Quem de nós nunca teve vergonha de si mesmo? Muitos já fizeram coisas que os levaram a recuar horrorizados ao imaginar que outras pessoas pudessem ficar sabendo desses atos. Provavelmente todos nós já tenhamos passado por isso, não é mesmo?
Imagine, então, como foi estar na situação de Adão e Eva depois que eles comeram do fruto da árvore proibida. Ou quando Jacó enganou seu pai para que ele o favorecesse em detrimento de seu irmão mais velho, tendo depois que fugir da ira de seu irmão. Como ele dormiu à noite? E imagine que você fosse a mulher “apanhada em flagrante adultério” (Jo 8:4). Davi também passou por isso, e o Salmo 32 foi sua dolorosa expressão e confissão de como tinha sido a sua experiência.
Por isso, o evangelho é universal, e a morte de Cristo foi em favor de toda a humanidade. Sejam quais forem as nossas diferenças, certamente uma coisa nos une: nossa natureza pecaminosa.
Portanto, a verdadeira educação cristã deve nos mostrar a única solução para nossa situação bastante trágica: o Mestre dos mestres, tema que estudaremos nesta semana.
1. Leia Gênesis 3:1-11. Por que Deus perguntou a Adão: “Onde estás?”
A.( ) Porque, após a desobediência do casal, Ele não sabia onde eles estavam.
B.( ) Ele queria que o casal percebesse o seu erro e sua real situação.
Histórias típicas da queda retratam o fruto como uma maçã. Mas o texto não afirma isso. Era simplesmente o “fruto da árvore” (Gn 3:3). Não importa o tipo do fruto. Comer daquela árvore era proibido porque a árvore
representava algo: a tentação de “colocar Deus de lado” e declarar: “Eu posso servir de norma para avaliar minha vida. Posso ser deus para mim mesmo. Eu tenho autoridade acima da Palavra de Deus”.
Certamente, quando a cobra, ou a “serpente”, fez com que Adão e Eva comessem do fruto da árvore, a vida deles saiu dos trilhos. E então, quando sentiram a presença de Deus perto deles, tentaram se esconder “da presença do Senhor Deus [...] por entre as árvores do jardim” (Gn 3:8).
É muito estranho que Deus tenha perguntado a Adão: “Onde estás?”. O Senhor certamente sabia onde ele estava. Talvez Deus tenha feito a pergunta para ajudar Adão e Eva a perceberem exatamente o que estavam fazendo, escondendo-se, como resultado do pecado cometido. Ou seja, Deus os ajudou a perceber os tristes resultados de suas ações.
2. Leia Romanos 5:11-19, em que Paulo, muitas vezes, relacionou diretamente o que Adão fez no Éden com o que Jesus fez na cruz. Como Jesus desfez o que Adão havia feito?
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Pode-se argumentar que o plano da salvação é a reação de Deus à resposta de Adão e Eva. Eles estavam se escondendo de Deus devido à vergonha e culpa de seu pecado, e Deus veio resgatá-los. Da nossa maneira, também fizemos a mesma coisa, e Jesus veio nos resgatar. Portanto, a pergunta “Onde estás?” também poderia ser feita a nós. Ou seja, onde você está, em seu pecado e culpa, em relação a Jesus, e o que Ele fez para
resgatá-lo dessa condição?
3. Leia Gênesis 28:10-17. Qual é o contexto dessa história? O que ela revela sobre a graça de Deus àqueles que, de certa forma, estão fugindo de seus pecados?
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Em sua conduta com o restante da família, Jacó, com a ajuda de sua mãe, tinha enganado cruelmente seu irmão e seu pai, e agora estava pagando por isso. Seu irmão o estava ameaçando violentamente, e Jacó havia se tornado um fugitivo, seguindo para a casa de seu tio em Harã. Tudo era incerto e assustador.
Um dia, Jacó caminhava penosamente ao anoitecer e depois na escuridão. Ele estava no meio do nada, tendo apenas o céu estrelado como teto. Ao encontrar uma pedra que lhe serviu de travesseiro, Jacó adormeceu. Mas a absoluta inconsciência do sono logo foi interrompida. O famoso sonho lhe sobreveio, e a escada que ele viu apoiava-se sobre a Terra e se estendia até o Céu. Anjos subiam e desciam pela escada.
