Finalmente, como Deus havia prometido, Sara deu à luz um filho a Abraão, “na sua velhice” (Gn 21:2), e ele chamou o bebê de Isaque (ver Gn 21:1-5). Mas a história de Abraão estava apenas começando, e atingiu seu ápice quando ele levou seu filho ao monte Moriá para ser sacrificado. Contudo, Isaque foi substituído por um carneiro (Gn 22:13), o que indicava o compromisso de Deus em abençoar as nações por meio de sua “descendência” (Gn 22:17, 18), Jesus (At 13:23). Nessa história surpreendente (e de certa forma perturbadora), revelou-se mais do plano da salvação.
Sejam quais forem as profundas lições espirituais desse relato, a família de Abraão, no entanto, deve ter ficado abalada por isso, e o futuro do patriarca era incerto. Sara morreu imediatamente após o sacrifício em Moriá (Gn 23), e Isaque permaneceu solteiro.
Então, Abraão tomou a iniciativa de se certificar de que o futuro “certo” o seguiria. Ele arranjou o casamento de seu filho com Rebeca (Gn 24), que daria à luz dois filhos (Gn 25:21-23), e o próprio Abraão se casou com Quetura, que lhe daria muitos filhos (Gn 25:1-6). Nesta semana, seguiremos Abraão até o fim de sua vida (Gn 25:7-11).
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1. Leia Gênesis 22:1-12 e Hebreus 11:17. Qual foi o significado desse teste? Que lições espirituais há nesse evento incrível?
Gênesis 22 se tornou um clássico na literatura mundial e inspirou filósofos e artistas, não apenas teólogos. Porém, é difícil entender o significado desse teste. A ordem de Deus contradiz a posterior proibição bíblica contra sacrifícios humanos (Lv 18:21) e parecia ir na contramão da promessa da aliança eterna por meio de Isaque (Gn 15:5).
Então, qual foi o propósito de Deus ao ordenar Abraão que fizesse isso? Por que testá-lo de maneira tão profunda?
A noção bíblica de “teste” (em hebraico, nissah) abrange duas ideias opostas. Refere-se à ideia de juízo, ou seja, um julgamento para saber o que está no coração de quem é provado (Dt 8:2; compare com Gn 22:12). Mas também traz a certeza da graça de Deus em favor dos provados (Êx 20:18-20).
Nesse caso, a fé que Abraão teve em Deus o levou a correr o risco de perder seu “futuro” (sua posteridade). E ainda, porque confiava em Deus, fez o que Ele pediu, não importava quanto fosse difícil entender. Afinal, o que é fé senão confiar no que não vemos ou não entendemos totalmente?
Além disso, a fé bíblica não é tanto sobre nossa capacidade de dar a Deus e se sacrificar por Ele – embora isso tenha um papel, sem dúvida (Rm 12:1) – mas sobre nossa capacidade de confiar Nele e receber Sua graça ao mesmo tempo em que compreendemos o quanto somos indignos.
Todas as obras de Abraão, sua dolorosa jornada com o filho e sua prontidão em obedecer e oferecer a Deus o melhor de si mesmo, por mais instrutivo que seja, não podiam salvá-lo. Por quê? Porque o próprio Senhor providenciou um carneiro para o sacrifício, o que apontava para sua única esperança de salvação, Jesus.
Abraão deve ter compreendido a graça. Não são as nossas obras para Deus que nos salvam, mas a obra de Deus por nós (Ef 3:8; compare com Rm 11:33), por mais que, como Abraão, sejamos chamados a trabalhar para Deus (Tg 2:2-23).
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2. Leia Gênesis 22:8, 14, 18. Como Deus cumpriu Sua promessa de prover? O que foi provido?
Quando Isaque perguntou sobre o animal para o sacrifício, Abraão deu uma resposta intrigante: Deus “proverá para Si o cordeiro para o holocausto” (Gn 22:8). No entanto, a forma verbal hebraica pode significar “Deus proverá a Si mesmo como o cordeiro”. O verbo “prover” (yir’eh lo) é usado de uma forma que pode significar “providenciar a si mesmo” (ou literalmente, “ver a si mesmo”).
