Lição 2
04 a 10 de abril
Origem e natureza da Bíblia
Sábado à tarde
Ano Bíblico: 2Sm 11, 12
Verso para memorizar: "Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes." (1Ts 2:13)
Leituras da semana: 2Pe 1:19-21; 2Tm 3:16, 17; Dt 18:18; Êx 17:14; Jo 1:14; Hb 11:3, 6

Nossa maneira de ver e compreender a origem e a natureza das Escrituras impacta grandemente a função que a Bíblia desempenha em nossa vida e na igreja como um todo. Nossa interpretação da Bíblia é significativamente moldada e influenciada pela compreensão do processo de revelação e inspiração. Se desejamos entender as Escrituras, precisamos, antes de tudo, permitir que elas determinem os parâmetros fundamentais de como devem ser tratadas. Não podemos estudar matemática com os métodos empíricos empregados em biologia ou sociologia. Não podemos estudar física com as mesmas ferramentas usadas para estudar história. Semelhantemente, as verdades espirituais da Bíblia não serão conhecidas nem entendidas por métodos ateístas, que abordam a Bíblia como se Deus não existisse. Em vez disso, a interpretação das Escrituras precisa levar a sério a dimensão divino-humana da Palavra de Deus. Portanto, para compreender as Escrituras, é necessário que abordemos a Bíblia com fé e não com ceticismo metodológico, muito menos com dúvida.

Nesta semana, examinaremos alguns aspectos fundamentais da origem e natureza da Bíblia, que devem impactar nossa interpretação e compreensão da Palavra de Deus.

Domingo, 05 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 13, 14
A revelação divina da Bíblia

1. Leia 2 Pedro 1:19-21. Como o apóstolo expressou sua convicção sobre a origem da mensagem profética das Escrituras?

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A Bíblia não é como qualquer livro. Segundo o apóstolo Pedro, os profetas foram movidos pelo Espírito Santo de tal maneira que o conteúdo de sua mensagem veio de Deus. Eles não o inventaram. Em vez de ser “fábulas engenhosamente inventadas” (2Pe 1:16), a mensagem profética da Bíblia é de origem divina e, portanto, verdadeira e fidedigna. “Homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1:21). Deus atuou no processo de revelação, no qual manifestou Sua vontade a seres humanos escolhidos.

A comunicação verbal direta entre Deus e seres humanos específicos é um fato incontestável das Escrituras. Por isso, a Bíblia tem autoridade divina especial, e precisamos considerar o elemento divino ao ­interpretá-la. Tendo Deus como seu Autor final, os livros bíblicos são apropriadamente chamados de “Sagradas Escrituras” (Rm 1:2; 2Tm 3:15).

Elas também foram concedidas para fins práticos. São úteis “para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3:16, 17).

Também precisamos da ajuda do Espírito Santo para aplicar em nossa vida o que O Senhor revelou em Sua Palavra. Por isso, o apóstolo Pedro afirma que a interpretação da Palavra de Deus divinamente revelada não é uma questão de opinião própria. Precisamos da própria Bíblia e do ­Espírito Santo para entender corretamente o significado do texto sagrado.

As Escrituras também declaram: “Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos, os profetas” (Am 3:7). As palavras bíblicas para “revelação” (em suas várias formas) expressam a ideia de que algo anteriormente oculto foi revelado e, portanto, tornou-se conhecido e manifesto. Como seres humanos, precisamos dessa revelação, pois somos pecaminosos, separados de Deus por causa do pecado e, assim, dependentes Dele para conhecer Sua vontade.

Já é difícil obedecer à Bíblia quando acreditamos em sua origem divina. O que aconteceria se passássemos a desconfiar dela ou até mesmo questionar sua procedência?
Tenha em mente, hoje, uma passagem bíblica e medite nela ao longo do dia.
Segunda-feira, 06 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 15-17
O processo de inspiração

Visto que Deus usa a linguagem para revelar Sua vontade ao ser humano, a revelação divina pode ser escrita. No entanto, como já vimos, a Bíblia é o resultado da verdade reveladora de Deus para nós mediante a obra do Espírito Santo, que transmite e protege Sua mensagem por meio de instrumentos humanos. Essa é a razão pela qual podemos esperar a unidade fundamental observada em todas as Escrituras, de Gênesis a Apocalipse (por exemplo, compare Gn 3:14, 15 com Ap 12:17).

2. Leia 2 Pedro 1:21, 2 Timóteo 3:16 e Deuteronômio 18:18. O que esses textos afirmam sobre a inspiração das Escrituras? Assinale a alternativa correta:

A.(  ) As Escrituras são fruto de pensamentos humanos sobre Deus.
B.(  ) As Escrituras foram inspiradas pelo próprio Deus.

