Lição 2
03 a 09 de abril
Os princípios fundamentais da aliança
Sábado à tarde
Ano Bíblico: 2Sm 8-10
Verso para memorizar: “Agora, pois, se ouvirem atentamente a Minha voz e guardarem a Minha aliança, vocês serão a Minha propriedade peculiar dentre todos os povos. Porque toda a terra é Minha” (Êx 19:5).
Leituras da semana: Gn 9:15; Is 54:9; Gn 12:1-3; Gl 3:6-9, 29; Êx 6:1-8; Jr 31:33, 34

Na semana passada, mencionamos a queda da humanidade, que ocorreu devido ao pecado de nossos primeiros pais. A lição desta semana é um resumo do trimestre, visto que a cada dia examinaremos as primeiras alianças, que eram, à sua maneira, manifestações da verdade presente da verdadeira aliança, ratificada no Calvário pelo sangue de Jesus, a aliança em que, como cristãos, entramos com nosso Senhor. 

Começaremos nosso estudo com a aliança que Deus fez com Noé para poupá-lo da destruição, bem como sua família. Então falaremos da aliança com Abraão, rica e repleta de promessas a nós; depois, passaremos à aliança no Sinai e à importância do que foi proclamado ali; e finalmente estudaremos a nova aliança, para qual as outras apontavam. Tudo isso será estudado com mais profundidade nas próximas semanas. Esta semana será apenas uma prévia. 

Resumo da semana: O que significa a aliança? Quais elementos a compõem? Que aliança Deus fez com Noé? Que esperança podia ser encontrada na aliança com Abraão? Qual é a função da fé e das obras humanas na aliança? Seria a aliança apenas um acordo ou ela tem aspectos relacionais? Qual é a essência da “nova aliança”?

Domingo, 04 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 11, 12
Fundamentos da aliança

Farei uma aliança entre Mim e você e darei a você uma descendência muito numerosa” (Gn 17:2).

“A palavra hebraica traduzida como ‘aliança’, que aparece cerca de 287 vezes no Antigo Testamento, é berith. Ela também pode ser traduzida como ‘testamento’ ou ‘último desejo’. Sua origem não é clara, mas passou a significar ‘aquilo que unia duas partes; no entanto, ela era usada para designar muitos tipos diferentes de ‘vínculo’, tanto entre os homens quanto entre o homem e Deus. Essa palavra possui um uso comum, em que ambas as partes eram homens, e um uso distintamente religioso, em que a aliança era entre Deus e o homem. O uso religioso era realmente uma metáfora com base no uso comum, mas com uma conotação [significação] mais profunda’” (J. Arthur Thompson, “Covenant (OT)” [Aliança (AT)], The International Standard Bible Encyclopedia [Enciclopédia Bíblica Internacional]. Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans, 1979, v. 1, p. 790).

A exemplo do casamento, a aliança bíblica define um relacionamento e um acordo. Como acordo, a aliança contém estes elementos fundamentais:

1. Deus confirmou as promessas da aliança com um juramento (Gl 3:16; Hb 6:13, 17).
2. A obrigação da aliança era a obediência à vontade de Deus, expressa nos Dez Mandamentos (Dt 4:13).
3. Cristo e o plano da salvação eram o meio pelo qual a obrigação da aliança de Deus foi finalmente cumprida (Is 42:1, 6).

1. Com base nesses elementos, como você vê esses fatores em ação em sua caminhada com o Senhor? Descreva como eles se manifestam em sua vida:

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No Antigo Testamento o sistema sacrifical de tipos instruiu o povo a respeito do plano da salvação. Por meio de seus símbolos, os patriarcas e Israel aprenderam a exercer fé no Redentor vindouro. Pelos seus ritos, o penitente podia encontrar perdão para o pecado e libertar-se da culpa. As bênçãos da aliança podiam, portanto, ser mantidas, e o crescimento espiritual, a restauração da imagem de Deus na vida, poderia, desse modo, continuar, mesmo quando a humanidade deixasse de cumprir sua parte no acordo.

 

 

Embora haja alianças entre pessoas, o principal uso da palavra “berith” na Bíblia tratado relacionamento entre Deus e a humanidade. Considerando quem é Deus e quem somos em comparação com Ele, que tipo de relacionamento essa aliança retratava?

Segunda-feira, 05 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 13, 14
Aliança com Noé

Com você estabelecerei a Minha aliança, e você entrará na arca, você e os seus filhos, a sua mulher, e as mulheres dos seus filhos” (Gn 6:18).

