“Pentecostes” vem da palavra pent?kost?, o nome grego para a Festa das Semanas (Êx 34:22), também conhecida como a Festa das Primícias (Nm 28:26). O termo significa “quinquagésimo” e deve seu uso ao fato de que a festa era celebrada no quinquagésimo dia a partir da oferta do feixe de cevada, no primeiro dia após a Páscoa. Era um dia de alegria e ação de graças, em que o povo de Israel trazia diante do Senhor os “primeiros frutos da colheita do trigo” (Êx 34:22, NVI).
A festa então se tornou um símbolo apropriado da primeira colheita espiritual da igreja cristã, quando o Espírito Santo foi derramado mais abundantemente do que nunca, e 3 mil pessoas foram batizadas em um único dia (At 2:41). Tendo ocorrido após a ascensão de Jesus e Sua exaltação no Céu, esse derramamento do Espírito foi um acontecimento repentino e sobrenatural, que transformou os apóstolos de galileus simples e desconhecidos em homens de convicção e coragem que mudariam o mundo.
O Pentecostes é muitas vezes tido como a data de nascimento da igreja, a ocasião em que os seguidores de Cristo, judeus e (posteriormente) gentios, foram legitimados como a nova comunidade de Deus na Terra.
Em obediência à ordem de Jesus, os fiéis aguardaram em Jerusalém a promessa do Espírito, em meio a orações fervorosas, arrependimento sincero e louvor. Quando chegou o dia, “estavam todos reunidos no mesmo lugar” (At 2:1), provavelmente o mesmo cenáculo de Atos 1. Mas logo iriam para uma área mais pública (At 2:6-13).
1. Leia Atos 2:1-3. Quais elementos sobrenaturais acompanharam o derramamento do Espírito? Assinale a alternativa correta:
A. ( ) O céu foi aberto, e a multidão viu os anjos cantando hinos de vitória.
B. ( ) Surgiu um som como de vento impetuoso e línguas de fogo.
A cena foi intensa. Primeiramente, houve um estrondo vindo do céu como o de um vento impetuoso que encheu todo o lugar e, em seguida, surgiram o que parecia ser chamas de fogo, que pousaram sobre os que estavam ali.
Nas Escrituras, vento e fogo são frequentemente associados a uma “teofania” ou manifestação divina (por exemplo, Êx 3:2, 19:18 e Dt 4:15). Além disso, vento e fogo também podem ser usados para representar o Espírito de Deus (Jo 3:8; Mt 3:11). No caso do Pentecostes, seja qual for o significado preciso desses fenômenos, eles eram sinais que inauguravam um momento único na história da salvação: o prometido derramamento do Espírito.
O Espírito sempre estivera em atuação. “Durante a era patriarcal, a influência do Espírito Santo tinha sido muitas vezes revelada de maneira muito notável, mas nunca em Sua plenitude. Agora, em obediência à palavra do Salvador, os discípulos faziam suas súplicas por esse dom e, no Céu, Cristo acrescentou Sua intercessão. Ele reclamou o dom do Espírito para que pudesse derramá-lo sobre Seu povo” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 37).
João Batista profetizou que o Messias vindouro batizaria com o Espírito (Lc 3:16; compare com At 11:16), e o próprio Jesus Se referiu a esse batismo diversas vezes (Lc 24:49; At 1:8). O derramamento do Espírito no Pentecostes seria Seu primeiro ato de intercessão diante de Deus (Jo 14:16, 26; 15:26). Nessa ocasião, a promessa foi cumprida.
Embora o batismo do Espírito no Pentecostes tenha sido um evento singular relacionado à vitória de Jesus na cruz e à Sua exaltação no Céu, o ser cheio do Espírito é uma experiência que deve se repetir constantemente na vida do cristão (At 4:8, 31; 11:24; 13:9, 52; Ef 5:18).