Toda a Escritura é inspirada, mesmo que nem todas as partes sejam empolgantes a alguns leitores. No entanto, precisamos aprender com todas as Escrituras, mesmo com aquelas partes mais difíceis de ler e entender, ou que não são especificamente aplicáveis hoje. A Bíblia encontra seu cumprimento em Cristo (por exemplo, as festas hebraicas e o sistema levítico). Assim, os princípios que fundamentam essas passagens são revelações divinas atemporais. Ao entender a relação de todas as partes das Escrituras com Jesus, amamos toda a Bíblia e temos interesse em todo o texto bíblico.

Além disso, nem tudo na Bíblia foi revelado de maneira direta ou sobrenatural. Deus usou escritores bíblicos que investigaram cuidadosamente os fatos ou usaram documentos existentes (veja Js 10:13; Lc 1:1-3) para comunicar Sua mensagem.

Mesmo assim, toda a Escritura é inspirada (2Tm 3:16). Essa é a razão pela qual Paulo afirmou que “tudo quanto” foi escrito, serve para o nosso ensino, “a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15:4).

“A Bíblia aponta para Deus como seu Autor; contudo foi escrita por mãos humanas e, no variado estilo de seus diferentes livros, apresenta as características dos diversos escritores. As verdades reveladas são todas inspiradas por Deus (2Tm 3:16), mas estão expressas em palavras humanas” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 7).

Há estudiosos da Bíblia que negam a autoria divina de muitas de suas partes, a ponto de refutar ensinamentos cruciais como a criação, o êxodo e a ressurreição. Por que é tão essencial não abrirmos essa porta? Afinal, deveríamos julgar a Palavra de Deus?
Terça-feira, 07 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 18, 19
A Palavra escrita de Deus

3. “Disse mais o Senhor a Moisés: Escreve estas palavras, porque, segundo o teor destas palavras, fiz aliança contigo e com Israel” (Êx 34:27). Por que o Senhor pediu que Moisés escrevesse essas palavras, em vez de apenas recitá-las ao povo? Qual é a vantagem evidente da Palavra escrita?

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O Deus que fala e que criou a linguagem humana habilita pessoas escolhidas para comunicar as verdades e os pensamentos divinamente revelados e inspirados de maneira confiável e fidedigna. Por isso, não é surpresa descobrir que, desde o começo, Deus ordenou aos escritores bíblicos que escrevessem Sua instrução e revelação.

4. O que os seguintes textos ensinam sobre a revelação escrita?

Êx 17:14; 24:4 ___________________________

Js 24:26 _______________________________

Jr 30:2 ________________________________

Ap 1:11, 19; 21:5; 22:18, 19___________________

Por que Deus ordenou que Sua revelação e mensagens inspiradas fossem escritas? A resposta evidente é: para que não as esqueçamos tão facilmente. As palavras escritas da Bíblia são um ponto de referência constante que nos direciona a Deus e à Sua vontade. Um documento escrito geralmente pode ser mais bem preservado e ser muito mais confiável do que mensagens orais, que devem ser comunicadas repetidas vezes. A Palavra escrita, que pode ser copiada muitas vezes, também é acessível a muito mais pessoas. É possível falar com um número limitado de pessoas de uma só vez em um lugar, mas o que está escrito pode ser lido por inúmeros leitores em muitas localidades e em diferentes continentes, em diversos contextos, sendo uma bênção a várias gerações. Na verdade, mesmo em situações em que há dificuldade de leitura, uns podem ler o texto escrito em voz alta para os outros e todos são profundamente abençoados.

Quarta-feira, 08 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 20, 21
O paralelo entre Cristo e as Escrituras

5. Leia João 1:14; 2:22; 8:31, 32; 17:17. Quais paralelos existem entre Jesus, o Verbo de Deus encarnado, e as Escrituras, a Palavra escrita do Senhor?

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Existe um paralelo entre o Verbo de Deus, que Se tornou carne (isto é, Jesus Cristo) e a Palavra escrita de Deus (isto é, as Escrituras). Assim como Jesus foi concebido de maneira sobrenatural pelo Espírito Santo, embora nascido de uma mulher, as Sagradas Escrituras também são de origem sobrenatural, porém transmitidas mediante seres humanos.

Cristo Se tornou homem no tempo e no espaço. Ele viveu em um tempo e lugar específicos. No entanto, esse fato não anulou Sua divindade nem O tornou historicamente relativo. Ele é o único Redentor para todos, em todo o mundo, durante todo o tempo (At 4:12). Da mesma forma, a Palavra escrita de Deus, a Bíblia, foi dada em um momento específico e em uma cultura particular. Assim como Jesus, a Bíblia não é condicionada pelo tempo, isto é, limitada a um tempo e local específicos; em vez disso, ela permanece válida para todas as pessoas, em todo o mundo.

Quando Deus Se revelou, Ele desceu ao nível humano. A natureza humana de Jesus mostrava todos os sinais das enfermidades e os efeitos de cerca de 4 mil anos de degeneração. No entanto, Ele foi sem pecado. Semelhantemente, a linguagem das Escrituras é a linguagem humana, não uma linguagem “sobre-humana perfeita” que ninguém fala nem entende. Embora todo idioma tenha suas limitações, o Criador da humanidade, que é o Criador da linguagem humana, é perfeitamente capaz de comunicar Sua vontade ao ser humano de maneira confiável, sem enganar.

