Lição 12
16 a 23 de dezembro
Vencendo o mal com o bem
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Hb 12, 13
Verso para memorizar: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2).
Leituras da semana: Rm 12; 13

Por mais que Paulo estivesse buscando livrar os romanos de suas falsas noções da lei, ele também convocou os cristãos a um alto padrão de obediência como resultado de uma mudança interior no coração e na mente, uma transformação que ocorre somente por meio da atuação do poder de Deus em uma pessoa submissa a Ele.

Nada sugere no livro de Romanos que essa obediência ocorra automaticamente. O cristão precisa ser esclarecido quanto às exigências e deve desejar obedecê-­las; e, finalmente, deve buscar o poder sem o qual essa obediência é impossível.

Isso significa que as obras fazem parte da fé cristã. Paulo jamais quis depreciar as obras; nos capítulos 13 a 15 ele deu a elas uma forte ênfase. Esse fato não nega o que ele tinha dito anteriormente sobre a justiça pela fé. Pelo contrário, as obras são a verdadeira expressão do que significa viver pela fé. Seria possível até defender que, por causa da revelação acrescentada após a vinda de Jesus, os requisitos do Novo Testamento são mais difíceis do que aqueles exigidos no Antigo. Os cristãos do Novo Testamento receberam um exemplo de comportamento moral perfeito em Jesus Cristo. Ele é o único que mostra o padrão que devemos seguir. “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus [não a de Moisés, Daniel, Davi, Salomão, Enoque, Débora ou Elias]” (Fp 2:5).

Ele é o nosso mais alto padrão!

Domingo, 17 de dezembro
Ano Bíblico: Tiago
Culto racional

parte doutrinária do livro de Romanos termina no capítulo 11. Os capítulos 12 a 16 apresentam instruções práticas e notas pessoais. No entanto, esses capítulos finais são extremamente importantes porque mostram como devemos viver nossa fé.

Em primeiro lugar, a fé não substitui a obediência, como se ela anulasse, de alguma forma, nossa obrigação de obedecer ao Senhor. Os preceitos morais ainda estão em vigor. Eles são explanados e até ampliados no Novo Testamento. Também não é dado nenhum indício de que seja fácil para o cristão regular sua vida por esses preceitos morais. Pelo contrário, somos informados de que, às vezes, pode ser difícil, pois a batalha contra o eu e o pecado é sempre dura (1Pe 4:1). Ao cristão é prometido o poder divino e dada a garantia de que a vitória é possível, mas ainda estamos no mundo do inimigo e teremos que travar muitas batalhas contra a tentação. A boa notícia é que, se caímos e tropeçamos, não somos rejeitados, mas temos um Sumo Sacerdote que intercede em nosso favor (Hb 7:25).

1. De acordo com Romanos 12:1, como devemos viver? De que maneira Romanos 12:2 se encaixa nisso?

Em Romanos 12:1, Paulo fez uma alusão aos sacrifícios do Antigo Testamento. Assim como antigamente os animais eram sacrificados a Deus, os cristãos agora deviam entregar seu corpo ao Senhor, não para ser mortos, mas como sacrifício vivo dedicado ao Seu serviço.

Nos dias do antigo Israel, toda oferta levada como sacrifício era examinada cuidadosamente. Se fosse descoberto algum defeito no animal, ele era recusado, pois Deus havia ordenado que a oferta fosse sem defeito. Portanto, os cristãos são ordenados a apresentar seu corpo “por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12:1). Para fazer isso, todas as suas faculdades devem ser preservadas na melhor condição possível. Embora todos tenhamos defeitos, o ponto é que devemos buscar viver de modo tão puro e fiel quanto pudermos.

“‘Transformai-vos pela renovação da vossa mente’ (Rm 12:2). Dessa maneira o apóstolo descreveu o progresso cristão, pois ele se dirigiu aos que já eram cristãos. A vida cristã não significa ficar parado, mas passar do que é bom para o que é melhor” (Martinho Lutero, Commentary on Romans [Comentários Sobre Romanos], p. 167, 168). O que significa passar do que é bom para o que é melhor?
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Segunda-feira, 18 de dezembro
Ano Bíblico: 1 Pedro
Pensar com moderação

Neste trimestre, falamos muito sobre a perpetuidade da lei moral de Deus e enfatizamos repetidas vezes que a mensagem de Paulo no livro de Romanos não ensina que os Dez Mandamentos foram eliminados ou, de alguma forma, anulados pela fé.

No entanto, é muito fácil ficarmos presos na letra da lei e esquecermos o espírito por trás dela, que é o amor a Deus e amor uns pelos outros. Embora qualquer um possa professar amor, revelá-lo na vida cotidiana pode ser uma questão completamente diferente.

2. De acordo com Romanos 12:3-21, como devemos revelar amor pelos outros?

 

Assim como em 1 Coríntios 12 e 13, Paulo exaltou o amor depois de tratar dos dons do Espírito. Amor (agape, em grego) é o caminho mais excelente. “Deus é amor” (1Jo 4:8). Portanto, o amor descreve o caráter de Deus. Amar é agir com os outros como Deus age e tratá-los como Deus os trata.

