Se Deus é tão bom, por que o mundo é tão mau? Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? Na lição desta semana, examinaremos o longo conflito entre o bem e o mal. Partindo da rebelião de Lúcifer no Céu, estudaremos sobre a origem do mal e a longanimidade de Deus ao lidar com o problema do pecado.
O amor de Deus é incrível. Sua natureza é amor (1Jo 4:7, 8). Todas as Suas ações são de amor (Jr 31:3). O amor não pode ser forçado, coagido ou imposto como lei. Ellen G. White afirmou: “Só o amor desperta amor” (O Desejado de Todas as Nações [CPB, 2021], p. 11). Negar o poder da escolha é destruir a capacidade de amar; e destruir a capacidade de amar é erradicar a possibilidade de ser feliz. Deus ganha nossa lealdade por meio de Seu amor. Ele lida com o grande conflito entre o bem e o mal de tal forma que o pecado nunca mais surgirá no Universo. O propósito divino é demonstrar diante do Universo que o Senhor sempre agiu visando o bem de Suas criaturas. Olhar o mundo pelas lentes do amor divino, à luz do grande conflito entre o bem e o mal, nos assegura de que o certo triunfará sobre o errado, e isso para sempre.
*Esta lição está baseada nos capítulos 29 e 30 do livro O Grande Conflito.
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1. Leia Apocalipse 12:7-9. O que essa passagem revela sobre a liberdade existente no Céu e a origem do mal? Quando Lúcifer se rebelou, de que maneira Deus poderia ter reagido?
O Apocalipse descreve um conflito cósmico entre o bem e o mal. Satanás e seus anjos guerrearam contra Cristo e, por fim, foram expulsos do Céu. Parece extremamente estranho que uma guerra tenha surgido num lugar tão perfeito. Por que isso aconteceu? Um Deus amoroso criou um anjo demoníaco que iniciou uma guerra? Havia algum defeito fatal nesse anjo que o levou a se rebelar? A Bíblia explica a origem do mal.
2. Compare Ezequiel 28:12-15 com Isaías 14:12-14. O que passou na mente desse ser angélico chamado Lúcifer que o levou à rebelião?
Deus não criou um diabo. Ele criou um ser de brilho deslumbrante chamado Lúcifer. Esse ser angélico foi criado perfeito. Fazia parte de sua perfeição a liberdade de escolha – um princípio fundamental do governo de Deus, que opera pelo amor, não pela coerção. O pecado originou-se com Lúcifer no próprio Céu. Não há explicação lógica da razão pela qual esse anjo perfeito permitiu que o orgulho e o ciúme criassem raízes em seu coração e se desenvolvessem em rebelião contra seu Criador.
Lúcifer, um ser criado, desejou a adoração que pertencia apenas ao Criador. Ele tentou usurpar o trono de Deus questionando a autoridade Dele. Sua rebelião resultou numa guerra declarada no Céu.
Embora Deus tenha sido paciente com Lúcifer, não podia permitir que ele arruinasse o Céu com sua rebelião. “Os concílios celestiais insistiram com Lúcifer. O Filho de Deus lhe apresentava a grandeza, a bondade e a justiça do Criador, bem como a natureza sagrada e imutável de Sua lei. Deus mesmo havia estabelecido a ordem do Céu, e, afastando-se dela, Lúcifer desonraria seu Criador, trazendo sobre si a ruína. No entanto, a advertência feita com amor e misericórdia infinitos apenas despertou o espírito de resistência” (Ellen G. White, O Grande Conflito [CPB 2021], p. 414).
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O orgulho de Satanás amadureceu e se tornou uma rebelião declarada. Ele acusou Deus de ser injusto e desleal. Contaminou os anjos com suas dúvidas e acusações.
3. O que Apocalipse 12:4 revela sobre a habilidade de Satanás para enganar? Quantos dos anjos caíram em suas mentiras sobre Deus?
Quando a guerra surgiu no Céu, os anjos tiveram de decidir: seguiriam a Jesus ou a Lúcifer? Qual foi a natureza dessa guerra? Foi uma guerra física, de ideias ou as duas coisas? Não sabemos os detalhes, mas o conflito foi físico o suficiente para que Satanás e seus anjos fossem “expulsos”, e não houvesse “mais lugar para eles no Céu” (Ap 12:8, 9). Essa guerra, obviamente, incluiu algum tipo de elemento físico.
