Deus chama cada pessoa para uma obra específica? Existem critérios que tornam alguém mais qualificado do que outros para realizá-la? A perspectiva humana é diferente da perspectiva divina ao estabelecer esses critérios? A maioria das pessoas provavelmente responderia que sim, principalmente às duas últimas perguntas. Há momentos em que Deus nos capacita para realizar uma tarefa específica por meio da educação ou das experiências; outras vezes, Ele nos escolhe para o serviço simplesmente porque somos dispostos e humildes. Nem sempre é fácil saber qual é o chamado de Deus para nossa vida. No entanto, a Bíblia está repleta de histórias de pessoas que Deus escolheu para realizar tarefas específicas.
Curiosamente, Esdras e Neemias foram chamados por Deus para uma tarefa: reconstruir o que estava em ruínas. Entretanto, a reconstrução nesse caso envolvia vários trabalhos. Eles deveriam levar o povo de Israel de volta para Jerusalém e reconstruir o templo e a cidade. Ao mesmo tempo, eles deveriam ensinar o povo sobre Deus e, acima de tudo, guiá-lo de volta a um relacionamento de compromisso com Ele. Realmente esse foi um importante chamado de Deus!
Esdras foi escolhido por diversas razões: (1) ele estava disposto a ir; (2) era um líder; e (3) era também um mestre e escriba habilidoso. Além disso, existem outras razões, mas há um verso que talvez indique mais claramente por que Esdras recebeu essa tarefa.
1. O que Esdras 7:10 revela sobre esse líder? De que forma ele poderia ter “preparado” ou “disposto” seu coração para buscar “a Lei do Senhor” e cumpri-la?
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A palavra hebraica para “preparado” ou “disposto” é kun. Ela pode ser traduzida como “preparado, decidido, firmado, estabelecido firmemente, mantido estável ou fixo”. Portanto, o verdadeiro significado dessa declaração é que Esdras “dispôs firmemente em seu coração” ou “decidiu em seu coração” buscar a Deus.
Após chegar a Jerusalém, Esdras deu o exemplo do que significa ser dedicado a Deus e ensinou a Palavra do Senhor nessa cidade por 13 anos. Pode ter parecido que ele não estivesse fazendo nenhuma diferença durante esse tempo, mas, depois que os muros foram concluídos, o povo convocou uma assembleia – não porque alguém os forçasse, mas porque desejavam fazê-lo.
A Palavra de Deus ensinada por Esdras se enraizara em seu coração.
2. Por que Neemias foi escolhido? (Ne 1:1-11). Assinale a alternativa correta:
A.( ) Porque ele era muito rico.
B.( ) Por causa de seu amor a Deus e compaixão pelo povo.
Neemias tinha um coração voltado para Deus e o povo. Então ficou aflito quando descobriu que a obra em Jerusalém havia parado. Ele tinha uma paixão pela causa e, assim como Esdras, ofereceu-se para o trabalho. Deus respondeu às suas orações e atendeu aos seus desejos. Às vezes, temos a ideia de que, se amamos alguma coisa, essa atividade não pode ser consagrada a Deus, pois o Senhor nos oferece apenas tarefas difíceis, que não desejamos realizar. Mas, se andamos com Deus, o desejo de fazer algo que amamos é muitas vezes dado por Ele. O Senhor deseja que tenhamos paixão pelo que fazemos por Ele.
Na primeira lição deste trimestre mencionamos que Deus chamou Zorobabel (538 a.C.) e Esdras (457 a.C.) para ministérios especiais. Na segunda lição, refletimos sobre o chamado de Deus para Neemias (444 a.C.). Precisamos entender que esses chamados foram realizados em harmonia com a presciência de Deus. Por exemplo, Zorobabel foi movido por Deus para realizar uma tarefa específica em resposta ao fim dos 70 anos de cativeiro sobre o qual Jeremias havia profetizado.
3. Em que ano Esdras foi chamado para o ministério? O ano em que o rei Artaxerxes emitiu um decreto. Por que esse ano é importante na profecia? Dn 9:24-27
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Daniel 9:25 afirma: “Desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas”. A última semana dessa profecia é mencionada no verso 27. Visto que uma semana tem sete dias, uma semana profética corresponde a sete anos (Nm 14:34; Ez 4:5, 6). Portanto, essa profecia fala de 70 semanas, o que equivale a 490 anos. Qual é a data inicial da profecia das 70 semanas? Ela deve ser contada a partir do momento em que foi promulgado o decreto para restaurar e reconstruir Jerusalém.
