A lição desta semana conclui o estudo de Filipenses e está repleta de lições valiosas para a vida diária. Muitos dos altos valores morais que guiaram a vida do apóstolo Paulo são encontrados nos versos finais da epístola. Semelhante aos ensinamentos de Jesus, que focam a pessoa interior, o que Paulo compartilha são segredos para viver uma vida cristã alegre.
Mesmo quando as coisas não acontecem do jeito que planejamos (o que acontece com mais frequência do que gostaríamos), não precisamos ficar preocupados, ansiosos ou desanimados. Em vez disso, podemos recorrer a princípios que nos fortalecem para enfrentar os desafios da vida, permitindo-nos experimentar uma paz interior duradoura que somente Deus pode proporcionar. O presente e o futuro estão em Suas mãos, e Ele supre tudo de que precisamos.
Mais importante: não precisamos colocar nossas esperanças em sistemas de governo terrenos, que frequentemente nos decepcionam. Como cristãos, somos cidadãos do reino celestial de Deus. E com essa cidadania vêm privilégios maravilhosos, e também responsabilidades.
Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!
Todos nós, em algum momento, encontramos pessoas que admiramos e queremos imitar. Para as crianças, é especialmente importante que elas tenham bons modelos nos primeiros anos de vida. Geralmente esses ideais são o pai e a mãe. À medida que crescem, elas encontrarão outros modelos, talvez conectados à carreira escolhida ou mesmo em biografias que leram. Elas também podem aprender com a experiência de personagens bíblicos que lidaram com desafios e compará-los com suas próprias experiências de vida.
Infelizmente, a mídia está repleta de maus exemplos. Somos bombardeados com conteúdos sensacionalistas – histórias que exploram os problemas obscenos e a vida caótica de celebridades. Os leitores de Paulo em Filipos, embora obviamente não lidassem com a internet, enfrentaram desafios semelhantes em seu contexto.
O fato é que o mundo em que Paulo vivia era muito corrupto, imoral e maligno, como o nosso hoje. O mal sempre existiu em grande quantidade e continuará existindo até o fim. A questão é: Como reagiremos a isso?
1. Leia Filipenses 3:17-19. Como bons e maus modelos de comportamento são descritos nessa passagem? Quais sinais ajudam a diferenciá-los?
Não devemos perder de vista o amor de Paulo para com aqueles de quem ele discorda – ele chora por eles! Observe também que ele não os chama de seus inimigos, mas “inimigos da cruz de Cristo” (Fp 3:18). Paulo reconheceu que questões muito maiores estavam em jogo, entendendo que a cruz quebra barreiras e coloca todos no mesmo nível: como pecadores que precisam de um Salvador (Ef 2:11-14).
Além disso, é preciso ressaltar como Paulo exorta os filipenses a se concentrarem nos bons exemplos, não nos maus; a observar cuidadosamente aqueles cujo modo de vida é muito parecido com o dele. Curiosamente, Paulo usa uma linguagem semelhante ao alertar os romanos: “Notem bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que vocês aprenderam. Afastem-se deles” (Rm 16:17). Os enganadores em Roma são descritos como aqueles que “não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre” (v. 18).
Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!
2. Leia Filipenses 3:20, 21. Como Paulo descreve de forma vívida o significado de “pátria” (NAA) ou “cidadania” (NVI) cristã?
Ao contrário dos inimigos da cruz, que “só pensam nas coisas terrenas” (Fp 3:19) e têm como deus o próprio ventre, a cidadania do cristão está no Céu, e seu governante é Jesus Cristo. Para reforçar essa ideia, Paulo destaca a necessidade de que “nosso corpo humilhado” (Fp 3:21, NVI), sujeito a doenças, deterioração e morte, seja transformado para se tornar semelhante ao corpo glorioso de Cristo na ressurreição.