Uma coisa podemos afirmar sobre a guerra no Céu: todo anjo teve de decidir a favor ou contra Cristo. A quem seguiriam? De quem seria a voz que ouviriam? Os anjos leais escolheram ser obedientes aos mandamentos amorosos de Cristo, ao passo que um terço dos anjos ouviu a voz de Lúcifer, desobedeceu a Deus e perdeu o Céu. Também nós, neste tempo crítico da história, somos chamados a decidir a favor ou contra Cristo. Devemos declarar de que lado estamos: de Cristo ou de Satanás.
4. Leia Gênesis 2:15-17; Êxodo 32:26; Josué 24:15; 1 Reis 18:20, 21 e Apocalipse 22:17. Que princípio fundamental do grande conflito esses versos nos ensinam?
Quando Deus criou a humanidade, Ele incorporou profundamente em nosso cérebro a capacidade de raciocinar e escolher. A essência da humanidade é a capacidade de fazer escolhas morais. Não somos robôs. Fomos criados à imagem de Deus, diferentes dos animais quanto à capacidade de escolher e seguir princípios espirituais eternos. Desde a rebelião de Lúcifer no Céu, e desde a queda do ser humano, Deus chama Seu povo a responder ao Seu amor e ser obediente à Sua lei, escolhendo servi-Lo.
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Deus criou a Terra perfeita. Lemos na Bíblia que Ele “viu tudo o que havia feito, e eis que era muito bom” (Gn 1:31). Não havia mancha de pecado ou mal em lugar nenhum. Mas Ele deu a Adão e Eva a mesma liberdade de escolha que havia dado a Lúcifer. Ele não queria robôs na Terra, assim como não queria robôs no Céu.
O Senhor plantou uma árvore no jardim e a chamou de árvore do conhecimento do bem e do mal. Ele fez questão de falar com Adão e Eva sobre isso, pois queria ter certeza de que soubessem que tinham uma escolha.
Satanás foi à árvore e, visto que Eva se demorava ali, ele lhe disse: “‘É certo que vocês não morrerão. Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerem, os olhos de vocês se abrirão e, como Deus, vocês serão conhecedores do bem e do mal’” (Gn 3:4, 5). Em outras palavras, “Se você comer desta árvore, entrará em uma nova esfera de existência, sentirá emoção, terá uma sensação que nunca teve antes. Eva, Deus está privando você de algo. Aqui, pegue o fruto proibido e coma-o.”
Quando Eva, e mais tarde Adão, fizeram sua escolha, abriram uma porta que Deus queria manter fechada para sempre. Era a porta para o pecado, para o sofrimento, a aflição, a doença e a morte.
5. Leia Gênesis 3:1-3; Romanos 3:23; 5:12. O que esses textos têm em comum? Descreva os principais resultados do pecado que afligem toda a humanidade.
Em essência, o pecado é rebelião contra Deus. Ele nos separa do Criador. Uma vez que Deus é a fonte da vida, separar-se Dele leva à morte. Também leva à preocupação, ansiedade, doença e enfermidade. O sofrimento em nosso mundo é, basicamente, resultado de viver em um planeta devastado pelo pecado. Isso certamente não significa que toda vez que sofremos ou ficamos doentes é porque pecamos, e sim que cada um de nós é afetado por viver em um planeta assolado pelo pecado.
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Quando Adão e Eva pecaram, Deus lhes disse que deveriam deixar seu lar. Dali em diante, eles viveriam com aflição e sofrimento. Teriam de sofrer e finalmente morrer sem esperança? A morte seria o fim de tudo?
Foi então que Deus lhes deu a promessa registrada em Gênesis 3:15. Olhando diretamente para Satanás, a serpente, Ele disse: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o Descendente dela. Este lhe ferirá a cabeça, e você Lhe ferirá o calcanhar”. Talvez, naquele momento, eles não tenham entendido por completo o que essa promessa significava, mas sabiam que podiam ter esperança. De alguma forma, através da descendência da mulher, a redenção deles viria.