Sendo assim, o que nos é mostrado, então, é a essência do plano da salvação, com o próprio Senhor sofrendo e pagando em Si mesmo a penalidade pelos nossos pecados!
3. Leia João 1:1-3 e Romanos 5:6-8. Como esses versos nos ajudam a entender o que aconteceu na cruz, prefigurado no sacrifício feito no monte Moriá?
No monte Moriá, muito antes da cruz, o carneiro sacrifical “preso pelos chifres entre os arbustos” (Gn 22:13) apontava diretamente para Jesus. Ele é Aquele que foi “visto” ali, como Abraão explica mais tarde, “No monte do Senhor se proverá” (Gn 22:14). O próprio Jesus apontou para essa declaração profética de Abraão, quando disse: “Abraão, o pai de vocês, alegrou- se por ver o Meu dia; e ele viu esse dia e ficou alegre” (Jo 8:56).
“Foi para impressionar a mente de Abraão com a realidade do evangelho e para provar sua fé que Deus mandou que ele matasse seu filho. A aflição que ele sofreu durante os dias tenebrosos daquela terrível prova foi permitida para que compreendesse por sua própria experiência algo da grandeza do sacrifício feito pelo infinito Deus para a redenção do ser humano” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 122 [154]).
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Gênesis 22:23 relata o nascimento de Rebeca, que antecipa o futuro casamento entre ela e Isaque (Gn 24). Da mesma forma, o relato da morte e do sepultamento da esposa de Abraão, Sara (Gn 23), antecipa o futuro casamento do patriarca com Quetura (Gn 25:1-4).
4. Leia Gênesis 23. Qual é a função do relato da morte e do sepultamento de Sara no cumprimento da promessa de Deus a Abraão?
A menção da morte de Sara logo após a história do sacrifício de Isaque sugere que ela pode ter sido afetada por esse incidente, que quase custou a vida de seu filho. De alguma forma, Sara também esteve envolvida no “teste” com seu marido, assim como esteve em suas viagens e seus ocasionais lapsos de fé (Gn 12:11-13).
Sara não era o tipo de mulher que ficava calada sobre assuntos importantes ou que a perturbavam (compare com Gn 16:2-5; 18:15; 21:9, 10). Sua ausência e seu silêncio, e até mesmo o momento de sua morte após aquele evento dramático, dizem mais sobre sua relevância para os acontecimentos do que sua presença física. O fato de a velhice de Sara ser mencionada (Gn 23:1) mostra sua importância para a história.
Sara é a única mulher no AT sobre a qual se menciona a idade, o que mostra sua centralidade na história. O foco na compra do local de sepultamento de Sara (que abrange a maior parte do capítulo), em vez de sua morte, enfatiza a conexão com a terra prometida.
A especificação de que ela morreu “na terra de Canaã” (Gn 23:2) enfatiza a relação da morte de Sara com a promessa de Deus sobre a terra. Sara é a primeira do clã de Abraão a morrer e ser sepultada na terra prometida. A preocupação de Abraão sobre si mesmo, “sou estrangeiro e morador” (Gn 23:4), e seu argumento insistente com os filhos de Hete mostram que ele estava interessado não apenas em adquirir um local de sepultamento; estava principalmente preocupado em se estabelecer na terra.
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Gênesis 24 conta a história do casamento de Isaque após a morte de Sara. As duas histórias estão relacionadas.
5. Leia Gênesis 24. Por que Abraão não queria que seu filho se casasse com uma mulher dos cananeus?
Assim como Abraão queria adquirir a terra para sepultar a esposa, por causa da promessa de Deus aos seus descendentes de que possuiriam essa terra, ele insistiu que Isaque não se fixasse fora da terra prometida (Gn 24:7). Além disso, o movimento de Isaque para levar sua noiva até a tenda de Sara e a nota de que Rebeca o confortou “depois da morte de sua mãe” (Gn 24:67) ressaltam a dor dele pela perda.
