“Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que habitam na Terra, e a cada nação, tribo, língua e povo” (Ap 14:6). Observe, o evangelho é eterno, no sentido de que sempre existiu, sempre esteve lá e foi prometido a nós em Cristo Jesus “antes dos tempos eternos” (Tt 1:2).
Portanto, não é de admirar que em outras passagens a Bíblia fale da “aliança eterna” (Gn 17:7; Is 24:5; Ez 16:60; Hb 13:20), porque a essência do evangelho é a aliança, e a essência da aliança é o evangelho: Deus, por meio de Sua graça e amor salvíficos, oferece a salvação que você não merece, nem pode obter; e você, em resposta, O ama “de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e com toda a sua força” (Mc 12:30), amor manifestado pela obediência à lei: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos” (1Jo 5:3).
Nesta semana, examinaremos a ideia da aliança segundo Deuteronômio, livro em que são reveladas a aliança e todas as suas implicações.
Na Bíblia, a aliança e o evangelho aparecem juntos. Embora a ideia de aliança existisse antes da nação de Israel (por exemplo, a aliança com Noé) e a promessa da aliança tenha sido feita antes do surgimento dessa nação, o pacto foi expresso de forma notável por meio da interação de Deus com Seu povo, começando com os patriarcas.
Desde o início, a verdade central da aliança foi o evangelho: a salvação somente pela graça mediante a fé.
1. Leia Gênesis 12:1-3; 15:5-18; Romanos 4:1-5. Qual foi a promessa da aliança feita a Abrão (depois chamado Abraão)? Como o evangelho é revelado nela?
Abraão creu em Deus, nas Suas promessas e, por isso, foi justificado diante do Senhor. Porém, isso não foi uma graça barata: Abraão procurou manter sua parte na aliança pela obediência, como visto em Gênesis 22, no Monte Moriá, embora “a sua fé lhe é atribuída como justiça” (Rm 4:5). Por essa razão, séculos depois, Paulo usou Abraão como exemplo do que é viver pelas promessas da aliança de Deus ao povo.
Esse tema ecoa por toda a Bíblia. Paulo citou em Gálatas 3:6 a passagem sobre a fé que Abraão teve e que lhe foi atribuída “para justiça” (Gn 15:6) e que remete à primeira promessa feita ao patriarca sobre todas as nações serem abençoadas nele (Gl 3:8, 9). As promessas da aliança são feitas a todos, judeus e gentios, “os que têm fé” (Gl 3:7) e, assim, são justificados pela fé sem as obras da lei – por mais que sejam obrigados, por causa da aliança, a obedecer à lei.
Mesmo quando Jeremias falou sobre a nova aliança, ele o fez no contexto da lei: “Porque esta é a aliança que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente lhes imprimirei as Minhas leis, também no seu coração as inscreverei; Eu serei o Deus deles, e eles serão o Meu povo” (Jr 31:33), refletindo uma linguagem que remonta ao livro de Levítico: “Andarei entre vocês e serei o seu Deus, e vocês serão o Meu povo” (Lv 26:12).
2. “Não é por causa da justiça de vocês, nem por causa da retidão do seu coração que vocês entrarão para possuir a terra dessas nações, mas o Senhor, o seu Deus, as expulsará de diante de vocês por causa da maldade delas e também para confirmar a palavra que o Senhor, o Seu Deus, jurou aos seus pais, Abraão, Isaque e Jacó” (Dt 9:5; ver também Dt 9:27). Como a realidade das promessas da aliança se manifesta nesse verso?
Nesse texto também aparece a aliança da graça: Deus trabalhou por eles – apesar dos erros constantes (e é assim que o evangelho opera no presente também). E foi por causa da promessa feita aos pais que a graça divina foi dada às gerações futuras.
No tratamento de Moisés com o povo, a quem as promessas da aliança foram dadas como um todo, ele com frequência se referia às promessas feitas aos patriarcas.
3. Leia Êxodo 2:24; 6:8; Levítico 26:42. Como atuam as promessas da aliança?
O êxodo do Egito, grande símbolo da divina graça salvífica, também teve sua base na aliança que o Senhor havia feito com os patriarcas. Ou seja, mesmo antes que os beneficiários da aliança tivessem nascido, as promessas foram feitas em favor deles. Sem nenhum mérito próprio (para dizer o mínimo), receberam a libertação prometida.