Evidentemente, toda comparação tem seus limites. Jesus Cristo e as Sagradas Escrituras não são idênticos. A Bíblia não é uma encarnação de Deus. Deus não é um livro. Deus Se tornou humano em Jesus Cristo. Amamos a Bíblia porque adoramos o Salvador proclamado em suas páginas.

A Bíblia é uma união divino-humana singular e inseparável. Sobre isso, Ellen G. White declarou: “As Escrituras Sagradas, com verdades dadas por Deus e expressas na linguagem da humanidade, apresentam uma união do divino com o humano. União semelhante existiu na natureza de Cristo, que era o Filho de Deus e Filho do Homem. Pode-se dizer da Bíblia o que foi dito sobre Cristo: ‘o Verbo Se fez carne e habitou entre nós’” (Jo 1:14;  O Grande Conflito, p. 8).

Por que as Escrituras são fundamentais à nossa fé? Sem elas, onde estaríamos?
Quinta-feira, 09 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 22-24
Compreendendo a Bíblia pela fé

6. Leia Hebreus 11:3, 6. Por que a fé é tão essencial para entender Deus e Sua Palavra? Por que é impossível agradar a Deus sem fé? Assinale a alternativa correta:

A.(  ) Sem fé não é possível crer em Deus nem em Sua Palavra.
B.(  ) Mesmo sem fé podemos compreender profundamente o Criador.

Todo verdadeiro aprendizado acontece no contexto da fé. É a fé implícita da criança em relação aos pais que a habilita a aprender coisas novas. É um relacionamento de confiança que orienta a criança a aprender os aspectos básicos e fundamentais da vida e do amor. Portanto, o conhecimento e a compreensão surgem de um relacionamento de amor e de confiança.

Na mesma linha, um bom músico toca bem uma música quando ele não apenas domina as habilidades técnicas que o ajudam a tocar um instrumento, mas quando ele demonstra amor pela música, pelo compositor e pelo instrumento. De maneira semelhante, não entendemos a Bíblia corretamente quando a abordamos com uma atitude de ceticismo ou dúvida metodológica; é preciso estudá-la em espírito de amor e fé. O apóstolo Paulo escreveu: “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6). Portanto, é indispensável abordar a Bíblia com fé, reconhecendo sua origem sobrenatural, em vez de vê-la apenas como um livro humano.

Os Adventistas do Sétimo Dia expressam claramente essa percepção da origem sobrenatural das Escrituras na primeira Crença Fundamental da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que afirma: “As Escrituras Sagradas, o Antigo e o Novo Testamentos, são a Palavra de Deus escrita, dada por inspiração divina por intermédio de santos homens de Deus que falaram e escreveram ao serem movidos pelo Espírito Santo. Nessa Palavra, Deus transmitiu ao ser humano o conhecimento necessário para a salvação. As Escrituras Sagradas são a infalível revelação de Sua vontade. Constituem o padrão de caráter, a prova da experiência, o autorizado revelador de doutrinas e o registro fidedigno dos atos de Deus na História” (Sl 119:105; Pv 30:5, 6; Is 8:20; Jo 17:17; 1Ts 2:13; 2Tm 3:16, 17; Hb 4:12; 2Pe 1:20, 21; Nisto Cremos, 2003, p. 14).

O que as pessoas perdem em sua compreensão da Bíblia quando não abordam as Escrituras com uma atitude de fé? Por que essa fé não é cega? Quais boas razões temos para essa fé e por que ela ainda é uma necessidade quando se trata das verdades da Bíblia?
Não confie em suas riquezas, mas em Deus.
Sexta-feira, 10 de abril
Ano Bíblico: 1Rs 1, 2
Estudo adicional

Leia o documento Métodos de Estudo da Bíblia: seção 2: “Pressuposições Originadas de Afirmações das Escrituras”, parte a) “Origem”, e parte b) Autoridade: http://www.centrowhite.org.br/metodos-de-estudo-da-biblia.

Por mais essencial que a Bíblia seja para nossa fé, ela sozinha não teria valor espiritual real para nós, se não fosse pela influência do Espírito Santo em nosso coração e mente quando a lemos e estudamos.

“Em Sua Palavra, Deus conferiu aos homens o conhecimento necessário para a salvação. As Santas Escrituras devem ser aceitas como autorizada e infalível revelação de Sua vontade. Elas são a norma do caráter, o revelador das doutrinas, a pedra de toque da experiência religiosa. [...] Entretanto, o fato de que Deus revelou Sua vontade aos homens por meio de Sua Palavra não tornou desnecessária a contínua presença e direção do Espírito Santo. Ao contrário, o Espírito foi prometido pelo nosso Salvador para esclarecer a Palavra a Seus servos, iluminando e aplicando seus ensinos. E, considerando que foi o Espírito de Deus que inspirou as Sagradas Escrituras, é impossível que o ensino do Espírito seja contrário ao da Palavra” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 9).

