Lição 4
17 a 23 de janeiro
Unidade por meio da humildade | 1º Trimestre 2026
Sábado à tarde
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 9
Verso para memorizar: “Completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor e sendo unidos de alma e mente” (Fp 2:2).
Leituras da semana: Fp 2:1-11; jr 17:9; Fp 4:8; 1Co 8:2; Rm 8:3; Hb 2:14-18

A força está na unidade. No entanto, saber o que é certo não é o mesmo que colocá-lo em prática. Nós falhamos, mesmo quando nos esforçamos para manter a unidade. Porém, isso é diferente de tentar enfraquecê-la voluntariamente. Por isso, não é surpreendente que, ao continuar a carta, Paulo tenha exortado os crentes a ser “unidos de alma e mente” (Fp 2:2).

O apóstolo destacou a importância da unidade com base no ensino e no exemplo de Jesus, um tema recorrente no NT, especialmente nas epístolas. A desunião do Universo teve início quando um anjo do Céu manifestou orgulho e desejo de obter poder. Esse sentimento se espalhou, mesmo em um ambiente perfeito (Is 14:12-14). Depois, encontrou terreno fértil no Éden, por meio de um descontentamento semelhante com as ordens de Deus e do desejo de alcançar posição mais elevada do que aquela que Ele havia determinado (Gn 3:1-6).

Nesta semana, estudaremos a base bíblica para a unidade da igreja, destacando a extraordinária humilhação de Jesus, as lições que podemos aprender ao contemplá-Lo e como crescer para nos tornarmos mais semelhantes a Ele. 

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Fp 2:1-11; jr 17:9; Fp 4:8; 1Co 8:2; Rm 8:3; Hb 2:14-18

Domingo, 18 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 10
Desunião em Filipos

1. O que parece ter causado a desunião na igreja? Para Paulo, qual era a solução? Fp 2:1-3

Foi, sem dúvida, uma grande decepção para Paulo perceber que a igreja que ele fundou e amava profundamente estava sendo afetada por rivalidades e discórdias. Ele utilizou uma linguagem forte para descrever esses problemas. “Interesse pessoal” (Fp 2:3, NAA) ou “ambição egoísta” (NVI) traduz uma palavra grega (eritheia) já usada em Filipenses 1:17 para descrever aqueles que desafiavam Paulo em Roma, buscando promover a si mesmos em vez de defender a causa de Cristo.

Esse mesmo termo, traduzido como “discórdias”, aparece no contexto das obras da carne (Gl 5:20). Tiago também alertou: “Onde há inveja e rivalidade, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tg 3:16). A palavra grega traduzida como “vaidade” ocorre no NT apenas em Filipenses 2:3, mas, na literatura grega, é usada com o sentido de arrogância, orgulho vazio e uma visão exagerada de si mesmo. Paulo utilizou uma expressão semelhante ao advertir os gálatas: “Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros” (Gl 5:26, NVI).

Observe as soluções que Paulo apresentou para esses problemas:

1. Exortação em Cristo – Paulo destacou o exemplo de Cristo como uma motivação poderosa.

2. Consolação de amor – Jesus revelou o amor divino e deixou o seguinte mandamento: “Que vocês amem uns aos outros, assim como Eu os amei” (Jo 15:12).

3. Comunhão do Espírito – A presença do Espírito Santo promove unidade entre os cristãos, como vemos na igreja apostólica (At 2:42; compare com 2Co 13:13).

4. Afeto – Essa característica divina foi revelada na vida de Cristo (Mt 9:36; 20:34; Mc 1:41), sendo ilustrada nas parábolas do bom samaritano e do filho pródigo (Lc 10:33; 15:20).

5. Compaixão – Seguindo o exemplo de Jesus, Seus seguidores também são chamados a agir com misericórdia (Lc 6:36).

6. Unidade em pensamento, amor e propósito – É difícil imaginar uma forma mais enfática de destacar a importância da unidade do que estas palavras do apóstolo: “Tenham [...] o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus” (Fp 2:5).

