Lição 13
20 a 26 de junho
Vivendo pela Palavra de Deus
Sábado à tarde
Ano Bíblico: Sl 36-39
Verso para memorizar: “Tornai-vos, pois, praticantes da Palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1:22).
Leituras da semana: Fp 2:12-16; Lc 4:4, 8, 10-12; Sl 37:7; 46:10; 62:1, 2, 5; Cl 3:16

O melhor método de estudo da Bíblia será inútil se não estivermos determinados a viver de acordo com o que aprendemos das Escrituras. O que é verdadeiro para a educação em geral também é correto no que diz respeito especificamente ao estudo da Bíblia: aprendemos melhor não apenas lendo ou ouvindo, mas praticando o que sabemos. Essa obediência abre um tesouro pleno das bênçãos divinas, que de outra maneira não receberíamos, e nos conduz numa forma empolgante e transformadora de ampliar nossa compreensão e conhecimento. Se não estivermos dispostos a cumprir a Palavra de Deus nem a praticar o que estudamos, não nos desenvolveremos. E nosso testemunho será enfraquecido porque nossa vida não está em harmonia com nossas palavras.

Crescemos em graça e sabedoria por meio de exemplos inspiradores que nos ilustram o que significa viver pela Palavra de Deus. Não há exemplo melhor nem força motivacional mais poderosa do que Jesus Cristo. Ele nos deu um padrão a seguir. Ele viveu em plena harmonia com a vontade de Deus.

Nesta semana, examinaremos o que significa viver pela Palavra do Senhor e sob sua autoridade divina.

Domingo, 21 de junho
Ano Bíblico: Sl 40-45
A Palavra viva de Deus e o Espírito Santo

É muito importante estudar a Palavra de Deus com atenção e com o método apropriado. Porém, igualmente importante, talvez até mais, é colocarmos em prática o que aprendemos. O objetivo supremo de nosso estudo da Bíblia não é adquirir um conhecimento superior, por mais maravilhoso que isso seja. Não se trata do nosso domínio profundo da Palavra de Deus, mas do controle da Palavra de Deus sobre nós, mudando nossa vida e nossa maneira de pensar. Isso é o que realmente importa. Estar disposto a viver a verdade aprendida significa estar disposto a se submeter a essa verdade bíblica. Essa escolha às vezes envolve uma luta intensa, pois estamos travando uma batalha a respeito de quem terá a supremacia em nosso pensamento e em nossa vida. E, no fim, há apenas dois lados para escolher.

1. Leia Filipenses 2:12-16. Como devemos viver? Assinale a alternativa correta:

A. ( ) De modo irrepreensível, obedecendo e preservando a Palavra de Deus.
B. ( ) De acordo com nossas convicções e gostos pessoais.

Evidentemente, Deus atua em nós, mas Ele o faz mediante o Espírito Santo, o único que nos dá a sabedoria para compreender as Sagradas Escrituras. Além disso, como seres humanos pecaminosos, muitas vezes nos opomos à verdade de Deus e, se deixados por nossa conta, não obedeceríamos à Palavra do Senhor (Rm 1:25; Ef 4:17, 18). Sem o Espírito Santo, não há afeição pela mensagem de Deus. Não há esperança, confiança nem amor em resposta à verdade. Por meio do Espírito Santo, Deus realmente “efetua em [nós] tanto o querer como o realizar” (Fp 2:13).

O Espírito Santo é um professor que deseja nos conduzir a uma compreensão mais profunda das Escrituras e a uma alegre apreciação da Palavra de Deus. Ele traz as verdades da Palavra à nossa atenção e nos dá novas percepções sobre elas, para que nossa vida seja caracterizada pela fidelidade e obediência amorosa à vontade de Deus. “Ninguém é capaz de explicar as Escrituras sem o auxílio do Espírito Santo. Mas quando tomamos a Palavra de Deus com o coração humilde e dócil, os anjos de Deus estarão ao nosso lado para impressionar-nos com as evidências da verdade” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 411). Assim, as coisas espirituais são interpretadas espiritualmente (1Co 2:13, 14) e somos capazes de obedecer alegremente às Escrituras “todas as manhãs” (Is 50:4, 5).

Segunda-feira, 22 de junho
Ano Bíblico: Sl 46-50
Aprendendo de Jesus

Não há exemplo melhor e mais inspirador a seguir do que Jesus. Ele estava familiarizado com as Escrituras e disposto a obedecer à Palavra escrita de Deus e a cumpri-la.

2. Leia Lucas 4:4, 8, 10-12. Como Jesus usou as Escrituras para combater as tentações de Satanás? Por que as Escrituras devem ser centrais à nossa fé, especialmente em tempos de tentação?

______________________________________

Jesus conhecia bem as Escrituras. Ele estava tão intimamente familiarizado com a Palavra de Deus que poderia citá-la de memória. Essa intimidade com a Palavra escrita era resultado de precioso tempo de qualidade com o Senhor no estudo das Escrituras.