Houve um total de três decretos com referência à restauração do povo judeu. Ciro, Dario e Artaxerxes deram ordens para que houvesse restauração. No entanto, somente o decreto de Artaxerxes inclui a preocupação com a cidade de Jerusalém, e somente esse decreto está associado à exaltação a Deus por Sua intervenção (Ed 7:27, 28).
Contamos o início da profecia das 70 semanas a partir do ano 457 a.C., o sétimo ano do rei Artaxerxes I, conforme mencionado em Esdras 7:7-26. Além disso, visto que o ano 457 a.C. marca também o início da profecia das 2.300 tardes e manhãs de Daniel 8:14 (veja o estudo da lição de amanhã), esse decreto serve como ponto de partida para as duas profecias. As setenta semanas terminaram no ano 34 d.C., quando a pregação do evangelho foi ampliada e alcançou os gentios (essa data foi marcada pela perseguição da igreja primitiva e pelo martírio de Estêvão). A metade da última semana coincidiu com o ano 31 d.C., ano em que Jesus morreu na cruz.
A palavra “determinadas”, encontrada em Daniel 9:24 (“setenta semanas estão determinadas”) significa literalmente “setenta semanas estão cortadas”. Embora a palavra traduzida como “determinadas” não seja usada em outro lugar da Bíblia, ela é encontrada na literatura judaica e significa “cortar” de algo mais longo. Daniel 8 apresenta a profecia das 2.300 tardes e manhãs, mas seu ponto de partida não é dado. Quando o capítulo seguinte (Dn 9) cita 490 anos como “determinados” ou “cortados”, eles só podem ser “cortados” dos 2.300 anos proféticos mencionados no capítulo oito. Afinal de contas, de que mais esse período poderia ser “cortado”, senão de outra profecia de tempo mais longa?
4. Leia Daniel 8. Qual parte da visão não foi explicada (Dn 8:14, 26, 27)? Assinale a alternativa correta:
A.( )A parte das 2.300 tardes e manhãs.
B. ( )A identidade do carneiro e do bode.
Há muitas razões pelas quais as 70 semanas da profecia de Daniel 9:24-27 e as 2.300 tardes e manhãs de Daniel 8:14 estão interligadas: (1) ambas são profecias de tempo; (2) a terminologia específica de “visão” e “entendimento” as une (veja Dn 8:26, 27; 9:23); (3) ambas as interpretações das profecias foram dadas por Gabriel (veja Dn 8:16; 9:21); (4) a única parte da visão não explicada em Daniel 8 foi a visão sobre as 2.300 tardes e manhãs (às vezes traduzidas como “dias”) em Daniel 8:14; (5) Daniel 8 contém a visão e, em seguida, uma interpretação parcial, enquanto em Daniel 9 há apenas uma interpretação. Neste caso, a explicação da única parte não interpretada de Daniel 8: a profecia dos 2.300 dias de Daniel 8:14, justamente a parte da visão que Daniel não havia entendido (veja Dn 8:27).
As informações em Esdras preenchem as partes que faltam da profecia do livro de Daniel, a saber, quando começar a contar historicamente o tempo profético em relação a aspectos cruciais do ministério de Cristo e Sua obra em nosso favor.

Há muito debate sobre Deus nos eleger ou nos escolher para realizar alguma tarefa. Muitos têm ideias diferentes sobre o significado dessa eleição. O que a Bíblia diz sobre esse assunto?
5. Leia Romanos 8:28, 29. Para que Deus nos chama? Para que Ele nos escolhe?
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Essa passagem afirma especificamente que Deus predestinou a humanidade para ser conforme a imagem de Seu Filho. Ela não diz que o Senhor nos predestinou para sermos salvos ou condenados nem diz que não temos escolha quanto a esse assunto. Em outras palavras, o propósito da eleição é a nossa transformação. Devemos ser transformados para refletir o Filho de Deus. Essa mudança foi então prometida no verso seguinte
(Rm 8:30), no qual Paulo declarou que aqueles a quem Deus chama Ele também justifica (torna-os justos) e glorifica (santifica). Portanto, o Senhor não pede que transformemos a nós mesmos; em vez disso, o Criador promete realizar essa mudança pelo Seu poder.