 No verso acima, a palavra aliança aparece pela primeira vez na Bíblia e, nesse contexto, Deus havia acabado de contar a Noé sobre Sua decisão de destruir a Terra por causa da imensa e contínua disseminação do pecado. Embora essa destruição viesse na forma de um dilúvio mundial, Deus não estava abandonando o mundo que Ele havia criado. Ele continuou a propor a aliança estabelecida pela primeira vez após a queda. O divino “Eu” que propôs a aliança era Ele mesmo o fundamento da segurança de Noé.

Como o Deus que cumpria a aliança, o Senhor prometeu proteger os familiares do patriarca que estivessem dispostos a viver em um relacionamento de compromisso com Ele, que resultasse em obediência.

2. A aliança com Noé foi unilateral? Lembre-se de que uma aliança implica mais de uma parte. Noé teve que cumprir sua parte no acordo? Que lição aprendemos com isso?

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Deus declarou a Noé que haveria um dilúvio e que o mundo seria destruído. Porém, fez um acordo com ele, no qual prometia salvar Noé e sua família. Portanto, os riscos eram bastante grandes, pois se Deus não mantivesse Sua parte da promessa, então não importava o que Noé fizesse, ele seria exterminado com o restante do mundo.

Deus disse que faria uma “aliança” com Noé. A própria palavra sugere uma intenção de honrar o que se diz que será feito. Não era uma declaração incerta. A palavra em si vem carregada de compromisso. Imagine que o Senhor tivesse dito a Noé: “Veja, o mundo terminará em um terrível dilúvio, e Eu posso salvá-lo. Enquanto isso, faça isso ou aquilo, e depois veremos o que acontece, mas não estou dando nenhuma garantia”. Essas declarações dificilmente vêm com o tipo de garantia e promessa encontradas na própria palavra “aliança”.

 

 

Alguns defendem que o dilúvio de Noé não foi mundial, mas local. Nesse caso, no contexto do que Deus prometeu em Gênesis 9:15 (veja também Is 54:9), toda vez que outro dilúvio local acontece (e parece que acontece o tempo todo), a promessa da aliança de Deus é quebrada. Por outro lado, o fato de não ter havido outro dilúvio mundial prova a validade da promessa da aliança de Deus. O que isso revela sobre a confiança que podemos ter em Suas promessas?

Terça-feira, 06 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 15-17
Aliança com Abraão

Abençoarei aqueles que o abençoarem e amaldiçoarei aquele que o amaldiçoar. Em você serão benditas todas as famílias da Terra” (Gn 12:3).

3. Leia Gênesis 12:1-3. Liste as promessas específicas que Deus fez a Abraão:

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4. Dentre as promessas, Deus disse que em Abraão seriam “benditas todas as famílias da Terra” (Gn 12:3). O que isso significa? Como as famílias foram abençoadas em Abraão? Vemos, nessa promessa anterior, a promessa do Messias? Gl 3:6-9, 29

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Nessa primeira revelação divina a Abraão, Deus prometeu entrar em um relacionamento íntimo e duradouro com ele, antes mesmo de usar qualquer linguagem que falasse sobre fazer uma aliança. Referências diretas à aliança que Deus fez aparecem apenas posteriormente (Gn 15:4-21; 17:1-14). Naquele momento, Deus propôs um relacionamento divino-humano de grande importância. Os verbos conjugados no futuro, mostrarei, farei, abençoarei e amaldiçoarei (Gn 12:1-3), sugerem a profundidade e a grandeza da oferta e da promessa.

Além disso, Abraão recebeu uma única, porém difícil, ordem: “Saia da sua terra”. Ele obedeceu pela fé (Hb 11:8), não para tornar realidade as bênçãos prometidas. Sua obediência foi a resposta de fé ao relacionamento amoroso que Deus desejava que fosse estabelecido. Em outras palavras, Abraão já acreditava em Deus, já confiava Nele, já tinha fé em Suas promessas, pois, caso contrário, jamais teria deixado sua família e a terra de seus ancestrais para seguir rumo a lugares desconhecidos. Sua obediência revelou aos homens e aos anjos a sua fé.

Abraão, mesmo naquela época, revelou o relacionamento fundamental entre fé e obras. Somos salvos pela fé, a qual resulta em obras de obediência. 

A promessa da salvação vem primeiro; em seguida, as obras. Embora não possa haver comunhão de aliança nem bênção sem obediência, essa obediência é a resposta de fé ao que Deus já fez. Essa fé ilustra o princípio de 1 João 4:19: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”.

 

De que maneira Gênesis 15:6 mostra o fundamento de todas as promessas da aliança? Por que essa bênção é a mais preciosa de todas?