Se Ele não conhecesse as palavras exatas das Escrituras e o contexto em que elas aparecem, poderia facilmente ter sido enganado pelo diabo, que citou as Escrituras e as usou para seus propósitos enganadores. Portanto, apenas ser capaz de citar a Bíblia, como o diabo fez, não é suficiente. Além de um texto específico, é preciso saber o que outras passagens das Escrituras têm a dizer sobre um assunto e conhecer seu significado correto. Somente essa familiaridade com a Palavra do Senhor nos ajudará, como ocorreu com Jesus, a não ser enganados pelo adversário de Deus, mas resistir aos ataques de Satanás. Por diversas vezes, vemos Jesus abrindo a mente de Seus seguidores para que compreendessem as Escrituras, dirigindo a atenção deles ao que “está escrito” (Lc 24:45, 46; Mt 11:10; Jo 6:45; etc.). Ele compreendia que os que liam as Escrituras podiam chegar a um entendimento correto de seu significado: “Que está escrito na Lei? Como interpretas?” (Lc 10:26). Para Jesus, o que está escrito na Palavra de Deus é a norma pela qual devemos viver.

Em João 7:38, Jesus, o Verbo de Deus encarnado, encaminhou Seus seguidores às palavras das Escrituras. Unicamente por meio da Bíblia sabemos que Jesus é o Messias prometido. As Escrituras testificam Dele (Jo 5:39). O próprio Jesus estava disposto a cumprir a Bíblia, a Palavra escrita de Deus. Se Ele estava disposto a fazer isso, nós deveríamos fazer algo diferente?

Qual tem sido sua experiência com o uso do Escrituras em sua batalha contra a tentação? Isto é, quando tentado, você começa a ler a Bíblia ou a citar as Escrituras? Qual tem sido o resultado dessa experiência e o que você tem aprendido com ela?
Vá para as suas atividades de hoje com a clara convicção de que você é um representante de Cristo na Terra.
Terça-feira, 23 de junho
Ano Bíblico: Sl 51-55
Jesus versus as Escrituras?

3. Que mensagem poderosa Jesus nos apresentou em João 5:45-47 sobre Sua relação com a Bíblia? Assinale a alternativa correta:

A.( ) É impossível harmonizar o Messias com as Escrituras.
B.( ) Jesus e os escritos de Moisés estão intimamente relacionados.

Algumas pessoas afirmam que, ao falar, Jesus colocava Suas palavras em claro contraste com as palavras das Escrituras, como as encontramos no Antigo Testamento. Essas pessoas declaram que as palavras de Cristo estão até mesmo acima das palavras da Bíblia.

No Novo Testamento, Jesus disse: “Ouvistes que foi dito [...] Eu, porém, vos digo...” (Mt 5:43, 44; compare com Mt 5:21, 22, 27, 28, 33, 34, 38, 39). Quando disse essas famosas palavras no Sermão da Montanha, Ele não tentou abandonar nem abolir o Antigo Testamento, como alguns afirmam. Em vez disso, Ele respondeu a várias interpretações das Escrituras e às tradições orais usadas por alguns estudiosos de Sua época para justificar comportamentos em relação a outras pessoas, como odiar os inimigos (Mt 5:43), entre outras coisas que Deus não tolerava nem nunca ordenou.

Jesus não aboliu o Antigo Testamento nem diminuiu sua autoridade em nenhum grau. O oposto é verdadeiro. O Antigo Testamento, de fato, prova quem Ele é. Cristo intensificou o significado das declarações das Escrituras, mostrando-nos as intenções originais de Deus.

Usar a autoridade de Jesus para desqualificar a Bíblia ou denegrir partes da Palavra como se não fossem inspiradas talvez seja uma das mais sutis, e ainda mais perigosas, críticas às Escrituras, visto que ela é feita exatamente no nome de Jesus. Cristo reconheceu a grande autoridade das Escrituras, que, em Seus dias, consistiam apenas no Antigo Testamento. Que outras evidências necessitamos de como também devemos considerar o Antigo Testamento?

Longe de enfraquecer a autoridade das Escrituras, Jesus constantemente as defendeu como um guia confiável e fidedigno. Ele afirmou claramente no mesmo Sermão da Montanha: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5:17). Em seguida, Ele disse que todo “aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos Céus” (Mt 5:19).

Quais doutrinas importantes estão fundamentadas no Antigo Testamento? Por exemplo, a criação (Gn 1 e 2) e a queda (Gn 3). Quais outras verdades cristãs cruciais encontradas no Antigo Testamento são posteriormente ampliadas no Novo Testamento?
Quarta-feira, 24 de junho
Ano Bíblico: Sl 56-61
Horas tranquilas com a Palavra de Deus

A vida tende a ser agitada e repleta de tensão e estresse. É preciso trabalhar duramente para garantir a sobrevivência e colocar comida na mesa. Outras vezes, mesmo quando as nossas necessidades básicas são supridas, vivemos no corre-corre porque queremos cada vez mais. Desejamos as coisas que julgamos que nos farão felizes e satisfeitos. Mas, como Salomão nos adverte no livro de Eclesiastes, isso nem sempre acontece.