Então ele ouviu uma voz: “Eu Sou o Senhor, Deus de Abraão”. A voz continuou, repetindo promessas com as quais Jacó estava familiarizado a partir de sua tradição familiar. Sua descendência se tornaria grande. Ela seria uma bênção a todas as famílias da Terra. “Eis que Eu estou contigo”, continuou a voz, “e te guardarei por onde quer que fores [...]; porque te não desampararei, até cumprir Eu aquilo que te hei referido” (Gn 28:15).
Ellen G. White escreveu como Paulo, muito mais tarde, “contemplava a escada da visão de Jacó, que representa Cristo, e que ligou a Terra com o Céu, o homem finito com o infinito Deus. Sua fé se fortaleceu na recordação de como os patriarcas e profetas confiaram Naquele que era também seu amparo e consolação e por quem estava dando a vida” (Atos dos Apóstolos, p. 512).
Jacó acordou e disse para si mesmo: “Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia” (Gn 28:16). O que aconteceu naquela ocasião foi “temível”. Ele nunca esqueceu aquele lugar e deu um nome a ele. Então Jacó prometeu lealdade eterna a Deus.
De todas as introduções de capítulos no Novo Testamento, nenhuma é mais famosa do que esta: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1:1). E João 1 logo nos leva ao verso inesquecível: “E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai” (Jo 1:14).
4. Leia João 1:1-14. De acordo com essa passagem, quem era Jesus e o que Ele estava fazendo? O que isso revela sobre Jesus como o grande exemplo de mestre?
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O mesmo Deus, que havia falado com Adão e Eva no jardim, e com Jacó no meio do nada, apareceu então como Pessoa. Segundo o Novo Testamento, Deus foi personificado em Jesus. Por meio de Jesus, podemos aprender sobre a vontade de Deus e sobre o Seu caminho, pois Jesus é Deus.
Na sequência, o capítulo afirma que João Batista era um pregador tão convincente que até os líderes religiosos de Jerusalém suspeitavam que ele fosse alguém especial. Mas ele estava preparando o caminho para Alguém maior. Alguém surpreendentemente especial estava prestes a aparecer, e ele, João Batista, seria indigno “de desatar-Lhe as correias das sandálias” (Jo 1:27).
No dia seguinte, ele viu Jesus e declarou que Ele era o “Filho de Deus”. Naquele dia, e também um dia depois, ele chamou Jesus de “o Cordeiro de Deus”.
Além disso, dois seguidores de João Batista decidiram seguir Jesus. E quando o Senhor perguntou o que eles estavam procurando, eles O chamaram de “Rabi” (Jo 1:38), que significa Mestre.
Portanto, Jesus era um rabi, um mestre. Porém, nunca houve um mestre humano como Ele, pois Ele é Deus. Em outras palavras, Deus veio à humanidade na forma de um ser humano e, nessa forma, atuou como rabi e mestre. Não é de admirar que Ellen White tenha chamado Jesus de “o maior mestre que o mundo já conheceu” (Signs of the Times, 10 de junho de 1886). Afinal, esse Mestre era Deus.
Jesus é o Mestre dos mestres. O caráter de Deus resplandece por meio de Seus ensinos e mediante Sua vida. Assim, uma história do evangelho é ainda mais extraordinária por mostrar que, mesmo quando alguém retruca a Jesus, Ele ainda ouve.
5. Leia a história do encontro de Jesus com a cananeia da região de Tiro e Sidom (Mt 15:21-28; Mc 7:24-30). Observe que os discípulos de Jesus foram impacientes com ela e até Jesus pareceu dispensá-la. Qual é sua opinião sobre a audácia da mulher? Como Jesus ensinava? Assinale a alternativa correta:
A.( ) A aparente rejeição de Jesus fortaleceu a insistência dela.
B.( ) A mulher foi desrespeitosa, e Jesus a abandonou.
Jesus estava perto de Tiro e Sidom. Ele havia atravessado para um lugar onde havia estrangeiros e tensão étnica. Os habitantes da cidade que falavam grego desprezavam os fazendeiros judeus, e estes, por sua vez, desprezavam os habitantes de fala grega.
Não muito tempo antes, Herodes, o governador fantoche da Galileia, território natal de Jesus, havia executado João Batista. Mas João foi um homem cuja visão era amplamente compartilhada por Jesus, e sua execução pareceu ameaçadora. O Mestre tinha começado a enfrentar o perigo de Sua missão.
Sentindo a tensão, Ele entrou em uma casa, esperando, como disse Marcos em seu relato, que ninguém soubesse que estava ali (Mc 7:24). Mas a mulher O encontrou.