6. Leia Romanos 9. Qual tipo de eleição ou chamado de Deus é descrito nesse capítulo? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
A.( )A eleição para a salvação.
B.( )A eleição para uma tarefa específica.
Em Romanos 9, Paulo discutiu a eleição divina para uma tarefa específica. Os israelitas haviam sido escolhidos para levar as boas-novas sobre Deus ao mundo. A frase “amei Jacó, porém Me aborreci de Esaú” (Rm 9:13) é comumente compreendida no sentido de que Deus amou somente um dos irmãos. Porém, no contexto dessa passagem, Paulo estava dizendo que Jacó tinha sido escolhido, mas não Esaú. Para que Jacó havia sido selecionado? Para ser o pai da nação israelita. Portanto, existem dois tipos de eleição ou escolha que Deus faz. Primeiramente, Ele escolhe cada um de nós para a salvação e deseja que sejamos transformados à imagem de Jesus. Em segundo lugar, Ele escolhe pessoas diferentes para tarefas específicas.
Se somos chamados por Deus, ainda temos a livre escolha de aceitar ou rejeitar esse chamado, assim como podemos aceitar ou rejeitar a salvação que Ele nos oferece. O Senhor pode nos colocar em uma posição específica, mas podemos escolher não seguir Suas ordens. Evidentemente, Deus deseja que façamos determinadas coisas por Ele, assim como nos convida a nos tornarmos como Ele. A eleição divina para uma tarefa específica faz parte de Seu plano para a nossa salvação. Ao realizarmos o que o Senhor nos chama a fazer, revelamos em nossa vida a realidade da salvação que Ele nos deu.
Saul foi coroado rei, mas, infelizmente, nunca entregou completamente seu coração ao Senhor, apesar da tarefa que lhe foi concedida. Ser chamado por Deus para fazer algo especial para Ele não é garantia de que a pessoa aceite o Senhor. Nosso livre-arbítrio continua sendo o fator determinante. Se não seguimos a orientação divina, podemos perder tudo.
7. Leia Êxodo 3 e 4. O que acontece quando o Senhor chama alguém para uma tarefa?
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Nossa resposta pode ser como a de Esdras e Neemias, que foram sem questionar, ou podemos ser como Moisés, que tinha objeções e desculpas. Moisés acabou obedecendo, mas não sem antes tentar se livrar da tarefa. Ele se opôs a ela, alegando que não era bom o suficiente, que era alguém sem valor e que não tinha um cargo importante. Então, como o faraó poderia ouvi-lo? Moisés também estava preocupado com a possibilidade de o povo judeu não acreditar nele nem o escutar, de modo que a obra se tornasse inútil. Além disso, ele se queixou de que não era qualificado: “Sou pesado de boca e pesado de língua” (Êx 4:10). Ele disse que não tinha as habilidades necessárias. Por fim, Moisés propositalmente pediu a Deus que enviasse outra pessoa. No entanto, ao lermos a história dele, descobrimos o líder poderoso, embora falho, em que ele se tornou. Esse servo do Altíssimo cumpriu fielmente a tarefa que o Senhor o havia chamado para realizar.
Texto de Ellen G. White: Profetas e Reis, p. 697-699. Leia atentamente o trecho que fala sobre a profecia das 70 semanas e seu cumprimento histórico.
“O tempo da vinda de Cristo, Sua unção pelo Espírito Santo, Sua morte, e a pregação do evangelho aos gentios foram definidamente indicados.
O povo judeu teve o privilégio de compreender essas profecias e reconhecer seu cumprimento na missão de Jesus. Cristo insistia com Seus discípulos quanto à importância do estudo profético. Referindo-Se à profecia dada a Daniel acerca do tempo deles, disse: ‘Quem lê, entenda’
(Mt 24:15). Depois de Sua ressurreição, Ele explicou aos discípulos em ‘todos os profetas’, ‘o que Dele se achava em todas as Escrituras’ (Lc 24:27, ARC). O Salvador falara por intermédio de todos os profetas. ‘O Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir’” (1Pe 1:11, ARC; Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 234).
Perguntas para discussão
1. Que princípios devemos seguir para saber se estamos fazendo a vontade de Deus não apenas quando Ele nos chama a fazer algo de que gostamos, mas em todas as situações?