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Segunda-feira, 19 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 11
A fonte da unidade

Em Filipenses 2:2, Paulo destacou a importância da unidade, transmitindo a mesma ideia de quatro formas diferentes. Além disso, ele enfatizou a mente, os pensamentos e os sentimentos. Enquanto os líderes religiosos costumavam destacar apenas o comportamento exterior, Jesus direcionou Sua atenção às intenções e motivações do coração. Por exemplo, o jovem rico declarou ter obedecido à lei de Deus durante toda a sua vida. Porém, quando Jesus pediu que ele vendesse tudo o que tinha, desse o dinheiro aos pobres e O seguisse, o apego daquele homem aos bens materiais ficou evidente. Jesus também ensinou que o que nos contamina vem do coração ou da mente: “Do coração procedem maus pensamentos, homicídios, adultérios, imoralidade sexual, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias” (Mt 15:19); “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12:34).

2. Quais orientações práticas Paulo apresentou para fortalecer a unidade na igreja? Fp 2:3, 4

Paulo descreveu um modelo de caráter: agir com humildade, considerar os outros mais importantes do que nós mesmos e buscar os interesses deles, não apenas os nossos. Parece simples de dizer, mas é difícil de viver, não é verdade? Ainda assim, esses princípios são fundamentais para melhorar nossos relacionamentos. Muitas vezes, em conversas, estamos mais preocupados em preparar uma resposta do que em ouvir para entender a outra pessoa. Isso pode gerar conflitos desnecessários, que poderiam ser evitados com uma escuta atenta. Mesmo que não concordemos, ouvir com empatia e tentar entender o ponto de vista do outro é o primeiro passo para construir confiança e uma comunicação saudável.

Paulo mencionou a “unidade que o Espírito dá”, e essa unidade traz a “paz que une” o povo de Deus (Ef 4:3, NBV). Quando há conflitos na igreja, o Espírito Santo pode acalmar as tensões e nos levar à unidade, promovendo harmonia. No mesmo capítulo, Paulo destacou a “unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus” (Ef 4:13). Esses conceitos estão conectados. Ter a mesma fé e um entendimento comum das Escrituras, que vêm do conhecimento de Cristo e de Seus ensinos, é essencial para manter a unidade.

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A morte para o eu nos ajudaria a considerar os outros superiores a nós mesmos? Como ter esse espírito? Como seriam nossos relacionamentos se tivéssemos essa atitude?
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Terça-feira, 20 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 12
Implante mental ou cirurgia mental?

Muitas empresas estão desenvolvendo tecnologias que combinam o poder dos computadores com o cérebro humano. Conectando mentes a máquinas, cientistas esperam influenciar os pensamentos por meio da tecnologia. Embora o uso de implantes cerebrais possa oferecer benefícios, como ajudar no controle da epilepsia, depressão e doença de Parkinson, é fácil imaginar cenários mais preocupantes. O controle mental pode não estar tão longe assim.

De certa forma, ele já está presente. Nossa mente funciona como um computador, embora muito mais sofisticado. O fluxo constante de informações a que somos expostos “programa” nossa mente, molda nossos pensamentos e orienta nossas ações. Quando nos deixamos absorver pelas mídias, a maneira de pensar do mundo começa a influenciar a nossa mentalidade e adotamos esse padrão de pensamento. É como se a mente de outras pessoas fosse implantada na nossa ou fundida na nossa.

Porém, assim como Jesus, devemos “permitir que o Espírito controle a [nossa] mente” (Rm 8:6, NVT). “Ninguém conhece as coisas de Deus, a não ser o Espírito de Deus”, e isso é o oposto ao “espírito do mundo” (1Co 2:11, 12). Quem está influenciando a nossa forma de pensar? E o que estamos deixando entrar em nossa mente?

3. Leia Filipenses 2:5. O que você acha que significa ter o “mesmo modo de pensar” de Cristo?

Podemos ajustar os pensamentos, mas não conseguimos transformar nosso coração. Só Deus faz isso. O Espírito Santo precisa realizar uma verdadeira cirurgia espiritual em nosso coração, utilizando a “espada do Espírito” (Ef 6:17). Essa espada é a “palavra de Deus”, que “é viva e eficaz”, penetrando “até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para julgar os pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4:12). Somente com o auxílio do Espírito podemos nos conhecer de verdade, pois o coração é enganoso por natureza (Jr 17:9). A palavra hebraica traduzida como “enganoso” (’aqov) descreve um terreno irregular que nos faz tropeçar; por extensão, refere-se a pensamentos confusos, tortuosos e distorcidos. Precisamos ser transformados pela “renovação da mente”, para “experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2).