Perguntas para consideração

1. Por que Deus revela a Si mesmo e a Sua vontade? Precisamos da revelação?

2. Deus Se revela de maneira mais geral por meio da natureza, porém mais especificamente mediante sonhos (Dn 7:1), visões (Gn 15:1), sinais (1Rs 18:24, 38) e mediante Seu Filho (Hb 1:1, 2). Deus já Se revelou a você? Compartilhe sua experiência.

3. Alguns estudiosos da Bíblia consideram mitos alguns ensinamentos dela. A criação, Adão e Eva literais, o Êxodo e as histórias de Daniel são exemplos de relatos rejeitados como sendo meramente histórias inventadas para ensinar verdades espirituais. Isso é o que acontece quando o ser humano julga a Bíblia. Por que essa atitude é perigosa?

4. Deus revelou Sua vontade na Bíblia. Contudo, Ele deseja nossa ajuda para propagar a verdade e as boas-novas da salvação somente em Jesus Cristo. Que tipo de Deus as pessoas veem em você e em seu comportamento?

Respostas e atividades da semana: 1. Disse que a Palavra profética é confirmada, pois provém de Deus. 2. B. 3. O que é escrito pode ser facilmente retomado; o povo poderia ler e reler a Palavra. Já o que ouvimos pode ser facilmente esquecido. 4. A Palavra escrita tinha o objetivo de fazer com que o povo guardasse na memória os caminhos e a vontade do Senhor. Os servos de Deus erigiram altares para marcar o que registraram em livros. 5. Jesus é a verdade, e a Palavra testifica da verdade. O que Ele disse foi confirmado nas Escrituras. Há harmonia entre ambos, os quais têm origem sobrenatural. 6. A.

Resumo da Lição 2
Origem e natureza da Bíblia

ESBOÇO

Nosso entendimento da origem e natureza das Escrituras influencia significativamente a maneira pela qual lemos e tratamos a Bíblia. Se fosse um livro escrito como qualquer outro elaborado por seres humanos falíveis, não poderíamos confiar nele. Sob tais circunstâncias, certamente não teria autoridade divina. Para sermos justos, precisamos permitir que os escritores da própria Bíblia a definam e expliquem o que pensam sobre seus escritos e, assim, deixar que a Palavra de Deus determine os parâmetros básicos de como devemos considerá-la. Os escritores bíblicos afirmam que sua mensagem não provém de mente humana, mas que ela é divinamente revelada e seu conteúdo inspirado por Deus.

Entender o processo de revelação e inspiração é crucial para a nossa maneira de abordar a Palavra divina. Visto que o Senhor usa o meio da linguagem para Se comunicar com os seres humanos, a revelação divina pode ser escrita. O Espírito Santo permite que os escritores da Bíblia se comprometam a escrever fielmente o que Ele lhes revelou. Essa inspiração divina confere à Bíblia autoridade dos Céus e garante a unidade que encontramos desde o Gênesis até o livro do Apocalipse. Embora escrita por seres humanos, ela é, no entanto, a Palavra escrita de Deus. Nessa dimensão divino-humana há um certo paralelo entre Jesus Cristo, a Palavra de Deus, que Se tornou carne, e a Palavra escrita de Deus, a Bíblia. Somente pela fé é que podemos compreender e apreciar essa realidade.

Comentário

Imagine um livro puramente humano, escrito por vários autores diferentes durante um período de centenas de anos. Imagine que esses diversos autores falassem em seus escritos sobre Deus e sua experiência religiosa. Suas diferentes perspectivas dariam aos seus escritos pouca autoridade além de suas opiniões pessoais, e carregariam apenas alguma autoridade humana, quando muito. Mas a Bíblia não é assim. Ela mesma alega que Seu autor é Deus. Ele Se comunicou por meio do Espírito Santo com os escritores bíblicos, transmitindo-lhes o conteúdo que considera importante que nós conheçamos. O Deus bíblico fala. Ele criou seres humanos com a capacidade de falar e entender informações verbais. Portanto, usa a linguagem para Se comunicar com a humanidade. Essas mensagens divinas não são dadas em linguagem celestial que apenas os anjos entendem, mas são transmitidas na própria linguagem dos escritores da Bíblia. Elas também são comunicadas para fins práticos, a fim de que o povo de Deus “seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3:17). Portanto, de maneira coletiva os livros bíblicos são apropriadamente chamados de “Escrituras Sagradas” (Rm 1:2; 2Tm 3:15).