E ainda mais: eles foram do Egito para onde? Sim, para o Sinai, onde a aliança com eles foi “oficialmente” estabelecida (Êx 20). O ponto central dessa aliança era o evangelho e a lei, os Dez Mandamentos, aos quais foram chamados a obedecer, uma manifestação de seu relacionamento com o Senhor, que já os redimira (isso é o evangelho). Portanto, repetidas vezes em Deuteronômio, eles foram chamados a obedecer a essa lei como sua parte na aliança, confirmada no Sinai.
Embora a ideia de aliança (berit, em hebraico) para descrever o relacionamento de Deus com Seu povo esteja presente em toda a Bíblia, a palavra aparece com tanta frequência em Deuteronômio que esse livro foi chamado de “O Livro da Aliança”.
4. Veja Deuteronômio 5:1-21. O que acontece nessa passagem que ajuda a mostrar o quanto a ideia de aliança (berit ) é central nesse livro?
Não muito depois que os filhos de Israel foram resgatados do Egito, Deus estabeleceu a aliança com eles, no Sinai, quando estavam prestes a entrar na terra prometida. Então, após um desvio de 40 anos, novamente antes de tomarem posse da terra, parte central da promessa da aliança (ver Gn 12:7; Êx 12:25), o Senhor outra vez lhes deu, por meio do porta-voz Moisés, os Dez Mandamentos, considerando-os como uma maneira de enfatizar quão importante era que os israelitas renovassem seu compromisso.
O Senhor cumpriria Suas promessas da aliança; porém, eles deviam cumprir sua parte no acordo: “Então Ele anunciou a Sua aliança, que ordenou a vocês, os Dez Mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra” (Dt 4:13). Ele fez isso no Sinai, e fez em Moabe, antes de tomarem a terra prometida a eles e aos patriarcas séculos antes, uma manifestação da “aliança eterna” que precedeu a existência do mundo.
“Antes que os fundamentos da Terra fossem lançados, o Pai e o Filho Se uniram em aliança para redimir o ser humano, caso ele fosse vencido por Satanás. Deram as mãos, em um solene compromisso de que Cristo Se tornaria o Fiador da humanidade” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 834).
5. Leia Deuteronômio 5:3. Como podemos interpretar essa passagem?
O que Moisés estava dizendo? É provável que estivesse enfatizando o fato de que seus pais haviam morrido, e as maravilhosas promessas da aliança feitas aos pais estavam sendo passadas agora para eles. Pode ser que essa tenha sido a maneira de Moisés fazê-los saber que não deveriam falhar, como a geração anterior. As promessas (e obrigações) eram deles, que estavam vivos.
Para nós, é difícil entender como era o mundo na época em que Israel vagava pelo deserto. Se impérios surgiram e desapareceram, restando apenas ruínas (ou nem isso), o que podemos saber das muitas nações pagãs menores que viviam na região de Israel?
Não muito, mas sabemos de uma coisa: essas pessoas estavam mergulhadas no paganismo, politeísmo e algumas práticas totalmente degradantes, que incluíam o sacrifício de crianças. Tente imaginar quão degradante e maligna seriam uma cultura e uma religião que faziam isso com seus próprios filhos, e em nome de algum deus!
Não é de admirar que, repetidamente, em toda a história do antigo Israel, o Senhor advertiu Seu povo contra as práticas das nações ao redor. “Quando vocês entrarem na terra que o Senhor, seu Deus, lhes der, não aprendam os costumes abomináveis daqueles povos” (Dt 18:9).
Foi por isso que o Senhor chamou essa nação para um propósito especial. Por ter entrado em aliança com Ele, deveria ser um povo diferente, uma testemunha ao mundo Daquele que criou o céu e a Terra – o único Deus.
6. Leia Deuteronômio 26:16-19. Como a relação de aliança entre Deus e Israel foi resumida nesses versos? Como sua fidelidade à aliança deveria ser manifestada no tipo de povo que precisariam ser? Que lições podemos tirar disso?
