Logo depois que Adão e Eva pecaram, Deus lhes prometeu uma “semente”, um Filho que os libertaria do inimigo, recuperaria a herança perdida e cumpriria o propósito para o qual foram criados (Gn 3:15, ARC). Esse Filho os representaria e os redimiria tomando seu lugar e, por fim, destruiria a serpente. “Depois que Adão e Eva ouviram pela primeira vez a promessa, aguardavam um cumprimento imediato dela. Receberam alegremente seu primeiro filho, na esperança de que fosse o Libertador. Contudo, a concretização da promessa demorou” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 31). A promessa foi posteriormente confirmada a Abraão. Deus jurou que ele teria um Descendente, um Filho por meio do qual todas as nações da Terra seriam abençoadas (Gn 22:16-18; Gl 3:16). E fez o mesmo a Davi. Prometeu-lhe que seu Descendente seria como Seu próprio Filho e seria estabelecido como um Governante justo sobre todos os reis da Terra (2Sm 7:12-14; Sl 89:27-29). Contudo, é provável que nem Adão nem Eva, nem Abraão nem Davi tenham imaginado que esse Filho Redentor seria o próprio Deus.
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O primeiro parágrafo de Hebreus revela que Paulo acreditava estar vivendo nos “últimos dias”. As Escrituras empregam duas expressões sobre o futuro, com significados diferentes. Os profetas usaram a expressão “últimos dias” para falar sobre o futuro em geral (Dt 4:30, 31; Jr 23:20). Daniel usou a expressão “tempo do fim”, para falar sobre os últimos dias da história da Terra (Dn 8:17; 12:4).
1. Leia Números 24:14-19 e Isaías 2:2, 3. O que Deus prometeu fazer por Seu povo nos “últimos dias”?
Vários profetas do AT anunciaram que nos “últimos dias” Deus levantaria um Rei que destruiria os inimigos de Seu povo (Nm 24:14-19) e que atrairia as nações para Israel (Is 2:2, 3). Paulo disse que essas promessas foram cumpridas em Jesus. Ele derrotou Satanás e atraiu todas as nações para Si (Cl 2:15; Jo 12:32). Nesse sentido, “os últimos dias” começaram porque Jesus cumpriu essas promessas divinas.
Nossos pais espirituais morreram na fé. Eles viram e saudaram as promessas “de longe”, mas não as receberam. Nós, porém, vimos seu cumprimento em Jesus.
Pensemos por um momento nas promessas de Deus e de Jesus. O Pai prometeu que ressuscitaria Seus filhos (1Ts 4:15, 16). A notícia maravilhosa é que essa ressurreição teve início com a ressurreição de Jesus (1Co 15:20; Mt 27:51-53). O Pai também prometeu uma nova criação (Is 65:17). Ele começou a cumprir essa promessa criando uma nova vida espiritual em nós (2Co 5:17; Gl 6:15). Ele prometeu que estabeleceria Seu reino (Dn 2:44) e o inaugurou libertando-nos do poder de Satanás e estabelecendo Jesus como nosso Governante (Mt 12:28-30; Lc 10:18-20). Isso é apenas o começo. O que o Pai começou a fazer na primeira vinda de Jesus, Ele completará na segunda.
2. Quando foi inaugurado o reino de Deus?
A. ( ) Na crucifixão e ressurreição de Cristo, quando Ele venceu a morte.
B. ( ) Quando Cristo nasceu em Belém.
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3. Leia Hebreus 1:1-4. Qual é a ideia central desses versos?
No original grego, Hebreus 1:1-4 é apenas uma frase, e afirma-se que é a mais bela de todo o NT do ponto de vista de sua qualidade retórica. Sua principal afirmação é que Deus falou conosco por meio de Seu Filho, Jesus.
Para os judeus do primeiro século d.C., a palavra de Deus não era ouvida havia muito tempo. A última revelação expressa na Palavra divina escrita foi por meio do profeta Malaquias e dos ministérios de Esdras e Neemias quatro séculos antes. Porém, por meio de Jesus, Deus falou com eles novamente.