Assim, a autoridade da Bíblia é uma representação da autoridade de Deus, que fala na Palavra e por meio dela. Para que ela desempenhe o papel divinamente pretendido na vida das pessoas e da igreja, deve-se levar a sério sua reivindicação de origem divina. Isso também significa que devemos ouvir todas as Escrituras. Se excluirmos algumas partes delas por considerá-las não inspiradas e, portanto, meramente humanas, não teremos mais do que uma autoridade seletiva da Bíblia. Em vez de nos posicionarmos acima das Escrituras e julgarmos seu conteúdo, devemos nos colocar sob a Palavra, permitindo assim que as Escrituras nos julguem.

Em 1 Tessalonicenses 2:13, aprendemos algo importante sobre a atitude com que os crentes em Tessalônica receberam a palavra de Deus. Leia essa passagem e reflita sobre como isso aconteceu. Com base no exemplo dos tessalonicenses, de que maneira devemos receber a mensagem bíblica quando a lemos ou a ouvimos?

Escritura

Vemos a revelação mais elevada e mais explícita de Deus na encarnação de Seu Filho Jesus Cristo. Além disso, a forma mais eficaz e amplamente usada de revelação divina é a fala do Senhor. Na Bíblia, encontramos repetidas referências ao Deus que fala. Sua Palavra é dada aos porta-vozes, os profetas. As numerosas ocorrências de expressões como “Palavra do Senhor”, “Assim diz o Senhor” e “Palavra que o Senhor falou” testemunham desse fato. Esse discurso divino produz a Palavra do Senhor e, finalmente, leva à sua incorporação em um documento escrito. O ato de anotar a Palavra de Deus também é resultado da iniciativa divina (ver Êx 17:14; Êx 24:4; Js 24:26, etc.).

Qual é o propósito da revelação escrita de Deus? É um ponto de referência constante para o Seu povo, pois lhe permite ouvi-Lo continuamente de modo inalterado, e cuidar para fazer o que ela diz (ver Dt 30:9, 10). Um documento escrito pode ser preservado melhor e com mais confiabilidade do que uma mensagem oral. Um texto escrito pode ter maior duração do que a palavra falada. Um documento escrito pode ser copiado e multiplicado e, assim, disponibilizado a muito mais pessoas em muitos locais diferentes do que qualquer mensagem oral poderia ser. Também está disponível ao longo do tempo e pode ser uma bênção para leitores e ouvintes de muitas gerações posteriores. Como registro escrito permanente, continua sendo um padrão para a veracidade da mensagem bíblica através dos séculos.

Embora seja verdade que Deus inspirou os escritores bíblicos, não saberíamos nada sobre essa inspiração se não tivesse sido comunicada mediante palavras, isto é, na linguagem humana. Somente palavras nos dão acesso a pensamentos. Portanto, o processo de inspiração abrange os pensamentos, bem como o produto final deles: as palavras das Escrituras. “Se devemos atribuir a inspiração aos escritores inspirados ou às Escrituras por eles escritas é em grande parte um dilema desnecessário. É claro que o locus primário da inspiração está nas pessoas. O Espírito Santo moveu-se sobre as pessoas para que elas falassem ou escrevessem; contudo, o que elas falaram ou escreveram foi a inspirada palavra de Deus” (Peter M. van Bemmelen,“Revelação e Inspiração”, em Raul Dederen, ed., Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia. Hagerstown, MD: Review and Herald, 2000, p. 45). Assim, o apóstolo Paulo escreveu: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm 3:16, grifo nosso).

Ilustração

Existe um paralelo interessante entre a Palavra de Deus que se tornou carne (Jesus Cristo) e a Palavra escrita de Deus (a Bíblia). Assim como Jesus foi concebido de forma sobrenatural pelo Espírito Santo, embora nascido neste mundo por meio de uma mulher, a Bíblia tem o Espírito Santo como seu Autor, embora tenha sido escrita por seres humanos.

Jesus Cristo Se tornou carne em um momento e local específicos (ou seja, nasceu em Belém, não em Nova York, Tóquio ou Nairóbi; Ele foi batizado no rio Jordão, não no Mississippi, no Nilo ou no Ganges). No entanto, essa particularidade não anulou Sua divindade, nem O limitou a um determinado momento historicamente. Ele é o único Redentor de todas as pessoas, em todo o mundo, o tempo todo. De maneira semelhante, os livros bíblicos foram dados em um momento específico e em uma cultura específica. Mas, como no caso de Jesus, essa transmissão não torna a Bíblia puramente condicionada ao tempo ou relativa. A Bíblia é a Palavra de Deus para todas as pessoas, em todo o mundo, até o fim dos tempos.

Jesus Se tornou humano e viveu como um ser humano real, com todas as marcas de debilidades humanas. No entanto, Ele era sem pecado. De igual modo, a linguagem bíblica é a linguagem humana com todas as suas limitações, não uma linguagem celestial perfeita. No entanto, o que a Bíblia afirma é confiável, não enganoso!

Quando Jesus viveu aqui, Ele queria ser aceito por quem Ele realmente era: o divino Filho de Deus. O Criador também não quer que a Bíblia seja lida como apenas mais um livro, mas que seja aceita pelo que realmente é: a Palavra escrita do Senhor. Como tal, ela carrega uma autoridade inata que vai além de qualquer sabedoria humana, o que a qualifica como o único padrão de Deus para toda doutrina e experiência religiosa.