Quarta-feira, 07 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 18, 19
Aliança com Moisés

Leia Êxodo 6:1-8 e responda a estas perguntas:

5. A qual aliança Deus Se referiu? Veja Gn 12:1-3 e assinale a alternativa correta:

A. ( ) À aliança com Abraão.
B. ( ) Ao pacto para a retirada do povo do Egito.

6. O Êxodo devia ser um cumprimento, da parte de Deus, das promessas da aliança?

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7. Que paralelo encontramos entre o que Deus prometeu ao povo, em Êxodo 6:1-8, e o que Ele prometeu a Noé antes do dilúvio?

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Após o Êxodo, os filhos de Israel receberam a aliança no Sinai, concedida no contexto de redenção da escravidão (Êx 20:2) e contendo as provisões sacrificais de Deus para a expiação e perdão dos pecados. Portanto, essa aliança, como todas as outras, era a aliança da graça estendida ao povo.

Ela reiterava, em muitos aspectos, as principais ênfases da aliança com Abraão:

1. Relacionamento especial de Deus com Seu povo (Gn 17:7, 8; Êx 19:5, 6). 
2. Eles seriam uma grande nação (compare Gênesis 12:2 com Êx 19:6). 
3. Era necessário obediência (compare Gn 17:9-14; 22:16-18 com Êx 19:5).

“Observe a ordem: o Senhor primeiramente salva Israel, e então lhes dá Sua lei para a guardarem. A mesma ordem se dá no caso do evangelho. Cristo primeiramente nos salva do pecado (ver Jo 1:29; 1Co 15:3; Gl 1:4) e então vive Sua lei dentro de nós” (Gl 2:20; Rm 4:25; 8:1-3; 1Pe 2:24; Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 1, p. 646).

8. Leia Êxodo 6:7. O que aparece na primeira parte, em que o Senhor declara que eles seriam o Seu povo e que Ele seria o seu Deus? O povo seria algo para Deus, e Deus seria algo para ele. O Senhor não apenas desejava Se relacionar com o povo de modo especial, mas queria que o povo se relacionasse com Ele de modo especial. Não busca o Senhor esse tipo de relacionamento conosco? Essa passagem reflete sua relação com Deus?

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Quinta-feira, 08 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 20, 21
Nova aliança (Jr 31:31-33)

A primeira vez que o Antigo Testamento menciona o que se chama de “nova aliança” é na passagem de Jeremias 31:31-33. Essa aliança foi registrada no contexto do retorno dos israelitas do exílio e fala sobre as bênçãos que eles receberiam de Deus. Novamente, como em todas as outras, Deus foi o responsável por iniciar a aliança, e Ele a cumpriria por Sua graça.

Observe também a linguagem usada nesse texto. Deus Se referiu a Si mesmo como um esposo para o povo; Ele falou que escreveria Sua lei no coração deles; e, usando a linguagem da aliança abraâmica, disse que seria o Deus deles, e eles seriam o Seu povo. Portanto, como antes, a aliança não era apenas um acordo legalmente obrigatório, como nos tribunais de hoje, mas tratava de algo mais.

9. Compare Jeremias 31:33 com Êxodo 6:7, que detalha parte da aliança feita com Israel. Que elemento essencial aparece? O que Deus queria com o Seu povo? Assinale a alternativa correta:

A. ( ) Queria ter um relacionamento especial com Seu povo.
B. ( ) Desejava restabelecer um relacionamento de escravidão.

10. Compare Jeremias 31:34 com João 17:3. Qual é a principal ação do Senhor que estabelece o fundamento para esse relacionamento?

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Em Jeremias 31:31-34, vemos os elementos da graça e da obediência, como nas alianças anteriores. Deus perdoaria os pecados do povo, entraria em um relacionamento com ele e lhe concederia Sua graça. Como resultado, o povo simplesmente O obedeceria; não de maneira mecânica nem por hábito, mas puramente porque O conhecia, porque O amava e porque desejava servi-Lo. Essa é a essência do relacionamento de aliança que o Senhor buscava com Seu povo.

Como você entende a ideia de escrever a lei em nosso coração? Isso implica que a lei se torna subjetiva e pessoal, algo a ser interpretado e aplicado de acordo com as inclinações individuais do nosso coração? Ou isso significa outra coisa?

Sexta-feira, 09 de abril
Ano Bíblico: 2Sm 22-24
Estudo adicional

Textos de Ellen G. White: Patriarcas e Profetas, p. 132-138 (“Abraão em Canaã”); Profetas e Reis, p. 569-571 (“Oposição fracassada”).