Seja qual for a razão, podemos estar muito ocupados e, portanto, é muito fácil, em meio à agitação, não dar lugar a Deus. Não é que não creiamos, mas apenas não passamos tempo de qualidade lendo, orando e ­aproximando-nos do Senhor, em cuja mão está nossa vida (Dn 5:23). Podemos estar muito distraídos com outras coisas para passar um tempo de qualidade com Deus. Todos precisamos de momentos em que deliberadamente desaceleramos para encontrar nosso Salvador, Jesus. Como o Espírito Santo pode falar conosco se não paramos para ouvi-Lo? A hora especial tranquila com Deus, na leitura de Sua Palavra e na comunicação da oração, é a fonte da nossa vida espiritual.

4. Leia o Salmo 37:7; 46:10; 62:1, 2, 5. O que esses textos nos ensinam sobre as horas tranquilas com Deus? Por que elas são tão importantes?

__________________________________

Se amamos alguém, certamente gostamos de passar tempo a sós com essa pessoa amada. Devemos escolher um lugar em que possamos ler e refletir sobre a Palavra de Deus sem interrupções. Em nossa vida frenética, isso só terá sucesso se reservarmos deliberadamente um tempo específico para esse encontro. Muitas vezes, o começo do dia é melhor para esses minutos de quietude e reflexão. Esses momentos, antes do início da jornada de trabalho, podem se tornar uma bênção para todo o restante do dia, pois os pensamentos valiosos que recebemos nos acompanharão por muitas horas. Mas sejamos criativos para encontrar o tempo de qualidade que é necessário para estarmos com Deus, sem interrupção.

Permanecer conectados com o Deus vivo da Bíblia por meio da oração impacta nossa vida como nada mais pode fazer. Por fim, isso contribui para que nos tornemos mais semelhantes a Jesus.

Você é intencional em buscar um tempo a sós com o Senhor? Como são esses momentos e como estes o ajudam a conhecer melhor a realidade divina e o amor de Deus?
Sempre que possível, leve a Bíblia para as suas atividades e medite em suas palavras ao longo do dia.
Quinta-feira, 25 de junho
Ano Bíblico: Sl 62-67
Memória e canção

Guardo no coração as Tuas palavras, para não pecar contra Ti” (Sl 119:11).

Memorizar as Escrituras traz bênçãos multiplicadas. Quando guardamos preciosas passagens da Palavra de Deus em nossa mente, podemos reviver o que foi memorizado e aplicá-lo em circunstâncias novas e variáveis. Dessa maneira, a Bíblia impacta diretamente nosso pensamento e nossas decisões e influencia nossos valores e comportamento. Memorizar as Escrituras traz a Bíblia à vida em nossa experiência diária. Além disso, nos ajuda a adorar a Deus e a ter uma vida fiel de acordo com a Palavra.

Memorizar as Escrituras, palavra por palavra, é uma tremenda salvaguarda contra enganos e falsas interpretações. Memorizar a Bíblia nos habilita a citá-la, mesmo quando não a temos à disposição. Isso pode se tornar um tremendo poder para o bem em situações em que surgem tentações ou quando nos deparamos com desafios adversos. Relembrar as promessas de Deus e fixar nossa mente em Sua Palavra, e não em nossos problemas, eleva nossos pensamentos a Deus, que tem mil maneiras de ajudar quando não vemos nenhuma.

5. Leia Efésios 5:19 e Colossenses 3:16. De que maneira cantar a Palavra de Deus firma e fortalece as Escrituras em nossa mente?

_____________________________________

Cantar as palavras da Bíblia também pode ser uma forma poderosa de memorizar o texto das Escrituras. No cântico, as palavras da Bíblia são mais facilmente lembradas. Combinar as palavras das Escrituras com belas melodias faz com que elas fiquem ancoradas em nossos pensamentos com maior firmeza e será um meio eficaz de dissipar nossa ansiedade. As passagens bíblicas relacionadas às melodias simples, mas harmoniosas, podem ser facilmente cantadas e memorizadas por crianças e adultos. As Escrituras foram a inspiração para numerosos e mundialmente famosos oratórios, sinfonias e outras músicas que moldaram e influenciaram a cultura cristã ao longo dos séculos. Composições que elevam nossa mente e direcionam nossos pensamentos a Deus e à Sua Palavra são uma maravilhosa bênção e influência positiva em nossa vida.

“A música faz parte da adoração a Deus nas cortes do Céu, e em nossos cânticos de louvor devemos tentar nos aproximar o máximo possível da harmonia do coro celestial” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 594).

Sexta-feira, 26 de junho
Ano Bíblico: Sl 68-71
Estudo adicional

Texto de Ellen G. White: Caminho a Cristo, p. 93-104 (“O Privilégio de Falar com Deus”).

