Lição 3
09 a 15 de janeiro
Quando nosso mundo desmorona
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Gn 28-30
Verso para memorizar: “Se vocês não ficarem firmes na fé, com certeza não resistirão!” (Is 7:9, NVI).
Leituras da semana: Is 7

Certa vez, num sábado, Connie e Roy estavam chegando em casa após o culto na igreja. Uma pequena galinha voou freneticamente pelo quintal na frente do carro. Algo estava errado. As aves domésticas deveriam estar em segurança no galinheiro, mas haviam saído. Uma investigação rápida mostrava uma tragédia em andamento. Beethoven, o pequeno cachorro do vizinho, também havia escapado do seu quintal e estava próximo do açude, com Daisy na boca. Daisy era uma bela galinha poedeira com penas brancas e macias. Connie resgatou Daisy, mas já era tarde demais. Seu precioso animal de estimação, agora com o pescoço mutilado, logo morreu em seus braços. Ela se sentou no quintal, segurando a ave morta, e chorou muito.

Outro animal de estimação ficou profundamente perturbado. Um pato alto e branco chamado Waddlesworth viu Connie segurando Daisy e possivelmente tenha presumido que ela tivesse matado a galinha. Assim, nas semanas seguintes, sempre que Waddlesworth via Connie, ele a atacava ferozmente, bicando-a dolorosamente com seu bico forte. Às vezes, é difícil descobrir quem são seus amigos e inimigos.

Nesta semana, analisaremos um rei de Judá que também teve esse problema e buscaremos entender por que ele fez escolhas erradas.

Domingo, 10 de janeiro
Ano Bíblico: Gn 31-33
Perigo vindo do norte (Is 7:1-9)

1. Qual crise aterrorizante o rei Acaz enfrentou no início de seu reinado? (2Rs 15:37, 38; 16:5, 6; Is 7:1, 2). Assinale a alternativa correta:

A.( ) Um ataque de Rezim, rei da Síria, e de Peca, rei de Israel, contra Judá.
B.( ) Um ataque do rei do Egito.

O reino de Israel do Norte (representado por Efraim, uma de suas tribos) e o reino da Síria (Arã) atacaram o reino menor de Judá, ao sul. Isso ocorreu quando Judá estava enfraquecido pelos ataques dos edomitas e dos filisteus. No passado, Judá havia lutado contra Israel, mas uma aliança entre Israel e a Síria apresentava agora um perigo avassalador. Parecia que Israel e a Síria queriam forçar Judá a participar com eles de uma coalizão contra o forte poder de Tiglate-Pileser III, da Assíria (chamado de “Pul” em 2Rs 15:19), que continuava a ameaçá-los com seu império em expansão. Israel e a Síria haviam deixado de lado seu conflito de longa data, diante de um perigo maior. Se eles conseguissem conquistar Judá e instalar ali um “governante fantoche” (Is 7:5, 6), poderiam usar os recursos e a mão de obra de Judá.

2. Qual foi a solução de Acaz quando seu mundo estava desmoronando? 2Rs 16:7-9; 2Cr 28:16

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Em vez de reconhecer que Deus era o único que poderia resgatar seu país, Acaz tentou fazer amizade com Tiglate-Pileser III, o inimigo de seus inimigos. O rei assírio atendeu com satisfação seu pedido de ajuda contra a Síria e Israel. Tiglate-Pileser III não apenas recebeu um rico suborno de Acaz, como também obteve uma boa desculpa para tomar a Síria, o que ele prontamente fez (2Rs 16:9). O poder da aliança sírio-israelita foi destruído. No curto prazo, parecia que Acaz havia salvado Judá.

Essa ação por parte de Acaz, no entanto, não devia ser uma surpresa. Ele tinha sido um dos piores reis de todos os tempos a governar Judá até então (2Rs 16:3, 4; 2Cr 28:2-4).

Quando lemos sobre Acaz, entendemos por que ele reagiu ao perigo daquela maneira. Qual é a lição dessa história para nós? Se não obedecemos ao Senhor hoje, o que nos faz pensar que teremos fé para confiar Nele quando vierem as grandes provações? (veja Tg 2:22; Jr 12:5).
Segunda-feira, 11 de janeiro
Ano Bíblico: Gn 34-36
Tentativa de interceptação (Is 7:3-9)

Enquanto Acaz avaliava suas opções para enfrentar a ameaça de Israel e da Síria, Deus permitia que os problemas viessem sobre o rei para ­discipliná-lo e fazê-lo recobrar o bom senso (2Cr 28:5, 19). Embora o pedido de
auxílio a Tiglate-Pileser III parecesse atrativo, isso colocaria o reino davídico de Judá sob domínio estrangeiro, do qual ele nunca poderia se recuperar.

O risco era surpreendentemente alto. Por isso, o Senhor enviou Isaías para interceptar o rei Acaz (aparentemente, enquanto ele estava inspecionando o aqueduto de Jerusalém em preparação para um cerco) a fim de convencê-lo a não entrar em contato com o líder assírio.