O Descendente da mulher é Jesus Cristo (Gl 3:16). Na cruz, Satanás feriu Seu calcanhar, mas Jesus naquele dia esmagou a cabeça da serpente, garantindo que a porta do sofrimento e da morte que Adão e Eva abriram um dia será fechada.
6. Leia Hebreus 2:9; Gálatas 3:13; 2 Coríntios 5:21. O que esses versos nos dizem sobre a imensidão do sacrifício de Cristo na cruz?
Você já se perguntou se Deus o ama? Olhe para a cruz, para a coroa de espinhos, para os pregos em Suas mãos e pés. Em cada gota do sangue que Jesus derramou no Calvário, Deus diz: Eu amo você. Quero estar no Céu com você. Você pecou, vendeu-se para o inimigo e é indigno da vida eterna, mas Eu paguei o resgate para salvá-lo. Você não precisa se perguntar se é amado. Basta olhar para a cruz.
Na Bíblia lemos de um Jesus que veio a este mundo, passou por aflição, decepção e dor como todos os seres humanos. Está revelado um Cristo que enfrentou as mesmas tentações que enfrentamos – que triunfou sobre os principados e potestades do inferno, em Sua vida e em Sua morte na cruz – tudo em favor de cada um de nós.
Pense nisto: Jesus, Aquele que criou o cosmos (Jo 1:3), desceu do Céu e não apenas veio ao mundo caído, mas sofreu nele de um modo que ninguém jamais sofrerá (Is 53:1-5). Ele fez isso porque nos amou. Que motivo poderoso para se ter esperança!
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O que Jesus fez por nós na cruz O habilita também a interceder por nós no Céu. Nosso Senhor ressuscitado é nosso grande Sumo Sacerdote, que provê tudo o que precisamos para ser salvos e viver no reino de Deus para sempre.
7. Leia Hebreus 4:15, 16; 7:25. Como esses versos nos dão segurança em um mundo de tentação, sofrimento, doença e morte?
Lemos que Ele “foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4:15). E acrescenta: “Portanto, aproximemo-nos do trono da graça com confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça para ajuda em momento oportuno” (Hb 4:16).
Jesus nos apresenta diante do Universo revestidos de Sua justiça, salvos por Sua morte e redimidos por meio de Seu sangue. Tudo o que deveríamos ter sido, Ele foi. Em Cristo não há condenação pelos pecados do nosso passado. Em Cristo, nossa culpa não existe, e por Sua poderosa intercessão, o domínio do pecado em nossa vida é quebrado. As correntes que nos prendiam são soltas e somos libertos.
8. Leia João 17:24-26. Qual é o anseio de Cristo no grande conflito?
“Ao ser consumado o grande sacrifício, Cristo ascendeu aos Céus, recusando a adoração dos anjos antes que apresentasse o pedido: ‘A Minha vontade é que onde Eu estou, estejam também Comigo os que Me deste’ (Jo 17:24). Então, com amor e poder inexprimíveis, veio a resposta, do trono do Pai: ‘E todos os anjos de Deus O adorem’ (Hb 1:6). Mancha alguma repousava sobre Jesus. Terminara a Sua humilhação, completara-se o Seu sacrifício, fora-Lhe dado um nome que é acima de todo nome” (Ellen G. White, O Grande Conflito [CPB, 2021], p. 419). Acima de tudo, Jesus quer que estejamos com Ele no Céu. O Seu desejo, a razão de Sua morte e intercessão, é nos salvar. Você tem uma necessidade? Diga a Jesus. Onde há tristeza, Ele consola; onde há medo, Ele traz paz; onde há culpa, Ele perdoa; onde há fraqueza, Ele traz força.
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“Banindo Satanás do Céu, Deus declarou Sua justiça e manteve a honra de Seu trono. No entanto, quando o ser humano pecou, cedendo aos enganos desse espírito apóstata, Deus ofereceu uma prova de Seu amor, entregando o Filho unigênito para morrer pela raça decaída. Na expiação, o caráter de Deus é revelado. O poderoso argumento da cruz demonstra a todo o Universo que o governo de Deus não foi, de forma alguma, responsável pela conduta pecaminosa que Lúcifer adotou” (Ellen G. White, O Grande Conflito [CPB, 2021], p. 418, 419).
