Sexta-feira
26 de setembro
ENTREGUE-SE A DEUS
Então Jesus clamou em alta voz: “Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito!” E, dito isto, expirou. Lucas 23:46

Em todas as Suas palavras e ações, Jesus obedecia à vontade do Pai. Ciente das profecias que deveriam se cumprir, Ele recitava passagens bíblicas que expressavam Suas emoções e davam sentido ao que havia sido predito. Em Seus últimos instantes de vida, Ele recitou o Salmo 31:5, que, segundo alguns, teria sido composto para transmitir a angústia de Davi enquanto fugia de Saul, escondendo-se em lugares ermos do deserto.

O texto começa falando da confiança em Deus e faz, em seguida, um apelo por livramento. O salmista confia tanto no Senhor que O compara às rochas que proporcionam abrigo: “Tu és a minha rocha e a minha fortaleza; por causa do Teu nome, Tu me conduzirás e me guiarás” (v. 3).

Assim como Davi, Jesus confiava em Deus para salvá-Lo e continuou confiando mesmo quando o Senhor não apareceu para livrá-Lo da morte. É a mesma fé descrita em Jó 13:15: “Ainda que Ele me mate, Nele esperarei” (ARC). Mas por que confiar em um Deus todo-poderoso que pode nos libertar e mesmo assim não interfere?

Talvez um detalhe do texto hebraico que Jesus recitou nos ajude a entender isso. Na frase “nas Tuas mãos entrego o Meu espírito” há um verbo, ’afqid, cujo sentido seria mais próximo de “depositar algo contando com uma futura recuperação do bem”. Seria como guardar as roupas em
um armário de academia para retirá-las depois do treino.

O verbo “entregar” em português é ambíguo, pois pode se referir tanto a coisas que são dadas com a ideia de recuperação quanto àquelas que são concedidas sem a expectativa de retorno. Em hebraico, por outro lado, o significado inequívoco desse versículo é a submissão total do espírito a Deus, isto é, à “Sua custódia”, com a intenção de recebê-lo de volta.

Assim, a não intervenção divina no momento em que mais imploramos pode ser entendida como um não “provisório”. Ou seja, Ele vai intervir, mesmo que não seja imediatamente. A tumba vazia é a prova de que a oração de Cristo foi atendida. O silêncio da sexta-feira não indicava descaso de Deus; afinal, o domingo da ressurreição estava a caminho. Portanto, se depositarmos nossa vida nas mãos do Senhor, ainda que morramos, Ele nos vivificará. Creia nisso.