Na cultura daquela época, uma mulher não tinha o direito de se expressar. Além disso, essa mulher pertencia a uma cultura e a um grupo étnico dos quais os judeus não gostavam, e isso a colocava em desvantagem ainda maior.
Mas a filha da mulher estava doente. Ela queria ajuda e insistiu em pedi-la. Jesus disse: “Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” (Mt 15:26). Essas palavras poderiam ter ferido os sentimentos dela.
Então, a mulher apresentou uma resposta extraordinária. Ela estava familiarizada com os cães, diferentemente dos judeus, que não os tinham como animais de estimação, e então disse: “Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos” (Mt 15:27).
Esse comentário fez a diferença. Pareceu convincente. E Jesus curou sua filha.
Jesus e Seus seguidores estavam se dirigindo para Jerusalém. Assim como Herodes tinha se inquietado com João Batista, as autoridades, inclusive Herodes, agora estavam preocupadas com Jesus. Seus seguidores incluíam os pobres e outras pessoas vulneráveis que esperavam desesperadamente por mudanças.
Acima de todas as coisas, Jesus desejava trazer esperança ao mundo. Mas, àquela altura, Ele tinha certeza de que os que tinham mais poder e privilégios fariam o que pudessem para anular essa missão. Eles não queriam que Jesus tivesse sucesso.
No que diz respeito ao círculo interno dos discípulos de Jesus, os doze, eles pareciam ansiosos para estar ao Seu lado. Mas, ao mesmo tempo, pareciam confusos – ou cegos. Por exemplo, em Marcos 8:31-33, o Mestre desafiou Seus discípulos a enxergar coisas difíceis para eles. Ou seja, em muitos aspectos, eles ainda estavam espiritualmente cegos para o que realmente importava (veja Mc 8:37).
Esse foi o contexto do encontro de Jesus com alguém que realmente “enxergava”.
6. Leia a história da cura de Bartimeu, um mendigo cego (Mc 10:46-52). Observe a grande misericórdia mostrada por Jesus. Considere como o desejo de ver levou o cego à decisão de seguir Jesus no caminho para Jerusalém. Será que Marcos estava fazendo um contraste entre Bartimeu e os discípulos? Como essa história lança luz sobre o que significa ser receptivo ao Mestre?
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Bartimeu tinha desejado ver os cachos no cabelo de um bebê e a cor do trigo na colheita. Mas ver inclui mais do que apenas a questão física. Em outras palavras, essa história trata da visão espiritual. A essência dela é entender, captar quem é realmente o Mestre dos mestres. A visão física é algo importante, e Jesus sabe disso. Mas Ele também sabe que o desejo mais profundo de cada pessoa é uma vida nova e melhor.
7. Leia Hebreus 5:12-14. O que esse texto nos ensina sobre a verdadeira educação? Assinale a alternativa correta:
A.( ) A verdadeira educação envolve crescimento progressivo.
B.( ) A verdadeira educação é ensinar os outros, mas não a si mesmo.
Texto de Ellen G. White, Caminho a Cristo, p. 57-65 (“O Teste da Obediência”).
Ellen White declarou (entre outras coisas) que, quando realmente aceitarmos o Mestre dos mestres, “teremos o desejo de refletir Sua imagem, possuir Seu Espírito, fazer Sua vontade e agradá-Lo em todas as coisas”. Na companhia de Jesus Cristo, o dever “torna-se um deleite” (Caminho a Cristo, p. 58, 59). Nos capítulos 5 a 7 de Mateus encontramos o Sermão do Monte, um dos melhores resumos do que o Mestre desejava que Seus discípulos conhecessem, e a tônica do reino que Ele veio estabelecer.
Perguntas para consideração
1. Como Deus Se dirigiu a Adão e Eva, e também a Jacó, assim Jesus Se dirige a nós. Ele Se conecta com nossos anseios profundos e nos desperta (como fez a Bartimeu) para que reconsideremos quem somos e para onde estamos indo. Diante disso, pense em como ensinamos a Bíblia a nossos filhos e uns aos outros. Qual é a diferença entre o ensino medíocre da Bíblia e o ensino convincente, que realmente faz a diferença?
2. Onde você está na jornada da vida? Essa questão é puramente pessoal ou pode ser útil discuti-la com pessoas em quem você confia? O conceito da igreja como o “corpo de Cristo” (1Co 12:27) sugere que conversar com outras pessoas pode ser uma forma de entrar em contato com o que Cristo deseja que você saiba?