A revelação divina por meio de Jesus, no entanto, foi superior à revelação que Deus fez por meio dos profetas, pois Jesus é um meio maior de revelação. Ele é o próprio Deus, que criou o céu e a Terra e governa o Universo. Para Paulo, a divindade de Cristo é inquestionável.
Além disso, para o apóstolo, o AT era a Palavra de Deus. O mesmo Deus que falou no passado continua a falar no presente. O AT comunica a vontade divina; porém, só foi possível entender seu significado de maneira mais completa quando o Filho veio à Terra. Na mente do autor, a revelação do Pai no Filho ofereceu a chave para a compreensão da verdadeira amplitude do AT, assim como a imagem na caixa de um quebra-cabeça apresenta a chave para encontrar o encaixe correto para cada uma das peças. Jesus trouxe à luz muito do AT.
Ele veio para ser nosso Representante e Salvador, tomar nosso lugar na luta e derrotar a serpente. Da mesma forma, em Hebreus, Jesus é o Pioneiro, Capitão e “Precursor” dos crentes (Hb 2:10; 6:20). Ele luta por nós e nos representa. Isso também significa que o que Deus fez por Jesus, nosso Representante, também quer fazer por nós. Aquele que exaltou Jesus à Sua direita também deseja que nos sentemos com Jesus em Seu trono (Ap 3:21). A mensagem de Deus para nós em Jesus inclui não apenas o que Jesus disse, mas também o que o Pai fez por meio Dele e para Ele, para nosso benefício temporal e eterno.
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4. Leia Hebreus 1:2-4. O que essa passagem nos ensina sobre Jesus?
5. Leia Êxodo 24:16, 17; Salmo 4:6; 36:9 e 89:15. Como esses textos nos ajudam a entender o que é a glória de Deus?
No AT, a glória de Deus se refere à Sua presença visível entre o povo (Êx 16:7; 24:16, 17; Lv 9:23; Nm 14:10). Essa presença é frequentemente associada à luz ou ao brilho.
As Escrituras nos informam que Jesus é a luz que veio a este mundo para revelar a glória de Deus (Hb 1:3; Jo 1:6-9, 14-18; 2Co 4:6). Pense, por exemplo, em Jesus na transfiguração. “E Jesus foi transfigurado diante deles. O Seu rosto resplandecia como o Sol, e as Suas roupas se tornaram brancas como a luz” (Mt 17:2).
Assim como o Sol não pode ser percebido exceto pelo brilho de sua luz, Deus é conhecido por meio de Jesus. De nossa perspectiva, os dois são um. Visto que a glória de Deus é a própria luz, não há diferença entre Deus e Jesus, assim como não há diferença entre a luz e seu esplendor.
Hebreus também diz que Jesus é a “expressão exata” do Pai (Hb 1:3). O ponto da metáfora é que existe uma correspondência perfeita no Ser, ou essência, entre o Pai e o Filho. Observe que o ser humano carrega a imagem de Deus, mas não Sua essência (Gn 1:26). O Filho, entretanto, compartilha a mesma essência com o Pai. Não é de admirar que Jesus tenha dito: “Quem vê a Mim, vê o Pai” (Jo 14:9).
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Hebreus afirma que Deus criou o mundo “por meio de” ou “por” Jesus e que Jesus sustenta o mundo com Sua palavra poderosa.
6. Leia Isaías 44:24; 45:18 e Neemias 9:6. Visto que no Antigo Testamento o Senhor disse que criou o mundo “sozinho” e que é o “único Deus”, como conciliar essa afirmação com as declarações no Novo Testamento de que Deus criou o Universo por meio de Jesus (Hb 1:2, 3)?