Em Atos 2:4, o dom do Espírito se manifestou por meio do ato de falar em línguas. No entanto, esse dom foi apenas uma dentre as muitas diferentes manifestações do Espírito (At 10:45, 46; 19:6). Outras incluem previsão do futuro (At 11:28), visões (At 7:55), pregação inspirada (At 2:8; 28:25), cura (At 3:6, 12; 5:12, 16) e qualificação para o serviço (At 6:3, 5).
O dom de línguas no Pentecostes não ocorreu por ser supostamente a evidência típica ou mais importante da dotação do Espírito. Ele foi manifestado para dar início à missão mundial da igreja. Ou seja, o chamado feito em Atos 1:8 exigia o dom de línguas. Se os apóstolos tinham que atravessar barreiras culturais e alcançar os confins da Terra com o evangelho, eles precisavam ser capazes de falar nos idiomas daqueles que necessitavam ouvir o que eles tinham a dizer.
2. Leia Atos 2:5-12. Qual é a evidência de que, no Pentecostes, os apóstolos falaram em idiomas estrangeiros existentes?
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Estima-se que no primeiro século havia de oito a dez milhões de judeus no mundo, e que até 60% deles viviam fora da Judeia. No entanto, muitos que estavam em Jerusalém para a festa eram originários de terras estrangeiras e não podiam falar aramaico, a língua dos judeus que habitavam na Judeia naquele tempo.
Não há dúvida de que, em sua maioria, os conversos no Pentecostes eram judeus de várias nações que agora podiam ouvir o evangelho em seu próprio idioma nativo. Que os apóstolos falaram em idiomas estrangeiros existentes, e não em línguas extáticas e desconhecidas, é evidenciado pelo termo dialektos, que significa idioma de uma nação ou região (At 2:6, 8; compare com At 21:40; 22:2; 26:14). É evidente, portanto, que eles estavam falando nesses idiomas diferentes. O milagre era que aqueles simples galileus agora podiam falar idiomas que, até horas antes, não conheciam. Para os judeus locais que testemunhavam a cena, mas não estavam familiarizados com tais idiomas, a única explicação possível era que os apóstolos estavam bêbados, proferindo sons estranhos que não faziam sentido para eles. “Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!” (At 2:13).
A acusação de embriaguez deu a Pedro a oportunidade de explicar o que estava acontecendo. Em seu discurso, o apóstolo primeiramente fez alusão às Escrituras (At 2:16-21), descrevendo o derramamento do Espírito como o cumprimento de uma profecia.
3. Compare Atos 2:17 com Joel 2:28. Como Pedro entendeu o tempo do cumprimento da profecia de Joel?
A profecia de Joel tratava da futura era da salvação (Jl 2:32), que seria caracterizada por vários sinais no mundo natural e um abundante derramamento do Espírito (Jl 2:28-31). Ao interpretar o evento do Pentecostes à luz dessa profecia, Pedro pretendia enfatizar a relevância histórica do momento. Mas há uma diferença importante na maneira em que ele citou Joel. Em vez de citar a palavra introdutória “depois”, usada por Joel (Jl 2:28) e que apontava para um futuro indefinido, Pedro disse “nos últimos dias”
(At 2:17), indicando que o ato final no grande drama da salvação havia recém-começado. Certamente, essa não é uma descrição completa dos eventos finais, mas uma evidência do grande senso de urgência que distinguia a igreja primitiva. Eles não sabiam quando o fim viria, mas estavam convencidos de que não demoraria muito.
4. Leia Atos 2:22-32. Qual foi o ponto principal na apresentação de Pedro sobre o evangelho? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
A. ( ) A profecia das 2.300 tardes e manhãs.
B. ( ) A ressurreição de Cristo.
Após destacar o significado profético do Pentecostes, Pedro se voltou para os recentes acontecimentos da vida, morte e ressurreição de Jesus. A ressurreição, no entanto, recebeu maior ênfase, pois representava o fator decisivo na história do evangelho. Para Pedro, a ressurreição era a vindicação suprema de Jesus (At 2:22, 27), e ele citou as Escrituras para provar seu argumento quanto ao significado da ressurreição.