Paulo demonstrou nesses versos como esse amor deve ser expressado na prática. Um importante princípio revelado é o da humildade pessoal: a disposição de não pensar de si mesmo além do que convém (Rm 12:3), de preferir “dar honra aos outros mais do que a si” mesmo (Rm 12:10, NVI), e de não ser sábio “aos seus próprios olhos” (Rm 12:16, NVI). As palavras de Cristo sobre Si mesmo: “Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11:29), captam a essência da humildade pessoal.

Os cristãos deveriam ser as pessoas mais humildes. Afinal de contas, observe como somos impotentes e caídos. Note como somos dependentes não somente de uma justiça fora de nós para que sejamos salvos, mas também de um poder atuando em nós a fim de nos transformar de uma forma que jamais poderíamos fazer por nós mesmos. Temos algo de que nos gabar? O que temos para nos vangloriar ou nos orgulhar? Absolutamente nada. Partindo dessa humildade pessoal (não apenas diante de Deus, mas também dos outros), devemos viver como Paulo nos admoestou nesses versículos.

Leia Romanos 12:18. Você tem aplicado essa admoestação em sua vida? Precisa ajustar algumas atitudes para fazer o que a Palavra nos manda?
Hoje, 16 de dezembro, teremos o encerramento do Mutirão de Natal. Celebre os resultados desse projeto que torna a igreja mais solidária e mais humana!
Terça-feira, 19 de dezembro
Ano Bíblico: 2 Pedro
O cristão e o Estado

3. Leia Romanos 13:1-7. Como devemos nos relacionar com o poder civil do governo? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Se o governo for corrupto, devemos ignorar as autoridades e suas leis, não pagando impostos e nos rebelando.

B.( ) Devemos nos sujeitar às autoridades governamentais independentemente da situação, pois elas foram instituídas por Deus para nosso bem.

O que torna as palavras de Paulo tão interessantes é que ele escreveu durante um tempo em que um império pagão governava o mundo. Esse império era extremamente cruel, corrompido em sua essência e sem conhecimento sobre o verdadeiro Deus. Além disso, em poucos anos, ele iniciaria uma perseguição maciça contra aqueles que desejassem adorar a Deus. Na verdade, Paulo foi morto por esse governo! No entanto, apesar de tudo isso, seria possível que o apóstolo estivesse defendendo que os cristãos fossem bons cidadãos, mesmo sob a autoridade de um governo como aquele?

Sim, porque a ideia de governo é encontrada em toda a Bíblia. O conceito, o princípio de governo, foi ordenado por Deus. O ser humano precisa viver em uma comunidade com regras, regulamentos e padrões. A anarquia não é um conceito bíblico.

Isso não significa que Deus aprova todas as formas de governo ou a maneira pela qual todos os governos são administrados. Pelo contrário, não é preciso ir muito longe, nem na história nem no mundo de hoje, para ver alguns regimes brutais. Contudo, mesmo em situações como essas, os cristãos devem, tanto quanto possível, obedecer às leis da nação. Os cristãos devem apoiar lealmente o governo, desde que suas reivindicações não entrem em conflito com as reivindicações de Deus. Antes de tomar um caminho que nos ponha em conflito com os poderes existentes, devemos considerar com muita oração e cuidado, levando em conta o conselho dos outros. Sabemos pelas profecias que um dia todos os seguidores fiéis de Deus serão confrontados com os poderes políticos que dominam o mundo (Ap 13). Até lá, devemos fazer tudo o que pudermos, diante de Deus, para ser bons cidadãos em qualquer país em que vivamos.

“Cumpre-nos reconhecer o governo humano como uma instituição designada por Deus, e ensinar obediência a ele como dever sagrado, dentro de sua legítima esfera. Mas, quando suas exigências se chocam com as reivindicações de Deus, temos que obedecer a Deus de preferência aos homens. […]”.

“Não se exige que desafiemos as autoridades. Nossas palavras, quer faladas quer escritas, devem ser cuidadosamente consideradas, para que não sejamos tidos em conta como proferindo coisas que nos façam parecer contrários à lei e à ordem. Não devemos dizer nem fazer coisa alguma que nos venha desnecessariamente impedir o caminho” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 69).

Quarta-feira, 20 de dezembro
Ano Bíblico: 1 João
Amar uns aos outros

4. Leia Romanos 13:8. Como devemos entender esse texto? Se amamos, somos dispensados da obediência à lei de Deus?

Assim como Jesus fez no Sermão do Monte, Paulo ampliou os preceitos da lei, mostrando que o amor deve ser a força motivadora por trás de tudo que fazemos. Visto que a lei é uma transcrição do caráter de Deus, e Deus é amor, amar, portanto, é cumprir a lei. Contudo, Paulo não estava substituindo os preceitos precisamente detalhados da lei por um padrão vago de amor, como afirmam alguns cristãos. A lei moral ainda é válida, pois é ela que revela o pecado – e quem vai negar a realidade do pecado? No entanto, a lei realmente só pode ser obedecida no contexto do amor. Lembre-se, alguns daqueles que crucificaram Cristo seguiram, então, para suas casas para guardar a lei!

5. Leia Romanos 13:9, 10. Quais mandamentos Paulo citou para ilustrar o princípio do amor na observância da lei? Por que esses em particular? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:

A.( ) Não adulterarás, não matarás, não furtarás e não cobiçarás. Porque eles estão relacionados com o amor ao próximo e com os relacionamentos.