Alguns creem que Jesus foi o instrumento por meio do qual Deus criou o mundo. Isso não é possível. Primeiro, para Paulo, Jesus é o Criador; Ele não era um ajudante. Hebreus 1:10 diz que Jesus é o Senhor que criou a Terra e os céus, e Paulo também aplica a Ele o que o Salmo 102:25-27 diz sobre o Senhor (Yahweh) como Criador. Em segundo lugar, Hebreus 2:10 diz que o Universo foi criado “por” ou “por meio” do Pai (exatamente as mesmas expressões aplicadas a Jesus em Hb 1:2). O Pai criou e Jesus Cristo criou (Hb 1:2, 10; 2:10). Há um acordo perfeito entre Pai e Filho em propósito e atividade. Isso faz parte do mistério da Trindade. Jesus criou e Deus criou, mas há apenas um Criador: Deus – o que implica que Jesus é Deus.
Hebreus 4:13 mostra que Jesus também é Juiz. Sua autoridade para governar e julgar deriva do fato de que Deus criou todas as coisas e sustenta o Universo (Is 44:24-28).
Hebreus 1:3 e Colossenses 1:17 afirmam que Jesus também sustenta o Universo. Essa ação provavelmente inclua a ideia de orientação ou governança. A palavra grega pheron (“sustentar”, “carregar”) é usada para descrever o vento guiando um barco (At 27:15, 17) ou Deus conduzindo os profetas (2Pe 1:21). Assim, Jesus não apenas nos criou, mas também nos sustenta. Cada respiração, cada batida do coração, cada momento de nossa existência encontra-se Nele, Jesus, o fundamento de toda existência criada.
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Hebreus 1:5 relata as seguintes palavras do Pai a Jesus: “Você é Meu Filho, hoje Eu gerei Você.” Isso significa que Jesus foi “gerado”, mas quando isso aconteceu? Isso não mostra que Jesus foi de alguma forma criado por Deus em algum momento no passado, como muitos creem?
7. Leia Hebreus 1:5; 2 Samuel 7:12-14; Salmo 2:7 e Lucas 1:31, 32. Que promessa feita a Davi Paulo aplicou a Jesus em Hebreus?
Jesus foi gerado no sentido de que Ele foi “adotado” por Deus como o Governante prometido, o Filho de Davi. O conceito da adoção divina do governante era comum no mundo greco-romano e no Oriente. Isso dava ao governante legitimidade e poder sobre a terra.
No entanto, Deus prometeu a Davi que seu Filho seria o Governante legítimo das nações. Ele iria “adotar” o Filho de Davi como Seu próprio. Por meio desse processo, o Rei davídico se tornaria o protegido de Deus e Seu herdeiro. Deus derrotaria Seus inimigos e Lhe daria as nações como herança (Sl 89:27; 2:7, 8).
Conforme lemos em Romanos 1:3, 4 e Atos 13:32, 33, Jesus foi publicamente revelado como o Filho de Deus. Seu batismo e a transfiguração foram momentos em que Deus identificou e anunciou Jesus como Seu Filho (Mt 3:17; 17:5).
Contudo, de acordo com o NT, Jesus Se tornou o “Filho de Deus com poder” (Rm 1:4) quando ressuscitou e Se assentou à destra de Deus. Foi nesse momento que o Senhor cumpriu a promessa feita a Davi de que seu Filho seria como o próprio Filho de Deus e Seu trono seria estabelecido para sempre (2Sm 7:12-14).
Desse modo, César (símbolo de Roma) não era o legítimo “Filho de Deus”, governante das nações, mas Cristo. A ideia de Jesus como um Ser gerado se refere ao início do governo de Jesus sobre as nações, e não ao início de Sua existência, pois Ele sempre existiu. Nunca houve tempo em que Jesus não existisse, porque Ele é Deus.
Jesus não tem “princípio de dias nem fim de existência” (Hb 7:3; 13:8), porque é eterno. A ideia de “Filho unigênito” de Deus não trata da natureza de Cristo, mas de Seu papel no plano da salvação, visto que Ele cumpriu todas as promessas da aliança.