A história está cheia de orações e respostas a orações e é rica em lições sobre a providência de Deus e a liberdade humana. Tudo começou com a prece de Abraão. Jurando pelo “Senhor, Deus do Céu e da Terra” (Gn 24:3), essa oração é antes de tudo um reconhecimento de Deus como o Criador (Gn 1:1; 14:19), com influência direta sobre o nascimento dos descendentes de Abraão, incluindo o próprio Messias.
A referência a “Seu anjo” e “o Senhor, Deus do Céu” (Gn 24:7), apontava para o Anjo do Senhor, que desceu para resgatar Isaque da morte (Gn 22:11). O Deus que controla o Universo, que interveio para salvar Isaque, o conduziria no casamento.
Abraão deixou em aberto, no entanto, a possibilidade de que a mulher não respondesse ao chamado. Por mais poderoso que seja, Deus não força os humanos a Lhe obedecer. Embora fosse o plano de Deus que Rebeca seguisse Eliézer, ela poderia ter exercido sua liberdade. Ou seja, era possível que ela não quisesse ir; nesse caso, não seria forçada.
Portanto, vemos nesse relato outro exemplo do mistério de como Deus nos deu, como humanos, o livre-arbítrio, uma liberdade que Ele não desrespeita (se o fizesse, não seríamos livres). No entanto, de alguma forma, apesar da liberdade e das terríveis escolhas que fazemos, podemos crer que, no fim, o amor e a bondade prevalecerão.
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6. Leia Gênesis 24:67–25:1-8. Qual é o significado desses eventos finais na vida de Abraão?
Depois que Sara morreu, Abraão se casou novamente. Como Isaque, ele foi consolado após a morte de Sara (Gn 24:67), cuja memória com certeza ainda devia estar vívida na mente do patriarca, assim como na de seu filho.
A identidade de sua nova esposa não é clara. O cronista menciona os filhos de Quetura e os filhos de Agar, sem mencionar o nome de Agar (1Cr 1:28-31). Para alguns estudiosos, isso sugere que Quetura e Agar fossem a mesma pessoa. Além disso, Abraão se comportou com os filhos de Quetura da mesma forma que com o filho de Agar: ele os mandou embora para evitar qualquer influência espiritual e para fazer distinção clara entre seu filho com Sara e os outros filhos.
Ele deu “tudo o que tinha a Isaque”, enquanto “aos filhos das concubinas que tinha, Abraão deu presentes” (Gn 25:5, 6). Em 1 Crônicas 1:32, 33, Quetura é chamada de “concubina”. Porém, não temos evidências conclusivas sobre essa possível identificação de Quetura com Agar. A sutil alusão a Sara (Gn 24:67) foi um prelúdio ao novo casamento de Abraão com Quetura.
Gênesis 25:1-4, 12-18 apresenta uma lista dos filhos que Abraão teve com Quetura, bem como uma lista dos filhos de Ismael. O propósito da genealogia após o casamento de Abraão com Quetura, que lhe deu seis filhos, em contraste com seus outros dois filhos (Isaque e Ismael), talvez seja oferecer evidência imediata da promessa de Deus de que Abraão seria o pai de muitas nações.
A segunda genealogia traz os descendentes de Ismael, que compunham 12 tribos (Gn 17:20), assim como aconteceria com Jacó (Gn 35:22-26), embora a aliança de Deus seja reservada à descendência de Isaque (Gn 17:21), não à de Ismael, um ponto sobre o qual as Escrituras são claras.
O relato da morte de Abraão, entre as duas genealogias (Gn 25:7-11), testifica a bênção de Deus e revela o cumprimento de Sua promessa a Abraão, feita muitos anos antes: de que ele morreria “em boa velhice” (Gn 15:15; Ec 6:3).
O Senhor foi fiel às Suas promessas de graça ao fiel servo Abraão, cuja fé é descrita como um grande exemplo, senão o melhor, da confiança no Deus que nos salva mediante a fé (Rm 4:1-12).