3. Por que o Senhor mandou Isaías levar seu filho, Sear-Jasube, com ele (Is 7:3, ARC)? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Porque o nome do seu filho trazia uma mensagem para o rei.
B.( ) Porque Deus não queria que Isaías se sentisse sozinho.

Acaz deve ter ficado surpreso quando Isaías o cumprimentou e apresentou seu filho, chamado “Um-Resto-Volverá”. Resto ou remanescente de quem? Volverá a quê? Visto que o pai do garoto era profeta, o nome soava como uma fatídica mensagem acerca do cativeiro. Ou poderia ser que a mensagem se tratasse do retorno do povo arrependido a Deus? (o verbo “volver” também tem o significado de arrependimento). A mensagem para Acaz era: Depende de você! Afaste-se dos pecados ou vá ao cativeiro, do qual um remanescente retornará. A decisão é sua!

4. Como a mensagem de Deus resolvia a situação do rei? Is 7:4-9

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A ameaça da Síria e Israel passaria, e Judá seria poupado. Potências que pareciam vulcões em erupção eram apenas “dois tocos de tições fumegantes” (Is 7:4). Não havia necessidade de Acaz pedir ajuda à Assíria.

Mas, para tomar a decisão certa, Acaz precisava confiar nas promessas do Senhor. Devia crer para permanecer (Is 7:9). As palavras para “crer” e “permanecer” são da mesma raiz hebraica, da qual também vêm a palavra que designa “verdade” (aquilo que é confiável) e a palavra “Amém” (confirmar o que é verdadeiro/confiável). Acaz precisava ter certeza para estar seguro; precisava confiar para ser confiável.

Veja a última seção de Isaías 7:9. Por que a fé e a crença são tão importantes para “permanecer”? Permanecer em quê? Como esse princípio se aplica à vida do cristão?
Terça-feira, 12 de janeiro
Ano Bíblico:
Outra oportunidade (Is 7:10-13)

Acaz não atendeu ao chamado de Isaías à fé. Portanto, Deus misericordiosamente deu ao rei outra oportunidade, mandando-lhe que pedisse um sinal que fosse “embaixo, nas profundezas, ou em cima, nas alturas” (Is 7:11). Esse foi um dos maiores apelos à fé já feitos a um ser humano. Diferentemente das loterias ou apostas, Deus não colocou restrições em letras miúdas. Ele nem mesmo limitou Sua oferta à metade de Seu reino, como os governantes humanos faziam quando chegavam ao limite de sua generosidade (veja Et 5:6; 7:2; Mc 6:23). O Senhor estava pronto e disposto a esgotar todo o Céu e a Terra por um rei ímpio, se tão somente ele acreditasse! Como sinal, Acaz poderia ter pedido uma montanha de ouro ou soldados tão numerosos quanto os grãos de areia do Mediterrâneo.

5. Por que Acaz respondeu daquela maneira? Is 7:12

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À primeira vista, a resposta de Acaz parece piedosa e respeitosa. Ele não tentou a Deus, como os israelitas haviam feito séculos antes, durante sua peregrinação pelo deserto (Êx 17:2; Dt 6:16). Mas a diferença foi que Deus pediu ao rei que O provasse (compare com Ml 3:10). O ato de aceitar Sua dádiva irresistivelmente generosa O agradaria, e não tentaria Sua paciência. Mas Acaz nem sequer estava disposto a permitir que Deus o ajudasse a crer. Ele fechou e trancou a porta do coração a fim de excluir a fé.

6. Leia Isaías 7:13. O que o profeta disse nesse texto?

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Isaías destacou que, quando Acaz se recusou a provar a Deus, aparentemente para evitar que Deus Se fatigasse, Acaz, na verdade, fatigou o Senhor. Mas o aspecto mais preocupante é o fato de que nesse verso Isaías usou a expressão “meu Deus”, em contraste com Isaías 7:11, em que o profeta havia pedido ao rei que pedisse um sinal do Senhor, “seu Deus”. Quando Acaz recusou a oferta divina, ele rejeitou que o Senhor fosse seu Deus. O Senhor era o Deus de Isaías, mas não de Acaz.

O que aprendemos sobre a paciência e a vontade de Deus de salvar todos? O que isso revela sobre nossa cegueira e dureza quando não nos rendemos ao Senhor? Mesmo que Deus tivesse dado a Acaz um sinal que ele desejasse, será que Acaz teria acreditado?
Quarta-feira, 13 de janeiro
Ano Bíblico: Gn 40-42
O sinal de um filho (Is 7:14)

A oferta de um sinal, “embaixo, nas profundezas, ou em cima, nas alturas” (Is 7:11) não persuadiu Acaz. Por isso, quando Deus declarou que Ele mesmo apresentaria um sinal (Is 7:14), nossa expectativa é que esse sinal tivesse dimensões impressionantes (Is 55:9; 1Co 2:9).

Surpresa! O sinal era um filho. Mas como poderia o fato de uma jovem ter um filho e chamá-lo de “Emanuel” ser um sinal de proporções bíblicas?