B.( ) Não terás outros deuses; não farás imagens de escultura; não tomarás o nome do Senhor em vão; lembra-te do dia de sábado.

Curiosamente, o amor não era um princípio recém-introduzido. Ao citar Levítico 19:18, “amarás o teu próximo como a ti mesmo”, Paulo mostrou que o princípio era parte integrante do sistema do Antigo Testamento. Novamente, Paulo recorreu ao Antigo Testamento para apoiar sua pregação do evangelho. A partir do que Paulo ensinou nesses versos, alguns argumentam que apenas os poucos mandamentos mencionados ali estão em vigor. Em caso afirmativo, isso significa que os cristãos podem desonrar seus pais, adorar ídolos e ter outros deuses diante do Senhor? Claro que não!

Observe o contexto desses versos. Paulo estava tratando da maneira como nos relacionamos com os outros; por isso ele especificou os mandamentos centrados nesses relacionamentos. Seu argumento certamente não deve ser interpretado como se o restante da lei tivesse sido anulado (veja At 15:20; 1Ts 1:9; 1Jo 5:21). Além do mais, como destacam os escritores do Novo Testamento, ao mostrar amor para com os outros, mostramos nosso amor para com Deus (Mt 25:40; 1Jo 4:20, 21).

Seu relacionamento com Deus é refletido em seu relacionamento com os outros? O amor é importante nesse contexto? Como amar os outros como Deus o ama? O que o impede de amar?
Quinta-feira, 21 de dezembro
Ano Bíblico: 2Jo, 3Jo, Jd
Nossa salvação está mais próxima

E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos” (Rm 13:11).

Como afirmamos durante todo o trimestre, na carta aos romanos Paulo tinha um foco muito específico, que era esclarecer para a igreja de Roma, especialmente os judeus cristãos daquela cidade, a função da fé e das obras no contexto da nova aliança. A questão era a salvação e como um pecador é considerado justo e santo diante do Senhor. A fim de ajudar aqueles que tinham enfatizado a lei, Paulo colocou a lei em sua devida função e contexto. Embora, em seu ideal, o judaísmo fosse uma religião de graça mesmo nos tempos do Antigo Testamento, o legalismo surgiu e causou muito prejuízo. Como igreja, precisamos ser cuidadosos para que não cometamos o mesmo erro.

6. Leia Romanos 13:11-14. De qual evento Paulo estava falando nessa passagem? Como deveríamos agir na expectativa desse evento?

É fascinante que Paulo estivesse falando com os cristãos, dizendo-lhes que despertassem e se preparassem porque em breve Jesus iria voltar. Não importa o fato de que isso tenha sido escrito há quase dois mil anos. Devemos sempre viver com a expectativa da proximidade da vinda de Cristo. Até onde sabemos e até onde vão nossas experiências pessoais, a segunda vinda de Jesus está tão próxima quanto estamos da nossa morte. Se morrermos na próxima semana ou daqui a 40 anos; se dormirmos o sono da morte por apenas quatro dias ou por 400 anos, isso não fará diferença para nós. No segundo seguinte veremos Jesus voltar. Visto que a possibilidade da morte está sempre diante de nós, o tempo é realmente curto, e nossa salvação está mais próxima do que quando, no princípio, cremos.

Embora Paulo não tenha tratado muito da segunda vinda de Jesus no livro de Romanos, ele a abordou com muito mais detalhes nas cartas aos tessalonicenses e aos coríntios. A segunda vinda de Jesus é um tema fundamental na Bíblia, especialmente no Novo Testamento. Sem ela e a esperança que oferece, nossa fé realmente não teria sentido. Afinal, o que significa “justificação pela fé” sem a segunda vinda de Cristo, que nos permitirá desfrutar completamente daquela verdade maravilhosa?

Se você soubesse que Jesus viria no próximo mês, o que mudaria em sua vida? Por quê? Se acredita que precisa mudar essas coisas um mês antes da volta de Jesus, por que não mudar agora? Qual é a diferença?
Sexta-feira, 22 de dezembro
Ano Bíblico: Ap 1–3
Estudo adicional

Na Bíblia, está revelada a vontade de Deus. As verdades da Palavra de Deus são proferidas pelo Altíssimo. Aquele que faz dessas verdades parte de sua vida, torna-se em todo sentido uma nova criatura. Ele não recebe novas faculdades mentais, mas é removida a escuridão que pela ignorância e o pecado nublava a compreensão. As palavras: “vos darei um coração novo” significam “porei dentro de vós um espírito novo” (Ez 36:26). A mudança de coração é sempre seguida pela visão clara do dever cristão e uma compreensão da verdade. Aquele que dá às Escrituras atenção cuidadosa e acompanhada de oração, alcançará compreensão nítida e julgamento seguro, como se ao voltar-se para Deus haja alcançado nível mais elevado de inteligência” (Ellen G. White, Minha Consagração Hoje, p. 24).

“O Senhor […] virá logo, e devemos estar prontos e aguardando Seu aparecimento. Oh! Quão glorioso será vê-Lo e receber as boas-vindas como remidos Seus! Por muito tempo temos esperado; mas nossa esperança não deve diminuir. Se tão somente pudermos ver o Rei em Sua formosura, seremos para sempre benditos. Tenho a sensação de que devesse exclamar alto: ‘Rumo ao lar’! Estamos nos aproximando do tempo em que Cristo virá com poder e grande glória para levar ao lar eterno os Seus resgatados” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 8, p. 253).