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Abraão foi um profeta extraordinário com quem Deus compartilhou, até certo ponto, Seu plano da salvação por meio do sacrifício de Seu Filho (Gn 18:17).
“Isaque era um símbolo do Filho de Deus, oferecido em sacrifício pelos pecados do mundo. Deus queria imprimir na mente de Abraão o evangelho da salvação para o ser humano. A fim de fazê-lo, e tornar essa verdade real para ele, bem como provar-lhe a fé, pediu que matasse seu querido Isaque. [...] Foi-lhe feito compreender, pela própria experiência, quão inexprimível era a abnegação de Deus em dar o próprio Filho para morrer a fim de redimir o ser humano da total perdição. Nenhuma tortura mental poderia ser para Abraão igual àquela que sofrera ao obedecer à ordem divina de sacrificar seu filho” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 3, p. 305 [369]).
“Abraão já estava idoso e não esperava viver muito; no entanto, ainda precisava fazer uma coisa que garantiria o cumprimento da promessa à sua posteridade. Isaque era aquele que havia sido divinamente designado para suceder-lhe como guardião da lei de Deus e ser pai do povo escolhido. Contudo, Isaque ainda era solteiro. Os habitantes de Canaã estavam entregues à idolatria, e Deus havia proibido casamentos entre Seu povo e eles, sabendo que esses casamentos conduziriam à apostasia. O patriarca receou o efeito das influências corruptoras que rodeavam seu filho. [...] Para Abraão, escolher uma esposa para seu filho era assunto de suma importância, pois queria que ele se casasse com uma mulher que não o afastasse de Deus. [...]
“Confiando na sabedoria e no amor de seu pai, Isaque estava satisfeito com a entrega dessa questão a ele, crendo também que o próprio Deus dirigiria a escolha a ser feita” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 137 [171]).
Perguntas para consideração
1. Abraão se dispôs a sacrificar Isaque. Imagine o tipo de fé que esse relato revela! O que é tão surpreendente, mas ao mesmo tempo preocupante, nessa história?
2. Por que nossa fé não tem sentido sem o livre-arbítrio? Cite exemplos bíblicos em que, apesar das escolhas erradas do ser humano, a vontade de Deus se cumpriu.
Respostas e atividades da semana: 1. Deus provou a fidelidade e a confiança de Abraão. Por mais que façamos boas obras, somente Deus nos salva. 2. Deus providenciou o carneiro para o holocausto. 3. Na cruz, Deus deu Seu Filho para morrer por nós quando ainda éramos pecadores. 4. A morte e o sepultamento de Sara na terra de Canaã indicavam que Deus cumpriria a promessa de dar essa terra à descendência de Abraão. 5. Ele temia que seu filho fosse influenciado por aqueles povos e se afastasse de Deus. 6. O Senhor foi fiel às Suas promessas a Abraão.
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TEXTO-CHAVE: Gn 24:1
FOCO DO ESTUDO: Gn 22–25; Rm 4:1-12; 5:6-8
ESBOÇO
Introdução: O estudo desta semana nos leva ao clímax da jornada religiosa de Abraão: o sacrifício de Isaque, o qual foi o “teste” da fé do patriarca. Esse evento intrigante marca o centro da estrutura do livro de Gênesis, um recurso literário utilizado para chamar a atenção do leitor quanto à importância do capítulo. Uma série de questões serão exploradas: Qual é o significado desse teste? Por que Deus pediu a Abraão que sacrificasse seu filho se isso contradizia a promessa divina? Como Deus proveria? Por que o sacrifício mudou de Isaque para a expectativa de um cordeiro e, finalmente, para um carneiro? Qual é o significado teológico e profético do sacrifício que não aconteceu? Após esse incidente dramático, nenhum evento significativo aconteceu na vida de Abraão. A história marcante seguinte foi o casamento de Isaque com Rebeca. Depois, Abraão se casou com Quetura e, por fim, morreu “após uma longa velhice”.