3. Assim que Bartimeu pôde ver – logo que ele foi resgatado de sua cegueira física (e espiritual) – ele seguiu Jesus no caminho para Jerusalém. Nessa estrada, ele ouvia todos os dias a sabedoria do Mestre dos mestres. Podemos imaginar que ele desejasse refletir a imagem de Jesus, possuir Seu Espírito e fazer Sua vontade. Por que alguém se “deleitaria”, como lemos no livro Caminho a Cristo, em seguir um padrão tão alto quanto o que Jesus defendeu no Sermão do Monte?
4. Como discernimos entre o bem e o mal? Por que o que fazemos com esse conhecimento talvez seja ainda mais importante do que ter essa consciência em si?
Respostas e atividades da semana: 1. B. 2. Jesus desfez na cruz a condenação do pecado de Adão. Assim como por um só homem, Adão, veio o pecado e, por conseguinte, a morte a todos os seres humanos, por um só ato de justiça de Jesus, veio a salvação a todos. 3. Quando sonhou com a escada que levava ao Céu, Jacó estava fugindo de seu irmão. Por meio do sonho, Deus mostrou Sua graça e perdão a Jacó mesmo quando este fugia da consequência dos seus pecados. Deus tem maneiras surpreendentes de nos resgatar e mostrar Seu perdão a nós. 4. Jesus era o Verbo, o Unigênito do Pai. Ele Se tornou carne e habitou entre nós. Isso revela que a melhor maneira de ensinar um aluno é fazer o que o Mestre fez ao Se tornar carne: ensinar pelo exemplo. 5. A. 6. Provavelmente, sim. O que o cego viu os discípulos tiveram muita dificuldade para perceber. 7. A.
ESBOÇO
“Onde você está? O que está fazendo?” (Gn 3:9, 13, paráfrase). Essas são as últimas perguntas que queremos ouvir quando nos entregamos ao pecado. No entanto, em algum momento, Deus sussurra: “Onde você está agora?” Como a lição aponta, o evangelho é universal porque, como seres humanos, todos temos uma natureza pecaminosa e decaída.
Uma coisa é admitir que nascemos com natureza pecaminosa e decaída; outra bem diferente é estar convencido o bastante para procurar uma solução pessoal para o problema do pecado. A tentação é admitir: Sim, pequei e careço da glória de Deus (Rm 3:23). Mas o resto do mundo também, certo? O outro lado dessa atitude indiferente pode abalar a forma como recebemos o amor de Deus. “Sim, Deus me ama, mas também ama o mundo inteiro. Quão pessoal e íntimo, de fato, é esse conceito? (Leia Jo 3:16). De alguma forma, a consciência da miséria de nossa natureza pecaminosa e da profunda necessidade do amor redentivo deve ser aguçada de modo a penetrar no coração anestesiado por uma teologia que ironicamente se dilui quando aplicada de forma generalizada.
Jesus nos ensinou o caminho (Seus ensinamentos), mostrou-nos o caminho (Seu exemplo) e nos abriu o caminho (por meio de Sua morte e ressurreição). Ele é, ao mesmo tempo, o Professor, o Exemplo e o Salvador, que não só expõe o pecado, mas o vence.
Como um viajante do tempo que entra no passado e o muda para afetar o futuro, a vida e a morte de Jesus revertem as consequências históricas do fracasso de Adão (Rm 5:12-21).
Para o crente, graça, justificação e vida eterna são realidades presentes. Jesus é Alguém em quem podemos confiar e a quem devemos ouvir.
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COMENTÁRIO |
Escrituras: a cosmovisão de Jesus e a espiral descendente
Por mais difícil que seja admitir, especialmente para quem adere à cosmovisão evolucionista, progressista e humanística, o mal é real e procede diretamente do coração humano. Nós não somos vítimas, mas autores. Jesus, o Mestre, disse: “Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem” (Mc 7:21-23).
Em certo sentido, somos todos vítimas, porque os pecados de cada pessoa enviam ondas que afetam os demais. Obviamente alguns são mais profundamente afetados que outros; reconhecemos isso. Mas, mesmo em meio à nossa dor, é útil lembrar que nossos pecados machucaram outros, para que não agarremos nosso próximo dizendo: “Paga-me o que me deves” (Mt 18:28) e esqueçamos que a nós mesmos foram perdoados “dez mil talentos” (Mt 18:24).