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Leia Filipenses 4:8. Por que é importante praticar esse conselho de Paulo?
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Quarta-feira, 21 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 13
A mente de Cristo

O lutador Muhammad Ali certa vez declarou: “Eu sou o maior.” Em agosto de 1963, seis meses antes de conquistar o título mundial de boxe peso-pesado, o lutador Muhammad Ali lançou um álbum chamado I Am the Greatest (“Eu sou o maior”). Sem dúvida, Ali foi um atleta bastante talentoso, mas sua atitude não deve ser imitada pelos que desejam ter a mente de Cristo.

Jesus, por outro lado, viveu absolutamente sem pecado. “Tentado em todas as coisas, à nossa semelhança” (Hb 4:15), Ele nunca pecou, nem mesmo em pensamento. “Embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5:8). A submissão de Jesus à vontade do Pai foi sempre perfeita. Não houve um momento sequer em que Ele Se recusasse a Se submeter, embora, sem dúvida, isso muitas vezes não tenha sido fácil.

4. Leia Filipenses 2:5-8, considerado um dos textos mais poderosos e belos das Escrituras. O que Paulo nos ensina nesse texto? Quais são as implicações dessas palavras? E, mais importante, como podemos viver, na prática, o ensino que ele nos apresenta?

Jesus, que é Deus igual ao Pai, não apenas assumiu a natureza humana, mas Se tornou “Servo” (Fp 2:7; doulos [“servo”, “escravo”]) e Se ofereceu como sacrifício pelos nossos pecados! Paulo declarou que Ele Se fez “maldição em nosso lugar” (Gl 3:13). Jesus, o Filho de Deus, morreu na cruz para ser também o nosso Redentor, o que exigiu que Ele Se tornasse maldição por nós.

Como compreender o significado dessa oferta? E, mais importante, como viver o que esses textos nos ensinam: ter a mesma disposição de nos humilharmos e sacrificarmos pelo bem dos outros?

Jesus afirmou: “O maior entre vocês será o servo de vocês. Quem se exaltar será humilhado; e quem se humilhar será exaltado” (Mt 23:11, 12). Essa mensagem reflete, em muitos aspectos, a instrução de Paulo (Fp 2:5-8). De forma ainda mais contundente, Paulo reforçou o que já havia dito: não agir com “interesse pessoal ou vaidade” (Fp 2:3).

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Qual deve ser nossa resposta ao que Cristo fez? Qual reação seria adequada ou digna do que Cristo realizou, além de cair de joelhos em adoração? Por que é equivocado pensar que nossas obras acrescentam, para a salvação, algo ao que Cristo já fez por nós?
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Quinta-feira, 22 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 14
O mistério da piedade

Um verso bastante conhecido da Bíblia diz: “Se alguém julga conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria conhecer” (1Co 8:2). Ninguém sabe tudo sobre determinado assunto. Isso é ainda mais verdadeiro em relação às verdades da Divindade e da encarnação de Cristo! Paulo destacou a extraordinária humilhação de Jesus ao Se tornar humano, um tema que nem mesmo na eternidade compreenderemos totalmente.

5. Como foi a humilhação de Jesus ao assumir a natureza humana? Rm 8:3; Hb 2:14-18; 4:15

Como foi possível para o eterno Filho de Deus, pela atuação do Espírito Santo (Lc 1:35), tornar-Se um Ser divino-humano no ventre de Maria? É algo que desafia nossa compreensão: Como o infinito e eterno poderia subitamente tornar-Se um ser humano finito, sujeito à morte? Esse é o centro do que Paulo descreveu como o “mistério da piedade” (1Tm 3:16).

No belíssimo hino de Filipenses 2:6-11, Paulo explorou essa humilhação de forma mais detalhada do que em qualquer outro texto das Escrituras:

1. “Existindo na forma de Deus” (Fp 2:6) – A palavra morph? (“forma”) indica Sua natureza divina, mostrando que Jesus era igual ao Pai (compare com Jo 1:1).