É extraordinário que Moisés tenha iniciado esses versos com a palavra “hoje”, indicando que naquele instante Deus lhes ordenava que fizessem daquela forma (ele repete a ideia no v. 17). É como se dissesse que deviam se comprometer naquele momento, novamente, a ser fiéis, santos e especiais, razão central de sua existência como a nação da aliança. Eles eram a única nação que conhecia o Deus verdadeiro, a verdade sobre esse Deus e a maneira de viver segundo Sua vontade. Não apenas tinham a “verdade presente”, mas deveriam incorporar essa verdade até que Jesus, a Verdade em Pessoa (Jo 14:6), viesse e confirmasse a aliança.
Pesquisas bíblicas há muito tempo reconheceram as semelhanças entre a aliança de Israel com Deus e outras alianças entre reinos. Esse paralelo não deve surpreender. O Senhor trabalhava com Seu povo em um contexto que ele pudesse entender.
Ao mesmo tempo, a ideia de uma aliança, um acordo legal entre duas partes, com regras, estipulações e regulamentos, pode parecer muito fria e formal. Embora esse elemento deva realmente existir (Deus é o Legislador), não é amplo o suficiente para abranger a profundidade e a amplitude do tipo de relacionamento que Deus desejava ter com Seu povo. Consequentemente, outras imagens são usadas em Deuteronômio para ajudar a retratar a mesma ideia da aliança entre Deus e Israel, apenas para dar-lhe dimensões adicionais.
7. Leia Deuteronômio 8:5; 14:1; 32:6, 18-20. Que tipo de imagem é usada, e como isso pode ajudar a revelar o relacionamento que Deus deseja ter com Seu povo?
8. Leia Deuteronômio 4:20 e 32:9. Que outra imagem é usada e como também ajuda a revelar o tipo de relacionamento que Deus deseja ter com Seu povo?
Em cada caso, existe a ideia de família, que deveria ser o vínculo mais próximo, estreito e amoroso. Deus sempre quis ter esse tipo de relacionamento com Seu povo. Embora esse povo tenha rejeitado Jesus, depois de ressuscitar Ele disse às mulheres: “Não tenham medo! Vão dizer aos Meus irmãos que se dirijam à Galileia e lá eles Me verão” (Mt 28:10). Mesmo como o Cristo ressurreto, Ele Se referiu aos discípulos como Seus irmãos, dando assim exemplo de amor e graça que fluem para aqueles que não merecem. É essencialmente assim que o relacionamento entre Deus e a humanidade sempre foi: graça e amor aos indignos.
“O espírito de escravidão é gerado por se procurar viver de acordo com a religião legal, pelo esforço de cumprir as reivindicações da lei em nossa própria força. Há esperança para nós apenas ao nos colocarmos sob a aliança abraâmica, que é a aliança da graça pela fé em Cristo. O evangelho pregado a Abraão, por meio do qual ele teve esperança, foi o mesmo que é pregado a nós hoje, por meio do qual temos esperança. Abraão olhou para Jesus, que é o Autor e Consumador da nossa fé” (Comentários de Ellen G. White, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 6, p. 1199).
“Antes que os fundamentos da Terra fossem lançados, o Pai e o Filho Se uniram em aliança para redimir o ser humano, caso ele fosse vencido por Satanás. Deram as mãos, em um solene compromisso de que Cristo Se tornaria o Fiador da humanidade. Esse compromisso foi cumprido por Jesus. Quando sobre a cruz Ele soltou o brado: ‘Está consumado!’ (Jo 19:30), estava Se dirigindo ao Pai. O pacto foi plenamente satisfeito. E agora Ele declarou: ‘Pai, está consumado! Fiz, ó Meu Deus, a Tua vontade. Concluí a obra da redenção. Se a Tua justiça está satisfeita, ‘a Minha vontade é que onde Eu estou, estejam também comigo os que Me deste’” (Jo 17:24; Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 834).
Perguntas para consideração
1. Antes da fundação do mundo, “o Pai e o Filho Se uniram em aliança” para nos redimir, caso o ser humano caísse. Isso nos encoraja? Quanto Deus deseja nossa salvação?
2. Como podemos cumprir o papel que os antigos israelitas deveriam ter cumprido em seu tempo? Como evitar os erros que eles cometeram?
3. Por que as promessas do evangelho são centrais para a nova aliança? Quais textos bíblicos mostram que a lei não foi abolida no contexto da nova aliança?