Temas da lição:
• O significado da expiação. O sacrifício de Isaque não apenas diz respeito a um problema ético ou a um encontro existencial. A narrativa bíblica trata do tema da expiação e revela seu mistério, seu significado profundo, seu processo cósmico e seu propósito escatológico. O chamado de Deus a Abraão, projetado para abençoar as nações, é cumprido por meio da expiação testemunhada no sacrifício de Isaque.
• O poder da oração. O casamento de Isaque é fundamentado na oração. A bela história da oração de Eliézer e seu cumprimento é particularmente inspiradora e rica em significado e lições espirituais.
COMENTÁRIO
O significado da expiação
A referência à “expiação” já está presente na noção de “teste”. O significado do verbo hebraico nissah, “provou” (Gn 22:1), abrange duas ideias opostas. Por um lado, trata-se de julgamento. Deus pôs o povo à prova para “saber o que estava no coração” dele (Dt 8:2; compare com Sl 139:1, 23, 24). Esse aspecto é claramente enunciado pelo Anjo do Senhor (Gn 22:11, 12).
Por outro lado, a ideia bíblica de “prova” vai além do mero teste ameaçador que Deus precisou fazer com Abraão para avaliar a qualidade de sua fé. Moisés usou o mesmo verbo nissah, “provar”, a fim de tranquilizar seu povo, que estremecia diante do trovão no Sinai (Êx 20:18- 20). Em vez de ser um ato arbitrário e cruel dirigido contra quem foi provado, o teste divino traz a perspectiva positiva e promissora do juízo e da expiação divinos em favor daquele que é provado e, portanto, deve ser entendido em conexão com a aliança da graça e da salvação.
A ideia de expiação reaparece com o carneiro que surpreendeu Abraão que, junto com Isaque, esperava um cordeiro (Gn 22:7). À pergunta trêmula de Isaque, “Onde está o cordeiro?”, que implicava outra, “Eu sou o cordeiro?”, o pai respondeu: “Deus proverá para Si o cordeiro” (Gn 22:8), que significa literalmente “Deus providenciará em conexão Consigo o cordeiro”. A construção da frase sugere uma ênfase em “Deus” para indicar que a solução está somente Nele. É Deus quem providenciará. A expressão “providenciar em conexão Consigo mesmo” é estranha e única nas Escrituras hebraicas e tem a mesma forma da frase lekh lekha, que significa “saia em conexão com você mesmo” ou, em um sentido reflexivo, “vá por si mesmo”. A forma verbal yr’eh lo (geralmente traduzida como “Ele proverá”) deve, portanto, ser traduzida como “Deus proverá (a) Si mesmo como o cordeiro”, o que significa que Deus Se proverá como o cordeiro.
A intenção dessa história não era responder à pergunta das origens dos sacrifícios de animais nem prescrever o que os seres humanos deviam fazer e dar a Deus para obter a salvação. O carneiro que ocupou o lugar de Isaque significava a dádiva de Deus de Si mesmo a Abraão. O processo de salvação se origina em Deus, como Paulo enfatizou: “Deus estava em Cristo reconciliando Consigo o mundo” (2Co 5:19). No entanto, além dessa função substitutiva do animal, o carneiro como oferta queimada contém profundas lições teológicas. A natureza do sacrifício expressava seu significado espiritual. O holocausto era o único sacrifício que exigia a queima de todo o animal (Lv 1:9). A oferta queimada apontava, então, para a totalidade do sacrifício de Deus por meio de Jesus Cristo para a salvação da humanidade (Hb 9:12; 10:10). Da mesma forma, no Dia da Expiação se oferecia um holocausto (Lv 16:3, 5). Mais do que qualquer outra passagem bíblica, esta compartilha da linguagem do texto sobre o sacrifício de Isaque (Gn 22). Encontramos a mesma associação de palavras em ambos os textos: “holocausto” (Gn 22:13; compare com Lv 16:3, 5); “se proverá” (traduzido como “aparecerei” em Lv 16:2), na mesma forma passiva (Gn 22:14; compare com Lv 16:2); “Abraão pegou” (Gn 22:13; compare com Lv 16:5); e “um carneiro” (Gn 22:13; compare com Lv 16:5). Essa conexão intertextual única sugere que o escritor do ritual do Dia da Expiação tinha o texto do sacrifício de Isaque em mente e colocou de propósito essa história sob a perspectiva do Dia da Expiação.