“O jugo que liga ao serviço é a lei de Deus. A grande lei de amor revelada no Éden, proclamada no Sinai e, na nova aliança, escrita no coração,  é o que liga o obreiro humano à vontade de Deus. Se fôssemos entregues às nossas próprias tendências, para ir exatamente aonde nos levasse nossa vontade, cairíamos nas fileiras de Satanás e nos tornaríamos possuidores de seus atributos. Portanto, Deus nos restringe à Sua vontade, que é elevada, digna e enobrecedora. Deseja que empreendamos de forma paciente e sábia os deveres do serviço. Esse jugo do serviço foi levado pelo próprio Cristo na humanidade. Ele declarou: “Agrada-Me fazer a Tua vontade, ó Deus Meu; a Tua lei está dentro do Meu coração” (Sl 40:8; Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 329, 330).

Perguntas para consideração

1. A aliança de Deus com Noé, Abraão, Moisés e conosco foi uma continuação de Sua aliança com Adão, ou foi algo novo? (Compare os seguintes textos: Gn 3:15; 22:18; Gl 3:8, 16).

2. Por que o aspecto pessoal e relacional da aliança é importante? É possível fazer um acordo com feitos legais, uma “aliança”, sem interação pessoal. Mas não era esse tipo de acordo que o Senhor estava buscando em Sua aliança com o povo. Por quê? Discuta.

3. O casamento é semelhante à aliança? Essa analogia é insuficiente para descrever a aliança?

Resumo: O pecado rompeu o relacionamento do Criador com a família humana. Então, Deus buscou restabelecer esse vínculo amoroso por meio de uma aliança. Essa aliança significa tanto um relacionamento de compromisso entre Deus e nós (como um laço matrimonial) quanto um acordo para nos salvar e nos trazer à harmonia com o Criador. Deus, motivado por Seu grande amor por nós, é o iniciador do relacionamento de aliança. Mediante promessas e atos graciosos, Ele nos convida a entrar em união com Ele.

Respostas e atividades da semana: 1. Comente com a classe. 2. Não. A aliança era mútua. Deus disse que destruiria a Terra, mas prometeu salvar Noé e sua família. Noé teve que preparar a arca e pregar durante 120 anos. A aliança com Deus é um acordo entre duas partes. 3. Deus prometeu que faria de Abraão uma grande nação e lhe engrandeceria o nome. Ele abençoaria os que o abençoassem e amaldiçoaria os que o amaldiçoassem. Nele seriam abençoadas todas as famílias da Terra. 4. Em Abraão, gentios e judeus seriam abençoados. A partir de Abraão, veio também o Messias. Todos foram abençoados naquela promessa. 5. A. 6. O Senhor havia prometido que abençoaria Abraão e sua descendência (Gn 12:1-3). Ele cumpriu Sua parte no livramento do povo de Israel do Egito. Em Êxodo 6:1-6, Deus prometeu que livraria os israelitas da mão do faraó e dos egípcios. 7. Em ambas as alianças, Deus prometeu que livraria Seus filhos (Noé e sua família e os israelitas no Egito). Eles deviam cumprir a parte deles no acordo. 8. Comente com a classe. 9. A. 10. O conhecimento do Deus verdadeiro. Ele faria com que todos O conhecessem.

Resumo da Lição 2
Os princípios fundamentais da aliança

Foco do estudo: Isaías 6

ESBOÇO

O foco do nosso estudo nesta semana é Isaías 6, particularmente os três primeiros versos. O primeiro deles menciona que Isaías teve uma visão do “Senhor assentado sobre um alto e sublime trono” e que a visão ocorreu “no ano da morte do rei Uzias”. Portanto, a visão poder ser datada aproximadamente entre 740 e 739 a.C. Por que o profeta se refere à morte do rei? É uma referência histórica simples? Isaías, ao aludir ao famoso monarca, quer contrastar o rei humano com o majestoso e glorioso Rei do Universo. Entre outros atributos, a santidade é uma das principais características do anfitrião soberano. Este estudo está dividido em três seções: (1) Esplendor humano, (2) Rei Supremo e (3) Nosso santo e glorioso Senhor.

COMENTÁRIO

Esplendor humano

Alguns estudiosos sugerem que a visão do capítulo 6 de Isaías serve como uma unidade de ligação entre os capítulos anteriores (1–5) e o restante do livro. Por exemplo, Edward J. Young mantém a ideia de que, nos cinco primeiros capítulos do seu livro, o profeta apresenta o núcleo de sua mensagem e, em seguida, relata seu chamado profético (Edward J. Young, The Book of Isaiah: The English Text, With Introduction, Exposition, and Notes [O Livro de Isaías: O Texto em Inglês, com Introdução, Explicação e Notas]. Grand Rapids, MI: Eerdmans Publishing Company, 1985, v. 1, p. 233).

