Lição 9
21 a 27 de novembro
A igreja e a educação
Sábado à tarde
Ano Bíblico: 1Co 1-4
Verso para memorizar: “Também jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros. Embora pudéssemos, como enviados de Cristo, exigir de vós a nossa manutenção, todavia, nos tornamos carinhosos entre vós, qual ama que acaricia os próprios filhos; assim, querendo-vos muito, estávamos prontos a oferecer-vos não somente o evangelho de Deus, mas, igualmente, a própria vida; por isso que vos tornastes muito amados de nós” (1Ts 2:6-8).
Leituras da semana: Lc 10:30-37; Mt 5:14-16; Lc 4:18-23; Jr 29:13; Mt 7:7; 1Ts 2:6-8

Desde os tempos primitivos, os fiéis se reuniam para adorar a Deus nas sinagogas, nos lares e nas igrejas. Mediante seu estudo das Escrituras e adoração, eles desejavam ardentemente conhecer a Deus e compreender a vontade Dele para sua vida. A Bíblia revela que a igreja é um ambiente em que devem ocorrer discussões importantes e relevantes, e onde as pessoas podem conhecer a Deus e Sua vontade para a vida delas.

Às vezes, temos medo de fazer perguntas. Na Bíblia, porém, vemos que as perguntas levam as pessoas a uma compreensão mais clara de Deus. Além disso, as histórias das Escrituras criam oportunidades para que todos repensem seus compromissos. Jesus Se concentrava nesse tipo de educação com Seus seguidores.

Visto que a igreja deve ser um local de educação, ela deve conceder o espaço para um diálogo genuíno. Muitos alunos ouviram na escola: “Todas as perguntas sinceras são importantes e merecem atenção”. Da mesma forma, devemos proporcionar dentro da igreja um ambiente seguro para que as pessoas cresçam na graça e no conhecimento de Deus e de Seu plano para sua vida.

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Domingo, 22 de novembro
Ano Bíblico: 1Co 5-7
A verdadeira educação cristã

Um rabino, ao observar os olhos sonolentos dos jovens que estavam assentados em sua sala de aula, perguntou-lhes: “Alunos, como sabemos quando a noite termina e o dia começa?”

Vários alunos levantaram as mãos cautelosamente. “Rabino”, perguntou um deles, “seria quando podemos diferenciar uma figueira de uma oliveira?”

“Não.”

Outro aluno levantou a mão: “Rabino, seria quando podemos diferenciar uma ovelha de um bode?”

Depois de ouvir uma série de respostas, o rabino anunciou: “Alunos, sabemos que a noite terminou e o dia começou quando olhamos para um rosto nunca visto antes e reconhecemos aquele estranho como nosso irmão ou irmã. Até esse momento, por mais claro que o dia esteja, ainda é noite”.

1. Leia Lucas 10:30-37. Qual foi a mensagem apresentada por Jesus com essa história? O que deve fazer parte de toda verdadeira educação cristã?

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Como adventistas do sétimo dia, fomos abençoados com uma abundância de luz e verdades doutrinárias (por exemplo, o estado dos mortos, o sábado, 1844 e o juízo, o grande conflito, etc.) que a maior parte do mundo cristão ainda não compreende. No entanto, por mais cruciais que sejam essas verdades, para que elas servem se não somos gentis com as pessoas, se demonstramos preconceito com os outros e se permitimos que as tendências culturais e sociais de nosso ambiente nos façam tratar os outros como inferiores?

A verdadeira educação cristã deve nos levar também a superar essas fraquezas e males humanos e a ver os outros como Cristo os vê, como seres por quem Ele morreu, seres cujos pecados Ele suportou na cruz, seres pelos quais Ele pagou um preço infinito. Se elevarmos a cruz, como devemos, veremos o valor de cada ser humano e o trataremos como realmente merece, de acordo com o valor que Deus lhe concedeu. A educação cristã deve incluir esse ensino, caso contrário não é digna do nome “cristã”.

Quais preconceitos sua cultura e sociedade ensinam, sutil ou mesmo abertamente? Como cristão, como você deve superá-los?
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Segunda-feira, 23 de novembro
Ano Bíblico: 1Co 8-10
Chamados a viver como luz

Em todo lugar que olhamos, parece que nosso planeta está se voltando para si mesmo, trocando a luz pela escuridão. No entanto, também encontramos a escuridão mais perto de nós, ao considerarmos nossa experiência neste mundo difícil. Pois também entendemos os horrores que a vida nos causa ao lutarmos contra a doença, ao lidarmos com a perda de entes queridos, ao observarmos famílias sucumbindo à separação e ao divórcio e ao lutarmos para compreender os males da sociedade e da cultura.