3. Como os seguintes textos descrevem o estado glorificado?
a) Jó 19:25-27
b) Lucas 24:39
c) 1 Coríntios 15:42-44
d) 1 Coríntios 15:50-54
e) Colossenses 3:4
Por meio de Jesus, a morte, o “último inimigo”, será destruída (1Co 15:26). Essa é a nossa maior esperança, a promessa suprema que temos em Cristo – não apenas o fim da morte, mas um corpo totalmente novo, um “corpo glorioso” (Fp 3:21, NVI).
Em um livro sobre como encontrar “salvação” sem Deus, que argumenta de forma bastante questionável que superar o medo da morte é a verdadeira “salvação”, o autor Luc Ferry reconhece que o cristianismo “nos permite não apenas transcender o medo da morte, mas também vencer a própria morte. E, ao fazer isso em termos de identidade individual, em vez de anonimato ou abstração, parece ser a única crença que realmente oferece uma vitória definitiva da imortalidade pessoal sobre nossa condição de mortais” (A Brief History of Thought [Nova York: HarperCollins, 2011], p. 90). Um reconhecimento notável, vindo de um ateu.
Para Paulo, portanto, nossa cidadania celestial inclui a promessa da ressurreição e da vida eterna – uma nova existência que, por enquanto, mal conseguimos imaginar.
Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!
4. Leia Filipenses 4:4-7. Como podemos experimentar a “paz de Deus”?
Depois de reforçar a necessidade de unidade (Fp 4:1-3), Paulo introduz um outro tema: alegrar-se no Senhor (Fp 4:4-7).
Quantas vezes você já ficou preocupado com algo que, no fim, desapareceu tão rapidamente como surgiu? Não foi por acaso que Jesus repetidamente nos aconselhou a não nos preocuparmos (Mt 6:25-34; 10:19). Pedro reforça esse princípio ao declarar: “Lancem sobre Ele todas as suas ansiedades, porque Ele cuida de vocês” (1Pe 5:7). Na verdade, o aumento dos problemas no mundo deveria nos encher de esperança, pois indica que a volta do Senhor está próxima (Mt 24:33; Lc 21:28; Tg 5:8).
A maneira de vencer a ansiedade, em qualquer situação, é apresentar tudo a Deus em oração, com fé (Fp 4:6, 7). Devemos confiar que nossas orações já foram ouvidas, mesmo antes de ver o resultado, pois Paulo nos orienta a orar “com ações de graças”. Além disso, ele usa a palavra “súplica” (grego, de?sis), que se refere a momentos de grande necessidade e urgência (Lc 1:13; Fp 1:19; 1Tm 5:5; Tg 5:16). Nossas orações são apresentadas como “pedidos”, mas podemos ter certeza de que foram ouvidas, desde que sejam feitas “segundo a Sua vontade” (1Jo 5:14). Com essa confiança, podemos descansar e ter paz, sabendo que tudo o que colocamos diante de Deus está sob o Seu cuidado.
5. Como as passagens a seguir ampliam nossa compreensão sobre a paz de Deus? Sl 29:11; Is 9:6; Lc 2:14; Jo 14:27; 1Co 14:33
A paz de Deus é algo que o mundo jamais poderá oferecer, pois vem da certeza de que recebemos o dom da vida eterna por meio de Jesus, nosso Salvador (Rm 5:1; 6:23). Essa paz transforma todas as áreas da vida e “excede todo entendimento” (Fp 4:7). Ela não pode ser compreendida apenas pela razão, como indica a palavra grega nous (“mente”) usada nesse verso.
Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!
A paz que excede todo entendimento também “guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus” (Fp 4:7). Nosso interior precisa de proteção. Curiosamente, Paulo usa em Filipenses 4:7 uma metáfora militar ao falar da paz de Deus. O verbo grego phroure? descreve a “guarda” de soldados protegendo uma cidade contra invasões (2Co 11:32; compare com At 9:24).
Outro aspecto essencial da paz interior é viver em harmonia com a vontade de Deus: “Grande paz têm os que amam a Tua lei; para eles não há nada que os faça tropeçar” (Sl 119:165).