“A cruz do Calvário, ao mesmo tempo que declara que a lei é imutável, proclama ao Universo que ‘o salário do pecado é a morte’ (Rm 6:23). No grito agonizante do Salvador – ‘Está consumado!’ (Jo 19:30) –, soou a sentença de morte de Satanás. Decidiu-se então o grande conflito que durante tanto tempo estivera em andamento, e confirmou-se a erradicação do mal. O Filho de Deus transpôs os umbrais do túmulo, ‘para que, por Sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo’” (Hb 2:14; O Grande Conflito, p. 421).
Perguntas para consideração
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Se Deus sabia que Lúcifer pecaria, por que lhe deu o poder de escolha? Quando surgiu o mal, por que Deus não o aniquilou? Qual reação o Universo santo teria se Deus eliminasse Lúcifer de imediato? O conceito do interesse universal no plano da salvação (1Pe 1:12; Ap 5:13; 16:7) é importante para entender o grande conflito?
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Que razões houve para a morte de Cristo? Foi para revelar o caráter de Deus? Foi para pagar o preço do resgate pelo pecado? Nesse caso, a quem o resgate foi pago? Compartilhe seus pensamentos e justifique-os pela Bíblia.
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O que significa a expressão “o grande conflito”? Discuta os vários aspectos do grande conflito e como a lição desta semana se aplica à sua vida.
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Que textos bíblicos falam sobre o grande conflito? (Jó 1; 2; Ef 6:12).
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Em que aspecto a compreensão dos adventistas sobre o grande conflito é singular em comparação com as demais denominações cristãs? O que os diferencia?
Respostas e atividades da semana: 1. Os seres celestes também têm poder de escolha. Lúcifer escolheu se rebelar. Deus poderia ter destruído Lúcifer de imediato. 2. Ele desejou a adoração que pertencia apenas ao Criador. 3. Satanás é muito habilidoso em enganar e persuadir. A terça parte dos anjos decidiram segui-lo. 4. A liberdade de escolha. 5. Todos somos pecadores. O pecado trouxe morte, preocupação, ansiedade e doença. 6. Jesus nos amou a ponto de deixar o Céu e vir padecer em nosso lugar. 7. Temos um Sumo Sacerdote que intercede por nós. 8. Que estejamos com Ele no Céu.
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ESBOÇO
Introdução: A lição desta semana aborda a questão do conflito cósmico ou o grande conflito entre Cristo e Satanás. Começaremos o estudo investigando tanto a origem do mal quanto a solução de Deus para a queda da humanidade no pecado.
Vários aspectos do conflito cósmico merecem nossa reflexão. Para começar, o grande conflito não é perpétuo, pois se originou no Céu quando Lúcifer, um ser criado, liderou um grupo de anjos rebeldes que desafiaram a Deus, o eterno Criador e Rei de todos os seres. Sendo assim, se o mal e o diabo tiveram um começo, certamente terão um fim.
Em segundo lugar, o conflito cósmico mostra a drástica incompatibilidade entre o bem e o mal. Nenhuma das partes pode coexistir ou tolerar a outra: cada grupo anseia pela extinção do outro. Quando o mal surgiu, ele desafiou a própria ideia do direito de Deus existir e governar, mesmo diante da Sua natureza eterna.
Além disso, o grande conflito elimina qualquer forma de dualismo filosófico ou reli- gioso em que tanto o bem quanto o mal são coeternos, coiguais e necessários. A cosmovisão bíblica claramente exclui a necessidade do mal, uma vez que não precisamos dele para conhecermos e apreciarmos o que é bom. Não necessitamos do mal para reforçar o bem.
Por fim, o fato de que o mal e o grande conflito se originaram no Céu desperta na mente dos agentes morais livres e racionais a noção de que o conflito é principalmente de natureza espiritual e deve, portanto, ter uma solução de ordem espiritual. Embora o Senhor não tenha contribuído para o surgimento do mal (na verdade, foi o mal que se levantou contra Ele), o pecado não pode ser extinto sem Deus. Por sua natureza, o mal danifica os seres e o Universo de forma fatal. Portanto, somente Deus e Seu poder sobrenatural e criativo podem exterminá-lo completamente e remover suas consequências catastróficas.