Quando nos aprofundamos no Gênesis e compreendemos a visão de mundo retratada ali, estamos estudando as fontes primárias que moldaram e deram o contexto para todos os ensinamentos de Jesus. Isso é crucial, porque muitos de nós vivemos em culturas seculares que depreciam a noção de pecado, ou pelo menos tentam minimizá-lo. Isso é contrário ao relato de Gênesis, no qual a velocidade e a intensidade de um único pecado se transformaram em uma avalanche de maldade. Adão e Eva cometeram um único ato de desobediência e, tempos depois, seguraram um filho morto. Foram de um fruto proibido a um fratricídio em uma única geração. Essas são as Escrituras em que Jesus foi educado. É por isso que, embora fosse cheio de misericórdia, graça e amor, nunca minimizou a noção de pecado nem as consequências da transgressão da lei. Observe o fluxo narrativo de Gênesis, a fonte da cosmovisão de Cristo:
1. Tudo começou muito bem (Gn 1:31);
2. A mulher e o homem comeram do fruto proibido (Gn 3:6);
3. Esconderam-se e culparam um ao outro (Gn 3:8-13);
4. Ocorreu o primeiro assassinato (Gn 4:8);
5. Diante do alegado risco de assassinato de Caim, Deus avisou que ele seria vingado sete vezes (Gn 4:14, 15);
6. Assassinato/homicídio e demanda de vingança de 77 vezes (Gn 4:23, 24);
7. Perversidade global; pensamentos continuamente maus (Gn 6:5).
A humanidade foi retirada do paraíso do Éden em muitos aspectos. Adão e Eva foram expulsos do Éden, presumivelmente pela entrada oriental, onde um anjo é colocado como sentinela para impedir a entrada (Gn 3:24). Quando Caim foi banido, ele “retirou-se [...] da presença do Senhor e habitou [...] ao oriente do Éden” (Gn 4:16, ênfase nossa). A torre de Babel, um monumento à arrogância e loucura humanas, ficava ao oriente (Gn 11:2). Mover-se para o oriente é afastar-se cada vez mais do Éden e da presença de Deus. A espiral descendente da humanidade a partir de sua condição pura introduziu juízos divinos abrangentes. Ele reverteu a criação do mundo, devolvendo-o à sua forma embrionária na água (veja Gn 1:2; 7:18), e basicamente recomeçou, desde os animais e todo o restante. Em uma fascinante combinação de juízo e misericórdia, a mesma avaliação da maldade humana que motivou o juízo do dilúvio foi então apresentada como a razão para se estender a misericórdia com a promessa de nunca repetir a destruição (Gn 6:5; 8:21). Talvez a explicação para isso esteja na aceitação divina dos holocaustos apresentados por Noé em reconhecimento da necessidade humana do perdão de Deus (Gn 8:20, 21). Por isso, na torre de Sinar, de acordo com Sua promessa, Deus não destruiu a maldade; Ele a dispersou (Gn 11:8).
Escrituras – Os fundamentos
Para avaliar a “perversidade do pecado” e garantir que Deus não leve a culpa, é importante voltar ao começo. Deus fez todas as coisas boas. Ele disse isso sete vezes em Gênesis 1 (versos 4, 10, 12, 18, 21, 25, 31); e esse é apenas o primeiro capítulo da Bíblia. Uma leitura cuidadosa de Gênesis (e do restante das Escrituras) mostra que Ele faz apenas coisas boas. Já temos as bases fundamentais que liberam Deus da culpa pela existência do diabo, que não foi “criado” por Deus, mas surgiu por uma livre escolha do anjo caído, o ser responsável pelo pecado e o sofrimento. A razão pela qual o cético ou questionador é tão rápido em lançar essa acusação é que isso é uma evidente mudança de direção na explicação sobre a fonte do mal e do sofrimento, que é o próprio cético e contestador e todo o restante da criação, tanto humana quanto angelical.