O segundo livro de Crônicas nos oferece um esboço do reinado do rei cuja morte é mencionada em Isaías 6. O capítulo 26 de Segundo Crônicas destaca amplamente a gloriosa carreira de Uzias durante seu reinado de 52 anos sobre Judá (2Cr 26:3). Entre outras realizações e características notáveis, o currículo do rei inclui: habilidade como estrategista militar e a consequente expansão de territórios (2Cr 26:6, 7), formação de um exército bem equipado (2Cr 26:11-14), invenção de tecnologia militar (2Cr 26:15) e prosperidade material em seu território (2Cr 26:9, 10). Tudo isso trouxe ao rei gloriosa fama (2Cr 26:15). Contudo, o mesmo registro acrescenta um detalhe sombrio e pernicioso sobre a vida do monarca: “Mas, depois que Uzias se tornou poderoso, o coração dele se exaltou para a sua própria ruína. Ele cometeu uma transgressão contra o Senhor, seu Deus, pois entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso” (2Cr 26:16). Obviamente, os sacerdotes se opuseram à intenção do rei. Eles o alertaram que não era sua função oferecer incenso e lhe disseram: “Saia do santuário, porque você cometeu uma transgressão e isso não lhe trará honra da parte do SENHOR Deus” (2Cr 26:18). A Bíblia Almeida Revista e Atualizada traduz a expressão hebraica ???ô? como “honra”. Uma tradução comum é “glória”. Portanto, em vez de glória (???ô?), o rei terá lepra (??ra?a?) até sua morte.

Ellen G. White escreveu: “Uzias ficou furioso pelo fato de ser repreendido dessa forma, sendo ele o rei. Mas não lhe foi permitido profanar o santuário contra os protestos conjuntos dos que tinham autoridade. Enquanto ali estava, numa revolta causada pela ira, foi subitamente ferido pelo juízo divino. Em sua testa apareceu a lepra. Apavorado, deixou o recinto do templo para nunca mais ali entrar. Até o dia de sua morte, alguns anos mais tarde, Uzias ficou leproso – um exemplo vivo da insensatez de abandonar um claro ‘Assim diz o Senhor’. Nem sua exaltada posição nem sua longa vida de serviço poderiam ser invocadas como desculpa pelo presunçoso pecado com que manchou os últimos anos de seu reinado, atraindo sobre si o juízo do Céu” (Profetas e Reis, p. 304).

Desse modo, referir-se à morte de Uzias, como faz Isaías no capítulo 6, é evocar um rei próspero e glorioso, talvez superado apenas pelos dois últimos reis da monarquia unida. No entanto, a glória de Uzias terminou em lepra e, portanto, em morte. Outro rei sentou-se no que outrora havia sido a sede de sua glória.

Rei Supremo

Em contraste com a experiência do famoso (porém inglório) rei Uzias, o profeta expressa a glória do Senhor em Isaías 6:1: “Vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono”. Vale a pena notar que todas as palavras que seguem “SENHOR” apontam para a posição exaltada de YHWH, Rei do Universo.
Isaías aqui usa a expressão “Senhor” (????n?y), deixando claro que ele se refere ao Soberano Governante. Esse detalhe ajuda a aprofundar o contraste entre o Senhor e o governante terrestre de Judá. O Senhor (ainda) está assentado em Seu trono; em outras palavras, Ele permanece estabelecido em Seu trono. Outros reis passaram, e passarão, mas o domínio do Rei do Universo “é domínio eterno, que não passará” (Dn 7:14). O autor enfatiza que o Senhor está assentado “e as abas de Suas vestes enchiam o templo” (Is 6:1), o que significa que a presença do Senhor impregna o templo. Além disso, os seres celestiais adoram perante Ele. Pode-se ver figura semelhante em Apocalipse 4:8: “E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estavam cheios de olhos, ao redor e por dentro. Não tinham descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: ‘Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir’”.

Nosso santo e glorioso Senhor

Isaías 6:3 registra que os serafins “clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos”. Parece que santidade é a expressão que os seres celestiais preferem usar para se referir ao Senhor. O que a santidade de Deus implica?

Para alguns estudiosos, a santidade de YHWH representa a essência oculta de Seu ser, Sua transcendência absoluta, a perfeição divina que O separa de Sua criação: uma distinção tanto em essência quanto em caráter – e Sua majestade moral.

Por outro lado, alguns pensam que, neste caso, santidade se refere à exclusividade de YHWH para Israel (Teófilo Correa, La Gloria del Señor en Isaías [A Glória do Senhor em Isaías]. Entre Rios, Argentina: Universidade Adventista del Plata, 2017, p. 123). Embora o elemento de distinção ou separação da santidade de Deus seja uma característica que não pode ser negada, pode-se argumentar que a palavra em hebraico expressa mais do que mera distinção.