Visto que Jesus era o Messias, Ele não podia ser retido pela morte. Para Pedro e todos os outros escritores do Novo Testamento, portanto, a ressurreição de Jesus se tornou uma evidência poderosa, não apenas de Sua messianidade, mas também de toda a mensagem cristã de salvação.
“Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis” (At 2:33).
Na terceira parte do discurso, Pedro voltou à questão das línguas que, inicialmente, havia atraído as pessoas. Em vez de estarem embriagados, o que teria sido estranho às 9 horas da manhã (At 2:15), os fiéis falavam em línguas porque o Espírito Santo havia acabado de ser derramado do Céu.
5. Leia Atos 2:33-36. Qual é a relação entre a exaltação de Jesus, à destra de Deus, e o derramamento do Espírito?
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A destra de Deus é uma posição de autoridade (Sl 110:1-3). O argumento de Pedro, fundamentado nas Escrituras, era que Jesus derramou o Espírito sobre Seus seguidores porque havia sido elevado a essa posição no Céu. A exaltação não concedeu a Cristo um status que Ele não possuía antes (Jo 1:1-3; 17:5). Em vez disso, ela representou o supremo reconhecimento do Pai de Sua prerrogativa como Senhor e Salvador (At 2:36).
Na verdade, esse evento nos leva a um dos temas mais importantes da Bíblia: o conflito cósmico entre o bem e o mal. A questão é que o Espírito não poderia vir em Sua plenitude se Jesus não fosse exaltado (Jo 7:39), e Jesus não seria exaltado se não tivesse triunfado na cruz (Jo 17:4, 5). Em outras palavras, a exaltação de Cristo era a condição para a vinda do Espírito, pois ela significava a aprovação de Deus da Sua obra na cruz, incluindo a derrota daquele que usurpara o domínio deste mundo (Jo 12:31).
A entrada do pecado no mundo lançara uma sombra sobre Deus. A morte de Jesus era necessária, não só para redimir o ser humano, mas também para vindicar o nome de Deus e expor Satanás como um impostor. No ministério de Cristo, a era da salvação já estava em vigor (Lc 4:18-21). Ao expulsar demônios e perdoar pecados, Ele estava libertando cativos de Satanás. Entretanto, era a cruz que Lhe daria autoridade total para realizar essas coisas. Quando o sacrifício pessoal de Cristo foi autenticado no Céu, Satanás levou um golpe decisivo, e o Espírito estava sendo derramado para preparar um povo para a vinda de Jesus.
As palavras de Pedro compungiram o coração dos ouvintes. É possível que entre eles estivessem alguns que haviam pedido a crucificação de Jesus algumas semanas antes (Lc 23:13-25). Mas naquele momento, convencidos de que Jesus de Nazaré era de fato o Messias designado por Deus, eles clamaram, entristecidos: “Que faremos, irmãos?” (At 2:37).
6. Leia Atos 2:38. Quais são os dois requisitos básicos para receber o perdão? Complete as lacunas:
“Respondeu-lhes Pedro: ________________, e cada um de vós seja ________________ em nome de Jesus Cristo para ________________ dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2:38).
Arrependimento significa mudança radical de direção na vida, afastamento do pecado (At 3:19; 26:20), em vez de simples sentimento de tristeza ou remorso. Juntamente com a fé, o verdadeiro arrependimento é um dom de Deus, mas, como todos os dons, pode ser rejeitado (At 5:31-33; 26:19-21; Rm 2:4).
Desde os dias de João Batista, o arrependimento era associado ao batismo (Mc 1:4). Ou seja, o batismo se tornou uma expressão do arrependimento, um rito que simboliza a lavagem dos pecados e a regeneração moral produzida pelo Espírito Santo (At 2:38; 22:16; compare com Tt 3:5-7).