Quaisquer dilemas fabricados a respeito de como uma criação boa pode se tornar ruim são facilmente resolvidos admitindo-se uma característica do Universo tão onipresente que é praticamente invisível: o potencial de mudança. Primeiro, ninguém escolheria um Universo imutável (sem movimento, sem decisões decretadas, sem autodeterminação, sem crescimento, etc.) em vez de um Universo em mudança. Segundo, com a “mudança” no paradigma, a humanidade celebra suas conquistas (mudanças) de incontáveis maneiras diferentes, mas será que as celebraríamos se a mudança já estivesse determinada para seguir apenas em uma direção? Muitos comemoram o fato de que bolas rolam ladeira abaixo? Se os humanos pudessem “rolar” apenas de um modo, isso poderia ser um fato para observação, mas nunca um motivo para celebração. Liberdade, moralidade, justiça, bondade, amor e qualquer outra virtude concebível da humanidade não teriam importância. Assim, dadas as opções de um Universo imutável, em mudança determinada ou em mudança livre, a maioria escolheria a terceira opção, embora ela abra a porta para mudanças reais que julgamos más ou dolorosas. Portanto, não é de fato um paradoxo que algo bom pode se tornar ruim.
Os céticos
Os capítulos 3 a 11 de Gênesis são testemunhas de que seguir a sugestão da serpente foi um erro. Tudo era bom, mas não continuou assim. A humanidade não melhorou, não se tornou divina nem escapou da morte (Gn 3:4, 5). Vale ressaltar que a tendência de queda da humanidade no relato bíblico é o retrato oposto ao que encontramos na história do dilúvio sumério. A diferença é que a literatura mesopotâmica é otimista quanto à existência humana. Nesses relatos, o ser humano não começa perfeito, mas, depois que os deuses se voltam contra ele no dilúvio, ele se sai melhor, e progride. O relato bíblico segue na direção oposta, “e o ponto de vista pessimista que se seguiu não poderia ser mais diferente do teor da história suméria” (Thorkild Jacobson, “The Eridu Genesis” [O Gênesis de Eridu], Jornal da Literatura Bíblica 100 [1981], p. 529).
É claro que a ironia está no fato de que é hábito de estudiosos críticos e leigos suscitarem dúvidas sobre o relato bíblico por causa das narrativas do dilúvio na Mesopotâmia. Mas, se os detalhes dessas narrativas paralelas questionam a validade do relato bíblico, a filosofia progressista otimista desses mitos coloca em dúvida a cosmovisão humanista progressista? Outra pergunta: Se os paralelos fazem com que os céticos coloquem o relato bíblico na categoria de mito, os antiparalelos fazem com que o removam dessa categoria? Os jovens serão confrontados com visões de mundo antiteístas e antibíblicas à medida que ascenderem nos níveis de escolaridade. Certifiquemo-nos de que a educação adventista do sétimo dia os está preparando para enfrentar o desafio.
Nas Escrituras, Deus inspira a esperança de que um dia as coisas serão restauradas à perfeição original. A esperança está em Jesus, o Filho Emanuel (Deus conosco [Mt 1:23]), que habitou (acampou ou tabernaculou) no meio de Sua criação (ver Jo 1:14) e anunciou a proximidade do “reino de Deus”. Esse foi o início do cumprimento da promessa de que novamente a humanidade voltaria à presença divina e retornaria ao Éden para viver com Deus para sempre (Ap 21:3).
Aplicação para a vida
A respeito da prática do que aprendemos das Escrituras, podemos perguntar: “Como aplico algo à minha vida?” Todos os dias aplicamos à vida um conjunto de teorias (sobre o que quer que seja). A maneira de aplicar os ensinamentos de Jesus provavelmente não é muito diferente do modo de aplicar outras coisas no dia a dia, e a razão pela qual aplicamos os Seus ensinos também não é diferente da razão para aplicar outras ideias. Aqui estão algumas sugestões e conceitos que podem levar seus alunos da teoria à prática:
1. Peça-lhes que mergulhem totalmente na literatura relevante: incentive-os a ler frequentemente e com espírito de reverência até que estejam convencidos de que descobriram uma verdade importante.
2. Discípulos são aprendizes: Você já observou um aprendiz? Os alunos observam o mestre, seguem seus movimentos e o imitam de todas as maneiras possíveis.
3. Convide seus alunos a compartilhar o que aprenderam. Dois mil anos atrás, Sêneca disse: “Ensinando, aprende-se”. Memorizamos algo quando o ensinamos.
Usando esses três princípios como discípulos de Cristo, seus alunos devem, em oração: (1) mergulhar em Seus ensinamentos; (2) observar cuidadosamente como Ele viveu e levar consigo essas imagens na mente ao longo do dia, para que ajam como Ele; e (3) encontrar alguém disposto a ouvir para que possam compartilhar o que aprenderam e como tem sido sua experiência.