6. Leia Filipenses 4:8, 9. Que ações específicas são recomendadas?
Em Filipenses 4:8 e 9, Paulo apresenta uma lista de seis virtudes, seguida por um breve resumo delas e um incentivo para que os crentes sigam seu exemplo. Essa exortação final se encaixa bem no contexto greco-romano de Filipos, em que havia um forte enfoque tanto na virtude quanto no exemplo. No entanto, o destaque está nas virtudes bíblicas, o que fica evidente pela ausência das quatro virtudes cardeais gregas (prudência, justiça, temperança e coragem).
1. Verdadeiro – Não por acaso, a lista começa com a virtude central da Bíblia: a verdade, frequentemente enfatizada por Jesus (“Em verdade, em verdade lhes digo”) e em todo o NT (At 26:25; Rm 1:18; 1Co 13:6; 2Co 4:2; Ef 4:15; 1Tm 3:15; Tg 1:18; 1Pe 1:22; 1Jo 2:21).
2. Respeitável – O termo grego se refere a uma virtude pessoal (compare com outros usos em 1Tm 3:8, 11; Tt 2:2).
3. Justo – Essa virtude é definida pelo caráter justo de Deus (Fp 1:7).
4. Puro – Os pensamentos e as ações alinhados com a justiça que vem de Deus pela fé (1Jo 3:3).
5. Amável – Refere-se à beleza e harmonia vistas amplamente na criação de Deus.
6. De boa fama – Traduzido também como “admirável” (NVT); “amável, cativante e gracioso” (Amplified Bible, Classic Edition).
Para evitar qualquer interpretação equivocada, Paulo acrescenta duas qualificações dessas virtudes: O “que é excelente e digno de louvor” (Fp 4:8, NVT). São essas as qualidades celestiais que devem ocupar nossos pensamentos. Para remover qualquer dúvida ou erro de interpretação, ele chama todos a praticar o que “aprenderam”, “receberam”, “ouviram” e “viram” (Fp 4:9).
Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!
7. Leia Filipenses 4:10-13, 19. Que princípios Paulo revela para viver com alegria e contentamento?
Quando passamos por circunstâncias extremas – fome, doença, perdas – começamos a refletir sobre o que realmente importa e a valorizar bênçãos que, no dia a dia, costumamos menosprezar. É nos momentos em que passamos “necessidade” (Fp 4:12) que a fé mostra a sua força.
Nos momentos de “abundância”, devemos sempre lembrar que nada é garantido e que tudo pode mudar num instante (veja Pv 23:5). Jó e Paulo nos lembram: viemos ao mundo sem nada e assim partiremos (Jó 1:21; 1Tm 6:7).
Veja algumas promessas da Bíblia:
• “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará” (Sl 23:1).
• “O Pai de vocês, que está no Céu, sabe que vocês precisam de todas [essas coisas]” (Mt 6:32).
• “Lancem sobre Ele todas as suas ansiedades, porque Ele cuida de vocês” (1Pe 5:7).
• “O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as Suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus” (Fp 4:19, NVI).
E, acima de tudo: “Tudo posso Naquele que me fortalece” (Fp 4:13). Talvez nunca compreendamos completamente o que significa “tudo”, mas sempre devemos buscar aquilo que está de acordo com a Sua vontade. Muitas vezes, no entanto, nem mesmo pedimos aquilo que sabemos que Ele deseja nos conceder. É por isso que Tiago 4:2 afirma: “[Vocês] nada têm, porque não pedem.”
Aqui estão algumas coisas que podemos pedir com confiança, pois sabemos que estão alinhadas com a vontade de Deus:
• A salvação de um ente querido ou amigo (1Tm 2:3, 4).
• Coragem para compartilhar a fé (Ap 22:17).
• Perdão quando confessamos e deixamos o pecado para trás (1Jo 1:9).
• Força para obedecer aos mandamentos de Deus (Hb 13:20, 21).
• Amor por aqueles que nos tratam mal ou nos rejeitam (Mt 5:44).
• Sabedoria para enfrentar desafios (Tg 1:5).
• Entendimento da verdade na Palavra de Deus (Jo 8:32).
Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!