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A vinda de Jesus à Terra cumpriu várias funções. Em primeiro lugar, como divino Filho de Deus, Jesus veio para nos revelar o Pai. Por meio de Suas ações e palavras, nos mostrou como o Pai realmente é e por que podemos confiar Nele e obedecer-Lhe.
Jesus também veio como o Filho prometido de Davi, Abraão e Adão, por meio de quem Deus prometeu que derrotaria o inimigo e governaria o mundo. Assim, Jesus veio para tomar o lugar de Adão à frente da humanidade e cumprir o propósito original do Criador (Gn 1:26-28; Sl 8:3-8). Jesus veio para ser o Governante justo que Deus sempre quis que este mundo tivesse.
“As palavras dirigidas a Jesus no Jordão – ‘Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo’ (Mt 3:17) – abrangem a humanidade. Deus falou a Jesus como nosso Representante. Com todos os nossos pecados e fraquezas, não somos rejeitados como indignos. Deus ‘nos fez agradáveis a Si no Amado’ (Ef 1:6, ARC). A glória que veio sobre Cristo é uma garantia do amor de Deus para conosco. [...] A luz que irradiou dos portais abertos sobre a cabeça de nosso Salvador brilhará sobre nós ao pedirmos auxílio para resistir à tentação. A voz que falou a Cristo diz a todo aquele que crê: ‘Este é o Meu filho amado, em quem Me comprazo’” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 113).
Perguntas para consideração
1. Compreender as palavras e ações de Jesus nos ajuda a entender melhor a Deus, o Pai. Na prática, como isso enriquece seu relacionamento com o Pai?
2. A maneira pela qual Deus falou com Jesus e O tratou é a mesma com que Ele deseja falar conosco e nos tratar. O que isso nos diz sobre como devemos tratar os outros?
3. Pense na importância da divindade eterna de Cristo. O que perdemos se cremos que Jesus foi apenas uma criatura que foi crucificada? Contraste esse pensamento com a realidade de que Cristo é o Deus eterno que foi voluntariamente para a cruz. Qual é a diferença?
4. Dar glória a Deus é parte da verdade presente? (Ap 14:7)
Respostas e atividades da semana: 1. Levantar dentre Seu povo um Rei, que destruiria Seus inimigos e que atrairia as nações para Israel. 2. A. 3. Jesus é a revelação do Pai. 4. Ele é Herdeiro de todas as coisas e superior aos anjos. 5. A glória divina é a luz de Sua presença. 6. O Pai criou e Jesus criou, como num acordo perfeito entre Pai e Filho em propósito e atividade. Há apenas um Criador: Deus; Jesus é Deus. 7. Deus prometeu a Davi que seu Descendente governaria as nações. Deus adotou Jesus como Filho e fez Dele Seu Herdeiro.
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TEXTOS-CHAVES: Is 2:2, 3; Hb 4:1-4; Êx 24:16, 17; Is 44:24; Hb 1:10; Lc 1:31; Hb 1:5
ESBOÇO
Temas da lição
Ao longo da história da humanidade, pessoas aguardaram com grande expectativa a vinda do Redentor. Após a queda, nossos primeiros pais, Adão e Eva, pensaram que Caim, seu filho primogênito, seria o prometido Libertador. Abraão recebeu a promessa de que, por meio de seu filho Isaque, todas as nações da Terra seriam abençoadas. Davi recebeu a promessa de um filho que, se fosse fiel a Deus, seria estabelecido para sempre. Nenhum desses imaginava que o próprio Deus seria o Redentor prometido.
Profetas do AT fizeram algumas previsões messiânicas enigmáticas usando a expressão “nos últimos dias” (ver Nm 24:14-17), que é diferente de outras profecias do AT que usam a expressão “tempo do fim” (ver Dn 8:17, 19). Os “últimos dias” tiveram início com a vinda de Cristo. Depois de um longo período de tempo, algumas vezes chamado de período intertestamentário, Deus falou mais uma vez. Dessa vez, porém, falou da maneira mais clara, e qualitativamente, de modo superior por meio de Jesus Cristo. Ele é igual a Deus, pois é “a expressão exata do Seu Ser” (Hb 1:3), e, sendo divino, também é o Criador, bem como o Mantenedor do Universo.