7. Leia Atos 2:38, 39. Qual promessa especial é dada aos que se arrependem e são batizados?
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As pessoas no Pentecostes receberam não apenas o perdão dos pecados, mas também a plenitude do Espírito para o crescimento pessoal, para o serviço na igreja e especialmente para a missão. Essa foi talvez a maior de todas as bênçãos, pois a principal razão da existência da igreja é compartilhar as boas-novas do evangelho (1Pe 2:9). A partir daquele momento, portanto, eles teriam a certeza da salvação e o poder do Espírito Santo, que lhes capacitaria a cumprir a missão para qual a igreja foi chamada.
O derramamento do Espírito Santo no Pentecostes revelou uma verdade crucial sobre o que ocorreu no Céu e sobre como Deus, o Pai, aceitou o sacrifício de Cristo pelos pecados do mundo. O derramamento do Espírito mostrou, também, que a obra de Jesus no Céu em nosso favor, fundamentada em Seu sacrifício na Terra, foi então iniciada. Esses acontecimentos extraordinários são manifestações adicionais da maravilhosa verdade de que o Céu e a Terra estão ligados de uma maneira que simplesmente não podemos compreender agora.
“A ascensão de Cristo ao Céu foi, para Seus seguidores, um sinal de que estavam para receber a bênção prometida. […] Ao atravessar os portais do Céu, Jesus foi entronizado em meio à adoração dos anjos. Tão logo foi essa cerimônia concluída, o Espírito Santo desceu em abundantes torrentes sobre os discípulos, e Cristo foi, de fato, glorificado com aquela glória que teve com o Pai desde toda a eternidade. O derramamento do Pentecostes foi uma comunicação do Céu de que a confirmação do Redentor havia sido feita. Em conformidade com Sua promessa, Jesus enviou do Céu o Espírito Santo sobre Seus seguidores, em sinal de que Ele, como Sacerdote e Rei, recebera todo o poder no Céu e na Terra, tornando-Se o Ungido sobre Seu povo” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 38, 39).
Perguntas para discussão
1. Com relação ao Pentecostes, o que a igreja pode experimentar hoje? O que pode ser repetido e o que não pode?
2. Pedro fez da ressurreição de Jesus uma parte muito importante de sua mensagem no Pentecostes. O que tornou a ressurreição ainda mais extraordinária foi que, independentemente das expectativas messiânicas judaicas, ninguém naquela época esperava que o Messias fosse ressuscitado dos mortos. Isso nem passava pelo “radar espiritual” deles. Não era o que aqueles que aguardavam a vinda do Messias tinham previsto. Em vez de conhecer os mais recentes ensinamentos populares, nossa maior necessidade não é saber o que a Bíblia ensina?
3. Atos 2:38 fala sobre a necessidade do batismo. Isso significa que quem acreditava em Jesus, mas morreu antes de ser batizado, deve necessariamente estar perdido? Justifique sua resposta.
Respostas e atividades da semana: 1. B. 2. Discuta com os alunos sobre a má compreensão do dom de línguas. Quais passagens as pessoas costumam usar para provar que os apóstolos falaram línguas estranhas e não idiomas existentes? Como explicar essas passagens à luz de Atos 2? 3. Peça a um aluno que leia o texto bíblico e compartilhe sua resposta. 4. F; V. 5. A exaltação de Jesus representava o reconhecimento do Pai e a aceitação das obras de Cristo na cruz. Portanto, Jesus podia cumprir a promessa do derramamento do Espírito. 6. Arrependei-vos – batizado – remissão. 7. O recebimento do Espírito Santo.
TEXTOS-CHAVE: Atos 2:1-13, 22-39; Joel 2:28-32
O ALUNO DEVERÁ
Conhecer: A importância fundamental do Pentecostes.
Sentir: A influência do Espírito Santo em sua vida como indivíduo e na igreja como comunidade.