2. Leia a história de Jonas e como ele respondeu ao chamado de Deus. Quais lições extraímos de sua experiência? Ao mesmo tempo, contraste o que Jonas fez com o que Paulo fez ao ser chamado (At 9:1-20). Quais foram as principais diferenças entre eles?
3. “A história de Judas apresenta o triste fim de uma vida que poderia ter sido honrada por Deus. Houvesse Judas morrido antes de sua última viagem a Jerusalém, e teria sido considerado digno de um lugar entre os doze, e alguém cuja falta muito se faria sentir” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 716). Pense na história de Judas Iscariotes. Seu “chamado” era para trair Jesus? Se sim, isso seria justo para com ele? Como entender Judas e as oportunidades que ele teve em contraste com o que ele, por fim, acabou fazendo? Quais lições aprendemos com sua história sobre o poder da livre escolha?
ESBOÇO
TEXTOS-CHAVE: Esdras 7:10, 27; Romanos 8:28
FOCO DO ESTUDO: Esdras 7; Daniel 8:14; Daniel 9:24-27
Deus chamou Esdras e Neemias para uma tarefa específica: reconstruir os muros e as portas de Jerusalém. Porém, o mais importante é que Deus chamou esses homens para “reedificar” o remanescente do Seu povo a fim de que atuasse mais uma vez como missionário ao mundo. Esdras aceitou o chamado divino para ser um mestre de Sua Palavra. Acompanhado por um grupo de pessoas, ele viajou a Jerusalém para ensinar o povo sobre Deus. Ali, o escriba preparou o povo para restaurar Jerusalém. Reavivamento espiritual sempre precede uma reforma de vida; atitudes decisivas são o resultado natural desse tipo de renovação. Então, num esforço para inspirar o povo a andar com o Senhor integralmente, Esdras dedicou-se a instruí-lo sobre quem Deus é.
Quando Neemias, uma homem de ação, entrou em cena, Deus o chamou para reconstruir as estruturas físicas de Jerusalém, para inspirar o povo a se posicionar pela justiça, a confiar na proteção divina e a realizar uma reforma na vida civil da nação (justiça e cuidado em relação aos menos afortunados eram prioridades para Neemias). Ele demonstrou como é a vida de um cristão que anda a cada dia com o Senhor.
Além disso, a lição confirma que o decreto de Artaxerxes, apresentado em Esdras 7, marca a data inicial da profecia dos 2.300 dias/anos de Daniel 8:14 e da profecia das 70 semanas de Daniel 9:24-27. É discutida também a eleição da parte de Deus no contexto de Romanos 8 e 9.
COMENTÁRIO
Período de tempo profético
Deus chamou Esdras no início do período profético das 70 semanas, esboçado em Daniel 9:24-27. O começo desse período profético corresponde à ordem de Artaxerxes para reconstruir a cidade de Jerusalém em 457 a.C. A lição desta semana explica em detalhes o que significa esse período profético e como ele corresponde à profecia dos 2.300 anos. Por meio das profecias, Deus demonstra de forma especial que está no controle dos acontecimentos e cuida de nosso mundo. Além disso, o Senhor colocou um profeta ou líder sobre Seu povo no início e no final de cada período profético ou tempo de crise em Israel. Por exemplo, Moisés, na época do Êxodo, e Josué, no final da trajetória de Israel pelo deserto, quando o povo de Deus chegou à terra prometida. O seguinte esboço lista os profetas chamados em momentos cruciais da história da salvação, correspondentes ao início e fim de períodos proféticos:
Noé – chamado a servir ao Senhor antes do Dilúvio.
Abraão – chamado para ser o pai do povo de Deus.
Moisés – guiou o povo de Israel desde o Êxodo até as fronteiras da terra prometida.
Josué – conduziu o povo de Deus à terra prometida.
Samuel – foi juiz no início do período da monarquia.
Oseias e Amós – profetizaram sobre a queda do reino do norte e de Samaria, que ocorreu em 722 a.C.
Ezequiel e Daniel – iniciaram o ministério profético durante o exílio babilônico.
Ageu e Zacarias – serviram ao Senhor após o retorno do exílio.
Esdras e Neemias – começaram a servir a Deus na época do início da profecia dos 2.300 dias/anos (457 a.C.).
João Batista – chamou Israel ao arrependimento antes do início do ministério de Jesus.
Estêvão – testemunhou aos gentios (no tempo em que terminou a profecia das 70 semanas, em 34 a.C.).