É por essa razão que o plano divino da salvação não consiste simplesmente em identificar, reconhecer, envergonhar ou punir os criadores do mal. Tais medidas não são eficientes, muito menos suficientes, para acabar com a maldade do Universo. Em vez disso, o Senhor resolve o dilema do pecado ao assumir suas consequências sobre Si, em Cristo. Por Seu poder criativo, Deus Se envolve ativamente na destruição do perverso e na purificação e restauração do Universo.
Temas da lição: O estudo desta semana destaca três temas principais:
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O mal e o conflito cósmico se originaram em um Céu perfeito. Eles se espalharam pela Terra e criaram raízes no coração e na mente de agentes morais livres, que foram cria- dos à imagem de Deus.
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A consequência final do mal e do pecado é a rebelião contra Deus e Seu reino.
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O único caminho para a salvação, e para o fim do conflito cósmico, é a cruz e a mediação de Cristo e Seu poder criador e restaurador.
COMENTÁRIO
A doutrina adventista do grande conflito
Os adventistas do sétimo dia possuem uma visão singular sobre a origem do pecado e sua solução. Ao contrário de outros cristãos, eles não têm uma crença específica que se dedica à doutrina do pecado. Em vez disso, eles incorporam sua compreensão do pecado dentro do contexto da doutrina do “grande conflito”. John M. Fowler aponta corretamente que “nenhuma doutrina do pecado pode ser completa sem uma compreensão do tema do grande conflito entre Cristo e Satanás, entre o bem e o mal. A soberania e o caráter de Deus jazem em seu centro. Quando Lúcifer provocou a revolta no Céu contra Deus (Ap 12:7-9) e quando a revolta atingiu seu clímax, Deus não teve alternativa a não ser expulsar do Céu a hoste angélica caída” (“Pecado”, em Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia [CPB, 2012], p. 271).
Enquanto outros cristãos também acreditam na queda de Lúcifer e de Adão e, até certo ponto, no conflito cósmico entre Deus e Satanás, os adventistas expressaram esses conceitos na forma de uma doutrina única, encapsulada na Crença Fundamental 8, intitulada “O grande conflito”:
“Toda a humanidade está agora envolvida no grande conflito entre Cristo e Satanás quanto ao caráter de Deus, Sua lei, e Sua soberania sobre o Universo. Esse conflito originou-se no Céu quando um ser criado, dotado de liberdade de escolha, por exaltação própria, tornou-se Satanás, o adversário de Deus, e conduziu à rebelião uma parte dos anjos. Ele introduziu o espírito de rebelião neste mundo, ao induzir Adão e Eva ao pecado. Esse pecado humano resultou na deformação da imagem de Deus na humanidade, no transtorno do mundo criado e em sua consequente devastação por ocasião do dilúvio global, conforme retratado no relato histórico de Gênesis 1 a 11. Observado por toda a criação, este mundo tornou-se o palco do conflito universal, dentro do qual será finalmente vindicado o Deus de amor. Para ajudar Seu povo neste conflito, Cristo envia o Espírito Santo e os anjos leais para os guiar, proteger e amparar no caminho da salvação” (Associação Ministerial da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia [org.], Nisto Cremos: As 28 Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia [CPB, 2018], p. 124).
O ensinamento bíblico sobre a queda da humanidade no pecado também está presente na Crença Fundamental 7, intitulada “Natureza do homem”:
“O homem e a mulher foram formados à imagem de Deus com individualidade, poder e liberdade de pensar e agir. Conquanto tenham sido criados como seres livres, cada um é uma unidade indivisível de corpo, mente e espírito, e dependente de Deus quanto à vida, respiração e tudo o mais. Quando nossos primeiros pais desobedeceram a Deus, negaram sua dependência Dele e caíram de sua elevada posição. A imagem de Deus neles foi desfigurada, e tornaram-se sujeitos à morte. Seus descendentes partilham dessa natureza caída e de suas consequências. Nascem com fraquezas e tendências para o mal. Mas Deus, em Cristo, reconciliou consigo o mundo e por meio de Seu Espírito restaura nos mortais penitentes a imagem de seu Criador. Criados para a glória de Deus, são chamados para amá-Lo e amar uns aos outros, e para cuidar de seu ambiente” (Nisto Cremos: As 28 Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo dia, p. 99).