Sobre esse assunto, temos o testemunho de línguas antigas. O termo equivalente para a palavra hebraica q??ôš (lê-se “qadoch”, santo) em acadiano é qad?šu, que significa “ser puro, brilhar”, entre outros significados (Jeremy Black, Andrew George e Nicholas Postgate, eds., “Qad?šu(m), A Concise Dictionary of Akkadian [Dicionário Conciso de Acadiano]. Wiesbaden: Harrassowitz Verlag, 2000, p. 282). À luz dessa percepção do testemunho extrabíblico, é possível inferir um elemento com o qual não há comparação devido à essência da natureza divina. Portanto, a expressão hebraica q??ôš, nesse caso, pode se referir à pureza, perfeição e glória oculta de YHWH. Em outras palavras, santidade é a essência do ser de Deus; mas essa essência não está completamente oculta porque é revelada, em parte, em Sua glória que enche toda a Terra. Q??ôš é paralelo a ???ô?. Enquanto o primeiro é a essência do ser de Deus, o segundo é a manifestação Dele. Da mesma forma, podemos deduzir que, quando Sua presença enche o templo, é Sua glória que enche a Terra. Tal é o impacto da santidade do Senhor que Isaías se vê “perdido”, porque, segundo sua descrição, ele é impuro. É claro o contraste entre ele (impuro) e o Deus limpo ou puro (santo).

Aplicação para a vida

Para reflexão: Fama e esplendor são ótimos atrativos para muitas pessoas. O rei Uzias é um exemplo perfeito de alguém que cobiça ambos. Sua intrusão no templo pode ser vista como uma atitude audaciosa, mas suas ações são contra a vontade divina revelada. Seu comportamento é um insulto a Deus e uma blasfêmia ao Seu santo serviço. Ellen G. White afirma que “o pecado que produziu tão desastrosos resultados para Uzias foi o da presunção. Em violação de um claro mandamento de Jeová, segundo o qual ninguém, exceto os descendentes de Arão, devia oficiar como sacerdote, o rei entrou no santuário ‘para queimar incenso no altar’” (Profetas e Reis, p. 304).

1. Se você desempenha uma função de liderança em sua igreja, pense sobre tudo o que isso implica. Com que fidelidade você lida com as coisas sagradas do Senhor?
2. No tempo de Isaías, os reis nem sempre andaram na luz do Senhor. Isaías 1:23 descreve os governantes de Israel: “Os seus príncipes são rebeldes”. Lembre-se de que os seres humanos, mais cedo ou mais tarde, morrerão e desaparecerão. O Senhor que governa para sempre está sentado em Seu trono e está no controle. O que significa o fato de Deus ser soberano? Por que devemos confiar em Seu domínio?
3. No início de seu ministério profético, Isaías recebeu uma visão da santidade do Senhor. Uma experiência semelhante aconteceu quando Moisés foi chamado em Horebe (Êx 3:5, 6). Por que a santidade não é apenas a característica importante da essência do Senhor, mas também o selo de Sua obra e a marca de Seus mensageiros?

O tiroteio

Chenelle, uma moça de 31 anos, ouviu o som “rá-tá-tá” de uma arma semiautomática durante uma sessão de treinamento de professores na capital de Trinidad e Tobago, Porto da Espanha. Os professores se levantaram e correram até a janela do terceiro andar. Na rua, um homem fugia a pé de um carro branco. Os tiros vinham de dentro do carro. Alguns professores gritaram de medo e todos se abaixaram para se proteger, enquanto o carro passava em frente da escola. Foram dois longos minutos de espera. Finalmente, o barulho de tiros parou e Chenelle ouviu o grito assustado das crianças. Ela chorou. Aquela foi a segunda vez em sete meses que ouviu os tiros.

Os professores desceram para confortar as crianças amedrontadas. Chenelle, que estava auxiliando o treinamento, saiu da escola. Os policiais já estavam na rua pedindo aos motoristas para tirar os carros estacionados. Mas o policial a proibiu de aproximar do seu carro.

“Posso, pelo menos, ver meu carro?”, perguntou.

Um oficial a conduziu até o veículo. Buracos feitos pelas balas marcavam as janelas. Chenelle ficou chocada. Ela comprara o carro havia menos de dois anos! Depois, ela soube que duas pessoas, incluindo um garotinho, foram atingidas de raspão. Ninguém havia morrido. Como prevenção, muitas crianças foram liberadas naquela tarde para que os professores pudessem participar do treinamento. Seu carro sofreu fortes danos porque o homem que era o alvo do atirador fugiu a pé e se escondeu atrás dele. Naquela noite, Chenelle agradeceu pela proteção divina. “Muito obrigada Senhor, por protegeres a mim e a todas as pessoas que estavam perto do tiroteio. Muito obrigada por Tua contínua proteção em minha vida.”