Fazer: Compartilhar situações reais em que o Espírito Santo enriqueceu sua vida pessoal e comunitária.
ESBOÇO
I. Conhecer: A promessa e o Pentecostes
A. Quais promessas Jesus fez em relação ao Espírito Santo? (Jo 14:15-18; 16:8-14; At 1:8)
B. Como essas promessas foram cumpridas no Pentecostes? (At 2:1-12, 16-21, 38, 39)?
II. Sentir: A preparação e a proclamação
A. Os discípulos se prepararam para receber o Espírito no dia de Pentecostes? De que maneira? (At 2:1, 2)
B. É possível separar o recebimento do Espírito da proclamação da mensagem que Ele nos envia? Explique.
C. No Pentecostes, como o Espírito habilitou os discípulos a proclamar a mensagem que lhes foi dada?
III. Fazer: O poder do Espírito e a colheita
Quando o plano da redenção é pregado mediante o poder do Espírito Santo, que tipo de resultado pode ser esperado? (At 2:36-41)
RESUMO
No Pentecostes, quando os discípulos se reuniram unanimemente em estudo e oração, Deus derramou sobre eles o Espírito Santo. Como podemos experimentar esse derramamento do Espírito hoje?
Ciclo do aprendizado
1 Motivação
Focalizando as Escrituras: Atos 2:38
Conceito-chave para o crescimento espiritual: Embora o Pentecostes não tenha sido o primeiro derramamento do Espírito Santo sobre o povo de Deus, nunca devemos esquecer que esse derramamento representa um evento poderoso na história da redenção. O Jesus ressuscitado passou 40 dias com Seus discípulos, ensinando-lhes sobre o significado da cruz e do túmulo vazio, sobre o cumprimento da promessa de que Ele não desampararia Seus seguidores após Sua ascensão (Jo 14:16, 17), e sobre o derramamento do Espírito para que cumpríssemos a grande comissão evangélica (Mt 28:19, 20; At 1:8). O Espírito que esteve presente na criação e na experiência do novo nascimento (Jo 3:5) é o mesmo que concluirá a comissão do evangelho.
Para o professor: Embora o Pentecostes seja um evento importante na história da igreja, não devemos cometer o erro de presumir que a obra do Espírito tivesse começado apenas naquele dia. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito são eternamente presentes, coeternos, coexistentes e iguais. Quando Deus disse: “Façamos o homem à Nossa imagem” (Gn 1:26), Ele Se referiu à pluralidade de três Pessoas e à singularidade de propósito. Quando Paulo declarou: “Toda a Escritura é inspirada por Deus” (2Tm 3:16), ele se referiu ao papel ativo do Espírito Santo na Palavra escrita de Deus. Da criação ao novo céu e à nova Terra, os três membros da Divindade foram e são participantes ativos. Nesta semana, a Lição enfatiza como o Espírito opera tanto no discípulo individualmente quanto na comunidade dos fiéis. Lucas menciona o Espírito Santo cerca de 55 vezes no livro de Atos, levando alguns estudiosos a descrever o livro como “o evangelho do Espírito Santo”. A igreja primitiva era de fato uma igreja cheia do Espírito. Assim também deve ser a igreja de hoje.
