Saímos de casa em Alberta, Canadá, em direção à casa do nosso filho no Alasca, a 3.200 quilômetros de distância. São muitos quilômetros para viajar em apenas três dias, mas a distância e as horas passariam. Meu esposo, Larry, lia para mim, eu fazia perguntas para ele sobre curiosidades de guias de viagens, e contávamos os animais selvagens que avistávamos, a fim de nos mantermos mais alertas e nos tornarmos mais conscientes do nosso mundo maravilhoso.
Peguei um pequeno caderno em minha bolsa e comecei a olhar ao redor. Em nossa vizinhança, ocasionalmente vemos porcos-espinhos caminhando pela estrada. Uma vez, vimos um par de castores atravessando uma rodovia. Sabíamos que em nove horas veríamos ovelhas de pedra no Parque Provincial Stone Mountain e que, no dia seguinte, haveria bisões na floresta perto das Fontes Termais de Liard, mas esperávamos encontrar um ou dois coiotes, alguns veados, alces, ursos-negros e ursos-pardos antes disso. Os quilômetros passavam rapidamente, e não víamos nenhum coiote ou cervo nos campos. Perguntei ao Larry qual era o comprimento do rio Yukon. Nenhum urso à vista.
O terreno mudou, e eu comecei a dirigir. Larry lia para mim, enquanto eu examinava as margens da estrada. Então reclamei: – Nada! Nem um porco-espinho, coiote ou cervo, muito menos um urso ou alce. Absolutamente nada. Nada além desses esquilinhos que estão por toda parte.
Larry respondeu: – Achei que estávamos contando animais. Estabelecemos um critério de tamanho? O animal precisa ter pelo menos um metro de comprimento, como um porco-espinho, ou deve pesar 900 quilos, como um bisão? Naturalmente, esses esquilos têm apenas cerca de 25 centímetros de comprimento e provavelmente não pesam nem meio quilo, mas ainda assim são animais, não são?
Suas observações pairaram no ar entre nós por um momento.
Olhei para ele e percebi o quão cega eu havia sido. – É melhor você guardar esse livro – eu disse, sorrindo. – Você ficará muito ocupado para ler, pois há muitos esquilos para contar!
Rimos e, assim, prosseguimos com uma apreciação renovada, mais vívida e inclusiva do nosso mundo maravilhoso e de todas as suas criaturas, grandes e pequenas.
Denise Dick Herr