O poeta espanhol Ramón del Valle-Inclán, apelidado de “barba de bode”, era conhecido tanto pelo excelente nível de sua produção literária quanto por sua aparência excêntrica, assinalada por uma longa cabeleira, barba e roupas exóticas. Após uma breve e pouco feliz estada no México, passou a maior parte de sua vida em Madri, onde conviveu com diversos autores e personalidades do mundo cultural. Era um escritor famoso, singular e genial.
Em 1899, aos 33 anos, Ramón teve uma experiência difícil. Após uma discussão acalorada com seu colega e compatriota, o escritor Manuel Bueno, os dois se envolveram em uma briga com bastões. Durante o embate, um golpe de seu oponente fez com que um botão da camisa se enterrasse em seu pulso esquerdo. Despreocupado, Ramón não tratou a ferida adequadamente, e a infecção resultante levou à amputação do braço.
O episódio, porém, não o desanimou. Pelo contrário, sua criatividade floresceu ainda mais. Durante anos, Ramón foi visto nos cafés e centros culturais de Madri narrando que havia perdido o braço ao enfrentar um leão em uma feroz batalha. Mentia com tanta convicção que muitos ouvintes não sabiam dizer se ele falava sério ou brincava. Para Valle-Inclán, a mentira parecia ter se tornado uma forma de arte.
Contudo, um cristão não pode mentir nem mesmo em tom de brincadeira. O texto bíblico de hoje coloca a mentira no mesmo nível de pecados como homicídio, fornicação, feitiçaria e idolatria, enfatizando que “todos os mentirosos” receberão como destino o lago de fogo e enxofre.
O ato de mentir é mais grave do que muitos imaginam. Em primeiro lugar, porque os mentirosos têm um pai comum, o diabo (Jo 8:44). Por isso, hoje, peça ao seu Pai celestial que lhe conceda um coração íntegro, para que suas palavras e ações O glorifiquem. Escolha ser um protagonista da verdade.