Respostas e atividades da semana: 1. Os que creem no evangelho podem ter a salvação mediante a fé. 2. Deus não deixaria de cumprir a promessa feita aos patriarcas, embora o povo de Israel tivesse falhado. 3. As promessas da aliança se cumprem pela graça. 4. Deus relembra a lei, a parte do povo na aliança. 5. As promessas da aliança são para nós no presente, e devemos cumprir nossa parte. 6. O povo seria exaltado perante as nações se amasse a Deus e Lhe obedecesse. A nação seria exaltada. 7. A imagem do Pai. Deus deseja ter com Seu povo um relacionamento de Pai para filho. 8. A imagem da herança. Deus queria um relacionamento familiar.
TEXTO-CHAVE: Gn 17:7
FOCO DO ESTUDO: Gn 12:1-3; 15:6, 18; Êx 2:24; Dt 4–5; Rm 4:1-5
ESBOÇO
Conforme dito anteriormente, a estrutura do livro de Deuteronômio segue o modelo dos antigos tratados de aliança. Essa é uma indicação clara de que a principal intenção teológica da última lição de Moisés é sobre a aliança de Deus com Seu povo. Embora a noção de aliança seja antiga – a palavra berit, “aliança”, é usada pela primeira vez na narrativa de Noé para se referir à aliança universal de Deus com a humanidade (Gn 6:18; compare com 9:13) – somente com Abraão a palavra foi usada pela primeira vez para se referir à aliança particular de Deus com Seu povo (Gn 15:18). No livro de Deuteronômio, a palavra “aliança” aparece 27 vezes e é usada pela primeira vez no capítulo 4:13. Visto que Deus é eterno, a principal característica de Sua aliança é que ela é uma “aliança perpétua” (Gn 17:7). O estudo da “aliança” nesta semana nos ajudará a entender o relacionamento de Deus com Seu povo.
Temas da lição
• O Deus da vida. O Senhor estabeleceu Sua aliança com Israel, não por causa dos israelitas e de quem eles eram, mas por Si mesmo e de quem Ele é: o Deus da vida.
• O povo escolhido. Por causa da fidelidade de Deus aos patriarcas, Ele escolheu Israel para ser o povo da aliança.
• Um povo santo. Chamados pelo Deus da vida para ser o povo da aliança, os israelitas também deviam ser um povo santo.
COMENTÁRIO
Depois de relembrar ao povo os eventos vividos no deserto, Moisés passou a demonstrar que os israelitas seriam beneficiados em se apegar a Deus e permanecer fiel às cláusulas de sua aliança com Ele “hoje”. Para isso, Moisés usou dois argumentos. Primeiro: o povo devia permanecer fiel por causa de quem Deus é “hoje”, o Deus da vida. Em segundo lugar, o povo devia se manter leal a Deus por causa de quem é “hoje”, Seu povo escolhido e, portanto, Seu povo santo.
O Deus da vida
A aliança começa com Deus, Aquele que iniciou a aliança com Seu povo, não por causa de quem o povo era, não por causa de seu valor, mas por causa de quem Deus é. É por isso que a aliança é estabelecida principalmente com base nos atos divinos de salvação em favor do Seu povo: “Você viu tudo o que o Senhor, o Deus de vocês, tem feito” (Dt 3:21). É uma aliança da graça. Deus salvou Israel não por causa de obras que o povo fez – pois o povo era indigno e rebelde – mas por causa de Sua graça.
É interessante e significativo que a mesma frase seja usada novamente no capítulo seguinte (Dt 4:3) para lembrar Israel do que Deus fez contra aqueles que seguiram Baal-Peor (compare com Nm 25:1-9). A principal lição tirada dessas duas situações é que a única maneira de sobreviver é apegar-se somente a Deus e “ouvir” “ensinar” Suas instruções “para que vivam” (Dt 4:1). Esse princípio é explicitamente enunciado em Levítico 18:5: “Portanto, guardem os Meus estatutos e os Meus juízos. Aquele que os cumprir, por eles viverá. Eu sou o Senhor”. A implicação imediata desse princípio é evitar a idolatria, uma advertência que ocupa a maior parte do capítulo (Dt 4:15-40), pois a idolatria seria o próprio mecanismo pelo qual o povo de Deus se afastaria Dele e, portanto, da vida.