“Apenas os que estão recebendo constantemente novos suprimentos de graça terão poder proporcional à sua necessidade diária e à sua capacidade de usar esse poder. Em vez de aguardar um tempo futuro em que, mediante uma concessão especial de poder espiritual, recebam uma habilitação miraculosa para conquistar almas, rendem-se diariamente a Deus para que os torne vasos próprios para Seu uso. [...]
“Para o consagrado obreiro, há um maravilhoso consolo em saber que até Cristo, durante Sua vida na Terra, buscava diariamente Seu Pai à procura de nova provisão da graça necessária e saía dessa comunhão com Deus para fortalecer e abençoar outros” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos [CPB, 2021], p. 36).
“Deus fez preciosas promessas para os Seus filhos, sob condição de obediência fiel aos Seus preceitos. Não existe sequer um obstáculo que Ele não possa remover, não há trevas que não possa afastar, fraqueza alguma que seja incapaz de transformar em poder, nenhum temor que não possa acalmar, nenhuma aspiração digna que não possa guiar e fortalecer.
“Não devemos olhar para nós mesmos. Quanto mais demorarmos o pensamento em nossas imperfeições, menos força teremos para vencê-las” (Ellen G. White, Para Conhecê-Lo [CPB, 1965], 6 de agosto).
Perguntas para consideração
1. Quais orações atendidas mais marcaram sua vida? E as não respondidas conforme o que você esperava? Como, em ambos os casos, você tem experimentado a paz de Deus, que excede todo entendimento?
2. Leia Filipenses 4:8. No que você costuma ocupar seus pensamentos? De que forma isso fortalece (ou enfraquece) sua fé e seu relacionamento com Deus?
3. O que significa a afirmação: “Quanto mais demorarmos o pensamento em nossas imperfeições, menos força teremos para vencê-las”? Qual é, então, o caminho para a verdadeira vitória?
Respostas às perguntas da semana: 1. Paulo descreve bons modelos como aqueles que seguem o exemplo de Cristo. Os maus têm o apetite como deus e pensam apenas nas coisas terrenas. A chave para distingui-los é observar suas atitudes e onde está seu foco. 2. Ele afirma que nossa verdadeira pátria está no Céu, de onde esperamos jesus. Nossa identidade está ligada a Cristo, não a este mundo. 3. Nosso corpo será transformado em um corpo glorificado, real e incorruptível. Será um corpo semelhante ao de Cristo ressuscitado. 4. Quando entregamos nossas preocupações a Deus, Ele nos dá uma paz que vai além da lógica e protege nosso coração e nossa mente. 5. Elas mostram que a paz vem de Deus, é trazida por Cristo, está ligada à presença do Espírito e se manifesta em meio à confiança e obediência. 6. Devemos pensar no que é verdadeiro, justo e puro e praticar o que aprendemos com Cristo e Seus servos fiéis. 7. Paulo revela que o segredo do contentamento é confiar em Deus em todas as circunstâncias. A força vem de Cristo, e Deus supre todas as necessidades.
Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!
TEXTO-CHAVE: Fp 4:6
FOCO DO ESTUDO: Fp 3:17-21; 4:1-23
ESBOÇO
Introdução: Jesus e os apóstolos retrataram os cristãos como pessoas que viviam simultaneamente em dois reinos distintos. Jesus disse: “Deem, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22:21). Embora membros da sociedade humana, os crentes devem sempre ter em mente que já podem desfrutar alguns privilégios de sua cidadania celestial. Mais do que isso, são exortados a buscar esses benefícios como sinal de sua união com Cristo: “Portanto, se vocês foram ressuscitados juntamente com Cristo, busquem as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus” (Cl 3:1).
Como membros da pátria celestial, devemos “viver de maneira digna da vocação” a que fomos chamados (Ef 4:1). Essa vocação inclui viver com alegria e paz, independentemente das dificuldades enfrentadas em nossa obra por Cristo, sabendo que a cidade celestial é nosso lar definitivo (Hb 13:14). Pela fé, Abraão “aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e construtor” (Hb 11:10). Há “uma herança que não pode ser destruída, que não fica manchada, que não murcha e que está reservada nos Céus” para nós (1Pe 1:4).