No entanto, em meio a esse cenário de falência moral e trevas espirituais, no meio de todo esse barulho externo e interno, ouvimos as palavras de Jesus a cada um de nós: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para ­colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus” (Mt 5:14-16).

2. De acordo com os versos acima, como devemos viver? Sendo cristãos, o que fazemos afeta a maneira pela qual os outros veem a Deus?

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Assentados à margem do Mar da Galileia naquele dia, sob o sol quente, como o auditório de Jesus entendeu Suas palavras? Os que ouviram Suas palavras conheciam muito bem a luz e as trevas. Certamente eles tinham muita escuridão a temer. Eles viviam sob ocupação romana, em uma sociedade militarizada que, apesar da falta de telefones, computadores e de internet, em muitos aspectos era tão eficiente quanto a nossa e, de certa forma, ainda mais aterrorizante.

Os romanos estavam por toda parte, lembrando às massas na encosta que aqueles que insistiam em criar problemas rapidamente seriam levados aos torturadores – e a uma morte exposta em uma cruz romana.

No entanto, ali estava Jesus, chamando-os a viver como luz; a ser misericordiosos, puros de coração, pacificadores. A educação cristã deve, portanto, ensinar nossos alunos a ser luz no mundo, a ser capazes de fazer escolhas e de tomar decisões que revelem a realidade e a bondade de Deus para os outros.

De que maneira podemos mostrar aos outros a realidade e a bondade de Deus?
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Terça-feira, 24 de novembro
Ano Bíblico: 1Co 11-13
Vivendo como discípulos

Se a igreja leva mesmo a sério a ideia de ser uma força em favor da educação cristã, é imperativo que comecemos com Jesus. O Senhor chamou discípulos e os treinou para a missão ao andar com eles. O Mestre lhes deu a oportunidade de se envolverem na vida das pessoas de quem eles deveriam cuidar e a quem deveriam amar. E diariamente Jesus os desafiava por Sua visão do que este mundo poderia ser quando as pessoas começassem a tratar umas às outras como irmãos e irmãs.

3. Leia Lucas 4:18-23. Qual é a mensagem de Cristo para todos nós, como Seus seguidores? Assinale a alternativa correta:

A. (  ) Devemos realizar as obras de Cristo: evangelismo, ação social e cura.
B. ( ) Devemos aguardar que o Espírito Santo conclua a obra neste mundo.

Por três anos, os discípulos observaram Jesus praticando os ideais do reino, anunciados em Seu primeiro sermão na sinagoga de Nazaré. Perdão, graça e amor andavam de mãos dadas com a solidão, o comprometimento e as dificuldades. Se havia uma lição a ser aprendida, essa era a de que o discipulado não é algo que se leva de maneira leviana. Somos discípulos para toda a vida – não apenas por um dia.

“A comissão do Salvador aos discípulos incluía todos os que creem [...] até o fim dos tempos. [...] Todos aqueles a quem veio a inspiração celestial são depositários do evangelho. Todos os que recebem a vida de Cristo são mandados a trabalhar pela salvação de seus semelhantes. Para essa obra, foi estabelecida a igreja; e todos os que tomam sobre si seus sagrados votos se comprometem a ser coobreiros de Cristo” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 822).

Devemos hoje garantir que Ele seja sempre o centro de nossa comunhão e adoração. Jesus foi o responsável por inventar o discipulado. Embora os rabinos de Seus dias atraíssem seguidores, Jesus chamou pessoas para segui-Lo. Os rabinos jamais poderiam imaginar um chamado tão radical que sugerisse que estar com Jesus fosse mais importante que todos os mandamentos deles.

Como discípulos de Cristo, respeitamos todas as pessoas e trabalhamos para proporcionar um lugar em que todas elas cresçam e se desenvolvam.

Portanto, a educação cristã inclui o senso de missão, de propósito, não apenas para ganhar o sustento, mas para fazer, em nossa esfera, o que ­Jesus nos chama a fazer: imitá-Lo ao ministrar aos necessitados e compartilhar com eles as boas-novas do evangelho.



