Assim que Natanael chegou, Jesus o elogiou: “Aí está um verdadeiro israelita, em quem não há falsidade” (Jo 1:47). O espanto daquele homem foi imediato. Talvez tenha pensado: “A gente já se falou?” Então ele perguntou a Jesus: “De onde me conheces?” (Jo 1:48).
Esse relato nos mostra que Jesus conhece sua história antes mesmo de você entrar nela. Não é um conhecimento superficial, mas uma compreensão profunda de quem você é. Ele sabe o que ninguém mais sabe. Ele enxerga o que ninguém mais vê. Antes mesmo de você ser percebido pelos olhos humanos, Ele o viu.
A história da figueira na Bíblia tem uma simbologia rica. No judaísmo, a figueira é associada à árvore do conhecimento, da fidelidade e também da desgraça. Na Bíblia, quando Adão e Eva pecaram, usaram as folhas da figueira para tentar encobrir a vergonha de sua condição. Por outro lado, Natanael foi para debaixo das folhas da figueira não para se esconder de Deus, mas para se esconder Nele.
Na literatura judaica da época, a sombra da figueira era vista como um lugar de meditação e oração, em que se buscava a presença divina de forma sincera e humilde. Natanael, nesse contexto, representa uma alma sincera em busca de restauração e reconexão com Deus. Ele reconhece a própria condição e busca a Deus com toda a sua força e sinceridade.
O destaque dessa história não está na figueira, mas na visão sobrenatural de Jesus. Assim como Natanael, cada pessoa tem sua figueira particular, um lugar de refúgio e sinceridade em que expressa suas emoções mais profundas e verdadeiras. É ali que muitos desabafam, choram, refletem e buscam forças. Jesus, como o Deus que vê você, está presente em cada um desses momentos. Ele não apenas enxerga, mas compreende, acolhe e guarda essas experiências com profundo respeito por sua intimidade, pois a verdadeira intimidade não se expõe, mas se guarda no coração.
Jesus conhece seus segredos mais íntimos e acompanha cada detalhe da sua vida. Ele vê você embaixo da sua figueira e o chama para junto Dele, assim como fez com Natanael.