“O olho natural nunca pode contemplar a beleza e atração de Cristo. Somente a iluminação interior do Espírito Santo, revelando à pessoa seu verdadeiro desamparo e desesperada condição, sem a misericórdia e perdão de Cristo – o todo-suficiente portador de nossos pecados – pode capacitar o homem a discernir Sua infinita misericórdia, Seu imensurável amor, benevolência e glória” (Ellen G. White, Olhando Para o Alto, p. 155).

“Partes das Escrituras, até mesmo capítulos inteiros, podem ser memorizadas, a fim de ser repetidas quando Satanás vier com suas tentações [...]. Ao levar a mente a demorar-se em coisas terrestres e sensuais, Satanás é mais eficazmente resistido com um ‘Está escrito’” (The Advent Review and Sabbath Herald [“Revista Adventista e Arauto do Sábado”], 8 de abril de 1884).

Perguntas para consideração

1. Como a realidade da livre escolha influência nossas decisões relativas à fé e à obediência? Embora muitas áreas da vida estejam fora do nosso controle, as coisas essenciais (que pertencem à vida eterna) estão sob nosso domínio e liberdade de escolha. O que temos feito com o livre-
arbítrio que Deus nos deu? Quais têm sido nossas escolhas espirituais?

2. Pense na função que o sábado pode e deve desempenhar ao nos conceder a oportunidade de passar horas tranquilas com Deus. A guarda do sábado ajuda a evitar que o trabalho e as coisas da vida nos impeçam de passar o tempo necessário com o Senhor? Como aproveitar mais o sábado como a bênção espiritual que ele deve ser?

3. Qual tem sido sua experiência a sós com Deus em oração e estudo? Como essa prática espiritual afeta sua fé? Na classe, se você se sentir à vontade, fale sobre seus momentos pessoais de leitura e oração e o que você ganhou com eles. Como os outros podem se beneficiar do que você aprendeu?

4. Quais textos favoritos você memorizou? Por que você gosta tanto deles? Em que sentido memorizá-los foi uma bênção para você?

Respostas e atividades da semana: 1. A. 2. Jesus lutou contra as tentações do diabo no deserto por meio da Palavra de Deus, o “Assim diz o Senhor”. Ele costumava dizer: “Está escrito.” Sem as Escrituras, nossa fé é enfraquecida. 3. B. 4. Deus nos convida a nos aquietarmos e não nos preocuparmos com os ímpios nem com os problemas da vida. 5. Por meio de hinos, salmos e canções memorizamos as Palavras do Senhor e nossa fé é fortalecida.

Resumo da Lição 13
Vivendo pela Palavra de Deus

Textos-chave: Tg 1:22; Lc 4:4, 8, 10-12; Jo 5:46, 47; 1Co 2:12-14; Fl 2:13; Sl 37:7; 46:10; 62:1, 2, 5; 119:11

Esboço

Neste trimestre, estudamos vários princípios de interpretação bíblica. Mas os melhores princípios hermenêuticos não valerão nada se não conduzirem a uma alegre prática da mensagem bíblica. A explicação das Escrituras não é apenas um exercício intelectual. O objetivo de qualquer estudo da Bíblia é mais do que adquirir conhecimento. Se for feito corretamente, levará à obediência do coração, que é mais profunda e significativa do que apenas a conformidade externa e deve gerar alegre fidelidade à vontade divina. Não devemos apenas crer nas verdades contidas nas Escrituras, mas vivê-las na prática. Tal resposta à mensagem bíblica é possível somente por meio da obra transformadora do Espírito Santo, que traz as palavras das Escrituras para uma nova vida. Ele desperta em nós o desejo de abraçar essas verdades e segui-las de coração e mente. O melhor exemplo dessa resposta às Escrituras é encontrado em Jesus Cristo, que nos mostrou como lidar com a Palavra de Deus e implementá-la na vida. O Salvador nunca anulou as Escrituras, mas sempre as apontou como a norma autorizada até para Suas palavras. Ele também nos deu exemplos ao passar horas tranquilas em solidão com a Palavra de Deus. Esse hábito é algo que precisamos recuperar intencionalmente em nosso mundo agitado. Também podemos usufruir das Escrituras quando as memorizamos. Muitas vezes, cantar as palavras das Escrituras faz com que as fixemos na mente e no coração, e isso nos encoraja.

COMENTÁRIO

A Palavra viva de Deus e o Espírito Santo

A Bíblia deixa claro que o ser humano em seu estado pecaminoso e decaído é espiritualmente cego e não aceita as coisas de Deus, pois são tolices para ele. Ele nem consegue entendê-las, pois precisam ser discernidas espiritualmente (1Co 2:14). Mesmo se quiséssemos entender claramente o significado óbvio das palavras das Escrituras, não teríamos o desejo de segui-las sem a obra transformadora do Espírito Santo em nosso coração. Ele inspirou os escritores da Bíblia a escrever a verdade que Deus lhes revelou (ver 2Pe 1:19-21; 2Tm 3:16). Mas ter a inspirada Palavra de Deus não é suficiente. Ela também deve ser adotada, aplicada e implementada em nossa vida. Sem o Espírito Santo, não teremos apreço pela mensagem divina e nenhum desejo de obedecer-lhe. Sem Ele, não demonstraremos fé, esperança nem amor em resposta à Palavra de Deus.