Alguém pode perguntar: se Cristo é igual a Deus, como Paulo, ao falar em nome do Pai, escreveu sobre Jesus: “Você é Meu Filho; hoje Eu gerei Você” (Hb 1:5)? Isso significa que Jesus foi de alguma forma gerado e, portanto, não é eterno? Explique.
COMENTÁRIO
A natureza de Cristo
A questão da natureza de Cristo tem produzido diferentes interpretações. O texto de Hebreus 1:1-3 teve a intenção de provar a superioridade de Cristo sobre os profetas. Na passagem seguinte (Hb 1:4-14), Paulo se preocupou em provar a superioridade de Cristo obre os anjos. A razão para enfatizar a superioridade de Cristo pode ter sido um grande interesse por parte do público nos anjos ou mesmo na veneração deles, semelhante ao que se percebe na igreja de Colossos (Cl 2:18).
Para fundamentar seu argumento de que Cristo é superior aos anjos, em Hebreus 1:5, Paulo citou dois versos do AT, sendo o primeiro deles o Salmo 2:7. Em seu contexto original, esse salmo fala sobre reis e governantes desta Terra que conspiram contra Deus. No entanto, Deus ri deles e os aterroriza. Por fim, Ele entronizará Seu divino Rei no Monte Sião: “Você é Meu filho; hoje Eu gerei Você” (Sl 2:6, 7). No sermão em Antioquia da Pisídia, Paulo aplicou esse texto à ressurreição de Cristo (At 13:33). Em todo o cristianismo, esse salmo foi interpretado como cristológico. Essa interpretação significa que Deus gerou Jesus em Sua ressurreição?
De forma nenhuma! Deus simplesmente estava chamando Seu Filho da sepultura ao agir por meio de Gabriel, “o mais poderoso das hostes do Senhor”, aquele “que ocupa a posição da qual caiu Satanás”, para remover a pedra do túmulo de Cristo como se fosse um seixo. Os soldados que guardavam o túmulo ouviram-no exclamar: “Filho de Deus, vem para fora! Teu Pai Te chama” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 780). Assim, Deus, o Pai, despertou Seu Filho do sono. Da mesma forma, em 1 Coríntios 4:15, Paulo disse aos coríntios: “Eu gerei vocês em Cristo Jesus pelo evangelho”. Isso significa que Paulo literalmente gerou a igreja? Claro que não! Paulo os trouxe à vida espiritual; ele os gerou em sentido espiritual (o mesmo termo é usado para Onésimo [Filemom 10] e para os cristãos em 1Jo 2:29; 1Jo 3:9, etc.).
A segunda citação que Paulo usou para mostrar a superioridade de Cristo sobre os anjos foi 2 Samuel 7:14. O contexto original fala sobre os planos de Davi para construir o templo. No entanto, Natã informou ao rei que seu filho Salomão construiria a casa de Deus. O Senhor também prometeu: “Eu lhe serei por Pai, e ele Me será por filho” (2Sm 7:14). Essa citação em seu contexto original não pode se referir a Cristo por causa do que vem a seguir nesse verso: “Se vier a transgredir, Eu o castigarei com varas de homens e com açoites de filhos de homens” (2Sm 7:14). Por razões óbvias, o verso deve se referir a Salomão, ser humano pecador, em vez de Cristo, sem pecado.
Porém, tanto o Salmo 2:7 quanto 2 Samuel 7:14 têm algo em comum. Ambos enfatizam o fato de que o rei de Israel e Salomão são filhos adotivos de Deus. “Você é Meu filho; hoje Eu gerei você”. “Ele Me será por filho”. A ênfase desses textos não está na paternidade, mas na adoção do rei davídico e na realeza de seu filho, que é transferida, muito mais tarde em Hebreus, para Cristo. A frase introdutória em Hebreus 1:5 pergunta: “Pois a qual dos anjos Deus em algum momento disse: ‘Você é Meu Filho, hoje Eu gerei Você?’” (Hb 1:5). A resposta óbvia é: A nenhum deles. Somente Cristo, “tendo-Se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles” (Hb 1:4). Esse nome é “Meu Filho”, título nunca atribuído a algum anjo. A nenhum deles Deus jamais disse: “Sente-Se à Minha direita, até que Eu ponha os Seus inimigos por estrado dos Seus pés” (Hb 1:13).
