençoado por Deus, também se deleitou com ele. Seu pecado não estava em “edenizar-se” pela grande bondade de Deus, mas em se esquecer do Senhor (Ez 23:35), cuja bondade os israelitas estavam desfrutando. As bênçãos se tornaram um fim em si mesmas, e não um meio para revelar Deus aos que estavam ao redor.

Perguntas para discussão

1. Em Mateus 13:22, o que Jesus quis dizer com “a fascinação das riquezas”, e como isso se relaciona com a oração de confissão que estudamos nesta semana?

2. Medite na doutrina da criação. Na oração de Neemias 9, o povo falou, numa sequência imediata, sobre o Senhor como Criador e Mantenedor. O que isso revela sobre a importância fundamental dessa doutrina para nossa fé?

3. Como ter equilíbrio entre reconhecer nossa pecaminosidade e, ao mesmo tempo, evitar que Satanás use isso para nos desanimar, de modo que abandonemos a fé?

Respostas e atividades da semana: 1. B. 2. Em primeiro lugar, a oração começou com louvor ao nome de Deus. Em seguida, o povo se lembrou do Criador e exaltou Sua criação. Depois, mencionou a aliança que o Senhor fez com Abraão e a promessa de que sua família herdaria a terra. Essa ordem parece ser seguida porque o povo narrou sua história desde o começo. 3. O povo passou a se lembrar da libertação do Egito e dos milagres diários que Deus fazia para sustentá-lo no deserto. Porém, reconheceu a infidelidade de seus pais e as misericórdias do Senhor, apesar dos pecados cometidos, como no caso do bezerro de ouro. 4. V; F. 5. O foco do final da oração é o reconhecimento da bondade divina e a súplica por misericórdia. Os israelitas admitiram que tudo o que lhes havia ocorrido era justo, mesmo assim imploraram que Deus Se lembrasse da aliança feita com seus pais.

Resumo da Lição 7
Nosso Deus perdoador

ESBOÇO

TEXTO-CHAVE: Neemias 9:17
FOCO DO ESTUDO: Neemias 9

O capítulo 9 de Neemias registra uma oração de confissão do povo de Israel. No vigésimo quarto dia do sétimo mês, os israelitas se reuniram novamente para um período de confissão, oração e jejum.

Mais uma vez, o dia começou com a leitura do livro da Lei. A imersão na Palavra de Deus levou à convicção, e, de forma coletiva, o povo se voltou para o Senhor em arrependimento. Porém, o arrependimento não ocorreu apenas por causa dos seus pecados daquele momento, mas das transgressões da nação ao longo de sua história.

Eles relataram tudo o que a nação fez desde o tempo de Abraão ao falhar em seguir ao Senhor, indicando um padrão de luta para se andar com Deus, e até mesmo de abandoná-Lo. No entanto, o Senhor vinha a eles repetidas vezes e os resgatava. É surpreendente que as leituras da Torá os levou a montar uma história de fracasso humano e triunfo divino. A oração começa e termina com louvores, ao mesmo tempo em que suplica que Deus interviesse novamente em favor deles.

Eles foram relembrados de que assim como o Senhor foi fiel no passado, continuaria cuidando deles. Apesar das dificuldades que enfrentavam em sua terra natal ao construir o templo, os muros e a cidade, Deus cuidaria deles e não os abandonaria. Ao final, eles se comprometeram a fazer uma aliança com o Senhor.

COMENTÁRIO

Estrutura de Neemias 9

1. O povo lê o livro da Lei (Ne 9:1-3).

2. Oração de confissão (Ne 9:4-38).

a. Louvores a Deus (Ne 9:4-8).

b. Fidelidade divina a despeito da infidelidade de Israel no Egito e no deserto (Ne 9:9-22).

c. A bondade divina a despeito da infidelidade de Israel na terra de Canaã (Ne 9:23-31).

d. Louvores e súplicas a Deus (Ne 9:32-38).

Leitura do livro da Lei

A ocasião foi bem organizada: os levitas leram as Escrituras por um quarto do dia, e depois por mais algumas horas, o povo confessou seus pecados e erros e adoraram a Deus. Imagine a experiência poderosa de ler ou ouvir a Palavra por várias horas ininterruptas, seguido de confissão e louvores ao Senhor por mais algumas horas, o que parece quase inacreditável para uma assembleia tão grande. Tal devoção exigiria incrível foco e enorme sede de Deus.