O Espírito nos permite ver o significado espiritual e existencial da Palavra das Escrituras para nossa vida (ver 1Co 2:12, 14, 15; Ef 1:17-19; Sl 119: 8). O Espírito Santo continua a falar às pessoas através da Bíblia, dando vida à Palavra Escrita de Deus. Assim, a letra morta do livro bíblico se torna a Palavra viva de Deus, que é mais afiada do que uma espada de dois gumes (Hb 4:12), cortando o mais íntimo do nosso ser e transformando nossa vida à luz das suas verdades. Várias passagens bíblicas indicam que a tarefa do Espírito Santo é colocar Jesus Cristo em destaque, enaltecendo o Filho de Deus e o que Ele fez por nós (ver Jo 15:26; 1Jo 4: 2, 3). 

Em que aspecto o Espírito Santo já lhe ajudou a obedecer às palavras das Escrituras?

Aprendendo de Jesus

Ao acolhermos a Palavra das Escrituras como confiável e verdadeira, somos levados pelo Espírito a aceitar a Palavra viva de Deus, Jesus Cristo, como nosso Salvador e Senhor e como o exemplo mais elevado a ser imitado. Podemos aprender muito com a maneira pela qual Jesus usou as Escrituras. Ele estava intimamente familiarizado com tudo o que elas tinham a dizer e foi capaz de citar as palavras exatas quando foi tentado pelo diabo (Mt 4:4, 7, 10). Seu conhecimento da Palavra divina O protegeu de ser enganado pelo uso seletivo de passagens bíblicas. Para Ele as Escrituras não podem falhar (Jo 10:35). Toda a Escritura é sagrada para Cristo. Por isso, o Senhor Se referiu repetidamente ao que está escrito nela (ver Lc 24:45, 46; Mt 11:10; Jo 6:45; 7:38).

De que maneira o exemplo de Jesus o inspira a conhecer melhor a Palavra divina? Como você pode se familiarizar mais com a Bíblia? Em que áreas você precisa tornar a Bíblia a norma para sua vida e segui-la fielmente?

Jesus versus as Escrituras?

Atualmente, ouve-se com frequência que existe uma suposta dicotomia entre o “evangelho e a doutrina”. Pode parecer estranho sugerir uma contradição e até um antagonismo entre Jesus e a Bíblia. Mas na história da igreja, houve repetidas tentativas de lançar Cristo contra as Escrituras elevando-O como a norma de interpretação em detrimento do que a Bíblia declara. Por fim, alguns até usam Jesus para julgar as Escrituras e anular alguma passagem. Talvez o exemplo mais famoso seja encontrado no conhecido princípio de Martinho Lutero, pelo qual ele julgou as Escrituras: “Todos os genuínos livros sagrados admitem que todos eles pregam e inculcam [treiben] a Cristo. E esse é o verdadeiro teste pelo qual julgar todos os livros: observar se inculcam a Cristo” (Martinho Lutero, Luther’s Works, v. 35: Word and Sacrament I, Preface to the New Testament [“Obras de Lutero, v. 35: Palavra e Sacramento I, Prefácio ao Novo Testamento”], ed. E. Theodore Bachmann e Helmut T. Lehmann. Philadelphia: Fortress Press, 1976, p. 396).

Assim, as Escrituras devem ser interpretadas a favor de Cristo, não contra Ele. Na opinião de Lutero, a Palavra pessoal (Cristo) está acima da Palavra falada (evangelho) e da Palavra escrita (Escrituras). Essa abordagem significa que, embora as Escrituras sejam rainha, Cristo é Rei, acima das Escrituras! Se uma passagem delas parece estar em conflito com a visão de Lutero sobre Cristo, sua interpretação cristocêntrica se torna uma crítica das Escrituras centrada no evangelho, em que o conteúdo sagrado é criticado em nome de Cristo. Assim, o método cristológico de Lutero se tornou uma ferramenta de crítica teológica às Escrituras. Essa distinção e classificação levam a um cânon dentro do cânon, de modo que Cristo Se torna a chave e norma interpretativa da Bíblia. Entretanto, nesse método, algumas partes da Bíblia e até mesmo livros inteiros, como a epístola de Tiago, são relegados à periferia como sendo vazios e sem valor, pois não apontam para Cristo.

