Lição 12
11 a 17 de setembro
O profeta inquieto
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Ez 45-48
Verso para memorizar: Deus disse a Jonas: “E você não acha que Eu deveria ter muito mais compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem distinguir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?” (Jn 4:11).
Leituras da semana: Jn 1–4; Jr 25:5; Ez 14:6; Ap 2:5; Lc 9:51-56; Jd 1-25

Uma das histórias mais interessantes das Escrituras é a de Jonas. Ali estava ele, um profeta de Deus, chamado pelo Senhor, mas que fugiu do chamado. Então, depois de ser persuadido de maneira dramática a mudar de ideia e obedecer ao Senhor, ele finalmente o fez, mas apenas para queixar-se de que as pessoas a quem havia sido chamado a testemunhar tinham se arrependido e sido poupadas da destruição que, de outra forma, teria ocorrido! Esse é um exemplo de alguém que não tinha descanso, que não estava em paz – a ponto de clamar: “Agora, Senhor, peço que me tires a vida, porque para mim é melhor morrer do que viver” (Jn 4:3).

O próprio Jesus Se referiu à história de Jonas, dizendo: “Ninivitas se levantarão, no Juízo, com esta geração e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas” (Mt 12:41). Com certeza Cristo era maior que Jonas! Se não, Ele não poderia ser nosso Salvador.

Nesta semana, examinaremos a história de Jonas e o que podemos aprender com sua inquietação e falta de paz.



Domingo, 12 de setembro
Ano Bíblico: Dn 1-3
Fugindo

Jonas foi um missionário bem-sucedido, mas relutante, pelo menos no início. O chamado de Deus afetou sua vida de modo significativo. Em vez de colocar o jugo de Deus sobre os ombros e descobrir que Seu jugo é suave e que Seu fardo é leve (Mt 11:30), Jonas decidiu encontrar seu próprio “descanso”, ao ir em direção oposta à que Deus o estava chamando. 1. Onde Jonas esperava encontrar paz e descanso do chamado de Deus? Deu certo para ele? Leia Jonas 1 e assinale a alternativa correta: A. ( ) Nas montanhas. Ali, porém, Deus apareceu a ele. B. ( ) Em um navio para Társis, mas a presença do Senhor o alcançou.

Jonas partiu em direção oposta à que Deus o tinha chamado. Ele nem sequer parou para argumentar com Deus, como fizeram outros profetas da Bíblia quando foram chamados para ser mensageiros do Senhor (veja, por exemplo, Êx 4:13).

Curiosamente, essa não foi a primeira vez que Jonas tinha sido chamado para falar em nome de Deus, como é sugerido em 2 Reis 14:25. Na ocasião descrita em Reis, porém, Jonas fez o que o Senhor havia lhe pedido. Contudo, não dessa vez. Por quê?

Registros históricos e arqueológicos documentam a crueldade dos senhores neo-assírios que dominaram o antigo Oriente Próximo no 8o sé-culo a.C., época em que Jonas ministrou em Israel. Cerca de 75 anos depois, Senaqueribe atacou Judá. Israel e Samaria haviam caído vinte anos antes, e o rei Ezequias aparentemente havia se juntado a uma coalizão local antiassíria.

Havia chegado a hora de os assírios acertarem as contas. A Bíblia (2Rs 18; Is 36), documentos da Assíria e os relevos das paredes do palácio de Senaqueribe em Nínive contam a história cruel da queda de Laquis, uma das mais importantes fortalezas na fronteira sul de Ezequias. Em uma das inscrições, Senaqueribe dizia ter feito mais de duzentos mil prisioneiros de 46 cidades fortificadas que ele alegava ter destruído. Quando o rei assírio tomou Laquis, centenas ou milhares de prisioneiros foram empalados; os partidários radicais de Ezequias foram esfolados vivos, e o restante foi enviado à Assíria como mão de obra escrava.

Os assírios eram cruéis. E Deus enviou Jonas para o centro daquele império?

É de admirar que Jonas não quisesse ir?

Você já fugiu de Deus? A fuga deu certo para você? O que você aprendeu com esse erro?


Segunda-feira, 13 de setembro
Ano Bíblico: Dn 4-6
Um descanso de três dias

Ao fugir de Deus, Jonas teve problemas. Seu “descanso” foi perturbado quando o Senhor interveio por meio da tempestade. Deus salvou Jonas da sepultura nas águas, ordenando que um peixe o salvasse. No entanto, somente quando Jonas se viu num descanso forçado de três dias no grande peixe, ele percebeu como dependia de Deus. Às vezes, temos que ser levados aonde não temos nada que o mundo oferece para nos apoiar, a fim de perceber que nossa necessidade é de Jesus.

2. Leia a oração de Jonas no ventre do peixe (Jn 2:1-9). Sobre o que ele orou? Assinale a alternativa correta: A. ( ) Ele orou pelos ninivitas. B. ( ) Ele pediu que pudesse ver outra vez o templo do Senhor.