Talvez o que tenha levado as pessoas a buscar o Senhor com perseverança foi o desejo de ver a reação divina. Eles estavam preocupados. A ansiedade foi demonstrada por meio da súplica na oração: “Não menosprezes toda a aflição que nos sobreveio.” Em outras palavras, o povo rogou a Deus que não desconsiderasse o que estava acontecendo com eles: não estavam sendo bem recebidos na sua própria terra pelas nações vizinhas, tinha enfrentado perseguição, e estavam trabalhando duro tentando reconstruir sua amada cidade. Pediram-Lhe que interviesse, que agisse, que visse, ouvisse e respondesse. Após passarem esse tempo juntos, os líderes convidaram toda a assembleia a se levantar. Então, começaram a chorar ao Senhor e fazer a oração registrada em Neemias 9:5-38, que está entre as melhores preces registradas na Bíblia.

Oração de confissão

As orações e confissões públicas coletivas registradas em Neemias 9 demonstram uma compreensão profunda da natureza do pecado, bem como consciência do amor insuficiente pelo próximo. As pessoas jejuaram e puseram cinzas em suas cabeças, sinais exteriores de humilhação diante de Deus. A maneira humilde de falar dos pecados passados da nação mostrou que os cativos que retornaram perceberam que poderiam cair facilmente no mesmo padrão de desobediência e infidelidade dos seus antepassados. Eles não queriam que o ciclo continuasse.

Os israelitas reconheceram os pecados que levaram sua nação ao exílio. Eles expulsaram Deus de sua vida. Seus atos diziam o seguinte: “Deus, nós não queremos estar Contigo!” Visto que o Senhor respeita nossos desejos e não Se impõe sobre Seus súditos, Ele permitiu que Seu povo experimentasse as consequências dessa rejeição. Talvez a melhor descrição do que acontece quando expulsamos o Criador da nossa vida está no livro de Ezequiel. Esse autor descreve Deus saindo de Israel após enviar ao povo advertência após advertência (Ez 5:11; 8:6). Quando as pessoas não O querem, Deus Se retira. Seu trono se move em direção ao Monte das Oliveiras e quando Sua presença deixa Jerusalém, a destruição a atinge (ver também Mt 23:37, 38). Quando a proteção divina é retirada, Satanás age, pois ele “anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar” (1Pe 5:8).

O povo de Israel olhou para trás e viu tudo que havia feito. Ficou horrorizado com a maneira errada como tinha seguido a Deus. Além disso, todo indivíduo estava ciente de sua própria insuficiência em andar com o Senhor.

No entanto, também viram um padrão na fidelidade divina. Assim como no livro de Ezequiel a história não terminou quando Deus saiu de Jerusalém (Ez 43:1-5; 48:35), quando foram levados para o exílio em Babilônia, o Senhor foi com eles para lá; jamais deixaria o Seu povo. Deixou-os ir por um tempo, a fim de despertá-lo e atraí-lo de volta para caminhar com Ele, mas nunca o deixou. No fim do livro de Ezequiel, Ele prometeu levar Seus filhos de volta a Jerusalém e voltar para lá com eles. Os cativos que voltaram vivenciaram o movimento de Deus de volta à terra de Israel. O Senhor estava com eles.

Em Neemias 9:20, é declarado que Deus deu Seu “bom Espírito” a eles para instruí-los (sakhal). Essa palavra aparece também no capítulo 8, e significa “entender, ser prudente e sábio”. O Senhor dá os melhores presentes. O Espírito Santo não foi dado apenas aos crentes no Novo Testamento, mas também aos crentes no Antigo Testamento, e foi concedido para ensinar-lhes e torná-los sábios. É isso que o Espírito Santo faz por nós quando permitimos que Ele nos instrua. Deus deu aos israelitas tudo o que queriam e “necessitavam” (o Espírito Santo, comida, água, reinos, terra, vitória na guerra, cisternas, vinhas, olivais e árvores frutíferas). Contudo, em vez de se alegrar em Deus, o povo se deleitava apenas nas coisas que o Senhor lhe dava. Surpreendentemente, quando os tempos difíceis chegaram e o povo apelou ao Altíssimo, Ele o ouviu novamente. Por quê? Por causa de Sua grande misericórdia.