Dois aspectos adicionais da doutrina adventista do grande conflito merecem nossa atenção: (1) a origem do tema do grande conflito e (2) a sua historicidade.
Primeiramente, o tema do grande conflito surge das Escrituras e está no próprio fundamento da interpretação bíblica e do desenvolvimento doutrinário adventista. No comentário sobre a interpretação bíblica, Ellen G. White diz:
“A Bíblia se autoexplica. Textos devem ser comparados com textos. O estudante deve aprender a ver a Palavra como um todo, e também a relação entre suas partes. Deve obter conhecimento de seu grandioso tema central, do propósito original de Deus em relação a este mundo, da origem do grande conflito e da obra da redenção. Deve compreender a natureza das duas forças que disputam pela supremacia, e aprender a identificar sua atuação através dos relatos da História e da profecia, até à grande consumação. Deve enxergar como esse conflito alcança todos os aspectos da experiência humana; como, em cada ato de sua vida, ele [o estudante] revela uma ou outra daquelas duas forças antagônicas; e como, quer queira quer não, ele está agora mesmo decidindo de que lado do conflito estará” (Educação [CPB, 2021], p. 135).
Como resultado dessa abordagem bíblica à interpretação, o tema do grande conflito se entrelaça em todas as outras doutrinas bíblicas da teologia adventista. A integração do tema começa com a doutrina de Deus, com a própria essência de Sua natureza como sendo livre, amorosa, misericordiosa, reta, justa e fiel. Ao longo das Escrituras, o tema do grande conflito continua entrelaçado com as seguintes doutrinas:
(a) O ensino da criação como uma expressão do amor, da liberdade e do poder de Deus.
(b) A origem da natureza humana, a sua condição atual e o destino final.
(c) A queda da humanidade de sua retidão original e a comunhão com Deus.
(d) As ações de Deus em favor da salvação, conforme manifestam-se na encarnação, no ministério, na morte, na ressurreição, na ascensão e no ministério mediador de Cristo no santuário celestial, bem como em Sua segunda vinda.
(e) O plano redentor da justificação e santificação e a promessa da glória futura para a raça humana.
(f) O ato de Deus ao constituir Seu povo ao longo de todos os períodos da história humana, que culminou no chamado de um remanescente no fim dos tempos dentre as igrejas protestantes a fim de proclamar Seu convite final de misericórdia para a humanidade.
(g) Os juízos pré-advento, milenar e executivo de Deus, que resultarão no término do mal e na restauração de todas as coisas.
Em segundo lugar, o grande conflito é de natureza histórica. Como o cristianismo tradicional integrou pressuposições e conceitos filosóficos gregos tais como a natureza imaterial, atemporal e ilimitada do Céu, muitos cristãos interpretam as referências bíblicas sobre o conflito cósmico e a queda dos humanos no pecado como alegorias ou mitos teológicos.
No entanto, a interpretação histórico-gramatical adventista da Bíblia apresenta Deus como pessoal e historicamente envolvido na história da queda da humanidade no pecado e na história da salvação. Deus, Lúcifer, os anjos (tanto os rebeldes quanto os justos), Adão e Eva, e a queda são todos personagens e eventos históricos reais. Jesus Se referiu a Satanás como uma pessoa literal e histórica, alguém que Ele conhecia desde antes do início da história da Terra e que foi o originador do mal e do pecado. Certa vez, Jesus explicou aos fariseus que eles não eram filhos de Abraão (Jo 8:39, 40) nem filhos de Deus (Jo 8:41, 42), mas pertenciam ao pai deles, “o diabo”, que “foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8:44, NVI).