2. “Ele Se esvaziou” (Fp 2:7) – O mistério de que Jesus deixou de lado Suas prerrogativas divinas, para Se tornar verdadeiramente humano e ser tentado como nós, é espantoso.

3. “Ele Se humilhou” (Fp 2:8) – Ao assumir a natureza humana, Jesus passou de uma posição de supremacia universal para a de total servidão, contrastando completamente com o desejo de Lúcifer.

4. “Até a morte, e morte de cruz” (Fp 2:8) – Não havia forma mais humilhante de morrer do que a escolhida por Jesus, planejada em conjunto com o Pai no “conselho de paz” (Zc 6:13, ARC). Esse ato foi prefigurado por Moisés ao levantar a serpente no deserto (Nm 21:9; Jo 3:14). E, assim, na cruz, “Aquele que não conheceu pecado, Deus O fez pecado por nós, para que, Nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5:21).

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Como refletir sobre o que Jesus fez por nós na cruz – vendo a cruz como exemplo de entrega e humildade – deve nos tornar mais humildes e submissos a Deus?
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Sexta-feira, 23 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 15
Estudo adicional

“Todo o amor paternal que veio de geração em geração por meio do coração humano e toda fonte de ternura que se abriu na alma do homem não passam de tênue riacho em comparação com o ilimitado oceano, quando postos ao lado do infinito, inesgotável amor de Deus. A língua não consegue exprimir, nem a caneta é capaz de descrever isso. Pode-se meditar nele todos os dias de nossa vida; pode-se examinar diligentemente as Escrituras a fim de compreendê-lo; pode-se reunir toda faculdade e poder a nós concedidos por Deus, no esforço de compreender o amor e a compaixão do Pai celeste; e todavia existe ainda um infinito para além. Pode-se estudar por séculos esse amor; no entanto, jamais se poderá compreender plenamente a extensão, a largura, a profundidade e a altura do amor de Deus em dar Seu Filho para morrer pelo mundo. A própria eternidade nunca o poderá bem revelar. No entanto, ao estudarmos a Bíblia e meditarmos sobre a vida de Cristo e o plano da redenção, esses grandes temas se desdobrarão cada vez mais ao nosso entendimento” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 5, p. 628).

“Quando estamos passando por um processo de formação, como Moisés na escola de Cristo, qual deve ser nossa atitude? Devemos nos tornar arrogantes? Ter uma opinião exagerada sobre nós mesmos? [...] Não devemos achar que já sabemos tudo o que precisamos aprender. Devemos fazer o melhor uso dos talentos que Deus nos deu, para que, quando este corpo mortal se revestir de imortalidade, não abandonemos o que alcançamos, mas possamos levá-lo conosco” (Ellen G. White, Manuscrito 36, 1885).

Perguntas para consideração

  1. Você já experimentou a realidade do amor de Deus em sua vida?
  2. O que significa dizer que Jesus veio “semelhante aos seres humanos” (Fp 2:7)? Compare com Romanos 8:3. Como essas passagens lançam luz uma sobre a outra?
  3. desafios à unidade a igreja enfrenta em seu país? A disposição de ser humilde e de não agir com “interesse pessoal ou vaidade” (Fp 2:3) começaria a resolver essas questões?

Respostas às perguntas da semana: 1. A desunião vinha do egoísmo e da busca por reconhecimento. Paulo ensinou que a solução era cultivar humildade e considerar os outros superiores a si mesmos. 2. Ele orientou os crentes a agir sem egoísmo, evitando orgulho e buscando o bem dos outros, não apenas o próprio. 3. Ter o mesmo modo de pensar de Cristo é agir com humildade, serviço e entrega, colocando a vontade de Deus acima da própria vontade. 4. Paulo mostra que jesus, sendo Deus, Se esvaziou, tornando-Se servo e obediente até a morte. Isso nos convida a viver com humildade, serviço e obediência, mesmo que isso custe sacrifício. 5. jesus assumiu a natureza humana, experimentando dor, fraqueza e tentações. Isso O capacita a nos entender, socorrer e representar diante de Deus.