Discussão: A partir do Pentecostes, o Espírito Santo Se tornou a irresistível realidade da vida e do ministério da igreja. Peça a alguns alunos que escolham uma das seguintes passagens e indiquem como o Espírito guiou a obra da igreja:
At 2:14-21
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At 4:31
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At 8:29
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At 10:19; 11:12
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2 Compreensão
Para o professor: Embora fosse um gentio, Lucas tinha uma elevada compreensão da história, das leis e costumes judaicos. Portanto, em seu relato sobre os primórdios da igreja cristã, Lucas teve por fundamento as festas do Antigo Testamento: a Páscoa e o Pentecostes. A Páscoa comemora a divina libertação de Israel da escravidão egípcia (Êx 12:1-28; Lv 23:5-8), e o Pentecostes é uma festa de gratidão a Deus pelas primícias (Êx 34:22; Nm 28: 26) e pela colheita (Êx 23:16). O Novo Testamento interpreta que a Páscoa foi cumprida na cruz: “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado” (1Co 5:7). O Novo Testamento também entende que o Pentecostes, que ocorria 50 dias após a Páscoa/crucificação, foi cumprido nos eventos de Atos 2, quando a vinda do Espírito Santo produziu a primeira grande colheita de 3 mil pessoas (At 2:41). O estudo desta semana deve reforçar três aspectos do Espírito Santo: (1) a preparação para o recebimento do Espírito; (2) a pregação cheia do Espírito; (3) e os resultados dessa pregação.
Comentário bíblico
I. Preparação para o recebimento do Espírito
(Recapitule com a classe At 2:1-13.)
Após Sua ressurreição, Jesus passou 40 dias com os discípulos, “falando das coisas concernentes ao reino de Deus” (At 1:3). O tempo deles com Jesus foi talvez o período de preparação mais intenso para os discípulos – para conhecerem mais sobre o evangelho e sobre a missão de levar o evangelho até os confins da Terra. Jesus “determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai” (At 1:4). Sem o recebimento do Espírito, o evangelismo é vazio e fútil. Por isso, havia necessidade de preparação: “Esses dias de preparo foram de profundo exame de coração. Os discípulos sentiram sua necessidade espiritual, e suplicaram do Senhor a santa unção que os devia capacitar para a obra da salvação [...]. Sentiam a responsabilidade que pesava sobre eles. Compreendiam que o evangelho devia ser proclamado ao mundo e clamavam pelo poder que Cristo havia prometido” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 37).
Os discípulos esperaram, oraram e estudaram as Escrituras. Então, de repente, no dia de Pentecostes, o Espírito desceu quando estavam todos reunidos em um só lugar, em oração e com um só propósito (At 2:1). O Espírito de Deus, como “um vento impetuoso”, encheu a casa e “todos ficaram cheios do Espírito Santo” (At 2:2, 4). Com a vinda do Espírito, todos os dias que os discípulos tinham passado com Jesus – todos os seus questionamentos, a cruz, o túmulo vazio – foram imbuídos de um significado mais profundo.
Pense nisto: Um incidente surpreendeu e deslumbrou a multidão que tinha vindo de diferentes partes do mundo e estava reunida em Jerusalém: cada grupo ouviu os discípulos pregarem em seu próprio idioma (At 2:7, 8). Pelo menos 16 desses grupos linguísticos foram identificados em Atos 2:9-11. O que você entende por esse “dom de línguas”? (Compare com 1Co 14).
II. Pregação cheia do Espírito
(Recapitule com a classe At 2:14-19.)
O primeiro sermão da igreja cristã, registrado em Atos 2:14-39, apresenta três elementos essenciais da pregação: inspiração, fundamento e conteúdo.
A inspiração para pregar continua sendo hoje a mesma do Pentecostes: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar” (At 2:4). Sem a capacitação do Espírito, sem o compromisso pleno com a Palavra inspirada por Ele, nenhuma pregação real pode ocorrer. O poder do Espírito capacitou Pedro a pregar seu primeiro sermão. Um pregador não é fruto de sua erudição, eloquência, habilidade nem riqueza, mas do Espírito. Um sermão é um milagre realizado pelo Espírito; tem origem no compromisso com as Escrituras, e é expresso por meio de humildes lábios de barro.