No começo da oração, eles se dirigiram a Deus: “Tu” (Ne 9:5, 6), e termina com “nós”, enquanto o povo clama a Ele em seu desespero e fragilidade (Ne 9:37, 38). O contraste entre a bondade e fidelidade divinas e a pecaminosidade humana não pode ser subestimado. Confissão de pecados muda a situação. Depois de se identificarem com o pecado de seus antepassados, finalmente declararam: “Tu fielmente procedeste, e nós, perversamente” (Ne 9:33).

Embora o tema do arrependimento pelo pecado seja tecido durante a oração, o tema da misericórdia divina é enfatizado. A palavra para misericórdia é rakhamim, que significa “compaixão, misericórdia e piedade”. Ela vem da palavra rekhem, que significa o ventre de uma mãe. Assim como a mãe nutre o filho e tem amor por ele, a palavra rakhamim demonstra que Deus tem amor e compaixão por Seus filhos. A palavra para misericórdia é repetida seis vezes em Neemias 9 (Ne 9:17, 19, 27, 28, duas vezes no verso 31). Além disso, a palavra khesed aparece duas vezes (Ne 9:17, 32). O termo khesed geralmente é traduzido como amor constante, mas também como bondade ou misericórdia. A ideia da misericórdia e do amor divino é contrastada com a infidelidade do povo. As pessoas dedicaram tudo o que tinham para suas próprias realizações; no entanto, Deus não as abandonou. Escolheram adorar outros deuses; contudo, Ele não as desprezou. Como diz Neemias 9:17: “Porém Tu, ó Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-Te e grande em bondade, Tu não os desamparaste.” Nosso Deus está sempre pronto a nos perdoar e a transformar nossa vida.

Outra frase que os levitas repetem na oração é: “dos Céus Tu os ouviste” (Ne 9:27, 28). Sempre que o povo clamava a Deus, Ele ouvia. O Senhor espera que nós O chamemos, e sempre que fazemos isso, Ele ouve, não ignora nossas lágrimas ou pedidos. Às vezes, parece que Deus está em silêncio porque não temos as respostas que queremos; porém, Ele para toda vez que chamamos, assim como parou para o cego Bartimeu, que continuou clamando a Jesus porque queria ver (Mc 10). Deus foi ao Monte Sinai para falar com o povo. Apesar disso, Israel O rejeitou depois e escolheu um bezerro de ouro para adorar. Por que o Senhor nos busca tão incessantemente? É que Ele deseja estar perto de nós. Os israelitas reivindicaram a promessa de que o Senhor sempre nos ouve, pois tinha ouvido seus antepassados, e eles tinham fé de que o Altíssimo os ouviria e lhes responderia. E foi isso que aconteceu.

Aplicação para a vida

Assim como os israelitas perceberam que poderiam aprender com as experiências e fracassos de seus antepassados, também podemos aprender com eles hoje.

1. Qual das ações do povo de Israel delineadas na oração precisamos considerar com atenção?

2. O que Deus fez na sua vida? Escreva em um pedaço de papel ou trace um cronograma da intervenção do Senhor em sua vida, seguindo as instruções abaixo:

A. Descreva a vida da sua família e a sua caminhada com Deus. Desenhe os altos e baixos e faça uma lista deles. Vá até onde você possa se lembrar, representando graficamente o que aconteceu. Indique os pontos nos quais diferentes membros da família aceitaram a Cristo. O que você percebe no desenho?

B. Agora, faça o mesmo com sua própria vida em um pedaço de papel. 1) Escreva em que pontos você pode ver claramente a orientação divina. 2) Você vê algum padrão? Qual?

Embora nossos fracassos sejam reais, a esperança que temos é que Jesus tem misericórdia de nós e nos cobre com Sua justiça. Assim como os israelitas tinham a promessa da grande misericórdia divina, nós também a temos hoje. O que você pode colocar nas mãos de Deus, sabendo que Ele é cheio de misericórdia e amor por você?

Orfã do genocídio

Os pais de Delphine morreram em 1994, vítimas do genocídio em Ruanda. Ela ficou sozinha. Suas primeiras lembranças eram de estar chorando pela perda dos pais em um orfanato cristão. Ela perguntava repetidamente quando poderia ver a mãe. “Em breve você a verá”, as pessoas respondiam. Delphine pensou que a mãe estava em algum lugar e esperava que ela voltasse. Mas, enquanto o tempo passava mais sentia desesperançada.