Embora ele estivesse nas profundezas, numa situação muito perigosa, Jonas orou pelo santuário. Ele olharia para o “santo templo do Senhor”.

O que estava acontecendo ali?

O templo foi o ponto focal dessa oração e deveria ser o ponto central da oração em geral. Existia apenas um lugar no Antigo Testamento em que Deus podia ser encontrado. Ele estava no santuário (Êx 15:17; Êx 25:8), o lugar central de oração e comunhão com Deus.

No entanto, Jonas não estava se referindo ao templo de Jerusalém. Em vez disso, ele estava falando do santuário celestial (Jn 2:7). Era ali que estava sua esperança, pois era daquele lugar que verdadeiramente vinham Deus e a salvação oferecida por Ele.

Jonas finalmente havia entendido essa verdade. Havia experimentado a graça de Deus e sido salvo. Quando o grande peixe vomitou Jonas, ele entendeu em primeira mão o amor de Deus por ele, um profeta fugitivo, e aprendeu (mesmo com desvios no caminho) que o único caminho seguro para o cristão é fazer a vontade do Senhor.

Ele então decidiu cumprir seu dever e obedecer às ordens de Deus, finalmente indo para Nínive, pela fé, visto que estava se dirigindo a uma cidade extremamente perversa, cujos cidadãos podiam não gostar daquele profeta estrangeiro denunciando-lhes a grande maldade.

Às vezes, precisamos nos afastar de tudo para ter uma nova perspectiva. Embora a história de Jonas, que sobreviveu no ventre do peixe, seja um caso extremo, o afastamento do nosso ambiente nos permite ver esse ambiente de uma perspectiva nova e talvez necessária?


Terça-feira, 14 de setembro
Ano Bíblico: Dn 7-9
Missão cumprida

Comparada a qualquer cidade em Israel, Nínive era enorme. “Ora, Nínive era uma cidade muito importante diante de Deus; eram necessários três dias para percorrê-la” (Jn 3:3).

3. Leia Jonas 3:1-10. Qual foi a resposta daquela cidade perversa? Quais lições podemos extrair dessa história em nossa tentativa de testemunhar aos outros?

Enquanto caminhava pela cidade, Jonas proclamou a mensagem de Deus: “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída” (Jn 3:4). A mensagem foi ao ponto. Embora os detalhes não tenham sido apresentados, fica claro que a mensagem caiu em ouvidos receptivos e que o povo de Nínive, de maneira coletiva, acreditou nas palavras de advertência de Jonas.

De maneira típica do Oriente Próximo, o rei de Nínive proclamou um decreto para demonstrar mudança no coração. Todos, inclusive os animais, precisariam jejuar e lamentar. O rei desceu de seu trono e sentou-se sobre cinzas, um ato simbólico muito importante.

4. Quais elementos estavam envolvidos no discurso do rei, que mostra sua compreensão do verdadeiro arrependimento? Jn 3:6-9; Jr 25:5; Ez 14:6; Ap 2:5

O sermão foi curto, direto ao ponto, mas repleto de teologia correta sobre o arrependimento. Enquanto Jonas pregava, o Espírito Santo trabalhava no coração dos ninivitas.

Os ninivitas não haviam tido o privilégio dos israelitas de vivenciar todas as histórias da terna condução de Deus, e, ainda assim, eles responderam de maneira positiva. Disseram, com efeito, “que nos lancemos na misericórdia do Senhor, não em nossas próprias realizações! Confiemos totalmente em Sua bondade e graça”.

Estranhamente, Jonas, que tinha experimentado a graça de Deus, pensava que a graça fosse algo tão exclusivo que somente alguns podiam ter a oportunidade de depender dela e descansar nela.

Por que o arrependimento é tão essencial na experiência cristã? O que significa nos arrepender dos pecados, especialmente dos pecados que cometemos repetidamente?


Quarta-feira, 15 de setembro
Ano Bíblico: Dn 10-12
Um missionário irado e inquieto

5. Qual era o problema de Jonas? O que aprendemos de seu caráter defeituoso? Jn 4:1-11

Infelizmente, a história de Jonas não termina no capítulo 3.

O capítulo 4 começa com a ira de Jonas para com Deus porque seu esforço missionário tinha sido muito bem-sucedido. Jonas estava preocupado em parecer tolo. Deus tomou tempo para conversar com Seu profeta, que se comportou como criança, tendo um acesso de ira.

Os fiéis de Deus, mesmo os profetas, têm que amadurecer e vencer algumas coisas.

“Quando Jonas viu o propósito de Deus de poupar a cidade que, apesar de sua impiedade, tinha sido levada a se arrepender, vestida em pano de saco e coberta de cinza, ele devia ter sido o primeiro a se alegrar com a maravilhosa graça de Deus. No entanto, ao contrário disso, permitiu que sua mente se fixasse sobre a possibilidade de ser considerado um falso profeta. Preo-cupado com sua reputação, ele perdeu de vista o valor infinitamente maior dos que viviam naquela cidade infame” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 271).