O fundamento de todo sermão é a Palavra de Deus. Quase 50% do sermão de Pedro em Atos 2 são citações do Antigo Testamento. Um sermão que não nasce da Bíblia não pode tornar viva a Palavra diante da congregação. Sem a Palavra inspirada, como poderíamos falar sobre o Verbo encarnado? Um sermão deve começar com esse entendimento e se fundamentar firmemente na revelação de Deus. Essa perspectiva bíblica, iluminada pelo Espírito Santo, levou os apóstolos a relacionar o que estava acontecendo naquele dia à profecia de Joel. “Isto é o que foi dito pelo profeta Joel”, Pedro proclamou (At 2:16, ARC). A pregação deve ser capaz de ligar o presente ao passado e, em seguida, apontar para o futuro.
O conteúdo do sermão deve ser sempre Jesus – o Cristo encarnado, crucificado, ressuscitado, que foi elevado às alturas e em breve retornará. Para os seguidores de Jesus, não havia dúvida quanto a isso: “Os discípulos deviam levar avante sua obra no nome de Cristo. Cada uma de suas palavras e cada ato devia atrair a atenção sobre Seu nome como possuindo esse poder vivificante pelo qual os pecadores podem ser salvos [...]. O nome de Cristo devia ser a senha, a insígnia, o laço de união, a autoridade para seu curso de ação e a fonte de seu sucesso” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 28).
Pense nisto: O sermão de Pedro frequentemente se refere a “este Jesus”. Como o apóstolo usou essa expressão para convencer seu público?
III. Os resultados da pregação cheia do Espírito
(Recapitule com a classe At 2:38-42.)
A pregação eficaz, cheia do Espírito, deve levar os ouvintes a um único objetivo: ter o coração compungido e perguntar a si mesmos: “Que faremos?” (At 2:37). A pregação pentecostal, juntamente com a manifestação do poder do Espírito e a pregação do apóstolo centrada na Bíblia e capacitada pelo Espírito, abalou a cidade de Jerusalém, e a multidão se voltou para Pedro, perguntando: “Que faremos”? Nenhum sermão deve terminar sem que alguém faça essa pergunta. Pregação não é entretenimento. Não é disseminar informação. Pregar é falar sobre “este Jesus”; é conduzir o povo à Sua cruz, mostrar-lhe Suas feridas, descrever Sua vitória, oferecer-lhe Sua esperança e o convidar a aceitá-Lo como seu Senhor e Salvador. Um sermão que não convida os ouvintes a aceitar Jesus reflete a timidez do pregador ou sua falta de confiança no poder do Espírito Santo para transformar vidas.
Pense nisto: Um sermão eficaz deve levar o pecador ao batismo em nome de Jesus; deve confirmar o santo no recebimento do Espírito Santo. Como um discípulo moderno de Cristo pode fazer desse sermão uma parte de sua vida?
3 Aplicação
Para o professor: Você ficou surpreso com o resultado do Pentecostes? Um batismo de 3 mil pessoas em um único dia em Jerusalém! Onde há a Palavra e o Espírito, há poder, e a igreja cresce. Essa foi a mensagem de Pedro. E esse é o nosso desafio.
Pergunta para reflexão: Desde o início de sua história, os adventistas são conhecidos pelo evangelismo. Nossos métodos evangelísticos são eficazes hoje? Por quê?
4 Criatividade
Para o professor: Em alguns grupos cristãos, falar em línguas é considerado um sinal essencial do recebimento do Espírito Santo. Atos 2:6 menciona vários grupos linguísticos que se reuniram em Jerusalém e ouviram a mensagem em seu próprio idioma. Alguns ficaram maravilhados. Outros pensaram que os discípulos estivessem bêbados. Desde então a questão de falar em línguas tem sido problemática na igreja. O apóstolo Paulo deu bons conselhos sobre como lidar com essa questão de maneira que não afete negativamente a unidade entre os cristãos. Discuta com a classe os conselhos de Paulo à igreja, em 1 Coríntios 14, sobre o dom de línguas.