A história de Abraão amarrando o filho e oferecendo-o em sacrifício a Deus vai, então, além da experiência particular existencial, religiosa ou ética de alguém. É uma profecia. O fato de o carneiro ter sido oferecido por Deus apontava tipologicamente para o Dia da Expiação escatológico, quando Deus aceitaria o sacrifício de Cristo para o cumprimento histórico da expiação da humanidade (Dn 8:14) tendo em vista Seu reino (Dn 7:9-14).
O poder da oração
A oração de Eliézer (Gn 24:12-14) tem três componentes:
1. Eliézer se dirigiu a Deus como seu Deus pessoal e histórico (Gn 24:12).
2. Eliézer pediu o sucesso da missão. O verbo hebraico haqr’eh, “me ajudes” (Gn 24:12), deriva do verbo qarah, que significa “acontecer” e transmite a ideia de aparente “casualidade” (Rt 2:3). O servo pediu a Deus que fizesse esse encontro acontecer. A noção de acaso acidental não tem lugar. O fato de o Senhor estar no controle do acaso significa que Ele operará dentro dos parâmetros do que parece ser o acaso do ponto de vista humano. Ele é o Deus da providência, que pode fazer com que o evento ocorra. Esse ponto de vista é reforçado pelo fato de o servo chegar ao ponto de determinar não apenas o momento do evento, que deveria ocorrer naquele mesmo dia (Gn 24:12), mas também o lugar, que deveria ser logo ali onde o servo “fez os camelos se ajoelharem” (Gn 24:11) e onde ele estava, “ao pé da fonte de água” (Gn 24:13).
3. Eliézer definiu condições específicas. Para determinar a escolha da noiva, o servo propôs a Deus um teste. A candidata não devia apenas deixar seu cântaro para ele, um estranho (Gn 24:14), mas também devia se voluntariar para dar de beber a seus dez camelos. A dificuldade do teste indicaria que Deus estava por trás dele (Gn 24:14; compare com Jz 6:36-40). Essa prova obviamente não era apenas um sinal sobrenatural que indicaria a aprovação divina; era também um teste de caráter que revelaria a personalidade daquela mulher, sua generosidade e bondade, sua disposição para servir além do que lhe era exigido, sua hospitalidade, bem como sua resistência física e força. O cumprimento da oração do servo começou mesmo antes de ele orar (Gn 24:15; compare com Mt 6:8).
O relato de como sua oração foi cumprida começa com uma surpresa, que é traduzida pela palavra “eis” apresentando Rebeca. Além disso, a referência ao cântaro sobre seu ombro (Gn 24:15) relembra os termos do pedido do servo a Deus (Gn 24:14). O relatório então passa a especificar as qualidades físicas daquela mulher: sua beleza e sua virgindade (Gn 24:16). Sua formação familiar a qualificava para se casar com Isaque. A informação de que ela desceu até a fonte aumenta o suspense. O servo estava ansioso para saber (Gn 24:17). Para seu espanto, Rebeca atendeu a todos os requisitos do teste com precisão. Ela baixou o cântaro (Gn 24:18), exatamente como o servo havia descrito em sua oração. Rebeca também se ofereceu para tirar água e dar de beber aos camelos (Gn 24:19), assim como ele havia estipulado. Ela foi além das expectativas do servo. Não apenas cumpriu seus deveres dando-lhe de beber, mas acrescentou um convite expresso para que bebesse. Ela também demonstrou zelo, entusiasmo e eficiência em seu trabalho. A reação do servo foi de admiração silenciosa (Gn 24:21).