Contudo, alguém pode se opor à noção de paternidade como adoção nesse contexto, contrapondo com Hebreus 1:6: “Ao introduzir o Primogênito no mundo” (Hb 1:6). Alguém pode apresentar a seguinte objeção: Esse verso não fala sobre Cristo como primogênito? Boa pergunta. O termo “primogênito” de fato tem o significado de primogenitura em textos como Gênesis 25:13; 27:19 e 35:23. Mas no AT, “primogênito” também é Israel (Êx 4:22, 23), em contraste com o primogênito do Egito. No Salmo 89:27, Davi é chamado de “primogênito” de Deus, embora fosse o mais jovem de oito irmãos, não o primogênito. No NT, Jesus é o “Primogênito” de Maria (Lc 2:7), o “Primogênito” entre muitos irmãos (Rm 8:29), o “Primogênito” de toda a criação (Cl 1:15) e o “Primogênito” dentre os mortos (Cl 1:18; Ap 1:5). Esses textos mostram que o título “primogênito” se refere à preeminência de Cristo na igreja, sobre a criação, o cosmos e os ressuscitados. A relação entre Hebreus 1:5 e o verso 6 indica que o Cristo é esse Rei davídico que Deus apresentou ao mundo com a ordem: “E todos os anjos de Deus O adorem” (Hb 1:6). O restante do capítulo 1, no entanto, toma essas evidências das Escrituras e faz quatro afirmações: (1) apenas uma Pessoa é chamada de “Filho” por Deus (Hb 1:5), e essa Pessoa é Cristo; (2) Os anjos adoram esse Filho (Hb 1:6); (3) O Filho é o Monarca eterno, justo e ungido, que criou os céus e a Terra (Hb 1:8-10); (4) O Filho reina à direita de Deus, enquanto os anjos são espíritos ministradores em favor daqueles que serão salvos (Hb 1:11-14).
Em resumo, podemos dizer que Cristo não foi gerado por Deus, mas, por meio de Sua encarnação como Filho de Deus, a humanidade foi “adotada” e “aceita” “no Amado”. Assim, Cristo recebeu o título de “Primogênito”. Como tal, Sua posição está muito acima dos anjos e merece até a adoração deles. Ellen G. White, ao aconselhar a igreja sobre a melhor forma de alcançar outros cristãos, declarou o seguinte sobre a natureza preexistente de Cristo: “Não saliente os aspectos da verdade que são uma reprovação dos costumes e práticas do povo enquanto eles não tiverem ocasião de saber que acreditamos em Cristo, em Sua divindade e preexistência” (Testemunhos Para a Igreja, v. 6, p. 58). Ellen G. White ajudou a então jovem Igreja Adventista do Sétimo Dia a encontrar o equilíbrio bíblico a respeito da natureza preexistente de Cristo. No contexto da ressurreição de Lázaro, ela escreveu sobre a natureza do Senhor: “Em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada” (O Desejado de Todas as Nações, p. 530).