Entre as funcionárias do orfanato haviam mulheres designadas como mães substitutas. A escolhida para Delphine chamava-se Brigitte e era membro da igreja adventista do sétimo dia. A nova mãe a levou à igreja. Delphine gostou muito de mudar de ambiente. Os irmãos da igreja eram bondosos. Mas, aos sete anos, o governo fechou todos os orfanatos e Delphine foi adotada por uma família. Ela esperava que a família trouxesse luz à sua vida, mas aconteceu o oposto.

Inicialmente, a família a tratou com carinho. Eles tinham uma filha da mesma idade de Delphine que se chamava Mutesi. Isso aumentou sua alegria porque ela desejava que os pais a amassem como amavam a filha biológica. Mas, não foi o que ocorreu. Pela manhã, Delphine era obrigada a limpar a casa e buscar água, antes de ir à escola. As tarefas faziam com que se atrasasse para as aulas e a professora a castigava com palmadas. Algumas vezes, a professora ordenava que voltasse para casa, mas Delphine esperava fora do prédio escolar até que as aulas terminarem para voltar para casa com a irmã adotiva

A nova mãe sabia que causava esses problemas para nova filha, mas não fez nada por isso. Em pouco tempo, começou a expressar o ódio abertamente. Ela se recusava a alimentá-la no horário das refeições e ordenou que parasse de chamá-la de mãe. “Não sou sua mãe biológica,” dizia. Ao contrário da mãe, Mutesi amava Delphine, e chorava quando via as pessoas maltratando a irmã. Ela lhe dava comida e leite, embora a mãe a repreendesse. O pai também a amava.

Tudo veio à tona quando Delphine estava com treze anos, no final do ano escolar. Ela passou em todas as provas, mas Mutesi não. Naquele dia, ao voltarem para casa, a mãe expulsou Delphine de casa. Felizmente, outras famílias com órfãos sentiram pena e a acolheram nos anos seguintes. O governo também ajudou. Delphine nunca terminou o ensino médio.

Enquanto se aproximava da fase adulta, Delphine sentia que a vida parecia cada vez mais sem esperança. Ela odiava a todos e estava convencida de que esse ódio era recíproco. Tinha dúvidas sobre Deus e o interesse Dele por ela. Por isso, também O odiava. Certa vez, Delphine tentou o suicídio ingerindo muita bebida alcóolica, mas não obteve sucesso.

Certo dia, enquanto caminhava pelas ruas de Nyamata ouviu a voz de um pregador transmitida por alto-falantes. O pregador, Frederic Musoni, era o orador da campanha evangelística da igreja adventista. “Você deseja ser curado?”, ele perguntava. Parecia que o pastor falava diretamente para ela, que parou um momento para ouvir. Ela percebeu uma voz falar ao coração, “Tenha bom ânimo, eu a amo”.

Quando o pregador fez um apelo, a voz falou novamente ao coração e ela respondeu. Dentro da igreja, o pastor orou por Delphine, que voltou para casa muito feliz. Naquela noite ela dormiu em paz pela primeira vez na vida. No fim da série evangelística, Delphine estava entre as 150 pessoas que foram batizadas. Eles quebraram o recorde de 110 pessoas batizadas depois de uma série evangelística de três semanas em 2.027 lugares por toda Ruanda em Maio de 2016.

“Quando saí das águas batismais, senti paz e liberdade. Comecei a amar as pessoas e percebi que Deus nunca me abandonou. Eu amo Jesus, que morreu por mim e acredito que reencontrarei com meus pais novamente”, diz. Hoje, Delphine tem 25 anos de idade e vende artesanato.

“Se você é pai em um lar confortável, por favor, cuide de uma criança carente. Evite falar palavras ásperas para uma criança, mesmo depois que cresça. Ela nunca esquecerá o que ouviu”, diz. “Se você está sofrendo, talvez porque, como eu, não foi criado pelos seus pais, saiba que a paz só existe ao permitir que Jesus seja seu tudo. Jesus é o verdadeiro Pai, Consolador, descanso e paz.”

Dicas da História

  • Peça que uma jovem apresente este informativo na primeira pessoa.
  • Delphine ficou ainda mais traumatizada ao visitar o Museu do Genocídio em Kigali como aluna do Ensino Médio. Após horas de genocídio ela ficou muda durante seis meses. Quando conseguiu falar novamente, a voz mudou permanentemente.
  • Assista ao vídeo sobre Delphine no Youtube: bit.ly/Delphine-Uwinez.
  • Fazer o download das fotos de resolução média desta história na página do Facebook: bit.ly/fb-mq. As fotos estarão disponíveis nos domingos, seis dias antes de a história ser apresentada.
  • Fazer o download das fotos em alta-resolução no banco de dados na página: bit.ly/ Orphan-of-Genocide.
  • Fazer o download das fotos em alta-resolução dos projetos do trimestre no site: bit.ly/ECD-projects-2019.