A paciência de Deus para com Seu profeta foi surpreendente. Ele estava determinado a usar Jonas, e quando Jonas fugiu, Deus enviou a tempestade e o peixe para trazer o fugitivo de volta. E, novamente, quando Jonas estava sendo teimoso e hostil, Deus buscou persuadi-lo de sua postura ruim, dizendo-lhe: “Você acha que é razoável essa sua raiva?” (Jn 4:4).

6. Leia Lucas 9:51-56. Como esse relato se compara ao que aconteceu na história de Jonas?

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). Deus disse: “E você não acha que Eu deveria ter muito mais compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem distinguir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?” (Jn 4:11). Devemos ser muito gratos, pois, no fim, Deus é o Juiz supremo do coração, da mente e das motivações. Já pensou se nós fôssemos os juízes?

Como aprender a refletir a compaixão e a paciência que Deus tem para com as pessoas?


Quinta-feira, 16 de setembro
Ano Bíblico: Os 1-4
Uma rua de mão dupla

Parece que não valia a pena lidar com os problemas que Jonas causava. Nínive era perigosa, mas os ninivitas não pareciam ser o problema. Eles entenderam a mensagem e logo se arrependeram. Jonas, o missionário, era o elo mais fraco nessa história de missão. Deus perseguiu o relutante profeta porque sabia que Jonas precisava da viagem missionária a Nínive tanto quanto os ninivitas precisavam ouvir a mensagem do missionário.

7. Leia o livro de Judas. Como podemos nos manter “no amor de Deus” (Jd 21). O que isso significa?

Judas nos ordena, no verso 21: “Mantenham-se no amor de Deus, esperando a misericórdia do nosso Senhor Jesus Cristo, que conduz para a vida eterna”.

Experimentar o amor e a graça de Deus não é um acontecimento único. Uma forma segura de nos “manter no amor de Deus” é estender a mão aos outros. Nos versos seguintes, Judas nos ordenou a “ter compaixão” e “salvar” os outros, “arrebatando-os do fogo”.

8. Como as palavras de Judas 20-23 se relacionam à história de Jonas, e o que isso também nos revela?

Deus chamou Jonas para ir a Nínive porque o profeta não havia refletido sobre sua relação com os assírios antes do chamado. Ele não gostava dos assírios, mas não fazia ideia do quanto os odiava nem das coisas extremas que faria para evitá-los, mesmo depois do chamado. Jonas não estava pronto para ter um vizinho ninivita no Céu. Ele não tinha aprendido a amar como Deus ama. O Senhor chamou Jonas para ir a Nínive porque amava os ninivitas e os queria em Seu reino. Mas também chamou Jonas porque o amava e desejava que se tornasse mais semelhante a Ele, à medida em que trabalhavam juntos. Deus queria que Jonas encontrasse o descanso que temos quando estamos em um relacionamento salvífico com Ele e fazemos Sua vontade, que inclui estender a mão aos outros e mostrar-lhes a fé e a esperança.

Você trabalha pela salvação dos outros? Isso o leva a encontrar descanso espiritual em Jesus?


Sexta-feira, 17 de setembro
Ano Bíblico: Os 5-9
Estudo adicional

Na tarefa que lhe fora entregue, Jonas tinha recebido uma pesada responsabilidade; contudo, Aquele que o havia mandado ir estava apto a sustentar Seu servo e garantir seu sucesso. Se o profeta tivesse obedecido sem questionar, ele teria sido poupado de muitas experiências amargas e teria sido generosamente abençoado. Apesar de tudo, na hora do desespero de Jonas, o Senhor não Se afastou dele. Por meio de uma série de provas e estranhas providências, a confiança do profeta em Deus e em Seu infinito poder para salvar devia ser revivida” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 266). “Milhares podem ser alcançados pelo modo mais simples e modesto. Os mais intelectuais, considerados os homens e mulheres mais prendados do mundo, são muitas vezes refrigerados pelas palavras simples de alguém que ama a Deus e fala desse amor tão naturalmente como os mundanos o fazem das coisas que mais profundamente lhes interessam” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 232).

Perguntas para consideração

1. O profeta de Deus ficou chateado porque o povo a quem o Senhor o tinha enviado aceitou a salvação. Como entender essa atitude de Jonas? Que exemplo poderoso da paciência de Deus com Seu povo, mesmo quando ele age de forma contrária à luz que possui!

2. Deus não deseja salvar somente rebeldes, mas também quer transformar Seus seguidores. Como obter um “novo coração”, mesmo que já conheçamos o Senhor e a verdade? Qual é a diferença entre conhecer a verdade e ser transformado por ela?