Enquanto pensava sobre o ataque, Chenelle se lembrou de uma conversa que teve no dia anterior. Enquanto esperava a troca de óleo do carro, ela conversou sobre como as pessoas valorizavam tanto o carro, colocando-o até acima de Deus. Durante a conversa, Chenelle contou sobre um tiroteio de arma semiautomática que tinha acontecido sete meses antes. O carro envolvido no tiroteio bateu no lado esquerdo de seu carro, danificando-o seriamente. Após o acidente, Chenelle decidiu que Cristo era mais importante que seu carro. “Posso perder meu carro amanhã, mas enquanto Cristo poupar minha vida, continuarei servindo a Ele”, Chenelle disse ao atendente.

No dia seguinte, 12 de junho de 2019, aconteceu outro tiroteio do lado de fora da escola. Após o tiro na escola, vários colegas aconselharam a vender o carro. “Venda seu carro”, disse um. “Há uma energia maligna nele.” “Sim, livre-se dele!”, outro disse. “Algo está errado com esse carro.” Porém, Chenelle não via motivo para vender o automóvel. “Não é sobre o carro”, ela disse. “Não devemos colocar nosso foco em coisas materiais. Devemos colocar nosso foco em Deus.” Ela acredita que o carro é um testemunho da bondade de Deus. “Ele representa a proteção de Deus sobre nós enquanto mantemos nossa fé e proclamamos Seu nome durante os momentos de dificuldade”, ela diz.

Obrigado pelas ofertas missionárias que, há três anos, ajudaram a construir a primeira igreja da Universidade Adventista do Sul do Caribe na terra de Chenelle, Trinidad e Tobago. Obrigado por se lembrar da nossa universidade com as ofertas missionárias, que ajudarão a abrir um centro de influencia “Viva melhor” no campus. Ali, os estudantes receberão treinamento para serem missionários.

Informações Adicionais
• Assista ao vídeo sobre Chenelle no YouTube: bit.ly/Chenelle-Spooner.
• Faça o download das fotos no Facebook (bit.ly/fb-mq).
• Para mais informações missionárias e outras notícias sobre a Divisão Interamericana acesse: bit.ly/IAD-Facts.

 

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 2º Trimestre de 2021
Tema Geral: A promessa: a aliança eterna de Deus
Lição 2 – 3 a 10 de abril 2021
Introdução à aliança

Autor: Gilberto Theiss
Editoração: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br
Revisora: Rosemara Santos

“Diante de Deus e na presença destas testemunhas, você aceita esta mulher, para ser sua legítima esposa, para viverem juntos segundo a ordem divina no sagrado estado do matrimônio? Promete amá-la, confortá-la, honrá-la, cuidar dela na doença e na saúde, na prosperidade e na adversidade e, recusando todas as outras, conservar-se apenas para ela enquanto ambos viverem?” Estes são os votos que todo homem e mulher que passaram pelo sagrado matrimônio concordaram com forte, feliz e sonoro “sim”. A aliança do casamento é um dos exemplos mais clássicos para se compreender os princípios mais essenciais da aliança de Deus com Seu povo. Não é de se admirar que tais princípios, através do casamento, sejam mencionados no primeiro e no último livro da Bíblia:

(a) Em Gênesis, para descrever o primeiro contrato de aliança (matrimônio) entre Adão e sua esposa Eva (Gn 2:24).
(b) No Apocalipse, para descrever o contrato de aliança eterna entre a humanidade redimida e Cristo (Ap 19:7).
A palavra aliança (berith, em hebraico; diatheke, em grego), no sentido bíblico, é a palavra que se refere a um acordo entre duas partes que reconhecem uma relação que as une (McConville, G. J., Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento [Editora Cultura Cristã, 2011], v. 1, p. 724). Inclui a promessa de honrar os termos acordados e o compromisso de obedecê-los. Foi um acordo que Deus, por causa do Seu amor, fez com Seu povo (Dt 7:8, 9). Essa aliança consiste no seguinte:

Aliança no Antigo Testamento

1. Deus Se dispõe a ser o Senhor de Israel e Israel aceita ser o Seu povo (Êx 6:7; 19:4–6; Lv 20:24-26);
2. Deus promete conceder misericórdia, bênção e perdão, e o Seu povo se dispõe a ser obediente (Sl 103:3, 4; Is 1:18; 43:25; 44:22; 55:7; Mq 7:18, 19; Dt 7:7-11);
3. A aliança foi confirmada ou selada por meio do derramamento de sangue, mediante sacrifícios de animais (Hb 9:18-20).