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Resumo da Lição 4
Unidade por meio da humildade | 1º Trimestre 2026

TEXTO-CHAVE: Fp 2:2
FOCO DO ESTUDO: Fp 2:1-8

ESBOÇO

Introdução: Filipenses 2:1 a 4 inicia uma seção na qual Paulo aborda o exemplo de humildade de Cristo como modelo para a vida cristã (Fp 2:1-18). Cristo é o supremo modelo de submissão a Deus, de amor e de união com Ele. Durante Seu ministério terrestre, Cristo desenvolveu uma profunda comunhão com o Pai e enfatizou repetidamente a unidade entre Eles (Jo 5:19; 10:30, 38; 12:45; 14:9, 10; 17:11, 21-24). Da mesma forma, Jesus também destacou Sua unidade com o Espírito Santo (Jo 14:16, 26; 15:26; 16:7).

Os membros da Trindade existem eternamente em um relacionamento harmonioso e amoroso, oferecendo um modelo para a unidade e o amor que deve definir os relacionamentos entre os crentes. Paulo enfatizou esse tema não apenas em Filipenses, mas também em outras cartas. Por exemplo, no início de 1 Coríntios, ele escreveu: “Irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, peço-lhes que todos estejam de acordo naquilo que falam e que não haja divisões entre vocês; pelo contrário, que vocês sejam unidos no mesmo modo de pensar e num mesmo propósito” (1Co 1:10; comparar com Rm 15:5-7; Gl 3:26-29; Ef 4:1-6; Cl 3:12-15).

A lição desta semana enfatiza três temas principais:

1. Viver em unidade e demonstrar amor uns pelos outros são responsabilidades fundamentais do cristão e é o comportamento esperado de todo seguidor de Jesus.

2. Como cristãos, somos chamados a cultivar uma maneira de pensar semelhante à de Cristo. Paulo evidencia o que envolve essa mentalidade cristocêntrica.

3. Nossa mente finita é incapaz de compreender plenamente a magnanimidade infinita de Cristo ao Se tornar homem. Essa compaixão é um mistério insondável.

COMENTÁRIO

Ilustração

“Por motivos de segurança, alpinistas se amarram uns aos outros com cordas ao escalar uma montanha. Assim, se um deles escorregar e cair, não cairá para a morte. Será sustentado pelos outros até que consiga firmar novamente os pés.

“A igreja deveria ser assim. Quando um membro escorrega e cai, os outros deveriam sustentá-lo até que recupere o equilíbrio. Todos nós estamos ligados pela corda do Espírito Santo” (Michael P. Green, 1500 Illustrations for Biblical Preaching [Grand Rapids, MI: Baker Books, 2000], p. 66).

Unidade e amor

Em Filipenses 2:1 a 4, Paulo deu a entender que a ambição egoísta era uma das principais causas da desunião dentro da igreja. Ele afirmou: “Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade” (Fp 2:3). As palavras “interesse pessoal” e “vaidade” traduzem, respectivamente, os substantivos gregos eritheia e kenodoxia, ambos raros no NT. O primeiro aparece sete vezes, quase exclusivamente nas cartas de Paulo (Rm 2:8; 2Co 12:20; Gl 5:20; Fp 1:16; 2:3; Tg 3:14, 16). O segundo ocorreu apenas nessa passagem. Curiosamente, o termo eritheia não apa-
rece na Septuaginta, a versão em grego do AT, e kenodoxia ocorre apenas três vezes, mas em livros não canônicos. Assim, parece que o uso dessas palavras por Paulo em Filipenses 2:3 não se baseou na versão grega do AT. Por outro lado, ambos os termos aparecem em listas antigas de vícios, nos escritos de filósofos, para criticar a rivalidade (ver Gerald F. Hawthorne, Philippians, v. 43 da Word Biblical Commentary [Dallas: Word, Inc., 2004], p. 87). Não por acaso, eritheia aparece nas listas de pecados registrados em 2 Coríntios 12:20 e Gálatas 5:20. É evidente que Paulo utilizou essas palavras para identificar comportamentos que os cristãos devem evitar.