3. Qual é a mensagem essencial do livro de Judas e por que ela é relevante para a igreja hoje?

4. A experiência de trabalhar pela salvação de outros também nos faz bem espiritualmente?

5. Não importando as razões de Jonas para não querer ir a Nínive, Deus lhe mostrou que ele estava equivocado. Podemos refletir, em nossa relação com os outros, a atitude de Jonas?

Respostas e atividades da semana:

1. B. 2. B. 3. Os ninivitas creram em Deus, jejuaram e vestiram panos de saco. Ao testemunharmos, as pessoas atenderão ao chamado do Senhor. 4. O rei mencionou que o povo devia clamar a Deus e se converter de seus maus caminhos. Talvez assim Ele mudaria de ideia. 5. Jonas era egoísta e orgulhoso. Ele sabia que Deus era misericordioso e que perdoaria os ninivitas. Ele ficou irritado, pois poderia ser considerado um profeta falso. Porém, Deus deu uma lição a Jonas ao fazer crescer e depois matar a planta que deu sombra ao profeta. 6. A atitude de Jonas foi semelhante à de Tiago e João, que desejaram destruir os samaritanos. 7. Amando e servindo ao nosso próximo. 8. Mostram o princípio que Jonas deveria ter seguido: ter compaixão dos outros e buscar salvá-los. Além disso, elas destacam nosso dever como cristãos.



Resumo da Lição 12
O profeta inquieto

ESBOÇO

A estratégia divina para salvar a humanidade perdida às vezes parece estranha. Nínive, cidade de 120 mil habitantes, era importante na antiga Assíria. O exército assírio era um dos mais cruéis do Oriente Próximo. Sua crueldade era bem conhecida em toda a bacia do Mediterrâneo. Eles não apenas atacavam fortalezas inimigas, mas as destruíam. Assassinavam brutalmente os inimigos e tomavam milhares de jovens como escravos.

Imagine a reação de Jonas quando Deus o instruiu a viajar de Israel a Nínive para pregar uma mensagem de arrependimento nessa cidade ímpia. Em vez de confiar no poder de Deus para cumprir a ordem divina, foi dominado pela ansiedade. Ele não teve descanso nem paz de espírito, então fugiu na direção oposta. Algo notável sobre esse relato é o desejo divino de salvar os habitantes de Nínive. O Senhor tem paixão por salvar os perdidos. Ele fará o que for preciso para redimi-los. A história de Jonas não diz respeito apenas à salvação de Nínive; refere-se também à salvação de Jonas, o profeta relutante.

Jonas provavelmente não percebeu a profundidade de sua aversão aos ninivitas. Fugindo de Deus, acabou na barriga de um peixe enorme e teve três dias para refletir sobre seu relacionamento com o Senhor. Em um ato de puro desespero, Jonas clamou a Deus. Quando o peixe enorme o cuspiu na praia, o fugitivo relutante tornou-se um missionário colaborador. Mas a história não termina aí. Jonas pregou a Nínive e, quando as pessoas se arrependeram, ficou irado. Ele pensava mais em sua reputação do que na honra de Deus e em Seu amor pelo povo de Nínive. Na lição desta semana, descobrimos esta verdade maravilhosa: Jonas precisava do evangelho tanto quanto o povo de Nínive, e nós também.

COMENTÁRIO

Jonas morava em uma pequena cidade chamada Gate-Hefer, localizada a uma curta distância da cidade portuária de Jope (2Rs 14:25). Cheio de medo por causa da crueldade dos habitantes de Nínive, ele fugiu do chamado divino para testemunhar a eles. Entrou em um navio com destino a Társis, pois desejava ficar o mais longe possível de Nínive. Embora não se tenha certeza, muitos comentaristas bíblicos julgam que Társis seja Tartessus, no sul da Espanha, perto de Gibraltar. Por mar, a viagem de Jope a Tartessus era de aproximadamente 3.539 quilômetros. Nínive, por outro lado, ficava a cerca de 1.126 quilômetros de Jope.

A ideia de ser ridicularizado, rejeitado ou, pior ainda, perseguido, dominou o profeta. As dificuldades diante dele pareciam tão grandes que não conseguia enfrentá-las. Comentando a falta de fé de Jonas, Ellen G. White descreve seu modo de pensar: “Ao pensar nas dificuldades e aparentes impossibilidades dessa missão, o profeta foi tentado a duvidar da sabedoria do chamado. Do ponto de vista humano, parecia que nada se ganharia em proclamar uma mensagem como aquela numa cidade tão orgulhosa. Ele esqueceu por um momento que o Deus a quem servia era todo-sábio e todo-poderoso. Enquanto hesitava, ainda duvidando, Satanás encheu seu coração de desânimo. O profeta sentiu profundo receio e ‘se levantou, mas para fugir da presença do Senhor, para Társis. Desceu a Jope, e encontrou um navio que ia para Társis. Pagou a passagem e embarcou no navio, para ir com eles’ (Jn 1:3).