Obviamente, Jesus Cristo e a Bíblia não são idênticos. Existem diferenças significativas. A Bíblia não é uma encarnação de Deus. O Altíssimo não Se tornou um livro. Nós não adoramos um livro, adoramos o Salvador que é proclamado na Bíblia, mas sem ela não saberíamos muito sobre Jesus. A Bíblia sem Jesus estaria sem sua mensagem mais importante. Porém, sem a Palavra não saberíamos que Ele é o Messias prometido, e não poderíamos aceitá-Lo como Salvador. Estaríamos perdidos. Portanto, ela é fundamental e indispensável à nossa fé.

Escritura

As Escrituras são fundamentais para nossa crença, e precisamos considerar a Bíblia com fé, a fim de fazer justiça à sua natureza divina. Em Hebreus 11:6, lemos que “sem fé é impossível agradar a Deus”. A mensagem de mudança de vida nela contida não é discernida adequadamente a uma distância crítica, mas deve ser aceita com fé e obedecida com amor.

Aplicação para a vida

Saber que a Bíblia possui autoridade divina nos motiva a tratá-la com respeito e amor. Não falamos com irreverência a respeito do que amamos. A maneira como falamos sobre esse livro deve revelar nosso profundo apreço pela palavra de Deus. Essa consideração se tornará evidente não apenas no nosso modo de carregar e segurar a Bíblia, porém, mais importante, na forma como seguimos e implementamos seus ensinamentos. Nossa atitude será de gratidão e fidelidade. Ser fiel à Palavra escrita de Deus não é venerar um livro. É antes uma expressão do nosso amor pelo Deus triúno sobre quem esse livro fala. “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos; ora, os Seus mandamentos não são penosos” (1Jo 5:3). A Bíblia nos familiariza com o Deus vivo e nos ajuda a nos tornar mais semelhantes a Jesus.

Como seria uma atitude de gratidão e fidelidade às Escrituras? Como a autoridade das Escrituras difere da de outra literatura? Em que sentido você é tentado a não seguir a Bíblia devido a experiências e sentimentos pessoais que o levam a uma direção diferente? Como você pode adquirir confiança?

Ser fiel às Escrituras não é o mesmo que ser fiel às minhas ideias favoritas sobre a Bíblia. No último caso, eu seria fiel apenas a mim mesmo. A fidelidade às Escrituras exige abertura para permitir que a Bíblia modele e transforme meus pensamentos e ações.

UM ADVENTISTA EM DEZ MIL

Para Radenko Melovi, frequentar a universidade era uma experiencia maravilhosa. Ele deixou a casa dos pais e mudou-se para um dormitório universitário com dez mil alunos em Belgrado, 300 quilômetros distantes. Radenko se divertiu mais que estudou. O primeiro ano passou e ele não fez nenhuma prova. Para evitar sua expulsão do alojamento universitário, no ano seguinte, mudou o curso. O segundo ano passou e ele não fez nenhuma avaliação. Radenko mudou novamente o curso. Porém, o terceiro ano passou e ele não realizou nenhum exame. Ao invés de se dedicar aos estudos, ele frequentava festas, bebia e fumava com os amigos. Mas ele era um aluno popular e foi eleito como presidente do corpo estudantil.

Entretanto, no quarto ano ocorreu uma tragédia. A irmã dele morreu durante o parto. Radenko ficou devastado. Ela era o anjo da família e ele não sabia o que fazer. Pela primeira vez na vida, orou fervorosamente, pedindo que Deus que lhe revelasse o caminho certo para a vida. Entre os dez mil alunos que viviam no alojamento estudantil havia uma jovem adventista chamada Emília. Pouco tempo após aquela oração, um amigo os apresentou. Imediatamente, Emilia começou a falar sobre Deus. Ela não queria falar sobre outro assunto, e disse que era adventista do sétimo dia, religião que ele não conhecia. A nova amiga o convidou para acompanhála à igreja no sábado seguinte, e ele aceitou.

Radenko ouviu o sermão e o pastor dos jovens se aproximou quando ele já estava saindo. “Você gostaria de estudar a Bíblia?”, o pastor perguntou. Ele não havia lido a Bíblia e concordou em encontrar-se com o pastor nas noites de terça. Quando o estudo inicial da Bíblia terminou, Radenko experimentou algo incomum. Ele sentiu como se pudesse voar. Finalmente, sentiu que sua sede fora saciada. Então chegou ao estudo sobre o sábado. Radenko ficou surpreso ao descobrir que a Bíblia identificava o sábado como o sétimo dia, um dia sagrado. No dia seguinte, decidiu visitar um padre à procura de uma segunda opinião.