Moisés descreveu a idolatria como um processo que se origina em nós mesmos, pois a adoração de ídolos é a adoração do que fazemos, de quem somos. É por isso que Moisés aconselhou: “Tenham cuidado!” (Dt 4:15). Por isso, o primeiro mandamento, que deriva da afirmação do ato divino de salvação (Dt 5:6) é o que ordena o monoteísmo (Dt 5:7), que é seguido pelo mandamento que proíbe a idolatria (Dt 5:8). É também por isso que, no mesmo contexto, o mandamento do sábado é justificado pelo ato divino de salvação (Dt 5:15), e a repetição dos Dez Mandamentos é seguida pelo chamado para amar a Deus (Dt 6:1-9), o que implica a mesma relação de exclusividade (veja a próxima lição).
Perguntas para discussão e reflexão: Leia Provérbios 3:1, 2. Por que a lei de Deus é boa para nossa vida? De que forma a lei de Deus nos salva da morte? Por que o mandamento do sábado em Deuteronômio 5:15 se refere à salvação de Israel em lugar da criação do mundo (compare com Êx 20:11)?
O povo escolhido
O outro argumento de Moisés para convencer o povo a guardar os mandamentos de Deus diz respeito ao próprio povo, porque a nação foi escolhida pelo Senhor (Dt 7:6). Imediatamente, Moisés especificou que Deus escolheu o povo não porque ele era melhor do que os outros povos, mas simplesmente por causa da fidelidade do Senhor ao juramento que Ele fez a seus pais (Dt 7:8) e porque Ele o ama (Dt 7:8). Visto que o Senhor ama Seu povo, Ele é ciumento, zeloso (Dt 4:24; 6:15) e não tolerará que o coração de Seu povo fique dividido entre Ele e o amor a outros deuses. O “ciúme” em conexão com Deus pode ser chocante para alguns, pois “ciúme” é em geral associado com crime e pecaminosidade humana. Mas essa descrição de Deus como “ciumento” é paradoxalmente reconfortante. O autor bíblico se refere a essa qualidade humana para sugerir o amor apaixonado e exclusivo de Deus por Seu povo. Assim como Deus é descrito como “Um”, Único, Ele considera Seu povo como único, porque o ama.
Perguntas para discussão e reflexão: Por que foi necessário que Deus escolhesse apenas um povo em particular, Israel, para ser o depositário da verdade sobre a salvação universal e transmiti-la a todos? Por que o amor particular de Deus por um povo, Israel, não é incompatível com o amor particular de Deus por você? Qual é o perigo de pensar que Deus lhe ama mais do que a outros? E, contudo, até que ponto esse pensamento tem algo de correto?
O povo santo
Assim como Deus salvou o povo de Israel e o escolheu porque o amava, esperava-se que Israel respondesse e, também por amor, O escolhesse dentre todos os outros deuses. Como resultado, essa escolha envolvia lealdade apenas a Ele e ao modo de vida “diferente” que essa escolha acarretaria. É significativo que a definição de “povo escolhido” se relacione com a qualificação “povo santo” (Dt 7:6). A palavra hebraica qadosh, “santo”, significa ser “separado”, isto é, ser diferente, único, assim como Deus é único: “Sejam santos, porque Eu sou santo” (Lv 11:44; compare com Lv 11:45).
Ser “santo” não se refere a uma qualidade estática, ser perfeito como Deus é perfeito e ser um “santo”. Ao chamar Seu povo para ser qadosh, “santo”, Deus chama Israel para ser Seu povo, para ser separado dos outros povos para um relacionamento especial com Ele (compare Êx 19:6). A preposição hebraica le, que está ligada a Deus (leYHWH), expressa essa ideia de pertencer a Deus em particular. Ser “santo” significa estar separado para um relacionamento especial com Deus: “Vocês são povo santo para o Senhor [leYHWH], seu Deus” (Dt 7:6). E a razão para essa separação é que “o Senhor, seu Deus, os escolheu, para que, de todos os povos que há sobre a terra, vocês fossem o Seu próprio povo” (Dt 7:6). Ser “santo” é, portanto, um elemento importante na aliança. Essa não é uma qualidade estática, mas dinâmica, sempre presente e relevante. Ser “santo” não é algo que herdamos do passado por causa de nossos patriarcas ou pioneiros. Essa realidade da aliança é enfatizada na sua definição: “Não foi com nossos pais que o Senhor fez esta aliança, e sim conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos” (Dt 5:3). Ser “santo” é uma exigência que diz respeito ao presente, “hoje”.