Perguntas para discussão

1. O fato de que devemos ser bons cidadãos e bons cristãos pode se tornar uma questão complicada. Se alguém lhe pedisse conselhos sobre uma prática ilegal, mas a defendesse como sendo a vontade de Deus, o que você diria a essa pessoa? Quais princípios você deve seguir com a máxima seriedade e oração?
(Afinal, nem todos que são jogados na cova dos leões saem de lá ilesos).

2. O que é mais difícil de fazer: obedecer estritamente à letra da lei ou amar a Deus e os outros incondicionalmente? Essa questão apresenta uma falsa dicotomia? Por quê?

3. Ao nos aproximarmos do final deste trimestre, fale na classe o que você aprendeu com o livro de Romanos que o ajudou a entender a importância da
Reforma. O que esse livro ensinou sobre o que cremos? Por que cremos nisso?

Respostas e atividades da semana: 1. Escolha um aluno para responder essa pergunta. Peça que ele compartilhe sua resposta com a classe. 2. Peça a opinião dos alunos. 3. B. 4. Peça aos alunos que discutam em duplas a relação do amor com a lei. Escolha um aluno para compartilhar sua resposta com a classe. 5. V; F. 6. Divida a classe em duplas e peça aos alunos que reflitam sobre a volta de Jesus. Pergunte-lhes o que eles precisam mudar para buscar uma vida de santidade.

Resumo da Lição 12
Vencendo o mal com o bem

TEXTO-CHAVE: Romanos 12:2

O ALUNO DEVERÁ

Saber: Que a renovação da mente é um relacionamento recíproco entre o cristão e Deus.

Sentir: Uma crescente percepção de maneiras para melhor seguir a vontade de Deus na vida diária.

Fazer: Identificar como Deus o orienta a viver e decidir agir seguindo essa orientação.

ESBOÇO

I. Saber: Como Deus renova a mente do crente

A. Quem é responsável pela renovação da nossa mente?

B. A renovação da mente é um processo ativo ou passivo?

C. Qual é a função da fé na renovação da mente?

II. Sentir: Melhor percepção da vontade de Deus

A. Você experimentou uma nova compreensão da vontade divina? Compartilhe o que essa compreensão significou para você.

B. Descreva um período em que você teve convicção da mudança que precisava fazer em seus padrões de pensamento e estilo de vida.

III. Fazer: Identificar a vontade de Deus e agir de acordo com ela

A. Deus tem convencido você sobre algo em sua vida que não está de acordo com um padrão do viver piedoso? Como você pode agir com base nessa convicção?

B. Quais são os seus dons espirituais? Como você pode usar esses dons para Deus?

RESUMO: Esta lição ajuda os alunos a compreender a natureza recíproca da renovação da mente à medida que eles progressivamente submetem a si mesmos e às suas atividades a Deus como sacrifícios vivos. Deus os capacitará para pensar, sentir e agir de acordo com Sua vontade.

Ciclo do aprendizado

Motivação

Focalizando as Escrituras: Romanos 12:2

Conceito-chave para o crescimento espiritual: Precisamos submeter plenamente nossa vida a Deus como sacrifício vivo. Somente então o Espírito nos capacitará a renovar nossa mente e ações a fim de refletir a vontade de Deus para nossa vida.

Para o professor: Ajude os alunos a compreender que viver de acordo com a vontade de Deus, em vez do padrão do mundo, exige uma ativa entrega pessoal e contínua e interativa renovação do Espírito Santo. A justificação pela fé também é um processo de renovação completa, do princípio ao fim, até a glorificação. Nunca é demais enfatizar que essa maravilhosa transformação da mente e do coração sempre será realizada pelo poder do Espírito de Deus.

Discussão inicial: Os dois primeiros estágios do conhecido processo dos “Doze Passos” para a recuperação de dependentes químicos nos ajudam a compreender o que significa ser transformado pela renovação da mente quanto aos padrões do mundo, o que nos habilita a testemunhar sobre a vontade de Deus.

O primeiro passo é admitir que você tem um problema com a dependência. O segundo é reconhecer que você precisa do auxílio de um poder superior para superar a dependência.

Esse reconhecimento é um processo bem mais difícil do que imaginamos. Alguém pode estar disposto a admitir que é um pecador, de modo geral. No entanto, admitir que tem um problema específico é bem mais difícil.

Na faculdade, Cory não queria admitir que sua dependência química era algo mais que uma forma de “aliviar o estresse”. Deus teve que convencê-lo de outra maneira. Uma vez que ele havia sido convencido e havia admitido completamente que tinha um problema, Cory só precisava tomar a atitude de remover aquele vício de sua vida. Ele precisou de força além de si mesmo para conseguir fazer isso. A caminhada mais difícil de Cory foi passar pelo corredor do dormitório, guiado pelo Espírito, até seu quarto para jogar suas substâncias no lixo mais próximo.

Fisiologicamente, sabemos que formamos caminhos neurais ou padrões na mente para cada ação que realizamos. Esses caminhos são ainda mais reforçados quando ligados a uma substância química, mesmo que sejam apenas os componentes químicos do nosso cérebro. Literalmente, precisamos ser transformados pela renovação da nossa mente.