“Você sabe quando Jesus foi ressuscitado?”, o padre perguntou. “Domingo”, Radenko respondeu. “Por esse motivo que guardamos o domingo”, o padre disse. Radenko contou ao pastor sobre a conversa que tivera com o padre. O pastor explicou que a morte e ressurreição de Jesus não mudara a lei. O quarto mandamento continuava afirmando que o sétimo dia era o dia sagrado. Ao tentar visitar novamente aquele padre, não o encontrou; mas, outro padre ouviu seus questionamentos. “Nossos santos padres decidiram pelo domingo, e não questiono essa opinião”, o padre disse. Radenko achou a resposta surpreendente. “Qual é a maior autoridade: a Bíblia ou os santos padres?”, ele perguntou. O padre não quis responder. Para Radenko, claramente a Bíblia era a maior autoridade.

Hoje, Radenko tem 58 anos, está casado, terminou sua graduação universitária e ama a lei de Deus. Ele usou um marcador azul para sublinhar o verso que o pastor leu em seu batismo, Josué 1:8: “Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem sucedido.”

Após 30 anos, Emília, a colega do alojamento universitário ficou surpresa e feliz quando soube que a semente que tinha plantado havia frutificado. Logo após se conhecerem, ela mudou de alojamento e perderam o contato. Radenko acredita que a missão de Emília foi compartilhar o evangelho com ele.

“Foi um verdadeiro milagre encontrar um adventista entre dez mil pessoas. “Mas essa foi a resposta de Deus quando pedi a Ele que me mostrasse o caminho certo a seguir na vida”, testemunha Radenko, que também é ancião da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Nova Belgrado. Essa igreja receberá parte da oferta deste trimestre que ajudará na sua construção. Em 1993, a congregação se reuniu em um cinema alugado, e agora divide um prédio com outra congregação adventista perto de Nova Belgrado. Agradecemos por você planejar entregar uma generosa oferta do décimo terceiro sábado.

Dicas da história

• Assista ao vídeo sobre Radenko no YouTube : bit.ly/Radenko-Melovic.
• Faça o download das fotos no Facebook (bit.ly/fb-mq) ou banco de dados ADAMS (bit.ly/one-adventist-in-10000).
• Faça o download dos projetos do trimestre no site: bit.ly/ted-13th-projects.

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 1º Trimestre de 2020
Tema Geral: Como interpretar as Escrituras
Lição 2 – 4 a 11 de abril

Origem e natureza da Bíblia

Autor: Isaac Malheiros
Editor: André Oliveira Santos
Revisora: Josiéli Nóbrega

A Bíblia só será devidamente apreciada se tivermos consciência de sua origem e de sua natureza. Nesta semana, examinaremos como a Bíblia surgiu, e por que ela reivindica ter autoridade divina. Também lidaremos com a pergunta: quem é a maior autoridade sobre a vida da igreja e dos cristãos individualmente? A Bíblia, a razão, ou a cultura? Existem diversas teorias a respeito da inspiração da Bíblia. Vamos ver alguns modelos principais:

1. Uma visão liberal da Bíblia: não inspirada

A teologia liberal nega a inspiração divina sobrenatural, e trata a Bíblia apenas como um livro comum. No liberalismo teológico, a Bíblia reflete apenas as circunstâncias históricas e culturais de quem a escreveu. A interpretação liberal, portanto, procura apenas entender essas influências históricas e culturais, retirando da Bíblia qualquer autoridade divina. A Bíblia é julgada por evidências externas, da História, Arqueologia e das ciências em geral. A razão humana está acima das Escrituras. Esse método é chamado de “histórico-crítico”. Nesse método, a Bíblia é vista como um livro meramente humano, cheio de erros e contradições. O método histórico-crítico não é recomendado: “Mesmo um uso modificado desse método, que retenha o princípio crítico, subordinando a Bíblia à razão humana, é inaceitável para os adventistas”.

2. O modelo da inspiração verbal

No modelo da “inspiração verbal”, as palavras é que são inspiradas, a Bíblia tem origem somente em Deus, e os homens são meros escritores/copiadores do que Deus “ditou”. Esse modelo está parcialmente correto. Certamente, Deus Se comunica verbalmente com os seres humanos, mas a inspiração, em geral, atua no nível dos pensamentos dos escritores da Bíblia, e os escritores escolhem as palavras que serão usadas. Apesar de haver trechos bíblicos que foram registros escritos de discursos de Deus (como atesta, por exemplo, Jr 36:4-6), como um todo, a Bíblia não é resultado do ditado. O modelo da inspiração verbal pode levar o estudante da Bíblia a reduzir ou desprezar o estudo do contexto histórico de alguns textos.