7. Quem é a mulher e seu filho?

O Antigo Testamento (AT) não mostra o cumprimento desse sinal, como indicam sinais dados a outras pessoas, como Gideão (Jz 6:36-40). Aqui estão algumas interpretações possíveis, com base no AT:

1. Como a palavra “jovem” (NTLH) se refere a uma mulher em idade de se casar, muitos pressupõem que ela fosse casada e vivesse em Jerusalém, talvez a esposa de Isaías. O capítulo 8:3 registra o nascimento de um filho do profeta com uma “profetisa” (sua esposa, cujas mensagens proféticas tratavam, pelo menos, de seus filhos; compare com Isaías 7:3; 8:18). No entanto, esse filho foi chamado de “Maer-Salal-Hás-Baz” (Is 8:1-4; ARC), não Emanuel. Os sinais dos dois meninos são semelhantes, pois, antes de chegarem à fase em que poderiam escolher o bem ou o mal, a Síria e Israel seriam devastados (Is 7:16; 8:4).

2. Alguns sugerem que Emanuel seja Ezequias, filho de Acaz, que o sucedeu no trono. Mas em nenhuma parte o nome Emanuel se aplica a Ezequias.

3. Emanuel, comumente traduzido como “Deus conosco”, refere-se à presença de Deus. Ele poderia ser o Filho especial profetizado em Isaías 9 e 11. Se esse for o caso, Sua sublime descrição como divino (Is 9:6) e “raiz de ­Jessé” (Is 11:10) supera tudo o que for atribuído até mesmo ao bom rei Ezequias.

4. Um parto de uma mulher em idade de se casar traria um filho ilegítimo, fruto da promiscuidade (Dt 22:20, 21). Por que Deus Se referiria a tal filho como sinal para inspirar fé?

Jesus é identificado como Emanuel (Mt 1:21-23), nascido miraculosamente de uma virgem solteira, mas comprometida. Ele é o Filho divino (Is 9:6; Mt 3:17), o “rebento” e a “raiz” de Jessé (Is 11:1, 10; Ap 22:16). Talvez um ­“Emanuel” anterior, cujo desenvolvimento provasse a Acaz a pontualidade da profecia, servisse como precursor de Cristo. “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher” (Gl 4:4), para nos dar Sua presença.

A vinda de Cristo à humanidade nos conforta neste mundo frio, temível e indiferente?
Quinta-feira, 14 de janeiro
Ano Bíblico: Gn 43-45
Deus conosco (Is 7:14)

Assim como os nomes dos filhos de Isaías (Sear-Jasube [“Um-RestoVolverá”] e Maer-Salal-Hás-Baz [“Rápido-Despojo-Presa-Segura”]), o nome “Emanuel” significa literalmente “Deus conosco”. Porém, na tradução comumente aceita, “Deus conosco”, há uma perda importante. Assim como em outros nomes hebraicos como esse que não possuem verbos, o verbo “ser” deve ser acrescentado, pois não é expresso em hebraico. Portanto, “Emanuel” deve ser traduzido como “Deus é conosco” (compare com Isaías 8:10), assim como o nome grego “Jesus” (abreviação do hebraico Yehoshua, ou Josué) significa “o Senhor é salvação”, também com o acréscimo do verbo “ser” (compare com Isaías, que significa “salvação do Senhor”).

Mas o nome “Emanuel” não é apenas uma descrição abstrata; é uma asseveração de uma promessa cumprida: “Deus é conosco”!

8. Qual é o significado da promessa de que Deus está conosco?

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Não há garantia nem conforto mais poderosos. Deus não prometeu que Seu povo não teria dores e dificuldades, mas prometeu estar com ele. “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque Tu estás comigo; o Teu bordão e o Teu cajado me consolam” (Sl 23:4).

“Quando você passar pelas águas, Eu estarei com você; quando passar pelos rios, eles não o submergirão; quando passar pelo fogo, você não se queimará, as chamas não o atingirão” (Is 43:2).

“Onde estava o Senhor quando os babilônios jogaram os três amigos de Daniel na fornalha? Com eles! (Dn 3:23-25). E onde estava o Senhor durante o momento de angústia de Jacó, quando ele lutou até o amanhecer? Nos braços de Jacó, o mais próximo possível! (Gn 32:24-30).

“Mesmo quando o Senhor não aparecia em forma física na Terra, Ele passava pelas experiências de Seu povo com eles. Onde estava o Senhor quando a multidão condenou Estêvão? ‘Em pé à destra de Deus’ (At 7:55). Mas quando Jesus subiu ao Céu, ‘assentou-Se à direita da Majestade, nas alturas’ (Hb 1:3). Por que Ele Se levantou quando Estêvão estava em apuros, prestes a ser apedrejado até à morte? Como Morris Venden disse: ‘Jesus não ficaria sentado!’” (Roy Gane, God’s Faulty Heroes. Review and Herald, 1996, p. 66).