Os últimos dias e o fim dos tempos
Os primeiros escritores cristãos acreditavam que os últimos dias haviam chegado e que culminariam na segunda vinda. Foi por isso que Paulo disse: “Mas nestes últimos dias [em contraste com os dias dos profetas] nos falou pelo Filho” (Hb 1:2). Da mesma forma, quando Pedro e os outros discípulos foram acusados de estar bêbados no Pentecostes, Pedro afirmou que o milagre de falar em línguas era o cumprimento de uma profecia: “E acontecerá nos últimos dias, diz Deus, que derramarei o Meu Espírito sobre toda a humanidade. Os filhos e as filhas de vocês profetizarão” (At 2:17). A profecia de Joel 2 se cumpriu no início dos últimos dias. Além disso, ao falar sobre a encarnação de Cristo, Pedro escreveu: Cristo “foi manifestado nestes últimos tempos, em favor de vocês” (1Pe 1:20). Estes últimos dias são caracterizados por zombadores que questionam a promessa da segunda vinda de Cristo (2Pe 3:3, 4) e exploram a pobres para enriquecer (Tg 5:3). Os últimos dias também são caracterizados pelo surgimento de anticristos (1Jo 2:18).
Embora se reconheça que os últimos dias tiveram início com a encarnação de Cristo, há diferença entre esses “últimos dias” e o “fim dos tempos”, conforme descrito por Daniel e Apocalipse? Considere a profecia de tempo das 2.300 tardes e manhãs em Daniel 8:14. Essa profecia se estende muito além dos dias de Cristo, e outras profecias ainda têm vários eventos pendentes, do nosso ponto de vista no tempo, como as “sete últimas pragas” (Ap 15:1; 21:9). O “último inimigo” (1Co 15:26) ainda não foi vencido, nem ouvimos a “última trombeta” (1Co 15:52). Resumindo, podemos dizer que os últimos dias chegaram com Cristo, mas o último grande acontecimento no tempo do fim ainda está pendente. Entre essas duas vindas, eventos proféticos não cumpridos ainda devem ocorrer.
APLICAÇÃO PARA A VIDA
Percebe-se que Paulo incluiu muita teologia em Hebreus 1. O cristianismo cordial, piedoso e orientado para a prática é necessário. No entanto, nossa ortopraxia (prática) deriva de nossa ortodoxia (crenças). Uma teologia sólida estabelecerá as bases para um bom estilo de vida cristão.
Perguntas para reflexão
1. Na sua opinião, é importante equilibrar a teologia com a prática cristã? Como fazer isso?
2. Como podemos discernir entre nossa “bagagem” religiosa e cultural e a verdade bíblica?
3. Nesta época em que a autoridade tanto na cultura quanto na igreja está em crise, como Hebreus 1 pode nos orientar nesse sentido?
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A horta de Deus
Mário da Costa
Uma horta é um lugar muito bom para ensinar a Palavra de Deus. É onde as sementes da verdade podem criar raízes. Muitas pessoas do Timor-Leste têm hortas perto de casa. Elas são necessárias para a alimentação, e os produtos extras são vendidos para obtenção de dinheiro. Os produtos essenciais incluem milho, mandioca e batata-doce. Muitas hortas também cultivam folhas verdes, abóbora, mamão, bananas e amendoim.
Certo dia, enquanto eu trabalhava na minha horta, um líder adventista parou em minha casa. “Estamos organizando um programa trimestral para treinar obreiros bíblicos. Você deveria participar”, ele disse. Gostei da ideia! Depois de ter sido batizado, ansiava por uma maneira de compartilhar meu amor por Jesus. Após completar o programa de treinamento, todos os alunos se encontraram na igreja adventista da capital de Timor-Leste, Dili. Lá, todos ficaram sabendo o local para onde qual seriam enviados. Eu não fui escolhido. Tínhamos mais obreiros bíblicos que lugares disponíveis. Então, voltei para meu vilarejo para cuidar da horta. Também me tornei um membro ativo da igreja.
Sete anos se passaram, e outro líder da igreja de Dili me telefonou, dizendo: “Tenho uma ideia. Por que você não serve como obreiro bíblico em sua província?” Gostei dessa ideia! Pouco tempo depois, cheguei no vilarejo de Kodo e me apresentei a um dos moradores, Adolfo. Eu lhe disse que morava um pouco distante e havia sido enviado a seu vilarejo para trabalhar como obreiro bíblico da Igreja Adventista. Ele não conhecia a igreja e ficou curioso para conhecer mais.