Aliança no Novo Testamento

1. Em cumprimento à palavra profética, Deus fez uma nova aliança (Mt 26:28; Mc 14:24; Lc 22:20; 1Co 11:25; 2Co 3:6), que foi, na verdade, a ratificação ou cumprimento da antiga aliança no sangue de Cristo (Mc 14:24; Hb 8:6-13; 9:15-22), pois (a) Ele seria o verdadeiro “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29), e (b) porque sem derramamento de sangue não há remissão, ou a confirmação da promessa da aliança (Hb 9:22).
2. Ao contrário do que muitos pensam, a lei que fazia parte do contexto de obediência na antiga aliança permanece na nova aliança (Jr 31:31-34; Hb 8:8-12; Jo 14:15, 21, 23, 24).
3. Assim como na antiga aliança, o povo de Deus é perdoado dos seus pecados (Rm 11:26, 27), recebe bênçãos eternas (Hb 9:15) e vive uma vida de dedicação a Ele (Hb 10:19-25) e ao Seu serviço (2Co 3:6).

Em suma, a aliança de Deus com Seu povo, é a decisão de Deus de salvar a humanidade por meio de Sua graça.

A aliança com Noé, Abrão e Moisés

A aliança feita com Noé, Abrão e Moisés deve se destacar pela confiança em Sua graça, entrega e obediência a Deus. Ao concluir a aliança com Noé (Gn 6:18), Deus fortaleceu no patriarca a confiança na promessa de que ele e sua família seriam salvos. Essa aliança incluía até os filhos de Noé com suas esposas e os descendentes que ainda nasceriam. Isso mostra que através da aliança que Deus faz conosco, Ele deseja também alcançar e amparar toda a nossa família.

Nesta aliança, a graça de Deus é notória com Noé e com sua família, pois foi pela bondade e pela graça de Deus que eles receberam amparo, proteção e redenção do juízo divino que caiu sobre o mundo e seus habitantes (Gn 6:9-22).

Mas, como pode ser percebido, a aliança requeria também a confiança e a obediência à vontade de Deus. Noé não se eximiu de assim proceder, pois em sua disposição ele:

a) Obedeceu ao preparar a arca conforme a orientação divina (Gn 6:13-22);
b) Obedeceu às instruções de Deus ao colocar sua família e os animais dentro da arca (Gn 7:1-9);
c) Obedeceu à ordem de Deus de sair da arca e repovoar a Terra (Gn 8:1-22);
d) Obedeceu às instruções para retomar a vida na Terra (Gn 8:15-19);
e) Em sinal de confiança, entrega e obediência à aliança, ele levantou um altar e ofereceu sacrifícios (Gn 8:20).

É importante observar que a graça que alcançou a vida de Noé e de seus descendentes (Gn 9:1-17), na verdade, também alcançou todas as gerações que vieram depois deles. Todos nós fomos positivamente afetados pelos acordos que ambos fizeram. Em suma, o Senhor protegeu o remanescente dentro da arca porque ali havia um homem que foi leal à Sua aliança (8:20-22).

Como pode ser percebido, Abraão e Moisés seguiram as mesmas pegadas da lealdade e confiança de Noé. Deus estabeleceu Sua aliança da graça e, em sinal de gratidão, honra e glória a Ele, eles desenvolveram uma vida de feliz obediência às Suas leis (Gn 26:5; Hb 11:8-10; Gn 17:9-14; 22:16-18).

Conclusão

Assim como a vida de lealdade de Noé resultou em bênçãos para seus descendentes, a vida de Abraão (Gn 12:1-3) e de Moisés (Êx 19:6) também resultou em bênçãos a todas as gerações que surgiram posteriormente seguindo o mesmo exemplo de confiança, entrega e fidelidade. A mesma aliança abraça o povo de Deus hoje. Porém, os frutos dessa relação permanecem apenas aos que são leais à aliança com Cristo.

Conheça o autor dos comentários para este trimestre: Gilberto Theiss é pastor, casado com Patrícia Vilela. Tem atuado por 9 anos como pastor distrital. Atualmente pastoreia o distrito Central de Fortaleza-CE. É graduado em Teologia e Filosofia. Pós-Graduado (especialista) em Ensino de Filosofia, Ciências da Religião, História e Antropologia, e Revisão Prática de Texto. Mestrando em Interpretação Bíblica e Pós-Graduando em História e Arqueologia do Oriente Próximo. Nas horas vagas, aprecia levar conteúdo bíblico para as redes sociais com o Instagram @gilbertotheiss, o blog www.feoufideismo.com e o canal www.youtube.com/feoufideismo