Que diferença faz a promessa de que “Deus é conosco” se ainda enfrentamos provações e sofrimentos terríveis? De que nos serve o conhecimento de Sua presença?
Sexta-feira, 15 de janeiro
Ano Bíblico: Gn 46, 47
Estudo adicional

“‘ELE SERÁ CHAMADO pelo nome de Emanuel […]: Deus conosco’ (Mt 1:23). O brilho do ‘conhecimento da glória de Deus’ é visto ‘na face de Cristo’ (2Co 4:6). Desde os dias da eternidade, o Senhor Jesus Cristo era um com o Pai. Era ‘a imagem de Deus’ (v. 4), a imagem de Sua grandeza e majestade, ‘o resplendor da glória’ divina (Hb 1:3). Foi para manifestar essa glória que Ele veio ao mundo. Veio à Terra obscurecida pelo pecado para revelar a luz do amor de Deus, para ser ‘Deus conosco’. Portanto, a Seu respeito foi profetizado: ‘E Lhe chamará Emanuel’” (Is 7:14; Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 19).

“Como teria sido bom para o reino de Judá se Acaz tivesse recebido essa mensagem como vinda do Céu! No entanto, escolhendo apoiar-se no poder humano, buscou ajuda de pagãos. Em desespero, ele enviou uma mensagem a Tiglate-Pileser III, rei da Assíria: ‘Eu sou seu servo e seu filho. Venha me livrar do poder do rei da Síria e do poder do rei de Israel, que se levantam contra mim’ (2Rs 16:7). O pedido foi acompanhado de um valioso presente tirado do tesouro do rei e das reservas do templo” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 329).

Perguntas para consideração

1. Ao tomar decisões, é apropriado pedir sinais a Deus? Quais são os perigos de se fazer isso?

2. É bom ter assistência humana, mas como reconhecemos os limites dessa assistência?

3. O autor russo Leon Tolstói escreveu a um amigo o seguinte: “Uma vez que um homem tenha percebido que a morte é o fim de tudo, também não haverá nada pior do que a vida”. Como nosso conhecimento de que “Deus é conosco” responde a essa afirmação?

Resumo: Deus levou o incrédulo rei Acaz a circunstâncias nas quais ele teve que tomar decisões difíceis. Crer ou não crer, eis a questão. Embora o Senhor tivesse lhe oferecido qualquer sinal que sua imaginação pudesse conceber, o rei se recusou a permitir que Deus demonstrasse uma razão pela qual ele deveria crer. Em vez disso, ele escolheu, como seu “amigo”, o rei da Assíria.

Respostas e atividades da semana: 1. A. 2. Ele se aliou ao rei da Assíria, pedindo sua ajuda contra os reinos de Israel e da Síria. 3. A. 4. Deus enviou uma mensagem para que Acaz ficasse tranquilo, pois aquelas obras planejadas contra ele não subsistiriam. O rei poderia ficar calmo e seguro. 5. Sua resposta representa uma falsa piedade, pois ele não desejava a ajuda de Deus. 6. Que além de abusar da paciência dos homens, o rei estava abusando da paciência de Deus. 7. Há muitas interpretações para essa pergunta, porém, a que mais se aproxima da realidade é que o filho é Jesus Cristo, o Deus Encarnado, e a Sua mãe, Maria. 8. O fato de Deus estar conosco mostra que temos Alguém que compreende perfeitamente nossa situação, pois já esteve nela e ainda está ao nosso lado.

Resumo da Lição 3
Quando nosso mundo desmorona

Foco do estudo: Isaías 7:1-9

Esboço

Outro rei entra em cena em Isaías 7. Desta vez, o protagonista é o rei Acaz, neto de Uzias. Seu reinado levou a nação a cometer abominações realizadas pelas nações vizinhas. Quando os reis da Síria e Israel tramaram guerra contra sua nação, Acaz ficou tão dominado pelo medo que o Senhor enviou uma mensagem por meio do profeta Isaías, a fim de encorajá-lo a confiar Nele: os planos dessas nações não seriam bem-sucedidos. Mas Acaz precisava acreditar; caso contrário, ele não veria a libertação que Deus desejava dar a Israel. Este estudo está dividido em três seções, intituladas: (1) O desafio do rei Acaz, (2) O Senhor cuida do rei e (3) Contemple em silêncio.

Comentário

O desafio do rei Acaz

A Bíblia diz que Acaz não foi um bom rei. Ele “não fez o que era reto aos olhos do Senhor, seu Deus” (2Rs 16:2). O registro bíblico é explícito a respeito de sua atuação: “Andou no caminho dos reis de Israel e até queimou o seu filho como sacrifício, segundo as abominações dos gentios, que o Senhor havia expulsado de diante dos filhos de Israel. Também sacrificou e queimou incenso nos lugares altos, nas colinas e debaixo de toda árvore frondosa” (2Rs 16:3, 4). Ele foi uma influência prejudicial para a nação de Judá. Como aconteceu em outros casos, quando os reis se afastavam do Senhor, surgiam problemas para eles e para a nação. Isso também é evidente na primeira seção do livro de Isaías: “Ai do ímpio! Tudo irá mal com ele” (Is 3:11). Ambos os registros, o livro de Isaías e o segundo livro dos Reis, afirmam que Rezim, rei da Síria, e Peca, filho de Remalias, rei de Israel, subiram a Jerusalém para guerrear contra o reino do Sul (Is 7:1; compare com 2Rs 16:5). Quando o rei Acaz percebeu a enormidade da ameaça que se apresentava diante dele e a possibilidade de um confronto militar com as nações vizinhas, “o coração de Acaz e o coração do seu povo ficaram agitados, como se agitam as árvores do bosque com o vento” (Is 7:2).