A lição desta semana enfatiza três temas principais:
1. Os membros da pátria celestial vivem com maturidade, servindo como modelos dignos de serem imitados.
2. A alegria cristã, assim como a paz, não depende das circunstâncias externas, pois está enraizada em um relacionamento profundo com Deus por meio de Cristo.
3. Uma vida alegre e satisfatória é possível, mesmo neste mundo tumultuado, mas requer obediência aos princípios bíblicos.
COMENTÁRIO
Ilustração
O Dr. Thomas Lambie “foi para a Etiópia como missionário médico. Depois de algum tempo, ele quis comprar um terreno para uma estação missionária. Uma lei etíope dizia que nenhum terreno podia ser vendido a estrangeiros. Como o Dr. Lambie tinha grande amor por Cristo e pelos etíopes, ele renunciou à sua cidadania americana e se tornou cidadão etíope. Então comprou as propriedades necessárias para seu trabalho” (Paul Lee Tan, Encyclopedia of 7,700 Illustrations: Signs of the Times [Garland, TX: Bible Communications, Inc., 1996], p. 1176). Da mesma forma, os crentes são pessoas que, por amor a Cristo, estão dispostas a renunciar à cidadania terrena em favor da celestial. Eles se veem como “estrangeiros e peregrinos na Terra” (Hb 11:13).
Membros da pátria celestial
Paulo sugeriu que os líderes cristãos deveriam ser modelos ou exemplos a ser seguidos por outros (Fp 3:17). Essa ideia foi contrastada com a conduta dos falsos mestres, descritos como “inimigos da cruz de Cristo” (Fp 3:18). Eles foram retratados como pessoas destinadas à destruição, adoradores de seus próprios impulsos, cuja “glória deles” estava “naquilo de que deviam se envergonhar, visto que só” pensavam “nas coisas terrenas” (Fp 3:19). Em contraste, os cristãos devem estar conscientes de que sua “pátria está nos Céus” (Fp 3:20) e viver de acordo com essa realidade.
A palavra grega traduzida como “exemplo” em Filipenses 3:17 é symmim?t?s. Ela apareceu apenas uma vez no NT, o que sugere que Paulo a havia escolhido deliberadamente para transmitir uma mensagem muito específica e única. Em tradução literal significa “co-imitador” [“companheiro imitador”], ou seja, alguém “que se une a outros como imitador” (William F. Arndt et al., A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature [Chicago: University of Chicago Press, 2000], p. 958). Na verdade, Paulo cunhou esse termo “para enfatizar seu desejo de que houvesse um esforço comunitário em seguir seu exemplo: ‘Imitem-me, todos vocês juntos!’” (Gerald F. Hawthorne, Philippians, Word Biblical Commentary, v. 43 [Dallas: Word, Inc., 2004], p. 217). Essa noção é semelhante ao que Paulo diz em 1 Coríntios 11:1: “Sejam meus imitadores, como também eu sou de Cristo”. Em última instância, Cristo é o modelo perfeito para os cristãos. Em Cristo, os crentes podem se tornar bons modelos para os outros, como Paulo também indica em 1 Tessalonicenses 2:14: “Tanto é assim, irmãos, que vocês se tornaram imitadores das igrejas de Deus que se encontram na Judeia e que estão em Cristo Jesus”.
Como cidadãos dos Céus, devemos viver com propósito, mantendo firme a esperança de que nosso Salvador virá dos Céus e transformará nosso corpo mortal em corpo glorioso (Fp 3:20, 21). Até que esse dia chegue, será necessário esperá-Lo (Fp 3:20) e permanecer firmes Nele (Fp 4:1), certos de que nossa condição celestial será muito superior à nossa condição terrena.