Ellen G. White – chamada no final do período da profecia dos 2.300 dias/anos (1844).
A partir desse esboço, pode-se observar um padrão no programa divino. No plano da redenção estão delineados marcadores de tempo profético específicos. Sempre que há uma crise espiritual, Deus envia Seus profetas para cumprir a missão divina chamando o povo de volta a Ele e à obediência à Sua palavra.
No tempo certo
Eleição também pode ser o chamado para cumprir uma tarefa específica, como foi o caso de Esdras e Neemias (e de muitos outros servos de Deus; ver Êx 3:9-12; Is 6:7, 8; Jr 1:5-9). De igual maneira, somos chamados a refletir o caráter de Jesus e a fazer algo em nome do Senhor. Pode ser um trabalho que precisamos realizar para Ele ou uma ação que Ele nos impressiona a executar, como ajudar alguém, ou até mesmo uma carreira específica que dure a vida inteira.
Cada um dos líderes mencionados acima foi especificamente escolhido por Deus para um momento único. Isso nos faz lembrar a mensagem que Mordecai enviou a Ester: “Quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?” (Et 4:14). Deus escolheu pessoas especiais para ocasiões em que se requeria ação, arrependimento e comprometimento com Deus. Esdras e Neemias tinham um papel a desempenhar como líderes do povo de Deus no início do mais longo período de tempo profético. Eles também exortaram o povo a viver para o Senhor e demonstrar seu compromisso por meio da fé e ações. Os judeus voltaram de Babilônia influenciados pelo estilo de vida babilônico e pela adoração de muitos deuses. Felizmente, apesar de outros problemas que enfrentaram após o exílio, a idolatria não foi um deles. Contudo, o pluralismo religioso do passado deixou alguns efeitos deletérios. Embora a comunidade judaica não mais adorasse ídolos, a antiga idolatria tornou necessário que Esdras e Neemias ensinassem novamente ao povo o que significava servir ao Deus dos Céus e viver por Ele. O modo aparentemente rigoroso de tratar as situações (como o casamento inter-racial, mencionado nos últimos capítulos de Esdras e Neemias) não deveria nos surpreender, pois ambos os líderes queriam ensinar ao povo o que significava viver em santidade e a mudar radicalmente seu estilo de vida. Assim, tanto Esdras quanto Neemias foram chamados a um compromisso sem reservas com o Senhor, a uma reforma total e ao intenso serviço a Deus.
Chamado para restaurar: uma colaboração
Neemias chegou a Jerusalém em 445/444 a.C., cerca de 13 anos depois do grupo de Esdras. Mas sua missão de reconstruir Jerusalém não teria sido tão vitoriosa sem o trabalho de Esdras. O escriba estava ocupado ensinando o povo acerca de Deus. Em outras palavras, o Senhor estava usando Esdras para “edificar” espiritualmente as pessoas, de modo que elas pudessem “edificar” estruturas físicas quando Neemias chegasse. Deus estava trabalhando nos bastidores, preparando o coração do povo e dos líderes. O Senhor não desejava apenas uma Jerusalém restaurada; Ele desejava um povo restaurado que Lhe pertencesse. Portanto, o principal trabalho de Esdras e Neemias foi conduzir o povo de volta a Deus. Eles não só inspiravam os israelitas para o trabalho a ser feito nas ruínas, mas, ainda mais importante, os influenciavam a descobrir o amor por Deus. Esdras e Neemias deram o exemplo desse sentimento no próprio viver, por meio de oração, jejum, busca da presença divina e vida prática segundo a Sua Palavra.
Os dois servos de Deus foram escolhidos para uma tarefa específica durante um momento estratégico da história, tendo sido chamados como líderes, cada um de forma única, com base no talento individual. Esdras era sacerdote e escriba e, portanto, sua principal influência era por meio dos ensinos da Torá. Neemias, por sua vez, era copeiro do rei e tinha incríveis habilidades de liderança para motivar e reunir pessoas a fim de realizar um trabalho. Esdras era um mestre, Neemias, um homem de ação. Ambos eram líderes e lideravam de maneiras diferentes. Ao mesmo tempo, ambos os estilos de liderança eram importantes para a missão a ser cumprida. Eles se complementavam e cooperavam para fazer a diferença para Deus. Deus usou suas diferentes personalidades e inclinações para que realizassem uma mudança na nação.