Às vezes, o próprio povo de Deus se esquece de que o Senhor espera fidelidade daqueles que entraram em um relacionamento de aliança com Ele. Assim, em Sua providência, Deus permite que circunstâncias difíceis sobrevenham a Seu povo como um meio de despertá-lo para a necessidade de buscar o Senhor e retornar à Sua luz. “Quando Ele Se levantar para encher a terra de espanto” (Is 2:19). “O Senhor Se levanta para apresentar a Sua causa; Ele Se apresenta para julgar os povos. O Senhor entra em juízo contra os anciãos do Seu povo e contra os seus líderes” (Is 3:13, 14). “Nesses versos, Isaías passa a acusar a liderança. Eles estão agindo de forma irresponsável e injusta, destruindo exatamente o que lhes foi confiado. O tema da liderança tola, especialmente anciãos e príncipes, repete-se ao longo do livro de Isaías (7:1-17; 14:4-21; 22:15-25; 28; 29; 32:3-8) e é nesse cenário que se destaca o anseio por aquele que reinará em justiça e retidão, bem como a promessa de Sua vinda” (John N. Oswalt, The Book of Isaiah [O Livro de Isaías], Cap. 1–39, The New International Commentary on the Old Testament [O Novo Comentário Internacional sobre o Antigo Testamento]. Grand Rapids, MI: Eerdmans Publishing Company, 1996, p. 137). O medo paralisou o rei. Por mais terríveis que fossem as circunstâncias que enfrentava, a ameaça iminente constituía uma preciosa oportunidade de se voltar para o Senhor.

O Senhor cuida do rei

Em Isaías 7:3, o profeta descreve de forma interessante o cuidado divino. A narrativa não diz que o rei buscou o Senhor, mas que foi o Senhor quem tomou a iniciativa. O verso diz: “Então o Senhor disse a Isaías: – Vá, agora, com o seu filho Sear-Jasube [Um-Resto-Volverá] encontrar-se com Acaz”. O Senhor é retratado nesse capítulo como o Deus que sai, por meio do profeta, ao encontro de um homem medroso. O leitor pode ver uma atitude semelhante de Deus no Jardim do Éden, relatada em Gênesis 3, onde lemos sobre o próprio “Deus, que andava no jardim quando soprava o vento suave da tarde. [...] E o Senhor Deus chamou o homem e lhe perguntou: – Onde você está?” (v. 8, 9). Ambos, Adão e Acaz, embora por razões diferentes, têm um medo justificável.

Outro detalhe notável nesse episódio é que Isaías recebe instruções sobre onde poderia encontrar o rei. “Então o Senhor disse a Isaías: – Vá, agora, com o seu filho Sear-Jasube encontrar-se com Acaz, que está na outra extremidade do aqueduto do tanque superior, junto ao caminho do campo do Lavandeiro” (Is 7:3). Esse verso não apenas apresenta uma afirmação clara da presciência divina como também nos fala sobre a vigilância do Senhor em todos os passos da nossa jornada de vida como indivíduos. A Bíblia está cheia de histórias em que podemos ver como Deus envia Seus profetas para dar uma palavra de esperança, ou às vezes uma palavra de reprovação, a Seus amados servos. Sob qualquer circunstância, o propósito divino, no fim, é ajudar Seu povo a confiar Nele e ser fiel a Ele.

Contemple em silêncio

Em Isaías 7:2, vimos que o rei Acaz entrou em pânico ao vislumbrar a guerra iminente. A nação inteira tremeu com seu monarca. No entanto, qual foi a perspectiva divina sobre a situação? Em nossa perspectiva finita, às vezes falhamos em perceber o caráter divino. Pensamos que Ele está preocupado apenas com os assuntos espirituais da nossa vida. No entanto, a Bíblia nos mostra que nosso Senhor cuida de Seus filhos em todas as esferas, incluindo assuntos seculares ou questões aparentemente não relacionadas a aspectos espirituais.

“Do ponto de vista de Acaz, Síria e Efraim constituíam uma grande ameaça, mas do ponto de vista de Deus eles eram insignificantes e não precisavam ocupar o tempo do rei. Nem sempre é fácil obter a perspectiva divina. No entanto, a menos que a procuremos, sempre corremos o risco de prestar muita atenção ao que é passageiro e dar pouca atenção ao que realmente importa. Além disso, se não buscarmos de forma diligente obter a perspectiva divina em todas as circunstâncias, concluiremos com muita facilidade que Deus está preocupado apenas com assuntos espirituais e não com assuntos práticos, uma falácia leva finalmente à perda de Deus em todos os assuntos” (John N. Oswalt, The Book of Isaiah [O Livro de Isaías], Cap. 1–39, The New International Commentary on the Old Testament [O Novo Comentário Internacional sobre o Antigo Testamento]. Grand Rapids, MI: Eerdmans Publishing Company, 1996, p. 196).