Perguntas para discussão:

1. Há algum membro da classe que gostaria de compartilhar a experiência de superar uma dependência química ou lutar com um vício? Se houver alguém, reserve alguns minutos para esse testemunho.

2. Conte sobre um novo hábito positivo que você desenvolveu.

Compreensão

Para o professor: Encoraje sua classe a sugerir maneiras pelas quais os crentes, como participantes ativos no processo de salvação, podem submeter sua vida a Deus, em combinação com uma aceitação passiva da ação de Deus na vida deles, uma vez que tenham se submetido a Ele.

Comentário bíblico

Introdução: Faça um breve resumo de Romanos 12 com a classe. Há duas ordens em Romanos 12:1, 2. A primeira é que os crentes façam algo ativo – apresentar a si mesmos “como sacrifício vivo”. A segunda é que os crentes permitam que algo aconteça com eles – “ser transformados pela renovação da mente”. O restante do capítulo 12 e os capítulos seguintes apresentam exemplos práticos e éticos de como o novo padrão de pensamento será vivido.

Pense nisto: Por que os crentes em geral estão felizes em fazer as coisas intelectuais, mas relutam em dar o “próximo passo”, lógico, embora prático?

I. Ativa entrega do crente

(Recapitule com a classe Rm 12:1, 2.)

A primeira ordem em Romanos 12:1 é que os crentes façam algo ativo. Eles precisam apresentar a si mesmos como sacrifício vivo a Deus. Nessa sentença, em grego, o verbo está no modo imperativo, que é uma forma verbal que indica ordem. Paulo não ofereceu uma opção aos crentes: eles deviam entregar a vida como sacrifício vivo, como ato espiritual de adoração. A descrição do sacrifício como sendo “vivo” revela a natureza ativa do verbo. O crente não é um sacrifício animal que foi morto e passivamente colocado sobre o altar, mas é um participante ativo que submete seus objetivos egoístas para seguir a vontade de Deus.

Pense nisto: 1. Para você, especificamente, o que significa apresentar a si mesmo como sacrifício vivo? 2. Como você pode se submeter ativamente à vontade de Deus?

II. A ação de Deus para transformar o crente

(Recapitule com a classe Rm 8:5-9.)

A segunda ordem dada por Paulo em Romanos 12 é encontrada no verso 2: “Deixem que Deus os transforme” (NTLH). No entanto, essa ordem está na voz passiva, não na ativa. Essa ordem é algo que deve ser realizado sobre o cristão. Nas Escrituras, geralmente quando há um verbo passivo sem um antecedente que está praticando a ação, é chamado de passivo divino. Dessa forma, quem pratica a ação é Deus. Pelo contexto, Romanos 12:2 é claramente um caso de passivo divino.

O cristão deve “ser transformado” pela renovação da mente para que não mais se conforme aos padrões do mundo. Essa renovação da mente nos leva de volta a Romanos 8. A mente centralizada na carne conduz à morte; mas a que está focalizada no Espírito produz vida e esperança. A renovação da mente no capítulo 12 é, portanto, uma referência à obra do Espírito Santo na vida do crente. Depois que submetemos ativamente a vida como sacrifício vivo a Deus, escolhendo demorar-nos nas coisas do Espírito, o Senhor então assume a função ativa de nos transformar pela renovação da nossa mente. Isso resulta num relacionamento cooperativo e amigável com Deus.

Perguntas para discussão

1. Se nós escolhemos o que pensamos, como Deus pode renovar a nossa mente?

2. Descreva uma experiência em que o Espírito Santo lembrou você de algo das Escrituras que o ajudou a mudar seu padrão de pensamento.

III. A ética da mente renovada

(Recapitule com a classe Rm 12:3-8.)

Depois que Paulo deu duas ordens no início de Romanos 12, ele passou a descrever, por exemplos éticos, como o padrão da vida do crente é transformado. Um exemplo é que os cristãos não devem pensar de si mesmos além do que convém, mas reconhecer sua identidade corporativa. Essa instrução é vista na metáfora do corpo de crentes que receberam determinada porção da graça, um dom espiritual, com o qual devem servir a igreja e a missão divina ao mundo, por meio da igreja. Para enfatizar o lado passivo de ser transformado por Deus, é evidente que esses dons foram concedidos pelo Espírito Santo (1Co 12:4-11), não conseguidos por mérito; em vez disso, eles foram recebidos pela fé.

Outros exemplos incluem o amor pelo próximo por meio da sinceridade motivada por fervor espiritual (“fervorosos de espírito”), servindo ao Senhor (Rm 12:11). Ser “fervoroso de espírito” é mais um lembrete de que é Deus quem está nos transformando. O uso que Paulo fez do termo “espírito” como modificador significa que esse fervor é dado pelo Espírito Santo, ou que somos capacitados pelo poder do Espírito a ter essa virtude. De idêntico modo, o “espírito” é o agente que desperta um anseio por adoção no coração de cada crente descrito em Romanos 8:22, 23.

Pense nisto: 1. Quais outros exemplos éticos de vida transformada vemos em Romanos 12 e 13? 2. Sua fé mudou sua maneira de tratar as pessoas?