João, o revelador, também descreve tanto o diabo quanto o conflito cósmico que ele instigou como históricos. Seguindo o exemplo de Jesus, o apóstolo representa o diabo como “a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo” (Ap 12: 7-9), aquele que é o originador da guerra, do mal e do engano, tanto no Céu quanto na Terra. O contexto imediato de Apocalipse 12:7-9 sugere que o apóstolo João considerava como realidades históricas o diabo e o conflito cósmico, tão históricas como o próprio Deus (Ap 12:5, 6, 10, 17), o nascimento e a ascensão de Jesus (Ap 12:5), a existência da igreja e as perseguições contra ela (Ap 12:1, 6, 11, 13-15), e tão histórica como a cruz de Jesus, por cujo sangue somos salvos (Ap 12:11). Embora não saibamos a data exata do conflito celestial, acreditamos que ele tenha ocorrido “antes da criação de Adão e Eva” e foi tão histórico quanto a queda da humanidade, sendo instigado pelo próprio Satanás (Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p. 274).
APLICAÇÃO PARA A VIDA
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O que as pessoas de sua cultura pensam sobre a aparente existência do conflito entre o bem e o mal? Como eles compreendem a origem do mal? Eles acreditam que o mal nunca vai acabar? Talvez eles pensem que o mal permanecerá ou até mesmo que ele seja necessário para manter algum tipo de equilíbrio no Universo e na história. Como você pode compartilhar com eles a perspectiva bíblica sobre o mal?
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De que maneira as várias teorias sobre a origem do conflito entre o bem e o mal afetam a compreensão sobre moralidade e responsabilidade humanas? Observemos, por exemplo, a teoria da evolução. Como ela afeta nossa compreensão sobre a origem do mal e, consequentemente, sobre a moralidade humana? Que outras teorias sobre a origem do mal, além da evolução, você consegue pensar que prevalecem em sua cultura?
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Pense em maneiras que descrevam e expliquem a doutrina adventista da origem do mal, do grande conflito e da esperança bíblica. Como você pode compartilhar essas verdades com amigos, vizinhos e colegas de outras denominações cristãs ou de outras religiões, filosofias ou cosmovisões? Que elementos você incluiria no esboço de sua descrição do grande conflito?
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13° Sábado - Adolescente com uma missão
Índia |Nathan
Nathan tinha seis anos quando sua família retornou para casa, na Índia, após eles servirem como missionários no Líbano. Ele era um menino pequeno e não tinha nenhum interesse em missionários ou trabalho missionário.
Mas as coisas mudaram quando Nathan tinha doze anos. Ele ficou fascinado pelas histórias missionárias das crianças que ouvia sábado após sábado na igreja. Logo, ele começou a ler exemplares antigos das histórias missionárias trimestrais para crianças e, às vezes, até mesmo para jovens e adultos. Ao ler as histórias, ele desejou fazer algo para Deus.
Ele pensou: “Se Deus pode usar crianças da mesma idade que eu e ainda mais jovens, por que Ele não pode me usar como um missionário?”
Um ano se passou. Dois anos se passaram. Três anos se passaram. Nathan tinha 15 anos e ainda sentia que não havia feito nada para Deus na missão.
Então, a pandemia de COVID-19 paralisou a Índia por meses. O pai de Nathan era pastor e, a pedido dos pais, organizou um grupo de estudo bíblico on-line para adolescentes presos em casa durante a pandemia. O grupo on-line cresceu rapidamente para 15 adolescentes, e várias crianças menores de 10 anos também se juntaram.
Então, Nathan ouviu seu pai dizer à sua mãe: “Os menores não estão se encaixando. O grupo tem dois níveis distintos de aprendizado”. Enquanto Nathan estava deitado na cama naquela noite, sentiu-se inspirado a iniciar um grupo bíblico para as crianças mais novas.
No café da manhã, ele compartilhou seus pensamentos com seus pais. Eles acolheram a ideia e o encorajaram a começar imediatamente. Nathan procurou com entusiasmo os materiais na biblioteca de casa. Ele decidiu que, a cada reunião, leria uma história bíblica do livro As Belas Histórias da Bíblia, de Arthur Maxwell, e conduziria um breve estudo bíblico do livro de Linda Koh, Deus me ama de 28 maneiras.
Deus abençoou os esforços. Logo as crianças estavam se juntando ao grupo bíblico vindo de todo o bairro e até mesmo de outras partes da Índia. Até doze crianças se juntaram a cada reunião semanal.