Eu lhe contei como aprendi as verdades bíblicas ensinadas pela igreja e decidi fazer parte dessa família. Abri minha Bíblia, e falei que o verdadeiro dia do Senhor era o sábado, não o domingo. Percebi que nossa conversa comoveu Adolfo profundamente e orei para que o Espirito Santo convertesse seu coração.
Três dias depois, voltei à casa dele e o convidei para trabalhar comigo na horta de um vizinho chamado Ângelo. Eu havia descoberto que os aldeões aceitavam muito bem minha ajuda em suas hortas e, enquanto trabalhávamos, podia ensinar-lhes coisas da Bíblia. Enquanto Adolfo e eu ajudamos Ângelo na horta, falamos sobre a Palavra de Deus. Pude ver que Adolfo e Ângelo estavam gostando da conversa. No final da tarde, quando terminamos nosso trabalho, Adolfo veio até mim e perguntou: “Você poderia me dar estudos bíblicos?” Imediatamente, começamos a nos encontrar à noite para estudos bíblicos. Como não havia eletricidade na aldeia, forneci querosene para a lamparina. Durante o dia, eu ensinava a Bíblia a outros aldeões enquanto os ajudava em suas hortas.
Adolfo foi o primeiro habitante a se tornar adventista. Em seguida, Ângelo pediu estudos bíblicos. Por doze anos, ele foi líder de sua congregação. Muitos ficaram zangados quando souberam que ele estudava a Bíblia comigo. Ouvi que eles planejavam me bater. Preocupado com minha segurança, Ângelo sugeriu que interrompêssemos os estudos.
Na época, ele e eu estávamos colhendo e comendo cocos secos descascados em seu jardim. Eu notei que um dos cocos havia começado a brotar. Era incomum que um coco morto brotasse. “Vamos plantar este coco e fazer um acordo com Deus”, eu disse a Ângelo. “Se a obra de Deus frutificar nesta terra, então este coco também viverá. Mas se a obra de Deus terminar rapidamente ou morrer nesta terra, então este coco também morrerá”.
Dez anos se passaram e o coco seco se transformou em uma árvore saudável. Ângelo percebeu. Em uma recente visita ao vilarejo, encontrei-me com ele, que declarou seu desejo de ser batizado. Espero que muitas pessoas sejam levadas ao Senhor, no jardim que Deus me confiou no Timor-Leste.
Há seis anos, as ofertas ajudaram a construir a primeira e única escola adventista na capital do Timor-Leste, Dili. Parte da oferta deste trimestre ajudará a construir um residencial para que as crianças dos vilarejos distantes das montanhas como Kodo possam estudar. Muito agradecemos desde já as ofertas.
Informações adicionais
• Peça que um homem apresente este relato na primeira pessoa.
• Conhecemos sobre Mário semana passada e, na próxima semana, conheceremos mais um testemunho.
• Faça o download das fotos no Facebook: bit.ly/fb-mq.
• Para outras notícias do Informativo Mundial das Missões e informações da Divisão do Pacífico Norte-Asiático, acesse: bit.ly/ssd-2022.
Esta história ilustra os seguintes componentes do plano estratégico do “I Will Go” [Eu irei] da Igreja Adventista: objetivo de crescimento espiritual nº 1 – “reavivar o conceito de missão mundial e sacrifício pela missão como um modo de vida que envolva não apenas os pastores, mas todos os membros da igreja, jovens e idosos, na alegria de testemunhar por Cristo e de fazer discípulos”; objetivo missionário nº 2 – “fortalecer e diversificar o alcance dos adventistas... entre grupos de pessoas não-alcançadas e para religiões não cristãs”; objetivo de crescimento espiritual nº 5 – “discipular indivíduos e família na vida espiritual”. A construção da escola ajudará a concluir o objetivo missionário número 4 – “fortalecer as instituições adventistas na defesa da liberdade, saúde integral e esperança através de Jesus, restaurando pessoas à imagem de Deus”. Saiba mais sobre o plano estratégico em IWillGo2020.org.