Aplicação

Para o professor: O processo ativo de submeter nossa vida como sacrifício vivo aos planos de Deus é contínuo. Ajude seus alunos a pensar acerca dos momentos diários em que eles podem submeter os pensamentos à renovação da mente pela atuação do Espírito Santo. Extraia exemplos específicos da vida pessoal deles para os quais a aplicação das Escrituras inspiradas pelo Espírito Santo fazem a diferença.

Perguntas para reflexão

1. Você consegue descrever um momento de sua vida na semana passada em que você escolheu (ou podia ter escolhido, mas não escolheu) submeter seus pensamentos a Deus e pensar de um modo renovado?

2. Que orientação das Escrituras o ajudou (ou poderia tê-lo ajudado) a saber como pensar ou o que fazer nessa situação?

3. O que você aprendeu com o estudo de hoje? Como isso especificamente pode fazer a diferença em sua vida?

Criatividade e atividades práticas

Para o professor: Para esta atividade, você precisará de um painel ou quadro, além de canetas ou giz. Seria útil imprimir a imagem de um cérebro e colá-la no painel ou desenhá-la no quadro com antecedência.

(Se não tiver acesso ao material mencionado acima, você poderá realizar essa atividade desenhando a ilustração no chão com giz ou outro material. Caso não haja a possibilidade de utilizar nenhuma dessas alternativas e materiais, realize as atividades abaixo e discuta-as sem o auxílio visual.)

Atividades

1. Troquem ideias e escrevam num painel ou quadro vários exemplos de “pensamentos pecaminosos” ao redor da imagem de um cérebro.

2. Troquem ideias e escrevam exemplos de pensamentos renovados em cores diferentes para cada pensamento pecaminoso escrito no quadro ou painel.

3. Acrescente uma passagem bíblica que apoia cada pensamento renovado.

Planejando atividades: O que sua classe pode fazer na próxima semana como resposta ao estudo da lição?

O caso contra Deus

A vida era muito difícil na terra natal de Victor, Moldávia, onde ele trabalhava como procurador público. Por isso, ele comprou um passaporte polonês no mercado negro e se mudou para a Irlanda em busca de uma vida melhor.

Então, descobriu que o seu colega de quarto moldávio era adventista.

Colega de quarto insuportável

Alexander, o colega de quarto, sempre deixava Victor furioso com sua leitura bíblica. Sempre que Victor afirmava que uma crença da igreja de sua infância era correta, Alexander abria a Bíblia e mostrava que ele estava equivocado. Victor não conseguia convencer o colega a guardar o domingo nem a comer alimentos impuros. Victor se sentia em desvantagem. Alexander lia a Bíblia todos os dias e disse que havia lido a Bíblia inteira a cada ano, desde que tinha sido batizado oito anos antes. Victor sequer havia aberto a Bíblia.

Victor desafiou Alexander a provar que a Bíblia não havia mudado em 2.000 anos. Ele lhe deu cinco livros sobre arqueologia e história bíblica. Diariamente, Victor lia os livros no trajeto para o trabalho em Dublin e notou que a Palavra de Deus não havia mudado.

Ele concluiu que Alexander estava lendo uma Bíblia específica dos adventistas. Por isso, adquiriu uma outra Bíblia e fez a comparação. As palavras eram idênticas.

Provando que Alexander estava errado

Numa tarde de sexta-feira, Victor ficou extremamente chateado quando viu Alexander se preparando para receber o sábado. Ele não entendia como Alexander, um simples soldador, sabia tanto sobre a Bíblia. Então, decidiu estudar a Palavra de Deus e provar que Alexander estava errado. Victor usou todo o conhecimento jurídico para buscar provas e construir um caso contra Deus. Ele anotou 100 perguntas que Alexander deveria responder, incluindo:

* Por que o sábado e não o domingo?

* Por que é proibido comer carne de porco?

* Como explicar a profecia de Daniel 2? Por que ela foi dada?

Coração transformado

Ao ler a Bíblia, Victor encontrou a resposta para todas as perguntas. Seus olhos se abriram, e ele pôde ver que a igreja de sua infância estava longe da verdade. Ele percebeu que precisava admitir que estava errado e que devia obedecer a Deus, começando com a observância do sábado.

Alexander ficou chocado quando Victor disse que queria acompanhá-lo à igreja. Após um ano, ele foi batizado.

Os familiares não ficaram felizes ao saber que ele havia mudado de religião. Os amigos na Irlanda achavam que ele havia enlouquecido. Mas nada o impediu de seguir suas convicções. Para Victor, a coisa mais importante na vida era permanecer em Cristo e andar com Ele.

Incentivo para a honestidade

Alexander começou a aconselhar Victor sobre o passaporte polonês adquirido no mercado negro e que lhe permitiu viver na Irlanda. Victor foi convencido de que precisava obedecer tanto à lei de Deus quanto às leis dos homens. Então, rasgou o passaporte e o jogou fora. Isso o deixou apenas com o passaporte moldávio, que não concedia permissão para morar na Irlanda. Qualquer policial que o abordasse poderia deportá-lo.

Ele orou: “Senhor, não sei se queres que eu permaneça aqui, mas envia-me de volta para casa se essa for a Tua vontade.”

Victor não tinha emprego na época e parecia impossível conseguir um sem ter o passaporte. Mas logo após a oração, recebeu uma oferta de trabalho como agente de segurança noturno numa academia, com o sábado livre.

Em seguida, Victor fez outra oração: “Senhor, quero pagar honestamente os impostos como todo mundo faz. Quero dar a César o que é de César.”