3. O modelo da inspiração do pensamento

Por outro lado, há aqueles que acreditam que a inspiração divina acontece apenas no nível do pensamento (modelo da “inspiração do pensamento”). Nesse modelo, Deus dá apenas a ideia, e o escritor registra como quer. Esse modelo também está parcialmente certo. Deus deu liberdade para cada escritor escolher as palavras usadas, e isso pode ser confirmado pelos diferentes estilos de escrita que encontramos na Bíblia. Paulo escreveu de maneira bem diferente de Pedro e João. Cada evangelho é escrito num estilo diferente. Os escritores bíblicos mantiveram sua personalidade na escolha das palavras, mas não registraram na Bíblia ideias, conceitos nem opiniões próprias. No entanto, esse modelo traz o risco de enfatizar o aspecto humano da Bíblia, e torná-la um livro falível e propenso a erros (como tudo o que é produzido por seres humanos).

4. O modelo da inspiração plenária ou completa

Uma abordagem equilibrada considera a Bíblia uma indivisível união dos elementos divino e humano (2Pe 1:21). Deus deu liberdade para os escritores da Bíblia se expressarem em seu estilo, de acordo com sua personalidade, mas todo o processo foi guiado e supervisionado por Deus (2Pe 1:20, 21; 2Sm 23:2; Dt 4:2). O nome desse modelo é “inspiração plenária” ou “inspiração completa”. O Espírito Santo inspirou o pensamento dos escritores bíblicos, e guiou a escolha das palavras (1Co 2:13), de modo que a mensagem fosse registrada de forma fiel, infalível e correta (ainda que sejam possíveis algumas discrepâncias em detalhes secundários, que não afetam nenhuma doutrina).

Jesus afirmou a importância das palavras bíblicas quando disse que nenhum ‘til’ da lei cairia sem se cumprir (Mt 5:17), e que a Escritura não pode ser mudada (Jo 10:35). Pedro disse que homens santos falaram da parte de Deus (2Pe 1:21), enquanto Paulo também disse que a Escritura (as sagradas letras), foram inspiradas por Deus para a salvação (2Tm 3:15-17). Portanto, parece que esse modelo é o que está mais ajustado ao que encontramos na Bíblia.

5. A questão histórica e cultural

Apesar de ter sido escrita em diferentes momentos históricos no contexto do antigo Oriente Próximo, a Bíblia transcende a cultura da época, e é a Palavra de Deus para todos os contextos culturais, de todos os tempos. Ela registra os atos de Deus na História de maneira infalível, e provê a correta interpretação desses atos, que são historicamente verdadeiros.

Nem a cultura nem o intelecto humano estão acima da Bíblia. A Escritura julga e pode redimir tanto a cultura quanto o intelecto humano. A própria revelação de Deus na natureza deve ser interpretada à luz das Escrituras, e isso coloca as ciências também sob a autoridade da Bíblia. Ela é o único padrão pelo qual todo ensino e toda experiência devem ser provados (2Tm 3:15-17; Sl 119:105; Pv 30:5, 6; Is 8:20; Jo 17:17; 2Ts 3:14; Hb 4:12).

A formação do cânon sagrado

Além de inspirar a escrita, Deus também guiou e supervisionou o processo de colecionamento e preservação dos textos que comporiam a Bíblia (2Rs 23:24; Ne 8:8; 2Cr 17:9). A lista de livros sagrados se chama cânon. Na composição do Antigo Testamento, historicamente, Deus concedeu a líderes e ao Seu povo a capacidade de reconhecer a autoridade divina em certos textos e de colecioná-los como literatura sagrada (1Sm 10:25). Além disso, o conteúdo de tais textos foi preservado em cópias feitas com muito cuidado pelos escribas e copistas (Ed 7:6). Assim, por volta de 400 anos antes de Cristo, o cânon do Antigo Testamento já estava feito.

Já o Novo Testamento passou por um processo mais complexo, pois o cristianismo espalhou-se pelo mundo (At 1:8). Os que foram testemunhas oculares do ministério de Jesus e receberam autoridade divina (Ef 2:20; Mt 28:18-20) ainda estavam vivos quando o processo de reconhecimento do cânon do Novo Testamento começou. Os apóstolos orientaram a igreja através de mensagens e cartas (1Co 11:2; Fp 3:1, 2), que rapidamente foram reconhecidas como documentos sagrados, divinamente inspirados. Esses escritos foram identificados, reunidos e preservados como textos inspirados e cheios de autoridade (2Pe 3:1, 2, 15, 16; Cl 4:16); que também serviam como base doutrinária para a igreja (1Ts 2:13).

Conheça o autor dos comentários para este trimestre: Isaac Malheiros é pastor, casado com a professora Vanessa Meira, e pai da pequena Nina Meira, de 8 anos. Tem atuado por 16 anos como pastor na área educacional, como capelão e professor, e ama ensinar a ler e interpretar a Bíblia. Atualmente, é pastor dos universitários e professor do Instituto Adventista Paranaense (IAP). É doutor em teologia (Novo Testamento), mestre em teologia (Estudos de texto e contexto bíblicos) e especialista em Ensino Religioso e Teologia Comparada.

 

1 Documento “Métodos de Estudo da Bíblia”, disponível em: <http://www.centrowhite.org.br/metodos-de-estudo-da-biblia/>.