Em Isaías 7:4, Deus instruiu Seu profeta a se comunicar com o rei e dizer a ele “o seguinte: ‘Tenha cuidado e fique calmo. Não tenha medo nem fique desanimado por causa desses dois tocos de lenha fumegante, por causa do furor da ira de Rezim e da Síria, e do filho de Remalias”. Às vezes, perguntamos como podemos lidar com a vida em meio a circunstâncias indesejadas. A Bíblia diz: “Tenha cuidado e fique calmo”. Outras versões dizem: “Diga ao rei que fique alerta, mas que não perca a calma (NTLH) e “Tenha cuidado, acalme-se e não tenha medo” (NVI). Na língua hebraica, a frase “Acautela-te e aquieta-te” (ARA) consiste em duas palavras, hišš?mer w?hašqe?. A primeira palavra vem da raiz verbal šmr, que, neste caso, poderia ser traduzida como “estar em guarda, estar atento, tomar cuidado” (Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament [Léxico Hebraico e Aramaico do Antigo Testamento], v. 4, p. 1584).

Parece que o conselho implícito do Senhor ao rei foi que se afastasse de todo barulho ou atividade que calasse a voz de Deus e permanecesse em alerta. A outra palavra na frase hebraica é šq?, que, devido à sua forma verbal, é melhor traduzida como um verbo reflexivo “manter-se em paz... manter-se quieto” (Ludwig Koehler e Walter Baumgartner, The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament [Léxico Hebraico e Aramaico do Antigo Testamento], v. 4, p. 1641) ou “mostrar quietude” (David J. A. Clines, ed., The Dictionary of Classical Hebrew [Dicionário de Hebraico Clássico]. Sheffield, Inglaterra: Sheffield Phoenix Press, 2011, v. 8, p. 550). Em suma, uma tradução sugerida para hišš?mer w?hašqe? poderia ser “ficar em silêncio”.

As exortações e promessas do verso 4 até o fim da seção (Is 7:9) oferecem motivos suficientes para confiar nas promessas do Senhor. Primeiro, Deus ordena ao rei que “não tenha medo. Que o seu coração não se desanime por causa do furor destes restos de lenha fumegante” (Is 7:4). Assim, Rezim e Peca, os reis da coalizão siro-efraimita, poderiam fazer um pouco de fumaça; mas esse fogo seria insignificante. Segundo, Deus revelou que, embora fosse verdade que a coalizão tinha tramado a ruína de Acaz (Is 7:5), não seria assim, isso não aconteceria (Is 7:7). E Deus enfatizou que ele precisava crer, pois se eles não ficassem firmes na fé, com certeza não resistiriam (Is 7:9). George B. Gray comenta adequadamente esta seção, apontando que “Isaías condena duas coisas em Acaz: seu medo, pois é desnecessário; e sua fé em recursos materiais – aqui tipificada por um abastecimento de água seguro em tempo de sítio; a única fé que garantirá a verdadeira solidez do estado é a fé no Senhor” (George B. Gray, A Critical and Exegetical Commentary on the Book of Isaiah [Comentário Crítico e Exegético sobre o Livro de Isaías] I-XXVII, The International Critical Commentary [Comentário Crítico Internacional]. Edinburgh: T. & T. Clark, 1975, v. 1, p. 118).

Em algumas circunstâncias, o mais importante não é o que acontece externamente, nem o que nossa visão pode contemplar, mas o que acontece em nossa vida interior. Portanto, devemos orar e cultivar a capacidade de entender sob a perspectiva de Deus o que está acontecendo ao nosso redor.

Aplicação para a vida

1. O rei Acaz, junto com seu povo, enfrentou sérios desafios ao avaliar o risco de guerra com a aliança siro-efraimita. Às vezes, a vida nos coloca em situações que nos ameaçam. Que passos importantes e práticos são necessários para melhor lidar com essas circunstâncias?

2. Na segunda parte, o estudo explora o cuidado particular de Deus em atender às necessidades do rei Acaz. O Senhor enviou Seu mensageiro para encontrar o rei “junto ao caminho do campo do Lavandeiro” (Is 7:3). Que lições podemos aprender com esse episódio?

3. Na terceira seção, aprendemos como Deus encoraja o rei a confiar não nas coisas materiais, mas em Sua ajuda. Suas palavras ao rei são “contemple em silêncio”. Isso é compatível com o conselho de Ellen G. White a seguir?

Talvez seus negócios lhe causem preocupações e suas perspectivas sejam cada vez mais negativas. Pode ser que você esteja à beira da falência. Não desanime; entregue a Deus suas preocupações e permaneça calmo e alegre. Ore pedindo sabedoria para administrar seus negócios de maneira prudente e, assim, evitar o prejuízo e o desastre. Faça tudo o que estiver ao seu alcance para produzir resultados favoráveis. Jesus promete Seu auxílio, mas não dispensa nossos esforços. Quando houver feito o melhor possível – e depois de entregar suas preocupações a Deus –, aceite de bom grado os resultados” (Caminho a Cristo, p. 122).