Ele foi ao Departamento Fiscal com o passaporte da Moldávia, determinado a obter um número de identificação fiscal que lhe permitisse pagar impostos. À sua frente estava um casal da Letônia que mal falava inglês. O fiscal falou com o casal por um longo tempo. Victor ficava cada vez mais nervoso enquanto esperava, sendo o próximo da fila. Ele imaginava o que o fiscal diria quando soubesse que vivia ilegalmente na Irlanda.

Depois que o casal letão saiu, Victor entregou o passaporte e explicou que queria um número de identificação fiscal. O funcionário olhou para o tamanho da fila e lhe devolveu o passaporte com um formulário para preencher. Ele nem sequer olhou para o passaporte. Uma semana depois, Victor recebeu pelo correio um número fiscal e começou a pagar os impostos. Os amigos mal podiam acreditar!

Ao voltar para a Moldávia, vários anos depois, as autoridades fiscais irlandesas restituíram os impostos que ele havia pagado em excesso.

De volta à Moldávia, Victor cursou o mestrado e, atualmente, trabalha como consultor jurídico de uma empresa alemã. Ele ainda recebe folga aos sábados e paga os impostos.

“Hoje, pela graça de Deus, obedeço à lei de Deus e às leis dos homens, e Deus me abençoou além da medida”, diz.

Mensagem missionária

• Os cristãos ortodoxos representam 90% da população da Moldávia, que atualmente conta com 3,5 milhões de habitantes.

• A igreja da Moldávia possui 9.000 membros, ou seja, um adventista para cada grupo de 388 habitantes. Essa é a proporção mais elevada da Divisão Euro-Asiática.

Embora a Moldávia tenha 238 igrejas e grupos, só existe uma escola adventista no país. Ela está localizada em uma cidade a 80 km da capital, Chisinau.

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 4º trimestre de 2017
Tema geral: Salvação somente pela fé: o livro de Romanos
Lição 12: 16 a 23 de dezembro
Vencendo o mal com o bem

 

Autor: Pr. Clacir Virmes Junior, professor de Teologia na FABA – Cachoeira, Bahia

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

 

Introdução

Entre os capítulos 1-11 da Epístola aos Romanos, Paulo lidou com o “o quê” da salvação. Nos capítulos 12-15, o apóstolo discutiu o “para quê”. A redenção não é um cheque em branco para fazermos o que bem entendemos da nossa vida; ao contrário, é a mudança de senhorio. Em vez de servirmos ao pecado, passamos a servir a Deus. E isso tem implicações em nosso relacionamento com Deus, com o próximo e com o mundo. As lições desta semana e da próxima lidarão com esses temas.

Culto racional

Romanos 12:1 começa com um pedido apostólico, seguido pela conjunção “pois”. Aqui ela tem uma função especial. Tudo o que será dito entre os capítulos 12-15 deve ser visto como uma implicação, um resultado de tudo o que foi discutido entre os capítulos 1-11. É como se Paulo dissesse: “Uma vez que somos salvos pela maravilhosa graça de Jesus, vamos viver uma vida digna da nossa salvação”.

O apóstolo usou a imagem do sacrifício, vinda do santuário, para mostrar como o cristão deve lidar com seu corpo no relacionamento com Deus. Ele deve ser um sacrifício; porém, ao contrário dos animais abatidos no ritual do tabernáculo, o cristão continua vivo. Não é sua morte, mas sua vida que deve louvar a Deus. Isso só é possível pela transformação da mente. Essa é a razão pela qual é tão importante alimentar a mente com a Palavra viva de Deus. Ao estudar Sua vontade, nossa mente se modifica com os reclamos da Sua lei e isso se expressa na nossa maneira de usar o corpo. Não mais usamos nossas mãos, nossos pés nem qualquer outra parte de nosso corpo para o pecado; antes, os oferecemos como louvor a Deus.

Pensar com moderação

O restante do capítulo 12, a partir do verso 3, destaca como podemos colocar na prática a graça que recebemos de Jesus, especialmente em nossos relacionamentos uns com os outros. Como não há espaço aqui para discutir todas as instruções, vamos nos concentrar em duas delas.

Romanos 12:3 diz que não devemos pensar sobre nós mesmos “além do que convém”. Essa instrução está no contexto dos dons espirituais. Paulo falou sobre os dons especialmente em 1 Coríntios 12–14 (A primeira Epístola aos Coríntios foi escrita por volta do ano 55 d.C.) O apóstolo retomou o mesmo tema em Romanos (A Epístola aos Romanos foi escrita provavelmente entre 57 e 58 d.C.) Dentro de sua discussão, é interessante notar que Paulo parecia estar preocupado com a ideia de que ter certos dons tornaria alguém superior aos outros. O conceito da igreja como corpo vem à tona novamente. Assim como diferentes órgãos contribuem para o bem do corpo todo, os diferentes dons contribuem para o bem de toda a igreja. No verso 5, o apóstolo disse que somos membros uns dos outros. Aqui se chama a atenção para o fato de que os dons são dados para a edificação mútua e não para que alguém se orgulhe sobre os outros.