Essa verdade presente é repetida muitas vezes no livro de Deuteronômio precisamente porque somos chamados a ser “hoje o Seu povo próprio” (Dt 26:17, 18). Outra passagem é ainda mais explícita e inclui na aliança pessoas que ainda não existiam: “Não é somente com vocês que faço esta aliança e este juramento, porém [...] com aquele que não está aqui, hoje, conosco” (Dt 29:14, 15). Algumas linhas depois, a passagem bíblica especifica que esta aliança se refere também “aos nossos filhos, para sempre” (Dt 29:29). Visto que essa aliança é sempre “verdade presente”, precisamos torná-la “presente”; e sempre “relembrá-la” e continuar ensinando-a (Dt 6:7; 8:2, 18; 9:7).
Perguntas para discussão e reflexão: Sendo pecadores, como podemos ser santos? Por que a exigência bíblica de sermos “santos” – isto é, diferentes e separados do mundo – nos ensina como devemos interagir com o mundo atual?
APLICAÇÃO PARA A VIDA
O filósofo judeu Abraham Heschel descreveu a resposta bíblica à pergunta “O que é viver?” como “o segredo de ser humano e santo” (Abraham Joshua Heschel, I Asked for Wonder [Crossroad, 1983], p. 80). Considere exemplos bíblicos de pessoas “humanas” – isto é, estavam em contato com a realidade do mundo – e “santas”. Liste as qualidades dessas pessoas: o que as tornava humanas e o que as tornava santas? À luz desses modelos bíblicos, como aplicar o princípio de “ser humano e santo” nas várias situações que se seguem?
• Você foi convidado para a casa de uma amiga. Ela, que não é adventista, serve uma refeição com carne de porco que ela preparou. Como você pode ser “humano” – isto é, amoroso e respeitoso com sua hospitalidade – e ainda ser santo, não transgredindo a proibição de Deus contra alimentos impuros?
• Na igreja, um grupo de jovens atrás de você está rindo e conversando. Como você os ensina a ser reverentes e a respeitar o caráter sagrado do santuário (“ser santos”) de forma que ainda inspire um relacionamento positivo com eles?
• Como você pode explicar a verdade da profecia a um grupo de descrentes e ainda ser claro, interessante e relevante?
• Sua igreja está dividida em dois grupos. Um deles gosta de enfatizar a justiça social, o amor fraterno e a importância da graça, enquanto o outro enfatiza o juízo e a lei. Sendo líder, como você administra a tensão entre os dois grupos?
Conexão com o Céu
Nota: Peça que duas pessoas apresentem esta entrevista durante o momento do Informativo Mundial.
Narrador: Cathie e seu esposo, Brad, foram os primeiros missionários adventistas pós-comunistas que se mudaram para a Mongólia em 1991, através da Adventist Frontier Missions (Missão da Fronteira Adventistas), um ministério de apoio. Ela continua servindo a Deus nesse país. Conte-nos, Cathie, como é o processo de oração?
Cathie: Quando chegamos à Mongólia em 1991, senti que Deus me chamava para ser uma guerreira da oração. Mas eu argumentei com Deus: “Eu oro constantemente. Já sou uma guerreira de oração!” Meu primeiro esposo faleceu, casei novamente e nos mudamos para outro país asiático por algum tempo. Percebi que Deus me chamava novamente para ser guerreira de oração. Finalmente cedi e disse: “Tudo bem, colocarei na minha agenda três momentos diários de oração.”
Milagres começaram a acontecer enquanto meu marido, três filhas mais novas e eu orávamos três vezes ao dia. Durante meses, procuramos um local para morar por meses e Deus o providenciou. Meu esposo e eu perdemos nosso emprego como professores de inglês e Deus nos deu um novo emprego na área de educação em uma melhor posição.