A seguinte citação de Lutero ilustra esse aspecto controverso e é particularmente sagaz porque tem a ver com o sábado:

“Resumidamente, Cristo é o Senhor, não o servo, o Senhor do sábado, da Lei e de todas as coisas. As Escrituras devem ser entendidas a favor de Cristo, não contra Ele. Por esse motivo, devem se referir a Ele ou não devem ser consideradas Escrituras verdadeiras. [...] Portanto, se os adversários impõem as Escrituras contra Cristo, recomendamos Cristo contra as Escrituras. Nós temos o Senhor, eles, os servos; nós temos a Cabeça, eles, os pés ou membros, sobre os quais a Cabeça necessariamente domina e tem precedência. Se um deles tivesse que ser abandonado, Cristo ou a Lei, a Lei teria que ser rejeitada, não Cristo. Pois se tivermos Cristo, podemos facilmente estabelecer leis e julgaremos todas as coisas corretamente. De fato, faríamos novos decálogos, como Paulo faz em todas as epístolas, e Pedro, mas acima de tudo Cristo no evangelho. E esses decálogos são mais claros que o decálogo de Moisés, assim como o semblante de Cristo é mais brilhante que o semblante de Moisés (2Co 3:7-11; Martin Luther, Luther´s Works, v. 34: Carrer of the Reformer IV, ed. Hilton C. Oswald e Helmut T. Lehmann [“Obras de Martinho Lutero, v. 34: Caminho do Reformador”], Filadélfia: Fortress Press, 1999, p. 112, 113). Compare essa citação com João 7:38, em que Jesus se refere às Escrituras, e não a Si mesmo como a norma para a fé autêntica.

Horas tranquilas com a Palavra de Deus e memorização das Escrituras

Jesus Se ocupava curando pessoas e pregando as boas-novas o dia inteiro, mas tirava Sua força espiritual de momentos de solidão com qualidade nos quais orava (Mc 1:35) e recordava as promessas das Escrituras. Em nossa vida ocupada e agitada, temos que planejar intencionalmente horas tranquilas para refletir sobre a Palavra de Deus e orar sem ser interrompidos nem importunados. Essas horas tranquilas nos darão força e vitalidade espiritual que nada mais pode proporcionar. Quando estiver lendo as Escrituras em seus momentos de devoção, procure em toda a Bíblia o que é importante para o fortalecimento de sua vida espiritual. Aproveite também esses momentos para suplicar ao Senhor que produza em seu coração o desejo de ler e estudar as partes das Escrituras que sejam menos atrativas para você, de modo que o Espírito Santo o guie você às bênçãos de todas as Escrituras. Quando seus pensamentos começarem a vagar e a se desviar para assuntos sem importância, concentre sua atenção no que Deus fez por você e pratique a concentração espiritual na Palavra do Senhor. Às vezes, cantar um hino espiritual ajuda a concentrar o pensamento e até facilita a lembrança e a memorização das palavras das Escrituras.

Quais horas do dia são as mais tranquilas para você? O que o ajuda a se concentrar na Palavra de Deus e a ter um tempo tranquilo com Jesus? Em que circunstâncias cantar músicas religiosas o ajuda a se lembrar das palavras da Bíblia? Em que sentido você vê vantagens em memorizar partes das Escrituras, e como você pode usar isso para ser uma bênção para os outros?

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Às vezes alguém diz: “Observar a lei bíblica de não comer alimentos impuros não é essencial para a salvação, desde que você acredite em Cristo.” Ou pode dizer: “Se você vive junto com alguém, mesmo que não seja casado, isso não é decisivo para você como cristão, desde que ame a Jesus.” Qual é o perigo de tal linha de argumentação? Por que não é seguro ir contra afirmações claras das Escrituras, mesmo quando isso é feito em nome de Jesus?

Ellen G. White afirmou apropriadamente: “O Espírito não foi dado – nem jamais poderia ser – para sobrepor-Se às Escrituras, pois elas mesmas declaram explicitamente serem a norma pela qual todo ensino e experiência devem ser testados” (O Grande Conflito, p. 9). 

À luz do que estudamos neste trimestre, por que o princípio destacado nessa citação de Ellen White é tão importante? O que você deseja aprender a partir da familiaridade que Jesus tinha com as Escrituras e da Sua maneira de segui-la? Como a Bíblia pode se tornar parte de sua vida e influenciar as suas decisões?

DECIMO TERCEIRO SÁBADO

Programa do Décimo Terceiro Sábado

• Hino Inicial “Deus cuidará de ti”, HA nº 373.

• Boas-vindas Coordenador ou professor da Escola Sabatina

• Oração

• História “O amigo engraxate”

• Ofertas

• Hino Final “Marchando para Sião?”, HA nº 550.

• Hino Final

Nota: O narrador não precisa memorizar a história, mas precisa estar familiarizado com

o assunto para não ler em público.

 

O amigo engraxate

O homem de sapatos brilhantes chamou a atenção de Filip Dmitrov na capital de Chipre, Nicósia. O cheiro de tabaco estava grudado nas roupas e as mãos tremiam devido o alcoolismo. Filip não mencionou nada sobre os sapatos. “Como você está, meu amigo?”, Filip perguntou em Búlgaro. “Você precisa de ajuda?” O homem, Yulian Jankov, pareceu surpreso. Ninguém lhe havia feito essa pergunta há dez anos, desde que se mudou da Bulgária. Foi muito gratificante ouvir alguém demonstrar interesse por ele. Mas ele permaneceu em silêncio.