Alegria e paz
Paulo ensinou que a alegria e a paz cristãs não dependiam das circunstâncias externas. Ele deixou isso claro ao afirmar: “Alegrem-se sempre no Senhor; outra vez digo: alegrem-se!” (Fp 4:4). Como sabemos por experiência, em um mundo cheio de pecado, é impossível viver sempre sob circunstâncias perfeitas. Então, como poderíamos nos alegrar sempre, se a alegria dependesse das circunstâncias externas? De fato, experimentar alegria em todo tempo só seria possível “no Senhor”. Aqui, vemos “a verdadeira base da alegria cristã e a esfera na qual ela floresce” (Philippians, Word Biblical Commentary, v. 43, p. 173).
É importante notar que o apelo para se alegrar no Senhor não é apenas um bom conselho, mas um mandamento. Viver com alegria era tão importante para Paulo que ele se referiu a isso três vezes ao longo da carta (Fp 3:1; 4:4, 10). Como exemplo para seu público (Fp 3:17), ele podia incentivá-los a se alegrarem no Senhor, porque ele faria o mesmo (Fp 1:18; 2:17, 18; 4:4). A alegria foi um dos temas centrais na carta de Paulo aos filipenses. O verbo grego chairo (“alegrar-se”) aparece oito vezes (Fp 1:18 [duas vezes]; 2:17, 18, 28; 3:1; 4:4, 10); o verbo synchair? (“alegrar-se com”) ocorre duas vezes (Fp 2:17, 18); e o termo chara (“alegria”) aparece cinco vezes (Fp 1:4, 25; 2:2, 29; 4:1). O que tornou esse apelo à alegria ainda mais notável foi o fato de que quem o escreveu estava na prisão!
A paz cristã, assim como a alegria, não depende das circunstâncias externas. Jesus disse: “Deixo com vocês a paz, a Minha paz lhes dou; não lhes dou a paz como o mundo a dá” (Jo 14:27). Novamente, esse tipo de paz era possível apenas no Senhor. Jesus também declarou: “Falei essas coisas para que em Mim vocês tenham paz” (Jo 16:33). Da mesma forma, ao usar a expressão “paz de Deus”, Paulo indicou que Deus é a fonte da paz. A expressão também pode significar “a paz produzida por Deus” ou “a paz que Ele concede”. Seja qual for o significado
exato, os crentes podem experimentar a paz que “excede todo entendimento” (Fp 4:7) somente por meio de seu relacionamento com Deus. Paulo afirmou que a paz de Deus é possível apenas porque “o Deus da paz” estará com os cristãos (Fp 4:9). Em resumo, como vivem os crentes conscientes de sua cidadania celestial? Vivem com alegria e paz.
Instruções para uma vida feliz
Uma vida alegre não acontece por acaso. É necessário seguir certos princípios, e, por essa razão, Paulo apresentou uma série de instruções em Filipenses 4, muitas delas na forma de imperativos.
“Alegrem-se sempre no Senhor” (Fp 4:4, ênfase acrescentada). A repetição, “Outra vez digo: alegrem-se” (Fp 4:4), indica que esse mandamento deve ser levado muito a sério.
“Que a moderação de vocês seja conhecida por todos” (Fp 4:5, ênfase acrescentada). “A palavra grega traduzida como ‘moderação’ (epieik?s) é um termo interessante e multifacetado. No contexto de como tratamos os outros, significa ser bondoso e gentil; nos relacionamentos, é ser cortês e tolerante; e em situações legais, conota indulgência” (Grant R. Osborne, “Philippians: Verse by Verse”, em Osborne New Testament Commentaries [Bellingham, WA: Lexham Press, 2017] p. 167).
“Não fiquem preocupados com coisa alguma” (Fp 4:6). Esse mandamento provavelmente se baseia no ensinamento de Jesus: “Não se preocupem com a sua vida” (Mt 6:25; ver também Mt 6:27, 28, 31, 34). Alcançar esse estado mental não parece fácil, não é mesmo? Paulo sugeriu que poderemos vencer a preocupação apresentando nossas orações, súplicas, ações de graças e pedidos diante de Deus.