Embora tenha orado por esse sinal, ele se maravilhou com o milagre inacreditável. E, no entanto, sua fé permanecia misturada com dúvidas; ele não sabia se, de fato, havia tido êxito ou não (Gn 24:21). Só quando Eliézer chegou à casa de Rebeca, foi que soube que havia tido sucesso. Ele fez uma segunda oração de bênção ao Senhor (Gn 24:27), que marcava o sentimento de chegada ao destino e o cumprimento da profecia (Ed 7:27, 28; Dn 12:13). O fato de Rebeca ter cumprido as palavras exatas de sua oração fez o servo entender que Deus não é apenas um Senhor de amor e graça, mas um Deus de verdade e ação, que faz com que os eventos aconteçam.
APLICAÇÃO PARA A VIDA
O significado da expiação. Discuta com sua classe o significado teológico da expiação e como essa verdade afeta sua vida pessoal. O que é expiação para você? Por que precisamos de expiação? Como você comunicaria essa necessidade a um amigo que não sente necessidade de ser perdoado? Discuta o significado espiritual e existencial da verdade adventista sobre o Dia da Expiação escatológico. Discuta a relevância da interpretação profética das 2.300 tardes e manhãs (Dn 8:14). Como essa verdade profética afeta sua vida? Você é capaz de comunicar essa verdade de maneira eficiente, clara e convincente ao seu amigo descrente? O que significa se não puder fazer isso? Por que a verdade do Dia da Expiação escatológico é tão importante para a vida religiosa, para seu relacionamento com Deus, consigo mesmo e com seu próximo?
O poder da oração. Que lições espirituais você aprendeu com a experiência de oração de Eliézer? Pense em histórias sobre o cumprimento de orações em sua própria vida que ilustram esses ensinos. O que você aprendeu com essas histórias de sucesso? Como essas experiências fortaleceram sua fé? Encontre , igualmente em suas histórias de vida , os momentos em que Deus não atendeu seus pedidos. Você aprendeu algo com sua decepção? Como essas histórias de fracasso aprofundaram ou restauraram sua fé? Como você explica o fato de que coisas ruins acontecem a pessoas boas e coisas boas acontecem a pessoas ruins (leia e discuta Eclesiastes 9:2, 11)?
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A escolha certa
Bessie não entendia porque a igreja adventista sempre estava fechada quando ela passava aos domingos. Ela procurava uma nova igreja para adorar a Deus. Frustrada, decidiu parar e conversar com uma jovem adolescente que estava no quintal da casa vizinha à igreja central de Botsuana. “Quando a igreja ao lado estará aberta? Ela está sempre fechada?!” A garota respondeu: “Esta é uma igreja adventista. Mas, não sei você conseguiria participar. É difícil ser adventista.” Bessie, então, perguntou: “O que você quer dizer?” E a garota explicou que os membros não frequentavam baladas nem usavam joias. “E os cultos são aos sábados”, acrescentou.
Em Botsuana, sábado é o dia que os jovens saem para as baladas. Bessie não conseguia se imaginar sem ir às baladas nem usar brincos. “Não posso frequentar esta igreja!”, disse. Ela havia crescido em uma família não-cristã e mal conhecia a Deus. Entretanto, durante uma longa pausa entre o final do Ensino Médio e início da faculdade, desejou se tornar cristã. Ela visitou muitas igrejas, e foi nessa fase da vida que percebeu que a Igreja Adventista sempre estava fechada aos domingos.
Naquele outono, Bessie se mudou para a capital de Botsuana, Gaborone, para cursar a universidade. Em pouco tempo, percebeu que a colega de quarto, Solofelang, ia à igreja nas quartas-feiras, sextas-feiras e sábados, mas não prestou muita atenção. Em vez disso, ela ia às baladas aos sábados e procurava uma igreja aos domingos. Mas as denominações que ela conhecia não usavam a Bíblia, e sentia que não aprendia nada.