Uma nova criatura

Sou Andrei Abramyan. Quando eu tinha quinze anos, passei o verão treinando para ser um boxeador. Certo dia, enquanto voltava para casa, um pensamento veio à minha mente: “Você está doente.” Evitei pensar sobre o assunto. Todavia, em casa comecei a me sentir deprimido. Pedi que meus pais para me levarem a um terapeuta. Mas percebi que poderia ser expulso da escola se as pessoas acreditassem que estava com uma doença mental. Então decidi não ir à terapia.

Passadas duas semanas, outro pensamento aterrorizante surgiu em minha mente: “Você morrerá em um mês.” Eu sentia que estava piorando e a vida perdeu todo sentido. Todos pensavam que eu estava querendo atenção, mas estava em dor profunda e ninguém acreditava em mim. Eu não entendia o que estava acontecendo. No final do mês, minha avó veio à nossa casa para cortar meu cabelo. Enquanto ela cortava, eu chorava. “Está tudo bem. Só estou cortando seu cabelo”, ela disse, pensando que eu estava passando por algumas mudanças hormonais. Mas, argumentei que iria morrer.

Minha avó também pensava que eu só queria chamar a atenção. Mas na verdade, eu estava pensando em cometer suicídio, embora não conseguisse. Após terminar o corte, minha avó se sentou na cadeira, e minha mãe sentada ao meu lado. Eu permaneci na cadeira, olhando para o teto, e orei silenciosamente: “Deus, se existes, me ajude.” Nada aconteceu. Senti forte desejo de ir ao banheiro e cometer suicídio.

Naquele momento, vi uma luz descer do teto como um raio, e parecia atingir meu peito. Não pude descrever o que senti. Foi muito agradável. Por uma fração de segundos senti a eternidade em mim. Pulei da cadeira e exclamei: “Louvado seja Deus! Ele me curou!” Minha mãe e vovó não viram a luz e, preocupadas, olharam para mim. “Calma” minha avó disse. “Tudo ficará bem.” Com muita alegria, abracei minha mãe como se não a tivesse visto durante semanas. “Deus me curou,” disse.

Encontrei meu irmão gêmeo, Vadim, jogando no computador. E contei sobre a luz. “Deus me curou”, eu repeti. Pensando que eu havia inventado a história, ele não acreditou em mim. Minha avó pensava que eu estava com uma doença mental. Eu compreendi que quase me suicidei, mas Alguém me salvou. Naquele momento percebi que Deus existe e iniciei minha longa jornada até Jesus.

Hoje, estudo para ser pastor na Universidade Adventista de Zaoksky. Minha familia está muito feliz por mim. Eles viram que fui transformado. Creio que Deus trouxe cura para minha vida. Desde então não sou a mesma pessoa. Clamei e Ele me ouviu. Louvo por existir um Deus que ouve e responde nossas orações.

Parte da oferta deste trimestre ajudará a Escola Cristã de Zaoksky a construir seu próprio prédio escolar no campus da Universidade Adventista de Zaoksky. Atualmente, a escola usa salas de aula da universidade. Muito agradecemos por planejar uma oferta generosa.

Dicas de história
• Peça a um homem, de preferência um jovem, para compartilhar esta história na primeira pessoa.
• Faça o download das fotos no Facebook (bit.ly/fb-mq).
• Para mais informações missionarias e outras notícias da Divisão Euroasiática, acesse o site: bit.ly/2021-ESD.

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 1º Trimestre de 2021
Tema Geral: Isaías: consolo para o povo de Deus
Lição 3 – 9 a 16 de janeiro de 2021

Quando nosso mundo desmorona

Autor: Sérgio Monteiro
Editoração: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br
Revisora: Josiéli Nóbrega

Nesta semana estudaremos um dos textos mais controvertidos e mais conhecidos do livro de Isaías e o contexto no qual ele aparece: Isaías 7:14, o famoso texto sobre o Emanuel.

Três grandes temas emergem do capítulo 7: a descrença de Acaz, a identidade da mulher grávida e a identidade de seu filho.

A descrença de Acaz

O período do reinado de Acaz foi conturbado tanto interna quanto externamente. Internamente, a teologia de Judá e Israel sofria com as constantes lutas e invasões de povos estrangeiros, que causavam um questionamento quanto ao poder de Deus em cumprir Suas promessas feitas a Davi. Seria mesmo Deus capaz de proteger Israel e estabelecer o reino de Davi para sempre?

Externamente, a confederação siro-israelita que ameaçava Jerusalém trazia ao monarca a sensação de que seu mundo estivesse prestes a ruir. Uma vez que sua confiança em Adonai estava abalada, ele planejava buscar auxílio da Assíria, ao que Isaías se opôs veementemente, afirmando que o rei deveria confiar no Eterno e manter a calma.

Diante da relutância de Acaz em desistir dos planos políticos, o próprio Deus lhe ofereceu uma certificação de Sua Presença: ele poderia pedir qualquer sinal. A recusa do rei, aparentando piedade e temor ao Senhor, foi na verdade uma demonstração de sua descrença. Ele não acreditava verdadeiramente que o Eterno pudesse ou quisesse Se envolver com a crise enfrentada naquele momento e livrar Seu povo. Este era o “fato histórico” recente: Deus não havia lutado em favor de Israel/Judá, indicado que Ele os havia abandonado, ou não era efetivamente o Deus Todo-Poderoso. Nem sempre palavras de aparente piedade brotam de lábios que creem!