Quarta-feira, 25 de novembro
Ano Bíblico: 1Co 14-16
Buscando a verdade

Albert Einstein, frequentemente considerado o pai da física moderna, escreveu: “O importante é não parar de questionar. A curiosidade tem sua razão de existir. Não podemos deixar de ficar admirados ao contemplar os mistérios da eternidade, da vida, da maravilhosa estrutura da realidade. Basta que tentemos compreender um pouco desse mistério a cada dia. Que nunca percamos a sagrada curiosidade”.

Vivemos em um mundo de mistérios, não é mesmo? A ciência moderna tem nos demonstrado uma complexidade incrível que existe em praticamente todos os níveis da existência. E, se é assim nas simples coisas físicas, quanto mais nas espirituais?

4. O que os textos a seguir ensinam sobre a busca da verdade e de respostas? (Jr 29:13; Mt 7:7; At 17:26, 27; Sl 25:5; Jo 16:13; Jo 17:17). Assinale a alternativa correta:

A. ( ) Deus não tem interesse em compartilhar Suas verdades e respostas.
B. ( ) Encontraremos Deus quando O buscarmos de todo o coração.

A Bíblia está repleta de histórias de pessoas curiosas muito parecidas com cada um de nós – homens e mulheres que têm perguntas, medos, esperanças e alegrias, que estão buscando a verdade e procuram respostas para as perguntas mais difíceis da vida.

“Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim” (Ec 3:11). O que Salomão quis dizer nesse texto? Alguns traduzem a palavra hebraica ‘olam como “eternidade” e outros como “a percepção do passado e do futuro”. Então, de acordo com esse verso, Deus colocou no coração e na mente do ser humano uma percepção do passado e do futuro, a própria eternidade. Ou seja, somos capazes de pensar sobre as importantes questões da vida e da nossa existência em geral.

Evidentemente, as Escrituras desempenham aqui uma função central. Quem somos nós? Por que estamos aqui? Como devemos viver? O que acontece quando morremos? Por que existe mal e sofrimento? Essas são perguntas que os que buscam a verdade têm feito desde o início da História. Que privilégio e que responsabilidade é sermos capazes de mostrar algumas respostas a essas pessoas que buscam! O que é a educação cristã, senão o ato de mostrar às pessoas essas respostas, encontradas na Palavra de Deus?

Por que as Escrituras devem ser a principal fonte de respostas às grandes perguntas da vida?
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Quinta-feira, 26 de novembro
Ano Bíblico: 2Co 1-4
Compartilhando nossa vida

5. O que Paulo disse em 1 Tessalonicenses 2:6-8? Como podemos e devemos refletir essa mensagem em nossas escolas e igrejas?

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Confrontados com o colapso da comunidade na sociedade, vivemos numa época em que o entendimento bíblico de igreja nunca foi tão significativo. Como Mateus 18:20 nos lembra: “[...] onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, ali estou no meio deles”. A visão do Novo Testamento acerca do que é igreja e comunidade se formou principalmente nos lares dos cristãos. Ali, a comunidade se reunia em pequenos grupos, orando, cantando, celebrando a Ceia do Senhor, aprendendo e compartilhando as palavras de Jesus.

Esses grupos de adoração também se tornaram as primeiras escolas da igreja, uma vez que nesses lugares os novos membros eram apresentados à Bíblia e a essa nova vida em Cristo. Paulo escreveu em Romanos 12:2: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”. Textos como esse sugerem que a igreja levou muito a sério essa obra de educação.

Esses primeiros cristãos logo descobriram que o evangelho pode ser vivido de modo mais eficaz em comunidade, quando temos motivos para cantar com mais entusiamo, orar com mais fervor e ser mais cuidadosos e compassivos. Quando ouvimos os outros falando da bondade de Deus, sentimos quanto Ele tem sido bom para nós; quando ouvimos sobre as lutas e dores uns dos outros, sentimos a cura de Deus em nossa vida e experimentamos um desejo renovado de ser instrumentos de Sua graça e cura.

Nessa passagem, Paulo afirmou que o evangelho de Deus é tudo: o poder da cruz, a ressurreição do Senhor e a promessa de Seu retorno. Simplesmente não havia notícia melhor em todo o mundo! E Paulo passou a vida dedicado ao desafio de, acima de tudo, compartilhar a história de ­Jesus com a maior integridade e comprometimento.