“Seja isso o que ocupe o pensamento de vocês” (Fp 4:8). Paulo listou uma série de boas qualidades sobre as quais devemos refletir: aquilo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável e de boa fama. Ele acrescentou que essas coisas são virtuosas e dignas de louvor.
“O que também aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim, isso ponham em prática” (Fp 4:9, ênfase acrescentada). Em outras palavras, sigam bons modelos.
Mais uma vez, é digno de nota que o resultado de seguir essas orientações foi apresentado por meio de uma declaração notável: “E a paz de Deus [...] guardará o coração e a mente de vocês” (Fp 4:7). Apenas dois versos depois, em uma declaração quase sinônima, Paulo sugeriu fortemente que a paz de Deus era possível somente porque “o Deus da paz estará com vocês” (Fp 4:9).
APLICAÇÃO PARA A VIDA
Medite sobre os temas a seguir. Em seguida, peça aos alunos que respondam às perguntas ao fim da seção.
J. I. Packer disse com razão: “A falta de bons modelos sempre tende a rebaixar os padrões, e, infelizmente, bons modelos têm sido escassos ao longo deste século” (“Some Perspectives on Preaching”, em Preaching the Living Word [Geanies House, Scotland: Christian Focus, 1999], p. 31). Deus espera que nós, como cristãos, preenchamos essa lacuna (Mt 5:13, 14). Como cidadãos da pátria celestial, somos chamados a agradar a Deus, “frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus” (Cl 1:10), até o dia em que participarmos da herança dos santos na luz (Cl 1:12).
Por ora, podemos desfrutar alegria e paz, mesmo em meio às circunstâncias negativas. Essa alegria e essa paz só são possíveis mediante um relacionamento profundo com Deus. Ainda que não haja paz na Terra, podemos encontrar paz em Cristo (Jo 14:27). Uma vida de paz e alegria não é fruto do acaso. A Bíblia oferece uma série de instruções para nos alcançar a vida abundante que Deus deseja para Seus filhos. De modo geral, nenhum outro conjunto de orientações supera os Dez Mandamentos. Ellen G. White expressa isso de maneira magistral ao afirmar: “Nossa prosperidade e felicidade dependem de nossa obediência inabalável à lei de Deus. [...] Nenhum desses dez preceitos pode ser quebrado sem deslealdade ao Deus do Céu. Guardar cada jota e til da lei é essencial para a nossa própria felicidade e para a felicidade de todos os que estão ligados a nós” (The Signs of the Times, 3 de março de 1881).
Perguntas:
1. De que maneira nós, como cristãos, podemos ser bons modelos hoje, tanto em nossas igrejas quanto em nossas comunidades?
2. Qual é a relação entre a obediência à lei de Deus e uma vida de alegria e paz?
Garanta o conteúdo completo da Lição da Escola Sabatina para o ano inteiro. Faça aqui a sua assinatura!
DEUS NUNCA ME ABANDONOU
Fiji | Sera
Meu nome é Sera e sou das belas ilhas de Fiji. Sou estudante do segundo ano de Educação na Universidade Adventista de Fulton. Minha jornada aqui não foi nada fácil.
Cresci em um lar desestruturado. Desde muito jovem, precisei de cuidar de mim mesma. Não havia ninguém em quem me apoiar, nenhuma rede de apoio. A vida parecia uma batalha que eu tinha que lutar sozinha. No ensino médio, recorri ao álcool e ao cigarro. Eles se tornaram meu escape, o único conforto que eu conhecia.
Eu caía na mesma rotina semana após semana: trabalhar, receber o pagamento egastar todo meu dinheiro em coisas que só me faziam mal. Eu estava presa em um ciclo que parecia impossível de quebrar.
Meu primeiro alerta veio quando eu fui assaltada enquanto estava bêbada. Mas mesmo isso não me impediu de parar. Continuava voltando aos mesmos hábitos destrutivos.
Então veio o acidente de carro.
Aquela noite mudou tudo. Eu poderia ter morrido. No fundo, sabia que minha sobrevivência não tinha sido sorte. O acidente foi um aviso para me salvar.