Fazendo mais
Nathan gostava de liderar o grupo bíblico. Ele sentiu que Deus finalmente o estava usando para a missão. Mas ele ansiava por fazer algo mais.
Quando as restrições da COVID-19 foram suspensas cerca de um ano depois, ele ouviu um sermão sobre uma menina com doença terminal que orava por amigos, vizinhos e até missionários em terras distantes. O pregador disse que a menina orou por apenas três meses antes de morrer, mas suas orações fizeram uma grande diferença em muitas vidas.
Nathan pensou: “Eu também devo orar. Posso orar por meus colegas de classe, amigos e adolescentes da minha vizinhança”.
As aulas estavam recomeçando na escola adventista do sétimo dia, onde Nathan estudava, e muitos de seus colegas pertenciam a religiões não-cristãs.
Nathan se perguntou por quem orar. Ele decidiu orar por aqueles que pareciam ser os mais abertos ao cristianismo. Eles pareciam ser um solo mais fértil. Nathan notou que um menino, Arun, gostava de cantar no culto matinal e ouvia atentamente as meditações. Ele começou a orar por Arun.
Um dia, ele disse a Arun: “Estou feliz por você se interessar por coisas cristãs”. Arun deu um sorriso largo. “Amo cantar essas músicas”, disse ele. “Há muito tempo, aceitei Jesus como um dos meus deuses.”
Nathan queria saber mais. “Por que seus pais escolheram esta escola cristã para você?”, ele perguntou. “Vivemos em uma fazenda no interior”, disse ele. “O único ônibus escolar que chega perto de nossa casa é o ônibus escolar adventista.”
A conversa deu início a uma amizade especial entre Nathan e Arun. Sempre que possível, Nathan lhe falava de seu amor por Jesus e orava para que aquelas sementes produzissem frutos.
Caso sem esperança?
Enquanto Nathan falava sobre Jesus com Arun, outro menino chamado Jai contava com entusiasmo aos colegas sobre o poder e a bondade dos deuses que ele adorava. Jai era zeloso pela fé de sua família e usava marcas rituais na testa todos os dias. Jai até falou com Nathan sobre seus deuses. Nathan decidiu não orar por Jai.
Então, um dia, Nathan tocou teclado no culto, e Jai ficou impressionado com sua habilidade. Ele elogiou Nathan e perguntou se ele tocaria uma música de sua própria religião no teclado. Educadamente, Nathan disse: “Sinto muito. Eu só toco música cristã”.
Jai não disse mais nada a Nathan por vários meses. Nathan continuou orando por seus outros colegas e se alegrou ao ver Deus tocando os corações.
Então, um dia, Jai se aproximou de Nathan e disse abruptamente: “Ensine-me a Oração do Senhor”.
Nathan não podia acreditar no que tinha ouvido. Jai não parecia um solo fértil pelo qual valesse a pena orar. Mas aqui estava ele, pedindo para aprender a Oração do Senhor.
Nathan começou a compartilhar seu amor por Jesus com Jai. Com o passar do tempo, ele notou que Jai parou de falar sobre seus deuses. Às vezes, ele até vinha para a escola sem as marcas na testa.
“Nosso Senhor mudou Jai de um opositor para alguém que busca a verdade”, disse Nathan. “Acredito que não demorará muito para que Jai encontre a verdade, e com certeza a verdade o libertará.” Nathan está confiante de que Deus o está usando para a missão e está orando para fazer ainda mais.
Obrigado por sua oferta missionária da Escola Sabatina hoje, que ajudará a espalhar o evangelho na Índia e no Nepal. Sete dos dez projetos do décimo terceiro sábado envolvem escolas adventistas como aquela onde Nathan estuda. Obrigado por sua oferta generosa.
Por Andrew McChesney
Dicas para a história
Pronuncie Arun como: ah-ROON.
Pronuncie Jai como: jay.
O narrador não precisa memorizar a história, mas deve estar familiarizado o suficiente com o
material para não precisar lê-lo. Alternativamente, a história pode ser encenada.
Antes ou depois da história, use um mapa para mostrar os dois países da Divisão Sul-Asiática —
Índia e Nepal — que receberão parte da oferta do trimestre.