“Na tarefa que lhe fora entregue, Jonas tinha recebido uma pesada responsabilidade; contudo, Aquele que o havia mandado ir estava apto a sustentar Seu servo e garantir seu sucesso. Se o profeta tivesse obedecido sem questionar, ele teria sido poupado de muitas experiências amargas e teria sido abundantemente abençoado” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 266).

Jonas não resolveu seu problema fugindo. Correr apenas o colocou em mais dificuldades. O Deus que o comissionou a pregar o arrependimento a Nínive era totalmente capaz de sustentá-lo, apoiá-lo e fortalecê-lo. Deus nunca nos dá uma tarefa sem nos dar a capacidade de realizá-la. “Colaborando a vontade do homem com a de Deus, ela se torna onipotente. Tudo que deve ser feito a Seu mado pode ser cumprido por Seu poder. Todas as Suas ordens são promessas habilitadoras” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 333). Jonas pensou mais em sua fraqueza do que na força divina, mas Deus ainda não havia terminado a obra na vida dele.

Jonas estava a caminho de Társis, mas Deus estava a caminho de Jonas. Enquanto o profeta fugia do chamado divino, O Senhor o chamava. As Escrituras dizem: “Mas o Senhor lançou sobre o mar um forte vento, e levantou-se uma tempestade tão violenta, que parecia que o navio estava a ponto de se despedaçar” (Jn 1:4). Quando parecia que a carga e toda a tripulação seriam perdidas, em desespero absoluto, Jonas implorou que o jogassem ao mar. Ao afundar nas ondas, ele foi engolido por um grande peixe. A Bíblia diz: “Então Jonas, do ventre do peixe, orou ao Senhor, seu Deus” (Jn 2:1).

Há quem acredite que a história de Jonas seja fantasiosa demais para ser verdade. Imagina-se ser um conto mítico de ficção, em vez de uma narrativa histórica. Contudo, a evidência bíblica, histórica e arqueológica é contra essa visão. Entre outras razões para acreditar que a história de Jonas é um evento da vida real é que, de acordo com 2 Reis 14:25, Jonas foi um personagem real. Os judeus consideravam o livro de Jonas histórico. Os achados arqueológicos em Nínive confirmam o tamanho da cidade conforme descrito na Bíblia. O próprio Jesus se refere a Nínive e à história de Jonas (Mt 12:39, 40; Lc 11:29, 30). Uma das principais questões gira em torno do peixe: acaso um peixe poderia engolir alguém e essa pessoa sobreviver?

John D. Morris, PhD, cientista do Creation Institute, explica a possibilidade de Jonas ter sido engolido por um grande peixe da seguinte forma: “Existem várias espécies de baleias e tubarões vivas hoje com goelas grandes o suficiente para engolir um homem inteiro. Entre os animais extintos, como os plesiossauros, o mesmo poderia ser dito, e talvez esse fosse um peixe de grande porte até então desconhecido. A questão é que a história não é impossível. No entanto, o mais importante é que a Bíblia diz que ‘o Senhor ordenou que um grande peixe engolisse Jonas’ (Jo 1:17). Claramente, esse evento foi milagroso e não um fenômeno natural. Assim, não temos que dar uma explicação limitada por meio de experiência ou conhecimento moderno.

“Um homem poderia sobreviver na barriga de um peixe? Mostrou-se claramente que a expressão hebraica ‘três dias e três noites’ tanto nas Escrituras quanto em outras fontes significa um período que começa em um dia e termina no dia seguinte ao seguinte. Isso não significa necessariamente três dias e noites inteiros. Além disso, houve vários casos relatados de marinheiros ou outros indivíduos engolidos por animais assim, que foram resgatados muitas horas depois” (“Did Jonah Really Get Swallowed by a Whale?” [Será que Jonas realmente foi engolido por uma baleia?], artigo de Morris disponível em <bit.ly/3rLSLh3>, Creation Research Institute, 1º de dezembro de 1993, acessado em 9 de fevereiro de 2020). Morris prossegue dizendo que, como cristãos, acreditamos em milagres, por isso aceitamos a história de Jonas tal qual está relatada na Palavra de Deus.

Na barriga daquele enorme peixe, Jonas pôde refletir seriamente. Tomado de desespero, clamou a Deus. “Quando, dentro de mim, desfalecia a minha alma, eu me lembrei do Senhor; e subiu a Ti a minha oração, no Teu santo templo” (Jn 2:7). Jonas olhou além da escuridão para a luz brilhante proveniente do santuário celestial. Ele concentrou sua atenção no eterno. O salmista Davi declara: “O Teu caminho, ó Deus, é de santidade. [...] Tu és o Deus que operas maravilhas; e entre os povos tens feito notório o Teu poder. Com o Teu braço remiste o Teu povo” (Sl 77:13-15). Jonas descobriu o Deus que faz maravilhas. Sejam quais forem as circunstâncias em que nos encontremos, quando olhamos para o santuário e contemplamos a glória divina, como Jonas fez, nossa confiança em Deus e em Seu poder infinito aumenta. Ao comentar a experiência de Jonas, Ellen G. White diz: “Apesar de tudo, na hora do desespero de Jonas, o Senhor não Se afastou dele. Por meio de uma série de provas e estranhas providências, a confiança do profeta em Deus e em Seu infinito poder para salvar devia ser revivida” (Profetas e Reis, p. 266).