Esse foi o primeiro passo pelo qual Deus me conduziu ao ministério da oração. O segundo passo foi quando comecei a refletir sobre as instruções repetidas de Jesus sobre “vigiar e orar” no Novo Testamento. Eu não sabia exatamente o que Ele desejava falar. Procurei nos escritos de Ellen White trechos que falassem sobre vigiar e orar e sintetizei em um texto. Aprendi que “vigiar” significava que precisamos observar nossas emoções, nossas palavras e se temos uma atitude indiferente.
Sempre que minhas filhas enfrentavam dificuldades no início da adolescência, eu perguntava: “Vocês já vigiaram e oraram?” Normalmente, elas reconheciam que não observavam seus atos e palavras. Reservamos uma sala de oração em nossa casa onde cada um de nós, três vezes por dia, confessávamos privadamente nossos pecados e debilidades, pedindo que Deus os substituíssem por um espirito humilde e amoroso. Isso ajudou a suavizar nosso relacionamento familiar.
Narrador: Como você lê a Bíblia?
Cathie: Depois de ler que o pioneiro da igreja, Guilherme Miller, estudava a Bíblia um verso por dia, decidi tentar fazer o mesmo. Foi emocionante comparar cada verso com o original hebreu ou grego. Atualmente, tento melhorar o idioma mongol através da leitura bíblica. Com um caderno ao lado, leio um verso em inglês e, em seguida, em mongol. É um processo muito lento, mas, tento estudar um capítulo por dia.
Ler em mongol me dá a perspectiva porque palavras diferentes são usadas. Certa manhã, li em Deuteronômio 33:1, que em inglês diz: “Moisés, o homem de Deus.” Mas em mongol a descrição é: “Moisés, a pessoa de Deus.” Então, analisei: “Posso falar, ‘Cathie, a pessoa de Deus?’” Isso é tudo que eu precisava para aquele dia.
Narrador: Como você testemunha?
Cathie: As leis em muitos países onde vivi dificultam aos estrangeiros testemunharem abertamente de sua fé. Mas, podemos criar oportunidades para que as pessoas façam perguntas, e é perfeitamente aceitável responder as perguntas. Como professora de inglês, eu anoto a frequência pedindo aos alunos para escreverem algo em uma folha de papel. Separo tempo para responder cada anotação. Alguns alunos abrem o coração. Frequentemente, só é necessário fazer amizade e convidar as pessoas para visitar nossa casa. As pessoas abrem o coração em uma simples conversa íntima. É por esse motivo que desejo melhorar minha fluência em mongol.
Minha oração diária ecoa as palavras de Saulo quando ele viu Jesus na estrada para Damasco. Ele perguntou: “Senhor, o que queres que eu faça?” Em cada situação, todos os dias, Deus revela Sua vontade quando perguntamos: “O que queres que façamos?”
As ofertas do trimestre ajudarão a abrir um Centro de Estilo Saudável Adventista em Ulaanbaatar, capital da Mongólia.
Informações adicionais
• Faça o download da folha de cartões “Watch and Pray” (Vigiar e orar) que Cathie usa para enriquecer sua vida de oração: bit.ly/watch-and-pray-list.
• A foto mostra Cathie, à direita, com um amigo mongol.
• Faça o download das fotos no Facebook: bit.ly/fb-mq.
• Para outras notícias sobre o Informativo Mundial e informações sobre a Divisão do Pacífico Norte-Asiático, acesse: bit.ly/nsd-2021.
Essa história ilustra os componentes seguintes do plano estratégico da !greja Adventista “I Will Go”: Objetivo de Crescimento Espiritual nº 1 – “reavivar o conceito de missão mundial e sacrifício pela missão como um modo de vida que envolva não apenas os pastores, mas todos os membros da igreja, jovens e idosos, na alegria de testemunhar por Cristo e de fazer discípulos” através do “aumento do número de membros da igreja que participam em iniciativas evangelísticas pessoais e públicas com o objetivo de envolvimento total dos membros” (KPI 1.1).
Objetivo de Crescimento Espiritual nº 5 – “discipular indivíduos e familiares numa rotina espiritual” através do “aumento significativo dos membros na prática regular de oração, estudo da Bíblia, estudo da Lição da Escola Sabatina, escritos de Ellen White e outras formas de devoção pessoal” (KPI 5.1). Conheça mais sobre o plano estratégico em IWillGo2020.org.