Pastor e esposa convertidos
Hee-Sook [Hi-Suk] e outras duas colegas colportoras trabalhavam em uma cidade perto de Seul, capital da Coreia do Sul. Enquanto andavam por uma rua, viram um outdoor informando a realização de um retiro de estudantes de uma denominação evangélica, e decidiram ver do que se tratava. O endereço informado no cartaz era o da casa de um casal que servia como pastores de uma das maiores denominações evangélicas da Coreia do Sul. Mas, as colportoras não sabiam disso quando chegaram à casa.
“Somos da Casa Publicadora Coreana e queremos mostrar alguns livros”, Hee-Sook disse. Para sua surpresa, o marido identificou o nome da casa publicadora adventista e perguntou imediatamente: “Por que vocês guardam o sábado?” Hee-Sook contou a história da criação relatada em Gênesis. Explicou como Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, o sábado, e o santificou. Entregou alguns cursos bíblicos por correspondência e prometeu levar a segunda lição na semana seguinte.
Interesse despertado
Enquanto faziam a oferta, ela percebeu que Ki-Jo Moon [Ki-Jo Mún], conhecia a Bíblia. Ele era pastor havia 30 anos e a esposa, durante dez anos. Por isso, Hee-Sook teve a ideia de não levar o curso bíblico na visita seguinte. Em vez disso, presenteou o casal com uma coleção dos cinco livros que compõem a série Conflito dos Séculos, de Ellen G. White: Patriarcas e Profetas, Profetas e Reis, O Desejado de Todas as Nações, Atos dos apóstolos e O Grande Conflito, que custava 300 mil wons coreanos, aproximadamente 265 dólares.
O pastor Ki-Jo Moon expressou interesse especial no livro de Daniel e perguntou onde poderia obter informações sobre ele. Na visita seguinte, Hee-Sook levou comentários dos livros de Daniel e Apocalipse. Algum tempo depois, o pastor enviou a seguinte mensagem de texto: “Parece que tenho estudado a Bíblia de maneira superficial por toda minha vida”, escreveu.
“Posso visitar sua igreja?” Evidentemente a resposta foi positiva. Ele foi, gostou do culto e retornou algumas vezes. Porém, surpreendentemente, deixou de ir. Toda vez que era perguntado sobre a razão da ausência, ele se desculpava dizendo estar muito ocupado ou não se sentindo bem. Depois de algum tempo, Kee-Sook soube que a esposa dele o proibira de ir à igreja adventista, repreendendo-o: “Você é pastor. Que vergonha! Você não pode fazer isto!” Entretanto, a colportora continuou convidando o pastor.
Mensagem de saúde
Sete anos se passaram desde o primeiro encontro e, certo dia, ela telefonou novamente, convidando-o para frequentar a um seminário sobre saúde na igreja adventista. Os seminários incluíam sessões de detox, onde os convidados experimentariam vários sucos preparados para limpar o organismo. Informado sobre isso, o pastor sugeriu: “Seria melhor se você falasse com minha esposa.” Então, Hee-Sook ligou para ela, que prontamente decidiu acompanhar o marido. Essa foi a primeira vez que ela demonstrou interesse na igreja adventista.
Finalmente, o casal aceitou o convite para participar de séries evangelísticas. Aparentemente, o esposo parecia convicto pela mensagem, mas não estava seguro o bastante para mudar de denominação. Diante disso, Hee-Sook convidou o casal para uma segunda série evangelística. Eles participaram de todas as reuniões e declararam: “Estamos atraídos por esta mensagem”
Passados oito anos, em fevereiro de 2017, o casal foi batizado. A Palavra de Deus e nossa mensagem de saúde transformam vidas!
Conhecendo a Coreia do Sul
- A Coreia do Sul tem 715 igrejas e 247.143 membros. Com uma população de 75.916 pessoas, isso significa um adventista para cada 407 habitantes.
- Mas de 50% da população coreana não pertencem a nenhuma religião organizada, embora 28% se declarem cristãos e 16%, budistas.
- A região metropolitana de Seul, conhecida como Cidade Especial de Seul, abriga mais de 25 milhões de habitantes, tornando a cidade a terceira maior do mundo.