Quando sua fé reviveu, Deus operou um milagre, e o grande peixe cuspiu Jonas na praia. Ele viajou para Nínive e pregou que Deus destruiria a cidade perversa. Para sua surpresa, o povo se arrependeu. Houve um grande reavivamento espiritual. O rei aprovou um decreto em harmonia com os costumes orientais, e toda a nação se arrependeu, jejuou e confessou seu pecado. Por incrível que pareça, Jonas ficou incrivelmente decepcionado. Ele cumpriu a ordem divina, mas as terríveis consequências não aconteceram.

No estudo da profecia, existe algo conhecido como profecia condicional. Esse conceito é bem expresso em Jonas 3:10: “Deus viu o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus mudou de ideia quanto ao mal que tinha dito que lhes faria e não o fez”. O cumprimento da profecia estava fundamentado na resposta deles. Quando se arrependeram, Deus “cedeu”. A pregação de Jonas foi um sucesso, mas o profeta relutante não reconheceu isso. Sentiu-se um fracassado, mas séculos mais tarde Jesus citou Jonas como exemplo de fidelidade em sua pregação a Nínive. Eis notícias incrivelmente boas: Deus não desiste de nós facilmente. Jonas precisava do evangelho tanto quanto os ninivitas. Deus o perseguiu, não o deixou ir e segurou-o até que ele reconhecesse Sua mão poderosa.

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Você já sentiu que Deus o guiava para fazer algo, mas estava relutante em fazê-lo? Já sentiu o Espírito Santo trabalhando em seu coração, convencendo-o a tomar uma decisão, mas ficou hesitante por causa das consequências percebidas? Talvez, como Jonas, você tenha sido um missionário relutante. Já ouviu o chamado de Deus para assumir um cargo na igreja, testemunhar para um vizinho ou colega de trabalho ou compartilhar o evangelho com um membro incrédulo da família, mas, ao mesmo tempo, ficou preocupado em não estar qualificado para fazê-lo? Ou, em seu testemunho, tem medo de dizer a coisa errada, medo de que não aceitem o que você tem a dizer? Pior ainda, tem medo de que o rejeitem? Lembre-se: primeiro, Deus qualifica aqueles a quem chama. Em segundo lugar, quando Deus o impressiona a fazer algo e você aceita Sua designação, Ele assume a responsabilidade pelos resultados. Deus não nos chama apenas para o sucesso. Ele nos chama à fidelidade. Se formos fiéis à tarefa que nos designa a fazer, um dia, Ele dirá: “Muito bem, servo bom e fiel [...]; venha participar da alegria do seu Senhor” (Mt 25:21).


Dois homens contra Deus

 

Niang, uma garota de dez anos, acordou para ir à escola antes de amanhecer. Ela estava preocupada. Diariamente, ficava tensa, ao pensar em ir à escola. Procedente de Mianmar, a família havia se mudado para os Estados Unidos, um ano antes, e a escola era muito difícil no estado da Georgia. Ela não falava muito bem o inglês nem tinha muitos amigos. Seu dia escolar começava quando ainda o sol não havia despontado. O pai não podia acompanhá-la porque trabalhava à noite; e a mãe precisava ficar em casa com a irmãzinha.

Certo dia, Niang orou antes de sair de casa: “Querido Deus, por favor me ajude a sobreviver outro dia na escola. Ajude-me a não ter problemas com a professora. Proteja-me enquanto vou à escola. Amém.” Em seguida, colocou a mochila preta pesada nos ombros e saiu caminhando pela rua escura. Se pegasse um atalho, chegaria à escola em somente dez minutos. Ela precisava passar por alguns prédios e pelo bosque para chegar à escola. Talvez encontraria algumas crianças para lhe fazer companhia pelo caminho.

Nenhuma criança apareceu enquanto Niang atravessava o bosque. O ar estava tranquilo. As árvores pareciam sombras escuras. De repente, dois homens grandes apareceram à sua frente. Um deles segurava o que parecia ser uma bolsa branca de pano, que estava murcha e vazia, e a estendeu. “Ei! Poderia segurar a bolsa para nós?”, ele pediu. Niang achou a pergunta muito estranha. Ela parou, deu alguns passos para trás e os homens deram alguns passos em sua direção. Niang olhou ao redor ansiosamente, esperando que outras crianças também tivessem escolhido o caminho mais curto. Ela não viu ninguém. Novamente olhou para os homens. Eram dois e ela era apenas uma. Eles eram altos e fortes, ela pequena e magrinha. Será que deveria segurar a bolsa?