No entanto, Paulo sugeriu nesse texto que a mensagem do evangelho pode ser mais bem entendida e vivenciada por meio do ato de compartilhar a vida. Nunca devemos nos esquecer de que as pessoas observam atentamente para ver se nossa vida ilustra a mensagem de graça encontrada na Bíblia.

Pergunte a si mesmo: que tipo de testemunha eu sou aos que estão à minha volta?
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Sexta-feira, 27 de novembro
Ano Bíblico: 2Co 5-7
Estudo adicional

Cristo frustrou essa esperança de grandeza mundana. No Sermão do Monte, procurou desfazer a obra da falsa educação, dando aos ouvintes o conceito correto sobre o significado de Seu reino, bem como de Seu próprio caráter. No entanto, não atacou diretamente os erros do povo. Via as misérias do mundo por causa do pecado, mas não lhes apresentou um quadro vivo de sua desgraça. Ensinou-lhes algo infinitamente melhor do que haviam conhecido. Sem combater suas ideias sobre o reino de Deus, apresentou-lhes as condições para ter acesso a ele, deixando-os tirar as próprias conclusões quanto à natureza desse reino. As verdades que ensinou não são menos importantes para nós do que para a multidão que O seguia. Não menos do que eles, necessitamos aprender os princípios fundamentais do reino de Deus” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 299).

Perguntas para consideração

1. Robert Louis Stevenson nasceu em Edimburgo, na Escócia, em 1850. Stevenson relatou que, certa noite, enquanto sua babá o preparava para dormir, ele foi até a janela e viu uma cena encantadora. Era um homem acendendo lampiões a gás, indo de um lampião a outro. Com prazer infantil, ele chamou sua babá e disse: “Olhe aquele homem! Ele está abrindo buracos na escuridão!” Qual função Deus lhe deu para trazer luz e amor à sua comunidade? Converse com os membros da igreja sobre o que vocês podem realizar juntos.

2. Cristo veio a nós, viveu em nosso mundo, lutou, riu e chorou conosco. Isso nos lembra de que somos chamados a cuidar das pessoas. Como envolver os jovens nessa obra?

3. Pense na responsabilidade que temos de ensinar aos outros as maravilhosas verdades reveladas a nós. Como a igreja pode e deve desempenhar um papel fundamental no ensino dessas verdades? Como a igreja pode ser um ambiente seguro para discutir essas verdades com os que fazem perguntas difíceis sobre elas? O que fazer para criar um ambiente em que as questões importantes possam ser abordadas?

4. Fale sobre os preconceitos culturais da sociedade. De que maneira sua igreja pode ensinar as pessoas a superar esse problema e seguir os ensinamentos das Escrituras?

 

Respostas e atividades da semana: 1. Devemos considerar todos iguais a nós, inclusive nossos inimigos. A verdadeira educação cristã não faz distinção de pessoas. 2. Devemos viver de maneira a glorificar a Deus. Nosso testemunho pessoal influencia muito a maneira pela qual as pessoas veem a Deus. Precisamos refletir Sua imagem em nossa vida. 3. A. 4. B. 5. Paulo disse que não devemos fazer as coisas buscando elogios humanos e que devemos “andar uma segunda milha”, compartilhando não só o evangelho, mas nossa vida. Somos chamados a nos envolver na igreja e na escola, doando nosso tempo às pessoas.



Resumo da Lição 9
A igreja e a educação

ESBOÇO

Esta lição começa onde toda a educação deveria iniciar: considerando o valor do estudante à luz da cruz. A educação vinda da igreja e de seus departamentos deve permear e elevar-se acima de quaisquer tendências culturais antagônicas ao reino de Deus.

Vivemos em uma teia de cosmovisões concorrentes e correntes culturais que bombardeiam crianças e adultos a todo o tempo. Esse confronto faz com que muitos que buscam a verdade, jovens e idosos, duvidem e levantem questionamentos sobre a verdade. Nossas igrejas locais devem oferecer oportunidade para que esses questionamentos sejam respondidos. Se a igreja fala da confusão, das trevas morais ou do desespero do mundo, se nossas respostas sustentam a verdade que aprendemos de Jesus, então estamos cumprindo a comissão de Jesus de ser sal e luz neste mundo (Mt 5:13-16).