Depois de alguns meses, Bessie perguntou à colega de quarto: “Qual é a igreja que você vai três vezes por semana?” Solofelang disse: “É a igreja adventista. Ela abre aos sábados.” Bessie olhou para a colega com atenção e percebeu que ela não usava joias. Então, lembrou-se da conversa com a garota de sua cidade natal e pensou: “Não posso frequentá-la!” Entretanto, depois de algum tempo, Bessie cansou de visitar igrejas nos domingos e ficou curiosa em conhecer Igreja Adventista. Ela decidiu visitar uma vez – só que não num sábado.
Na quarta-feira, Bessie acompanhou Solofelang a uma sala de aula da universidade onde estudantes adventistas se reuniram para seus cultos. Ela ficou impressionada com o discurso do pastor sobre o casamento. Bessie estava ansiosa para se casar um dia. Ao saber que o casamento seria debatido novamente, Bessie voltou à igreja com a colega na sexta-feira à noite. No sábado de manhã, ela foi com Solofelang à igreja e, após o almoço, participou de um estudo bíblico. Desde aquele dia, nunca mais deixou de ir à igreja.
A vida de Bessie começou a mudar. Ela achou fácil parar de usar joias e deixar as baladas. Aprendeu que podemos conversar com Deus através da oração. As pessoas ficaram chocadas ao verem sua transformação e fizeram muitas perguntas. Alegremente, ela contava sobre sua fé. Bessie foi batizada no final daquele ano. Emocionada, sua colega chorou de alegria, ao vê-la emergir das águas.
Hoje, Bessie tem 35 anos, é mãe de três filhos e professora na Eastern Gate Universidade, um internato adventista localizado na região norte de Botsuana. Seu esposo é gerente comercial da instituição. Ela tem visto mudanças na vida de seus alunos — exatamente como a transformação que testemunhou em sua própria vida. “Às vezes os pais nos trazem filhos rebeldes”, diz ela, “mas quando os alunos saem, eles são completamente diferentes.” Os pais agradecem pela mudança dos filhos.
A Universidade Eastern Gate compartilha um campus com a Escola Primária Eastern Gate, um projeto financiado pelas ofertas trimestrais, que foi inaugurado em janeiro de 2017. Bessie, cuja filha de seis anos, Joanna, estuda na escola, diz: “Oro para que a escola traga mais crianças para Deus”.
Informações adicionais
- Pronúncia de Gaborone: .
- Pronúncia de Solofelang: .
- Assista sobre Bessie no YouTube: bit.ly/Bessie-Lechina.
- Os princípios de divertimento, entretenimento, simplicidade e modéstia
mencionados na história, refletem a Crença Fundamental da Igreja Adventista nº 22 “Conduta Cristã”, que diz: “Somos chamados para ser um povo piedoso, que pensa, sente e age de acordo com os princípios do Céu. Para que o Espírito recrie em nós o caráter de nosso Senhor, só nos envolvemos naquelas coisas que produzirão em nossa vida, pureza, saúde e alegria semelhantes às de Cristo. Isso significa que nosso divertimento e entretenimento devem estar de acordo com os mais altos padrões de beleza e gosto cristãos. Embora reconheçamos diferenças culturais, nosso vestir deve ser simples, modesto e elegante, condizente com aqueles cuja verdadeira beleza não consiste em adornos exteriores, mas no ornamento imperecível de um espírito manso e quieto.” Leia mais em: bit.ly/SDA-FB22.
- Faça o download das fotos no Facebook: bit.ly/fb-mq.
- Para mais notícias do Informativo Mundial das Missões e outras informações sobre a Divisão Sul-Africana Oceano Índico: bit.ly/sid-2022.
Esta história ilustra o Objetivo de Crescimento Espiritual nº 5 do plano estratégico da Igreja Adventista do projeto “I Wil Go” (Eu irei): “discipular indivíduos e família na vida espiritual”. A Universidade Eastern Gate e a Escola de Ensino Fundamental Eastern Gate ilustram o Objetivo Missionário nº 4: “fortalecer as instituições adventistas em defesa da liberdade, saúde integral e esperança através de Jesus, restaurando pessoas à imagem de Deus.” Saiba mais sobre o plano estratégico em IWillGo2020.org.
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