“Não!”, Niang exclamou, balançando a cabeça. Ela deu a volta e correu o mais rápido que pôde. Os homens ficaram surpresos. “Não!”, um homem gritou. “Não corra!” Porém, Niang não parou. Ela estava com muito medo, pois conhecia histórias de crianças que foram sequestradas, e sabia que aqueles homens poderiam capturála facilmente. “Senhor, me ajude!”, orou. “Por favor, me proteja!” Ela se perguntava se em algum momento seria alcançada. Tudo o que queria era estar em paz com Deus. E orou: “Se eu fiz algo errado, por favor, me perdoe!”

Então, ouviu o som dos homens perseguindo. Em um determinado momento da fuga, ela não mais escutou os passos; então, parou por um momento. Seu coração estava acelerado. Ouviu o agradável som de conversa de crianças que escolheram o atalho até a escola. O alívio tomou conta de Niang. Ela podia acompanhar as crianças e ficar segura. Ela seguiu as três crianças em direção à escola. Ao chegarem no local onde os dois homens estavam anteriormente, não estavam mais lá. Eles haviam sumido. Niang suspirou aliviada. “Querido Deus, obrigada por me proteger”, orou. Dois homens grandes foram vencidos por um Deus maior.

Há dez anos, a oferta trimestral ajudou crianças refugiadas como Niang a se transferirem de escolas públicas para escolas adventistas. Parte da oferta deste trimestre ajudará novamente as crianças refugiadas a conseguirem uma educação adventista. Muito obrigado!

Informações adicionais

• Pronúncia de Niang

• Incentive a congregação a orar sempre.

• Niang estuda na Southern Adventist University e planeja se tornar uma dentista missionária.

• Faça o download das fotos no Facebook: bit.ly/fb-mq.

• Para outras notícias e outras informações da Divisão Norte-americana, acesse: bit.ly/NAD-2021.

Esta história ilustra os componentes seguintes do plano estratégico da Igreja Adventista, “I Will Go”: Objetivo de Crescimento Espiritual nº 2 – “fortalecer e diversificar o alcance dos adventistas nas grandes cidades, através da Janela 10/40, entre grupos de pessoas não-alcançadas e para religiões não cristãs”, através da KPI 2.9, que diz: “cada Divisão deve identificar toda a população significativa de imigrantes/refugiados em seu território e criar iniciativas para alcançá-los”. Objetivo de Crescimento Espiritual No. 5 – “aumento significativo dos membros da igreja na oração diária, estudo a Bíblia e lição da Escola Sabatina, leitura dos escritos de Ellen White e engajamento em outras formas de devoção pessoal” (KPI 5.1); e “aumento de crianças adventistas estudando em nossas instituições” (KP1 5.9). Conheça mais sobre o plano estratégico em IWillGo2020.org.


Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2021

Tema Geral: Descanso em Cristo

Lição 12 – 11 a 17 de setembro

O profeta inquieto

Autor: Weverton Castro

Editoração: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

Introdução

O livro do profeta Jonas contém uma narrativa com diversas reflexões importantes. Diferente do que alguns imaginam, essa obra não trata apenas da salvação de uma cidade, mas apresenta um mensageiro que precisa ser salvo. No fim, o livro não tem como alvo final falar de Jonas, mas do Deus de Jonas que deseja salvar todos.

1. Entendendo a fuga de Jonas

O livro de Jonas começa com o chamado de Deus para que ele fosse para Nínive, capital do Império da Assíria. Porém, em vez de ir para o lugar determinado, Jonas decidiu ir em direção contrária. Vale a pena ver as distâncias dos lugares envolvidos na fuga de Jonas, que mostram sua total rejeição ao chamado divino.

A distância de Jerusalém para Nínive (atual Mossul, no Iraque) é de aproximadamente 884 km. Porém, a Bíblia declara que Jonas primeiramente desceu para Jope (conhecida atualmente como Jaffa, que foi incorporada a Tel-Aviv em Israel, em 1950), onde até hoje existe um porto marítimo, o atual Jaffa Port. Essa trajetória de Jerusalém até Jope é uma caminhada de aproximadamente 52 km.

Do porto de Jope, Jonas tomou um navio para Társis (Jn 1:3), um lugar localizado entre os dois estuários do rio Guadalquivir, na Espanha. A distância entre os dois pontos, Jope e Társis, é de aproximadamente 3.800 km. Ao analisar a distância total da jornada de Jonas (Jerusalém, Jope e Társis), percebemos que ele queria ficar cerca de 4.300 km longe do chamado original de Deus! (Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada: Jonas 1. Sociedade Bíblica do Brasil, 1999).

Agora, é apropriado pensar: por que Jonas foi para um lugar tão longe de Nínive? A resposta está principalmente na inimizade que havia entre os assírios e os israelitas.