No fim das contas, somos responsáveis pelo que fazemos com a tarefa ou posição que Deus nos dá. Decidir que nosso trabalho seja realizado com excelência ou com mediocridade compete a nós. Deus nos ajudará a cada passo. Contudo, não fará por nós a obra que nos deu a fazer.
Podemos ter variedade de dons, mas se não os usarmos para Deus, eles serão inúteis. Cada um de nós tem que decidir dedicar todo o nosso ser a tudo o que o Senhor nos chama a fazer a despeito da oposição. Esdras e Neemias poderiam ter desistido, mas não o fizeram. Em vez disso, perseveraram, pois fixaram os olhos em Deus. A importância do chamado superou o medo das consequências negativas que poderiam resultar de sua coragem de se colocar ao lado do Senhor. Tinham a certeza de que valia a pena enfrentar o perigo para cumprir a missão.
Predestinação
Deus chamou, ou predestinou Seu povo, a nação de Israel, para ser uma luz ao mundo. Paulo tratou desse chamado nos capítulos 9 a 11 de Romanos, tendo em vista o fato de que os líderes de Israel não aceitaram Jesus Cristo como seu Messias e Salvador. No entanto, o chamado de Deus não mudou, mas foi adaptado, pois os valores e o dom da salvação também precisavam ser revelados aos gentios. Ele chamou pessoas específicas para uma tarefa específica. Desejou que os judeus e gentios crentes fossem salvos, e juntos fossem luz e bênção ao mundo.
A predestinação na Bíblia tem três significados básicos:
1. Deus predestinou que existisse apenas um caminho de salvação, a saber, por meio de Jesus Cristo (Jo 14:6; At 4:12). Somos eleitos em Cristo para a vida eterna se O aceitarmos como nosso Salvador pessoal (Rm 8:29; Ef 1:3-8). Ele deseja que todos sejam salvos (1Tm 2:3, 4).
2. Deus predestinou algumas pessoas (tanto indivíduos quanto uma comunidade de crentes) para uma tarefa específica, a fim de cumprir uma missão particular (assim como ordenou que o remanescente fiel proclamasse o evangelho eterno). Deus tem uma missão mundial (Is 49:6).
3. Deus predestinou o clímax da história humana para o momento em que Ele virá como Juiz e dará Sua recompensa (Dn 2). O resultado será Seu triunfo escatológico. O objetivo da eleição não é a salvação de alguns, mas a reunião do maior número possível de pessoas dentre as nações para o ajuntamento final (Ap 21:3).
Aplicação para a vida
As seguintes perguntas lidam com períodos proféticos de tempo:
1. Examine novamente a lista de profetas acima. Concentre-se em alguns nomes. Discuta especificamente como cada um recebeu seu chamado. De que maneira os profetas ou as profetisas sabiam que haviam sido chamados?
2. Por que Ellen G. White se encaixa nessa lista? Como Deus a usou para ser líder espiritual do Seu povo?
3. Como as pessoas reagiram aos líderes chamados pelo Senhor ao longo da história? Por que é tão complicado aceitar os líderes escolhidos por Deus e sua liderança?
4. O que dificulta o trabalho do líder chamado pelo Senhor?
Reflexão pessoal
1. Como alguém reconhece a vontade de Deus?
2. Quais são suas ambições? De que maneira o Senhor chama você para usar suas aspirações e dons para Ele?
3. Como você pode colaborar com pessoas talentosas a quem Deus chamou para servir na igreja, mas que são muito diferentes de você? Como as diferenças entre vocês podem se tornar uma força? Como você pode ter certeza de que está cumprindo a missão que o Senhor lhe confiou?
Dreadlocks e o pai
Michael Kujjoo sempre odiou o pai. Algumas vezes, as pessoas perguntavam: “Onde está seu pai?” Michael respondia: “Meu pai morreu.” Nisso mostrava quanto o odiava. O pai de Michael se divorciou da mãe quando ele tinha nove anos, em Uganda. No início, ele visitava a fazenda do pai, mas era forçado a trabalhar arduamente. Quando terminava o trabalho do dia, o pai não lhe dava alimento, e ele se sentiu usado.