Salva do poço
O marido de Sheelamma sofria de dores no estômago e morreu no hospital tragicamente, aos 30 anos de idade. Ela estava com 20 anos e se viu sozinha com um filho de cinco anos na cidade de Bellaru, localizada a 300 quilômetros de Bengaluru. Certo dia, infelizmente, ela tirou os brincos, colar e piercing de ouro no nariz e entregou para a irmã, explicando: “Vou visitar alguém. Cuide do meu filho, Raju, até que eu volte.”
Na verdade, Sheelamma não planejava voltar. Ela foi à cidade vizinha e pulou em um poço, numa tentativa de se afogar. Entretanto, alguém foi buscar água e a encontrou boiando inconsciente. Os moradores correram para resgatá-la. Um homem desceu apoiado em uma corda e a levantou em uma cesta. Os moradores acenderam uma fogueira e a vestiram com roupas enxutas. Quando ela acordou, eles a questionaram com raiva.
“Por que você decidiu fazer isso em nossa cidade?”, perguntou um deles. “Você poderia se matar na sua cidade”, outro opinou. Eles reconheceram Sheelamma e sabiam que tinha um filho.
“Por que você tentou se matar se tem um filho?”, alguém questionou. “Se você é pobre, poderia pelo menos pedir comida.” Finalmente, os moradores a escoltaram até o vilarejo e à casa da irmã. Sheelamma não queria ficar. Ela desejava uma nova vida. Um mês depois, ela levou Raju de trem até Bengaluru. Mas não conhecia ninguém na cidade. Ela não tinha parentes nem amigos. Ao chegarem à estação, as pessoas viram a pobre mãe e disseram para voltar ao vilarejo.
“Você é jovem”, disse uma pessoa. “Você tem uma criança pequena”, disse outra. “Bengaluru não é um lugar seguro.” Sheelamma não tinha intenção de voltar. “Não voltarei. Eu deixei todos para vir para cá. Não quero voltar”, disse. Um motorista de riquixá ofereceu uma carona e a deixou em uma catedral. Sheelamma se sentou em frente ao prédio, chorou e orou aos seus deuses. Perto de onde estava, ela viu no chão um cartão postal com uma imagem de Jesus. Ela não era cristã, mas O reconheceu.
“Você precisa me ajudar”, ela falou ao cartão postal.
Depois de algum tempo, uma senhora saiu da catedral e deu arroz e curry para Sheelamma e o filho comerem. “Volte para seu vilarejo”, a senhora aconselhou, ao que Sheelamma respondeu. “Sou viúva. Tenho uma criança pequena. Por favor, preciso de um emprego.” A resposta da senhora não foi animadora: “Muitas pessoas nos procuram em busca de auxílio. Não podemos ajudá-la.”
Enquanto conversavam, uma pessoa parou e perguntou a razão pela qual Sheelamma estava chorando. Após ouvir sua história, a senhora a convidou para sua casa e ajudou a conseguir um emprego de diarista por meio período. Um de seus clientes era um pastor adventista e, em pouco tempo, ficaram amigos. “Você sabe ler e escrever?”, ele perguntou um dia. Ela respondeu negativamente, então ele ensinou o alfabeto. Lentamente, ela começou a ler a Bíblia e ir à igreja aos sábados. Finalmente, entregou o coração a Jesus.
Depois, o pastor foi transferido para Mumbai. Outro pastor ajudou a encontrar um emprego de monitora na Escola Adventista Spencer Road. Ela trabalhou na escola durante 34 anos, aposentando-se em 2004. “Estou feliz”, disse Sheelamma. “Vim do nada e Deus me mostrou aonde eu deveria ir, levando-me à Sua igreja. Louvo a Deus que Ele me abençoou. Minha vida é boa por causa Dele.”
Parte da oferta do trimestre ajudará a construir uma igreja na Igreja Central do Sétimo dia Kannada, Bengaluru. Muito obrigado pelas ofertas generosas.
Dicas da história
• Pronúncia Sheelamma < SHEE-la-ma>.
• Veja Sheelamma no YouTube: bit.ly/Sheelamma-Dorairaj.
• Faça o download das fotos na fazenda no Facebook (bit.ly/fb-mq).
• Riquixá ou riquexó é um veículo de transporte de tração humana, em que uma pessoa puxa uma carroça de duas rodas onde carregam uma ou duas pessoas.