Nínive, como já foi citado antes, era a capital da Assíria, o império que, em 721 a.C., derrotou Israel (o Reino do Norte) e exilou muitos israelitas (ver 2 Rs 14:1-23). Nesse período, os profetas Naum (1:14–3:19) e Sofonias (2:13-15) anunciaram sua destruição, que ocorreu no ano 612 a.C. “Quando o livro de Jonas foi redigido, essa cidade era símbolo de crueldade, de violência e de hostilidade ao povo de Deus”. O exército assírio era conhecido por sua crueldade, como tortura, empalamento, decapitação, amputações e esfolamento (Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada. Sociedade Bíblica do Brasil, 1999).

Nesse contexto, é possível entender a rejeição de Jonas à cidade de Nínive, que representava inimigos cruéis para Jonas e para familiares e amigos.

2. Revoltado com a graça de Deus

A fuga de Jonas não deu certo. Após uma tempestade, ele foi lançado ao mar e um grande peixe o engoliu. Das profundezas do mar ele clamou a Deus e pediu uma segunda chance. Seguindo a ordem de Deus, o peixe o lançou na praia do Mediterrâneo, próxima a Nínive.

Nesse ponto é interessante citar que a escolha do peixe não foi acidental. Na mitologia da Assíria havia a figura de Dagon, um deus pagão que era metade homem e metade peixe, o qual enviava seus mensageiros para a Terra. Agora, imagine os ninivitas ouvindo a história de que um homem foi lançado na praia por um grande peixe. Sem dúvida, a cena abriu as portas para que o povo recebesse a mensagem com mais facilidade.

É interessante o sermão que Jonas pregou para os ninivitas: “Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida” (Jn 3:4, ARA). Perceba que o sermão do profeta não apresentava nenhuma mensagem de graça nem de segunda chance. Ele simplesmente declarou a condenação. Todo o processo de arrependimento e mudança se deu por iniciativa dos próprios ninivitas.

De fato, uma grande mudança aconteceu em Nínive. A Bíblia declara que o povo creu em Deus e começou a jejuar e a se vestir com panos de saco, o que era sinal de humilhação. Tal atitude foi acatada também pelo rei, que baixou um decreto ordenando que todos clamassem a Deus por misericórdia. No final do capítulo 3, Jonas percebeu que Deus ouviu o clamor dos ninivitas e poupou a cidade da destruição.

Contrariando o que muitos poderiam esperar, Jonas, o missionário mais bem-sucedido no Antigo Testamento, em vez de se alegrar com os ótimos resultados de seu trabalho, ficou revoltado com a conversão dos ninivitas! O capítulo 4 registra sua oração nas seguintes palavras: “E orou ao Senhor e disse: Ah! Senhor! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que Te arrependes do mal” (Jn 4:2, ARA). O texto bíblico revela que Jonas estava revoltado com o tamanho da graça de Deus, que era capaz de salvar até seus maiores inimigos!

Ao contemplar o quadro geral do livro de Jonas percebemos uma grande incoerência: a cidade pagã, ao receber a mensagem de Deus, se converteu, porém o mensageiro, mesmo passando por toda a tormenta da tempestade, ainda estava com o coração distante de Deus.

3. Valores invertidos

Para demonstrar a completa inversão de valores na vida de Jonas, Deus criou uma situação com muitas reflexões importantes. Na parte final do livro, o texto declara que uma planta nasceu por cima de Jonas, fazendo sombra sobre a cabeça do profeta. Isso o fez se sentir muito feliz. Porém, no outro dia, Deus enviou um verme que “atacou a planta, e ela secou” (Jn 4:7).

Jonas ficou tão revoltado com a morte da planta que pediu a morte para si. Os três últimos versos do livro apresentam a fala de Deus ao profeta revoltado, buscando conduzi-lo a uma reflexão através da pergunta: “Você acha que é razoável essa sua ira por causa da planta?” (Jn 4:9). “E o Senhor disse: Você tem compaixão da planta que não lhe custou nenhum trabalho. Você não a fez crescer. Numa noite ela nasceu e na noite seguinte ela desapareceu. E você não acha que Eu deveria ter muito mais compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem distinguir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?” (Jn 4:10-11).

O livro de Jonas termina com uma interrogação. Ela aponta para um mensageiro que se importava mais com as coisas do que com as pessoas. Tal cenário me lembra um interessante pensamento que diz: “Use as coisas e ame as pessoas, jamais o contrário.”

Conheça o autor dos comentários para este trimestre: Weverton de Paula Castro é pastor e professor de Teologia no Seminário Adventista da Faculdade Adventista da Amazônia (FAAMA). Ele é casado com a enfermeira Jozy Anne e é pai do pequeno André, nascido no início de 2021. Graduado em Teologia e Filosofia, tem mestrado intracorpus em Interpretação Bíblica (FADBA) e em Ciências da Religião (UEPA). Atualmente é doutorando em Educação Religiosa (Andrews University).