Certa ocasião, depois de visitar o pai, Michael disse à mãe: “Não posso mais ficar com o papai”. Nunca mais voltou para a fazenda, mas não podia esquecer sua mágoa. A vida foi dura e ele culpava o pai. Pensava que a vida seria mais fácil se o pai não tivesse abandonado a família. Sem dinheiro, Michael abandonou a escola no terceiro ano e se tornou rapper. Mudou-se para o Quênia, onde trabalhou em casas noturnas e deixou crescer longos dreadlocks. Quando o tio lhe convidou para Sudão do Sul, ele levou seu grupo de hip-hop para apresentar nas casas noturnas em Juba.
Certo dia, Michael descia uma rua e um comerciante gritou para ele: “Que igreja você frequenta?” Michael parou e respondeu que não tinha religião. “Por que não?” “Olhe para mim”, Michael disse, apontando seus dreadlocks. “Você acha que posso frequentar igreja?” “Sim, você pode ir a uma igreja”, o homem respondeu. Michael perguntou qual era a igreja frequentada pelo comerciante e este informou que era membro da Igreja Adventista Central de Juba. “Esses caras tem orações e curas falsas”, Michael disse. O comerciante o convidou para ir à igreja, mas ele se recusou.
Em outro dia em que Michael teria que passar em frente da loja, tentou se desviar quando o comerciante o chamou. “Estamos iniciando uma série evangelística de três semanas no próximo sábado”, disse. “Por que você não vem?” Finalmente, Michael foi e gostou das orações simples e diretas a Deus. Então, o pastor falou sobre o sábado e mostrou os versos provando que Deus nunca mudou o dia de guarda do sábado para o domingo. Em casa, Michael leu a Bíblia cuidadosamente e se convenceu de que o dia de guarda era o sábado.
No último sábado das conferências, Michael estava entre as pessoas que foram batizadas no rio Nilo. Ninguém comentou sobre os dreadlocks. Porém, quando ele começou a frequentar a igreja no sábado, ouviu comentários sobre seu cabelo. “Você é batizado”, alguém disse. “Você não quer raspar o cabelo?” “Você quer me desafiar?" Michael respondeu. “Até mesmo Sansão tinha o cabelo grande! Esse cabelo não é ruim.” “Mas as pessoas estão olhando você por causa do seu cabelo“ o irmão disse. “Não me importo”, Michael respondeu. “Não devemos julgar as pessoas.”
Porém, Michael sabia que havia algo errado. Quando ele contava seu testemunho em várias igrejas, sempre começava dizendo: “Não se importem com minha aparência. Sou como vocês.” No seu íntimo, ele queria saber se os adventistas realmente o aceitavam ou se o estavam usando com o pai fizera anteriormente. Um ano se passou e ele percebeu que os membros da igreja o amavam. Ele se sentiu em casa e cortou os dreadlocks.
Na mesma época, lembrou-se do pai. E leu na Bíblia: “Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas" (Mt 6:15, NVI). Depois disso, orou: “Senhor, se esta é a Sua vontade, que seja assim. Ensina-me a perdoar.” Passaram-se três meses até conseguir o número telefônico do pai. Michael esperava que ele estivesse zangado, porém se enganou.
“Quem é?”, o pai respondeu à ligação. “É meu filho?” “Sim, sou eu!”, foi a resposta. “É difícil explicar o que aconteceu.” “Deixe pra lá”, o pai disse. “Não se preocupe com isso. Só quero retomar nossa relação pai e filho. Venha para casa quando puder e darei minha benção.” Os trinta anos de ódio desapareceram do coração de Michael. “Pensei que o odiaria pelo resto da minha vida,” diz Michael, 38, que agora trabalha como motorista e faz alguns trabalhos temporários em Juba. “Mas tudo mudou ao ouvir um sermão na igreja. Essa igreja realmente prepara as pessoas para o Céu.”
Muito agradecemos pelas ofertas do trimestre enviadas em 2016 que ajudaram a construir salas para a Escola Sabatina na igreja adventista central de Juba, onde Michael assiste. Parte das ofertas do trimestre ajudará a construir uma escola de Ensino Médio perto da igreja.
Dicas da História
- • Fazer o download das fotos de resolução média desta história na página do Facebook: bit.ly/fb-mq. As fotos estarão disponíveis nos domingos, seis dias antes de a história ser apresentada.
- • Fazer o download das fotos em alta-resolução no banco de dados na página: bit.ly/Dreadlocks-and-Dad
- • Fazer o download das fotos em alta-resolução dos projetos do trimestre no site: bit.ly/ECD-projects-2019.