Depois de pensar sobre a gloriosa aspiração de difundir a verdade divina ao redor do planeta, é importante se lembrar das coisas simples que podem fazer avançar ou frear a missão.

COMENTÁRIO

Ilustração e um provérbio

A palavra “igreja” pode evocar pensamentos radicalmente distintos na mente das pessoas. Para ilustrar isso, relembre a época da escola. As memórias de aritmética, geografia e ciências inundam sua mente? Provavelmente não. Isso é irônico, porque, antes de tudo, foi por isso que fomos enviados para a escola. O que certamente nos vem à memória são as imagens de amigos, inimigos, professores e as experiências variadas que tivemos com todos eles.

A igreja é muito parecida com isso. O que se pretende é que ela seja um local de culto, de ouvir e aceitar o evangelho, estudar as Escrituras, organizar nossos esforços para ganhar almas e ter comunhão como irmãos e irmãs na família de Deus. Para muitos, porém, torna-se o local de sentimentos feridos, debates doutrinários mesquinhos e fofocas. O lado social da igreja muitas vezes ofusca todas as outras funções que ela deve cumprir. Muitos param de frequentá-la porque a dinâmica social complexa e prejudicial (às vezes com apenas uma ou duas pessoas) torna praticamente impossível adorar a Deus e desfrutar da presença divina sem distrações. Então, qual é a solução?

Há muitas formas de responder a essa pergunta e, é claro, o número de livros escritos sobre “como fazer igreja” são numerosos. A lição, no entanto, traz uma ideia muito simples e que vale ouro. A questão é basicamente a seguinte: qual é o valor ou que efeito tem toda a luz doutrinária que possuímos como igreja se não somos gentis uns com os outros? Esse é um pré-requisito para a igreja realmente funcionar como tal. Ele ecoa o provérbio indiano que diz: “Não há sentido em dar a alguém uma rosa para cheirar depois de você lhe ter arrancado o nariz”. Jesus é a flor de cheiro mais doce que existe, mas, se a nossa crueldade com outros os machucou (arrancou-lhes o nariz), será muito difícil apreciarem o Jesus que queremos compartilhar. A lição usa a parábola do bom samaritano (Lc 10:30-37) para destacar esse princípio de bondade, que é necessário e elementar para a educação cristã. Outra história, apresentada a seguir, destaca esse conceito de um ponto de vista diferente.

Escrituras

Vamos examinar a história da mulher “possessa de espírito adivinhador” (At 16:16). Ela despejou uma série de maldições e mentiras? Sua mensagem foi: “Estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação” (At 16:17). Paulo se cansou e expulsou o espírito maligno. Mas por que impedi-la se ela estava endossando os evangelistas e sua mensagem? Eis o porquê: A mensagem certa com o espírito errado ajuda a causa de Satanás, e não a causa de Deus. É por isso que ser gentis e bondosos uns com os outros na igreja é mais do que apenas um conselho trivial. Em geral as pessoas aceitam ou rejeitam as verdades da mensagem de uma igreja com base na maneira pela qual seus membros as tratam. É claro que gostamos de pensar que esses membros se tornaram adventistas do sétimo dia por causa da lógica impecável da nossa teologia, mas o fato é que, se alguém não os tivesse convidado para almoçar depois do culto, poderiam ter ido embora para sempre.

Alguém pode protestar e dizer: “E o papel do Espírito Santo na conversão e retenção de membros? O rumo dessa discussão não minimiza o papel do Espírito?” O Espírito Se identifica prontamente com dons como profecia, sabedoria, conhecimento e ensino (1Co 12:8-10; 12:28), elementos para a boa educação adventista. Esses dons direcionados para a obra são muito importantes dentro da igreja, porém sua influência pode ser mitigada sem os dons relacionais do Espírito, como ajudar um ao outro (1Co 12:28), servir (Rm 12:7, NVI), mostrar misericórdia e encorajar uns aos outros (Rm 12:8), juntamente com os frutos do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (Gl 5:22, 23). Por fim, Paulo encerra as duas listas de dons espirituais (Rm 12 e 1Co 12) com “um caminho sobremodo excelente”, o caminho do amor (1Co 12:31-13:1). Ele aprofundou o tema em Romanos 12:10 com o incentivo: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.”