“Jesus ama a todos nós, não importa a situação que estamos”, Filip continuou falando, “Ele deu Sua vida por nós.” Yulian ficou impressionado ao ouvir falar de Jesus. Filip voltou no dia seguinte. “Como você está, meu amigo?”, perguntou novamente. “Você precisa de alguma ajuda?” Yulian ficou surpreso de que o desconhecido tivesse voltado. Novamente, Filip não pediu para polir seus sapatos. Em vez disso, incentivou-o a não desperdiçar o dinheiro com álcool e cigarros. “Seria mais sensato economizar”, ele disse.

Diariamente, Filip falava com Yulian. Finalmente, eles se apresentaram e começaram a conversar. Yulian disse que trabalhava em construção após chegar com a família em Chipre, mas perdeu o emprego e foi expulso de casa devido o alcoolismo. “Minha família me rejeitou”, disse. “Um a um, até meus amigos mais íntimos me abandonaram.”

Certo dia, Yulian levou o amigo ao prédio abandonado onde dormia. Lágrimas surgiram nos olhos de Filip. Yulian dormia no chão duro. Ele não tinha nada além das roupas que usava. Sua renda era destinada a bebidas alcoólicas e cigarros. “Você foi longe”, Filip disse, gentilmente. “Arruinou a vida e precisa fazer algo sobre isso. Você precisa de ajuda esse voltar para Deus, nada é impossível. Ele o ama.”

Filip começou a conversar sobre Deus e orar por Yulian. Ele percebeu que Filip viu algum valor nele. Começou a ver o amor de Deus em sua vida. Certo dia, Filip disse: “Em pouco tempo você estará com 50 anos e só fez o que agrada Satanás. É hora de entregar a vida a Cristo e Ele o abençoará.” Yulian desejou ser transformado. “Estou pronto para entregar minha vida a Deus”, ele respondeu. Embora tivesse bebido durante 35 anos, ele desistiu do vício naquele dia, bem como abandonou o vício de fumar. Filip e Yulian estudaram a Bíblia juntos. Os dois homens frequentaram um grupo de estudos bíblicos no idioma búlgaro que Filip conduzia em vários lugares em Chipre.

Yulian soube que Filip, búlgaro, era um pregador leigo empregado pela igreja adventista na ilha mediterrânea. Em três anos, oito pessoas haviam sido batizadas através de seu trabalho, um número significativo para um país onde a igreja adventista tem somente 103 membros em uma população de 1,1 milhões habitantes. Yulian ampliou o número de batizados, ao ser mergulhado nas águas do mar Mediterrâneo em 23 de junho de 2018. Após o batismo, coisas boas começaram a acontecer na vida de Yulian. Ele encontrou emprego em uma cozinha de hotel que permitiu folga aos sábados, uma raridade no Chipre. Sua família permitiu que voltasse para casa.

Ele fala a todo que quiser ouvir sobre o amor de Deus. “Desde o dia do meu batismo, não consigo deixar de louvar a Deus pelo que faz na minha vida e o que deseja fazer na vida de cada pessoa”, Yulian disse na entrevista. “Sempre que conheço uma pessoa, gosto de contar minha história. Digo: ‘Se Deus fez isso por mim, pode fazer por você’.”

Parte da oferta do trimestre ajudará na construção de uma igreja e um centro comunitário onde três congregações adventistas se encontrarão na capital do Chipre, Nicósia. Agradecemos pelas ofertas para esse e os outros dois projetos da Divisão Trans-Europeia.

 

Dicas de História

• Assista ao vídeo sobre Filip e Yulian no YouTube: bit.ly/Yulian-Jankov.
• Faça o download de fotos no Facebook (bit.ly/fb-mq) ou banco de dados ADAMS (bit.ly/befriending-shoeshiner).
• Faça o download das fotos dos projetos do trimestre: bit.ly/ted-13th-projects.

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 2º Trimestre de 2020
Tema Geral: Como interpretar as Escrituras
Lição 13 – 20 a 27 de junho

Vivendo pela Palavra de Deus

Autor: Isaac Malheiros
Editor: André Oliveira Santos
Revisora: Rosemara Santos

Os teóricos secularistas previram um processo de abandono da religião (chamado “secularização”), mas eles erraram. O que aconteceu mesmo foi que, em vez de abandonarem a religião, as pessoas empurraram a religião para a periferia da vida. Assim, o evangelho foi marginalizado e considerado de menor importância mesmo entre cristãos.

E o que os cristãos colocam no lugar do evangelho? Um discurso moral, humanista, que se parece com o evangelho, mas não é. Além disso, parece que o conforto e a segurança de uma religião privatizada, individualista, tomou o lugar do “negue-se a si mesmo” e do sacrifício em favor de outros.

Muitos de nós optamos por uma versão domesticada do evangelho. Queremos só o bastante para sermos felizes. Não queremos um evangelho para nos confrontar, apenas para nos confortar. Limitamos a aplicação do evangelho apenas àquele conteúdo que pode me ajudar a educar meus filhos e tornar segura a minha existência. Amar os inimigos? Autonegação? Arrependimento e confissão de pecados? Aí já achamos demais.