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 4º Trimestre de 2019

Tema Geral: Esdras e Neemias

Lição 7: 9 a 16 de novembro

Autor: Luiz Gustavo Assis
Revisora: Josiéli Nóbrega
Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Nosso Deus perdoador

Quem sabe seja minha predileção pelo número sete, mas a sétima lição é, na minha opinião, a melhor deste trimestre. O foco desta semana é o capítulo 9 de Neemias, especialmente a leitura da Lei de Javé, a confissão pública e a poderosa oração dos levitas. Sobre o primeiro item, meu comentário na semana passada enfatizou a necessidade que as nossas as unidades de Escola Sabatina, bem como os púlpitos adventistas, voltarmos ao texto bíblico, em lugar de nos envolvermos em discussões políticas, especulações escatológicas e discussões que enfatizem somente os escritos de Ellen White em detrimento do texto bíblico. Mais do que nunca precisamos ler a Bíblia, aprender com suas histórias, internalizar os princípios ali apresentados. A própria Ellen White enfatizou isso (3MS, 33).

Quanto à confissão pública, parte dela envolveu os tradicionais ritos de arrependimento: jejum, vestir roupas simples (“pano de saco”) e colocar terra sobre a cabeça (Ne 9:1). A prática do jejum tinha vários objetivos nos tempos bíblicos: expressar luto (1Sm 31:13), humilhação durante o dia da expiação (Lv 16; 23:26-32; Nm 29–30), clamar pelo favor divino (Sl 35:13; 2Sm 12; Jn 3), e obter atenção divina (Êx 34:28; Dt 9:18, 19). No caso do povo de Jerusalém nos dias de Neemias, aparentemente eles estavam se humilhando perante Deus, clamando pelo Seu favor e tentando obter Sua atenção diante da realidade dos pecados da nação que estavam sendo confessados publicamente.

Em relação à oração dos levitas, existem inúmeros pontos que merecem nossa atenção. Essa oração é basicamente uma recapitulação da história de Israel desde Abraão até o retorno dos judeus de Babilônia. Abaixo, destaco cinco pontos importantes da oração dos levitas em Neemias 9 que podem nos ensinar profundas lições:

1) O caráter de Deus (9:5, 6): A oração dos levitas começa com uma exaltação do nome de Deus. Ele é o Criador e o único que merece ser adorado por Suas criaturas. Ao mesmo tempo que devemos orar sabendo que Deus está disposto a nos ouvir, é fundamental reconhecermos que Ele é digno de nosso respeito e de nossa reverência. Afinal, Ele é o Criador.

Em Neemias 9:17b, os sacerdotes oraram: “Porém Tu, ó Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-Te e grande em bondade, Tu não os desamparaste.” Esse verso é um eco de como o próprio Deus Se apresentou para Moisés no monte Sinai (Êx 34:6, 7). No entanto, os levitas adicionaram uma definição para Javé que não aparece no texto de Êxodo: Deus é selihot, ‘perdoador.’ Digno de nota é o fato de que o verbo hebraico salah (perdoar) só é usado tendo Deus como sujeito. Esse foi um dos motivos pelos quais alguns escribas acusaram Jesus de blasfêmia quando Ele perdoou os pecados de um paralítico (Mc 2:7).

2) O caráter da humanidade (9:10, 16, 29): Durante a recapitulação da história de Israel na oração dos levitas, eles mencionaram a forma pela qual os egípcios agiram com os antepassados dos judeus que foram escravizados por eles. Em Neemias 9:10, está escrito que os egípcios trataram os hebreus com “soberba.” O termo hebraico usado nesse verso é o verbo zid, cujo significado básico é agir de maneira arrogante ou rebelde. Curiosamente, quando os levitas mencionam a atitude dos seus antepassados em não dar ouvidos aos mandamentos de Deus, eles usam o mesmo verbo, zid: “eles, porém, os nossos pais, se houveram soberbamente (Hb zid) e endureceram a cerviz, e não deram ouvidos aos Teus mandamentos” (9:16; ver também 9:29). Muitas vezes podemos encontrar em nossa vida justamente os pecados e erros sobre os quais acusamos outras pessoas.

