Um fenômeno curioso, observado nos profetas da Bíblia, é o modo como mesclavam eventos contemporâneos de seus dias a ocorrências ainda distantes. O profeta Amós, por exemplo, anunciava, no 8o século a.C., que o fim estava chegando para Israel (Am 8:2). Aqui é claro que ele se referia ao fim do reino do Norte, mas, no capítulo 5:18 a 20, que faz parte da mesma temática, ele descreve em vívidas cores o “Dia do Senhor”, que neste caso não seria o sábado, mas sim o juízo final.
Isaías igualmente mistura as futuras promessas de um novo céu e uma nova terra às promessas históricas de um Israel abençoado mediante a fidelidade a Deus (Is 66). E, mesmo nos tempos de Davi, Natã fez-lhe uma promessa que combinava o cuidado divino sobre Salomão com o estabelecimento eterno de outro Descendente, o Messias (2Sm 7:11-17).
Jesus também mesclou eventos de Seu tempo com acontecimentos futuros. Em Seu discurso em Mateus 24, Ele aborda simultaneamente a iminente destruição de Jerusalém – que de fato ocorreu cerca de 40 anos mais tarde, no ano 70 d.C. – e o fim do mundo, pertencente a um futuro distante.
É claro que tal recurso só pode vir por inspiração divina. A tentativa humana de fazer a mesma coisa terminará em anacronismo, que é o erro de atribuir a uma época coisas que são próprias de outro período. Seria como descrever Paulo enviando um e-mail para Timóteo.
Assim, foi a misericórdia de Deus que permitiu aos profetas mesclarem o hoje e o amanhã em suas profecias. Se eles falassem apenas do futuro, dariam a impressão de que Deus não tem nada para quem vive hoje. Também despertariam desânimo se falassem apenas de coisas que ainda
demorariam a se cumprir.
Por isso, Deus Se revela Senhor não apenas do futuro, mas de toda a história. O cumprimento das profecias do passado reforça a certeza do futuro e orienta no presente, de modo que as dores que você enfrenta hoje não devem desanimá-lo jamais. O Deus do tempo e da eternidade tem toda a história em Suas mãos. Confie Nele!