Filipenses 2:1 a 4 mostra que, para que a unidade se tornasse uma realidade na igreja, não era suficiente apenas evitar a rivalidade e o egoísmo que minavam a harmonia, mas era necessário praticar as virtudes cristãs essenciais para promover um senso de comunhão. Uma atmosfera harmoniosa é caracterizada por consolo, conforto, amor, comunhão, afeto e misericórdia (Fp 2:1). Em um ambiente assim, as pessoas têm “o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor” e são unidas “de alma e mente” (Fp 2:2).

No entanto, Paulo não estava defendendo a uniformidade, mas a unidade por meio da diversidade. Ao condenar a “ambição egoísta” e a “vaidade”, ele apresentou a atitude oposta: a “humildade” (Fp 2:3). Essa atitude é explicada na sentença seguinte: “Considerando os outros superiores a si mesmos” (v. 3). Esse pensamento é tão importante que Paulo o repetiu com outras palavras no verso seguinte: “Não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros” (Fp 2:4). Paulo não pediu que seu público abandonasse os próprios interesses, mas que considerasse os interesses dos outros com atenção profunda, e não com indiferença. Jesus é o nosso supremo exemplo nesse aspecto. Assim, Paulo aconselhou seu público a desenvolver uma mentalidade semelhante à de Cristo.

Uma mentalidade semelhante à de Cristo

Filipenses 2:1 a 8 apresenta termos derivados da raiz grega phren (ou phron). Essa raiz era empregada para enfatizar o uso da “faculdade de pensar com planejamento cuidadoso” (Johannes P. Louw e Eugene A. Nida, Greek-English Lexicon of the New Testament: Based on Semantic Domains, 2a ed., v. 1 [Nova York: United Bible Societies, 1996], p. 324). Nesse contexto de Filipenses 2:2, Paulo exorta seu público a pensar “a mesma coisa [to auto phron?te], tendo o mesmo amor, sendo unidos em espírito e pensando uma só coisa [to hen phronountes]” (tradução do autor). Essa sincronia só era possível se “com humildade de pensamento [tapeinophrosyn?], cada pessoa considerasse os outros superiores a si mesma” (Fp 2:3, tradução do autor). O ponto culminante dessa linha de raciocínio é alcançado na declaração seguinte: “Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar [phroneite] de Cristo Jesus” (Fp 2:5). Paulo pede que os filipenses desenvolvam uma maneira de pensar semelhante à de Cristo, porque somente essa forma de pensar poderia conduzir a um modo de agir semelhante ao de Cristo.

Os estudiosos debatem se o termo “este” em Filipenses 2:5 (TB; “este sentimento”) se refere à humildade mencionada em Filipenses 2:1 a 4 ou à mansidão de Jesus, demonstrada por Sua atitude retratada em Filipenses 2:6 a 8. Em ambos os casos, Jesus permanece como o padrão a ser imitado. Como afirmou Tom Wright: “Todos devem estar focados em algo que não seja a si mesmos; e esse algo é o próprio Jesus Cristo, o Rei, o Senhor, e as boas-novas que vieram para conquistar o mundo em seu nome” (Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon [London: Society for Promoting Christian Knowledge, 2004], p. 98).

Como cristãos, somos chamados a cultivar uma maneira de pensar e agir semelhante à de Cristo. Paulo argumenta que Jesus estava plenamente consciente de quem Ele era, e mesmo assim, voluntariamente, esvaziou-Se e humilhou-Se (Fp 2:6-8). Paulo explicou que: (1) Jesus
esvaziou-Se “assumindo a forma de servo”, ou seja, “tornando-Se semelhante aos seres humanos” (Fp 2:7); (2) humilhou-Se “tornando-Se obediente até a morte” (Fp 2:8). Em resumo, Jesus tornou-Se servo (ver Mt 20:28; Mc 10:45) e Se sacrificou pela salvação dos outros (ver 2Co 8:9; Hb 12:2), em obediência à vontade de Deus (ver Mt 26:39; Rm 5:19). Aqueles que possuem uma mentalidade semelhante à de Cristo estão dispostos a fazer o mesmo.