Isso foi em 2078, quando vim para a Universidade Fulton para estudar Administração. Mas eu não conseguia lidar com o que considerava ser crenças estranhas dos adventistas do sétimo dia. Discuti com meus professores. Eventualmente, eu fugi. Pensei que voltaria à minha antiga vida com mais facilidade.
Mas, depois do acidente, caí em depressão. A culpa e os pensamentos suicidas me dominaram.
E, mesmo assim, naquela escuridão, ainda havia uma pequena voz, um sussurro: "Você vai ficar bem". Eu não sabia disso na época, mas agora acredito que era o Espírito Santo.
Eu não estava lendo minha Bíblia ou indo à igreja, mas eu nunca parei de orar. A oração era a única coisa que me restava. Era a única crença que eu carregava desde a infância-que Deus estava me ouvindo.
Minha tia e meu tio, ambos adventistas, sempre tentaram me mostrar a luz de Deus. Quando eu era mais jovem, eles nos convidavam para passar as férias no antigo campus da Universidade Fulton. Eles nunca nos forçavam - apenas gentilmente nos incentivavam a explorar a Palavra de Deus por nós mesmos.
Olhando para trás, eles foram uma parte importante da minha jornada. Eles plantaram a semente.
Chamar de "antiadventista". Lembro-me de dizer: "Onde na Bíblia diz que o sétimo dia é o sábado?" Eu não conseguia aceitar.
Mas, lentamente, por meio de estudo bíblicos, as coisas começaram a fazer sentido. Um dia, um pastor perguntou: "Você sabe alguma coisa sobre a segunda vinda de Jesus?" Aquela pergunta me abalou. Foi o ponto da virada. Comecei a ver tudo de maneira diferente.
Voltar para a Universidade Fulton foi sem dúvida, um verdadeiro milagre. Eu não tinha planos, nem dinheiro, nem ideia de como pagaria minhas mensalidades. Eu apenas disse: "Deus, eu quero voltar para a faculdade".
Na véspera do meu retorno, minha irmã e seu esposo se ofereceram para pagar minhas mensalidades. Eles disseram: "Você não precisa nos pagar de volta. Só queremos ajudar você a começar".
Deus abriu portas.
Com o tempo, Ele cuidou dos meus estudos, me deu oportunidades de liderança e trouxe pessoas para minha vida que me guiaram em direção à verdade.
E o maior milagre? Fui batizada. Escolhi seguir a Deus- não porque alguém me obrigou, mas porque eu encontrei a verdade por mim mesma.
Não tem sido fácil. A vida espiritual pode ser mais difícil do que a vida que deixei para trás. Mas vale a pena.
Antes, eu pensava que o mundo poderia me dar paz. Mas agora eu sei que somente Deus pode satisfazer as necessidades ma is profundas do coração.
Hoje, leio a Bíblia mais do que nunca, levo a oração a sério e tento compartilhar minha história com outros estudantes, especialmente aqueles que não conhecem o amor de Deus.
A Universidade Fulton é mais do que uma escola. É um lugar onde estudantes, como eu, podem encontrar a verdade, a cura e um propósito. Aqui, não estamos apenas nos preparando para a carreira, mas também para a eternidade.
Se eu pudesse compartilhar uma mensagem, seria esta: "Nunca desista de Deus. Mesmo que você caia ou se perca, levante-se.Continue caminhando na direção que Deus deseja que você siga. Ele nunca desistiu de mim. Ele também não desistirá de você".
Parte da oferta do quarto trimestre de 2009 ajudou a construir o novo campus da Universidade Adventista Fulton. Obrigado por sua trimestral, que neste trimestre irá apoiar projetos de saúde para crianças nas Ilhas Salomão e Vanuatu.
Conforme contado a Maika Tuima, escrito por Sera Wilson.
Dicas para a história
• Mostre a localização de Fiji no mapa.
• Baixe as fotos desta história pelo Facebook: bit.ly/fb-mq.
• Compartilhe fatos e atividades relacionadas à Divisão do Pacífico Sul: bit.ly/spd-2026.