Amar uns aos outros é um bordão tão comum nos círculos cristãos que, às vezes, a demonstração desse princípio corre o risco de tornar-se obsoleta ou superficial, quando os membros passam a demonstrar externamente uma espécie de amor que não se estende além do culto de sábado. Mas é possível revelar amor de fato se a bondade não for demonstrada ao mesmo tempo? Para que a igreja seja um lugar de aprendizado e crescimento, não serão necessários apenas pastores e professores competentes e cheios do Espírito; é preciso haver bondade e amor dos membros cheios do Espírito.

Uma estatística

Certa estatística derivada dos evangelhos e do livro de Atos tem o potencial de mudar radicalmente a maneira como nos vemos no relacionamento com Cristo. Essa mudança 

também é relevante para o tema da educação. Primeiro, algumas definições: procure o substantivo “cristão” em qualquer dicionário e a primeira definição será algo como “pessoa que crê em Jesus e em Seus ensinos”. A palavra “cristão” serve para mostrar afiliação religiosa. Atos nos diz que os seguidores de Cristo foram chamados “cristãos” em Antioquia (At 11:26), e é provável que esse título não tenha sido uma autodesignação.

A palavra “cristão” aparece três vezes na Bíblia (At 11:26; 26:28; 1Pe 4:16). Contudo, no presente, esse título é praticamente o termo exclusivo e universal para designar um adepto do cristianismo. Então, como eram chamados os “cristãos” antes da designação dada em Antioquia? A estatística a seguir responde à pergunta e contrasta com a primeira estatística: O número de ocorrências da palavra “discípulo” na Bíblia é de 256 vezes.

Quando alguém se autodesigna cristão, em geral evoca a ideia de que adere a um conjunto de crenças. Mas e se nos autodesignarmos “discípulos”? Os discípulos são estudantes, aprendizes práticos, alunos. Certamente creem no que lhes foi ensinado, mas são mais do que crentes; aprendem as habilidades de seu mestre para repeti-las e seguem a mesma carreira dele. E, quando o mestre morre, seus discípulos propagam os ideais e práticas aos quais ele dedicou a vida.

Assim como a maior parte do que sabemos sobre Sócrates foi por meio de Platão, seu aluno de destaque, o mundo tem o direito de tirar conclusões sobre Jesus contemplando a vida de Seus discípulos: você e eu. Além disso, é um erro pensar que o termo “discípulo” (do grego mathetes: “aluno”, “pupilo”) seja reservado para os 12 seguidores originais de Cristo. Quando Lucas escreveu sobre as conversões em massa no livro de Atos, que descreve a sequência do seu evangelho, ele falou do crescente número de “discípulos” (At 6:1; 6:7). Ananias, Tabita e Timóteo são todos chamados “discípulos” (At 9:10; 9:36; 16:1). Referir-se a todos esses “cristãos” como discípulos é simplesmente reconhecer sua obediência ao Rabi, ao Mestre que ordenou: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28:19).

Aplicação para a vida

A igreja é chamada de hospital para os que sofrem espiritualmente. Essa é uma metáfora muito mais comum do que aquela que chama a igreja de universidade para os que perecem na ignorância e nas trevas espirituais, uma universidade na qual todos somos chamados a nos matricularmos como estudiosos em residência permanente, aprendendo com Jesus de Nazaré, o Mestre dos mestres. Mas as duas metáforas, hospital e universidade, precisam estar unidas para nos dar o entendimento mais completo da palavra “igreja”. Ou seja, nossa cura espiritual deve estar associada a uma educação religiosa que nos treina para ser discípulos.

1. Temos nossa vida devocional, a Escola Sabatina e o momento do sermão. Se formos honestos, porém, admitiremos que, com o passar dos anos, tudo pode se tornar repetitivo e cansativo, e começa a diminuir a emoção que sentimos no início de nossa experiência adventista. De que maneira podemos melhorar nossa educação cristã pessoal ou dar nova vida à nossa rotina normal de aprendizado na igreja?

2. Quando vamos a uma nova igreja, a primeira coisa que observamos não é se o sermão foi bom ou se a refeição do “junta panelas” foi saborosa. Observamos o clima da igreja: era fria ou as pessoas eram amigáveis? A parte complicada é que, tratando-se da minha igreja local, posso estar me divertindo muito com meia dúzia de amigos enquanto estudamos e rimos juntos. Para mim, a igreja é atraente, certo? Para mim, sim, mas não para o visitante ou o solitário que está olhando para todas essas pessoas unidas e se sentindo um estranho. Os membros da igreja precisam tirar um momento para avaliar os arredores e procurar aqueles que estão tímidos, acanhados. Que estratégias podem evitar que pessoas se sintam fora da família de Deus?