3) O cuidado de Deus pelo Seu povo (9:12-15, 21-25): A prece dos sacerdotes também lembrou do cuidado constante que Deus teve para com os hebreus durante os quarenta anos que eles viveram no deserto. Javé os guiou pelo deserto, além de proporcionar água e maná para eles. Até mesmo as roupas e sandálias dos hebreus foram alvo do cuidado divino. Quando eles entraram na terra prometida, na época de Josué, Deus também foi à frente dos israelitas, derrotando reis e proporcionando para eles terra fértil.

Assim como Deus cuidou dos israelitas, Ele também cuida de nós. Um dos conselhos mais práticos que já recebi na minha caminhada cristã, e que transmiti para outros durante meu ministério pastoral, foi o de fazer uso de um pequeno caderno como memorial de orações respondidas ou de momentos em que Deus cuidou de alguma situação específica na minha vida. Quando situações inesperadas surgiram em minha vida, a leitura de algumas páginas desse caderno me ajudou a lembrar de como Deus já havia atuado em minha vida.

4) A rebeldia humana (9:26): Neemias 9:25 chama de “grande bondade” tudo aquilo que Deus fez pelo povo. E como os israelitas responderam a esses atos divinos? O verso seguinte diz: “Ainda assim foram desobedientes e se revoltaram contra Ti; viraram as costas à Tua lei e mataram os Teus profetas, que protestavam contra eles, para os fazerem voltar a Ti; e cometeram grandes blasfêmias” (9:26). Deus mostrou “grande bondade” para com Seu povo e eles responderam com “grandes blasfêmias,” esquecendo-se da Lei, matando os mensageiros divinos, os profetas, e protestando contra a mensagem deles. Quando existe abundância, a tendência é confiar cada vez mais na capacidade humana e se esquecer do cuidado de Deus.

5) A reação divina diante da rebeldia humana (9:30-38): A parte final da oração daqueles sacerdotes enfatiza a paciência de Deus com Seu povo ao longo da história do Antigo Testamento. Em Neemias 9:30 lemos: “No entanto, os aturaste por muitos anos [Hb mashak] e testemunhaste contra eles pelo Teu Espírito, por intermédio dos Teus profetas; porém eles não deram ouvidos; pelo que os entregaste nas mãos dos povos de outras terras.” Por “aturar”, entenda “arrastar”, um dos principais significados do verbo hebraico mashak, usado no começo do verso. Normalmente arrastamos aquilo que não mais conseguimos carregar nos braços. Mesmo assim, Deus não permitiu a destruição completa do Seu povo. O que fez Javé dar uma segunda chance para Israel? Sua graça e misericórdia (9:31).

E quanto a nós hoje? Será que a experiência dos moradores de Jerusalém, reconhecendo seus pecados publicamente e buscando o favor divino, tem alguma relevância para nós como igreja? Se fôssemos católicos, acreditaríamos na infalibilidade dos nossos líderes e da nossa Igreja. Mas como adventistas, temos que reconhecer que nossa Igreja errou muitas vezes no passado. Apenas a título de ilustração, em 2005 a Igreja Adventista do Sétimo Dia na Áustria e Alemanha reconheceu publicamente que não fizeram tudo o que poderiam ter feito para proteger judeus durante o regime nazista (1933-1945), e lamentaram profundamente o envolvimento e a participação de muitos de seus membros e líderes em atividades do partido nazista. Parte da declaração pode ser lida no site de notícias da IASD: https://bit.ly/32Set6u. Apesar de ser doloroso reconhecer erros do passado, a confissão é o primeiro passo no processo de restauração.

Que sigamos o conselho do sábio: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28:13).

Conheça o autor dos comentários: Luiz Gustavo Assis serviu como pastor distrital no Rio Grande do Sul por cinco anos e meio. Em 2013, continuou seus estudos acadêmicos nos Estados Unidos. Ele possui um mestrado em arqueologia do Antigo Oriente e línguas semíticas pela Trinity Evangelical Divinity School (Deerfield, IL), e atualmente está no meio do seu programa doutoral em Antigo Testamento no Boston College (Newton, MA). É casado com Marina Garner Assis, que por sua vez faz seu doutorado em filosofia da religião na Boston University. Juntos eles têm um filho, Isaac Garner Assis.