Um mistério insondável

Em 1 Timóteo 3:16, Paulo apresentou um resumo da missão de Jesus. Sua encarnação, morte, ressurreição, ascensão e até uma alusão à proclamação do evangelho aos gentios e à conversão de alguns deles foram retratadas com uma impressionante economia de palavras. Tanto o ministério terreno de Jesus quanto Seus resultados são mostrados como o conteúdo do mistério da piedade.

O termo em grego myst?rion (“mistério”) ocorre 28 vezes no NT, principalmente nas cartas de Paulo (21 vezes). Quase sempre esse termo carrega um peso cristológico significativo nos escritos de Paulo. Por exemplo, em Romanos 16:25, Paulo vinculava o mistério à mensagem do evangelho. Do mesmo modo, em Efésios 3:2 a 13, ele fala repetidamente do mistério no contexto de seu ministério aos gentios. Paulo observa que “o mistério foi revelado” a ele “por revelação” (Ef 3:3), por meio da qual ele pôde ter melhor “compreensão do mistério de Cristo” (Ef 3:4). Vários estudiosos concordam que a expressão “o mistério de Cristo” pode ser entendida como “o mistério, que é Cristo”. Paulo desenvolve essa ideia de forma mais extensa em Colossenses. Ele fala de um “mistério que esteve escondido durante séculos e gerações” (Cl 1:26). Além disso, refere-se a “este mistério entre os gentios: que é Cristo em vocês” (Cl 1:27; ver também Cl 2:2; 4:3). Em Efésios 6:19, o apóstolo Paulo menciona sua missão de proclamar “o mistério do evangelho” ou “o mistério, que é o evangelho”. Em Romanos 11:25, o mistério tem a ver com o fato de que o evangelho alcançaria os gentios. Mais adiante, Paulo sugere que a graça de Deus é um mistério insondável (Rm 11:33).

De fato, é. Jesus esteve disposto a suportar “a cruz, desprezando a vergonha” (Hb 12:2). Como Paulo expressa em Filipenses 2:8, Jesus humilhou-Se até a morte, “e morte de cruz”.

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Reflita sobre os temas a seguir. Em seguida, peça aos alunos que respondam às perguntas ao fim desta seção.

“Um visitante de um hospital psiquiátrico ficou surpreso ao notar que havia apenas três guardas cuidando de cem internos perigosos. Ele perguntou ao seu guia: ‘Vocês não têm medo de que essas pessoas dominem os guardas e fujam?’ ‘Não’, foi a resposta. ‘Lunáticos nunca se unem’” (Michael P. Green, 1500 Illustrations for Biblical Preaching [Grand Rapids, MI: Baker Books, 2000], p. 65). Essa história ilustra o potencial de crescimento que uma comunidade perde como resultado da falta de unidade. A desunião é uma condição terrível e algo que os cristãos devem evitar a todo custo.

Nada pode ser mais ameaçador para a saúde de uma comunidade de crentes do que a falta de unidade. É por isso que Paulo demonstrou tanta preocupação com esse tema. Ele deixou claro que viver em unidade não é apenas uma virtude cristã, mas também um mandamento: “Então completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar” (Fp 2:2); “não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros” (Fp 2:4).

Jesus é o nosso exemplo supremo de preocupação com os interesses dos outros. Ele Se fez pobre para que, por meio de Sua pobreza, nós enriquecêssemos (2Co 8:9). Assim, o apelo de Paulo para que seus leitores desenvolvessem uma maneira de pensar semelhante à de Cristo não deveria causar surpresa. Devemos seguir os passos de Jesus, praticando a humildade e a obediência a Deus. Embora não compreendamos plenamente a profundidade da condescendência de Cristo ao Se tornar homem, sabemos o suficiente para viver em unidade uns com os outros.

Perguntas:

1. O que significa preocupar-se com os interesses dos outros? Quais são algumas maneiras pelas quais podemos colocar essa ideia em prática?

2. Por que a unidade entre os crentes é tão importante? O que podemos fazer para promover a unidade dentro da igreja?

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O PONTO DA VIRADA

Nova Caledônia | Draikolo

Draikolo vive na ilha tropical de Lifou. Ela faz parte do território francês da Nova Caledônia, no Oceano Pacífico Norte. Draikolo é de uma pequena aldeia tribal chamada Hnathalo, e é o caçula de doze filhos nascidos em um lar cristão grande e amoroso.