Leão invade cabana

Gulam Masih tinha muitas perguntas sobre Deus. Quando era criança, acompanhava o pai em cultos de duas igrejas em dois dias diferentes. Um dia, o pai o levava a um lugar tradicional de culto da familia e, no domingo, ele levava a várias igrejas cristãs diferentes. Porém, o pai não conseguia decidir qual culto escolher. Certa ocasião, enquanto lia o livro sagrado da família, ele exclamou: “Parece que Jesus é mencionado neste livro mais vezes que nosso profeta! Por que será?” Então, a família criou sua própria religião que era parte de crenças tradicionais e parte cristã.

Enquanto crescia, Gulam preferia mais o cristianismo. Mas, desejava conhecer mais. Queria ver Jesus com os próprios olhos, e orava: “Jesus, eu gostaria de vê-Lo face a face!” Quando jovem, ele decidiu sair da casa da família e se mudar para uma cabana em um vilarejo distante, Chakwal. Ele desejava estudar a Bíblia sozinho por várias semanas. Os habitantes do vilarejo não eram cristãos e eram muito supersticiosos. Eles perceberam que Gulan tinha um comportamento tranquilo e gentil. Quando ele se oferecia para orar em favor de algum morador enfermo, este era curado. Então o apelidaram de “Homem santo”.

Os moradores o respeitavam como um homem santo e iam todas as manhãs e tardes levando alimento. Na cabana, Gulam orava e lia a Bíblia, estudando Daniel e Apocalipse, e repetia a oração para ver Jesus: “Por favor, Jesus, revele-Se a mim.”

Certa noite, enquanto orava e lia a Bíblia, sentado no chão de terra, percebeu que não estava sozinho. Olhou para cima e viu um leão. Ele observou enquanto o leão agachou e o olhou diretamente. Gulam ficou com medo e se afastou da fera. Então ouviu uma voz masculina, dizendo:

“Não tema. Acaricie o leão da cabeça à cauda.” “Não posso fazer isto!”, Gulam exclamou.
“O leão vai me matar!”
“Mas você orou para Me conhecer”, a voz disse.
“Eu orei para ver Jesus”, Gulam respondeu.
“Jesus é o Leão de Judá”, continuou a voz.
“Acaricie o leão.”

Gulam leu sobre Jesus como Leão de Judá em Apocalipse 5:5. Ele estava assustado, mas não ousou desobedecer. Ergueu a mão trêmula e colocou na cabeça do leão. Ele não se moveu. Lentamente, com a mão ainda trêmula acariciou o leão da cabeça à cauda. Quando se afastou, o leão balançou a cauda levantando poeira e saiu pela noite escura.

Na manhã seguinte, uma moradora foi à cabana levando o desjejum. Ela parou quando viu as pegadas do leão. Deixou cair o alimento e voltou correndo para o vilarejo. “O Homem Sagrado morreu!”, gritava. “Ele foi assassinado por um leão. Eu vi as pegadas em direção à cabana!” Os vizinhos correram até a cabana. E encontraram Gulam sentado lendo a Bíblia. Ele não tinha saído do lugar desde que o leão foi embora. Quando os moradores ouviram a história, ficaram maravilhados e pediram para aprender mais sobre Jesus.

Depois Gulam conheceu o sábado e se tornou adventista do sétimo dia. Ele construiu uma igreja em seu vilarejo, Dharam Kot Bagga, na região norte da Índia. Teve cinco filhas, duas filhas e faleceu em 1999, aos 90 anos. Seu filho mais novo, Samson, 48 anos, louva a Deus pela experiência com o leão. “Deus ama satisfazer o desejo de nosso coração”, ele diz.

Parte da oferta do trimestre ajudará na construção de uma nova igreja em Amritsar, onde Samson Gulam Masih serve como pastor. Muito obrigado por suas ofertas.

Dicas da história
• Assista ao vídeo sobre Samson no YouTube: bit.ly/Samson-Masih.
• Faça o download das fotos no Facebook (bit.ly/fb-mq).


Olá, lamentamos não ter esse conteúdo disponível no momento. Em breve um novo recurso de estudos para você.