A virgem

O segundo ponto importante nesse capítulo é a identidade da mulher que conceberia. Existe divergência entre os estudiosos, sendo que há diferentes ideias sobre quem seria essa mulher: ela seria a esposa do profeta, ou a rainha, esposa de Acaz, ou uma mulher não mencionada, mas do tempo do profeta e, quase relegada ao ostracismo, há também a ideia de que essa jovem seria a mãe do vindouro Rei-Messias.

Para buscar a identidade dessa mulher, é preciso entender alguns termos-chave do texto. Primeiro, diferente de nossas traduções, que dizem que “a jovem concebeu e dará à luz”, o hebraico diz: “‘a almah grávida e que está por dar à luz”. Essa tradução parece indicar que a jovem, chamada de ´almah, já se encontrava grávida e a ponto de dar à luz o filho. Não obstante, a construção hebraica pode ser explicada como uma certeza profética, pois na mente de Deus e em Seu plano, o futuro declarado é visto como já realizado. Segundo, o termo ´almah, que descreve a mãe de Emanuel, é um termo escasso na Bíblia hebraica, ocorrendo apenas 9 vezes, considerando singular e plural. Muitos estudiosos têm apontado que em nenhuma dessas ocasiões o termo denota claramente uma virgem, mas tem sempre o significado de jovem mulher em idade de se casar, sem referência à virgindade. Nesse sentido, eles apontam que o termo técnico para virgem é bethulah, que ocorre mais de 50 vezes. Entretanto, essa argumentação não é convincente, uma vez que o termo ‘almah aparece em Genêsis 24:43 em referência a Rebeca, com o claro propósito de indicar seu estado de pureza. Ali o termo é associado a na’ar, que indica sua idade; bethulah indica o fato de que ela é solteira. Adicionalmente, ‘almah nunca é usada na Bíblia hebraica para uma mulher casada. Bethulah, ao contrário, é usada em Joel 1 para uma mulher que chora por seu ba’al, um dos termos hebraicos para marido. Por fim, o termo ‘almah é encontrado na literatura ugarítica com o significado de virgem, em paralelo com o termo equivalente a bethula.

Em resumo, não é correto se dizer que o termo signifique apenas uma jovem, retirando a fundamentação da interpretação messiânica feita por Mateus. De fato, a construção narrativa, associada à narrativa de Rebeca, o casamento com Isaque e a consequente continuidade da promessa a Abraão, nos chama a considerar o evento como a intervenção miraculosa de Deus, maior que a mera demonstração temporal e circunstancial para Acaz. De fato, o sinal de Deus não foi para Acaz, mas para o povo, referenciado aqui como no plural: “Adonai dará a vocês um sinal”. Esse sinal é a continuidade “futura” do Reino, para além dos tempos da batalha atual que causava em Acaz um temor paralisante: seu tempo estava por terminar, mas Judá continuaria.

Emanuel

Resta-nos, por fim, identificar o próprio Emanuel. Se é correta a sugestão de identificação da mãe de Emanuel como uma virgem, em sentido restrito, ou como uma mulher ainda não casada, imediatamente a profetisa, esposa de Isaías, e a rainha, esposa de Acaz, deixam de ser alternativas válidas, pois já estavam casadas e não mais eram virgens. Consequentemente, seus filhos tampouco estão qualificados para cumprir a função de Emanuel. Shear-Jeasub, filho de Isaías, já era uma criança, e Ezequias, filho de Acaz, provavelmente já devia estar com 9 anos. É inútil tentar encontrar nos tempos de Isaías, ou mesmo nos tempos imediatamente posteriores, qualquer cumprimento dessa profecia em alguma mulher e seu filho. Por isso, somos deixados apenas com a interpretação messiânica que, de fato, se encaixa com o propósito maior da profecia: indicar a continuidade do reino davídico para além do tempo de angústia vivido por Judá e da apostasia de Israel, e confirmar que Deus não estava distante de Seu povo, ainda que Seu povo estivesse distante Dele. O nome Emanu’el diz exatamente isso: apesar de todos os pecados do povo, Deus ainda estaria com ele, uma vez que Ele permanece sempre fiel à Sua aliança. A guerra viria e passaria, viriam tempos de paz, e novos tempos de dor, mas Ele seguiria com eles e faria Sua presença perceptível no futuro, através da criança Emanu’el.

Na próxima semana, retomaremos esse estudo para entender como o Emanuel divino Se encaixa nas palavras dos versos 15 e 16.

Conheça o autor dos comentários para este trimestre: O Pr. Sérgio Monteiro é casado com Olga Bouchard de Monteiro. É pai de Natassjia Bouchard Monteiro e Marcos Bouchard Monteiro. É Bacharel em Teologia, Mestre em Teologia Bíblica cursa doutorado em Bíblia Hebraica. É Pastor na Escola do Pensar e no Instituto de Estudos Judaicos  Feodor Meyer. É membro da Adventist Theological Society, International  Association for the Old Testament Studies e Associação dos Biblistas Brasileiros.