Já em Romanos 12:20, Paulo insistiu com seus leitores a não retribuírem o mal com o mal. Ao contrário, com base em Provérbios 25:21-22, o apóstolo pediu que os cristãos fizessem o bem mesmo aos inimigos. Além do Antigo Testamento, o ensino apostólico aqui está retomando o ensino de Jesus em Mateus 5:44. A imagem das brasas vivas é uma das mais enigmáticas da literatura bíblica. Duas sugestões para o pano de fundo dessa expressão já foram propostas. A primeira seria um ritual egípcio em que, para dar evidência de seu arrependimento, a pessoa deveria levar na cabeça uma frigideira com brasas vivas. A segunda proposta seriam algumas leis assírias que demandavam colocar piche quente sobre a cabeça do ofensor. Nenhuma dessas ideias parece se encaixar com o texto de Provérbios nem com o de Romanos. O cerne da instrução apostólica, porém, é tratar os inimigos como se eles fossem amigos, assim como Deus faz, mesmo com aqueles que não querem se relacionar com Ele.

O cristão e o Estado

A má compreensão de Romanos 13:1-7 levou, ao longo dos séculos, à união entre a igreja e o Estado, com seus resultados nefastos. Paulo não estava advogando aqui, de maneira nenhuma, tal tipo de aliança. Na verdade, ele estava instruindo a igreja em que sentido ela deve estar sujeita à autoridade governamental.

O principal ponto enfatizado pelo apóstolo parece ser que Deus age através das instituições governamentais. Elas trazem estabilidade e exercem a justiça, apesar de serem imperfeitas. Paulo ainda admoestou os cristãos a viver de acordo com as leis de seu país; os cristãos devem viver de acordo com as regulamentações governamentais, agindo como bons cidadãos. Ao mesmo tempo, a lealdade ao governo termina quando ele tenta usurpar a lealdade devida a Deus (cf. At 5:29). Até que isso não aconteça, até que não haja conflito entre a vontade revelada de Deus e as regras de um país, é dever do cristão viver à altura dessas leis.

Amar uns aos outros

Você pode ser muito correto com suas contas, pagando-as religiosamente em dia; pode nunca ter contraído uma dívida nem ter feito qualquer tipo de empréstimo; pode até mesmo ter aprendido a viver dentro de seu padrão financeiro para ter tranquilidade e estabilidade; contudo, de acordo com Paulo, você ainda é um devedor, não só a uma pessoa, mas a todas as pessoas. Para o apóstolo, nós sempre devemos amor aos outros. E a razão é simples: amar é cumprir a lei.

É importante notar que, quando Paulo citou alguns dos mandamentos, ele fez isso a título de exemplificação. Não é que esses sejam os únicos dos Dez Mandamentos a ser seguidos ou que esses sejam os mais importantes. A ênfase está no fato de que amar ao próximo como a nós mesmos é verdadeiramente cumprir a lei. Os mandamentos do Decálogo são o início e não o fim de nossa adesão à vontade de Deus. Jesus mesmo já tinha ampliado o significado de Sua lei no Sermão da Montanha (Mt 5–7). Paulo, sob inspiração, fez o mesmo aqui: mostrou que o grande princípio da lei, o amor, é expresso de maneiras muito mais amplas do que simplesmente não matar, não roubar e não adulterar. Nosso padrão é muito mais elevado. Mas não precisamos desanimar: a graça de Cristo é suficiente não só para nos perdoar, mas também para nos capacitar a viver à altura dos ideais divinos.

Nossa salvação está mais próxima

Em Romanos 13:11-14, Paulo introduziu a perspectiva escatológica para tudo o que ele disse em sua epístola. O apóstolo estava vislumbrando no horizonte a volta de Jesus; por isso admoestou os cristãos a despertarem. É possível que os cristãos de Roma estivessem sendo tentados a desanimar de sua fé. O conselho apostólico foi levantar a cabeça e divisar a realização de nossas esperanças no aparecimento do Filho de Deus nas nuvens do céu.

Com isso, há mais uma razão para viver dignamente a vida cristã. Quando Jesus voltar, as trevas cessarão e, para os salvos, só haverá luz e glória eternamente! Paulo convidou os cristãos a se colocarem do lado da luz e não das trevas agora, hoje. Mas para andar dignamente como verdadeiros filhos de Deus só há uma forma: revestir-se de Cristo (Rm 11:14). O Senhor nunca pediu que tentássemos viver Sua vontade sozinhos, pelas nossas próprias forças. A graça de Jesus não é algo que apenas dá início ao nosso relacionamento com Cristo; ela nos acompanha por toda a nossa vida aqui e será nossa segurança por toda a eternidade.

Conclusão

Ao contrário do que muitos pensam, o ensino da justificação pela fé não tem como resultado nem como objetivo levar as pessoas para longe da vontade de Deus. Ao contrário, uma compreensão apurada da salvação motivará os cristãos a colocar a vida em harmonia com a lei de Deus. A graça de Cristo é o grande motivador das ações dos salvos. Eles já não vivem para si mesmos, mas para Seu Senhor, sendo zelosos, mas com entendimento, sabendo que suas ações não garantem sua salvação, pois isso já foi conseguido na cruz. Eles andam de maneira digna do seu chamado porque seu amor por Jesus cresce a cada dia. Eles não podem fazer diferente. Seu Senhor e Salvador lhes deu a vida eterna; sua expressão de gratidão é percorrer a carreira cristã que lhes foi proposta pelo Deus de toda a graça.