Desde muito jovem, Draikolo frequentou a igreja e seguiu as tradições religiosas. No entanto, quando chegou à adolescência, algo mudou. Os prazeres do mundo e a influência de amigos começaram a puxá-lo em uma direção diferente. Durante o ensino médio, ele começou a fazer escolhas que sabia que eram erradas aos olhos de Deus. Draikolo abandonou a escola no segundo ano e lentamente mergulhou cada vez ma is em uma vida de vícios.

Ele começou a fumar cigarro e maconha e a beber álcool. O que começou como curiosidade logo se transformou em um estilo de vida. Seus dias eram cheios dos prazeres mundanos, e suas noites eram obscurecidas pelo arrependimento. Quanto ma is ele tentava preencher o vazio em seu coração, ma is perdido ele se sentia.

No fundo, Draikolo sabia que estava faltando algo.

Quando adulto, ele se juntou a um pequeno grupo de adoração. Ele não tinha certeza do que estava procurando, mas sabia que precisava de algo mais do que o mundo tinha a oferecer. Ele confiava nas pessoas, mas elas o decepcionaram.Agora, ele queria tentar confiar em Deus.

Um domingo, depois da igreja, Draikolo pediu uma Bíblia. Demorou um pouco, mas ele finalmente encontrou uma e começou a lê-la por conta própria. No começo, ele não entendia completamente o que estava lendo, mas algo começou a levá-lo de volta para as páginas. Ele queria saber mais sobre Jesus.

Quanto mais ele lia, mais ele procurava. Ele começou a falar de Jesus com outras pessoas, embora nem sempre fosse bem-vindo. Certo dia, um professor o espancou violentamente por fazer perguntas sobre a Bíblia, mas nem isso não o impediu. Em casa, ele continuou lendo a Palavra de Deus, buscando a verdade.

Então, um dia, algo inesperado aconteceu. Um membro da família que era adventista do sétimo dia, convidou Draikolo para assistir uma série de reuniões evangelísticas.

Draikolo escolheu ir, e a decisão mudou sua vida.

Durante as reuniões, ele ouvia mensagens diretamente da Bíblia - claras, poderosas e cheias de amor. Ele aprendeu sobre Jesus como seu Salvador pessoal, não apenas uma imagem distante da infância. Ele também descobriu a verdade sobre o sábado e começou a guardá-lo como o dia santo de descanso, assim como a Bíblia ensinava. 

Draikolo sentiu o Espírito Santo trabalhando em seu coração, chamando-o para deixar sua velha vida para trás e seguir a Jesus completamente. Com o apoio de pastores gentis e membros da igreja, ele decidiu entregar sua vida completamente a Deus.

Ele foi batizado em 79 de junho de 2079. Foi um dia de liberdade.

Mas a jornada não terminou ali. Anos de vícios afetaram o corpo e a mente de Draikolo. Ele ainda estava em tratamento, trilhando o caminho da cura. No entanto, algo estava diferente agora- Draikolo não estava caminhando sozinho.

Deus não apenas o libertou dos vícios, mas também o perdoou. Ele quebrou as correntes que o prendiam por tanto tempo. O que antes parecia impossível tornou­se realidade. "Todas essas coisas são impossíveis para o homem", diz ele, "mas possíveis para Deus".

Hoje, o jovem que antes dependia de drogas agora depende da Palavra de Deus. Ele lê a Bíblia todos os dias, e sua maior alegria é compartilhar as boas-novas com outras pessoas, especialmente aquelas que estão passando pelas mesmas dificul­dades que ele enfrentou.

Sua vida tem um novo rumo. Seu coração tem um novo propósito. E seu lema diz tudo: "Confie em Deus".

Obrigado por sua fiel oferta trimestral, que terá um impacto eterno na vida de pessoas como Draikolo. Sua oferta generosa ajudará a construir um centro de influência em Wallis, que ajudará os adventistas a construírem pontes de entendi­mento e amizade com as pessoas do território da Missão Nova Caledônia.

Conforme contado a Kasso Nelson, escrito por Draikolo Théodore.

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