Sempre amei a casa da vovó. Nós, crianças, passávamos semanas inteiras na casa dela durante os verões. Minhas duas irmãs mais novas e eu dormíamos juntas em uma cama dupla, enorme e antiga, que ficava no “quarto do meio” na parte de cima da casa.
Minha avó, mãe da minha mãe, era uma jardineira dedicada e cultivava flores coloridas em seus jardins, na parte da frente e atrás da casa. No primeiro piso, passando pelas portas francesas com painéis de vidro, eu gostava de ficar na sala com uma visão agradável da sala de jantar. Tudo era organizado e limpo, repleto de enfeites e decorações, demonstrando sua competência como faxineira aposentada. A vovó também tinha sido cabeleireira profissional e, às vezes, cuidava do cabelo das minhas irmãs e do meu, alisando e cacheando.
A vovó amava beisebol. Seu rádio transmitia a empolgação de radialistas esportivos, cujas vozes eram, muitas vezes, abafadas pelos gritos de celebração da vovó devido a seus heróis do beisebol, como Jackie Robinson, Hank Aaron ou Willie Mays, quando seus times estavam jogando. Contudo, sua vida nem sempre foi feliz. Ela havia fugido da Geórgia para Detroit, Michigan, durante uma época que hoje é chamada pelos cientistas de A Grande Migração (em que afro-americanos migraram do sul), logo após um de seus familiares ter sido impiedosamente linchado.
Pessoas mais novas se perguntam como esses migrantes sobreviveram aos traumas pelos quais passaram. Sei que um deles, Mattie Mae Peoples, minha avó, tinha um costume, que devo admitir ter adotado agora que passei dos 70 anos de idade. Toda manhã, a primeira coisa que eu ou-
via era ela clamando em seu quarto “Senhor Jesus!” ou “Senhor, tenha misericórdia!” assim que ela acordava. Agora, também percebo que não consigo ter a força de que preciso para me levantar ou organizar meus pensamentos até que eu verbalmente saúde meu Salvador.
Valorizo a conexão da vovó com o Deus real e vivo. Todos deveriam ter um exemplo assim na vida. Obrigada, Senhor, pelo meu!
Elinor Harvin Burks