Precisamos voltar a permanecer na Palavra de Jesus (Jo 8:31), e guardar, “até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos” (Hb 3:14). Não podemos ser como aqueles descritos na parábola do semeador como “solo rochoso, os quais, ouvindo a Palavra, logo a recebem com alegria. Mas eles não têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração; em lhes chegando a angústia ou a perseguição por causa da Palavra, logo se escandalizam” (Mc 4:16, 17).

O que provocou alegria no apóstolo João foi saber que seus filhos andavam “na verdade” (3Jo 4). Há uma necessidade urgente de recuperarmos a postura apostólica que nos levará a dizer: “não me envergonho do evangelho!” (Rm 1:16).

Viver pela Palavra tem consequências

É impossível viver pela Palavra e levar uma vida indiferente. As duas principais consequências de viver assim são: 1) Atrair perseguição; e 2) Provocar transformações ao nosso redor.

1) Atrair perseguição – Obras como “O Livro dos Mártires” e "The Martyrs' Mirror", do século 17, contam a história de perseguição e martírio dos cristãos em geral, especialmente dos protestantes anabatistas.

Os mártires anabatistas transformavam sua execução numa oportunidade para testemunhar para as multidões que se reuniam para assistir o “espetáculo”. O problema ficou tão sério para os perseguidores que eles começaram a mudar o horário de execuções sem aviso prévio, fazer de madrugada, tocar tambores durante as execuções para abafar a voz dos mártires, etc. Tudo para que a execução não virasse púlpito de pregação!

Historicamente, aqueles que procuravam viver pela Palavra atraíram a perseguição religiosa, estatal ou individual, promovida por religiões estatais ou pela "violência revolucionária" ateísta. Não podemos nos enganar: um dos resultados de viver pela Palavra pode ser a angústia, os insultos, a perseguição e, talvez, a morte violenta.

E como reagiremos a isso? Curiosamente, há uma ordem bíblica para que os cristãos também promovam uma perseguição: "persigam a paz com todos" (Hb 12:14). É o mesmo verbo usado para descrever a perseguição que os cristãos sofrem (Mt 5:10-12, 44, etc). No Novo Testamento, esse verbo é usado para autorizar o cristão a promover a perseguição da paz, do bem, do amor, da perfeição, da justiça, etc. Esse é o tipo de perseguição que os cristãos devem promover.

Se há um grupo que sabe o que é sofrer perseguição religiosa é o cristianismo. 75% da perseguição religiosa mundial é contra cristãos. Mesmo com a islamofobia crescente, os cristãos continuam sendo os mais perseguidos. Mas não importa. Lutar pela liberdade religiosa até daqueles de quem discordamos faz parte de nossa missão:

"A bandeira da verdade e da liberdade religiosa levantada pelos fundadores da igreja cristã e pelas testemunhas de Deus durante os séculos decorridos desde então foi entregue em nossas mãos neste último conflito. A responsabilidade por esse grande dom está sobre aqueles a quem Deus abençoou com o conhecimento de Sua Palavra" (Atos dos apóstolos, p. 68, 69).

2) Provocar transformações ao redor – Já vimos nas primeiras lições como a Bíblia influenciou a cultura e a sociedade. A Bíblia possibilitou o nascimento da ciência e das universidades, dos hospitais e centros de caridade. A Bíblia influenciou positivamente a literatura, a educação, a arquitetura, as artes, a linguagem, o direito e até a tecnologia. A Bíblia inspirou e motivou movimentos que melhoraram muito a vida de crianças e mulheres. Foi a principal fonte inspiradora da luta abolicionista e do Movimento dos Direitos Civis, de Martin Luther King. O próprio conceito de direitos humanos encontra raízes na Bíblia.

Diversas conquistas culturais e produções artísticas foram inspiradas na Bíblia, e a influência da Bíblia sobre a sociedade é indiscutivelmente positiva. Sem a Bíblia, o mundo seria completamente diferente - provavelmente, seria muito pior.

Foi o temor de Deus que motivou homens e mulheres a reformarem códigos penais, a dar início a organizações de trabalhadores explorados, transformar prisões e libertar crianças do trabalho nas minas. Esses homens e mulheres colocavam o evangelho em primeiro lugar, e a consequência natural disso foi a transformação social. Foi a partir da Bíblia que eles estabeleceram suas agendas, não a partir da cultura ou das ideologias.

Toda essa linda herança tem sido criticada e até negada por influência de filosofias modernas e pós-modernas. As novas gerações desconhecem esse legado, ou têm ouvido uma versão crítica (e, por vezes, distorcida) da história, na qual a Bíblia e o cristianismo são apresentados sempre como vilões.

Viver pela Palavra sempre transborda em testemunho, evangelismo e promoção de justiça. É a única maneira de sermos luz do mundo e sal da terra. Viver pela Palavra é o único modo de fazer com que os homens vejam as nossas boas obras e glorifiquem a Deus.